A hegemonia estadunidense no mundo não se limita aos campos econômico e cultural, estendendo-se também à área militar. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos investiram maciçamente no aparelhamento das forças armadas, assim como em treinamento e manutenção do exército e em pesquisas
nesse setor, a fim de competir com o poderoso exército soviético e conter a expansão do socialismo e a influência da União Soviética no mundo.
O poderio militar tem um peso muito grande nas negociações internacionais.
Países poderosos, como os Estados Unidos, conseguem impor seus interesses de
modo que os demais acatem suas decisões, o que também ocorre nas negocia
ções comerciais. O poder militar possibilita a consolidação do poder político.
Com o fim da União Soviética, os Estados Unidos deixaram de ter oponentes que pudessem ameaçá-los diretamente. Assim, desde então, são a maior
potência militar do planeta, com forte indústria bélica.
A Guerra Fria, como ficou conhecido o período de rivalidades entre essas duas superpotências, levou a uma corrida armamentista sem precedentes na história. Mesmo que não tenham se enfrentado diretamente em um conflito, tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética realizaram dezenas de intervenções militares nas mais diversas regiões do planeta, tendo em vista a ampliação das áreas de influência de seus respectivos regimes político-ideológicos.
Sem realizar embates diretos, essas duas potências militares buscaram intimidar
uma à outra por meio de ações que demonstrassem o poder de seus armamentos,
principalmente com mísseis e armas nucleares. Com o fim da União Soviética, em
1991, os Estados Unidos se consolidaram como a maior potência militar do planeta,
sem nenhuma nação que se equiparasse a sua indústria bélica.
Os Estados Unidos tornaram-se o centro de uma gigantesca aliança militar: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), criada em 1949 com a união de algumas das forças armadas mais poderosas do mundo, como a inglesa, a francesa e a italiana. A superioridade militar estadunidense tornou-se incontestável após o fim da União Soviética, em 1991. Desde essa época, as operações militares dos Estados Unidos passaram a ser mais incisivas.
O desenvolvimento da indústria de armamentos nos Estados Unidos, que recebeu fortes investimentos do governo especialmente após a Segunda Guerra Mundial, contribuiu para o crescimento da tecnologia utilizada na produção de novos
bens de consumo.
Nesse sentido, também houve enorme contribuição da indústria aeroespacial (satélites artificiais, foguetes, naves, ônibus espaciais) por meio
da Nasa (sigla em inglês para Agência Espacial Norte-Americana), um organismo
civil federal. Mais de 3 mil novos produtos de consumo lançados pelos Estados
Unidos na segunda metade do século XX foram criados a partir da tecnologia de
senvolvida, inicialmente, para produtos ligados à indústria bélica ou aeroespacial.
O poderio militar dos Estados Unidos possibilitou, por exemplo, a derrubada de governos contrários às orientações estadunidenses. Essa situação foi comum
durante a Guerra Fria (1947-1989), período no qual o regime socialista vigorava
em diversos países e a União Soviética era a superpotência militar que se opunha
aos Estados Unidos.
Atualmente, os Estados Unidos possuem bases militares em diversas regiões do
mundo, e, na maioria das vezes, por meio dessas bases, o governo estadunidense intervém em diferentes conflitos pelo mundo. O país também apresenta o maior gasto
com questões militares.
No Brasil, a Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, juntamente com a elite nacional, apoiou a deposição de João Goulart
(Jango), que procurava se manter independente da disputa entre as superpotências no contexto da Guerra Fria e cujo plano de governo era voltado às causas dos
trabalhadores e dos movimentos sociais brasileiros. Após o golpe, instalou-se no
país a ditadura (1964-1985). Os militares tomaram o poder e se alinharam aos
Estados Unidos. O governo militar foi caracterizado pela repressão e pela censura.
A partir da segunda metade do século XX, o Oriente Médio também rec beu notável atenção dos Estados Unidos. Essa porção territorial da Ásia é rica
em petróleo, e os EUA, na posição de maior consumidor do mundo dessa fonte
energética, passaram a atuar direta e indiretamente nesse território.
Contudo, nessa região existem países que oferecem resistência ao expansionismo estadunidense. O apoio histórico dos Estados Unidos ao Estado de
Israel, desde sua criação, em 1948, aumentou a oposição das nações árabes à
política estadunidense.
Em 2017, os gastos militares dos Estados Unidos foram superiores a 600 bilhões de dólares, cerca de 35% dos gastos mundiais no setor. Vários países abrigam tropas estadunidenses, com milhares de soldados, e bases militares que
realizam diversas operações, incluindo testes nucleares. O planeta encontra-se,
literalmente, dividido em setores: são os comandos militares estadunidenses que
dispõem de diversos armamentos de guerra. A força militar dos Estados Unidos
está presente em todos os continentes.
Embora naquele mesmo ano a China tenha gasto três vezes menos que os
Estados Unidos em despesas militares, entre 2008 e 2017 o crescimento de investimentos do país no setor foi de 110%, enquanto, no mesmo período, os Estados Unidos reduziram seus gastos em 14%.
Esses dados mostram como a China, atual segunda maior potência econômica global, tem procurado se fortalecer
também do ponto de vista militar, trilhando um caminho parecido ao dos Estados
Unidos logo após a Segunda Guerra Mundial.
Ainda em 2017, a China inaugurou sua primeira
base militar no exterior, em Djibuti, na África,
continente que, vem recebendo expressivos investimentos chineses.
A base foi instalada em um local estratégico, próximo
ao mar Vermelho e ao golfo de Áden, onde é intenso
o fluxo de embarcações marítimas comerciais. Nessa
área também atuam piratas que sequestram navios e
pedem resgate para a libertação das tripulações.
O fortalecimento da estrutura militar chinesa
é acompanhado com preocupação pelos Estados
Unidos. De acordo com um relatório do governo esta
dunidense de 2017, “os Estados Unidos continuarão
monitorando a modernização militar da China e continuarão adaptando suas forças, abordagens, investimentos e conceitos operacionais para garantir sua
capacidade de proteger a pátria, aliados e parceiros,
conter a agressão e garantir a paz na região, a prosperidade e a liberdade”.
Os Estados Unidos utilizam em torno de 3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na área militar, o que corresponde a cerca de 36% do volume gasto em defesa no mundo. O país também conta com um contingente de 1,3 milhão de militares, que representa cerca de 0,7% da população estadunidense economicamente ativa.
Liderança militar no mundo
Os Estado Unidos são o país que mais investe no setor militar. Em 2017, se
gundo dados do Banco Mundial, seus gastos militares chegaram a 610 bilhões
de dólares. O segundo país que mais investe nesse setor é a China, cujos gastos,
de aproximadamente 228 bilhões no mesmo ano, equivaleram a menos de 40%
do montante estadunidense.
Desses investimentos resulta que os Estados Unidos detêm mais aviões e
navios de combate do que qualquer outro país e um exército muito bem equipa
do e treinado para realizar tarefas em diferentes lugares, como desertos e flores
tas, e em diferentes situações, como invasão ou defesa de territórios. Por isso, o
país é considerado uma superpotência militar.
Vale lembrar que na última década aumentou o número de conflitos armados,
o que levou à deterioração da segurança mundial. Ao aumento do número de conflitos corresponde o maior número de armas comercializadas no mundo. Os Estados
Unidos, nesse contexto, são o principal exportador de armas, responsáveis por 34%
do total de armas comercializadas internacionalmente.
As centrais de Comandos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos
têm como missão garantir a defesa nacional deste país e sustentar a sua influência militar no mundo
Oferecer proteção é uma maneira de influenciar militarmente um país. Essa proteção pode ocorrer por meio de acordos de venda de tecnologia e de armamentos,
treinamento de tropas ou instalação de bases militares em territórios aliados. Nem
sempre isso ocorre em benefício da população do país, mas de acordo com os interesses estadunidenses e de determinados grupos que se privilegiam desses acordos.
Uma forma de influenciar usando o instrumento econômico é emprestar ou
doar dinheiro a um país, que, em troca, recebe, por exemplo, uma base militar
estadunidense em seu território.
Entre as ações militares estadunidenses que mais se destacaram nas últimas duas décadas estão aquelas feitas em países do Oriente Médio, como na Guerra no Afeganistão (2001), quando as forças estadunidenses invadiram o país para derrubar o governo talibã, acusado de ter ligações com grupos terroristas; na Guerra no Iraque (2003), quando os Estados Unidos e a Inglaterra voltaram a invadir o Iraque e destituíram, definitivamente, o governo de Saddam Hussein; na Guerra da Síria (2012), quando os Estados Unidos, em aliança com outras potências militares, enviaram cerca de dois mil soldados para combater milícias terroristas, entre elas o chamado Estado Islâmico.
Destaca-se também as ações militares relacionadas à Guerra da Ucrânia (2022), quando, em conjunto com países europeus, o governo estadunidense enviou recursos financeiros e armamentos para que o exército ucraniano resistisse à invasão russa.
Influência militar na América Latina
Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a influência militar dos Estados
Unidos se tornou mais evidente. Os Estados Unidos foram um dos vencedores da
Grande Guerra, junto com a ex-União Soviética, a França e o Reino Unido. Os países
vencedores europeus, porém, foram destruídos pela guerra e precisavam reconstruir
seus territórios. Os Estados Unidos e a ex-União Soviética, por sua vez, saíram da
guerra fortalecidos e iniciaram uma disputa pela posição de liderança mundial.
Essa disputa caracterizou o período conhecido como Guerra Fria, que durou de 1945
a 1991. Especialmente entre as décadas de 1950 e 1970, os Estados Unidos, com o objetivo garantir sua hegemonia no continente americano, passaram a apoiar golpes mi
litares nos países da América Latina.
A primeira intervenção apoiada pelos Estados
Unidos, em 1954, foi responsável pela queda do presidente da Guatemala.
Paraguai,
Argentina, Brasil, Peru, Uruguai, Chile, República Dominicana, Nicarágua e Bolívia foram
outros países latino-americanos que tiveram ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos.
Guerra ao Terror
Desde a Guerra Fria, os EUA têm adotado uma política de intervenção e
ocupação militar em países que possam lhe oferecer perigo.
Essa política se
acentuou após o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, no qual as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e o prédio do Pentágono, em
Washington, foram atingidos por aviões comerciais comandados por terroristas
islâmicos, matando 3 278 pessoas. Esses prédios representavam, respectiva
mente, os poderes econômico e militar do país.
Os Estados Unidos começaram uma caça aos grupos terroristas que, de
alguma forma, ameaçavam os interesses estadunidenses. Assim, o Afeganis
tão foi ocupado em 2001, quando o então presidente estadunidense, George
W. Bush, autorizou a operação para capturar o saudita Osama bin Laden, líder
da Al-Qaeda, acusado de planejar o atentado de 11 de setembro. O Iraque foi
ocupado em 2003, quando os Estados Unidos acusaram o governo de Saddam
Hussein de produzir armas químicas de destruição em massa.
Nenhuma das intervenções obteve êxito. Osama bin Laden foi capturado
e morto somente em 2011, dez anos após o atentado de 2001. Também ficou
comprovado que o Iraque não tinha as armas químicas anunciadas pelo governo
estadunidense. O resultado dessas operações foi a destruição desses países e
a morte de milhares de civis.
Para os Estados Unidos, o saldo positivo da ocupação do Afeganistão foi
a retirada do Talibã do poder, grupo extremista islâmico que governou o país
de 1996 a 2002. No Iraque, o ditador Saddam Hussein foi deposto em 2003,
após 24 anos no controle do país. Nem os talibãs nem Hussein representavam
os interesses dos EUA na região.
No entanto, a desaprovação popular interna e externa e o alto custo dessas
intervenções militares levaram o governo estadunidense a decidir pela retirada
de seus militares desses países a partir de 2010. Apesar disso, em 2015, mais
de 10 mil militares estadunidenses ainda permaneciam no Afeganistão, e o
Talibã não perdera o poder no país.
Em 2021, sob a presidência de Joe Biden,
os Estados Unidos concluíram a retirada de suas tropas do Afeganistão, após 20
anos de ocupação, a mais longa de toda a história dos Estados Unidos. Tal ação
ocorreu no momento em que o grupo Talibã retomava o poder no país.
Os Estados Unidos têm rivalizado com o Irã e a Coreia do Norte, nações
suspeitas de desenvolver programas nucleares para fins bélicos. Esses países são vistos pelo governo estadunidense e pelas Nações Unidas como uma
ameaça, com a justificativa de que podem fabricar bombas atômicas.
Em uma iniciativa para aliviar as tensões com os iranianos, os Estados Unidos e mais cinco potências (Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia)
firmaram um acordo, em julho de 2015, que previa a diminuição das atividades
nucleares do Irã – dessa forma, o país asiático não teria potencial para produzir
armas nucleares.
Em troca, essas potências retirariam as sanções econômicas
impostas aos iranianos. No entanto, em 2018, o então presidente Donald Trump
retirou os Estados Unidos do acordo e retomou as sanções econômicas aos
iranianos, alegando que as medidas do acordo e a fiscalização sobre o Irã eram insuficientes para impedir o
país asiático de produzir armas nucleares.
Desde 2014, os Estados Unidos enfrentam ainda
outro inimigo: o Estado Islâmico, grupo radical formado por ex-combatentes do antigo Exército derrotado de Saddam Hussein, que propaga o terror por
meio da dizimação de minorias religiosas e étnicas,
como os xiitas e os curdos do norte do Iraque, além de
assassinar reféns e jornalistas estrangeiros.
Relações tensas entre Estados Unidos e Rússia
As tensões entre Estados Unidos e Rússia vêm de longa data, desde o fim da Segunda Guerra Mun
dial, quando ainda existia a União Soviética (URSS). A corrida armamentista que as duas superpotências
realizaram levou a uma situação de constante desconfiança.
Com o fim da URSS, na década de 1980, a Rússia surgiu como principal potência remanescente da
dissolução do país socialista, mantendo interesses geopolíticos em diversos espaços geográficos das
repúblicas vizinhas que um dia, juntas, fizeram parte do mesmo país.
Ao longo das décadas de 1990 e 2000, Estados Unidos e Rússia mantiveram relações amistosas. Porém,
os desentendimentos envolvendo a Ucrânia reativaram certa tensão entre as potências.
Nenhum comentário:
Postar um comentário