sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Estados Unidos: superpotência mundial

Para compreender como os Estados Unidos chegaram, em termos econômicos e geopolíticos, à atual posição de superpotência mundial, precisamos analisar sua formação histórica e identificar os fatores que contribuíram para seu desenvolvimento.
As colônias que, no século XVII, foram estabelecidas na costa do Atlântico Norte, e que depois deram origem aos Estados Unidos, despertaram pouco interesse nos ingleses. Nessas terras, localizadas em áreas de clima temperado, não se desenvolviam bem os gêneros agrícolas tropicais, muito valorizados na Europa àquela época. Além disso, não havia no local jazidas de minerais preciosos, como ouro e prata. Assim, a ocupação dessas áreas atendia somente às necessidades das próprias colônias. Por isso, a forma de ocupação foi baseada no estabelecimento de pequenas propriedades camponesas, com predomínio do trabalho agrícola familiar, assim como no desenvolvimento do artesanato e da manufatura, com a produção de artigos diversos.
O aumento da produção agrícola e da atividade artesanal propiciou o cres cimento do mercado interno, acelerando a expansão das manufaturas, do comércio e das casas bancárias. A ampliação dessas atividades permitiu significativa acumulação de capital, que, a partir do século XIX, passou a ser investido nas primeiras fábricas, as quais, mais tarde, impulsionaram o desenvolvimento industrial e econômico do país.

Revolução industrial estadunidense

A partir do final do século XVIII, os Estados Unidos passaram por uma fase de grande prosperidade econômica, motivada especialmente pela expansão do mercado consumidor interno, fato que assegurou o crescimento da produção industrial na região nordeste do país.
Na segunda metade do século XIX, muitos recursos passaram a ser aplica dos na mineração, tendo em vista a demanda de matérias-primas destinadas ao abastecimento da crescente indústria. Iniciou-se a exploração de imensas jazidas de carvão nos Montes Apalaches, enquanto o ferro era extraído em abun dância nas proximidades dos Grandes Lagos na região nordeste do país. A exploração desses recursos alavancou o desenvolvimento da atividade industrial.
Mais tarde, no final do século XIX, a descoberta e a extração do petróleo, primeiro próximo aos Grandes Lagos e depois no Texas e no Golfo do México, proporcionaram grande desenvolvimento da indústria, em especial do setor petroquímico. O petróleo passou a ser empregado como combustível para o funcionamento de máquinas industriais e de veículos de transporte, principal mente automóveis.

Colonização e formação da América Anglo-Saxônica

A colonização do Canadá iniciou-se no século XVII, com o estabelecimento de ingleses na baía de Hudson e de franceses no litoral leste. A ocupação europeia seguiu gradativamente para oeste, alcançando o litoral ocidental do país no final do século XIX, com a chegada da ferrovia a Vancouver. 
O Canadá conquistou sua independência da Inglaterra somente em 1867. A colonização efetiva do território que atualmente compõe os Estados Unidos ocorreu em 1776 com a independência das chamadas Treze Colônias, que até então estavam sob o domínio inglês. Em segui da, iniciou-se o processo de ocupação do interior, chamado Conquista do Oeste ou Marcha para o Oeste. Dessa forma, novas áreas foram incorporadas (sobretudo para uso agrícola), algumas anexa das por meio de guerras, outras compradas ou cedidas aos estadunidenses. Assim como ocorreu no Canadá, a construção de ferrovias nos Estados Unidos foi fundamental para o relativamente rápido pro cesso de ocupação do território. 
Por outro lado, durante esse processo, dezenas de povos indígenas que viviam nos territórios compra dos acabaram perdendo suas terras, o que obrigou milhares de pessoas a viver em áreas restritas do ter ritório estadunidense (e também canadense) designadas pelo governo, as chamadas reservas indígenas.

Ascensão como potência econômica

A intensa acumulação de capital ocorrida na segunda metade do século XIX possibilitou a emergência dos Estados Unidos como uma das maiores potências econômicas mundiais.
No início do século XX, o país já abrigava grandes empresas que detinham o monopólio de alguns setores estratégicos da economia, como o de petróleo (pertencente à família Rockefeller), o de aço (da família Morgan), o de automóveis (da família Ford) e o setor de ferrovias (pertencente à família Vanderbilt).
O crescimento da economia estadunidense também foi favorecido por dois importantes acontecimentos históricos: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como eles ocorreram principalmente no território da Europa, os países desse continente, que já eram industrializados e despontavam como potências econômicas, foram praticamente arrasados. Be neficiados por estarem geograficamente distantes da Europa, os Estados Unidos não sofreram os mesmos desgastes e perdas resultantes desses conflitos.
Ao final da Segunda Guerra, países como Inglaterra, França, Itália e Alemanha estavam muito enfraquecidos e com as produções agrícola e industrial arruina das. A escassez de produtos no mercado interno os fez recorrer às importações dos Estados Unidos, acelerando o crescimento da economia estadunidense.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos passaram a destinar grande ajuda financeira para a reconstrução dos países europeus. A realização desses empréstimos contribuiu para o endividamento desses países, ampliando ainda mais a depen dência deles em relação à economia estadunidense.

O dólar na economia mundial

Ao término da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos, na condição de grandes credores internacionais, afirmaram sua hegemonia econômica. Essa posição, entretanto, já havia se evidenciado na Conferência de Bretton Woods, realizada no país em 1944.
O objetivo dessa reunião foi planejar a estabilização da economia mundial, profundamente abalada pela guerra. Naquela ocasião, o dólar estadunidense estava tão valorizado que se tornou a moeda de referência no mercado in ternacional, ou seja, o valor das mercadorias comercializadas entre os países passou a ser definido conforme a cotação dessa moeda no mercado mundial.

Multinacionais e comércio estadunidense

A partir da segunda metade do século XX, a economia dos Estados Unidos iniciou uma nova fase, caracterizada pela expansão de grandes empresas que, em busca de novos mercados, passaram a atuar em outros países. Ao ampliar sua participação no mercado mundial, as multinacionais estadunidenses do minaram o processo de acumulação capitalista, aumentando o poderio dos Estados Unidos em relação às demais nações.
Os investimentos realizados por essas multinacionais foram direciona dos principalmente para os países desenvolvidos da Europa, como França e Inglaterra. Muitas dessas empresas também investiram nos mercados consumi dores em expansão dos países subdesenvolvidos, entre eles Brasil, Argentina, México e África do Sul.

Multinacionais estadunidenses no Brasil

Até o início do século XX, a maior parte dos investimentos estrangeiros no Brasil era proveniente da Inglaterra. No entan to, após a expansão econômica dos Estados Unidos, grupos empresariais estadunidenses passaram a investir maciçamente em nosso país e a instalar empresas multinacionais em território brasileiro.
Atualmente, a maioria delas ainda permanece atuando no mercado nacional nos mais diversos setores de atividades, como o industrial (automóveis, medicamentos, produtos químicos etc.), o de comércio e serviços (seguradoras, bancos, redes de supermercado) e até mesmo o de produção cinematográfica.

Influência econômica dos Estados Unidos

As reportagens acima mostram a influência econômica dos Estados Unidos sobre o comércio e o mercado financeiro mundial. Essa influência se manifesta por meio do grande poder político sobre os organismos financeiros internacio nais, principalmente sobre o Fundo Monetário Internacional (FMI). Prova disso é que muitas das medidas adotadas pelo fundo são determinadas pelo gover no estadunidense, sobretudo quando se referem à ajuda financeira aos países subdesenvolvidos. Para receber empréstimos, os países precisam se ajustar às exigências do FMI.
Além disso, os Estados Unidos praticam uma política econômica externa bastante protecionista. O país interfere no comércio internacional, não permitindo, por exemplo, a entrada de determinados produtos em seu mercado interno e estabelecendo barreiras alfandegárias no comércio com certos países, a fim de impedir que setores de sua economia enfrentem a concorrência externa.
O governo também aplica sanções econômicas e embargos comerciais, que vão da suspensão temporária da importação de determinados produtos ao bloqueio comercial de países que contrariam seus interesses políticos.

Exportação cultural estadunidense

A difusão da cultura estadunidense em todo o mundo é intensa, realizada principalmente por meio dos veículos de comunicação de massa. As emisso ras de rádio espalhadas por todo o planeta, por exemplo, divulgam os vários gêneros musicais criados nos Estados Unidos. Da mesma forma, os estúdios de cinema e as redes de televisão produzem filmes e disseminam informações que enaltecem o modelo estadunidense de sociedade, o chamado american way of life, caracterizado pela modernidade e pelo comportamento consumista.
Além da influência exercida pelos veículos de comunicação de massa, a “invasão” cultural dos Estados Unidos consolidou-se com a implantação de multinacionais estadunidenses em todos os continentes. Ao se expandirem pelo mundo, essas empresas passaram a produzir praticamente os mesmos tipos de mercadoria e a prestar os mesmos serviços oferecidos nos Estados Unidos, influenciando os hábitos alimentares, as roupas, a língua e outros elementos culturais dos países onde foram instaladas, faturando centenas de bilhões de dólares todos os anos.


Nenhum comentário:

Relações China-Brasil

A China, desde 2009, tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. Em 2021, do valor total das exportaçõe...