Entre os séculos XVII e XVIII, os ingleses estabeleceram Treze Colônias próximas à costa atlântica do território que atualmente compõe os Estados Unidos. As colônias do Norte estadu nidense mantinham uma economia industrial direcionada para o mercado interno, manufatureiro e assalariado.
Já as colônias do Sul tinham uma economia agroexportadora, caracterizada por grandes plantações de algodão semelhante às plantations (grandes propriedades monocultoras cuja produção se destina ao mercado externo), estrutura implantada no Brasil Colônia e na América Latina.
Naquele período, apesar de a América do Norte ser uma economia agrícola, ela estava rapidamente alcançando o Reino Unido no que dizia respeito às manufaturas. Quando a Comissão de Comércio escreveu aos gover nadores coloniais solicitando dados sobre bens produzidos localmente, as autoridades, atentas à opinião local, subestimaram a produção.
A expansão territorial dos Estados Unidos
Entre 1776 e 1781, os Estados Unidos passaram por uma guerra de independência. Nessa época, seu território estava restrito à mesma área das Treze Colônias inglesas. Em 1783, os Estados Unidos foram reconhecidos como um país, e a Inglaterra cedeu novas terras, que se estendiam dos Montes Apalaches até o Rio Mississippi – o principal da América do Norte.
Controlá-lo era de grande importância estratégica, pois ele possibilitava o acesso às grandes planícies, com solos ricos em nutrientes e com grande potencial produtivo, garantindo que se pudesse chegar a outros rios e outras áreas no continente. Além disso, garantia rotas de comércio com franceses, que já ocupavam a região. No entanto, a ocupação dessas terras levou a muitos conflitos com os povos indígenas que ali habitavam, os quais foram alienados de suas terras e de seus modos de vida.
Desde então, os Estados Unidos iniciaram sua expansão territorial ao longo do século XIX. Tal expansão ficou conhecida como Marcha para o Oeste e ocorreu por meio de acordos, compras, guerras e tratados.
Em 1803, os Estados Unidos compraram dos franceses o território da Louisiana por 15 milhões de dólares. Em 1819, compraram a Flórida da Espanha por 5 milhões de dólares. Em 1867, os russos venderam o Alasca aos Estados Unidos por 7,2 milhões de dólares.
Além das aquisições mediante compra, os Estados Unidos ampliaram seu território por meio da Guerra Mexicano-Americana (1846-1848). O conflito se iniciou com a disputa pelo Texas, que, originalmente, pertencia ao México, mas que, a partir de 1821, começou a ser povoado por colonos estadunidenses (com autorização do governo mexicano). Esses colonos se revoltaram contra as leis mexicanas e passaram a exigir a cessão do Texas para os Estados Unidos.
Na década de 1840, os Estados Unidos manifestaram interesse pela Califórnia, território originalmente mexicano, cujo governo, por esse motivo, declarou guerra aos Estados Unidos. Com outra derrota, o México foi obrigado a ceder, além da Califórnia, o território do Novo México.
Essas aquisições de territórios foram acompanhadas de um processo de migração de colonos, que neles se estabeleciam. As novas terras eram vistas como “vazias” e o governo passou a incentivar a sua ocupação por meio do Homestead Act, ou Lei do Povoamento, instituída em 1862 por Abraham Lincoln (1809-1865), primeiro presidente dos Estados Unidos. Tal lei cedia lotes a preços muito baixos, exigindo, em contrapartida, que os terrenos fossem ocupados e cultivados por, no mínimo, cinco anos. Com essa política, muitos produtores agrícolas se mudaram para a região, contribuindo para a ocupação do território estadunidense.
A ocupação do Oeste foi incentivada por uma crença da época conhecida como Destino Manifesto, segundo a qual os estadunidenses fariam parte de uma nação escolhida por Deus para ser grande e próspera. Ela era utilizada como justificativa para isentar os estadunidenses da culpa de toda a violência cometida ao longo do processo de expansão, principalmente contra os indígenas.
O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA ESTADUNIDENSE
Desde antes do fim do período colonial, já havia um esforço organizado em diversas colônias inglesas da América do Norte, principalmente em Massachusetts e em Nova York, para implantar indústrias nos moldes da Europa.
O governo dos Estados Unidos direcionou os investimentos públicos e a organização da economia do Norte do país para a criação de uma base industrial e de uma estrutura de transporte que viabilizassem o desenvolvimento capitalista e a expansão do território em direção a oeste e ao oceano Pacífico.
No entanto, os estados do Norte e do Sul do país se organizavam com base em diferentes estruturas econômicas e isso gerava interesses conflitantes, principalmente em relação ao trabalho escravizado. Para a economia capitalista do Norte, que apresentava crescente industrialização, o trabalho livre, assalariado, era essencial, pois garantia mercado consumidor de seus produtos. Também era fundamental o controle das importações, a fim de que os produtos fabricados nos Estados Unidos não enfrentassem a concorrência de produtos de melhor qualidade e menor preço produzidos na Europa.
Já para os estados do Sul, a manutenção do trabalho escravizado era essencial, em razão da garantia de preços competitivos de seus produtos agrícolas e da abertura às importações, já que isso lhes permitia a compra do que não produziam a preços menores.
Essas divergências levaram o país a uma guerra entre os estados, a Guerra de Secessão (1861-1865), vencida pelo Norte. Com isso, a dinâmica da economia estadunidense passou a ser pautada pelo capitalismo do século XIX e o desenvolvimento agrário se voltou, prioritariamente, para o consumo interno.
A ascensão dos Estados Unidos como potência no pós-guerra
A crise de comércio e de produção gerada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918) permitiu aos Estados Unidos suprirem as necessidades da Europa. Por isso, os Estados Unidos se tornaram líderes na indústria automobilística e o epicentro da Segunda Revolução Industrial, com o surgimento do modo de pro dução fordista e da produção de lâmpadas incandescentes e de rádios, por exemplo, atividades que utilizavam tecno logias mais avançadas.
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o investimento do governo estadunidense foi direcionado à indústria armamentista. Isso levou à transformação da base industrial do país, o que lhe garantiu a hegemonia capitalista industrial e, depois, financeira. Além disso, o declínio do poderio econômico europeu e a grande reserva de ouro garantiu aos Estados Unidos os pro tagonismos geopolítico e econômico, o que levou à instauração do dólar como a moeda mundial no acordo de Bretton Woods, em 1944.