sábado, 21 de fevereiro de 2026

As potências econômicas da África

África do Sul, Egito e Nigéria são as maiores economias do continente e podem ser considerados as principais potências regionais da África. Em con traste com outros países, principalmente da África subsaariana, esses países têm parques industriais e pautas de exportação diversificados, apesar de terem suas particularidades.
No entanto, problemas socioeconômicos sobre os quais você já estudou nos capítulos anteriores, alguns deles agravados pela pandemia de covid-19, configuram obstáculos ao desenvolvimento desses países. Além de ampliar a oferta de trabalho para uma população com grande percentual de jovens, África do Sul, Egito e Nigéria precisam superar desafios, como oferecer saúde, educação, moradia e saneamento básico adequado à maior parte da população.

África do Sul


A África do Sul está localizada em uma área estratégica que, no século XVII, fazia parte da rota marítima que ligava a Europa à África Oriental, à Índia e ao Extremo Oriente. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, os navios atracavam na região da atual Cidade do Cabo para abastecimento. Nessa região, formou-se uma colônia de povoamento, inicialmente marcada pelo predomínio de holandeses e pela dominação dos povos nativos. Essa área passaria posteriormente ao controle do Reino Unido, potência imperialista que, entre o século XIX e início do século XX, expandiu seus do mínios na região, extremamente rica em recursos minerais. O território que hoje corresponde à África do Sul se tornou independente em 1910. Apesar de uma divisão étnica profunda, o país herdou uma infraestrutura desenvolvida e expressivas riquezas, que hoje lhe garantem a posição de principal potência da África subsaariana.

Aspectos econômicos


Embora dependa em larga medida da explora ção de suas riquezas minerais, a África do Sul integra cadeias produtivas globais de corporações transnacionais, como as montadoras de veículos, destacando-se como o país mais industrializado da África e o único do continente a compor o Brics, grupo de países emergentes que também inclui o Brasil, a Rússia, a Índia e a China. Apenas 11% do território sul-africano é conside rado apropriado para a agricultura, e o país apre senta uma produção agropecuária diversificada e fornece diversos produtos do setor para o merca do externo. 

Extrativismo e indústria


Com uma área de 1 221 037 quilômetros quadrados, a África do Sul apresenta a maior concentração mundial de riquezas minerais. Aproximadamente 69% das reservas mundiais de platina, 56% das de cromo, 24% das de diamante, 8% das de carvão mineral e 82% das de manganês estão localizadas no território do país, que também possui reservas de ouro (responde por cerca de 35% da produção mundial), carvão mineral, cobre, minério de ferro, estanho, chumbo, zinco, níquel, urânio, cobalto e prata.
O extrativismo mineral gera volumosas receitas para a África do Sul, por meio das exportações de commodities estratégicas para a China e os países desenvolvidos. Além do extrativismo, a atividade industrial tem uma participação expressiva na composição do PIB (cerca de 28%) do país. 
A indústria sul-africana é bastante diversificada para os padrões do continente, tendo sido estruturada ao lon go do período de dominação europeia, com base em redes de transporte, energia e de comunicação desenvolvidas. A produção industrial inclui bens de consumo duráveis, como veículos prontos, terceiro item mais exportado pelo país, perdendo apenas para o ouro e para a platina. Nes se contexto, o país se destaca pelas exportações de pro dutos industrializados para os países africanos próximos, como Moçambique, Zâmbia e Zimbábue.

Egito


Terceiro país mais populoso do continente, com 102,3 milhões de habitantes (2020), o Egito, economicamente, é o principal país da África do norte. Mais de 90% da população do país está concentrada no delta e no vale do rio Nilo, e as maiores cidades são: Cairo, a capital, com mais de 10 milhões de habitantes; Alexandria, com mais de 5 milhões; Gizé, com mais de 4 milhões; e Xubra Quei ma, com mais de 1 milhão. No território egípcio, formou-se uma das maiores civilizações da Antiguidade, cujas marcas são significativas nas suas paisagens, como as pirâmides e outras obras arquitetônicas que formam um sin gular patrimônio histórico-cultural que atrai milhões de turistas todos os anos (13,6 milhões em 2019). Essa atividade é responsável por cerca de 5,5% do PIB do país e por 9,5% dos empregos, de acordo com dados do relatório Perspectivas Econômicas na África, 2021, do Banco Africano de Desenvolvimento.
Desenvolvida dentro de um programa de substituição de importações, a in dústria egípcia também é diversificada, com destaque para os setores têxtil, alimentício, químico, farmacêutico, petrolífero e siderúrgico. A atividade agrí cola, praticada há mais de 7 mil anos, está concentrada no delta e às margens do rio Nilo, uma vez que o restante do território do país é dominado por áreas desérticas. As principais mercadorias produzidas são cana-de-açúcar e trigo, além do algodão de altíssima qualidade, com fibras longas, bastante valorizado no mercado internacional.

Nigéria


A Nigéria é o país mais populoso da África, com cerca de 219 milhões de habitantes. Destaca-se também pela enorme diversidade étnica, representa da por centenas de etnias diferentes, sendo três delas predominantes: hauçá (30%), iorubá (15%) e ibo (15%). Esse fato dificultou o estabelecimento de uma unidade nacional após a independência do país, em 1960. Em 1966, membros da etnia ibo derrubaram o governo nigeriano, instalan do-se no poder. Repelidos por um golpe militar no ano seguinte, os ibos decla raram a independência do território de Biafra, próximo ao delta do rio Níger, dando origem à Guerra de Biafra. Em razão da disputa pelas reservas de petróleo do delta, a guerra civil ni geriana durou cerca de três anos e só terminou com a rendição de Biafra. O conflito foi um dos principais do período pós-independência na África e evi denciou como os interesses das grandes potências mundiais, cujas empresas apoiaram diferentes lados, desempenham um fator importante nos rumos dos países africanos.

Economia


A economia nigeriana representa praticamente 20% do PIB do continente africano. No entanto, seus maiores parceiros comerciais são a China, a Índia e os países da União Europeia, e somente cerca de 13% do seu comércio exterior é realizado com outros países da África. Além de apresentar um setor de serviços diversificado, a Nigéria é o principal produtor de petróleo da África, e esse setor estimula a produção industrial do país, que se destaca, por exemplo, na produção de tintas, borrachas sintéticas e fertilizantes químicos. Mas também se destacam as indústrias têxteis, alimentícias, de calçados, de aço e de cimento.

A indústria cinematográfica


Hollywood e Bollywood são, respectivamente, as indústrias cinematográfi cas dos Estados Unidos e da Índia. A Nigéria também tem uma produção de filmes, séries, documentários e novelas bastante expressiva, sendo responsável por cerca de 5% do PIB nigeriano. Trata-se de Nollywood, termo cunhado em 2002 para se referir à indústria audiovisual do país, que tem como foco o de senvolvimento de narrativas baseadas na cultura, nos problemas sociais e nos desafios próprios da sociedade nigeriana. Nollywood produz cerca de 1 200 filmes por ano, perdendo apenas para Bollywood em volume de produção cinematográfica. Nos enredos, o inglês, a língua oficial do país, está sempre presente, mas é mesclado com os idiomas das centenas de etnias existentes na Nigéria.

O grupo fundamentalista islâmico Boko Haram


Em função da manutenção das fronteiras coloniais, a Nigéria é um país cujo território apresenta profunda divisão cultural entre o sul (população predomi nantemente cristã ou adepta de crenças animistas) e o norte (população pre dominantemente muçulmana). Desde 2002, o grupo fundamentalista islâmico Boko Haram (que significa “a educação ocidental é pecaminosa”), criado pelo clérigo muçulmano Mohammed Yusuf, empreende esforços para instalar no país um Estado islâmico no norte do país. 
Em nome dessa luta e espalhando o terror na Nigéria e em países vizinhos, o grupo promove sequestros, atentados e assassinatos em busca de desesta bilizar os governos da região. 
Os integrantes do Boko Haram resistem à educação e aos costumes ociden tais e, em 2015, aceitaram formar uma aliança com o Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio. Responsável por mais de 27 mil mortes, o grupo já provocou o deslocamento forçado de aproximadamente 1,86 milhão de pessoas.

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