segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A África no início do século XXI


Um continente ainda fragilizado


A África iniciou o século XXI com graves problemas políticos, econômicos e sociais. Após quase cinco séculos de exploração colonial e cerca de um pouco mais de cinquenta anos da descolonização ou da formação dos Estados nacionais, o continente vive uma difícil situação, tendo como causa vários fatores. A seguir, vamos analisar esses aspectos, abordando suas principais características.

1- Aspectos políticos, corrupção e governos ditatoriais


O recente processo de formação dos Estados nacionais africanos ainda não foi capaz de superar os efeitos negativos da arbitrária delimitação de fronteiras por parte do colonizador europeu. Dessa herança, o principal reflexo político são as guerras.
A ausência de democracia, as fraudes nas eleições governamentais e as práticas de corrupção ocorrem em muitos Estados africanos. Apoiados por oligarquias nacionais e por setores das forças armadas, governantes permanecem no poder por longo tempo, exercendo poderes ditatoriais.
Os regimes ditatoriais são obstáculos ao desenvolvimento econômico e social, pois impedem que haja transparência nas decisões políticas, impõem leis restritivas à liberdade de expressão e permitem que os recursos nacionais sejam manipulados conforme os interesses dos ditadores e dos grupos que os apoiam, e não de acordo com o que a população necessita (saúde, educação etc.).

As guerras civis


O fim das guerras de independência não representou o fim dos confli tos armados na África até os dias atuais. As causas dos conflitos são diversas: rivalidades interétnicas (caso de Burundi e Ruanda, de Darfur, no Sudão etc.); lutas por libertação de territórios subjugados a um poder central (a guerra entre a Eritreia e a Etiópia, por exemplo); lutas pelo domínio político-econômico do Estado (guerra de Angola, Costa do Marfim etc.); disputas por recursos minerais, entre eles o petróleo; rivalidades religiosas; pirataria na Somália e outras.
Além de causar milhares de mortes, os conflitos armados desorganizam a produção, aprofundam os problemas eco nômicos, consomem recursos financeiros que poderiam ser aplicados no desenvolvimento nacional e agravam os qua dros de pobreza e miséria em muitos países.

2- Aspectos sociais


As condições desfavoráveis em que se encontram muitas sociedades africanas refletem, em parte, o legado de exclusão e desigualdade so cioeconômica gerado durante a colonização e mantido por governos posteriormente instalados.

Epidemias


As epidemias e doenças são o resultado da pobreza em que vive grande parcela da população africana. Em 2020, a África concentrou 95% dos casos de malária registrados no mundo e 25% dos casos de tu berculose. Em 2021, a epidemia do vírus Ebola ainda não estava contro lada em alguns países africanos. A epidemia de aids ainda é alarmante na África. Em 2020, de cada cem pessoas infectadas no mundo com HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, sigla em inglês), 67 estavam no continente africano.
A precariedade do ensino, a falta de educação sexual, a pobreza da população, os serviços públicos de saúde inadequados e precários, o elevado custo dos medicamentos e a pouca determinação por parte de alguns governos em combater a aids são fatores que contribuem para a disseminação dessa enfermidade em algumas regiões da África.

Desnutrição


A África é um continente com grande ocorrência de desnutrição. Tanto a fome crônica, decorrente da ingestão diária insuficiente de ca lorias e nutrientes para a manutenção da saúde, como a fome aguda, caracterizada pela falta quase absoluta de alimentos, resultam de causas sociais, econômicas e políticas (guerras entre Estados, guerras civis etc.), agravadas por adversidades naturais (secas, inundações e pragas nas lavouras).
Como exemplo, há o caso da Somália. Nos anos 1990, esse país esteve envolvido em guerras étnicas internas. Além disso, gran des secas dizimaram plantações e criações de gado, impondo à popu lação grandes dificuldades de acesso aos alimentos. Como a ajuda humanitária coordenada pela ONU não pôde chegar com eficiência aos necessitados em virtude do conflito armado, milhares de pessoas morreram de inanição.

Refugiados


Em 2020, do total de 26,4 milhões de refugiados no mundo, pouco mais de 17,7 milhões, cerca de 67%, eram refugiados da África e do sudoeste da Ásia – sírios, afegãos, iraquianos, iemenitas etc. – que, fugindo de guerras e da pobreza, tentavam chegar ao sul da Europa pela rota da Líbia e por outras rotas. De acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM), mais de 20 mil migrantes morreram tentando atravessar o Mar Mediterrâneo entre 2014 e 2020. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas caso houvesse em seus países de origem estabilidade política, emprego e, sobretudo, solidariedade.

Aspectos econômicos


De modo geral, os países africanos não conseguiram se inserir no processo de globalização que marcou o mundo nos últimos vinte anos. A África integra o comércio mundial predominantemente como expor tadora de produtos primários e importadora de bens industrializados.
Uma das causas dessa posição dos países africanos na economia global é a carência de energia elétrica e de infraestrutura de transpor te e de comunicação – fatores funda mentais para o desenvolvimento in dustrial –, que limita os investimentos na produção. As redes de transportes mais modernas restringem-se a ligar zonas produtoras agrícolas e minerais aos portos de exportação.
Com exceção da África do Sul e do Egito, os países africanos apresen tam baixo nível de industrialização e de investimento em pesquisa cien tífica e formam pouca mão de obra especializada. A seguir, apresentamos alguns indicadores que demonstram a inser ção periférica da África na globalização.

O comércio exterior


As exportações da África representaram, em 2020, aproximadamen te, 2,2% do total mundial – em 2003, representaram 2,4%; em 1993, 2,5%; em 1973, 4,8%; e em 1953, 6,5% –, o que demonstra sua posição secundária na globalização em curso. As importações representaram apenas 2,9% do total mundial. Desse modo, a África é o continente com o menor valor de operações no comércio exterior.

O PIB africano


Em 2020, a soma do PIB de todos os países africanos correspondeu a cerca de 2,4 trilhões de dólares. No mesmo ano, o PIB brasileiro foi de mais de 1,4 trilhão de dólares. Nesse ano, a África respondeu por apro ximadamente 2,8% do PIB mundial. Dentro do continente, destacam-se África do Sul, Egito e Nigéria, com cerca de 47% do PIB africano.

Os investimentos diretos estrangeiros (IDE)


As empresas transnacionais realizam operações financeiras para adquirir empresas ou implantar filiais em diversos países do mundo. Essas operações são chamadas de investimen tos diretos estrangeiros (IDE). A análise dos IDE indica quanto um país está inserido no processo de globalização.
Na África, esses investimentos, dirigidos prioritariamente para o setor extrativo mineral – mesmo na África do Sul e no Egito com economias diversificadas –, são modestos se comparados aos dos outros continentes, exceto à Oceania. Em 2020, os países mais contemplados com IDE foram: Egito, Congo, África do Sul, Nigéria, Etiópia e Moçambique.

Aspectos culturais


Inicialmente, é necessário refutar a imagem preconceituosa que ain da perdura na mente de muitas pessoas: a de que a África é habitada por povos atrasados e que sua cultura é pobre. Não existe uma África, mas várias. Trata-se de um continente com países, etnias e culturas diversos, um mosaico de povos com conhecimentos filosóficos, tecnologias próprias, tradições particulares e ricas manifestações artísticas na música, arquitetura, escultura, dança, poesia e literatura oral – elementos que o colonialismo tentou apagar.
Os colonizadores procuraram romper os laços que ligam os povos africanos às suas tradições e ao passado. Fecharam escolas, lançaram à destruição objetos e locais de culto e implantaram uma educação colo nial a serviço da conquista, como instrumento de dominação. Por outro lado, introduziram instituições políticas e tecnologias desconhecidas pelos africanos e receberam destes vários conhecimen tos sobre o meio físico da África e uma rica cultura de tradição oral. Após 1930, a literatura escrita africana teve um grande avanço. A ampliação da educação letrada, da alfabetização e de cursos universitários estimulou a produção literária de vários escritores africanos, que, em suas obras, expõem sua visão de mundo, muitas vezes questionando as relações entre o colonizador e o colonizado.

3- Ciência, tecnologia e trabalho


A Revolução Técnico-Científico-Informacional ocorrida nos últimos anos beneficiou os países africanos, assim como a outros do mundo. Con tudo, por outro lado, os países da África sofreram impacto quanto à neces sidade da formação de mão de obra para lidar com as novas tecnologias.
Na África, com apoio dos Estados africanos, do Banco Mundial e de empresas, tem havido investimentos em universidades não somente para a formação de recursos humanos, mas também para pesquisas vol tadas a várias áreas do conhecimento.
Em 2016, cerca de 370 milhões de dólares foram investidos em startups (empresas em fase inicial que desenvolvem produtos ou serviços ino vadores, com potencial de rápido crescimento) de tecnologia na África. Em Gana, cerca de 200 mil agricultores são usuários de um sistema de consulta telefônica que dispõe, em tempo real, de informações sobre o clima e o preço das safras, e 250 mil são associados a um aplicativo que aluga temporariamente tratores. Em Uganda, onde quase 80% da popu lação não tem acesso à eletricidade, há startups que extraem energia da biomassa para amenizar o problema.
Próximo a Nairóbi, no Quênia, está em construção a cidade tecno lógica de Konza. Também conhecida como a “Savana do Silício”, sua implantação objetiva atrair empresas do setor de informação, comuni cação e tecnologia, investir na educação para qualificar e capacitar mão de obra local e incentivar pesquisa e desenvolvimento. Tanto no meio urbano africano como no rural, houve alterações nos ti pos de trabalho motivadas pelo surgimento de novas tecnologias, como, aliás, em todo o mundo. A formação científica e tecnológica se tornou um capital muito importante não somente para quem o possui, mas para todo país que busca seu desenvolvimento econômico e social.

4- Atuação das organizações internacionais mundiais e regionais na África


Além da atuação da ONU na África por meio de suas forças de paz, do trabalho da Unicef em prol das crianças, da FAO com programas para o desenvolvimento da agricultura e assistência alimentar, da Unesco com programas educacionais e proteção da rica cultura africana e de outros órgãos e agências, cumpre destacar as organizações internacionais regionais.

Organizações internacionais regionais


Os Estados africanos, a exemplo do que existe na América e em outros continentes, uniram-se e formaram associações entre si: as organizações internacionais regionais, como é o caso da União Africa na (UA). Essa organização foi criada em 2002, em substituição à antiga Organização da Unidade Africa na. Seus objetivos são: mediação de conflitos, defesa da democracia, modernização das instituições políticas, defesa dos direitos humanos, além de outros.
Com exceção do Marrocos, todos os países africanos são membros da UA, que reconhe ce o desejo de independência do Saara Ocidental, o que não é aceito pelo governo marroquino, que tem o domínio sobre ele.







domingo, 15 de fevereiro de 2026

Processo de descolonização da África

O primeiro território africano a ficar livre do autoritarismo europeu foi a Libéria, ainda no século XIX. Bem mais tarde, somente nas primeiras décadas do século XX, é que se inicia um acanhado processo de independência de algumas colônias europeias na África, como o Egito, em 1922, que declara independência da Inglaterra, e a Etiópia, em 1940, que acaba com a intervenção italiana na região.
Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os países europeus encontravam-se política, econômica e militarmente desmantelados. O enfraquecimento das metrópoles motivou a organização de movimentos pela independência em praticamente todas as colônias europeias na África. 
A partir daí, dezenas de nações do continente africano romperam com suas respectivas metrópoles. Entretanto, esse processo não ocorreu da mesma forma em todas as colônias. Em alguns casos, as metrópoles devolveram pacificamente o controle político aos colonizados. Em outros casos, a retirada do poder colonial somente foi possível após violentas lutas entre a população nativa e os colonizadores.
O movimento de independência das colônias europeias na África e na Ásia, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, ficou conhecido historicamente como descolonização.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Fluxos migratórios na África

Há vários séculos, a população africana vem realizando importantes deslocamentos migratórios no próprio continente ou para fora dele. Entre os séculos XV e XIX, a apreensão de africanos para o trabalho escra vo, principalmente na América, constituiu um importante fluxo migratório, ainda que involuntário, chegando a retardar o crescimento demográfico da África.
A partir do século XIX, a introdução das atividades de mineração e de plantation pelos colonizadores europeus no continente africano provocou vá rios movimentos migratórios internos, com o deslocamento de mão de obra para as áreas onde se desenvolviam as atividades de exploração.
Mais recentemente, sobretudo após o processo de descolonização, desencadearam-se fluxos migratórios de grande vulto. Entre eles está o êxodo rural, que vem provocando rápido processo de urbanização em vários países africanos.
Intensos fluxos migratórios também ocorreram de uma área rural para outra, no interior de um mesmo país ou entre países fronteiriços. Em alguns casos, esses deslocamentos reúnem milhares de pessoas no período de apenas alguns meses.

Causas das migrações internas na África


Atualmente, as principais causas das migrações em massa no interior do continente africano são as que seguem.
- O fenômeno da desertificação e a fome, em países como Níger, Mauritânia e Burkina Faso, ao norte do Sahel, têm provocado a saída da população em massa para as áreas monocultoras e de extração madeireira localizadas ao sul, como a Costa do Marfim, Benin e a Nigéria, em busca de trabalho.
- O desemprego em países de baixo crescimento econômico do sul da África, como Angola e Moçambique, tem levado milhares de trabalhadores a se deslocarem para as áreas mineradoras da África do Sul, Zâmbia e Zimbábue em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida.
- As guerras civis, ocasionadas por conflitos políticos e étnicos, sobretudo em países do centro-leste do continente, como Serra Leoa, Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo (antigo Zaire), provocam grandes fluxos migratórios de refugiados, que fogem para países vizinhos na tentativa de escapar de massacres promovidos por grupos rivais.

Migrações de africanos para o exterior 


Além dos fatores apresentados, as crises econômicas e os governos ditatoriais de vários países da África acabam causando intensos fluxos migratórios de africanos para outros continentes.
Nas últimas décadas, milhares de africanos saíram do continente em busca de asilo político, trabalho e melhores condições de vida. Os maiores fluxos foram em direção aos países europeus, sobretudo às antigas metrópoles, como França, Inglaterra, Espanha e Portugal, além dos Estados Unidos e Canadá. Nos países de destino, no entanto, a maioria dos imigrantes africanos vive na clan destinidade, trabalha em subempregos e sofre forte discriminação social.
As migrações internas e externas na África causam a evasão de grandes contingentes populacionais e a perda de população economicamente ativa, sobre tudo de mão de obra masculina, o que prejudica diretamente a economia dos países que perdem habitantes.
Uma das rotas mais utilizadas pelos imigrantes subsaarianos para chegar à Europa tem sido a via marítima, pelo Atlântico ou pelo Mediterrâneo. Como a viagem pelo mar pode durar vários dias, muitos desses imigrantes acabam morrendo antes mesmo de chegar ao destino. Apesar dos riscos, calcula se que milhares de pessoas vindas da África Subsaariana já tenham conseguido entrar clandestinamente em território europeu.


A ÁFRICA E SUAS REGIÕES

1- Regionalização com base na localização geográfica

O continente africano também pode ser regionalizado com base na localização geográfica dos países, formando cinco grandes conjuntos.  Essa divisão se apresenta da maneira exposta a seguir. 
África Setentrional: Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Sudão, Tunísia, Saara Ocidental. 
África Ocidental: Benin, Burkina Fasso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, Togo. 
África Central: Angola, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Congo, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, São Tomé e Príncipe. 
África Oriental: Burundi, Comores, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Quênia, Madagascar, Malauí, Maurício, Moçambique, Ruanda, Seicheles, Somália, Sudão do Sul, Uganda, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue.
África Meridional: Botsuana, Lesoto, Namíbia, África do Sul, Reino Eswatini (ex-Suazilândia, que teve seu nome modificado em abril de 2018, por decisão do Rei Mswati III).
Vamos utilizar a regionalização geográfica para estudar o continente africano.

A África Oriental


Também conhecida como Leste da África, a África Oriental é formada por países como Etiópia, Tanzânia, Quênia, Madagascar, Eritreia, Uganda, Moçambique, entre outros. Apresenta grande diversidade política, econô mica, linguística, geográfica e populacional, abrangendo vasta área geográfica, a qual se estende do oceano Índico até o Mar Vermelho. Seus principais critérios unificadores são as históricas relações comerciais com a Ásia, principalmente com o Oriente Médio. A região foi marcada, por décadas, pela instabilidade política (tensões internas, golpes de Estado, conflitos armados, entre outros) em grande parte dos países da região.

A África Meridional 


A África Meridional abarca a África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zimbábue, Madagascar, Moçambique, Zâmbia e Angola. A África do Sul é o país de maior destaque econômico na região. Foi colonizada por holandeses e, posteriormente, por ingleses, e, em 1961, tornou-se independente. O Partido Nacional liderou o estabelecimento de um regime de estrita segregação racial (apartheid), que perdurou até 1994, quando Nelson Mandela (1918-2013) liderou a vitória eleitoral do partido Congresso Nacional Africano (CNA), após passar décadas preso por lutar contra o regime. Só então o país foi readmitido na Commonwealth of Nations, ou Comunidade das Nações, e nos demais organismos interna cionais, de onde havia sido expulso por adotar o apartheid.
A África do Sul está entre os 17 países do mundo considerados megadiversos pelo Centro Mundial de Monitoramento da Conservação (WCMC, na sigla em inglês), ou seja, aqueles que concentram a maioria das espécies da Terra. Essa característica dá a base para o forte setor de ecoturismo do país, centrado, princi palmente, no sistema de parques nacionais e de áreas protegidas.

A África Setentrional


A África Setentrional é a região africana com maior homogeneidade étnico-cultural, pois reúne países que passaram por colonização e ocupação árabe no passado e que, portanto, apresentam fortes características étnicas e culturais relacionadas a esse mundo.
Nela, destaca-se um grupo de países conhecido como Magreb, palavra árabe que significa “lugar do poente”, ou “oeste”. Na tradição geográfica árabe, eram incluídos no Magreb Espanha, Portugal, Sicília e Malta. Atualmente, consideram-se como países desse grupo Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia.
De tradição islâmica, o Marrocos é um país muçulmano que tem o turismo como um forte setor econômico. As demais atividades econômicas do Marrocos estão voltadas para o setor primário, como a produção de frutas, amêndoas, olivas e flores e a exploração mineral do fosfato. A Argélia é um dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A exportação de petróleo e de gás natural é muito importante para a economia do país. Apesar de abrigar grandes reservas de combustíveis fósseis, o desenvolvimento de atividades industriais não é um grande destaque – há, no entanto, uma tendência de diversificação da economia argelina, que conta com mão de obra qualificada nas cidades. A migração de jovens escolarizados para países europeus, especialmente para a França, e norte-americanos é uma das questões sociais a serem enfrentadas pelo país.
O Egito é outro país da África Setentrional. Sua economia sempre esteve relacionada à ferti lidade das margens do Rio Nilo, o único rio perene que atravessa o deserto no país. Praticamente toda a sua agricultura concentra-se em quase 25 mil km2 ao longo do vale e do delta do Rio Nilo. O Cairo, capital do Egito, é a maior cidade da região do vale do Nilo, onde vivem aproximadamente 11 milhões de pessoas (contando a população da área metropolitana, são 18 milhões). A cidade apresenta problemas semelhantes aos da maioria das metrópoles dos países em desenvolvimento: falta de planejamento urbano, trânsito congestionado, enchentes, transporte coletivo insuficiente, déficit de moradias e precariedades relacionadas à saúde e à educação.
A indústria egípcia é diversificada. Na área de tecnologia da informação, o país tem se destacado, principalmente, no desenvolvimento do serviço de telefonia celular.
O país exporta gás natural e construiu um gasoduto em sociedade com a Jordânia. Há pro jetos de extensão desse gasoduto em direção à Síria, com conexões futuras para Turquia, Líbano e Chipre. O Egito também é importante rota para o óleo enviado do Golfo Pérsico à Europa e aos Estados Unidos.
A operação do Canal de Suez é significativa fonte de receita para o governo egípcio, pois são cobradas taxas para a travessia. Ele é uma importante rota de trânsito de petróleo e de gás natural, sendo a única via alternativa para transportar petróleo bruto do Mar Vermelho ao Mediterrâneo.

A África Ocidental


Localizada na porção oeste do sul do Saara, a África Ocidental é formada por vários pequenos países. Tal configuração geoespacial é consequência das intensas relações comerciais com os europeus, que estabeleciam alianças com alguns líderes locais, em detrimento de outros povos, o que causou significativa subdivisão do território. Na região, estão algumas das principais bacias hidrográficas do continente (dos rios Congo, Níger e Senegal e do Lago Chade).
A Nigéria, país com grande riqueza mineral e potencial agrícola, concentra a maior parte dos habitantes da região: são mais de 200 milhões. O país, no entanto, enfrenta problemas resultantes das divisões dos principais grupos étnicos internos: iorubás, ibos e hauçás.
A República Democrática do Congo é o maior país africano, com cerca de 2,34 milhões de km². O subsolo da região é rico em reservas minerais de cobre, diamante, petróleo, estanho e coltan. No ano de 2019, o país foi responsável por cerca de 71% da produção de cobalto do mundo e é o detentor das maiores reservas desse minério.
A demanda por cobalto tem crescido bastante nos últimos anos, por causa das altas produções de eletrônicos e da mudança no consumo energético. O setor mineral corresponde a 80% das exportações da República Democrática do Congo e apresentou um crescimento de 4% a 7% entre os anos de 2010 e 2019, de acordo com dados divulgados pelo Banco Mundial.

A África Central


A África Central é a região do continente por onde passa a linha do equador e onde predo mina o clima equatorial. Além disso, a Floresta do Congo (exemplo de Floresta Equatorial) é uma das principais do continente. É formada por países como Angola, Camarões, Congo, República Democrática do Congo, Chade, República Centro-Africana e Gabão, por exemplo.
Um dos países mais relevantes da região, Angola é marcada por muitos conflitos. Após a colonização portuguesa, em 1975, Angola tornou-se um país independente, de orientação socialista, mas os problemas sociais e econômicos, assim como a guerra civil, não cessaram. Os conflitos entre o governo, dirigido pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e os guerrilheiros da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) só terminaram com o cessar-fogo de 2002.
Após o fim da guerra civil, o país tem experimentado uma fase de desenvolvimento, basica mente alimentada pela indústria do petróleo. Esse recurso mineral é responsável por outro foco de tensão regional, pois seu principal polo de produção se situa no exclave de Cabinda, que fica ao norte do território contínuo de Angola, localizado entre o Congo e a República Democrática do Congo. O crescimento econômico de Angola tem atraído imigrantes provenientes, principalmente, da República Democrática do Congo e da China.

2- A regionalização com base nos critérios étnico e cultural

Com base nos critérios étnico e cultural, o continente africano pode ser regionalizado em dois conjuntos: África do Norte e África Subsaariana.

África do Norte


A África do Norte compreende sete unidades políticas. São seis Estados inde- pendentes e um território que busca a independência – o Saara Ocidental, ex-Saara Espanhol, ocupado pelo Marrocos desde 1975.
Com a invasão dos árabes nos séculos VII e VIII, ocorreu a arabização da África do Norte. Esse fato explica, portanto, a predo minância regional da população árabe, da língua árabe e da prática do islamismo. Destaca-se na África do Norte a sub-região denominada Magreb. Em árabe, “Marhribou Maghrib” significa “o Poente”, ou seja, “onde o sol se põe”, em relação ao centro do islamismo, situado na Península Arábica (atual Arábia Saudita). O Magreb tradicional compreende o Marrocos, a Argélia e a Tunísia, que pertenceram ao império colonial francês.
A Cadeia do Atlas favorece o povoamento na África do Norte, sobretudo no Magreb. Entre o Atlas e o Mar Mediterrâneo, estendem-se planícies férteis de clima mediterrâneo, densamente povoadas, onde se cultivam vários produtos, como cereais, uvas, oliveiras, e ocorre a exploração mineral de fosfato. Ao sul da Cadeia do Atlas surge o Deserto do Saara, cujo principal recurso mineral é o petróleo.

África Subsaariana 


Essa região, que abrange os países da África situados ao sul do Deserto do Saara, apresenta população predominantemen te negra (observe o mapa) e minorias brancas descendentes dos colonizadores europeus e asiáticos (indianos, chineses, indonésios etc.). Destaca-se aí a multipli cidade de crenças e religiões – islamismo, cristianismo, judaísmo, crenças tradicio nais africanas etc.
Além dos aspectos culturais e étnicos apresentados, a África Subsaariana se caracteriza por ser uma região do con tinente africano onde a pobreza atinge grande parcela da população. É aí que se localizam os países com os menores IDHs (baixos) do mundo em 2019, como Sudão do Sul (0,433), Chade (0,398), República Centro-Africana (0,397) e Níger (0,394). 
Embora cerca de 60% da população economicamente ativa da África Sub saariana se dedique à agricultura, o déficit de alimentos gera subnutri ção e fome. Essa situação é agravada pelas secas na região do Sahel e pelas guerras civis, que arrasam plantações e dificultam a entrega de alimentos pela ajuda humanitária.
A agricultura na África Subsaariana apresenta uma distorção: enquanto as plantations (cacau, café, algodão, amendoim, chá, banana etc.), controladas principalmente por empresas europeias, ocupam cerca de 40% da superfície agrícola, abrangendo as melhores terras cultiváveis, a agricultura de subsistência ocupa as terras menos férteis e convive com a falta de crédito e de assistência técnica, apresentando baixa produtividade. A oposição entre a agricultura de exportação e a agricultura de subsistência é uma herança do colonialismo que perdura nos dias atuais.

3- A regionalização com base na economia 


É possível regionalizar a África tendo por base a economia dos paí ses que a compõem. Assim, distinguem-se dois conjuntos: países com certo desenvolvimento industrial e países cuja base da economia são os produtos primários.

 ▪ Países com desenvolvimento industrial 


África do Sul e Egito são os dois países mais industrializados da África. Conheça a seguir as principais características de cada um deles.

África do Sul 


A África do Sul é o país de economia mais desenvolvida da África. Favorecido pela abundância de recursos minerais em seu território e por investimentos estrangeiros, esse país desenvolveu uma atividade industrial diversificada, com indústrias de bens de consumo (têxtil, alimentícia, de vestuário etc.) e indústrias de bens de produção (máquinas, equipa mentos, metalúrgica, siderúrgica, química etc.), além de indústria naval, de armamentos, automobilística e outras. Destaca-se ainda como primei ro produtor mundial de cromo, de manganês e de platina, o segundo de titânio e o quinto de diamante (2019). As principais cidades do país con centram os maiores centros industriais.
Muitos problemas persistem, como a pobreza que atinge principalmen te a população negra. Para 2025, a população total estimada é de 62,8 mi lhões de habitantes: 80,2% dela constituída por negros de diversas etnias, 8,5% de origem europeia (destacando-se os ingleses e holandeses), cerca de 8,8% de eurafricanos e 2,5% de asiáticos (principalmente descenden- tes de indianos). A população branca, embora minoritária, detém cerca de 60% da renda nacional e usufrui das melhores condições de vida no país. 
O grande desafio da África do Sul é enfrentar as heranças do apartheid e construir uma sociedade democrática de base multiétnica, menos desigual e sem preconceitos, além de erradicar a pobreza que atinge parte significativa dos sul-africanos.

Egito 


Chamado de “País do Nilo”, o Egito, com 111,7 milhões de habitantes (estimativa para 2025), é o segundo país mais populoso da África, superado apenas pela Nigéria (233,3 milhões). 
Depois da África do Sul, o Egito é o país mais industrializado do continente. 
Duas concentrações industriais se destacam: uma localizada na capital, Cairo, e que se estende para o norte até a Alexandria e para o leste até Suez; a segunda localizada no sul, em Assuã.
O principal setor industrial egípcio é o têxtil, no qual sobressaem as unidades de tratamen to de algodão, cujos produtos são largamente exportados. São importantes também as indús trias química, moveleira, alimentícia, do vidro e da cerâmica, do papel, siderúrgicas de peque no porte e refinarias de petróleo. 
As principais jazidas de petróleo estão distribuí das ao longo da Península do Sinai, no Mar Vermelho. Além de abastecer o mercado interno, o petróleo daí extraído destina-se à exportação, constituindo importante fonte de divisas para o país. 
Em relação à agricultura, várias barragens fo ram construídas no Rio Nilo no século XX com a finalidade de represar as águas e controlar a vazão no decorrer do ano. Dessas barra gens saem redes de canais que permitem a irrigação permanente das terras, possibilitando que sejam feitas várias semeaduras e colheitas no decorrer do ano.

▪ Países cuja base da economia são os produtos primários Esse conjunto de países africanos pode ser dividido em: países de economia de base agrária e países de economia de base mineral.

Países de economia de base agrária

A produção agrícola na África se organiza em formas de produção diferentes. De maneira geral, encontra-se a agricultura de subsistência e a agricultura comercial (plantation). 
A agricultura de subsistência consiste em obter da terra uma produção de alimentos com o objetivo de suprir as necessidades alimentares dos próprios produtores e suas famílias. Realiza-se geralmente em pequenas propriedades, com técnicas e instrumentos rudimentares. Porém, essa produção agrícola pode gerar excedentes, que são co mercializados pelos camponeses. 
A agricultura comercial foi introduzida na África pelo colonizador, na forma de plantation, destinada a abastecer de matérias-primas a indústria europeia (têxtil, alimentícia, de óleos vegetais etc.). Nas áreas de clima mediterrâneo da África do Norte e da África do Sul, são cultivados trigo, oliveiras, cevada, centeio e frutas.

Países de economia de base mineral: pressões sobre a natureza 

A África é um continente rico em recursos minerais. Assim como os produtos da agricultura comercial, a atual produção de minérios, realizada principalmente por em presas estrangeiras, também destina-se à exportação. Em sua maioria, ela é processa da ou beneficiada no exterior, fato que impossibilita aos países africanos agregar maior valor às suas exportações de minérios e obter mais divisas. 
Dos produtos minerais, um dos maiores destaques é o petróleo. Além de ser explorado no Egito, nas margens do Mar Vermelho e na Península do Sinai, é extraído na Líbia e na Ar gélia. Na África Subsaariana, empresas petrolíferas atuam principalmente em Angola, no Congo, no Gabão, em Camarões e na Nigéria. A Nigéria, além de ser o maior produtor de petróleo do continente, situava-se, em 2020, entre os doze maiores produtores do mundo.
Diferentemente da estrutura empresarial da extração petrolífera, o ga rimpo é praticado em condições dramáticas em determinadas áreas da África. Parte da mão de obra é constituída por crianças, muitas vezes sub metidas à escravidão e a condições de trabalho precárias. Há casos em que os próprios pais vendem os filhos a agenciadores de mão de obra in fantil, com a crença na falsa promessa de que vão frequentar escolas.
A exploração mine ral na África é também responsável por impactos ambientais e sociais: contaminação de águas de superfície e subterrâneas; desfiguração do relevo original; assoreamentos de rios etc.; além de desalojamento de populações nas áreas de mineração.
Sem os cuidados ambientais e sociais necessários, essas pressões sobre a natureza são impactantes à população africana. E, para agravar a situação, os lucros obtidos pela extração mineral são, em sua maior parte, en viados para as sedes das empresas de mineração localizadas no exterior; a menor parte fica com os países africanos por meio dos impostos, que nem sempre são aplicados para beneficiar a população em saúde, educação, transporte, habitação etc. Tal situação constitui, assim, verdadeira espoliação ou apropriação dos recursos naturais e da mão de obra africana por parte de empresas de mineração e por governos de países africanos.


Indústria e serviços na África

O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO NA ÁFRICA


O processo de industrialização africano está predominantemente relacionado com o setor de mineração. A herança do imperialismo e dos interesses do capital industrial e comercial europeu manteve uma estrutura industrial pouco desenvolvida na África, apoiada na extração e exportação de recursos minerais, especializada em cobre, ferro, alumínio, urânio, ouro e diamantes.
A participação das indústrias de petróleo no território africano manteve o padrão de industrialização pautado na economia das commodities minerais, com exceção do Chifre Africano (África Oriental), cuja economia se baseia predominantemente na agricultura de grãos, legumes e chá, além da pecuária de caprinos.
O desenvolvimento das atividades industriais não ocorreu de forma efetiva em toda a África. As matérias-primas, principalmente os recursos minerais que poderiam impulsionar as indústrias locais, abastecem o mercado externo, contribuindo, assim, para o desenvolvimento industrial de países em outros continentes. A industrialização também foi prejudicada pelo longo tempo de subordinação à política imperialista europeia.
Os colonizadores europeus exploravam matéria-prima a baixíssimo custo e a levavam para ser transformada na Europa. Depois, vendiam os produtos industrializados aos países africanos. Não houve, portanto, incentivos e investimentos das metrópoles para o desen volvimento da indústria na África, evitando a concorrência com os produtos europeus e a perda de mercados consumidores.
Outros fatores também colaboraram para o lento desenvolvimento industrial em muitos países africanos, como forte dependência econômica em relação às antigas metrópoles, escassez de capital, carência de mão de obra qualificada, infraestrutura urbana de transportes e de produção energética deficitária, pequeno mercado consumidor, além de conflitos internos e entre países do continente.
A África do Sul conta com o maior e mais diversificado parque industrial do continente, com destaque para os setores siderúrgico, metalúrgico, automobilístico, químico, têxtil e petroquímico. A industrialização do país foi favorecida pela riqueza em recursos minerais e pela existência de uma elite que, mesmo após a independência, permaneceu no poder e manteve-se fortemente associada à antiga metrópole, a Inglaterra, favorecendo a entrada de capitais de empresas estrangeiras. A industrialização da África do Sul é um dos fatores que contribuem para que o país seja classificado como “emergente”, integrando, inclusive, os chamados Brics, junto com Brasil, Rússia, Índia e China.
Em outros países do continente africano, a atividade industrial está voltada, principalmente, para o beneficiamento de produtos agrícolas, como soja, cana-de-açúcar, algodão e café, ou seja, é formada por usinas de açúcar, fábricas de tecido, torrefadoras de café e fábricas de sucos concentrados e de óleo vegetal, produzindo para o abastecimento do mercado interno.
O regime de espoliação dos recursos minerais na África não desenvolveu a indústria como nos países europeus, norte-americanos e mesmo nos países do subcentro da América Latina. A África permaneceu com a economia voltada para o setor primário, o que vem sendo, desde o início do século XXI, objeto de discussão para a criação de políticas que mudem o perfil econômico dos países africanos, principalmente investindo na agroindústria e em energias alternativas.
Para isso, em 2003, a União Africana (UA) lançou o Grande Programa de Desenvolvimento Agrícola da África (CAADP, em inglês), cujos principais alvos para os países se desenvolverem industrialmente são: 

- analisar criticamente os indicadores sociais dos países africanos; 
- identificar oportunidades de investimento com ótima garantia de retorno; 
- crescer até 6% no PIB agrícola; 
- alocar pelo menos 10% das despesas públicas para o setor agrícola; 
- criar empregos, principalmente para mulheres e jovens; - promover a nutrição e a segurança alimentar; 
- fortalecer a resiliência em áreas ambientalmente instáveis.

Mais de 41 países que compõem a União Africana reconheceram a importância das metas para o desenvolvimento agroindustrial da África e 33 deles estão elaborando políticas que fomen tam a ampliação dessas indústrias. 
 Apesar de haver aumento na política de produção agrícola e na garantia da recuperação de ambientes relacionados a riscos climáticos (desertificação no Sahel), os mapas a seguir demonstram que ainda é enorme o desafio da União Africana para atrair agroindústrias. 
Além disso, o aumento de investimentos em fontes alternativas de energia, como baterias, grafeno e condutores alternativos, e a crescente venda de terras africanas implicam estratégias de industrialização voltadas à chamada Quarta Revolução Industrial, o que pode diminuir a dependência africana do setor primário.

O setor de serviços


O setor de serviços (terciário) – que inclui atividades como saúde, educação, transportes, comunicação e entretenimento, entre outros – tem importante participação na economia de muitos países africanos. Em 2020, era o setor de maior participação no PIB da Nigéria (46,4%), da África do Sul (64,6%) e do Egito (51,8%), por exemplo.
A ampliação do terciário, no geral, tem relação com a industrialização e, principalmente, com o crescimento urbano.
O processo de industrialização de um país é bastante complexo, pois não se refere apenas à instalação de fábricas. Integrada à produção industrial, ocorre a expansão de infra estrutura (estradas, portos, sistemas de comunicação etc.) e de serviços diversos (bancários e administrativos, por exemplo).
O crescimento urbano impulsiona o desenvolvimento de diversas atividades, como comércio, transporte urbano, saúde, educação, tecnologias da comunicação, lazer e entretenimento, entre outros. O aumento de investimentos estrangeiros nos países africanos tem contribuído para dina mizar essas diversas atividades.
A produção cinematográfica é uma das inúmeras atividades que compõem o setor de serviços. Nollywood, como é conhecida a “indústria” cinematográfica da Nigéria, é a segunda mais produtiva do mundo, superando Hollywood, dos Estados Unidos, e ficando atrás apenas de Bollywood, da Índia.

INVESTIMENTOS, INOVAÇÃO E COOPERAÇÃO


Considerando as diretrizes das grandes empresas multinacionais, os países africanos atraíram investimentos em diversos setores. A região do Golfo da Guiné, rica em petróleo, passou a atrair empresas do setor petrolífero. As primeiras a chegar foram as empresas europeias, que ainda dominam a extração de petróleo e gás natural na região. 
A britânica Royal Dutch Shell é a maior produtora de petróleo na Nigéria. No Gabão, está a francesa Total. Há também empresas dos Estados Unidos na Guiné Equatorial (Exxon) e em Angola (Chevron). Mais recentemente, a competição pelo petróleo africano passou a incluir empresas dos chamados países emergentes, como Índia, Brasil e, principalmente, China.
Além disso, muitas empresas à procura de oportunidades de investimento veem na África um mercado promissor no setor de tecnologia e de inovação. 
Os problemas socioeconômicos e de infraestrutura em muitos países africanos atraem investidores do setor de inovação para desenvolver soluções adaptadas à realidade local, especialmente na África do Sul, na Nigéria e no Quênia. 
De acordo com o estudo da African Private Equity and Venture Capital Association, em 2021, empresas do setor privado investiram mais de 5 bilhões de dólares em startups africanas que desenvolvem inovações para o setor agrícola, energético, de telefonia celular, acesso à internet e serviços digitais.

Rede de transportes voltada para o exterior


Assim como a distribuição geográfica das atividades agropecuárias e de mineração, a configuração da rede de transportes africana está estreitamente relacionada à forma de ocupação desse continente pelos colonizadores europeus. Como sabemos, a organização do espaço geográfico africano foi estabelecida, até algumas décadas atrás, em função dos interesses econômicos das ex-metrópoles. E, no caso do estabelecimento da rede de transportes, não foi diferente.
De modo geral, as ferrovias, as rodovias e os portos fluviais ligam as áreas produtoras – tanto as agrícolas monocultoras quanto as mineradoras e produtoras de petróleo e gás natural –, localizadas no interior, ao litoral, onde estão os principais portos. Dos portos, a produção é escoada para vários lugares do mundo, principalmente para os países desenvolvidos europeus. 
A rede de transportes da África não apresenta, portanto, uma configuração que integre as várias regiões do continente ou dos países africanos, e o interior, em geral, é pouco provido de vias rodoviárias ou ferroviárias. A África do Sul, entre tanto, é uma exceção, pois tem uma malha viária mais densa, em razão da economia mais dinâmica e diversificada.

Atividades agropecuárias na África

As atividades agropecuárias têm importante papel na economia e na sociedade africanas, correspondendo a parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB) e das exportações do continente. Grande parcela da força de trabalho está empregada na agricultura. Desde o século XIX, os africanos convivem basicamente com três tipos de produção agrícola:
- plantations: grandes propriedades monocultoras com produção voltada ao mercado externo. Geralmente, pertencem a empresas estrangeiras, ou à elite local, e ocupam as terras mais férteis do continente. Algumas propriedades empregam grande quantidade de trabalhadores e outras são altamente mecanizadas. Entre os principais produtos cultivados, estão cana-de-açúcar, café, algodão, cacau, amendoim, banana, abacaxi e chá. 
- agricultura mediterrânea: desenvolve-se em parte do litoral norte do continente – onde se destaca a produção de uva, laranja, pêssego e azeitona, especialmente nos países que compõem a região do Magreb. Também é realizada em certas áreas da África do Sul. 
- agricultura de subsistência: praticada por agricultores familiares, caracteriza-se pela utilização de instrumentos agrícolas simples e métodos tradicionais de cultivos. A produção é pequena, geralmente destinada ao consumo dos próprios produtores e vendida no mercado local. Os principais produtos cultivados são arroz, milho, mandioca e batata-doce.
É importante destacar que os melhores solos africanos para plantio são ocupados pelas grandes empresas agrícolas, enquanto a população rural, em geral, ocupa áreas de solos menos férteis ou degradados.
Em muitos países do continente africano, os extensos períodos de seca aliados à falta de investimentos em técnicas agrícolas – como irrigação e plantação em estufas – dificultam o plantio, principalmente nas áreas desérticas. Nas regiões mais úmidas, o uso inadequado de práticas de manejo leva à baixa produtividade e ao esgotamento dos solos.

Produção agrícola e fome na África


Embora sua economia seja essencialmente agrária, o continente africano apresenta atualmente o pior quadro de subalimentação populacional. De acordo com dados da ONU, 25 países africanos, de um total de 54, tinham uma média de consumo de calorias por habitante abaixo da recomendada, ou seja, menos de 2 500 calorias diárias. 
Em várias regiões da África, a fome é decorrente da extrema pobreza de boa parte da população, cuja renda é insuficiente para consumir a quantidade de alimentos necessária.
As raízes desse flagelo certamente estão no modelo econômico de dependência externa, implantado pelo colonialismo europeu nos países da África e, depois, mantido pelas elites africanas que ascenderam ao poder durante o pro cesso de descolonização. 
Para agravar essa situação, a população africana cresceu rapidamente nas últimas décadas, passando de 229 milhões de habitantes, em 1950, para 1,3 bilhão, em 2018. Isso significa que a demanda por alimentos cresceu de forma vertiginosa nesse período. No entanto, tal demanda não foi atendida em razão, sobretudo, dos fatores elencados a seguir.
- As  monoculturas ocuparam áreas de pequenas propriedades e terras co letivas, onde eram produzidos gêneros alimentícios básicos que abaste ciam a população. Esse fato provocou a diminuição da oferta de alimentos, levando o governo de vários países africanos a importar esses produtos em vez de investir na ampliação das lavouras.
- A ocupação de áreas de Florestas Tropicais e de Savanas, onde os solos são pouco férteis e bastante suscetíveis às ações erosivas, gerou desequilíbrios ecológicos, como a desertificação, que diminuiu a disponibilidade de pastagens e de terras cultiváveis.
- As disputas de poder e os conflitos territoriais desencadearam guerras civis em vários países africanos. Os grupos em confronto utilizam estratégias de guerrilha, como o saque de aldeias, a destruição das lavouras e a matança dos rebanhos, visando derrotar o inimigo. 
O quadro da fome na África agrava-se cada vez mais, pois pouco tem sido feito para amenizá-la, tanto por parte dos gover nos africanos como por institui ções internacionais.

A Pecuária


Em relação à pecuária, predomina a criação extensiva ou tradicional, desenvolvida em pequenas propriedades rurais com número reduzido de animais. A produção é destinada princi palmente ao abastecimento de carne ou leite para a família do criador e para o mercado local.
A pecuária intensiva ou moderna está presente em poucos países. É mais comum em grandes propriedades na África do Sul e na Etiópia, que estão entre os maiores produtores de ovinos e bovinos do continente. Na pecuária intensiva, são utilizados modernos equipamentos e técnicas, com controle de alimentação, saúde e higiene dos animais. Geralmente, o rebanho fica confinado e destina-se ao fornecimento de leite e carne para grandes mercados consumidores. 
Na África, os principais problemas relacionados ao desenvolvimento da pecuária são o des matamento e a prática de queimadas para abertura de pastagens. Além de contribuírem para a perda de fertilidade dos solos, ambas as práticas reduzem a biodiversidade, colocando em risco os recursos hídricos e colaborando para o agravamento das mudanças climáticas. Outra ameaça é a compactação do solo pelo pisoteio do gado. Embora o problema não seja restrito ao continente, é responsável pela degradação de extensas áreas de solo.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Conflitos no continente africano

A África nem sempre se viu às voltas com a pobreza, epidemias e outras carências. Basta lembrar-se de que a história Pré-Colonial africana é marcada por grandes impérios, sociedades complexas e desenvolvidas, que já mantinham relações comerciais e políticas com outras regiões do mundo antes mesmo da chegada dos colonizadores europeus.
O continente africano sofreu as consequências negativas deixadas pelo período da exploração colonial; também em grande parte, suas riquezas são exploradas por empresas transnacionais e ainda a atuação dos governos corruptos e das elites locais, somada à concorrência do mercado internacional no mundo globalizado, contribuíram para explicar o quadro geral de desigualdade econômica e social que domina a maior parte do continente. Dessa forma, podemos concluir que todos esses problemas corroboraram para que a África fosse palco de tantos conflitos armados e tragédias.
Nos principais conflitos da África contemporânea, é possível observar que em diversos Estados, alguns consideravelmente novos, custaram muito a consolidar suas fronteiras ou ainda não o fizeram. 
Vários outros também não encontraram uma forma de governar que satisfizesse às necessidades básicas da população. Em muitos casos, grupos étnicos e religiosos que se entendem como nação almejam governar o país e acabam por insuflar movimentos não democráticos, ou mesmo separatistas, na busca por um território em que possam exercer soberania e relações de poder.

Conflitos e guerras 


De acordo com a ONU, a África é o continente com o maior número de conflitos duradouros em todo o mundo. Em razão da instabilidade política de muitos países africanos, que ainda lutam pela construção de um Estado sólido e de um governo representativo e democrático em um contexto tão diverso e problemático, a maioria das guerras no continente se configura como conflito interno. 
As principais causas desses conflitos são as disputas pelo controle do poder político, as rivalidades religiosas e as lutas por autonomia de grupos étnicos. Além disso, há a disputa pela grande quantidade de riquezas minerais do solo africano, que interessa tanto aos grupos armados quanto aos governos e às grandes corporações. 
Muitas guerras são financiadas pelos lucros oriundos da extração desses recursos, algumas das quais chegam a ultrapassar as fronteiras políticas dos territórios, como é o caso da República Democrática do Congo. 
Ainda que o número de conflitos tenha diminuído, as guerras prolongam-se e apresentam grande impacto no desenvolvimento humano. Assim, é possível estabelecer uma relação direta entre os conflitos e a pobreza do continente, pois as guerras destroem o sistema produtivo, aumentando a fome e a desnutrição da população. 
Na lista dos dez principais países de origem dos refugiados em 2021 estão cinco africanos: Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Sudão, Somália e República Centro-Africana. O número total de sul-sudaneses deslocados nos últimos anos já alcança 3,3 milhões, o que significa dizer que um em cada quatro sul-sudaneses se encontra deslocado de seu país de origem.
Aproximadamente 30% dos refugiados do mundo são pessoas nascidas no continente africano, notadamente em duas regiões: Ocidental, com conflitos em Serra Leoa, Nigéria, Libéria e Costa do Marfim; e Centro-Oriental, no arco norte-sul, que se estende do Sudão até os Grandes Lagos, passando pela região do chifre africano. Em diversos locais da África há campos de refugiados da ONU. O maior deles fica no Quênia e já contou com uma população de mais de 400 mil pessoas.
Apesar de a grande maioria de refugiados africanos permanecer na própria África, um grande número de pessoas tenta chegar à Europa atravessando o Mar Mediterrâneo, onde muitos perdem a vida em naufrágios. 
As guerras em países africanos, além de causar mortes, pioram as condições de vida dos habitantes, entre os quais estão incluídas imensas massas de refugiados, que sofrem as consequências dos conflitos. 
Nas últimas décadas, Nigéria, Ruanda e Sudão do Sul, entre outros países, sofreram com violentos conflitos armados.

Nigéria 


A Nigéria enfrenta conflitos internos desde sua independência, em 1960. Seu território é constituído por cerca de 250 grupos étnicos, prevalecendo três deles: os hauçá-fulá (32% da população), os iorubás (21%) e os ibos (18%).
A luta pelo poder entre esses três grupos levou o país a uma das mais sangrentas guerras civis da África: a Guerra de Biafra (1967-1970).
Os ibos, provenientes da província de Biafra, no leste do país, formavam a elite da Nigéria. Em um golpe de Estado dado em 1966, generais da etnia ibo tomaram o poder dos hauçá-fulá. Um contragolpe derrubou o regime, e os ibos passaram a ser caçados e massacrados pelo país. Eles, então, declararam a independência da província de Biafra, iniciativa não reconhecida pelo governo central. 
Todos esses fatos resultaram na guerra civil que matou mais de 1 milhão de pessoas e terminou com a rendição de Biafra, novamente anexada ao território nigeriano.
Desde o fim da guerra civil, a Nigéria convive com a rivalidade entre o sul, cristão e economicamente mais desenvolvido, e o norte, predominantemente muçulmano e detentor do controle político do país. A disputa envolve cristãos e islâmicos. 
Os conflitos étnicos e religiosos na Nigéria são agravados pela ação de grupos radicais islâmicos, como o Boko Haram, que reivindica a construção de uma república islâmica e o combate à cultura ocidental deixada pelos colonizadores ingleses no país.
O grupo fundamentalista islâmico Boko Haram luta para derrubar o atual governo e fundar um Estado somente para os islâmicos, valendo-se, para tanto, de estratégias terroristas.
Desde 2009, o Boko Haram comete atos violentos, fazendo muitas vítimas entre civis, militares, políticos e religiosos. O aumento da violência provocou a fuga de milhares de pessoas do país.
Recente mente, o exército nigeriano reconquistou o poder nas áreas do país onde o grupo terrorista havia assentado suas bases e intensificado suas ações. 
No entanto, o risco ainda continua e, para alguns especialistas, a ameaça terrorista poderia ser controlada se o governo nigeriano conseguisse reduzir a pobreza crônica do país, além de conciliar, por meio de um sistema de ensino diversamente étnico, cristãos e muçulmanos.

Ruanda 


Ruanda foi devastada por conflitos étnicos entre as etnias hutu e tutsi, culminando com o grande genocídio de 1994, que vitimou em cem dias cerca de 800 mil pessoas do grupo étnico tútsi, levando mais de 2 milhões de pessoas do grupo étnico hútu a se deslocar forçadamente para o antigo Zaire, atual República Democrática do Congo – onde ainda há ecos da tensão entre grupos radicais. 
Uma das causas que levaram ao genocídio entre tútsis e hútus foi a diferenciação no tratamento dado às etnias pelos belgas, ainda ocorrida no Período Colonial. 
A rivalidade entre as etnias, que se reconheciam diferentes, mas conviviam no mesmo território, foi então fomentada por ideias racistas. Atualmente, Ruanda é uma das economias que mais cresce no continente africano. 
O país mantém-se em constante alerta e, por meio de muitos esforços, alcançou considerável estabilidade na convivência entre as etnias, apesar dos baixos índices de desenvolvimento humano e da ainda grande desigualdade de renda – inclusive entre hútus e tútsis. As rivalidades prosseguem até a atualidade, embora com menor intensidade.

Angola 


Angola vivenciou, desde a independência, em 1975, uma devastadora guerra civil, em que se opunham o partido do governo, de orientação socialista, e a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), anticomunista. O conflito fez milhares de vítimas e, até hoje, minas terrestres espalhadas pelo país promovem mutilações e mortes. Desde 2006, o país está em paz.

Sudão do Sul 


O Sudão passou por uma longa guerra civil em razão das disputas de poder e de controle do território e de seus recursos naturais, sobretudo o petróleo. Contrapunham-se o norte, então sede do governo e com população predominantemente muçulmana, e o sul, base do Exército de Libertação do Povo Sudanês (ELPS), com população majoritariamente cristã. Apesar de as diferenças culturais, étnicas e religiosas terem influenciado os conflitos, eles foram motivados essencialmente pelas disputas econômicas.
O conflito está relacionado à hostilidade entre líderes políticos e associado à disputa pelo controle das reservas de petróleo. Em 2005 foi assinado um cessar-fogo, mas os conflitos e as mortes continuaram. Em 2011, 98% da população optou em plebiscito pela separação do sul e pela criação de um Estado-nação: o Sudão do Sul. 
O Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo, independente desde 2011, vive uma guerra civil iniciada em 2013. 
Apesar das grandes reservas de petróleo, o Sudão do Sul “nasceu” com os mesmos problemas sociais que afetam a maioria da população da África Subsaariana. Em 2013, uma nova guerra civil envolveu duas etnias sul-sudanesas: dinka e nuer.
O estopim para o conflito foi uma crise interna no tão novo quanto instável governo sul-sudanês. O presidente, Salva Kiir, acusou o ex-vice-presidente Riack Machar de organizar um golpe de Estado. A partir de então, milícias aliaram-se aos dois grandes rivais, que também são de etnias diferentes.  A rivalidade detonou um conflito violento, que fez mais de 300 mil vítimas e levou o país a uma grave crise humanitária.
Em 2015, os envolvidos no conflito armado assinaram um acordo de paz que não durou mais de um ano. Em 2017, foi assinado um cessar-fogo, que possibilitou a criação de um ambiente minimamente seguro para que organizações internacionais de ajuda humanitária entrassem no país e chegassem até os civis que mais precisavam de atendimento.
Apesar da assinatura de um acordo de paz em setembro de 2018, a situação no país piorou muito. As disposições do tratado não foram implementadas em razão dos conflitos constantes entre os dois líderes. De acordo com a ONU, mais de 50 mil pessoas morreram em decorrência do conflito. 
De acordo com dados da ACNUR, 4,3 milhões de sul-sudaneses haviam deixado suas casas em 2021, representando o quarto maior grupo de refugiados do mundo.
Atualmente, metade da população do Sudão do Sul sofre de desnutrição, e a fome já é um problema crônico no país, que atravessa uma das piores crises humanitárias do mundo.

República Democrática do Congo 


Os conflitos começaram em 1994, quando milhares de refugiados hutus migraram para o país. Os refugiados instalaram-se na província de Kivu, no leste do território congolês, ocupada predominantemente pela etnia tutsi, inimiga dos hutu. 
Sentindo-se ameaçados pelo grande número de refugiados hutus e abandonados pelo regime ditatorial do então presidente Mobutu Sese Seko (1930-1997), os tutsi iniciaram uma guerrilha contra o governo, apoiados por Uganda e pelo governo tutsi instaurado em Ruanda. 
Em 1997, Laurent Kabila (1939-2001), que não era tutsi, mas liderava o movimento guerrilheiro contra Mobutu, assumiu o poder e passou a ignorar seus aliados tutsis, cortando as relações com Uganda e Ruanda.
Insatisfeitos, os tutsi de Kivu iniciaram uma nova guerra civil em 1998. Acuado, o governo congolês pediu ajuda militar a Angola, Zimbábue e Namíbia, gerando conflitos que causaram cerca de 3 milhões de mortes.
Joseph Kabila (1971-), filho de Laurent Kabila, assumiu o poder em 2001 com propostas de paz e de reorganização do país. Seu mandato terminou em 2019, sem a pacificação prometida. A crise econômica agravou os conflitos étnicos e o confronto entre grupos armados e o Exército congolês, que disputam territórios ricos em recursos naturais. 
De acordo com dados de 2022 da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o aumento da violência forçou mais de 5,6 milhões de congoleses a se deslocar dentro do país e outro milhão a buscar refúgio em outros países da África.

Chifre da África 


O Chifre da África é uma sub-região da África Subsaariana, constituída por Quênia, Somália, Etiópia, Eritreia e Djibuti, apresentando graves problemas como pobreza, fome, guerras, disputas internas, secas e pirataria.
Os dois maiores países da região, Etiópia e Somália, estiveram envolvidos em uma disputa pelo deserto de Ogaden, território etíope ocupado por somalis. Em 1988, um acordo incorpo rou esse território à Etiópia. Os somalis que viviam na região tiveram de voltar para a Somália ou seguir como refugiados para o Quênia. 
Desde a década de 1990, a Somália enfrenta uma guerra civil entre vários clãs rivais, apesar de esses clãs pertencerem ao mesmo grupo étnico. Apesar da ajuda de soldados estrangeiros entre 1992 e 1995, a guerra continuou, pois não há um governo central forte capaz de conter os conflitos internos, os diferentes grupos rebeldes e as milícias que controlam consideráveis trechos do território somali, como a milícia radical islâmica Al-Shabab e grupos de piratas que atuam no litoral.
Além dos atentados terroristas frequentes, os grupos radicais impedem a entrada de ajuda humanitária por organizações internacionais. O país também é atingido por graves episódios de secas, como os ocorridos em 2011, 2017, 2021 e 2022. Depois de dez anos de crescimento econômico, a Etiópia entrou em uma guerra civil no final de 2020, opondo o Exército etíope aos rebeldes da Frente Popular de Libertação do Tigré (região situada no norte do país). A guerra fez com que outras etnias entrassem em conflito em diversas regiões.

Primavera Árabe 


As revoltas populares ocorridas em países do Norte da África a partir de 2010 evidenciaram o descontentamento da população em relação aos líderes ditadores que enriquece ram no poder ao longo de décadas, enquanto a população era mantida em condições de pobreza extrema. Cansada dos desmandos de governos autoritários, a população protestou por mudanças.
O primeiro resultado do movimento se deu na Tunísia: a queda do ditador Zine El Abidine Ben Ali (1936-2019), que comandara o país por 23 anos (1987-2011). No Egito, após 30 anos no poder (1981-2011), o ditador Hosni Mubarak (1928-2020) renunciou à presidência do país. Por sua vez, Muammar Kadafi (1942-2011) perdeu, em 2011, o governo da Líbia, que estava sob sua ditadura desde 1969. Em seguida, os conflitos atingiram o Marrocos e a Argélia. 
Esse movimento ficou conhecido como Primavera Árabe, alastrando-se para países do Oriente Médio. Apenas na Tunísia se pode dizer que houve mudanças positivas, pois em alguns deles se instalaram outros regimes ditatoriais.


Antártica e bases científicas

A devastação é uma ameaça constante no continente americano. Por isso a preservação ambiental em algumas áreas se faz tão importante. Já no ...