segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

AMÉRICA: ORGANISMOS DE INTEGRAÇÃO

Os organismos de integração internacional têm como objetivo incentivar o intercâmbio cultural, político e econômico entre nações. Há diversos organismos no mundo, alguns com caráter bastante dinâmico, como os blocos econômicos, cujos objetivos e constituição podem ser alterados em razão de mudanças nos governos e na relação entre os membros.
Uma das estratégias para reforçar a boa relação com os países latinos da América foi a criação da Organização dos Estados Americanos (OEA). Por iniciativa dos Estados Unidos, em 1949 foi formada, em Bogotá (Colômbia), a organização regional com a participação de todos os países do continente americano. Em 1962, Cuba foi expulsa dessa organização em função de seu alinhamento às posições políticas soviéticas.
No atual período de globalização, a formação de organizações internacionais regionais e de blocos econômicos contribui para o fortalecimento econômico e político dos Estados. Na América, foram formadas organizações internacionais e blocos econômicos com o intuito de fortalecer e aumentar a competitividade comercial desses países em nível global. Conheça algumas dessas organizações.

União de Nações Sul-Americanas (Unasul) 


Em 2004, em uma reunião dos chefes de Estado sul-americanos realizada em Cuzco, no Peru, foi criada a Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), com o objetivo de reduzir a pobreza e as desigualdades sociais, promover maior integração econômica e política entre os países-membros e consolidar uma identidade sul-americana. 
Em 2007, em Isla Margarita, na Venezuela, os líderes desses países decidiram mudar o nome da comunidade para União das Nações Sul-Americanas (Unasul), cujo tratado constitutivo foi aprovado em 2008.
Desde sua criação, essa organização tem desempenhado papel importante na resolução de crises. As mais importantes foram duas tentativas de golpe de Estado: em 2008, na Bolívia, contra o presidente Evo Morales, e em 2010, contra o presidente Rafael Correa, do Equador.
A cooperação é importante no sentido de construir um futuro melhor para a população da América do Sul. Os países sul-americanos estão entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo e dispõem de fontes de energia renováveis, como a eólica e a hidrelétrica, e não renováveis, como o gás (abun dante na Bolívia) e o petróleo (encontrado na Venezuela, no Equador, no Brasil e na Argentina). Mas, apesar de todo esse potencial, há muitas dificuldades a serem superadas. A maior delas é a pobreza, que afeta parte significativa da população do continente, sobretudo da Bolívia e do Paraguai. 
Outros desafios a enfrentar são as profundas diferenças econômicas entre os países sul-americanos e a forte pressão dos Estados Unidos para que a integração do continente não seja bem-sucedida, de modo a favorecer os interes ses estadunidenses, principalmente ligados à exploração de minérios e de petróleo.
Em 2018, após diversas crises políticas, seis países-membros (Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Paraguai e Peru) decidiram suspender sua participação na Unasul, que passou a reunir apenas Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Guiana e Suriname. Nos últimos anos, porém, vários governos de países sul-americanos foram ocupados por lideranças que trouxeram ideias capazes de apontar novos rumos para a integração regional.
Mudanças políticas provocaram um esvaziamento da orga nização que, em 2022, contava apenas com Guiana, Suriname e Venezuela.

Foro para o Progresso da América do Sul (Prosul) 


Criado em 2019, é uma organização de países sul-americanos que tem como objetivo intensificar conversas para viabilizar transações econômicas mais eficientes entre os membros.

Nafta 


O Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio. Em inglês, North American Free Trade Agreement) é um acordo de livre-comércio, em vigor desde 1994, que defi niu as regras de comércio e investimentos entre Estados Unidos, Canadá e México. 
Esse acordo, que consolidou o intenso comércio regional praticado entre os países da América do Norte, surgiu como resposta à formação da União Europeia, ajudando a enfrentar a concorrência representada por esse bloco econômico e pelo crescimento da economia japonesa.
Com a eliminação das tarifas alfandegárias, as trocas comerciais dispararam e agravaram o desequilíbrio entre México e Estados Unidos, mas houve benefício para os três países devido ao aumento dos volumes das exportações e a criação de empregos. Entre 1993 e 2016, as exportações mexicanas para os Estados Unidos multiplicaram mais de sete vezes e foram triplicadas em relação ao Canadá. 
Apesar disso, não resta dúvida de que esse bloco atende muito mais aos inte resses dos Estados Unidos que aos de seus vizinhos. Depois da consolidação do Nafta, novas empresas se instalaram no México, buscando obter vantagens de produção no território mexicano, como mão de obra mais barata e maior facilida de de acesso a matérias-primas.
Outra vantagem dos Estados Unidos com a instauração do Nafta foi a amplia ção do mercado consumidor para os produtos estadunidenses, que passaram a ser comercializados sem restrições tanto para o Canadá como para o México. 
A liberdade de trânsito de mercadorias, porém, não se aplica ao fluxo populacional entre México e Estados Unidos. A fronteira entre esses dois países, uma das mais vigiadas do mundo, foi cercada pelo governo estadunidense por um muro, com a intenção de barrar a passagem de imigrantes mexicanos, que tentam entrar ilegalmente no país vizinho em busca de melhores oportunidades de trabalho. 
Essa situação não ocorre em relação à fronteira dos Estados Unidos com o Ca nadá, um país que apresenta excelentes indicadores sociais e um dos mais elevados IDHs do mundo. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2015 do Progra ma das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Canadá ocupa a nona posição do IDH no ranking mundial, atrás dos Estados Unidos, na oitava posição. 

Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) 


Prevê a eliminação gradual das barreiras ao comércio, permitindo a livre circulação de mercadorias, e atualiza o antigo acordo, chamado Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), que vigorava desde 1994.

Mercado Comum do Sul (Mercosul) 


Formado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, tem como objetivo a integração econômica e comercial por meio da livre circulação de bens, serviços e capitais. Desde a sua criação, o bloco enfrenta dificuldades para concluir essa integração, principalmente por causa das grandes diferenças econômicas entre os países-membros. 
O Mercosul é o bloco econômico mais importante da América do Sul. Foi criado em março de 1991, com a assinatura do Tratado de Assunção, no contexto de redemocratização e reaproximação dos países sul-americanos no final da década de 1980.
A Venezuela, que aderiu ao bloco em 2012, foi suspensa duas vezes: em dezembro de 2016, por descumprimento de seu Protocolo de Adesão, e em agosto de 2017, por violação da Cláusula Democrática do Bloco. Os demais países da América do Sul estão vinculados ao Mercosul como Estados associados. A Bolívia tem o status de Estado Associado em Processo de Adesão.
Atualmente, o Mercosul é um bloco na fase de União Aduaneira, mas o Tratado de Assunção estabeleceu um modelo de integração maior, com objetivos centrais de formação de um Mercado Comum, uma área de livre-comércio e circulação, com o estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC) no comércio com terceiros e a adoção de uma política comercial comum.
O documento de formação do Mercosul apresenta uma cláusula na qual os países-membros se comprometem a manter regimes democráticos para permanecer no bloco. Ao longo do processo de integração, devido ao sucesso inicial da inte gração econômico-comercial, a agenda do Mercosul foi gradativamente ampliada, passando a incluir temas políticos, de direitos humanos, sociais e de cidadania.
O principal problema do Mercosul está relacionado aos produtos que devem ter as mesmas taxas de importação e exportação. Como os países-membros apre sentam economias muito diferentes, é difícil chegar a um acordo em relação aos produtos que devem ser incluídos na lista, o que gera muita discussão. Para alguns analistas, essa situação pode paralisar o Mercosul, tornando-o pouco efetivo. 
Os defensores do Mercosul apontam como aspectos positivos a criação do Parlamento do Mercosul (Parlasul) e do Fundo de Convergência Estrutural, desti nado a financiar obras de infraestrutura, programas sociais e de competitividade das empresas dos países-membros.
O Parlasul, criado em 2006, atua por meio de várias comissões per manentes, que se dedicam a tratar de temas como cidadania, educação, infraes trutura e trabalho, entre outros. Os assuntos discutidos nas comissões resultam em recomendações que podem ou não ser aceitas pelos membros do Mercosul. Ainda há muitos avanços necessários para consolidar o Mercado Comum previsto no Tratado de Assunção, incluindo a livre circulação de pessoas e a plena vigência da TEC e de uma política comercial comum.

Iirsa 


A Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (Iirsa), criada em 2000, não é um bloco econômico, mas representa um esforço de articulação para a criação de uma infraestrutura de transportes, energia e comunica ções entre os países da América do Sul. Para atingir essa meta, foram definidos Eixos de Integração e Desenvolvimento, que constituem a base para o desenvolvimento dos projetos.
Cada eixo proposto deve envolver mais de um país e contemplar a gestão dos recursos naturais e populacionais da área abrangida. As fontes de financiamento para os projetos são provenientes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e do Fundo Finan ceiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata). Maior iniciativa empreendida no sentido de elaborar e instaurar uma política territorial envolvendo os países da América do Sul, a Iirsa encontra-se atualmente sob a responsabilidade do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), vinculado à Unasul.
Entretanto, a Iirsa recebe críticas de caráter ambiental e político. Segundo ambientalistas, os projetos vão causar o desmatamento de áreas, em especial os do eixo 5, na faixa do Amazonas. Além disso, alegam que os projetos da hidrovia Paraguai-Paraná, eixo 4, também vão gerar graves impactos ambientais em áreas vulneráveis, como o Pantanal.
As críticas políticas referem-se aos beneficiários da Iirsa. Muitos analistas dizem que a infraestrutura para a exploração dos recursos naturais na América do Sul proporcionará mais benefício para as empresas transnacionais, que comercializam soja e produtos minerais, do que para a população residente nessa porção do continente.

Comunidade Andina de Nações (CAN) 


Instituída em 1969 como Pacto Andino, passou a adotar o nome atual em 2006, com o objetivo de promover a integração comercial, política e econômica entre os membros.
Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia e Chile assinaram o Acordo de Cartagena, criando uma união aduaneira e econômica a fim de se fortalecerem economicamente e restringirem a entrada de capital es trangeiro nos países-membros. 
O Chile se retirou do pacto em 1973, após o golpe de Estado que depôs o presidente Salvador Allende e colocou no poder o general Augusto Pinochet, que implantou um governo ditatorial que perdurou até 1990. A partir daí, o país abriu sua economia ao mercado externo, principalmente ao estadunidense. 
A Venezuela deixou o bloco em 2011, alegando descontentamento diante do fato de Peru e Colômbia terem aprovado acordos de livre-comércio com os Estados Unidos.
Atualmente, o grupo formado pelos quatro países remanescentes – Bolívia, Colômbia, Equador e Peru – tem como meta principal criar um mercado comum para a melhor defesa de seus interesses e a integração de seu desenvolvimento. 
Outros objetivos do bloco são promover o desenvolvimento equilibra do dos países-membros, em condições de equidade, por meio da integração e da coo peração econômica e social; acelerar o crescimento e a ge ração de emprego para suas populações; reduzir a vulnerabilidade externa e melhorar a posição dos países-membros no contexto econômico inter nacional; fortalecer a solidarie dade sub-regional e reduzir as diferenças de desenvolvimen to existentes entre os inte grantes do bloco; buscar melhoria no padrão de vida dos habitantes.

Aladi 


A Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) foi criada com a assina tura do Tratado de Montevidéu, em 12 de agosto de 1980, com o intuito de pro mover o desenvolvimento econômico e social da América Latina. 
Seu objetivo é estabelecer integração, de forma gradual e progressiva, até a formação de um mercado comum latino-americano. Atualmente, a Aladi conta com treze países-membros: Argentina, Bolívia, Bra sil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Nicarágua e El Salvador estão em processo de adesão.

Comunidade do Caribe (Caricom) 


Criada em 1973, é constituída por 15 Estados-membros e cinco associados, o objetivo é a cooperação econômica e política. A organização também desenvolve projetos comuns nas áreas de saúde, educação e comunicação.

Mercado Comum Centro-Americano (MCCA) 


Criado em 1960, engloba cinco países da América Central. A organização busca a integração econômica, política e cultural dos países-membros.
Surgiu com a intenção de promover a paz e resolver os conflitos na região de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Em 4 de junho de 1961, foi assinado o Tratado de Integração Centro-Americana com o intuito de fundar um mercado comum entre os países-membros. Atualmente, está em processo a preparação da constituição da União Centro-Americana.

Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) 


Foi criada em 2004, estabelecendo a cooperação política, econômica e social entre os membros, se posicionando contra a influência exercida pelos Estados Unidos na região.
Em 2004, os então líderes de Cuba (Fidel Castro) e Venezuela (Hugo Chávez) apresentaram a proposta da Alba, com a pretensão de integrar a região do Caribe e o restante da América Latina por meio de propostas de incentivo à solidarieda de mútua e de desenvolvimento de projetos sociais e econômicos. 
O bloco tem realizado intercâmbio de médicos cubanos para a Venezuela em troca de petróleo e acordos comerciais nos setores de energia e mineração dominados por Venezuela, Bolívia e Equador. Os países-membros da Alba são Antígua e Barbuda, Bolívia, Cuba, Dominica, Equador, Nicarágua, São Vicente e Granadinas e Venezuela.

Organização dos Estados Americanos (OEA) 


Com objetivo de manter a paz e a democracia no continente, a Organização dos Estados Americanos foi fundada em 1948, reunindo 21 países, entre eles o Brasil. A Carta da OEA, que entrou em vigor em dezembro de 1951, foi assinada em Bogotá, na Colômbia. 
Atualmente, a OEA, que abrange os 35 Estados independentes da América, constitui o principal fórum governamental político, jurídico e social do hemisfério ocidental. Além disso, a organização concedeu o estatuto de observador permanente a outros 69 Estados e à União Europeia. 
Entre os objetivos oficiais da OEA estão a construção de uma ordem de paz e de justiça no continente americano; a promoção da solidariedade e da cooperação mútua entre os Estados da América e a defesa de sua soberania; a integri dade territorial e a independência de seus membros. Segundo a organização, para atingir esses objetivos a OEA se baseia em quatro pilares principais: a democracia, os direitos humanos, a segurança e o desenvolvimento.


Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) 


Surgiu em 1949, com o objetivo de promover a cooperação entre os países ibero-americanos nos campos da ciência, educação e cultura. São denominados países ibero-americanos Portugal, Espanha e todos os países americanos de colonização portuguesa e espanhola.
A Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), cuja secretaria-geral está sediada em Madri, Espanha, é um organismo internacional de caráter governamental que atua para promover a cooperação entre os países ibero-americanos nos campos da educação, da ciência, da tecnologia e da cultura no contexto do desenvolvimento integral, da democracia e da integração regional. 
Os países-membros de pleno direito e observadores da OEI são Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, República Dominicana, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Guiné Equatorial, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.

POVOS ORIGINÁRIOS DA AMÉRICA

Não se sabe ao certo a origem dos primeiros habitantes da América. Independentemente das teorias levantadas para reconstituir o processo de povoamento do continente americano, pesquisadores estimam que, quando Colombo desem barcou na América, cerca de 50 milhões de pessoas viviam no Novo Mundo. Os povos que habitavam o continente americano ficaram conhe cidos genericamente como povos pré-colombianos.
Esses povos apresen tavam grande diversidade étnica, social, política e religiosa. Algumas civilizações, como a inca, a maia e a asteca, formaram sociedades complexas. Com a ocupação e a exploração do continente americano pelos europeus, essas sociedades começaram a desestruturar-se e muitas desapareceram.
A América Anglo-Saxônica era habitada por cente nas de povos indígenas antes da chegada dos europeus. Assim como no restante do continente americano, essas populações foram praticamente dizimadas. Com a expansão do território estadunidense ao longo do século XIX, os conflitos entre colonos e indí genas aumentaram. Povos como os sioux, apaches e comanches resistiram à invasão europeia. Outros, como os cherokees, incorporaram mais facilmente os costumes dos colonizadores. Atualmente, esse povo representa a maior parcela da população indígena dos Estados Unidos. No Canadá, ocorreu processo semelhante de resistência dos povos originários ao colonizador.
A influência indígena na cultura anglo-saxônica pode ser identificada na música, na temática dos filmes sobre o velho oeste, na gastronomia, marcada pelo uso do milho, nos nomes de lugares, como Alasca, Dakota, Oklahoma etc.
Nos dias atuais, cabe aos descendentes desses povos preservar características do modo de vida e da cultura. Muitos vivem em comunidades e precisam lutar pelo direito originário à terra, como acontece com os povos indígenas brasileiros.

Astecas, incas e maias


Entre as centenas de povos que habitavam a América Latina, podemos destacar os astecas, os incas e os maias. A civilização asteca desenvolveu-se principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território do atual México. No século XIV, fundaram a cidade de Tenochtitlán, que se tornou a capital do império.
Os astecas desenvolveram técnicas agrícolas e de construção de obras de drenagem, canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides, entre outras.
O artesanato era riquíssimo, destacando--se tecidos, objetos de ouro e prata, e pinturas. O Império Asteca começou a ser destruído em 1519, a partir das invasões espanholas lideradas por Hernán Cortés (1485-1547).
Os espanhóis dominaram e escravizaram os astecas, apropriando-se de grande parte do ouro e da prata dessa civilização.
O Império Inca incluía todo o Equador e o Peru, o sul da Colômbia, o oeste da Bolívia, o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital era a cidade de Cuzco (Peru), e o principal idioma era o quíchua. Na agricultura, destacava-se o cultivo de batata, milho, algodão, tomate e mandioca. O plantio era feito em terraços (degraus construídos nas encostas das montanhas). Usavam arados para preparar o solo e animais, as lhamas, para transportar as colheitas. Desses animais também obtinham couro, carne e lã, com a qual faziam tecidos, mantas e cordas. Na arquitetura, eviden ciam-se as construções de templos, moradias e cidades com enormes blocos de rochas encaixados.
Os maias instalaram-se na região da Península de Yucatán (sudeste do atual México) e nas áreas onde hoje estão Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador. Eles construíram pirâmides, palácios e templos. A economia era baseada na agricultura, principalmente de milho e feijão. No artesanato, destacava-se a fiação de tecidos. Também praticavam o comércio com povos vizinhos e no interior do império.

AMÉRICA: OCUPAÇÃO E COLONIZAÇÃO


A historiografia oficial afirma que em 1492 o navegador Cristóvão Colombo, financiado pela Espanha, encontrou terras desconhecidas pelos europeus. Anos mais tarde essas terras receberam o nome de América, em homenagem a Américo Vespúcio (1454-1512), banqueiro, navegador e um dos patrocinadores das primeiras expedições ao chamado Novo Mundo.
O Novo Mundo despertou o interesse de outros Estados-nações, principalmente Portugal, Inglaterra, França e Holanda. A partir do século XVI, o continente americano passou a ser ocupado e colonizado pelos europeus.
A primeira colônia europeia na América foi estabelecida pela Espanha, na ilha Hispaniola, atuais territórios do Haiti e da República Dominicana. Em poucas décadas, muitas outras colônias foram estabelecidas no continente.
Os países europeus colonizaram a América de maneiras diferentes, destacando-se as chamadas colônias de exploração e as colônias de povoamento.
As colônias de exploração foram implantadas em grande parte da América Latina e na porção sul da América Anglo-Saxônica. Suas principais características eram a monocultura (produção de um único gênero agrícola), realizada em latifúndios, com ênfase na pro dução de algodão, cana-de-açúcar e tabaco; e a extração de metais preciosos destinados à metrópole, com utilização do trabalho escravizado de indígenas e de africanos.
As colônias de povoamento foram implantadas, principalmente, ao norte e nas áreas centrais da América Anglo-Saxônica. Caracterizavam-se pela pequena propriedade, pelo trabalho livre, pela produção para o mercado interno. Em algumas propriedades havia trabalhadores assalariados e a economia foi desvinculada do pacto colonial. Essa “liberdade econômica” favoreceu o desenvolvimento das atividades comerciais com outras metrópoles.

Continente americano

DIMENSÃO E LOCALIZAÇÃO


O continente americano é o segundo maior continente do planeta, com aproximadamente 42 milhões de km², menor apenas do que a Ásia. Com cerca de um bilhão de habitantes, a América é o terceiro continente mais populoso do planeta. As terras do continente americano são limitadas pelas águas de três oceanos: oceano Atlântico, a leste; oceano Pacífico, a oeste; oceano Glacial Ártico, ao norte, onde o estreito de Bering separa a América e a Ásia.
É cortada por quatro paralelos principais: Círculo Polar Ártico, Trópico de Câncer, linha do equador e Trópico de Capricórnio.
O território é bastante alongado no sentido norte-sul: há uma distância de quase 16 mil quilômetros entre o extremo norte (a 83° de latitude norte, na Groenlândia) e o extremo sul (a 56° de latitude sul, na Terra do Fogo). Essa grande extensão é um dos fatores que explicam a diversidade natural de paisagens encontradas na América.

Regionalizações da América 

Por sua grande extensão territorial, existem várias formas de dividir ou regionalizar a América. As formas de regionalização mais conhecidas e utilizadas pelos estudiosos são a físico-geográfica e a histórico-cultural.


1- Regionalização físico-geográfica

Uma maneira de regionalizar o continente americano é por meio do critério físico, considerando a distribuição e a localização geográfica das terras emersas. De acordo com esse critério, a América pode ser dividida em três regiões: América do Norte, América Central e América do Sul.

América do Norte

Possui a maior extensão territorial. É formada por três países e também pela maior ilha do mundo, a Groenlândia, território que pertence à Dinamarca. Os principais paralelos que perpassam esse território são o trópico de Câncer e o Círculo Polar Ártico.
A maior parte da América do Norte está localizada nas zonas climáticas temperada e polar, sendo atravessada pelo Trópico de Câncer, ao sul, e pelo Círculo Polar Ártico, ao norte. Essa porção é constituída pelo Canadá, pelos Estados Unidos da América, pelo México e pela Groenlândia. 
A Groenlândia é a maior ilha marítima do mundo, com cerca de 2,2 milhões de km2. Entretanto, mesmo estando no continente americano, está integrada politicamente à Dinamarca, país europeu que detém soberania administrativa sobre ela. Nessa regionalização, com base em aspectos naturais, o México faz parte da América do Norte, mas de acordo com a regionalização histórico-cultural, pertence à América Latina.

América Central

Possui a menor extensão territorial. Sua área continental corresponde ao istmo que faz a ligação entre a América do Sul e a América do Norte, e sua área insular (ilhas) é banhada pelas águas do mar do Caribe.
A América Central é uma região tropical, a menor área do continente, localizada entre a América do Norte e a América do Sul. Está dividida, segundo as bases naturais, em América Central Continental (sete países do istmo) e América Central Insular ou Antilhas, um conjunto de países-ilhas no Caribe. Nessa região, estão países como Cuba, Panamá, Haiti, Costa Rica, República Dominicana, Jamaica, entre outros.

América do Sul

Formada por doze países e também por um território pertencente à França, a Guiana Francesa. Os principais paralelos que perpassam esse território são a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio.
Atravessada pela Linha do Equador e pelo Trópico de Capricórnio, a América do Sul é composta de 12 países soberanos e uma possessão francesa, a Guiana Francesa. Essa parte do continente abrange terras tanto na zona tropical como na zona temperada sul do planeta. Entre os países que compõem a América do Sul, estão o Brasil, a Argentina, a Venezuela, a Bolívia, o Peru, o Chile e outros.

2- Divisão histórico-cultural

Diferentes povos já habitavam o continente americano há milhares de anos quando, a partir do final do século XV, diversas potências marítimas europeias, como Espanha, Portugal, Inglaterra, França e Holanda, passaram a explorar essas terras. Esses povos foram denominados pelos estudiosos pré-colombianos pelo fato de ocuparem a América antes da chegada de Cristóvão Colombo, navegador que aportou no continente em 1492.
Ao colonizarem diferentes áreas do continente, os europeus introduziram vários aspectos de sua cultura aos povos que habitavam esses territórios, entre eles o idioma. Assim, a América também pode ser dividida em duas grandes regiões que se diferenciam de acordo com a origem linguística e a cultura de seus colonizadores.
A América Anglo-Saxônica é composta apenas de dois países: Estados Unidos e Canadá, cuja língua predominante é o inglês. Dizemos que é pre dominante porque outras línguas também são faladas nesses países. No Canadá, por exemplo, o idioma oficial da província de Quebec é o francês. Os Estados Unidos não têm uma língua oficial, cada estado pode optar pelo inglês e outras línguas locais. No Havaí, usa-se o inglês e o havaiano. Nos estados do Novo México, Califórnia e Louisiana são considerados o uso de inglês e espanhol.
Na América Latina, os idiomas predominantes são o espanhol e o português, ainda que haja grande diversidade linguística. Os termos “anglo-saxônico” e “latino” têm relação com o passado de domínio e ocupação, seguido de um processo que ficou conhecido como colonização. No século XVIII, o continente americano estava quase completamente dividido entre as principais potências europeias da época.
A regionalização com base no processo de formação histórico-cultural divide a América em duas regiões: América Anglo-Saxônica e América Latina.
 
2.1- América Anglo-Saxônica

Colonizada por povos com língua de origem saxônica, principalmente ingleses. Essa região, formada por Canadá e Estados Unidos, reúne elementos histórico-culturais semelhantes, como o predomínio da língua inglesa e da religião protestante.

2.2- América Latina

Colonizada por povos com língua de origem latina, principalmente portugueses e espanhóis. Nessa região, formada pelos países da América do Sul, da América Central e pelo México, há predomínio das línguas de origem latina, espanhola e portuguesa, e também da religião católica.

2.3- Países sul-americanos, agrupados em duas grandes unidades, destacadas a seguir.

Países platinos: englobam territórios cujas terras são drenadas por rios da Bacia Platina. Essa re gionalização compreende Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Países andinos: abrangem os países cortados pela Cordilheira dos Andes, que são Chile, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.

Guianas: consideradas uma regionalização à parte pelo fato de os países que a compreendem apresentarem uma evolução histórica distinta dos demais países sul-americanos. Inclui Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Algumas considerações sobre a regionalização


Algumas exceções podem ser identificadas na regionalização histórico-cultural do continente americano, pois alguns países latino-americanos foram colonizados por povos de outras origens linguísticas, como o Suriname, colonizado por holandeses. Assim também aconteceu no Canadá, país anglo-americano, cuja colonização foi feita por franceses, um povo de origem latina.
Além dos aspectos histórico-culturais, a divisão do continente em América Anglo-Saxônica e América Latina retrata o diferente desenvolvimento econômico e social dos países americanos, e é considerada por alguns estudos como uma regionalização socioeconômica. Dessa maneira, a América Anglo-Saxônica agrupa países desenvolvidos, ou seja, com maior desenvolvimento econômico e social, embora certos pro blemas sociais e econômicos também afetem parte de sua população. Já a América Latina reúne países subdesenvolvidos, com menor desenvolvimento econômico, muitos deles com graves problemas sociais.
A extensão territorial do continente americano permite distinguir duas grandes porções de terras: a América do Norte e a América do Sul. Essas “duas Américas” estão ligadas por um istmo que, com as ilhas próximas, forma a América Central. Esta se subdivide em América Central continental (constituída pelo istmo) e América Central insular (constituída pelas ilhas).
A América Latina foi colonizada principalmente por portugueses e espanhóis. Por esse motivo, a língua oficial da maioria dos países latino-americanos é o espanhol. Já a América Anglo-Saxônica, colonizada principalmente por ingleses, tem o inglês como língua predominante. 
Apesar das semelhanças quanto à língua oficial, é preciso tomar cuidado com as generali zações. Ao analisarmos as línguas faladas na América, podemos identificar algumas exceções. Na América Latina, o espanhol divide o posto de língua oficial com o português, o inglês, o francês, o holandês e outras línguas indígenas, como o quíchua, o aimará e o guarani. Na América Anglo-Saxônica, o francês é a segunda língua oficial do Canadá.

A dizimação dos povos nativos


O contato entre os povos pré-colombianos e os colonizadores europeus não aconteceu de maneira pacífica. Os europeus buscavam dominar o território para extrair dele suas riquezas e introduzir entre os nativos aspectos de sua cultura, por exemplo, a religião, mas os povos pré-colombianos não aceitavam tal dominação. 
No entanto, os colonizadores tinham grande vantagem sobre os nativos. Eles empunhavam armas de fogo, possuíam armaduras e montavam a cavalo, fator que possibilita deslocamento rápido. Já os povos pré-colombianos dispunham de armas forjadas em madeira, algumas até contendo venenos letais, mas que não lhes davam vantagens diante da destrutiva força bélica dos colonizadores.




A África no início do século XXI


Um continente ainda fragilizado


A África iniciou o século XXI com graves problemas políticos, econômicos e sociais. Após quase cinco séculos de exploração colonial e cerca de um pouco mais de cinquenta anos da descolonização ou da formação dos Estados nacionais, o continente vive uma difícil situação, tendo como causa vários fatores. A seguir, vamos analisar esses aspectos, abordando suas principais características.

1- Aspectos políticos, corrupção e governos ditatoriais


O recente processo de formação dos Estados nacionais africanos ainda não foi capaz de superar os efeitos negativos da arbitrária delimitação de fronteiras por parte do colonizador europeu. Dessa herança, o principal reflexo político são as guerras.
A ausência de democracia, as fraudes nas eleições governamentais e as práticas de corrupção ocorrem em muitos Estados africanos. Apoiados por oligarquias nacionais e por setores das forças armadas, governantes permanecem no poder por longo tempo, exercendo poderes ditatoriais.
Os regimes ditatoriais são obstáculos ao desenvolvimento econômico e social, pois impedem que haja transparência nas decisões políticas, impõem leis restritivas à liberdade de expressão e permitem que os recursos nacionais sejam manipulados conforme os interesses dos ditadores e dos grupos que os apoiam, e não de acordo com o que a população necessita (saúde, educação etc.).

As guerras civis


O fim das guerras de independência não representou o fim dos confli tos armados na África até os dias atuais. As causas dos conflitos são diversas: rivalidades interétnicas (caso de Burundi e Ruanda, de Darfur, no Sudão etc.); lutas por libertação de territórios subjugados a um poder central (a guerra entre a Eritreia e a Etiópia, por exemplo); lutas pelo domínio político-econômico do Estado (guerra de Angola, Costa do Marfim etc.); disputas por recursos minerais, entre eles o petróleo; rivalidades religiosas; pirataria na Somália e outras.
Além de causar milhares de mortes, os conflitos armados desorganizam a produção, aprofundam os problemas eco nômicos, consomem recursos financeiros que poderiam ser aplicados no desenvolvimento nacional e agravam os qua dros de pobreza e miséria em muitos países.

2- Aspectos sociais


As condições desfavoráveis em que se encontram muitas sociedades africanas refletem, em parte, o legado de exclusão e desigualdade so cioeconômica gerado durante a colonização e mantido por governos posteriormente instalados.

Epidemias


As epidemias e doenças são o resultado da pobreza em que vive grande parcela da população africana. Em 2020, a África concentrou 95% dos casos de malária registrados no mundo e 25% dos casos de tu berculose. Em 2021, a epidemia do vírus Ebola ainda não estava contro lada em alguns países africanos. A epidemia de aids ainda é alarmante na África. Em 2020, de cada cem pessoas infectadas no mundo com HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, sigla em inglês), 67 estavam no continente africano.
A precariedade do ensino, a falta de educação sexual, a pobreza da população, os serviços públicos de saúde inadequados e precários, o elevado custo dos medicamentos e a pouca determinação por parte de alguns governos em combater a aids são fatores que contribuem para a disseminação dessa enfermidade em algumas regiões da África.

Desnutrição


A África é um continente com grande ocorrência de desnutrição. Tanto a fome crônica, decorrente da ingestão diária insuficiente de ca lorias e nutrientes para a manutenção da saúde, como a fome aguda, caracterizada pela falta quase absoluta de alimentos, resultam de causas sociais, econômicas e políticas (guerras entre Estados, guerras civis etc.), agravadas por adversidades naturais (secas, inundações e pragas nas lavouras).
Como exemplo, há o caso da Somália. Nos anos 1990, esse país esteve envolvido em guerras étnicas internas. Além disso, gran des secas dizimaram plantações e criações de gado, impondo à popu lação grandes dificuldades de acesso aos alimentos. Como a ajuda humanitária coordenada pela ONU não pôde chegar com eficiência aos necessitados em virtude do conflito armado, milhares de pessoas morreram de inanição.

Refugiados


Em 2020, do total de 26,4 milhões de refugiados no mundo, pouco mais de 17,7 milhões, cerca de 67%, eram refugiados da África e do sudoeste da Ásia – sírios, afegãos, iraquianos, iemenitas etc. – que, fugindo de guerras e da pobreza, tentavam chegar ao sul da Europa pela rota da Líbia e por outras rotas. De acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM), mais de 20 mil migrantes morreram tentando atravessar o Mar Mediterrâneo entre 2014 e 2020. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas caso houvesse em seus países de origem estabilidade política, emprego e, sobretudo, solidariedade.

Aspectos econômicos


De modo geral, os países africanos não conseguiram se inserir no processo de globalização que marcou o mundo nos últimos vinte anos. A África integra o comércio mundial predominantemente como expor tadora de produtos primários e importadora de bens industrializados.
Uma das causas dessa posição dos países africanos na economia global é a carência de energia elétrica e de infraestrutura de transpor te e de comunicação – fatores funda mentais para o desenvolvimento in dustrial –, que limita os investimentos na produção. As redes de transportes mais modernas restringem-se a ligar zonas produtoras agrícolas e minerais aos portos de exportação.
Com exceção da África do Sul e do Egito, os países africanos apresen tam baixo nível de industrialização e de investimento em pesquisa cien tífica e formam pouca mão de obra especializada. A seguir, apresentamos alguns indicadores que demonstram a inser ção periférica da África na globalização.

O comércio exterior


As exportações da África representaram, em 2020, aproximadamen te, 2,2% do total mundial – em 2003, representaram 2,4%; em 1993, 2,5%; em 1973, 4,8%; e em 1953, 6,5% –, o que demonstra sua posição secundária na globalização em curso. As importações representaram apenas 2,9% do total mundial. Desse modo, a África é o continente com o menor valor de operações no comércio exterior.

O PIB africano


Em 2020, a soma do PIB de todos os países africanos correspondeu a cerca de 2,4 trilhões de dólares. No mesmo ano, o PIB brasileiro foi de mais de 1,4 trilhão de dólares. Nesse ano, a África respondeu por apro ximadamente 2,8% do PIB mundial. Dentro do continente, destacam-se África do Sul, Egito e Nigéria, com cerca de 47% do PIB africano.

Os investimentos diretos estrangeiros (IDE)


As empresas transnacionais realizam operações financeiras para adquirir empresas ou implantar filiais em diversos países do mundo. Essas operações são chamadas de investimen tos diretos estrangeiros (IDE). A análise dos IDE indica quanto um país está inserido no processo de globalização.
Na África, esses investimentos, dirigidos prioritariamente para o setor extrativo mineral – mesmo na África do Sul e no Egito com economias diversificadas –, são modestos se comparados aos dos outros continentes, exceto à Oceania. Em 2020, os países mais contemplados com IDE foram: Egito, Congo, África do Sul, Nigéria, Etiópia e Moçambique.

Aspectos culturais


Inicialmente, é necessário refutar a imagem preconceituosa que ain da perdura na mente de muitas pessoas: a de que a África é habitada por povos atrasados e que sua cultura é pobre. Não existe uma África, mas várias. Trata-se de um continente com países, etnias e culturas diversos, um mosaico de povos com conhecimentos filosóficos, tecnologias próprias, tradições particulares e ricas manifestações artísticas na música, arquitetura, escultura, dança, poesia e literatura oral – elementos que o colonialismo tentou apagar.
Os colonizadores procuraram romper os laços que ligam os povos africanos às suas tradições e ao passado. Fecharam escolas, lançaram à destruição objetos e locais de culto e implantaram uma educação colo nial a serviço da conquista, como instrumento de dominação. Por outro lado, introduziram instituições políticas e tecnologias desconhecidas pelos africanos e receberam destes vários conhecimen tos sobre o meio físico da África e uma rica cultura de tradição oral. Após 1930, a literatura escrita africana teve um grande avanço. A ampliação da educação letrada, da alfabetização e de cursos universitários estimulou a produção literária de vários escritores africanos, que, em suas obras, expõem sua visão de mundo, muitas vezes questionando as relações entre o colonizador e o colonizado.

3- Ciência, tecnologia e trabalho


A Revolução Técnico-Científico-Informacional ocorrida nos últimos anos beneficiou os países africanos, assim como a outros do mundo. Con tudo, por outro lado, os países da África sofreram impacto quanto à neces sidade da formação de mão de obra para lidar com as novas tecnologias.
Na África, com apoio dos Estados africanos, do Banco Mundial e de empresas, tem havido investimentos em universidades não somente para a formação de recursos humanos, mas também para pesquisas vol tadas a várias áreas do conhecimento.
Em 2016, cerca de 370 milhões de dólares foram investidos em startups (empresas em fase inicial que desenvolvem produtos ou serviços ino vadores, com potencial de rápido crescimento) de tecnologia na África. Em Gana, cerca de 200 mil agricultores são usuários de um sistema de consulta telefônica que dispõe, em tempo real, de informações sobre o clima e o preço das safras, e 250 mil são associados a um aplicativo que aluga temporariamente tratores. Em Uganda, onde quase 80% da popu lação não tem acesso à eletricidade, há startups que extraem energia da biomassa para amenizar o problema.
Próximo a Nairóbi, no Quênia, está em construção a cidade tecno lógica de Konza. Também conhecida como a “Savana do Silício”, sua implantação objetiva atrair empresas do setor de informação, comuni cação e tecnologia, investir na educação para qualificar e capacitar mão de obra local e incentivar pesquisa e desenvolvimento. Tanto no meio urbano africano como no rural, houve alterações nos ti pos de trabalho motivadas pelo surgimento de novas tecnologias, como, aliás, em todo o mundo. A formação científica e tecnológica se tornou um capital muito importante não somente para quem o possui, mas para todo país que busca seu desenvolvimento econômico e social.

4- Atuação das organizações internacionais mundiais e regionais na África


Além da atuação da ONU na África por meio de suas forças de paz, do trabalho da Unicef em prol das crianças, da FAO com programas para o desenvolvimento da agricultura e assistência alimentar, da Unesco com programas educacionais e proteção da rica cultura africana e de outros órgãos e agências, cumpre destacar as organizações internacionais regionais.

Organizações internacionais regionais


Os Estados africanos, a exemplo do que existe na América e em outros continentes, uniram-se e formaram associações entre si: as organizações internacionais regionais, como é o caso da União Africa na (UA). Essa organização foi criada em 2002, em substituição à antiga Organização da Unidade Africa na. Seus objetivos são: mediação de conflitos, defesa da democracia, modernização das instituições políticas, defesa dos direitos humanos, além de outros.
Com exceção do Marrocos, todos os países africanos são membros da UA, que reconhe ce o desejo de independência do Saara Ocidental, o que não é aceito pelo governo marroquino, que tem o domínio sobre ele.







domingo, 15 de fevereiro de 2026

Processo de descolonização da África

O primeiro território africano a ficar livre do autoritarismo europeu foi a Libéria, ainda no século XIX. Bem mais tarde, somente nas primeiras décadas do século XX, é que se inicia um acanhado processo de independência de algumas colônias europeias na África, como o Egito, em 1922, que declara independência da Inglaterra, e a Etiópia, em 1940, que acaba com a intervenção italiana na região.
Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os países europeus encontravam-se política, econômica e militarmente desmantelados. O enfraquecimento das metrópoles motivou a organização de movimentos pela independência em praticamente todas as colônias europeias na África. 
A partir daí, dezenas de nações do continente africano romperam com suas respectivas metrópoles. Entretanto, esse processo não ocorreu da mesma forma em todas as colônias. Em alguns casos, as metrópoles devolveram pacificamente o controle político aos colonizados. Em outros casos, a retirada do poder colonial somente foi possível após violentas lutas entre a população nativa e os colonizadores.
O movimento de independência das colônias europeias na África e na Ásia, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, ficou conhecido historicamente como descolonização.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Fluxos migratórios na África

Há vários séculos, a população africana vem realizando importantes deslocamentos migratórios no próprio continente ou para fora dele. Entre os séculos XV e XIX, a apreensão de africanos para o trabalho escra vo, principalmente na América, constituiu um importante fluxo migratório, ainda que involuntário, chegando a retardar o crescimento demográfico da África.
A partir do século XIX, a introdução das atividades de mineração e de plantation pelos colonizadores europeus no continente africano provocou vá rios movimentos migratórios internos, com o deslocamento de mão de obra para as áreas onde se desenvolviam as atividades de exploração.
Mais recentemente, sobretudo após o processo de descolonização, desencadearam-se fluxos migratórios de grande vulto. Entre eles está o êxodo rural, que vem provocando rápido processo de urbanização em vários países africanos.
Intensos fluxos migratórios também ocorreram de uma área rural para outra, no interior de um mesmo país ou entre países fronteiriços. Em alguns casos, esses deslocamentos reúnem milhares de pessoas no período de apenas alguns meses.

Causas das migrações internas na África


Atualmente, as principais causas das migrações em massa no interior do continente africano são as que seguem.
- O fenômeno da desertificação e a fome, em países como Níger, Mauritânia e Burkina Faso, ao norte do Sahel, têm provocado a saída da população em massa para as áreas monocultoras e de extração madeireira localizadas ao sul, como a Costa do Marfim, Benin e a Nigéria, em busca de trabalho.
- O desemprego em países de baixo crescimento econômico do sul da África, como Angola e Moçambique, tem levado milhares de trabalhadores a se deslocarem para as áreas mineradoras da África do Sul, Zâmbia e Zimbábue em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida.
- As guerras civis, ocasionadas por conflitos políticos e étnicos, sobretudo em países do centro-leste do continente, como Serra Leoa, Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo (antigo Zaire), provocam grandes fluxos migratórios de refugiados, que fogem para países vizinhos na tentativa de escapar de massacres promovidos por grupos rivais.

Migrações de africanos para o exterior 


Além dos fatores apresentados, as crises econômicas e os governos ditatoriais de vários países da África acabam causando intensos fluxos migratórios de africanos para outros continentes.
Nas últimas décadas, milhares de africanos saíram do continente em busca de asilo político, trabalho e melhores condições de vida. Os maiores fluxos foram em direção aos países europeus, sobretudo às antigas metrópoles, como França, Inglaterra, Espanha e Portugal, além dos Estados Unidos e Canadá. Nos países de destino, no entanto, a maioria dos imigrantes africanos vive na clan destinidade, trabalha em subempregos e sofre forte discriminação social.
As migrações internas e externas na África causam a evasão de grandes contingentes populacionais e a perda de população economicamente ativa, sobre tudo de mão de obra masculina, o que prejudica diretamente a economia dos países que perdem habitantes.
Uma das rotas mais utilizadas pelos imigrantes subsaarianos para chegar à Europa tem sido a via marítima, pelo Atlântico ou pelo Mediterrâneo. Como a viagem pelo mar pode durar vários dias, muitos desses imigrantes acabam morrendo antes mesmo de chegar ao destino. Apesar dos riscos, calcula se que milhares de pessoas vindas da África Subsaariana já tenham conseguido entrar clandestinamente em território europeu.


Geologia e relevo na América

Os processos exógenos que atuam na superfície terrestre são movidos pela energia solar, por meio da atmosfera, e agem na modelagem do relevo...