Os Estados Unidos são a maior potência econômica do mundo, com uma base de produção diversificada e tecnologicamente avançada. Sua transformação como potência econômica mundial está relacionada aos acontecimentos ocorridos após os conflitos mundiais que abalaram o planeta durante o século XX: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A Europa foi um dos continentes mais afetados pelas guerras mundiais. O fato de grande parte dos conflitos ter ocorrido em território europeu acabou arrasando a economia e a infraestrutura de países que, naquele período, já se encontravam in dustrializados, como Inglaterra, França e Alemanha. Assim, após a Segunda Guerra, os Estados Unidos já eram os maiores exportadores de gêneros industrializados do mundo. Isso porque a Europa, até então maior exportadora mundial de mercadorias, não conseguia abastecer o mercado internacional com seus produtos industrializados.
A condição de principal fornecedor de gêneros industrializados no mercado inter nacional permitiu aos Estados Unidos acumular uma grande riqueza e financiar a re construção de vários países do mundo. Esse programa de ajuda financeira destinada à Europa ficou conhecido como Plano Marshall.
Tal situação fez com que muitos países endividados pela guerra, como Inglaterra, França e Itália, tornassem-se dependentes da economia estadunidense. Além disso, o pagamento dessas dívidas ampliou o enriquecimento dos Estados Unidos a médio e longo prazos.
A expansão das multinacionais pelo mundo
Desde o século XIX, empresas estadunidenses destacam-se no cenário internacional. No entanto, a partir da segunda metade do século XX, a difusão dessas empresas pelo mundo se intensificou.
Com o crescimento de sua economia a partir da segunda metade do século XX, os Estados Unidos passaram a promover uma expansão de suas empresas no mundo. Muitas delas abriram filiais no exterior como forma de dominar novos mercados e ampliar os lucros.
Isso ocorre porque, com o intuito de conquistar novos mercados consumidores e reduzir seus gastos de produção, grandes empresas desse país passaram a abrir filiais pelo mundo, tirando proveito de leis ambientais e trabalhistas menos rígidas e difundindo seus produtos por preços ainda mais competitivos.
De maneira geral, a expansão dessas empresas iniciou-se, principalmente, em países desenvolvidos da Europa. No entanto, várias multinacionais procuraram atuar nos países subdesenvolvidos que se industrializavam, como Brasil, Argentina, México e África do Sul, pois ofereciam mão de obra barata, abundância de matéria-prima, concessões fiscais (isenção de impostos, por exemplo), um mercado consumidor em expansão, além de legislações ambientais e trabalhistas pouco rígidas no controle de suas atividades.
A partir da década de 1970, o Brasil passou a ser um importante mercado para essas empresas, que gradualmente se inseriram no país em diversos setores produtivos. Assim como ocorreu em outros países em desenvolvimento, algumas empresas estadunidenses passaram a exercer hegemonia em determinados setores da indústria, ocupando parte significativa desses mercados e gerando forte competição para as indústrias nacionais.
A expansão das multinacionais estadunidenses possibilitou aos Estados Unidos estabelecer relações comerciais com grande parte dos países do mundo, intensificando assim o fluxo de mercadorias importadas e exportadas pelo país e, sobretudo, garantindo o seu acelerado ritmo de crescimento econômico.
Assim, a expansão das transnacionais com sede em diversos países contribuiu para fortalecer a hegemonia econômica dos Estados Unidos no mundo, já que favoreceu o aumento da quantidade de mercadorias no comércio internacional. A partir da década de 1970, as transnacionais estadunidenses também passaram a enfrentar mais concorrência, sobretudo de empresas europeias e asiáticas. No en tanto, os Estados Unidos ainda são o país com maior número de transnacionais e, atualmente, respondem por cerca de 7% das exportações de produtos industrializa dos no mundo.
De certa maneira, podemos dizer que a expansão das multinacionais, ao abastecer o mercado mundial com produtos estadunidenses, acabou fortalecendo a supremacia econômica dos Estados Unidos.
O setor industrial dos Estados Unidos
O processo de industrialização nos Estados Unidos teve início nas primeiras décadas do século XIX, impulsionado, principalmente, pela organização produtiva verificada na região nordeste do país.
Como vimos anteriormente, as colônias estabelecidas no nordeste dos Estados Unidos passaram a realizar seu trabalho para atender às necessidades e ao de senvolvimento econômico próprios. Em geral, as propriedades foram divididas em pequenos lotes e nelas os camponeses passaram a desempenhar uma ativi dade agrícola familiar, predominando a policultura. Ao mesmo tempo que cultiva vam a terra, os colonos, por serem em grande parte profissionais artesãos na Europa, começaram a fabricar diversos produtos manufaturados e artesanais.
Esse cenário contribuiu de maneira significativa para a expansão do mercado interno consumidor. Com isso, as manufaturas aumentaram gradativamente, as trocas comerciais cresceram e surgiram vários estabelecimentos bancários. A in tensa acumulação de capital permitiu à nascente burguesia industrial e comercial investir nas primeiras indústrias, que serviram de base, mais tarde, para impulsio nar o crescimento econômico e industrial das demais regiões estadunidenses.
A consolidação da industrialização no país ocorreu definitivamente na segunda metade do século XIX. Nesse período, tanto a produção industrial quanto a eco nomia cresciam em ritmos surpreendentes. A partir do século XX, o parque indus trial dos Estados Unidos passou a abranger indústrias de vários setores, entre eles o automobilístico.
Destaca-se, nesse sentido, a influência das indústrias estadunidenses sobre a atividade industrial no mundo, que a partir desse momento passou a assimilar tendências desenvolvidas nos Estados Unidos, como a organização produtiva baseada em linhas de montagem, que proporcionava o aumento da produção e o estímulo ao consumo em massa.
Os Estados Unidos também foram os precursores da Terceira Revolução Industrial, a partir da década de 1970. Isso, como veremos adiante, permitiu a formação de diversos polos de alta tecnologia que hoje caracterizam o espaço industrial estadunidense. Atualmente, a indústria responde por 18% do PIB do país e 17% da produção industrial do mundo.
Um aspecto marcante do espaço econômico dos Estados Unidos é que tanto as indústrias como as atividades agrícolas estão distribuídas ao longo de áreas especializadas, com grandes faixas ou cinturões organizados e ocupados de acordo com o tipo de mercadoria produzida. Em inglês, esses cinturões são denominados belts.
Elevado nível tecnológico
Uma característica marcante da atividade industrial dos Estados Unidos é o ele vado nível tecnológico presente no processo produtivo. O investimento em mo dernas tecnologias favoreceu a expansão de indústrias, como as de informática, microeletrônica, robótica e biotecnologia. Entre as razões que promoveram o crescimento dessas indústrias, está a presença de grandes centros de pesquisa e desenvolvimento, conhecidos por tecnopolos.
O Massachusetts Institute of Technology (MIT), localizado no estado de Massachusetts, no nordeste dos Estados Unidos, é um dos mais importantes tecnopolos do mundo. Nele, são desenvolvidas pesquisas tecno lógicas voltadas para as áreas de saúde, economia e meio ambiente.
Também se destaca como um importante tecnopolo o estado da Califórnia, em especial a re gião denominada Vale do Silício, que reúne sedes de grandes em presas do setor de tecnologia reconhecidas em todo o mundo.
O silício é um elemento químico usado para a fabricação de componentes da indústria eletrônica e de informática, como chips. Ele dá nome à região porque nela são desenvolvidos produtos como smartphones, computadores, processadores, softwares e programas de computador, além de serviços on-line, a exemplo das re des sociais e dos streamings.
A descentralização industrial dos Estados Unidos
A região nordeste dos Estados Unidos, que abrange a porção dos Grandes Lagos, representou o berço da produção industrial no país e ganhou a denominação de Manufacturing Belt, ou seja, Cinturão das Manufaturas. Considerada uma das regiões mais industrializadas do mundo, seus polos industriais reúnem diferentes tipos de indústrias, que vão desde as tradicionais siderúrgicas, metalúrgicas e indústrias automobilísticas — as chamadas indústrias pesadas — até as de microe letrônica, biotecnologia e robótica — consideradas indústrias de alta tecnologia.
A indústria na região nordeste dos Estados Unidos se desenvolveu, principalmen te, devido à riqueza do subsolo em termos de ferro e carvão mineral, alcançando grande desenvolvimento no início do século XX, justamente quando as indústrias automobilísticas e siderúrgicas ganhavam importância. No entanto, o Cinturão da Manufatura entrou em decadência entre 1960 e 1970, por conta dos altos custos de produção. Além disso, as fábricas locais, principalmente as automobilísticas, passa ram a enfrentar dura concorrência de empresas produtoras de veículos japonesas.
Detroit, por exemplo, é uma cidade que, ao longo dos anos, tornou-se um dos polos mais importantes da indústria automobilística. No entanto, a cidade está passando por um momento de crise em sua estrutura econômica e social, já que vem perdendo grande contingente de trabalhadores e indústrias para outras re giões dos Estados Unidos.
Esse processo, caracterizado pela dispersão de indústrias originalmente con centradas em uma porção do território, interferindo diretamente na organização do espaço geográfico de um país, é denominado descentralização industrial. No caso dos Estados Unidos, tradicionais ramos industriais, como o siderúrgico e o automobilístico, já deslocaram suas unidades produtivas da porção nordeste para outras partes do país, como o sul e o oeste. Entre os fatores que ocasionaram essa descentralização, estão os altos impos tos, as elevadas despesas com mão de obra e as leis antipoluição. Diversas regiões foram beneficiadas por essa desconcentra ção, com destaque para o Sun Belt, ou seja, Cinturão do Sol, no oeste do país.
Associado diretamente à descentralização do nordeste, o crescimento do Sun Belt contou com o desenvolvimento de novos parques industriais, como no esta do da Califórnia. No entanto, esse cinturão também presenciou a ascensão de diversos tecnopolos, que, como vimos anteriormente, são marcados pela presen ça de indústrias de alta tecnologia, centros de pesquisa e universidades. O Vale do Silício, por exemplo, está localizado no Sun Belt.
A economia agrária dos Estados Unidos
A produção agropecuária nos Estados Unidos é responsável pelo abastecimen to do mercado interno e de parte do mercado mundial de alimentos, figurando entre as maiores do mundo.
Os produtos agropecuários representaram cerca de 10% das exportações feitas pelo país em 2020, e o setor se destaca pela elevada produtividade em função do emprego de modernas técnicas de produção, como inseminação artificial, uso inten sivo de fertilizantes, agrotóxicos e sementes selecionadas.
A agropecuária estadunidense ocupa quase metade do território do país e tam bém se organiza em cinturões, ou belts, que nesse caso correspondem a áreas especializadas em determinado tipo de cultivo ou criação. A localização dos belts agropecuários nos Estados Unidos leva em consideração diversos fatores, com destaque para as condições climáticas, o tipo de relevo e o mercado consumidor das regiões em que estão instalados.
Na região central do país, conhecida como celeiro agrí cola, predominam cultivos de milho e trigo. Nessa região, também se destaca a pecuária extensiva. Já a região nor deste é voltada, sobretudo, para a pecuária leiteira e o cultivo de hortaliças. Já na porção sul, influenciada pelo clima quente, cultivam-se produtos tropicais, como cana-de-açúcar, arroz e frutas. Embora a produtividade dos belts seja elevada, em várias regiões eles estão associados à ocorrência de problemas de desgaste do solo, em razão, sobretudo, do desenvolvimento das monoculturas.
Subsídios agrícolas
As práticas protecionistas executadas por países desenvolvidos, como os Esta dos Unidos, tornaram-se um assunto muito discutido na atualidade. Tais práti cas obrigam diversos países, sobretudo os países em desenvolvimento e os emergentes, a participar do comércio mundial em situação de desvantagem. Uma das práticas de protecionis mo se refere aos subsídios agrícolas que vários países desenvolvidos concedem a seus agricultores (con fira no gráfico). Esses subsídios con sistem no pagamento, feito pelo go verno, de uma parte do preço final dos produtos agropecuários aos produtores. Esses produtos passam, então, a ser negociados no mercado internacional a um preço menor do que o custo de sua produção e, des sa maneira, concorrem com grande vantagem sobre os produtos de pa íses em desenvolvimento.
Os Estados Unidos e seus recursos minerais
O subsolo dos Estados Unidos é rico em recursos minerais, com importantes reser vas de carvão, urânio, cobre, zinco, ferro e prata. Contudo, o consumo desses mine rais é bastante elevado, por isso o país precisa importar vários desses recursos.
Os Estados Unidos também contam com uma grande concentração de petróleo e gás natural na região do Golfo do México, na Califórnia e no Alasca. Atualmente, é o terceiro maior produtor mundial desses recursos, atrás de Arábia Saudita e Rússia. Entretanto, para suprir a demanda nacional, o governo estadunidense importa gran des quantidades de petróleo e outros recursos energéticos, criando grandes reser vas que podem ser usadas em momentos estratégicos ou de necessidade. Em 2021, por exemplo, o país importou cerca de 8 milhões de barris de petróleo por dia.
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