domingo, 22 de fevereiro de 2026

América Anglo-Saxônica: características populacionais

Os dois países da América Anglo-Saxônica possuem grandes extensões territoriais, figurando entre os cinco maiores do mundo. Vamos agora conhecer um pouco mais dos aspectos populacionais dos países dessa região.
Quando tratamos da demografia da América Anglo-Saxônica, uma característica marcante é a grande diferença entre a população absoluta de seus países. Enquanto os Estados Unidos possuem uma população de 337 milhões de habitantes, a população do Canadá é de aproximadamente 38 milhões de habitantes. Essa diferença se re flete também na densidade demográfica: 34 hab./km² e 4 hab./km², respectivamente.

1- A densidade e a distribuição populacional


O território canadense é o segundo maior, perdendo apenas para a Rússia. Os Estados Unidos, por sua vez, ocupam a quarta posição nesse ranking, superado também pela China.
Apesar de sua grandeza territorial – quase 10 milhões de quilômetros qua drados –, em 2018, a população do Canadá era de aproximadamente 37 milhões de pessoas, ou seja, o país apresenta uma baixa densidade populacional, inferior a 5 habitantes/km2. Mais de 60% dessa população ocupa apenas 4% do território canadense, localizado na fronteira com os Estados Unidos, sobretudo na porção leste. 
Fatores físico-naturais, históricos e econômicos contribuem para essa distribuição populacional desigual, como a presença das montanhas Rocho sas a oeste, as temperaturas gélidas ao norte, a colonização iniciada pela costa leste e o desenvolvimento de atividades econômicas em torno dos Grandes Lagos, por exemplo.
Os Estados Unidos, por sua vez, são um país muito populoso. De acordo com dados do U.S. Census Bureau, órgão do governo que realiza o recenseamento no país, em 2018, a população estadunidense era de aproximadamente 327 milhões de pessoas, ou seja, uma densidade demográfica de aproximadamente 33 habi tantes/km2.
As principais cidades Mais de 80% da população da América Anglo-Saxônica vive em cidades. Nos Estados Unidos, verifica-se uma distribuição populacional bastante concentrada em algumas metrópoles, como Nova York e Los Angeles, ambas com mais de 10 milhões de habitantes. Existem grandes concentrações populacionais também em Chicago, a terceira maior metrópole do país, seguida de Houston, Phoenix, Philadephia, San Antonio, San Diego, Dallas e San Jose.
No Canadá, por sua vez, a população se concentra nos estados de Ontário (38%), onde predomina a língua inglesa; e Quebec (23%), onde predomina a língua france sa. As duas principais cidades são Toronto e Montreal, seguidas por Vancouver. Ottawa é a capital do país, com cerca de 1,3 milhão de habitantes. Como todas as grandes cidades do mun do, essas metrópoles concentram riqueza e pobreza. A desigualdade social é notável inclusive em cidades conhecidas pela qualidade de vida de sua população.
De modo geral, nas áreas menos povoadas (que apresentam menos de 10 hab./km²), predominam condições naturais adversas, como os climas frio e polar do norte do Canadá e do Alasca; as áreas de deserto do sudoeste dos Estados Unidos; e também as áreas de relevo íngreme das Montanhas Rochosas no oeste do mesmo território.
A costa leste, por sua vez, apresenta maior concentração populacional em relação às outras áreas. Isso se deve a fatores históricos relacionados à colonização europeia, que se iniciou no litoral atlântico, motivo que também levou essa região a apresentar maior desenvolvimento econômico. 

Crescimento e envelhecimento populacional 


Nos países da América Anglo-Saxônica, a população apresenta crescimento lento e acentuado envelhecimento. No quinquênio de 1950-1955 o Canadá apre sentou uma taxa bruta de natalidade de 27,4 nascimentos por mil pessoas. No mesmo período, a taxa de natalidade dos Estados Unidos foi de 24,1 nasci mentos por mil. Atualmente, porém, os Estados Unidos apresentam uma taxa bruta de natalidade (12,7 nascidos por mil) mais elevada que a do Canadá (10,5 nascidos por mil). Projeta-se continuidade da queda da natalidade em am bos os países. O número de nascidos nos Estados Unidos tende a permanecer maior do que no Canadá, conforme indicam as projeções do crescimento da população da ONU para 2100.
Além disso, os países da América Anglo-Saxônica apresentam as maiores proje ções de todo o continente americano no indicador de expectativa de vida ao nascer. Nos anos 1950, a esperança de vida no Canadá era de 69,5 anos; atualmente, é de 82,6 anos. Em 2100, espera-se que uma pessoa nascida no Canadá viva cerca de 92,3 anos. Nos Estados Unidos, por sua vez, a expectativa de vida é um pouco mais baixa. Ainda assim, já nos anos 1950, a expectativa de vida ao nascer era de 68,7 anos; atualmente, é de 79,6 anos e prevê-se que, em 2100, atinja os 89,6 anos.
O crescimento populacional lento associado à elevada expectativa de vida re sulta no envelhecimento demográfico acelerado, o que coloca grandes desafios aos países americanos anglo-saxônicos. Com taxa de natalidade baixa, o crescimento populacional recente do Canadá decorre principalmente da imigração, incentivada pelo governo como estratégia para aumentar a população economicamente ativa (PEC). De acordo com o instituto estatal de pesquisa do Canadá, em 2016, 16,9% da população contava 65 anos ou mais e a população entre 55 a 64 anos era maior que a população de 15 a 24 anos. Observe as pirâmides etárias.

2- Diversidade étnico-cultural na América Anglo-Saxônica


A presença de povos ameríndios autóctones, a herança da colonização e as atuais dinâmicas migratórias do mundo globalizado conferem à América Anglo-Saxônica grande diversidade étnico-cultural.
A população da América Anglo-Saxônica é composta, em sua maioria, de descendentes de colonizadores europeus e de uma pequena parte de descendentes de africanos, asiáticos, hispânicos e povos nativos.
Durante a colonização da América Anglo-Saxônica, muitos povos nativos foram dizimados, como os Apache, os Sioux e os Cherokee, nos Estados Unidos, e os Algonquinos, no Canadá. Atualmente, o número de descendentes das populações tradicionais é extremamente pequeno.

Diversidade étnico-cultural no Canadá

No Canadá, a origem étnica de grande parte de sua população é de colonizadores europeus, sobretudo ingleses e franceses. A presença predominante desses colonizadores explica o fato de as línguas francesa e inglesa serem consideradas idiomas oficiais do país.
A população de origem francesa da província de Quebec sempre manteve suas tradições, idioma e cultura, e o sentimento separatista sempre esteve presente. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o Canadá passou a apresentar um grande desenvolvimento econômico. De modo geral, as atividades eram complementares às dos Estados Unidos da América, o que não diminuiu o desejo de emancipação do Quebec. Essa postura levou o então presidente francês, a afirmar, em 1967, que os quebequenses eram tão franceses quanto os que viviam junto ao rio Sena, em Paris.
O acirramento das tensões entre o Canadá “francês” e o Canadá “inglês” levou à realização de dois plebiscitos sobre a separação do Quebec. Em ambas as oca siões, a maior parte da população votou contra a separação (60% em 1980 e 50,6% em 1995). Atualmente, Quebec, cuja maior cidade é Montreal, é a mais extensa e segunda mais populosa província do país, reunindo cerca de um quarto da população canadense.
O Canadá é um país multicultural, formado por distintos povos, onde são reconhecidas quatro línguas oficiais: inuktitut, inuinnaqtun (ambas de populações tradicionais), inglês e francês (as duas últimas com ensino obrigatório em todo o território nacional). 
Parte da população que vive no Canadá é indígena. Nas últimas décadas, eles alcançaram conquistas importantes. Em 1999, os inuítes conseguiram obter uma resolução que levou à criação do Território de Nunavut, sobre o qual têm autonomia.

Diversidade étnico-cultural nos Estados Unidos


Nos Estados Unidos, a população foi formada em grande parte por imigrantes europeus em virtude de sua colonização ter ocorrido com o desenvolvimento de colônias de povoamento, as quais contavam com maior número de imigrantes europeus. Apenas a menor porção ao sul do território dos Estados Unidos apresentou colônias de exploração, que empregaram principalmente o trabalho de negros africanos escravizados no cultivo de produtos tropicais, como o algodão e o tabaco.
País formado por imigrantes europeus e descendentes de nações indígenas nativas, os Estados Unidos apresentam também importantes comunidades negra, asiática e latina. Segundo estimativas de 2014 do U. S. Census Bureau, os afro-americanos totalizavam 13,2% da população estadunidense; os asiáticos, 5,6%; hispânicos e latino-americanos, 17,1%. Dessa composição resultou uma variedade muito grande no campo da cultura e nos costumes.

A elevada qualidade de vida da população Anglo-Saxônica 


De maneira geral, a população dos países da América Anglo-Saxônica apresenta elevada qualidade de vida, resultado de diversos fatores, entre eles os grandes investimentos dos governos em setores sociais.
A política do estado de bem-estar social, ou welfare state, adotada pelos países desenvolvidos, inclusive Canadá e Estados Unidos, a partir da segunda metade do século XX, priorizou o bem-estar da sociedade com medidas que favoreceram o desenvolvimento de diversas áreas, como educação, saúde, previdência e assistência social.
A renda média mais elevada de parte da população também contribui para que as pessoas tenham acesso à moradia adequada, a uma alimentação equilibrada, usufruam de atividades culturais e de lazer, o que consequentemente melhora a qualidade de vida, impactando significativamente no desenvolvimento social e econômico.
Assim como em grande parte dos países desenvolvidos, a elevada qualidade de vida promove o aumento da expectativa de vida dos estadunidenses e canadenses. Essa situação, aliada à diminuição das taxas de natalidade, vem provocando o en velhecimento da população, ou seja, o aumento do número de adultos e idosos no total da população.

Cotas para negros


Na década de 1950, teve início uma mobilização muito importante da população afrodescendente nos Estados Unidos, que sofria forte discriminação da população branca: o Movimento pelos Direitos Civis. Por meio desse movimento, a população negra se organizou na busca de ações que reduzissem o preconceito e as diferenças sociais entre negros e brancos.
O movimento obteve uma série de vitórias, como direitos ao voto e ao com partilhamento de espaços públicos. Além disso, foi adotado o sistema de cotas, que visava reduzir a diferença social entre as populações branca e negra. Na década de 1960, esse sistema deu origem a uma reserva de postos de trabalho e vagas em universidades concedidas pelo governo a afro-americanos como com pensação ao período escravocrata.
Alguns anos depois se desenvolveu nos Estados Unidos uma classe média afro-americana, que começou a conquistar novos postos de liderança na socieda de estadunidense. Um exemplo dessa nova classe média é o líder Barack Obama, primeiro presidente negro do país, eleito em 2008 e reeleito em 2012, exercendo o cargo até o fim do segundo mandato, no início de 2017.

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