domingo, 22 de fevereiro de 2026

Estados Unidos: política externa

Cada país estabelece formas de se relacionar com os demais, definindo sua política externa, o que significa es tabelecer acordos comerciais ou econômicos; planejar estratégias para obter apoio de outros Estados-nação na votação de resolu ções por organismos internacionais, como a OMC ou a própria ONU; determinar a concessão de empréstimos ou prestação de auxílio em caso de guerra, etc. Vale ressaltar que os países nor malmente mantêm alianças ou pactos de auxílio mútuo em caso de conflito militar.
Os países mais poderosos econômica ou militarmente procu ram intervir com suas forças armadas quando seus interesses eco nômicos se encontram ameaçados. Foi isso que os Estados Unidos fizeram em 1991, após o Iraque ter invadido o Kuwait — país rico em reservas petrolíferas e tradicional aliado do governo estadunidense.

O unilateralismo


Desde o fim da Guerra Fria, a política externa estadunidense, particularmente nos dois mandatos de Bill Clinton, passou a ser pautada pelo que alguns cientistas políticos chegaram a denominar “intervencionismo humanitário”. Ou seja, o desejo de proteger os in teresses dos Estados Unidos combinado com uma preocupação em solucionar problemas político-sociais e mesmo ambientais. Esses princípios estão demonstrados nas participações do governo esta dunidense nos acordos de paz assinados entre israelenses e pales tinos, em 1993, e na elaboração do Protocolo de Kyoto, em 1997.
Com a chegada de George W. Bush ao poder, em janeiro de 2001, o chamado unilateralismo tornou-se a marca da política externa estadunidense. De acordo com essa concepção, os Estados Unidos passaram a atuar na condução dos te mas de interesse de todos os países quase exclusivamente na medida de seus próprios interesses.
Foi seguindo essa orientação que o governo estadunidense tomou uma sé rie de medidas: deixou de intermediar ativamente o conflito entre israelenses e palestinos — intensificando a insatisfação de vários grupos islâmicos con trários à influência político-militar dos Estados Unidos no Oriente Médio; recusou-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, por não concordar com as metas para a redução na emissão de gases do efeito estufa (CO2 , principalmente); retirou-se da reunião contra a discriminação e o racismo realizada na África do Sul no início de setembro de 2001; não assinou os termos para a criação de um Tribunal Penal Internacional.

A Doutrina Bush


A intervenção militar no Iraque é consequência imediata de uma doutrina que justificava a ação dos Estados Unidos contra determinado país. Tratava-se da Doutrina Bush, numa referência ao presidente George W. Bush. Depois de compro vado que o Iraque não tinha armas de destruição em massa (químicas ou nuclea res) — argumento usado para a invasão do território iraquiano —, ficou claro que o objetivo da intervenção no país era a destituição de seu governante — Saddam Hussein, morto em 2006 —, que contrariava os interesses estadunidenses. Essa ação foi tomada sem a aprovação da ONU. De acordo com a Doutrina Bush, o governo estadunidense tinha, por exem plo, o direito de se defender de modo preventivo e antecipado, empreendendo invasões e ataques a países que, do seu ponto de vista, constituíssem ameaça à sua segurança.
Com o 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos empreenderam a “guerra contra o terror”, que provocou mudanças tanto internas quanto em sua relação com os outros países. Nesse contexto, além da ofensiva no Afeganistão, outras medidas foram tomadas: a identificação das nações que, segundo a visão estadunidense, dariam apoio ao terrorismo internacional (Coreia do Norte, Irã e Iraque); a inva são e a ocupação do Iraque, em março de 2003; a aprovação de leis de restrição aos direitos civis, como a permissão para grampear telefones e prender estrangeiros suspeitos. Os países que, segundo os Es tados Unidos, apoiavam o terrorismo receberam a denominação, em seu conjunto, de “eixo do mal”.

O governo Obama


Em janeiro de 2009, com a posse de Barack Obama, do Partido Democrata, era esperada uma série de mudanças socioeconômicas internas e na política ex terna dos Estados Unidos. Internamente, os principais desafios do governo Oba ma foram minimizar os efeitos da grave crise econômica de 2008, implementar medidas para retomar o crescimento econômico e reduzir o desemprego no país.
No decorrer do primeiro e do segundo mandatos de Obama, houve uma lenta retomada dos investimentos e crescimento da atividade produtiva, graças, em boa parte, à ajuda do Estado, que, apoiado em um plano de reestruturação e fortaleci mento econômico, injetou quase um trilhão de dólares na economia estadunidense.
Externamente, Obama abandonou a Doutrina Bush, mudando a orientação da política externa estadunidense, sobretudo no que diz respeito ao encaminhamen to das questões ambientais e dos conflitos internacionais. No que se refere às questões ambientais globais, porém, a única decisão mais expressiva do gover no Obama foi o compromisso de reduzir a emissão dos gases do efeito estufa, a partir de 2025, entre 26% e 28% em relação aos níveis de 2005. Essa decisão foi tomada em 2014, em um acordo firmado com a China, que também se compro meteu a garantir a redução desses gases no país. Atualmente, a China é a maior emissora de gases estufa no mundo e os Estados Unidos são o segundo.
Nas questões relativas aos conflitos externos, foram tomadas algumas deci sões importantes, como o plano para a retirada das tropas militares estaduniden ses do Iraque, concluído no final de 2011, e a aproximação dos Estados Unidos com a Rússia, a China e a União Europeia. No primeiro semestre de 2015, estava em curso uma reaproximação com o Irã, país com o qual os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas há mais de 30 anos.
Apesar dessas medidas, o governo Obama participou da ofensiva na Líbia, no âmbito da estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), para a deposição do ditador Muamar Kadaffi, morto em 2011. Além disso, no início de 2015, a prisão militar na base estadunidense de Guantánamo, em Cuba, que abriga acusados de terrorismo, continuava ativa, apesar de Obama ter manifestado o interesse em fechá-la.
No final de 2015, Barack Obama e o presi dente cubano Raúl Castro retomaram conversações para o restabelecimento dos laços di plomáticos entre Cuba e Estados Unidos, num acontecimento histórico. A partir daí, teve início uma reaproximação entre os dois países, abalada, porém, após a eleição de Donald Trump, que em 2017 anunciou o cancelamento do acordo fechado com Cuba pelo ex-presidente estadunidense.

O governo Trump


O empresário e republicano Donald Trump foi eleito por meio de uma campa nha apoiada em promessas de aumento de emprego, manutenção das indústrias locais e defesa da supremacia estadunidense. Sua eleição à presidência dos Es tados Unidos significou um retorno ao unilateralismo, também marcado por uma tendência protecionista e uma aversão a imigrantes.
No mesmo ano em que assumiu o poder, em 2017, Trump retirou os Estados Unidos de diversos acordos e órgãos multilaterais: do pacto da ONU sobre migra ção e refugiados, da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e do Acordo de Paris, que estabelece metas de redução das emissões de gases estufa, além de anunciar a revisão do acordo dos Estados Uni dos com Cuba.
Também nesse ano, alegando que os Estados Unidos querem apenas estabele cer acordos comerciais bilaterais, abandonou a Parceria Transpacífico, que objetiva estabelecer redução nas tarifas de importação entre diversos países da Ásia, Oce ania e América banhados pelo oceano Pacífico. No entanto, temendo um fortaleci mento da China (integrante do acordo) na Ásia, em meados de 2018, os Estados Unidos estavam reconsiderando a possibilidade de retorno ao bloco econômico.
Em 2018, Trump prosseguiu com sua política de ações unilaterais, abandonan do o acordo feito com o Irã (do qual também fazem parte outras cinco potências mundiais). Esse acordo tinha como objetivo limitar o programa nuclear do Irã, com a contrapartida de suspensão das sanções estadunidenses contra os iranianos.
Nesse mesmo ano, para proteger setores industriais locais, Trump aumentou as tarifas de importação de aço e alumínio, o que afetou diversos países, inclu sive a China, com quem esperava reduzir o deficit comercial em 200 bilhões de dólares. Os Estados Unidos vinham apresentando elevados déficits comerciais com a China (em 2017, atingiram aproximadamente 335 bilhões de dólares). Essa medida gerou uma tensão comercial entre os dois países.
Outra bandeira de Trump foi a limitação da entrada de imigrantes no país. Para isso, alterou leis que favoreciam os imigrantes, como a que beneficiava os filhos de imigrantes nascidos nos Estados Unidos.

Estados Unidos: atividade industrial

Os Estados Unidos possuem grande importância no mercado mundial de gêneros industrializados.
O processo de industrialização dos Estados Unidos ganhou força a partir da segunda metade do século XIX e início do XX, especialmente na região nordeste, onde teve iní cio o processo histórico de ocupação do território. A presença abundante de recursos naturais, como reservas de carvão, próximas aos Apalaches, e de jazidas de minério de ferro, próximas aos Grandes Lagos, também favoreceu o crescimento das atividades industriais, sobretudo dos ramos siderúrgico e metalúrgico, no nordeste do país.
Nesse período, também foram encontradas importantes jazidas de petróleo na região dos Grandes Lagos, no Texas e na região do Golfo do México. Com essas descobertas, o país passou a desenvolver também ramos ligados à indústria química, responsável pela fabricação de produtos como combustível, solvente, plástico e borracha sintética. Outro fator que contribuiu para a expansão da atividade industrial na região nordeste dos Es tados Unidos foi a proximidade do oceano Atlântico, facilitando o transporte marítimo das mercadorias para outras regiões, sobretudo para o continente europeu.
Atualmente, a produção industrial estadunidense é bastante diversificada e apre senta indústrias de diversos ramos, como siderúrgico, metalúrgico, petroquímico, automobilístico, aeronáutico, da informática, eletrônica, têxtil e alimentício.

Indústria estadunidense na atualidade

Os Estados Unidos respondem atualmente por cerca de 18% da produção total da indústria mundial, fato que demonstra sua supremacia econômica. Essa produção é gerada pelo maior e mais diversificado complexo industrial do mundo. Para se ter uma ideia da grandiosidade dessa indústria, em 2018, das 100 maiores empresas do planeta, 37 eram estadunidenses. Além disso, o faturamento dessas empresas chega a superar o Produto Interno Bruto (PIB) de boa parte dos demais países.
Desse modo, o setor industrial estadunidense caracteriza-se pela existên cia de gigantescos grupos empresariais, verdadeiros impérios econômicos que dominam uma parcela significativa da produção mundial e, consequentemente, dos lucros gerados na atual economia globalizada. Esse poderio no campo industrial é fundamental para o desenvolvimento do país, uma vez que o setor dinamiza toda a economia, estimulando o crescimento das atividades agrárias, do comércio e dos serviços.
O avançado estágio tecnológico do setor fabril estadunidense, amplamente domina do pela automação e robotização das linhas de produção, explica o índice relativamen te baixo de trabalhadores empregados no setor, se comparado ao de outros países. Enquanto a População Economicamente Ativa (PEA) da indústria dos Estados Unidos corresponde a 19%, esse índice é de 27% na Rússia, 26% na China e 24% na Índia.

Recursos energéticos e minerais: da abundância à dependência

O crescimento industrial dos Estados Unidos foi beneficiado pela riqueza de recursos naturais existentes em seu território, sobretudo cobre, carvão, minério de ferro e petróleo.
Um dos principais desafios que os Estados Unidos enfrentam para manter o imenso parque industrial em funcionamento é suprir a crescente demanda de energia e recursos minerais.
O território dos Estados Unidos apresenta vastas e diversificadas jazidas minerais e de recursos energéticos fósseis. Entretanto, a insuficiência de alguns recursos, coloca o país como o terceiro maior importador de minerais do mundo (atrás da China e do Japão).
No setor energético, apesar de ocupar a posição de maior pro dutor mundial, ele não produz o suficiente para abastecer o consumo interno, sobretudo de petróleo. Assim, mesmo sendo o terceiro maior produtor de petróleo mundial, superado apenas pela Arábia e Rússia, o país vem aumentando sua dependência do petróleo internacional.
Embora os Estados Unidos possuam uma vasta riqueza mineral, ainda recorrem à importação de vários recursos, pois sua demanda é muito maior que a produção nacional. Mesmo sendo o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, sua pro dução é insuficiente para abastecer seu parque industrial. Por isso, os Estados Unidos dependem cada vez mais de importações de petróleo de países como Canadá, Arábia Saudita, México e Venezuela.
Essa situação passou a ser mais preocupante com a diminuição da produção petrolífera nas últimas décadas. Dois fatores colaboram para isso: primeiro, o investimento das grandes empresas do setor petrolífero em outros países, reduzindo consequentemente os investimentos no próprio território; segundo, essas empresas têm enfrentado o rigor de leis antipoluentes e uma forte resistência dos movimentos ambientalistas estadunidenses, contrários ao aumento de atividades poluidoras no país.
Em relação aos recursos minerais, o território dispõe de importantes pro víncias mineralógicas, na região dos Montes Apalaches, no leste, e nas Monta nhas Rochosas, no oeste, assim como importantes reservas de carvão e urânio.

Espaço industrial em transformação

A atividade industrial nos Estados Unidos foi iniciada no nordeste do país, região denominada Manufacturing Belt, em ra zão do aproveitamento de condições naturais e históricas favoráveis a seu desenvolvimento. Contudo, nas últimas décadas, está em andamento um grande incremento do processo de industrialização em outras áreas, sobretudo nas regiões sul e oeste, dando origem a um novo cinturão, denominado Sun Belt. Vamos conhecê-los melhor.
Manufacturing belt: essa região se tornou a mais industrializada do país, des tacando-se pela expansão do setor siderúrgico, cujas atividades estimularam o crescimento de vários outros segmentos industriais, como o de mineração, o me talúrgico e o automobilístico. Abrange o nordeste e a área dos Grandes Lagos e, por ser a região mais intensamente industrializada dos Estados Unidos, ficou co nhecido como manufacturing belt ou cinturão das manufaturas.
Contudo, nas últimas décadas, as grandes siderúrgicas e montadoras de au tomóveis, outrora símbolos do potencial industrial da região, vêm atravessando uma forte crise, gerada pela produção do aço a custos mais baixos em países subdesenvolvidos industrializados e pela forte concorrência de produtos japo neses, europeus, dos Tigres Asiáticos e, principalmente, dos chineses. Outro fator importante é o encarecimento da mão de obra, decorrente da atuação efetiva dos sindicatos de trabalhadores na região. Diante disso, o nordeste dos Estados Unidos vem diminuindo de forma expressiva sua participação na pro dução industrial estadunidense.
Sun belt: simultaneamente à crise da atividade industrial na região nordeste, as regiões sul e oeste dos Estados Unidos passaram a atrair muitos investimen tos, especialmente os ligados ao desenvolvimento das indústrias de alta tecno logia, como informática, telecomunicações, eletrônica, aeroespacial e química fina. O avanço dessas atividades proporcionou grande dinamismo econômico a essas regiões, chamadas de sun belt ou cinturão do sol.
O crescimento da atividade industrial nessas regiões foi impulsionado por uma série de fatores. A costa oeste, por exemplo, recebeu muitas indústrias armamentistas e de aviação militar, que estão entre as mais avançadas tec nologicamente. O sul, por sua vez, destacou-se pela descoberta e exploração de imensas reservas de petróleo, sobretudo no Texas e no Golfo do México, e também pela proximidade com as novas áreas industriais mexicanas.
Recentemente, destacam-se em ambas as regiões (manufacturing ou sun belt) a presença dos chamados tecnopolos, centros de pesquisa formados por univer sidades, laboratórios privados, escolas técnicas etc. que desenvolvem tecnologias em áreas de ponta do conhecimento, como biotecnologia, telecomunicações, in formática ou aeroespacial, a fim de criar novos e sofisticados produtos ou melho rar o processo de produção industrial.

Regiões industriais

A concentração da atividade industrial em determinadas regiões do território favoreceu a formação de imensas aglomerações urbanas industriais. A expansão des sas aglomerações deu origem a importantes megalópoles estadunidenses: na região leste, a Bos-Wash (Boston–Washington); na região dos Grandes Lagos, a Chi-Pitts (Chicago–Pittsburgh); e na costa do Pacífico, a San-San (San Diego–San Francisco).

As principais áreas industriais no território dos Estados Unidos encontram-se agrupadas em duas grandes regiões, são elas:

- Cinturão da manufatura, também conhecida por manufacturing belt: é a região industrial mais antiga, localizada no nordeste do país, entre os Grandes Lagos e a costa atlântica. Foi onde teve início o processo de industrialização dos Estados Unidos e onde estão localizadas importantes cidades do país, como Chicago e Washington, e também importantes portos marítimos, como os de Boston, Filadélfia e Nova York.
Embora o manufacturing belt seja o maior parque industrial dos Estados Unidos, há algumas décadas essa região vem passando por uma crise industrial, decorrente de fatores como a dificuldade de competir com empresas que utilizam mão de obra barata, altos impostos, envelhecimento dos maquinários industriais e ainda intensa competitividade dos produtos industrializados fabricados na Europa e, sobretudo, na Ásia.
Essa crise industrial vem provocando o fechamento de vá rias fábricas, como as automo bilísticas e siderúrgicas. E vem provocando também a queda da participação do nordeste na produção industrial estadunidense. Em razão desses fatos, o cin turão da manufatura está sendo chamado de rust belt, ou seja, cinturão da ferrugem. -

- Cinturão do sol ou sun belt: é a região industrial mais recente, que ganhou força simultaneamente à crise industrial da região nordeste. O sun belt se estende da região sudoeste do terri tório estadunidense, passando pela região do Golfo do México, indo até a região oeste do território e, de modo geral, abriga as indústrias de elevada tecnologia dos Estados Unidos. Na porção sul, as principais atividades industriais são ligadas ao ramo petroquímico, em razão da proximidade das jazidas de petróleo, e também ao ramo aeroespacial, em virtude da presença do Centro Espacial John F. Kennedy, porto espacial da Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica (Nasa). Já na região oeste, destacam-se as indústrias de alta tecnologia, como informática, robótica, biotecnologia e microeletrônica.
De modo geral, as indústrias do cinturão do Sol foram impulsionadas pela proximidade que possuem de importantes tecnopolos, ou seja, centros de pesquisas de alta tecnologia associados a importantes universidades, como o Vale do Silício, no estado da Califórnia.

As maquilladoras mexicanas

Um fator que dinamizou a industrialização do sun belt (região que compreende o sul e o sudoeste dos Estados Unidos) foi a criação das chamadas maquilladoras, indústrias estadunidenses que passaram a se instalar em território mexicano, próximo à fronteira com os Estados Unidos, a partir da década de 1960. A função específica das maquilladoras é fazer a montagem final de um produto, utilizando peças produzidas em unidades fabris localizadas em vários lugares dos Estados Unidos.
Existem fábricas para a montagem de automóveis, brinquedos e eletrodomésticos, entre outros produtos. Mais da metade do quadro de operários das maquilladoras é composta de mão de obra feminina (entre 50% e 60%), que recebe baixos salários e proporciona altos lucros às empresas estadunidenses.

Características econômicas da América Anglo-Saxônica

Assim como o seu território, a economia da América Anglo-Saxônica é muito grande e importante no contexto mundial. Embora não seja possível comparar a economia dos Estados Unidos com a do Canadá, este último também ostenta uma posição de destaque.

O uso industrial do espaço da América Anglo-Saxônica

Os Estados Unidos se tornaram o principal país industrializado do mundo após a Segunda Guerra Mundial, da qual saiu vencedor depois de atuar em conjunto com os aliados. Enquanto a Europa, arrasada pela guerra, se reconstruía, os Estados Unidos conseguiram desenvolver muitas tecnologias, aplicadas no desenvolvimento industrial e na agricultura.
Distribuição espacial das indústrias Os Estados Unidos criaram indústrias de base e de bens de consumo, como a indústria automobilística, concentrada no norte do país, junto aos Grandes Lagos, principalmente em Chicago e em Detroit.
Essa área industrializada, que engloba o nordeste dos Estados Unidos, e a região dos Grandes Lagos são chamadas de Ma nufacturing Belt (cinturão da manufatura). Para impor sua força militar no mundo foi preciso que os Estados Unidos desen volvessem uma sólida indústria de armamentos, que se concentra na costa oeste, junto a cidades como San Diego e Los Angeles.
A partir do acordo de produção com a China estabelecido na década de 1980, porém, algumas indústrias se deslocaram para o território chinês, diminuindo a ca pacidade industrial estadunidense. Apesar disso, o país continua a manter um importante parque industrial. Essa parceria foi vantajosa a ambos os países, que se consolidaram como as mais importantes potências econômicas e políticas do mundo nas décadas iniciais do século XXI.
No Canadá, estão presentes todos os ramos de atividade industrial, com destaque para a indústria química. É com a produção madeireira, de celulose e de alumínio, porém, que o país se destaca mundialmente.
Mais dinâmica, a economia dos Estados Unidos influencia diretamente a do Canadá, que desenvolve atividades complementares às do país vizinho. Em Vancouver existe correspondência com Seattle no setor aeronáutico. Em Toronto e Montreal estão situadas fábricas de automóveis que podem ser consideradas uma extensão das matrizes dos Estados Unidos.

O uso agropecuário do espaço

Os Estados Unidos apresentam uma diversificada produção agrícola. O país está entre os principais produtores de soja, algodão, trigo e milho do mundo, além de também contar com um dos maiores rebanhos de gado bovino e suíno.
A agricultura é outro setor que se beneficia do desenvolvimento tecnológico dos Estados Unidos. A elevada mecanização aplicada no campo, com utilização de técnicas sofisticadas de produção, garantem ao país safras volumosas por muitos anos, embora reduza a mão de obra.
Uma tecnologia bastante usada no setor agrícola estadunidense, a das sementes transgênicas, é muito questionada em países europeus. Essa técnica consiste na alteração genética da planta para que ela adquira deter minadas características ou resista a organismos prejudiciais ao seu desenvolvimento.
Os cientistas alertam que ainda não se conhecem os efeitos que o consumo desse tipo de alimento pode causar à saúde humana ao longo dos anos. Também se critica a possibi lidade de contaminação de áreas natu rais protegidas, que poderiam ser desestabilizadas pela presença de uma vegetação que não existia antes na natureza.
No Canadá, por sua vez, o extrativismo é praticamente voltado à exploração de madeira, retirada da floresta Boreal, ou Taiga. Essa floresta tem uma pequena diversidade de espécies, com predomínio de coníferas. O Canadá é o principal produtor de madeira certificada, que é usada para a fabricação de celulose.
Na agricultura, o cultivo de cereais e de frutas ocorre nas Pradarias canadenses e na planície do rio São Lourenço. As terras cultiváveis são reduzidas em virtude da baixa temperatura e do predomínio da Tundra. Nessa área, uma camada de gelo que cobre o solo permanentemente, conhecida como permafrost ou pergelissolo, impede o cultivo mesmo no verão. No Canadá também se destaca a criação de gado, especialmente no sistema intensivo.
A produção em Ciência e Tecnologia (C&T) Em 2015, o Canadá investiu pouco mais de 1,6% de seu PIB no setor de pro dução em Ciência e Tecnologia, enquanto os Estados Unidos investiram cerca de 2,8% do seu PIB. Esse setor adquire importância cada vez maior no mundo contemporâneo, e os Estados Unidos ocupam a liderança mundial em inovação, inclusive como um importante país exportador de C&T.

Desenvolvimento tecnológico: redes sociais

Nas últimas décadas, foram criadas nos Estados Unidos diversas empresas de computadores e de tecnologia. O Vale do Silício, localizado na Califórnia, na costa oeste do país junto a São Francisco, recebeu esse nome devido à grande concen tração de empresas de informática. O silício é o elemento químico básico para a fabricação de componentes da indústria eletrônica e de informática, como processadores, circuitos e chips.
Essas empresas se dedicam à inovação de materiais, computadores, chips, monitores, telefones celulares e programas de computa dor. Na Califórnia, em Mountain View e em Palo Alto, estão sediadas também as principais empresas de tecnologia do país, que criaram as redes sociais e os sistemas de busca na internet usados em grande parte do mundo. A região onde se concentram as indústrias de alta tecnologia nos Estados Unidos é chama da de Sun Belt (cinturão do Sol, pois se loca lizam nas áreas de clima mais quente).
Tecnologias de ponta, como as do setor de informática, são criadas por profissionais locais, ainda que boa parte seja de imigrantes. Muitos estudantes vão aos Estados Unidos para se especializar em cursos de mestrado e doutorado e acabam fixando residência no país, aceitando convites de trabalho em empresas e universidades.
Os Estados Unidos são líderes nas inovações tecnológicas. Para alcançar esse desenvolvimento, o governo investe muito em Ciência e Tecnologia.
Vale lembrar que o país ostenta o maior PIB do mundo. Logo, o valor que investe é superior a todos os demais da ta bela. Os investimentos em C&T conferem vantagens às em presas estadunidenses. Além de fabricarem novos produtos tecnológicos, que são vendidos em todo o mundo, os Estados Unidos recebem pagamento pelo uso das tecnologias criadas em seu território quando o produto é feito fora do país. Muitas fábricas se deslocaram para o México e para a China, onde a produção é mais barata. Entretanto, as empresas remetem parte dos lucros aos Estados Unidos.

Estados Unidos: potência econômica

Os Estados Unidos são a maior potência econômica do mundo, com uma base de produção diversificada e tecnologicamente avançada. Sua transformação como potência econômica mundial está relacionada aos acontecimentos ocorridos após os conflitos mundiais que abalaram o planeta durante o século XX: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A Europa foi um dos continentes mais afetados pelas guerras mundiais. O fato de grande parte dos conflitos ter ocorrido em território europeu acabou arrasando a economia e a infraestrutura de países que, naquele período, já se encontravam in dustrializados, como Inglaterra, França e Alemanha. Assim, após a Segunda Guerra, os Estados Unidos já eram os maiores exportadores de gêneros industrializados do mundo. Isso porque a Europa, até então maior exportadora mundial de mercadorias, não conseguia abastecer o mercado internacional com seus produtos industrializados.
A condição de principal fornecedor de gêneros industrializados no mercado inter nacional permitiu aos Estados Unidos acumular uma grande riqueza e financiar a re construção de vários países do mundo. Esse programa de ajuda financeira destinada à Europa ficou conhecido como Plano Marshall.
Tal situação fez com que muitos países endividados pela guerra, como Inglaterra, França e Itália, tornassem-se dependentes da economia estadunidense. Além disso, o pagamento dessas dívidas ampliou o enriquecimento dos Estados Unidos a médio e longo prazos.

A expansão das multinacionais pelo mundo

Desde o século XIX, empresas estadunidenses destacam-se no cenário internacional. No entanto, a partir da segunda metade do século XX, a difusão dessas empresas pelo mundo se intensificou.
Com o crescimento de sua economia a partir da segunda metade do século XX, os Estados Unidos passaram a promover uma expansão de suas empresas no mundo. Muitas delas abriram filiais no exterior como forma de dominar novos mercados e ampliar os lucros.
Isso ocorre porque, com o intuito de conquistar novos mercados consumidores e reduzir seus gastos de produção, grandes empresas desse país passaram a abrir filiais pelo mundo, tirando proveito de leis ambientais e trabalhistas menos rígidas e difundindo seus produtos por preços ainda mais competitivos.
De maneira geral, a expansão dessas empresas iniciou-se, principalmente, em países desenvolvidos da Europa. No entanto, várias multinacionais procuraram atuar nos países subdesenvolvidos que se industrializavam, como Brasil, Argentina, México e África do Sul, pois ofereciam mão de obra barata, abundância de matéria-prima, concessões fiscais (isenção de impostos, por exemplo), um mercado consumidor em expansão, além de legislações ambientais e trabalhistas pouco rígidas no controle de suas atividades.
A partir da década de 1970, o Brasil passou a ser um importante mercado para essas empresas, que gradualmente se inseriram no país em diversos setores produtivos. Assim como ocorreu em outros países em desenvolvimento, algumas empresas estadunidenses passaram a exercer hegemonia em determinados setores da indústria, ocupando parte significativa desses mercados e gerando forte competição para as indústrias nacionais.
A expansão das multinacionais estadunidenses possibilitou aos Estados Unidos estabelecer relações comerciais com grande parte dos países do mundo, intensificando assim o fluxo de mercadorias importadas e exportadas pelo país e, sobretudo, garantindo o seu acelerado ritmo de crescimento econômico.
Assim, a expansão das transnacionais com sede em diversos países contribuiu para fortalecer a hegemonia econômica dos Estados Unidos no mundo, já que favoreceu o aumento da quantidade de mercadorias no comércio internacional. A partir da década de 1970, as transnacionais estadunidenses também passaram a enfrentar mais concorrência, sobretudo de empresas europeias e asiáticas. No en tanto, os Estados Unidos ainda são o país com maior número de transnacionais e, atualmente, respondem por cerca de 7% das exportações de produtos industrializa dos no mundo.
De certa maneira, podemos dizer que a expansão das multinacionais, ao abastecer o mercado mundial com produtos estadunidenses, acabou fortalecendo a supremacia econômica dos Estados Unidos.

O setor industrial dos Estados Unidos

O processo de industrialização nos Estados Unidos teve início nas primeiras décadas do século XIX, impulsionado, principalmente, pela organização produtiva verificada na região nordeste do país.
Como vimos anteriormente, as colônias estabelecidas no nordeste dos Estados Unidos passaram a realizar seu trabalho para atender às necessidades e ao de senvolvimento econômico próprios. Em geral, as propriedades foram divididas em pequenos lotes e nelas os camponeses passaram a desempenhar uma ativi dade agrícola familiar, predominando a policultura. Ao mesmo tempo que cultiva vam a terra, os colonos, por serem em grande parte profissionais artesãos na Europa, começaram a fabricar diversos produtos manufaturados e artesanais.
Esse cenário contribuiu de maneira significativa para a expansão do mercado interno consumidor. Com isso, as manufaturas aumentaram gradativamente, as trocas comerciais cresceram e surgiram vários estabelecimentos bancários. A in tensa acumulação de capital permitiu à nascente burguesia industrial e comercial investir nas primeiras indústrias, que serviram de base, mais tarde, para impulsio nar o crescimento econômico e industrial das demais regiões estadunidenses.
A consolidação da industrialização no país ocorreu definitivamente na segunda metade do século XIX. Nesse período, tanto a produção industrial quanto a eco nomia cresciam em ritmos surpreendentes. A partir do século XX, o parque indus trial dos Estados Unidos passou a abranger indústrias de vários setores, entre eles o automobilístico.
Destaca-se, nesse sentido, a influência das indústrias estadunidenses sobre a atividade industrial no mundo, que a partir desse momento passou a assimilar tendências desenvolvidas nos Estados Unidos, como a organização produtiva baseada em linhas de montagem, que proporcionava o aumento da produção e o estímulo ao consumo em massa.
Os Estados Unidos também foram os precursores da Terceira Revolução Industrial, a partir da década de 1970. Isso, como veremos adiante, permitiu a formação de diversos polos de alta tecnologia que hoje caracterizam o espaço industrial estadunidense. Atualmente, a indústria responde por 18% do PIB do país e 17% da produção industrial do mundo.
Um aspecto marcante do espaço econômico dos Estados Unidos é que tanto as indústrias como as atividades agrícolas estão distribuídas ao longo de áreas especializadas, com grandes faixas ou cinturões organizados e ocupados de acordo com o tipo de mercadoria produzida. Em inglês, esses cinturões são denominados belts.

Elevado nível tecnológico

Uma característica marcante da atividade industrial dos Estados Unidos é o ele vado nível tecnológico presente no processo produtivo. O investimento em mo dernas tecnologias favoreceu a expansão de indústrias, como as de informática, microeletrônica, robótica e biotecnologia. Entre as razões que promoveram o crescimento dessas indústrias, está a presença de grandes centros de pesquisa e desenvolvimento, conhecidos por tecnopolos.
O Massachusetts Institute of Technology (MIT), localizado no estado de Massachusetts, no nordeste dos Estados Unidos, é um dos mais importantes tecnopolos do mundo. Nele, são desenvolvidas pesquisas tecno lógicas voltadas para as áreas de saúde, economia e meio ambiente.
Também se destaca como um importante tecnopolo o estado da Califórnia, em especial a re gião denominada Vale do Silício, que reúne sedes de grandes em presas do setor de tecnologia reconhecidas em todo o mundo.
O silício é um elemento químico usado para a fabricação de componentes da indústria eletrônica e de informática, como chips. Ele dá nome à região porque nela são desenvolvidos produtos como smartphones, computadores, processadores, softwares e programas de computador, além de serviços on-line, a exemplo das re des sociais e dos streamings.

A descentralização industrial dos Estados Unidos

A região nordeste dos Estados Unidos, que abrange a porção dos Grandes Lagos, representou o berço da produção industrial no país e ganhou a denominação de Manufacturing Belt, ou seja, Cinturão das Manufaturas. Considerada uma das regiões mais industrializadas do mundo, seus polos industriais reúnem diferentes tipos de indústrias, que vão desde as tradicionais siderúrgicas, metalúrgicas e indústrias automobilísticas — as chamadas indústrias pesadas — até as de microe letrônica, biotecnologia e robótica — consideradas indústrias de alta tecnologia.
A indústria na região nordeste dos Estados Unidos se desenvolveu, principalmen te, devido à riqueza do subsolo em termos de ferro e carvão mineral, alcançando grande desenvolvimento no início do século XX, justamente quando as indústrias automobilísticas e siderúrgicas ganhavam importância. No entanto, o Cinturão da Manufatura entrou em decadência entre 1960 e 1970, por conta dos altos custos de produção. Além disso, as fábricas locais, principalmente as automobilísticas, passa ram a enfrentar dura concorrência de empresas produtoras de veículos japonesas.
Detroit, por exemplo, é uma cidade que, ao longo dos anos, tornou-se um dos polos mais importantes da indústria automobilística. No entanto, a cidade está passando por um momento de crise em sua estrutura econômica e social, já que vem perdendo grande contingente de trabalhadores e indústrias para outras re giões dos Estados Unidos.
Esse processo, caracterizado pela dispersão de indústrias originalmente con centradas em uma porção do território, interferindo diretamente na organização do espaço geográfico de um país, é denominado descentralização industrial. No caso dos Estados Unidos, tradicionais ramos industriais, como o siderúrgico e o automobilístico, já deslocaram suas unidades produtivas da porção nordeste para outras partes do país, como o sul e o oeste. Entre os fatores que ocasionaram essa descentralização, estão os altos impos tos, as elevadas despesas com mão de obra e as leis antipoluição. Diversas regiões foram beneficiadas por essa desconcentra ção, com destaque para o Sun Belt, ou seja, Cinturão do Sol, no oeste do país.
Associado diretamente à descentralização do nordeste, o crescimento do Sun Belt contou com o desenvolvimento de novos parques industriais, como no esta do da Califórnia. No entanto, esse cinturão também presenciou a ascensão de diversos tecnopolos, que, como vimos anteriormente, são marcados pela presen ça de indústrias de alta tecnologia, centros de pesquisa e universidades. O Vale do Silício, por exemplo, está localizado no Sun Belt.

A economia agrária dos Estados Unidos

A produção agropecuária nos Estados Unidos é responsável pelo abastecimen to do mercado interno e de parte do mercado mundial de alimentos, figurando entre as maiores do mundo.
Os produtos agropecuários representaram cerca de 10% das exportações feitas pelo país em 2020, e o setor se destaca pela elevada produtividade em função do emprego de modernas técnicas de produção, como inseminação artificial, uso inten sivo de fertilizantes, agrotóxicos e sementes selecionadas.
A agropecuária estadunidense ocupa quase metade do território do país e tam bém se organiza em cinturões, ou belts, que nesse caso correspondem a áreas especializadas em determinado tipo de cultivo ou criação. A localização dos belts agropecuários nos Estados Unidos leva em consideração diversos fatores, com destaque para as condições climáticas, o tipo de relevo e o mercado consumidor das regiões em que estão instalados.
Na região central do país, conhecida como celeiro agrí cola, predominam cultivos de milho e trigo. Nessa região, também se destaca a pecuária extensiva. Já a região nor deste é voltada, sobretudo, para a pecuária leiteira e o cultivo de hortaliças. Já na porção sul, influenciada pelo clima quente, cultivam-se produtos tropicais, como cana-de-açúcar, arroz e frutas. Embora a produtividade dos belts seja elevada, em várias regiões eles estão associados à ocorrência de problemas de desgaste do solo, em razão, sobretudo, do desenvolvimento das monoculturas.

Subsídios agrícolas

As práticas protecionistas executadas por países desenvolvidos, como os Esta dos Unidos, tornaram-se um assunto muito discutido na atualidade. Tais práti cas obrigam diversos países, sobretudo os países em desenvolvimento e os emergentes, a participar do comércio mundial em situação de desvantagem. Uma das práticas de protecionis mo se refere aos subsídios agrícolas que vários países desenvolvidos concedem a seus agricultores (con fira no gráfico). Esses subsídios con sistem no pagamento, feito pelo go verno, de uma parte do preço final dos produtos agropecuários aos produtores. Esses produtos passam, então, a ser negociados no mercado internacional a um preço menor do que o custo de sua produção e, des sa maneira, concorrem com grande vantagem sobre os produtos de pa íses em desenvolvimento.

Os Estados Unidos e seus recursos minerais

O subsolo dos Estados Unidos é rico em recursos minerais, com importantes reser vas de carvão, urânio, cobre, zinco, ferro e prata. Contudo, o consumo desses mine rais é bastante elevado, por isso o país precisa importar vários desses recursos. 
Os Estados Unidos também contam com uma grande concentração de petróleo e gás natural na região do Golfo do México, na Califórnia e no Alasca. Atualmente, é o terceiro maior produtor mundial desses recursos, atrás de Arábia Saudita e Rússia. Entretanto, para suprir a demanda nacional, o governo estadunidense importa gran des quantidades de petróleo e outros recursos energéticos, criando grandes reser vas que podem ser usadas em momentos estratégicos ou de necessidade. Em 2021, por exemplo, o país importou cerca de 8 milhões de barris de petróleo por dia.

América Anglo-Saxônica: características populacionais

Os dois países da América Anglo-Saxônica possuem grandes extensões terri toriais, figurando entre os cinco maiores do mundo. Vamos agora conhecer um pouco mais dos aspectos populacionais dos países dessa região.

1- A densidade e a distribuição populacional


O território canadense é o segundo maior, perdendo apenas para a Rússia. Os Estados Unidos, por sua vez, ocupam a quarta posição nesse ranking, superado também pela China.
Apesar de sua grandeza territorial – quase 10 milhões de quilômetros qua drados –, em 2018, a população do Canadá era de aproximadamente 37 milhões de pessoas, ou seja, o país apresenta uma baixa densidade populacional, inferior a 5 habitantes/km2. Mais de 60% dessa população ocupa apenas 4% do terri tório canadense, localizado na fronteira com os Estados Unidos, sobretudo na porção leste. Fatores físico-naturais, históricos e econômicos contribuem para essa distribuição populacional desigual, como a presença das montanhas Rocho sas a oeste, as temperaturas gélidas ao norte, a colonização iniciada pela costa leste e o desenvolvimento de atividades econômicas em torno dos Grandes Lagos, por exemplo.
Os Estados Unidos, por sua vez, são um país muito populoso. De acordo com dados do U.S. Census Bureau, órgão do governo que realiza o recenseamento no país, em 2018, a população estadunidense era de aproximadamente 327 milhões de pessoas, ou seja, uma densidade demográfica de aproximadamente 33 habi tantes/km2.
As principais cidades Mais de 80% da população da América Anglo-Saxônica vive em cidades. Nos Estados Unidos, verifica-se uma distribuição populacional bastante concentrada em algumas metrópoles, como Nova York e Los Angeles, ambas com mais de 10 milhões de habitantes. Existem grandes concentrações populacionais também em Chicago, a terceira maior metrópole do país, seguida de Houston, Phoenix, Philadephia, San Antonio, San Diego, Dallas e San Jose.
No Canadá, por sua vez, a população se concentra nos estados de Ontário (38%), onde predomina a língua inglesa; e Quebec (23%), onde predomina a língua france sa. As duas principais cidades são Toronto e Montreal, seguidas por Vancouver. Ottawa é a capital do país, com cerca de 1,3 milhão de habitantes. Como todas as grandes cidades do mun do, essas metrópoles concentram riqueza e pobreza. A desigualdade social é notável inclusive em cidades conhecidas pela qualidade de vida de sua população.
Crescimento e envelhecimento populacional Nos países da América Anglo-Saxônica, a população apresenta crescimento lento e acentuado envelhecimento. No quinquênio de 1950-1955 o Canadá apre sentou uma taxa bruta de natalidade de 27,4 nascimentos por mil pessoas. No mesmo período, a taxa de natalidade dos Estados Unidos foi de 24,1 nasci mentos por mil. Atualmente, porém, os Estados Unidos apresentam uma taxa bruta de natalidade (12,7 nascidos por mil) mais elevada que a do Canadá (10,5 nascidos por mil). Projeta-se continuidade da queda da natalidade em am bos os países. O número de nascidos nos Estados Unidos tende a permanecer maior do que no Canadá, conforme indicam as projeções do crescimento da população da ONU para 2100.
Além disso, os países da América Anglo-Saxônica apresentam as maiores proje ções de todo o continente americano no indicador de expectativa de vida ao nascer. Nos anos 1950, a esperança de vida no Canadá era de 69,5 anos; atualmente, é de 82,6 anos. Em 2100, espera-se que uma pessoa nascida no Canadá viva cerca de 92,3 anos. Nos Estados Unidos, por sua vez, a expectativa de vida é um pouco mais baixa. Ainda assim, já nos anos 1950, a expectativa de vida ao nascer era de 68,7 anos; atualmente, é de 79,6 anos e prevê-se que, em 2100, atinja os 89,6 anos.
O crescimento populacional lento associado à elevada expectativa de vida re sulta no envelhecimento demográfico acelerado, o que coloca grandes desafios aos países americanos anglo-saxônicos. Com taxa de natalidade baixa, o crescimento populacional recente do Canadá decorre principalmente da imigração, incentivada pelo governo como estratégia para aumentar a população economicamente ativa (PEC). De acordo com o instituto estatal de pesquisa do Canadá, em 2016, 16,9% da população contava 65 anos ou mais e a população entre 55 a 64 anos era maior que a população de 15 a 24 anos. Observe as pirâmides etárias.

2- Diversidade étnico-cultural na América Anglo-Saxônica


A presença de povos ameríndios autóctones, a herança da colonização e as atuais dinâmicas migratórias do mundo globalizado conferem à América Anglo--Saxônica grande diversidade étnico-cultural.

Diversidade étnico-cultural no Canadá


A população de origem francesa da província de Quebec sempre manteve suas tradições, idioma e cultura, e o sentimento separatista sempre esteve presente. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o Canadá passou a apresentar um grande desenvolvimento econômico. De modo geral, as atividades eram complementares às dos Estados Unidos da América, o que não diminuiu o desejo de emancipação do Quebec. Essa postura levou o então presidente francês, a afirmar, em 1967, que os quebequenses eram tão franceses quanto os que viviam junto ao rio Sena, em Paris.
O acirramento das tensões entre o Canadá “francês” e o Canadá “inglês” levou à realização de dois plebiscitos sobre a separação do Quebec. Em ambas as oca siões, a maior parte da população votou contra a separação (60% em 1980 e 50,6% em 1995). Atualmente, Quebec, cuja maior cidade é Montreal, é a mais extensa e segun da mais populosa província do país, reunindo cerca de um quarto da população canadense.
O Canadá é um país multicultural, formado por distintos povos, onde são reconhecidas quatro línguas oficiais: inuktitut, inuinnaqtun (ambas de po pulações tradicionais), inglês e francês (as duas últimas com ensino obrigatório em todo o territó rio nacional). Parte da população que vive no Ca nadá é indígena. Nas últimas décadas, eles alcan çaram conquistas importantes. Em 1999, os inuítes conseguiram obter uma resolução que levou à criação do Território de Nunavut (figura 12), sobre o qual têm autonomia.

Diversidade étnico-cultural nos Estados Unidos


País formado por imigrantes europeus e descendentes de nações indígenas nativas, os Estados Unidos apresentam também importantes comunidades negra, asiática e latina. Segundo estimativas de 2014 do U. S. Census Bureau, os afro-americanos totalizavam 13,2% da população estadunidense; os asiáticos, 5,6%; hispânicos e latino-americanos, 17,1%. Dessa composição resultou uma variedade muito grande no campo da cultura e nos costumes.

Cotas para negros


Na década de 1950, teve início uma mobilização muito importante da população afrodescendente nos Estados Unidos, que sofria forte discriminação da população branca: o Movimento pelos Direitos Civis. Por meio desse movimento, a população negra se organizou na busca de ações que reduzissem o preconceito e as diferenças sociais entre negros e brancos.
O movimento obteve uma série de vitórias, como direitos ao voto e ao com partilhamento de espaços públicos. Além disso, foi adotado o sistema de cotas, que visava reduzir a diferença social entre as populações branca e negra. Na década de 1960, esse sistema deu origem a uma reserva de postos de trabalho e vagas em universidades concedidas pelo governo a afro-americanos como com pensação ao período escravocrata.
Alguns anos depois se desenvolveu nos Estados Unidos uma classe média afro-americana, que começou a conquistar novos postos de liderança na socieda de estadunidense. Um exemplo dessa nova classe média é o líder Barack Obama, primeiro presidente negro do país, eleito em 2008 e reeleito em 2012, exercendo o cargo até o fim do segundo mandato, no início de 2017.

Canadá: colonização e formação territorial

O processo de colonização e formação territorial do Canadá transcorreu de forma bastante diferente. Para garantir a permanência das terras sob seu controle, a Grã-Bretanha aumentou a autonomia dos colonos. Desse modo, apesar de ser considerado independente desde 1867, quando foi criada a Constituição do Canadá, durante anos o país esteve vinculado à Coroa britânica, deixando de ser controlado pelo Reino Unido apenas em 1931.
De modo geral, as terras que vieram a formar o Canadá estavam divididas entre franceses, mais a leste, e ingleses, embora haja registros anteriores da pre sença de vikings, portugueses e italianos. Os franceses ocuparam uma grande extensão das terras americanas, mas venderam parte delas aos Estados Unidos. Fixaram-se em torno de Quebec, dando origem à parte francesa do Canadá. Os ingleses foram aos poucos tomando conta das terras mais a oeste até dominá-las.
A área onde se fixava a população de origem francesa ofereceu grande resis tência ao domínio inglês, desafiando a fidelidade canadense à Coroa Britânica. No contexto da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em que os canadenses compu nham as forças armadas da Inglaterra, houve resistência da população de origem francesa, que se recusava a participar.
Apenas em 1982, com a nova Constituição canadense, foi reconhecida e oficializada a autonomia da província de Quebec, que atualmente tem uma administração própria, mas continua a fazer parte do Canadá.

Estados Unidos: independência e expansão territorial

As Treze Colônias declararam independência do Império Britânico em 1776. Sua independência estimulou, es pecialmente no século XIX, outros pro cessos de luta pela descolonização em todo o continente americano. Esses processos contaram com o apoio político dos Estados Unidos, que logo compreendeu que o continente consti tuía uma área de interesses políticos e econômicos que merecia sua atenção e, se necessário, a fim de fazer valer seus interesses, sua intervenção.
A partir da independência das Treze Colônias, o primeiro Estado indepen dente da América foi expandindo seu território em direção ao oeste e ao sul, adquirindo terras de outros povos europeus e autóctones, por meio de compras, negociações e guerras.
Os ideais de liberdade e igualdade daquele tempo se fazem presentes em um documento muito importante para a história dos Estados Unidos: a Declaração da Independência, de 1776. Seu autor, Thomas Jefferson (1743-1826), que mais tarde se tornaria o terceiro presidente estadunidense, conseguiu aprovar o texto no Congresso Continental, em 4 de julho daquele ano. Essa data ainda hoje é comemorada como o Dia da Independência dos Estados Unidos.
A Coroa britânica não aceitou esse documento de Declaração da Independência dos Estados Unidos, o que aumentou ainda mais a crise entre os países, que estavam em guerra desde o ano anterior. O motivo era o aumento de impostos pagos pela colônia estabelecido pela Inglaterra por meio da lei conhecida como Tea Act (Lei do Chá). Esse conflito acabou em 1783, com o reconhecimento da independência dos Estados Unidos pelos ingleses.

Estados Unidos: política externa

Cada país estabelece formas de se relacionar com os demais, definindo sua política externa, o que significa es tabelecer acordos comerciais ...