domingo, 22 de fevereiro de 2026

Estados Unidos: política externa

Cada país estabelece formas de se relacionar com os demais, definindo sua política externa, o que significa es tabelecer acordos comerciais ou econômicos; planejar estratégias para obter apoio de outros Estados-nação na votação de resolu ções por organismos internacionais, como a OMC ou a própria ONU; determinar a concessão de empréstimos ou prestação de auxílio em caso de guerra, etc. Vale ressaltar que os países nor malmente mantêm alianças ou pactos de auxílio mútuo em caso de conflito militar.
Os países mais poderosos econômica ou militarmente procu ram intervir com suas forças armadas quando seus interesses eco nômicos se encontram ameaçados. Foi isso que os Estados Unidos fizeram em 1991, após o Iraque ter invadido o Kuwait — país rico em reservas petrolíferas e tradicional aliado do governo estadunidense.

O unilateralismo


Desde o fim da Guerra Fria, a política externa estadunidense, particularmente nos dois mandatos de Bill Clinton, passou a ser pautada pelo que alguns cientistas políticos chegaram a denominar “intervencionismo humanitário”. Ou seja, o desejo de proteger os in teresses dos Estados Unidos combinado com uma preocupação em solucionar problemas político-sociais e mesmo ambientais. Esses princípios estão demonstrados nas participações do governo esta dunidense nos acordos de paz assinados entre israelenses e pales tinos, em 1993, e na elaboração do Protocolo de Kyoto, em 1997.
Com a chegada de George W. Bush ao poder, em janeiro de 2001, o chamado unilateralismo tornou-se a marca da política externa estadunidense. De acordo com essa concepção, os Estados Unidos passaram a atuar na condução dos te mas de interesse de todos os países quase exclusivamente na medida de seus próprios interesses.
Foi seguindo essa orientação que o governo estadunidense tomou uma sé rie de medidas: deixou de intermediar ativamente o conflito entre israelenses e palestinos — intensificando a insatisfação de vários grupos islâmicos con trários à influência político-militar dos Estados Unidos no Oriente Médio; recusou-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, por não concordar com as metas para a redução na emissão de gases do efeito estufa (CO2 , principalmente); retirou-se da reunião contra a discriminação e o racismo realizada na África do Sul no início de setembro de 2001; não assinou os termos para a criação de um Tribunal Penal Internacional.

A Doutrina Bush


A intervenção militar no Iraque é consequência imediata de uma doutrina que justificava a ação dos Estados Unidos contra determinado país. Tratava-se da Doutrina Bush, numa referência ao presidente George W. Bush. Depois de compro vado que o Iraque não tinha armas de destruição em massa (químicas ou nuclea res) — argumento usado para a invasão do território iraquiano —, ficou claro que o objetivo da intervenção no país era a destituição de seu governante — Saddam Hussein, morto em 2006 —, que contrariava os interesses estadunidenses. Essa ação foi tomada sem a aprovação da ONU. De acordo com a Doutrina Bush, o governo estadunidense tinha, por exem plo, o direito de se defender de modo preventivo e antecipado, empreendendo invasões e ataques a países que, do seu ponto de vista, constituíssem ameaça à sua segurança.
Com o 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos empreenderam a “guerra contra o terror”, que provocou mudanças tanto internas quanto em sua relação com os outros países. Nesse contexto, além da ofensiva no Afeganistão, outras medidas foram tomadas: a identificação das nações que, segundo a visão estadunidense, dariam apoio ao terrorismo internacional (Coreia do Norte, Irã e Iraque); a inva são e a ocupação do Iraque, em março de 2003; a aprovação de leis de restrição aos direitos civis, como a permissão para grampear telefones e prender estrangeiros suspeitos. Os países que, segundo os Es tados Unidos, apoiavam o terrorismo receberam a denominação, em seu conjunto, de “eixo do mal”.

O governo Obama


Em janeiro de 2009, com a posse de Barack Obama, do Partido Democrata, era esperada uma série de mudanças socioeconômicas internas e na política ex terna dos Estados Unidos. Internamente, os principais desafios do governo Oba ma foram minimizar os efeitos da grave crise econômica de 2008, implementar medidas para retomar o crescimento econômico e reduzir o desemprego no país.
No decorrer do primeiro e do segundo mandatos de Obama, houve uma lenta retomada dos investimentos e crescimento da atividade produtiva, graças, em boa parte, à ajuda do Estado, que, apoiado em um plano de reestruturação e fortaleci mento econômico, injetou quase um trilhão de dólares na economia estadunidense.
Externamente, Obama abandonou a Doutrina Bush, mudando a orientação da política externa estadunidense, sobretudo no que diz respeito ao encaminhamen to das questões ambientais e dos conflitos internacionais. No que se refere às questões ambientais globais, porém, a única decisão mais expressiva do gover no Obama foi o compromisso de reduzir a emissão dos gases do efeito estufa, a partir de 2025, entre 26% e 28% em relação aos níveis de 2005. Essa decisão foi tomada em 2014, em um acordo firmado com a China, que também se compro meteu a garantir a redução desses gases no país. Atualmente, a China é a maior emissora de gases estufa no mundo e os Estados Unidos são o segundo.
Nas questões relativas aos conflitos externos, foram tomadas algumas deci sões importantes, como o plano para a retirada das tropas militares estaduniden ses do Iraque, concluído no final de 2011, e a aproximação dos Estados Unidos com a Rússia, a China e a União Europeia. No primeiro semestre de 2015, estava em curso uma reaproximação com o Irã, país com o qual os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas há mais de 30 anos.
Apesar dessas medidas, o governo Obama participou da ofensiva na Líbia, no âmbito da estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), para a deposição do ditador Muamar Kadaffi, morto em 2011. Além disso, no início de 2015, a prisão militar na base estadunidense de Guantánamo, em Cuba, que abriga acusados de terrorismo, continuava ativa, apesar de Obama ter manifestado o interesse em fechá-la.
No final de 2015, Barack Obama e o presi dente cubano Raúl Castro retomaram conversações para o restabelecimento dos laços di plomáticos entre Cuba e Estados Unidos, num acontecimento histórico. A partir daí, teve início uma reaproximação entre os dois países, abalada, porém, após a eleição de Donald Trump, que em 2017 anunciou o cancelamento do acordo fechado com Cuba pelo ex-presidente estadunidense.

O governo Trump


O empresário e republicano Donald Trump foi eleito por meio de uma campa nha apoiada em promessas de aumento de emprego, manutenção das indústrias locais e defesa da supremacia estadunidense. Sua eleição à presidência dos Es tados Unidos significou um retorno ao unilateralismo, também marcado por uma tendência protecionista e uma aversão a imigrantes.
No mesmo ano em que assumiu o poder, em 2017, Trump retirou os Estados Unidos de diversos acordos e órgãos multilaterais: do pacto da ONU sobre migra ção e refugiados, da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e do Acordo de Paris, que estabelece metas de redução das emissões de gases estufa, além de anunciar a revisão do acordo dos Estados Uni dos com Cuba.
Também nesse ano, alegando que os Estados Unidos querem apenas estabele cer acordos comerciais bilaterais, abandonou a Parceria Transpacífico, que objetiva estabelecer redução nas tarifas de importação entre diversos países da Ásia, Oce ania e América banhados pelo oceano Pacífico. No entanto, temendo um fortaleci mento da China (integrante do acordo) na Ásia, em meados de 2018, os Estados Unidos estavam reconsiderando a possibilidade de retorno ao bloco econômico.
Em 2018, Trump prosseguiu com sua política de ações unilaterais, abandonan do o acordo feito com o Irã (do qual também fazem parte outras cinco potências mundiais). Esse acordo tinha como objetivo limitar o programa nuclear do Irã, com a contrapartida de suspensão das sanções estadunidenses contra os iranianos.
Nesse mesmo ano, para proteger setores industriais locais, Trump aumentou as tarifas de importação de aço e alumínio, o que afetou diversos países, inclu sive a China, com quem esperava reduzir o deficit comercial em 200 bilhões de dólares. Os Estados Unidos vinham apresentando elevados déficits comerciais com a China (em 2017, atingiram aproximadamente 335 bilhões de dólares). Essa medida gerou uma tensão comercial entre os dois países.
Outra bandeira de Trump foi a limitação da entrada de imigrantes no país. Para isso, alterou leis que favoreciam os imigrantes, como a que beneficiava os filhos de imigrantes nascidos nos Estados Unidos.

Nenhum comentário:

Estados Unidos: política externa

Cada país estabelece formas de se relacionar com os demais, definindo sua política externa, o que significa es tabelecer acordos comerciais ...