terça-feira, 10 de março de 2026

Haiti

O Haiti ocupa uma área territorial de aproximadamente 27 mil quilômetros quadrados, o que corresponde à área do estado brasileiro de Alagoas. Localiza-se na segunda maior ilha da América Central, a ilha Hispaniola ou de São Domingos, que é dividida entre o Haiti e a República Dominicana.
A economia do Haiti baseia-se em parte na agricultura, que corresponde a aproximadamente 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Isso se deve ao contexto histórico ditatorial da era Duvalier, marcada pela estruturação econômica voltada à exportação de matérias-primas, com dependência de importações e auxílio financeiro dos Estados Unidos. Um exemplo dessa situação foi a produção de cana-de-açúcar, base da economia, que era controlada por empresários estadunidenses até a retirada do regime autoritário em 1986. O resultado após todo esse período foi uma grave crise econômica.
Colonizado pelos franceses, o Haiti foi o primeiro território da América Latina a declarar independência, a constituir um Estado-nação e a proclamar a República. Esse processo de conquista de autonomia sobre o território foi alcançado de pois de longas batalhas lideradas pelos próprios colonos e ex-escravizados. Entre esses últimos, destacou-se Toussaint Louverture, que liderou tropas durante essas batalhas e foi responsável também pela libertação de escravizados no território da atual República Dominicana (país vizinho ao Haiti, na ilha Hispaniola).
Apesar do sucesso do Haiti na guerra da independência, os Estados-nação que mantinham colônias vizinhas deixaram de manter acordos comerciais com o país, temendo revoluções semelhantes em seus territórios. Em razão disso, a recém-criada República haitiana passou por dificuldades socioeconômicas que repercutiram em sua trajetória histórica.
Entre os motivos que impedem a superação das dificuldades sociais e econômicas no Haiti estão os interesses políticos e econômicos externos. Os Estados Unidos, por exemplo, apoiaram (como fizeram também outras Repúblicas latino-americanas) o governo do ditador haitiano François Duvalier, em meados da década de 1950, devido ao receio de uma revolução socialista – como acabou, posteriormente, acontecendo em Cuba.
O regime autoritário de Duvalier resultou na morte de mais de 30 mil pessoas contrárias ao governo. O ditador e seu sucessor (seu filho) permaneceram por um longo período no poder, até 1986. Após esse período, assumiram presidentes com perfis diferentes, voltados à reconstrução política e socioeconômica do país. No entanto, poucas transformações foram concretizadas com o objetivo de minimizar a influência dos interesses externos e o poder de grupos militares e latifundiários do país.
Para os Estados Unidos, além do interesse em consolidar sua influência na América Central, as interferências no Haiti se devem à localização estratégica do país caribenho, próximo ao canal do Panamá, importante rota marítima comercial.

Haiti: desastres naturais e condições socioeconômicas


Grande parte de sua população, de um total de 11,2 milhões de habitantes, sofre os efeitos da pobreza, com cenários marcados pela desnutrição e falta de acesso a serviços básicos de saúde e educação. Na capital, Porto Príncipe, as favelas dominam o espaço urbano, e o tráfico de drogas movimenta parte da economia da cidade. Além da elevada proporção de pessoas vivendo em situação de pobreza, a extrema desigualdade social e a enorme concentração de renda e de terra são outras marcas da sociedade haitiana.
Esse contexto se deve a diversos fatores, entre eles os sucessivos embargos econômicos impostos ao Haiti desde sua independência, assim como o longo período de regimes ditatoriais e autoritários que o país enfrentou.
Além disso, o território haitiano encontra-se em uma região sujeita à passagem de furacões e de grande instabilidade geológica, com terremotos de grandes proporções registrados ao longo da história, sendo um dos mais danosos o ocorrido em 2010. 
As catástrofes naturais, que já provocaram a morte de milhares de pessoas, contribuíram para devastar ainda mais a já precária infraestrutura do país, provocando a destruição de moradias, edifícios e estradas, paralisando a economia haitiana e acarretando elevados custos ao Estado.




Cuba: passado e presente

A República de Cuba está localizada nas Grandes Antilhas e é formada por diversas ilhas. A principal é a ilha de Cuba, a maior do arquipélago, onde estão localizadas as cidades de Havana – capital –, Santiago de Cuba e Camagüey, as mais importantes do país.
Sua população está distribuída em aglomerados urbanos por todo o país, principalmente nas maiores cidades, como a capital Havana. Os principais recursos naturais são: cobalto, níquel, minério de ferro, cromo, cobre, sal, madeira, sílica, petróleo e seus solos aráveis.
Na composição da população predominam os mestiços, descendentes de espanhóis e africanos (pessoas trazidas como mão de obra escravizada no pe ríodo colonial). Há também um pequeno número de descendentes de imigrantes asiáticos, principalmente chineses.
Cuba é um país latino-americano singular em muitos aspectos, principalmente devido à sua estrutura política e socioeconômica, caracterizada por um sistema socialista de governo e pela qualidade de seus indicadores sociais, que apontam condições de vida acima da média da América Latina.

A independência e a revolução socialista cubana


A história cubana é marcada por incidentes e revoltas contra a dominação es trangeira, à qual o país esteve submetido até 1959, quando ocorreu a vitória dos revolucionários socialistas. Colônia espanhola desde o século XV, Cuba se tornou um Estado independente em 1898, porém ficou sob o domínio econômico dos Estados Unidos – que, em 1902, passaram a intervir política e militarmente na ilha.
O país ganhou notoriedade e passou a chamar a atenção do mundo a partir de 1959, quando um grupo de revolucionários assumiu o poder, destituindo o ditador Fulgêncio Batista (1901-1973). Esse acontecimento ficou conhecido como Revolução Cubana. Em 1961, o socialismo foi implantado como o novo sistema político-econômico de Cuba, aproximando-se da União Soviética por meio de alianças comerciais.
Entre os personagens de destaque na história de Cuba estão o poeta José Martí, considerado herói da independência cubana; Ernesto “Che” Guevara; e Fidel Castro, líderes da Revolução Cubana de 1959, que depôs o ditador Fulgencio Batista. Fulgencio, que havia conquistado o poder por meio de um golpe de Estado em 1952, anulando a Constituição, governava o país de forma tão tirânica que até mesmo os Estados Unidos, em 1957, inicialmente apoiaram o movimento revolucionário de Fidel Castro e “Che” Guevara.
Após a revolução, Cuba se tornou um Estado socialista. Fidel determinou a execução ou condenou ao exílio a maioria dos inimigos políticos, nacionalizou os bancos, as refinarias de petróleo e as minas (que passaram a pertencer ao Estado cubano) e decretou a reforma agrária – por meio da qual as terras (latifúndios), controladas por grandes empresas, tornaram-se propriedades es tatais. Internacionalmente, Cuba passou a manter relações políticas e econômicas com os países aliados à União Soviética (Bulgária, Alemanha Oriental e Tchecoslováquia, entre outros).
Em 1961, no contexto da Guerra Fria, os Estados Unidos romperam relações econômicas e diplomáticas com Cuba, impondo ao país um bloqueio econô mico. Em 1962, Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ain da neste ano, a instalação de mísseis nucleares soviéticos na ilha gerou forte tensão internacional, dando origem ao episódio que entraria para a história como a “crise dos mísseis”.
Se, por um lado, a União Soviética passou a ajudar financeiramente o país, interessada em mantê-lo como aliado em plena Guerra Fria, por outro, Cuba passou a sofrer bloqueio, embargo econômico dos Estados Unidos, que rompeu as relações diplomáticas e comerciais com a ilha caribenha.
Com o fim da União Soviética, Cuba vem passando por algumas dificuldades econômicas e políticas, como atraso no setor industrial, isolamento comercial e prejuízo da democracia, em razão da falta de liberdade política, de liberdade de expressão e de denúncias de violação dos direitos humanos.

A crise cubana e as transformações políticas e econômicas


No final da década de 1980, em virtude de problemas internos, a União Soviética fez cortes substanciais na assistência financeira que fornecia a Cuba. Com o fim do regime soviético, em dezembro de 1991, a ajuda cessou por com pleto. A falta de apoio financeiro, aliada à persistência do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, contribuiu para que Cuba mergulhasse em uma profunda crise econômica.
Em 1994, a população cubana passou a enfrentar um forte racionamento de alimentos, energia, combustível e papel. Diante da situação, milhares de cuba nos deixaram o país, por meio de embarcações precárias, em direção a Flórida, nos Estados Unidos.
A fim de controlar a grave crise do país, a partir de 1994, o governo cuba no decidiu ampliar a entrada de investimentos estrangeiros – estes feitos em parceria com uma estatal, pois nenhuma empresa privada estrangeira tem autorização para atuar sozinha em Cuba. Nesse país, o Estado controla cerca de 90% da economia. O turismo foi o setor que mais recebeu investimentos estrangeiros em território cubano.
Outra mudança implantada pelo governo cubano, em meados da década de 1990, foi a entrega das terras e dos bens nelas existentes aos trabalhadores rurais, na forma de usufruto, ou seja, continuam como propriedade do Estado. Como marca do processo de reformulação econômica da ilha, inclusive no setor financeiro, em 1995, seis bancos estrangeiros abriram escritórios em Cuba.
Em 2006, foi anunciado o afastamento temporário de Fidel Castro do comando do país, por motivo de doença. Fidel foi substituído por seu irmão, Raúl Castro, vice-presidente e sucessor constitucional. Em 2008, Raúl Castro foi empossado como novo presidente cubano, encerrando o governo de quase 50 anos de Fidel Castro.

Reformas


Na tentativa de erradicar a crise, Raúl Castro passou a se dedicar a reformas importantes. Em 2011, por exemplo, o governo cubano autorizou a compra e venda de casas e a comercialização de automóveis. No ano seguinte, Castro implementou uma reforma migratória, que passou a valer a partir de 2013, eliminando a necessidade de permissão de saída do país fornecida pelo governo (exigida desde os anos 1960). Em 2013, o governo de Cuba intermediou a vinda ao Brasil de quase quatro mil médicos pelo Programa Mais Médicos, criado pelo Governo Federal brasileiro.
A partir do final de 2014, o governo de Barack Obama adotou algumas me didas no sentido de promover a reaproximação dos Estados Unidos com Cuba, como a liberação de viagens de cidadãos estadunidenses ao território cubano e também de remessas de dinheiro ao arquipélago.
Em 2018, foram realizadas eleições que permitiram a chegada ao poder de um presidente não pertencente à família Castro: Miguel Diaz Canel. Ele, então, assumiu em 2021 a liderança do Partido Comunista de Cuba e manteve, em grande parte, as políticas sociais e econômicas de seus antecessores. Nesse mesmo ano, houve protestos em cidades cubanas pedindo mais alimentos, medicamentos e liberdade, algo inédito no país.
Muitos analistas se perguntam sobre o futuro de Cuba. Os adversários da Revolução Cubana acreditam que o país deve passar por uma transição nos moldes capitalistas. Outros observadores apontam a possibilidade de serem experimentadas novas alternativas, pois entendem que o capitalismo não necessariamente melhorará as condições de vida da população cubana, pelo contrário, pode até mesmo deteriorar os indicadores sociais do país, que es tão entre os melhores da América Latina.

A economia cubana


A economia cubana é pouco diversificada. A produção agrícola não mecanizada teve no passado a produção de açúcar como destaque. Atualmente, o cultivo da cana-de-açúcar caiu, mas continua sendo o principal produto de exportação cubano. O país importa parte dos produtos alimentares de Brasil, Estados Unidos e Canadá. Atualmente, a atividade turística é importante fonte de renda.
Atualmente, os setores de comércio e de serviços são os que mais contribuem para a atividade econômica de Cuba, com destaque para o turismo. No entanto, apesar das limitações impostas por seu território, o país também produz alimentos e matérias-primas para os mercados interno e externo – sendo a China o principal parceiro comercial de Cuba.
O açúcar e o tabaco são os principais produtos de exportação agrícola no país. O setor sucroalcooleiro cubano, que já enfrentou longa crise nas décadas de 1990 e 2000, vem recebendo atenção especial do governo, que procura am pliar a produção de derivados da cana, como o rum (bebida alcoólica) e o etanol (álcool combustível), aumentando a capacidade exportadora do país e utilizando essa matéria-prima também na alimentação do gado.
Quanto aos recursos minerais, Cuba tem grandes reservas de níquel, metal muito utilizado na fabricação de aços especiais e de moedas. Estima-se que 10% das reservas mundiais de níquel estejam em território cubano, que também abriga reservas de minério de ferro, manganês, cobre e petróleo.
A atividade industrial cubana não é significativa. Destacam-se apenas as usinas de açúcar (de grande porte) e as indústrias dos setores farmacêutico e tabaqueiro (fumo). Algumas indústrias de menor porte, como fábricas de rum, de roupas e de cimento, além de refinarias de petróleo, também fazem parte do espaço industrial cubano. A escassez de matérias-primas estimulou o aproveitamento de subprodutos da cana-de-açúcar para a fabricação de uma série de produtos, como ração para animais, celulose, papel, entre outros exemplos.
Apesar do bloqueio econômico e do contexto de crise que se arrasta há décadas, o socialismo cubano proporcionou alguns avanços sociais ao país, como a eficiência do sistema educacional, o investimento na pesquisa e no sis tema de saúde, além da promoção do esporte e da formação de atletas.
Em dezembro de 2014, Cuba e Estados Unidos fizeram um acordo histórico de aproximação diplomática, embora o embargo econômico fosse mantido. O acordo incluía diversos itens, como reativação das embaixadas, flexibilização das restrições a viagens entre os dois países, autorização para exportação de alguns produtos dos EUA para Cuba, permissão, a empresas estadunidenses, para abertura de contas em instituições financeiras cubanas, entre outras medidas. 
Entretanto, seu sucessor, Donald Trump, eleito em 2016, voltou atrás nas decisões de Obama e afirmou não ter interesse em reatar relações com a nação caribenha. Em 2017, o acordo foi revogado, significando um retrocesso nas relações entre Cuba e Estados Unidos.



A América Platina

A América Platina recebe essa denominação porque parte dos territórios dos países da região – Argentina, Paraguai e Uruguai – é banhada pelos rios que compõem a bacia Platina.

A região recebeu esse nome por ser atravessada pelo Rio da Prata, o que facilitou a ocupação desse território no período colonial.
Além dos aspectos hidrográficos, os países platinos com partilham um mesmo passado colonial. Argentina, Paraguai e Uruguai, além de Bolívia e parte do Chile, estiveram, durante o domínio espanhol, sob mesma administração, o Vice-Reino do Rio da Prata.
Algumas características físicas da região, como o predomínio do relevo plano, a extensa rede hidrográfica e a presença de solos férteis, possibilitam aos países platinos uma expressiva produção agrícola e a prática de pecuária. A região apresenta três áreas que podem ser diferenciadas com base em suas características físicas:

• Chaco: abrange o norte da Argentina e parte do Paraguai; caracteriza-se pelos terrenos planos, pelo clima subtropical e pela presença de florestas; destacam-se as culturas de algodão, erva-mate e a prática da pecuária. 
• Patagônia: abrange o sul da Argentina; caracteriza--se pelos terrenos planálticos, clima seco e vegeta ção rasteira; destacam-se a prática da pecuária e a exploração de petróleo e carvão mineral. 
• Pampa: abrange o sul do estado do Rio Grande do Sul, parte da Argentina e o Uruguai; o relevo plano e a qualidade do solo possibilitam a prática agrícola; destaca-se, também, pela pecuária. Fruto da colonização espanhola, a população da região é predominantemente branca, com exceção do Paraguai, marcado pela presença indígena.
Economicamente, os países que compõem a América Platina apresentam uma diversidade maior que os países andinos. Os três países mantêm uma relação comercial muito próxima com o Brasil, graças ao Mercosul.
A economia dos países platinos é bastante dinâmica. O setor agropecuário, por exemplo, tem grande des taque na pauta de exportações, especialmente em relação à pecuária de bovinos de qualidade, principalmente na Argentina e no Uruguai.
A atividade industrial é diversificada e os principais recursos naturais explorados são o petróleo e o gás natural na Argentina e os rios volumosos para geração de hidreletricidade no Paraguai, produzida nas usinas de Itaipu e Yacyretá. 
No setor de serviços, a atividade turística se destaca nos três países, e no Paraguai há uma grande área comercial de produtos importados, em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil (Foz do Iguaçu).

Uruguai

O Uruguai possui aproximadamente 3,5 milhões de habitantes, dos quais grande parte se concentra no sul do país, sobretudo na capital, Montevidéu, que abriga 50% de toda a população do país.
O relevo aplanado e a vegetação de Pradarias contribuíram para que a pecuária se tornasse uma atividade relevante para o país, que apresenta um dos melhores indicadores sociais do continente latino-americano.
Cerca de 92% da população uruguaia vive em áreas urbanas. A capital do país, Montevidéu, concentra as atividades econômicas ligadas aos setores bancário e portuário, assim como a maior parte das indústrias – as principais são as alimentícias (frigoríficos e laticínios), têxteis (que aproveitam os produtos agropecuários) e químicas.
Os principais recursos naturais do país são: solos aráveis, recursos hídricos e pesca. Aproximadamente, 75% do território uruguaio é formado por terrenos baixos e planos, o que favorece a criação de gado para a produção de carne. 
O país obtém energia elétrica por meio da queima de combustíveis fósseis, da atividade hidrelétrica e, principalmente, de fontes renováveis, como a eólica e a solar. O país não produz petróleo nem gás natural, sendo obrigado a importá-los. A economia é baseada no setor agropecuário. 
O país é um grande produtor de cereais, como trigo, arroz e soja. Contudo, a maior força da economia uruguaia está relacionada à criação de gado bovino e ovino e à exportação de seus subprodutos, como carne, couro e lã. 
O país tem uma arrecadação significativa com o turismo, com destaque para o balneário de Punta del Este. China, Brasil, Estados Unidos e Argentina são os principais destinos da exportação uruguaia.
No começo da década de 1990, o país iniciou uma política de privatização de empresas estatais, o que permitiu o aumento da arrecadação do governo e a diminuição dos gastos públicos. Essa medida também atraiu empresas e instituições financeiras internacionais, fazendo com que o país ganhasse fama de “paraíso fiscal”. 
Entre 2004 e 2008, o Uruguai passou por um momento de forte cresci mento econômico, com médias anuais de 8%. Em 2009, a crise econômica internacional fez com que o crescimento econômico do país fosse de apenas 2,9%. No entanto, os uruguaios conseguiram evitar a recessão e a economia continuou crescendo por meio de investimentos privados e gastos públicos. 
No período entre 2012 e 2016, devido à desaceleração da economia global e de seus parceiros do Mercosul (sobretudo Brasil e Argentina), a economia uruguaia diminuiu sua velocidade de crescimento. Uma das marcas do país nos últimos quinze anos é a combinação de abertura para o livre-comércio e fortes investimentos sociais. 
O PIB do país em 2020 foi de aproximadamente 54 bilhões de dólares. Em relação aos seus indicadores sociais, o Uruguai apresenta alta expectativa de vida e índices satisfatórios de alfabetização, sendo classificado como um ótimo país para se viver.
O PIB uruguaio é bastante dependente do setor terciário, com destaque para o turismo. Na região do Pampa uruguaio, destaca-se a atividade pecuária, sobretudo a criação de gado bovino e ovino, responsável por boa parte das exportações – a carne, o couro e a lã são os principais produtos. Com a integração ao Mercosul nos anos 1990, o Uruguai aumentou as exportações para o Brasil e a Argentina.

Paraguai

Com cerca de 7 milhões de habitantes, o Paraguai, cuja capital é Assunção, tem a maioria de sua população vivendo na parte leste do país. Na porção oeste (área do Chaco), embora corresponda a 60% do território paraguaio, vivem apenas 2% dos habitantes do país. Os principais recursos naturais do país são: madeira, minério de ferro, manganês, calcário e recursos hídricos. O país não possui reservas conhecidas de petróleo nem de gás natural.
Assim como a Bolívia, o Paraguai não tem saída para o mar, sendo o intercâmbio comercial do país com o exterior feito predominantemente através dos rios Paraguai e Paraná (Assunção, capital do país, está localizada às margens do rio Paraguai) ou por rodovias que passam pelo território brasileiro, até atingir o porto de Paranaguá, no estado do Paraná.
O Paraguai utiliza portos argentinos e brasileiros para escoar seus produtos. Desenvolve atividades extrativistas (madeira), agricultura (algodão, tabaco e soja) e pecuária bovina. O comércio nas áreas de fronteira é uma importante atividade econômica, com a venda de mercadorias baratas, as quais depois são revendidas nos países vizinhos, especialmente no Brasil.
A economia paraguaia é pouco diversificada e sua produção industrial é modesta. O fraco desempenho da economia pode ser explicado, em primeiro lugar, pela ausência de saída para o mar, o que dificulta a ampliação das relações comerciais do país. 
A indústria paraguaia é pouco diversificada, e a atividade extrativa mineral é inexpressiva. A economia do país é baseada na exportação de produtos agropecuários, principalmente soja, algodão, carne e laticínios. A distribuição de terras é desigual, com grandes áreas concentradas nas mãos de poucos proprietários.
A principal via de acesso para o Oceano Atlântico é o Rio Paraguai, que se une ao Rio Paraná e às rodovias brasileiras. O Porto de Paranaguá, no Paraná, é o local de entrada e saída da maioria dos produtos. 
Além disso, a infraestrutura do país é pouco eficiente, o que resulta em baixo volume de exportações e pouca arrecadação para o Estado, que possui uma enorme dívida externa. 
É um dos poucos países do mundo em que a agricultura arrecada mais que a indústria. Os principais produtos de exportação são: soja, trigo, mandioca e cana-de-açúcar.
O país é um grande exportador de energia elétrica, excedente da Usina Binacional Itaipu, e o Brasil é seu maior comprador. Na fronteira com o Brasil, mais preci samente com Foz do Iguaçu, no estado do Paraná, existe uma grande área comercial localizada na Ciudad del Este. 
Essa espécie de zona franca atrai diariamente muitos brasileiros que cruzam a Ponte da Amizade, que separa os dois países, em busca de produtos importados. 
O Paraguai apresenta os piores índices sociais entre os países platinos, porém, nos últimos anos, vem apresentando crescimento da sua economia, ainda que em 2020 apresente uma balança comercial deficitária. O PIB paraguaio foi de 35 bilhões de dólares.
Atualmente, o Paraguai se destaca como exportador de energia elétrica, revendendo a parte da energia que não consome e que é produzida nas usinas hidrelétricas binacionais de Itaipu (Brasil-Paraguai) e Yaciretá (Argentina-Paraguai).

América andina

A América andina é formada por Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, países que abrangem, em seus territórios, partes da cordilheira dos Andes. No caso, os Andes são um elemento natural muito marcante no território desses países, justificando a denominação regional.
A base da economia da América Andina é a produção de matérias-primas, principalmente minerais, com destaque para a extração de ouro, prata, petróleo, cobre, estanho, carvão e minério de ferro, que se destinam ao mercado externo.
A economia dos países da América andina, de modo geral, é estruturada em função das atividades agropecuárias e extrativistas. 
A produção agrícola é bastante diversificada. Com exceção do Chile, onde predominam as culturas de clima Subtropical (trigo, uva e aveia), nos demais paí- ses andinos cultiva-se uma série de produtos tropicais: café e cana-de-açúcar, na Colômbia (segundo produtor mundial de café); banana, no Equador (principal produto agrícola de exportação do país); cacau, no Equador, na Colômbia e na Venezuela; além de milho, arroz e mandioca, produtos consumidos em larga escala pela população andina e cultivados em todos esses países.
A pesca também é uma atividade expressiva em alguns países da América andina, sendo o Chile e o Peru os principais produtores de pescado. A presença de muitos peixes nas áreas litorâneas desses dois países se deve à passagem da corrente marítima de Humboldt (ou do Peru). Essa corrente traz grande quantidade de plânctons, microrganismos que são a base da cadeia alimentar nos oceanos.

Bolívia

A economia da Bolívia é dependente da exploração de recursos minerais e energéticos como estanho, gás natural e lítio (minério utilizado na fabricação de baterias elétricas para automóveis movidos a eletricidade). A Bolívia tem as maiores reservas de lítio do mundo, o que confere ao país importância estraté gica significativa – considerando que, no futuro, pode ocorrer uma ampliação do mercado em razão do aumento da frota de carros elétricos em escala global.

Com a chegada ao poder de um líder de ascendência indígena, Evo Morales, eleito presidente em 2005, a Bolívia passou a trilhar novos rumos na explora ção de suas reservas de gás natural e petróleo. Em 2006, Morales estatizou esses setores, medida que afetou diretamente a empresa brasileira de petróleo (Petrobras), que controlava 95% do refino e era responsável por cerca de 15% do PIB boliviano.

A partir da nacionalização, o controle de todo o processo de extração, produção e refino passou a ser responsabilidade de uma empresa estatal boliviana. Paralelamente, acordos foram feitos com a Argentina e o Brasil para um aumento no preço do gás que a Bolívia vende a esses países – distribuído por meio de gasodutos como o Bolívia-Brasil, inaugurado em 1999 e que é de grande impor tância no abastecimento das regiões Sul e Sudeste do Brasil. O aproveitamento do gás natural da Bolívia faz parte de uma estratégia do governo brasileiro para diversificação da matriz energética, muito dependente das usinas hidrelétricas e do petróleo.

Um aspecto relevante do território boliviano é a falta de acesso ao mar – ao perder a província de Atacama (território costeiro) para o Chile na Guerra do Pacífico (1879-1884), a Bolívia perdeu também sua única saída para o oceano. Nas décadas de 1990, um acordo com o Peru permitiu à Bolívia dispor de uma zona franca comercial no porto peruano de Ilo. Bolívia e Chile não man têm relações diplomáticas desde 1978, e a fronteira entre os países é uma zona de tensão, mas, em 2021, delegações dos dois países se reuniram em La Paz para en caminhar uma solução para esse impasse diplomático.


Peru

Assim como seus países vizinhos, o Peru tem importantes recursos minerais em seu território, com destaque para o cobre (explorado no sul do país) e a prata – o Peru é o segundo maior produtor mundial.

A atividade turística também é uma importante fonte de recur sos, dada a grande diversidade de paisagens e o enorme e rico pa trimônio arquitetônico-cultural do país. Até a chegada dos espanhóis, no século XVI, o território do atual Peru foi sede do Império Inca. Ves tígios dessa civilização podem ser encontrados em diversas localida des, com destaque para as ruínas das cidades de Machu Picchu e Cuzco, declaradas Patrimônio His tórico e Cultural da Humanidade.

Um aspecto marcante da economia da América andina verificado no Peru é a existência de muitas atividades econômicas que escapam ao controle do governo. Na chamada economia informal, as pequenas indústrias e os setores de transportes, construção e comércio não pagam impostos nem registram seus funcionários.

Equador

O Equador abriga reservas de ouro, prata, chumbo e zinco, mas a economia do país se baseia na exploração do petróleo, produto que corresponde a cerca de 40% do total de suas exportações. Bastante dependente do mercado esta dunidense, o Equador exporta cerca de 50% das mercadorias produzidas em seu território para lá.

Apesar da grande produção petrolífera, aproximadamente 60% da energia consumida no Equador é proveniente de centrais hidrelétricas, cuja construção é viabilizada pela abundância de rios com quedas-d’água. No setor industrial, merecem destaque as indústrias madeireiras e têxteis.

Quito é a capital administrativa e o principal centro financeiro do Equador, mas a cidade portuária de Guayaquil é a mais populosa.

Venezuela

A Venezuela tem importantes reservas petrolíferas – uma das maiores do mundo – e integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O principal local de extração de petróleo no território venezuelano é o lago Maracaibo, mas a maior parte das reservas se encontra na bacia do rio Orinoco, onde a extração é mais difícil e cara.

A prosperidade econômica do país nas décadas de 1970 e 1980, decorrente do grande aumento da produção de petróleo, beneficiou apenas uma mino ria da população, que concentra grande parte da renda nacional. No final dos anos 1990, cerca de 55% dos venezuelanos se encontravam abaixo da linha da pobreza, e o nível de pobreza extrema era de aproximadamente 25%.

Nesse contexto social, foi eleito presidente o coronel Hugo Chávez. Com um forte discurso nacionalista e antiestadunidense e um projeto de universalização dos direitos sociais, o líder político venezuelano passou a representar uma espe rança para as classes desfavorecidas. Em 1999, uma nova Constituição foi apro vada, mudando o nome oficial do país para República Bolivariana da Venezuela.

Valendo-se da alta do preço do petróleo no mercado internacional, que ampliou as receitas de exportação do país no início do século XXI, o governo Chávez promoveu um amplo conjunto de reformas importantes, entre elas: a regulamentação da reforma agrária; a cogestão entre Estado e funcionários nas empresas falidas; a restrição da participação de grupos transnacionais na exploração de petróleo; e a nacionalização de empresas em setores conside rados estratégicos (telecomunicações, energia elétrica e exploração mineral). Na política externa, Chávez procurou estreitar relações com Cuba, Irã e Rússia.

Durante o governo Chávez, foram ampliados os investimentos em progra mas sociais, como os de alfabetização, de alimentos a preços baixos e de assis tência médica a comunidades carentes. Os resultados inicialmente foram po sitivos e, em 2011, a porcentagem de população em situação de pobreza havia caído para 27%.

A crise econômica venezuelana

Ancorada na exploração de petróleo, a economia venezuelana não resistiu às crises econômicas de 2008 e de 2012, que ocorreram paralelamente à crise política no país. Após a morte de Chávez, em 2013, Nicolás Maduro foi eleito presidente. O cenário político do país passou a ser marcado pela escalada autoritária de Maduro – que aparelhou o sistema judiciário e o Exército com aliados e foi reeleito para mais seis anos de mandato em 2018, por meio de eleições con testadas por opositores e membros da comunidade internacional. Em 2019, seus opositores orquestraram uma tentativa de golpe de Estado, mas esta terminou sendo malsucedida, e Maduro permaneceu no poder. Com a queda nas receitas de exportação e uma elevada dependência de importações, a Venezuela passou a conviver com escassez de produtos, infla ção e desvalorização de sua moeda. O agravamento da crise levou à emigra ção de aproximadamente 1 milhão de venezuelanos, principalmente em direção a outros países latino-americanos – elevando as tensões com vizinhos (Brasil, Colômbia e Guiana).

Chile

O Chile é o país mais desenvolvido da América Latina, levando em consideração o IDH, e se destaca pelas intensas relações comerciais que estabelece com países de diversas partes do mundo – cerca de 30% do que os chilenos consomem é importado, e aproximadamente 30% de sua produção é exportada. 
Banhado pelo oceano Pacífico, realiza grande parte de suas transações comerciais com países asiáticos, como Japão, Coreia do Sul, Malásia e Nova Zelândia, e faz parte da Associação de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec) desde novembro de 1994.
Em termos de produção econômica, o Chile apresenta uma produção agrícola altamente especializada. Atrás apenas do Brasil, o país é o maior exportador de frutas da América do Sul, comercializando mais de trinta espécies diferentes no mercado externo. A atividade emprega mais de 500 mil pessoas, com quase 8 mil produtores e cerca de 750 empresas exportadoras. 
O clima Mediterrâneo, marcado por verões quentes e secos e por invernos frios e chuvosos, é extrema mente favorável à produção de uvas para a fabricação de vinhos, garantindo posição de destaque para o país no mercado mundial do setor.
A exploração de recursos minerais é outra atividade relevante para a eco nomia chilena, com destaque para o cobre, cujas reservas se localizam no norte, próximo à cidade de Antofagasta (deserto do Atacama), e que corresponde a aproximada mente 40% do total das exportações do país e a cerca de 25% de toda a produção mundial. 
Muito utilizado na fabricação de fios e cabos para telecomunicações, o cobre está perdendo espaço para a fibra óptica, mas continua sendo empregado na transmissão de energia elétrica. A exploração do produto, que era totalmente realizada por companhias estadunidenses, atualmente conta com a participação do governo por meio da associação de empresas estatais com as referidas companhias dos Estados Unidos.

Colômbia

Com uma população estimada em 50,8 milhões de habitantes, a Colômbia é o segundo país mais populoso da América do Sul. O litoral colombiano é banhado pelo oceano Pacífico e também pelo mar do Caribe – onde está localizada a cidade de Cartagena, o principal destino turístico do país, que reúne um rico conjunto arquitetônico do período colonial.
As principais cidades colombianas são: Bogotá (capital), Medellín e Barranquilla. 
Na América do Sul, a Colômbia tem o terceiro maior PIB, atrás apenas do Brasil e da Argentina. Nas últimas décadas, o país tem recebido muitos investimentos externos. A Colômbia tem significativas reservas de petróleo (20% das exportações do país), gás natural, carvão mineral (40% das reservas conhecidas na América Latina), níquel e ouro. Além disso, mais da metade das esmeraldas que abaste cem o mercado mundial é de origem colombiana.
No setor industrial destacam-se as indústrias química, têxtil, de alimentos, de couro e de máquinas. Na pauta das exportações figuram principalmente o café, o petróleo, o carvão mineral, o açúcar, as esmeraldas, produtos químicos e têxteis.
O litoral da Colômbia é banhado pelo oceano Pacífico e pelo mar do Caribe. No litoral caribenho encontra-se Cartagena, principal destino turístico colombiano. A cidade reúne um conjunto arquitetônico do período colonial tombado pela Unesco como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.
O território colombiano apresenta áreas de instabilidade social, devido à atuação do narcotráfico – o país é um centro distribuidor de cocaína para as redes do tráfico de drogas internacional, apesar de todas as ações destinadas a seu combate. Nesse contexto, destaca-se o Plano Colômbia (2000), um acordo com os Estados Unidos que objetivava acabar com a atuação dos grupos guerrilheiros (sobretudo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou Farc) e paramilitares. Esse acordo intensificou a presença dos Estados Unidos no país, o que tem sido um fator de desestabilização, com acusações de desrespeito aos direitos humanos.
Em 2016, as Farc assinaram com o governo da Colômbia um acordo de paz, no qual o grupo se comprometeu a entregar suas armas, transformando-se em um partido político, a Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc). No entanto, a situação de tensão não cessou totalmente, pois ainda há grupos em combate em determinadas regiões do país.




Dívida e meio ambiente na América Latina

Na América Latina, assim como no resto dos Estados Capitalistas Periféricos (ECP), a questão do meio ambiente é particularmente delicada, pois o ritmo de exploração dos recursos e de geração (e importação) de poluentes ultrapassa a capacidade dos ecossistemas. Trata-se de um dos principais resultados da constante e crescente transferência de riqueza, que tem como pilar principal o pagamento das dívidas externas e que só foi possível mediante o aumento genuíno da produtividade, o empobrecimento das pessoas dos países devedores e o abuso da natureza. Tal transferência não se limita ao século XX e princípio do século XXI. Suas origens remontam à época colonial. [...] Os impactos ecossociais da exploração de minerais, ainda que devastadores, não alcançaram as dimensões insustentáveis que atualmente se registram, promovidas pelo emprego de tecno logias e técnicas próprias dos séculos XX e XXI.
A América Latina foi fonte não só de recursos valiosos, como o ouro e a prata, mas também de diversas matérias-primas de baixo preço e que são extraí das fundamentalmente para exportação a granel. Esse papel é exercido ainda na atualidade, mas é realizado não mais pelo aparato de “funcionários” da colônia, e sim por atores empresariais dos Estados Capitalistas Centrais (ECC) e por atores nacionais/locais — embora, muitas vezes, estes últimos terminem sendo sócios dos primeiros.
Esse mecanismo de transferência da riqueza natural vem se consolidando, por um lado, com o pagamento de juros das dívidas externas, e por outro, graças a um comércio sustentado e ecologicamente desigual. Tal desigualdade trans parece na enorme discrepância do tempo necessário para a produção dos bens exportados pelos ECP, muito mais longo que o requerido pelos bens industriais e os serviços dos ECC. A essa desigualdade acrescenta-se ainda a questão dos preços das exportações dos ECP, nos quais estão incorporados os custos ambientais.
No mesmo teor e como resposta a tal saque, especialistas no assunto [...] vêm falando corretamente — desde 1992 [...] — de uma dívida ecológica dos países do Norte com os do Sul, já que estes têm de aumentar sua produtividade e superexplorar seus recursos naturais.

SADER, Emir; JINKINGS, Ivana (coord.). Latino-americana: enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe. São Paulo: Boitempo, 2006. p. 76.

Argentina

Na Argentina, cuja capital é Buenos Aires, vivem aproximadamente 45 milhões de pessoas. Cerca de um terço da população argentina vive na região metropolitana de sua capital e o restante em áreas do centro e do norte do país, como nas cidades de Córdoba e Rosário.
Entre as décadas de 1940 e 1960, os argentinos desfrutavam de um padrão de vida elevado. Depois des se período, no entanto, esse padrão começou a cair em razão de problemas internos e externos, durante e após a ditadura militar (décadas de 1970 e 1980).
A partir dos anos 1990, o país vivenciou um processo bastante intenso de abertura econômica e privatizações que, em um primeiro momento, provocou a queda da inflação e a estabilização da economia. Todavia, o que se verificou no longo prazo foi a estagnação econômica e a elevação das taxas de inflação, além do aumento da pobreza, das desigualdades sociais e da dívida externa.
Em 2001, a Argentina decretou a moratória (suspensão do pagamento da dívida externa) e passou a ser vista com desconfiança pelos investidores internacionais. Esse foi o período da mais grave crise econômica, social e política da conturbada história do país. 
Durante as últimas duas décadas, o único período de maior estabilidade econômica do país foi entre 2002 e 2007, quando o PIB cresceu em média 8,5% ao ano, resultado de políticas econômicas e do aproveitamento da capacidade industrial e de trabalho, que estavam ociosas na crise. No entanto, após essa breve estabilidade, o país voltou a passar por períodos de recessão. Em 2020, o PIB argentino foi de 389 bilhões de dólares.
Em 2014, o país decretou nova moratória, o que diminuiu as perspectivas de avanços econômicos e sociais para os anos subsequentes. A partir de 2016, com o governo do então presidente Maurício Macri, houve um crescimento econômico inicial (PIB de 2,9% em 2017), fruto da tentativa de controlar as contas públicas e a inflação. 
Porém, com a alta do dólar e dos juros nos Estados Unidos, a queda da safra agrícola em torno de 30% e a falha na tentativa de conter a inflação e os gastos públicos, o governo mergulhou em nova crise econô mica e de confiança e se viu obrigado a recorrer, em agosto de 2018, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), algo que não acontecia desde 2003. Em 2021, o governo argentino iniciou a negociação de um novo acordo com o FMI, com o objetivo de refinanciar a dívida de 44 bilhões de dólares.

Espaço econômico


O território argentino está subdividido em quatro regiões que apresentam características específicas em relação à sua produção econômica: Pampa, Chaco, Patagônia e região andina. Observe o mapa do espaço econômico argentino.

O Pampa argentino


O Pampa é a região mais dinâmica do espaço geográfico argentino, concen trando grande parte das produções agropecuária e industrial e cerca de 70% da população nacional. É onde se situa Buenos Aires e as cidades de Rosário e Córdoba, as mais importantes do país.
Trata-se de uma das áreas mais produtivas do globo, com destaque para a agropecuária: na região é praticada atividade agrícola intensa, ao lado de uma próspera criação de bovinos e ovinos. O solo da região do Pampa é muito fértil, o que favorece a alta produtividade, principalmente do trigo. É dessa região que os argentinos obtêm metade de sua produção agrícola.
Essa região apresenta similaridade com o Pampa brasileiro, particularmente no que se refere à existência de pastos naturais e à criação de bovinos para corte, realizada de forma tanto extensiva como intensiva. O circuito da carne no Pampa argentino é marcado pela presença de grupos industriais frigoríficos (inclusive brasileiros que atuam na Argentina) que abastecem os mercados interno e ex terno com carne de alta qualidade. A atividade pecuária possibilita também a industrialização do couro para a fabricação de roupas, bolsas e calçados.
Em meados da década de 2000, a Argentina era o terceiro maior exportador de carne do mundo, mas a proibição temporária da exportação e a elevação de impostos no país contribuíram para uma diminuição no volume de carne argen tina direcionado ao mercado externo. Atualmente, a Argentina está entre os dez maiores exportadores. O país se destaca nas exportações de cereais (trigo e soja) e lã, produtos que, juntos, representam cerca de dois terços das expor tações argentinas. Os principais destinos são Brasil, China e Estados Unidos.

Demais regiões


O Chaco, região ocupada pelo povo indígena Guarani, apresenta baixa den sidade demográfica, com predomínio da pecuária extensiva de bovinos e de espaços agrícolas dedicados ao cultivo do algodão, do sorgo e do milho.
Na Patagônia, a região menos povoada do país, predominam as grandes propriedades rurais. A prevalência dos climas Desértico e Semiárido dificulta a produção agrícola, no entanto a região se destaca na criação de ovinos em sistema extensivo, assim como na extração de petróleo e gás natural. Recente mente, o turismo e o cultivo de uva para a fabricação de vinhos vêm se expan dindo na região.
Na região andina, onde predomina o cultivo de frutas – com destaque para a uva – e de oliveiras, a cidade mais importante é Mendoza, grande produtora e exportadora mundial de vinhos. A região também se destaca pela produção de azeite, além da extração de petróleo e gás natural.

O setor industrial


As indústrias argentinas se concentram principalmente na Região Metropo litana de Buenos Aires (siderúrgicas, estaleiros navais, refinadoras de petróleo, indústrias mecânica, têxtil e alimentícia). Outros centros industriais importantes ocorrem ao redor das principais cidades do país, como Rosário, Córdoba, Santa Fé e Mendoza.
Os setores industriais mais expressivos são o de alimentos (carne) e o têxtil (couro e lã), que aproveitam a grande disponibilidade de produtos agropecuários. Outros setores industriais presentes são o automobilístico, o metalúrgico e o da construção civil. As empresas transnacionais controlam boa parte dessas indústrias, como as fábricas do setor automobilístico, sendo marcante a presença do capital estrangeiro na economia do país.


México

O México, pela sua localização, pertence à América do Norte e, segundo a regionalização histórico-cultural, pertence à América Latina. Com aproximada mente 129 milhões de habitantes, sua população é com posta majoritariamente de mestiços, brancos de origem hispânica e indígenas. É um país emergente e um dos três mais industrializados da América Latina, ao lado do Brasil e da Argentina.
A maior parte da população mexicana concentra-se na região Centro-Sul do território, no planalto de Anahuac – onde está localizada a Cidade do México, capital do país, e seu mais importante centro urbano. As menores densidades demográficas são verificadas nos extremos norte e sul do país, assim como na maior parte da costa do golfo do México (Atlântico).
Em várias regiões do México, sobretudo no norte, atuam diversos grupos ligados ao narcotráfico, pois o país é uma porta de entrada para as drogas nos Estados Unidos. No estado de Chiapas, o mais pobre do país, destacam-se o predomínio da população indígena e os elevados índices de pobreza. Esse estado é o berço do movimento Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), grupo armado revolucionário que, desde sua formação, pressiona o Estado mexicano a realizar mudanças sociais e econômicas na região.

Espaço econômico


O México apresenta o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e uma economia diversificada, com destaque para a alta participação do setor de comércio e serviços, assim como para a indústria e o extrativismo.
Em relação à produção agropecuária, a participação do setor na composição do PIB é menor do que no Brasil e na Argentina. No entanto, diversos cultivos se destacam no espaço rural mexicano, entre eles o milho, a soja, o trigo, o algodão, o café e a cana-de-açúcar.

Extrativismo e indústria


O território mexicano possui riquezas minerais como prata, chumbo, zinco, cobre e uma das maiores reservas mundiais de petróleo e gás natural – as exportações petrolíferas geram importantes fontes de divisas para o país. A abundância desses minerais e a expansão da produção de energia elétrica e das indústrias petroquímicas, siderúrgicas e automobilísticas favoreceram o desenvolvimento industrial mexicano, marcado pela forte presença de transnacionais estadunidenses.
Os principais recursos naturais no território mexicano são: petróleo, gás natural, prata, cobre, chumbo, zinco, ferro e manganês. O petróleo é extraído no Golfo do México e parte da produção é exportada. O México está entre os maiores produtores de petróleo cru do mundo, com uma das maiores reservas do recurso. O país é também exportador de gás natural.
O milho, que ocupa a maior parte das áreas de cultivo, é o principal alimento da população, herança das antigas civilizações que se desenvolveram no territó rio mexicano. A criação extensiva de gado bovino e o cultivo de café, algodão e cana-de-açúcar, além das culturas irrigadas de frutas e legumes, também se destacam no setor agropecuário.
O Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta), acordo comercial entre Canadá, Estados Unidos e México, trouxe grandes investimentos econômicos e industriais para o território mexicano. Ao mesmo tempo, gerou problemas, como a importa ção de milho norte-americano, que desestruturou a produção de um item básico da alimentação mexicana. A mão de obra barata, os incentivos fiscais e os recursos naturais, como o petróleo, atraem as empresas transnacionais, principalmente dos Estados Unidos e do Canadá.
A presença de unidades produtivas de empresas estadunidenses no México, chamadas de maquiladoras, aumentou com a criação do Nafta, substituído pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que, por sua vez, pode limitar a continuidade dessa ampliação.
Essas indústrias se beneficiam da mão de obra local barata e de impostos e encargos sociais mais baixos (subsidiados pelo governo), além da localização estratégica – a maioria está localizada na zona de fronteira, possibilitando o escoamento de produtos com preços baixos e competitivos para o mercado estadunidense.
A entrada de indústrias transnacionais no México alavancou as vendas de bens industrializados para o exterior, sobretudo produtos eletroeletrônicos, ele trodomésticos e automotivos. Essas empresas importam parte dos componen tes e peças de outras filiais ou de suas matrizes a fim de realizar a montagem da mercadoria final: máquinas fotográficas, computadores, impressoras, televi sores, veículos automotores, entre outros produtos.
As áreas mais industrializadas do país são a Região Metropolitana da Cidade do México e a fronteira com os Estados Unidos, onde se destacam as indústrias automobilísticas e de autopeças. A maioria dessas indústrias são transnacionais, chamadas de maquiladoras, que se beneficiam do baixo custo da mão de obra mexicana.
O turismo é uma atividade de destaque que atrai anualmente uma grande quantidade de visitantes de todo o mundo, gerando emprego e renda para o país. Os atrativos turísticos são: os exten sos litorais de praias com infraestrutura, como as cidades de Cancún e Acapulco; além do patrimônio histórico e cultural da Cidade do México e das etnias indígenas maia e inca.
Além de belas praias, o México reúne um rico e diversificado patrimônio histórico-cultural que inclui museus, monumentos e ruínas das civilizações asteca e maia, atraindo o interesse de visitantes de todo o mundo.

Ecologia

O termo “Ecologia” foi empregado pela primeira vez em 1869 pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), que combinou a palavra grega oik...