quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

América do Norte: economia

A América do Norte é composta de dois países desenvolvidos – os Estados Unidos e o Canadá – e um país emergente – o México. Os três são países in dustrializados. Porém, enquanto os Estados Unidos iniciaram seu processo de industrialização na primeira metade do século XIX, e o Canadá, no final do mesmo século, o desenvolvimento industrial do México começou por volta da década de 1930 e teve um grande impulso com a criação do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), em 1994.

Industrialização dos Estados Unidos


A colonização britânica no território hoje ocupado pelos Estados Unidos ocorreu primeiro em uma faixa ao longo do litoral banhado pelo oceano Atlântico, área que ficou conhecida como a das treze colônias. 
Na parte sul houve intensa exploração de mão de obra escravizada em grandes fazendas que plantavam principalmente algodão para exportação, numa colonização de exploração idêntica à ocorrida no Brasil e no Caribe, enquanto no norte dominou a colonização de povoamento. Com a independência dessas colônias, em 1776, e o gradativo processo de expansão territorial e de industrialização subsequentes, foram ficando cada vez mais evidentes as diferenças econômicas, sociais e culturais entre as sociedades das duas regiões.
Os fazendeiros sulistas, em decadência política e econômica, tentaram manter o poder e o regime escravocrata por meio da criação dos Estados Confederados da América, levando o governo central a declarar guerra, dando início a um conflito que ficou conhecido como Guerra de Secessão. A vitória das forças nortistas manteve a unidade territorial do país, que já se estendia do Atlântico ao Pacífico.
Para aumentar o mercado consumidor dos bens produzidos em escala cada vez maior pelas indústrias nascentes, o governo controlado pela elite empresarial do norte proibiu o uso de mão de obra escravizada e passou a incentivar a imigração de europeus. Entre o final do século XIX e o início do XX, houve expansão da industrialização e grandes contingentes de imigrantes chegaram ao país.
A maioria dos imigrantes ficou nas cidades localizadas no nordeste do território, que cresceram rapidamente. No entanto, muitos foram para o oeste e se apropriaram de terras indígenas e de parte do território que pertencia ao México. Essa foi a primeira expansão territorial dos Estados Unidos, conhecida como “imperialismo interno”. Nesse processo houve um grande genocídio das comunidades nativas e o México, independente da Espanha desde 1821, perdeu metade de seu território nas guerras expansionistas empreendidas pelos Esta dos Unidos.
O processo de industrialização se intensificou durante o século XX, trans formando os Estados Unidos na maior potência industrial e na maior economia do mundo.
A região nordeste dos Estados Unidos foi a primeira a se industrializar e atualmente concentra diversos setores industriais. As siderúrgicas, por exemplo, se desenvolveram na região por causa da grande disponibilidade de carvão mineral, de minério de ferro, de meios de transporte e da proximidade dos centros consumidores. Nesse contexto, destaca-se Pittsburgh, conhecida como a “capital do aço”.
Nessa região, mais precisamente em Detroit, também se desenvolveu um grande parque de indústrias automotivas. A localização das fábricas em uma posição central facilitou a recepção de matérias-primas e de componentes, além do posterior envio dos produtos acabados aos mercados consumidores. Lá surgiram as três grandes automobilísticas do país – a General Motors (GM), a Ford e a Chrysler –, além de diversas indústrias de autopeças, o que a tornou conhecida como a “capital do automóvel”. No entanto, a concorrência com as montadoras estrangeiras e a crise econômica que se iniciou em 2008 fizeram com que muitas fábricas fechassem ou se mudassem para outros lugares.
Nova York é o maior centro financeiro dos Estados Unidos, onde localizam-se as sedes das principais empresas industriais, comerciais e financeiras, além da maior bolsa de valores do mundo, a NYSE (sigla em inglês para Bolsa de Valores de Nova York), e da bolsa eletrônica Nasdaq (sigla em inglês para As sociação Nacional de Corretores de Títulos de Cotação Automáticas).
Em Massachusetts, principalmente na região metropolitana de Boston, estão concentradas as indústrias de alta tecnologia, como as dos setores de informática e biotecnologia.

Desconcentração industrial


Assim como em diversas outras regiões e países, ocorre nos Estados Unidos, já há algumas décadas, um processo de desconcentração industrial. O nordes te do país, que chegou a reunir no início do século XX mais de 75% da produção industrial nacional, teve sua participação reduzida a menos de 50%, atualmente. Essa dispersão aconteceu em virtude da necessidade de as empresas baixarem seus custos de produção e, com isso, surgiram novos centros industriais no sul e no oeste do país.
Após a Segunda Guerra Mundial o processo de dispersão das indústrias pelo território se intensificou com o incentivo do governo, que estimulou a expansão industrial no sul.
Huntsville (Alabama) tornou-se um centro de fabricação de aviões militares e de mísseis, por exemplo. Hoje abriga também o Centro de Voos Espaciais Marshall, da Nasa (sigla em inglês para Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço). No sul também se instalaram outros importantes centros de pesqui sas espaciais e de lançamento de foguetes, como o Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e o Centro Espacial Johnson, no Texas, ambos da Nasa. No Texas também se concentram indústrias ligadas ao petróleo, como a Exxon Mobil, uma das maiores empresas dos Estados Unidos.
Há outras indústrias no sul dos Estados Unidos associadas à abundante disponibilidade de matérias-primas agrícolas, como as indústrias têxteis (Geór gia, Tennessee, Carolina do Norte e Carolina do Sul). Lembre-se de que se planta algodão nos estados do sul desde a época da colonização. Outra atividade que merece destaque no sul é o turismo, propiciado pelo clima favorável, pelas praias e ilhas nas proximidades de Miami (Flórida), que atraem muitos turistas. Há ainda a indústria do entretenimento, com diversos parques temáticos.
A última região dos Estados Unidos a se industrializar foi a oeste. A Califór nia é um dos estados industriais mais importantes do país. No eixo São Fran cisco-Los Angeles-San Diego há um parque industrial bastante diversificado. Concentram-se desde indústrias tradicionais, como petroquímicas, metalúrgicas e automotivas, até as mais importantes empresas de alta tecnologia do país.
Diversas cidades ao sul de São Francisco formam o maior tecnopolo do mundo, o Vale do Silício. Esse parque tecnológico ficou conhecido por esse nome porque a industrialização da região se desenvolveu a partir de empresas produtoras de semicondutores (o silício é um dos componentes usados na produção de microchips eletrônicos), de computadores e de programas e sis temas computacionais (softwares). Mais recentemente aí também surgiram as principais empresas de internet. Em Seattle (estado de Washington) destaca-se a indústria aeronáutica.
Apesar do dinamismo de sua economia e da liderança em alta tecnologia, os Estados Unidos perderam a posição de maior potência industrial em consequência do avanço chinês (embora continuem sendo a maior economia do mundo).
Segundo o Relatório de Desenvolvimento Industrial 2018, em 2015 a China era responsável por 23,5% do valor da produção indus trial mundial; os Estados Unidos vinham na segunda posição, com 16,3%. Em função disso também, o número de empresas estadunidenses entre as 500 maiores do mundo vem caindo.

Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta)


Os Estados Unidos, o Canadá e o México integram o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, da sigla em inglês North American Free Trade Agreement). O México também integra a Aliança do Pacífico, com Chile, Colômbia e Peru.
O Nafta entrou em vigor em 1° de janeiro de 1994, com o objetivo de eliminar as barreiras alfandegárias entre os três países-membros e criar regras claras para o comércio, além de facilitar o fluxo de investimentos mútuos. Sua criação era parte da estratégia do governo dos Estados Unidos para fortalecer as empresas estadunidenses e ampliar seus mercados diante de competidores europeus e sobretudo asiáticos.
O tratado gerou uma enorme dependência do México e do Canadá em relação ao grande vizinho: cerca de 80% do comércio exterior desses países é feito com os Estados Unidos. Essa dependência é um dos fatores que explicam por que a crise econômica de 2008, que, teve sua origem no sistema imobiliário dos Estados Unidos, atingiu mais gravemente esses países, principalmente o México.

Distribuição das atividades econômicas


Embora já não sejam a maior potência industrial do mundo, os Estados Unidos mantêm sua posição de liderança na economia mundial em diversas atividades, especialmente nos setores de alta tecnologia. O Canadá, embora com um PIB bem menor, também tem uma economia bastante desenvolvida, com setores modernos, como o aeronáutico. Os dois países são muito ricos em recursos naturais, como os minerais metáli cos e os combustíveis fósseis.
Nos Estados Unidos e no Canadá a produção agrícola se concentra em grandes propriedades que aplicam as mais modernas tecnologias. Esses países também dispõem de tecnologia de ponta no setor industrial e possuem ativida des terciárias – comércio e serviços – bem desenvolvidas. Essas são as atividades que mais contribuem para o PIB desses países e as que mais empregam mão de obra.

México


O México também tem grande disponibilidade de recursos minerais e fósseis, com destaque para o petróleo. Ao longo do processo de industrialização mexicano, a exploração desse combustível fóssil permitiu o desenvolvimento de petroquímicas, além dos setores industriais tradicionais, como si derurgia, automobilística e têxtil.
Desde a criação do Nafta, o México recebe investimentos dos Estados Unidos tanto nos setores industriais mais tradicionais quanto em novos ramos, como eletrônica e telecomunicações. Muitas filiais de indústrias estadunidenses, assim como japonesas, coreanas e europeias, se instalaram no país, espe cialmente em cidades próximas à fronteira, como Juárez, Mexicali e Tijuana.
O objetivo é baixar os custos de produção, uma vez que nessas cidades a mão de obra, a energia e os impostos são mais baratos. A maior parte das merca dorias produzidas nessas empresas, chamadas maquiladoras, é exportada, principalmente para os Estados Unidos. Estima-se que haja cerca de 3 mil maquiladoras funcionando no México na zona de fronteira, empregando por volta de 2 milhões de trabalhadores.
O baixo custo da mão de obra no México atrai indústrias estadunidenses e de outros países desenvolvidos inte ressadas em reduzir o custo da produ ção na linha de montagem. É o caso das indústrias têxteis, de calçados, de montagem de produtos eletrônicos, entre outras. Essa situação se reflete no percentual de mão de obra mexicana utilizada na indústria.
No México há regiões agrícolas modernas, que seguem o mesmo mo delo dos países desenvolvidos, mas há também regiões em que predomina a agricultura tradicional, principalmente no sul do país.
Após o ingresso no Nafta, os itens agrícolas importados dos Estados Unidos e do Canadá ficaram mais baratos do que os produzidos no México, o que re duziu o mercado para os produtores locais. Nos Estados Unidos e no Canadá, os grandes agricultores recebem apoio do governo, e isso contribui para diminuir o custo da produção. Assim, a competição desigual prejudicou o cultivo de diversos produtos, como o milho, base da alimentação mexicana, que era produzido em pequenas e médias propriedades e perdeu o mercado consumidor nacional para grandes empresas agrícolas dos Estados Unidos.
Uma das características de países desenvolvidos é ter uma agropecuária que emprega pouca mão de obra, porque é muito mecanizada. Entretanto, apesar de moderno e produtivo, esse setor da economia contribui relativamente pouco para a composição do PIB, diante do enorme peso da indústria e sobretudo das atividades de comércio e serviços.



América do Norte: população e diversidade cultural

A distribuição da população da América do Norte é bastante desigual no território. As cadeias montanhosas que dominam a porção oeste da América do Norte e os climas frio e polar encontrados no Alasca, em grande parte do Canadá e na Groenlândia fazem com que a ocupação dessas regiões seja esparsa, com baixíssima densidade demográfica.
Já no vale do rio São Lourenço, na região dos Grandes Lagos, no nordeste e no litoral sudoeste dos Estados Unidos, bem como no planalto Mexicano, há elevada densidade demográfica, com a presença de grandes aglomerações urbanas.
O Canadá é o segundo maior país do mundo em extensão territorial, mas, como sua população é relativamente pequena, sua densidade demográfica é baixa. O mesmo não se aplica aos Estados Unidos: o país ocupa a quarta posição mundial em extensão territorial (quando se consideram as terras descontínuas, como o território do Alasca e o do Havaí), mas também é a terceira maior população do planeta.
A população dos Estados Unidos se concentra sobretudo na região nordeste do país, banhada pelo oceano Atlântico, por onde começou a colonização do território e principalmente o processo de industrialização.
Grandes cidades da América do Norte A taxa de urbanização é muito elevada nos países da América do Norte. O México, o menos urbanizado dos três, concentrava 80,2% de sua população em cidades. No Canadá a taxa de urbanização era de 81,4% e nos Estados Unidos, o mais urbanizado dos três, era de 82,3%. O número de grandes cidades é elevado no subcontinente.
As primeiras megalópoles do mundo se formaram nos Estados Unidos. Observe no mapa acima que há conurbação de várias aglomerações urbanas, com destaque para Boston/Nova York/Washington, D. C. (BosWash), Chicago/ Detroit/Pittsburgh (ChiPitts), São Francisco/Los Angeles/San Diego (SanSan), nos Estados Unidos; Cidade do México/Guadalajara, no México; e Toronto/ Montreal, no Canadá.
As grandes aglomerações urbanas da América do Norte apresentam muitos problemas, especialmente as grandes cidades mexicanas, com destaque para a Cidade do México.
Um dos problemas urbanos mais graves do México é a carência de habita ções adequadas: 11% da população do país vive em assentamentos precários, como favelas.
Nos Estados Unidos não há favelas, mas há pessoas morando em cortiços em áreas degradadas das grandes cidades e mesmo nas ruas. A maior parte dessas pessoas não mora propriamente nas ruas: à noite vai para abrigos públicos. Embora em menor quantidade, as grandes aglomerações urbanas canadenses também têm moradores de rua.
Outro problema que muitas grandes cidades dos Estados Unidos enfrentam é a decadência econômica, com todas as consequências sociais decorrentes, como desemprego, degradação das habitações e aumento da violência urbana. O maior exemplo disso aconteceu em Detroit (estado de Michigan), que na década de 1950 foi o maior centro mundial da indústria automotiva. A partir do final dos anos 1970 a cidade sofreu um processo de degradação urbana porque muitas fábricas de veículos e autopeças fecharam e se transferiram para outras regiões dos Estados Unidos e até mesmo para outros países. Isso gerou muito desemprego, migração e forte queda no preço dos imóveis.

Indicadores sociais da população norte-americana


Apesar de terem o mesmo IDH, os Estados Unidos são mais ricos que o Canadá, considerando a renda per capita, o que indica uma eco nomia mais dinâmica e produtiva. No entanto, a distribuição da renda cana dense é mais equilibrada, como aponta o índice de Gini.
O México apresenta IDH elevado, situando-se no ranking do Pnud próximo a outros países emergentes, como o Brasil. Um dos maiores problemas do México, além de a produtividade econômica ser relativamente mais baixa, o que se reflete numa renda per capita bem inferior à dos vizinhos desenvolvidos, é a grande concentração da riqueza e um índice de pobreza ainda muito elevado.
O Canadá apresenta baixa taxa de natalidade e elevada expectativa de vida. A tendência é que a proporção de idosos na população total aumente nos próximos anos.
É por isso que o Canadá promove políticas de incentivo ao ingresso de imigrantes. O objetivo é suprir a necessidade de mão de obra. Entretanto, a entrada de imigrantes é controlada pelo governo, que seleciona os países de origem, a profissão e a idade dos migrantes. Quando falta mão de obra em algum setor, o governo divulga uma lista de profissões e as pessoas com formação compatível podem se inscrever como candidatas à imigração.
Nos Estados Unidos os indicadores de desenvolvimento também são mui to elevados, mas, como vimos, diferentemente do Canadá, há grande desigualdade social e um alto índice de pobreza para um país desenvolvido, inclusive em regiões industriais degradadas pelo fechamento de fábricas. Tal característica contribuiu para a eleição de Donald Trump, com um programa de governo nacionalista e xenófobo.
No México, além da concentração de renda, o maior problema é o elevado contingente de pobreza da população. Como vimos, mais de 11% da população mexicana vive abaixo da linha internacional de pobreza. Enquanto nos Estados Unidos a pobreza atinge mais a população afrodescendente, no México ela atinge mais a população indígena, sobretudo nos estados do sul do país, como Chiapas e Oaxaca.
Assim como acontece em vários outros países latino-americanos, os indica dores sociais do México têm melhorado nas últimas décadas, mas ainda estão em nível bem inferior aos dos países desenvolvidos vizinhos. Como veremos no texto a seguir, isso estimula a emigração de mexicanos para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, faz crescer a xenofobia.

Composição étnica da população


A composição étnica da população do Canadá, do México e dos Estados Unidos é bem diversificada, como veremos a seguir. Em proporções diferentes, em todas elas há a contribuição dos indígenas nativos, dos europeus, dos africanos e dos asiáticos.

A população do Canadá


A maioria dos cidadãos canadenses descende de colonizadores britânicos e franceses. Essa ascendên cia predominantemente anglo-france sa explica a existência desses dois idiomas oficiais no país. A população canadense é muito diversa do ponto de vista étnico. E tem ficado mais diversificada ainda com a chegada de novos imigrantes.
Os canadenses de origem francesa se concentram na província de Quebec, e os de origem britânica, na província de Ontário. Juntas, Quebec e Ontário reúnem mais da metade da população canadense.
Em Quebec existe um movimento separatista, o Movimento de Soberania do Quebec, composto de um grupo de pessoas que pretendem tornar a província um país independente. A proposta, no entanto, foi recusada pela maioria da população da província nos dois plebiscitos em que foi consultada, em 1980 e em 1995.
Dentre as 250 etnias canadenses, uma, embora muito minoritária, se destaca por ser conhecida e influente. No norte do Canadá vivem os inuítes (esquimós), nação indígena adaptada aos rigores climáticos da região. Em 1999, o governo canadense lhes concedeu o Território de Nunavut, que abrange 20% da área do país, onde eles têm autonomia administrativa. Desse modo, podem preservar sua cultura e seu modo de vida.

A população do México


No México, a maioria da população é composta de des cendentes da miscigenação de espanhóis e indígenas, como mostra o gráfico ao lado, e está concentrada na região do planalto Mexicano, onde ficam as maiores aglomerações urbanas do país. As maiores cidades mexicanas são: Cidade do México, Guadalajara, Monterrey, Puebla e Tijuana.
Na população do país há um grande percentual de in dígenas, que se concentram nos estados ao sul, principal mente em Oaxaca, Chiapas e Yucatán. É por isso que 7% da população, além do idioma oficial (espanhol), fala algu ma das 72 línguas indígenas existentes no país, com des taque para náhuatl, maya e tseital.
No sul do México, região mais pobre do país, predominam atividades agro pecuárias de subsistência. Nela existe um movimento camponês de defesa dos direitos dos povos indígenas inspirado nos ideais de Emiliano Zapata, que foi um camponês mestiço, como a maior parte da população mexicana, e liderou a luta por terra e liberdade para a população pobre. Acabou se tornando o principal líder da Revolução Mexicana de 1910, cujo objetivo era combater a ditadura de Porfírio Diaz (1884-1911) e lutar pela reforma agrária no país.

A população dos Estados Unidos


Os Estados Unidos receberam muitos imigrantes de di versos países desde o início de sua colonização. De 1850 a 2015 cerca de 80 milhões de estrangeiros se fixaram no país. Portanto, a população estadunidense é diversificada do ponto de vista étnico.
Ao longo do período em que o atual país foi uma colônia inglesa (século XVII e parte do XVIII), houve a imigração de europeus, com grande destaque para os britânicos, e a imigração forçada de africanos escravizados. Esses povos promoveram a ocupação do território e contribuíram para a formação da população do país. É importante destacar que esse povoamento provocou o genocídio dos povos indígenas.
O sul do território dos atuais Estados Unidos foi colonizado pelos espanhóis. Posteriormente, os britânicos, que fugiam da perseguição religiosa em seu país, conquistaram as terras localizadas a nordeste. Ao longo do século XIX e da primeira metade do século XX, também chegaram imi grantes da Irlanda, da Alemanha, da Itália, dos Países Baixos e de vários outros países da Europa.
A imigração forçada de africanos teve início no século XVII e terminou em 1863, quando a escravidão foi abolida. Hoje a maior concentração de população afrodescendente está nas regiões em que foi utilizada mão de obra escravizada durante a colonização.
Nos Estados Unidos, até 1964 os afro-americanos não gozavam dos mesmos direitos assegurados aos brancos. Em muitos estados, além de sofrerem com a segregação nos espaços públicos, semelhante ao que acontecia na África do Sul (reveja o assunto na página 117), eles nem sequer tinham direito de votar e ser votados, não sendo, portanto, considerados cidadãos plenos.
Desde os movimentos pelos direitos civis nos anos 1960, sob a liderança de Martin Luther King (1954-1968), prêmio Nobel da Paz em 1964, muita coisa mudou. Em 1964 foi aprovada a Lei dos Direitos Civis, a segregação nos espaços públicos foi abolida e a partir de então os afro-americanos são cidadãos com todos os direitos assegurados.
No entanto, atualmente continuam sofrendo com a discriminação e a violência policial – principalmente os homens jovens de bairros pobres. Após a morte de vários jovens afro-americanos, em 2013 ativistas organizaram o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).
Depois da Segunda Guerra Mundial, com a recuperação econômica e o aumento do desenvolvimento humano na Europa, houve uma mudança na corrente de imigração para os Estados Unidos. A partir da segunda metade do século XX passou a predominar a entrada de latino-americanos oriundos de diversos países, seguidos de imigrantes provenientes da China, da Índia, do Vietnã e de outros países asiáticos, além de países da África (tradicionalmente os africanos emigram mais para a Europa, onde estão as ex-metrópoles). Todos esses migrantes têm algo em comum: buscam novas oportunidades e melhores condições de vida nos Estados Unidos.
De acordo com o Yearbook of Immigration Statistics 2015, somente no período de 1990 a 2015 cerca de 26 milhões de imigrantes se fixaram nos Estados Unidos – considerando apenas os que entraram legalmente e obtiveram visto de permanência. Dessa onda mais recente de imigração a maioria é de origem latina: pessoas oriundas do México e de países da América Central e do Sul. Segundo o U. S. Census Bureau (órgão que faz o recenseamento nos Estados Unidos), quase 18% da população do país já é de origem hispânica. Muitos dos migrantes latinos entram de forma clandestina, inclusive brasileiros, correndo risco de perder a vida ao tentar pular o muro que separa o México dos Estados Unidos em parte da fronteira seca ou tentando atravessar a nado o rio Grande.


América do Norte: aspectos físicos e ambientais

A América do Norte tem 24 milhões de km2, o que corresponde a 16% das terras emersas do planeta.
O Canadá e os Estados Unidos são países desenvolvidos e compõem a América Anglo-Saxônica; o México faz parte do grupo de países emergentes e pertence à América Latina. Entretanto, desde 1994 a economia mexicana tem se integrado às outras duas por meio do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, sigla em inglês), especialmente à dos Estados Unidos, que, de longe, é a maior das três. A América do Norte tem ainda três territórios: Groenlândia (Dinamarca), Bermudas (Reino Unido) e Saint-Pierre e Miquelon (França).

Relevo


Na América do Norte existem três grandes compartimentos de relevo: a oeste, grandes cadeias montanhosas, formadas por dobramentos recentes; no centro, planícies, de estrutura geológica sedimentar; e, a leste, os montes e as serras, formados por escudos cristalinos antigos.
Toda a extensão norte-sul do subcontinente norte-americano, banhada pelo oceano Pacífico, caracteriza-se pela presença de grandes cadeias montanhosas, que formam duas cordilheiras paralelas.
Nos Estados Unidos, a cadeia da Costa e as montanhas Rochosas se dividem, com a consequente formação de planaltos e bacias interiores, como a do rio Colorado, onde se encontra o Grand Canyon. No México, a serra Madre se divide em dois grandes eixos: serra Madre Ocidental e serra Madre Oriental. O planalto Mexicano se localiza entre elas e é caracterizado por extensas superfícies planas em altitudes elevadas. Foi no planalto, onde fica a capital mexicana, que se desenvolveu o Império Asteca. Mais ao sul há a serra Madre do Sul.
Essas cadeias montanhosas da porção oeste do continente se formaram pela movimentação de duas placas tectônicas: a Placa do Pacífico e a Placa Norte-Americana. As placas que atuam na América do Norte deslizam lateral mente, formando falhas geológicas. Esses movimentos de placas tectônicas tornam a região muito propensa à ocorrência de terremotos (como já vimos na América Central e do Sul), e deram origem à falha de San Andreas, que atravessa a Califórnia de norte a sul.
Na parte central do subcontinente predominam as planícies com altitudes inferiores a 600 metros, muito utilizadas para a agropecuária. Na porção leste estão o planalto Laurenciano e os montes Apalaches, cujas altitudes são um pouco mais elevadas.

Hidrografia


Embora algumas regiões da América do Norte sejam desérticas e se miáridas, esse subcontinente apresen ta grande disponibilidade hídrica. O rio mais longo do México é o rio Grande, que nasce nas montanhas Rochosas e limita boa parte da fronteira do país com os Estados Unidos. Por essa razão, muitos imigrantes clandestinos tentam atravessá-lo para chegar aos Estados Unidos.
No Canadá, destaca-se o rio Mackenzie e os numerosos lagos de origem glacial, que se formaram pelo recuo das geleiras, ocorrido há milhares de anos. Dentre eles, destaca-se o conjunto de cinco lagos chamado Grandes Lagos, na fronteira com os Estados Unidos.
O rio São Lourenço é um importante rio da região de fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. Em seu vale desenvolveu-se uma grande concentração urbana e industrial. Graças à construção de diversas eclusas, os Grandes Lagos e o rio São Lourenço são inteiramente navegáveis e, portanto, importantes para a economia do Canadá e dos Estados Unidos por possibilitarem o escoamento da produção de minério de ferro, carvão, produtos agrícolas e bens industriais.
Na porção oeste da América do Norte, onde estão as cadeias montanhosas, destaca-se o rio Colorado. Ele atravessa uma extensa bacia sedimentar, que ao longo de milhões de anos foi sendo erodida em seu vale e formou o Grand Canyon.
O rio Mississípi atravessa a planície central dos Estados Unidos, e sua bacia hidrográfica banha um terço do território do país. Ele nasce nas proximidades dos Grandes Lagos e corre para o sul, em direção ao golfo do México. É um rio quase inteiramente navegável e seus principais afluentes são o Missouri e o Ohio. Juntos, esses rios formam uma das maiores redes hidroviárias do mundo.
Em diversos rios da América do Norte, em trechos montanhosos e planálticos, o potencial hidráulico é aproveitado para a produção de energia hidrelétrica. A barragem Grand Coulee, no rio Columbia, abastece a maior hidrelétrica dos Estados Unidos e a sexta do planeta.

Clima


Na América do Norte há grande diversidade de climas. Isso se explica principalmente pela grande extensão latitudinal, mas também pela grande variação de altitudes e a ação de correntes marítimas.
A maior parte do continente localiza-se na zona temperada do planeta, mas, ao sul, par te do território mexicano está na zona tropical e, ao norte, parte do território canadense está na zona polar. Isso explica, em parte, a grande variedade de climas, que vão do equatorial e tropical ao temperado frio e polar. Nas altas cordilheiras do oeste predomina o clima frio de montanha, mesmo na zona tropical. Nesse caso o fator mais importante que influencia o clima é a altitude.
Além da latitude e da altitude, outro fator climático importante na América do Norte são as correntes marítimas. A corrente do Golfo, quente, ameniza as temperaturas da costa leste da América do Norte tanto no verão como no inverno. O mesmo ocorre no noroeste e no sudoeste do subcontinente, pois ali chegam as correntes quentes do Pacífico Norte e a Norte Equatorial, respectivamente. Já a corrente fria da Califórnia torna os invernos mais rigorosos na porção oes te da América do Norte, sobretudo nos Estados Unidos. O mesmo ocorre no nordeste do Canadá, por influência da corrente fria de Labrador.
As águas quentes do mar do Caribe, onde circula a corrente quente das Guianas, apresentam condições favoráveis para o sur gimento e o desenvolvimento de tempestades tropicais, algumas das quais evoluem para furacões como o Irma – um grande furacão que atingiu os Estados Unidos e o Caribe em 2017.
São cada vez mais fortes os indícios de que o aque cimento da atmosfera terrestre tem provocado mudanças climáticas capazes de potencializar os furacões em quantidade e intensidade. Outro fenômeno atmos férico comum nos Estados Unidos são os tornados, que se formam em condições especiais, em um ambiente de tempestade muito forte. Eles se originam de ventos rápidos e com temperaturas diferentes que sopram em sentidos opostos.

Mudanças climáticas


Diversas pesquisas, entre as quais se destacam as sintetizadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), têm alertado para a elevação da temperatura média da atmosfera do planeta, e há cada vez mais indícios de que isso está causando mudanças climáticas e desequilíbrio na circulação atmosférica planetária. A temperatura média do planeta vem aumentando gradativamente desde o início da Revolução Industrial (final do século XVIII), como resultado do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.
Preocupados com isso, 195 países assinaram em dezembro de 2015, duran te a cúpula da ONU sobre mudanças climáticas, o Acordo de Paris para tentar conter o aquecimento da atmosfera terrestre. Esse acordo prevê que os países devem se empenhar para que o aquecimento fique abaixo de 2 ºC em relação aos níveis pré-industriais, buscando não superar 1,5 ºC até 2100 (em 2018 a temperatura média do planeta já era 1 ºC mais alta em relação ao início da Revolução Industrial). Todos os países da ONU se comprometeram com essas metas; no entanto, Donald Trump, após ser eleito presidente dos Estados Unidos (o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, só atrás da China), retirou o país do acordo em 2017.

Vegetação


Apesar da destruição ao longo da história, as florestas ainda cobrem qua se metade do território canadense, cerca de um terço do território estaduni dense e um quarto do mexicano. A maior em extensão é a Floresta Boreal ou Floresta de Coníferas (também conhecida como Taiga canadense).
Nos Estados Unidos se destaca a Floresta Temperada e, no México, a Floresta Tropical. No entanto, sobretudo essas duas formações foram bastante devastadas para a utilização da madeira e a expansão de atividades agrícolas. Grande parte do que restou é floresta secundária (que renasce após o corte), e também há grandes extensões de plantio (silvicultura) para a produção de matéria-prima para a indústria de papel, móveis e construção civil.
Na América do Norte há outras formações vegetais que também foram bastante destruídas pela ação humana, como as Pradarias, substituídas pela agricultura e pecuária. Outras continuam mais preservadas, como a Tundra e a Taiga. Há muitas formações vegetais próximo à região dos Grandes Lagos que sofrem com a poluição causada pela grande concentração de indústrias na região. Observe no mapa abaixo a distribuição da vegetação original da América do Norte.



Economia da América Central

Distribuição das atividades econômicas

Assim como a política, historicamente a economia da América Central foi influenciada pelos Estados Unidos, característica que se mantém até hoje. A situação econômica dos países centro-americanos varia bastante – tanto na produção de riqueza e sua distribuição como no emprego de mão de obra por setor de atividade econômica.
Embora as atividades econômicas dos países centro-americanos sejam va riadas, em alguns deles a agricultura ainda tem um peso muito grande, como na Guatemala, na Nicarágua, em Honduras e no Haiti, onde predominam as produções de bananas e outras frutas tropicais, além de cana-de-açúcar, café, algodão, tabaco, silvicultura e da agricultura de subsistência. Essa tradição vem desde o período colonial, quando essa produção era destinada à exportação para a Europa.
Após a independência dos países da América Central, muitas empresas estadunidenses se instalaram na região, passaram a comprar terras ou recebê-las em troca da construção de ferrovias e portos (para beneficiar seus próprios interesses) e a ampliar a produção de frutas tropicais para exportação. A mais poderosa de todas foi a United Fruit Company, que chegou a ser a maior produtora de bananas do mundo, com plantações em sete países: Colômbia, Costa Rica, Cuba, Jamaica, Nicarágua, Panamá e República Dominica.
Em Cuba, destaca-se a produção de cana-de-açúcar e tabaco – o açúcar e o charuto são produtos cubanos tradicionais de exportação. Embora o açúcar ainda tenha um peso muito grande nas exportações de Cuba, em 2016 o maior produtor de cana-de-açúcar da região foi a Guatemala, com 33,5 milhões de toneladas. Cuba vem a seguir com 18,9 milhões de toneladas (para comparação: o Brasil, maior produtor mundial, colheu 769 milhões de toneladas).
A produção de banana, antes muito concentrada na região, se espalhou por diversos países e hoje o maior produtor da região, a Guatemala, é apenas o 8o do mundo, com 3,8 milhões de toneladas (o maior produtor mundial é a Índia, com 29 milhões de toneladas).
Poucos países do subcontinente exploram recursos minerais, pois são escassos. No entanto, a bauxita é um dos principais produtos da economia jamaicana. Em 2016, o país foi o sexto produtor com uma participação de 3,2% do total mundial. Há também pequena produção de petróleo em Trinidad e Tobago e Cuba. Em 2016, eles extraíram, respectivamente, 71,9 mil barris/dia e 45,6 mil barris/dia.
As poucas indústrias existentes na América Central começaram a ser insta ladas somente na segunda metade do século XX. Predominam indústrias leves, como processadoras de alimentos, fábricas de bebidas, vestuário e açúcar, mas há algumas indústrias pesadas, como de produção de aço e cimento e de refino de petróleo, principalmente em Cuba e em Trinidad e Tobago.

A importância dos serviços


As atividades terciárias (comércio e serviços) são as que mais contribuem para o PIB dos países da América Central, e também as que mais utilizam mão de obra.
De todas as atividades terciárias desenvolvidas na América Central, o turismo internacional merece destaque. Em vários países centro-americanos essa atividade é uma importante fonte de renda e de geração de empregos. Em 2016, todos os países da região somados receberam 25 milhões de turistas, que gastaram cerca de 30 bilhões de dólares.
Os gastos dos visitantes em alguns países da América Central. A maioria dos turistas provém dos Estados Unidos e, em geral, escolhem Bahamas, Costa Rica e Panamá como destino – eles têm dificuldade para visitar Cuba em virtude das restrições impostas pelo governo Trump. Os países da América Central atraem também muitos canadenses, mexicanos, sul-americanos, europeus e asiáticos.
A organização do turismo envolve ampla infraestrutura nos setores de transportes (aeroportos, rodovias, portos, empresas de navegação e cruzeiros marítimos, deslocamento terrestre em ônibus e vans), hotelaria, restaurantes, cassinos, guias turísticos, venda de artesanato, entre outras atividades.
Grande parte dos investimentos necessários ao desenvolvimento do turismo é realizada por empresas de países desenvolvidos. Grupos espa nhóis e canadenses atuam em Cuba; empresas estadunidenses, inglesas, francesas e holandesas estão presentes na Jamaica, em Costa Rica, nas Bahamas e nas Pequenas Antilhas. Essas em presas constroem luxuosos resorts, hotéis, cassinos e restaurantes, além de financiar a construção de portos, aeroportos, rodovias, entre outras obras.

Finanças: paraísos fiscais


Outro destaque da América Central são os paraísos fiscais, que englobam diversas atividades de prestação de serviços financeiros. Os principais são: Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, Panamá, Costa Rica, Bahamas e Barba dos. As autoridades desses países ou protetorados facilitam a constituição de empresas por estrangeiros, conhecidas como empresas offshore, que se apro veitam da isenção de impostos, do sigilo bancário e societário, das facilidades burocráticas e da livre circulação de capital. Por isso, são muito procurados por empresas ou pessoas que querem deixar seu dinheiro aplicado pagando impostos menores do que os cobrados em seus países de origem.
A operação é permitida por lei. No entanto, os paraísos fiscais também são usados para ocultação e “lavagem” de dinheiro proveniente de atividades ilegais, como tráfico de drogas e de armas, corrupção e desvio de dinheiro público.
Para combater as atividades ilegais, muitos países têm pressionado os governantes de territórios que são considerados paraísos fiscais para que coo perem com as ações contra a sonegação de impostos, a corrupção e a “lava gem” de dinheiro. A imprensa também tem papel importante na investigação e divulgação de casos de uso ilícito de paraísos fiscais, como no que ficou conhecida como Panama Papers.

Blocos econômicos regionais


A integração econômica dos países centro-americanos já é antiga, se com parada à de outros blocos da América. No subcontinente existem dois blocos, ambos criados para facilitar a integração econômica e as trocas comerciais entre os membros e com outros países. Observe no mapa os países que inte gram o Mercado Comum Centro-Americano e a Comunidade do Caribe.

Mercado Comum Centro-Americano (MCCA)


O MCCA é o maior e o mais antigo bloco centro-americano. É formado por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Criado em 1961, com a assinatura do Tratado de Integração Centro-Americana, tem como objetivo facilitar o comércio entre seus países-membros. Embora exista a pretensão de avançar para o estágio de mercado comum (como o próprio nome dos blocos indica), na prática, o MCCA ainda funciona como uma zona de livre-comércio.

Comunidade do Caribe 


A Caricom (a sigla vem do inglês Caribbean Community) foi criada em 1973. É um bloco de cooperação econômica e política formado por 15 países da região insular da América Central, conforme mostra o mapa acima. É um bloco muito pequeno com uma população de apenas 16 milhões de habitantes. Se a participação das economias da América Central (continental e insular) no PIB da América Latina já é pequena, a participação do Caricom é menor ainda.




América Central: História e população

A América Central foi marcada pelo domínio europeu durante o período de colonização: a maioria dos países dessa região foi colonizada pela Espanha, como Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Cuba, República Dominicana e Porto Rico. Além disso, o Reino Unido colonizou Belize, Jamaica e Trinidad e Tobago; e a França, o Haiti. As várias ilhas das Pequenas Antilhas foram colonizadas por França, Reino Unido e Países Baixos.
No entanto, após o processo de descolonização, que ocorreu no século XIX, os países da região passaram a sofrer influência do imperialismo estadu nidense. Esse processo, diferentemente da colonização europeia, não se pau tava pelo domínio territorial direto, mas por intervenções pontuais para garan tir que no poder dos países da América Central ístmica e nas principais ilhas do Caribe sempre estivessem no poder governantes alinhados com os interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos.
Cuba, por exemplo, rompeu influência do domínio espanhol em 1898. No entanto, já em 1901 os Estados Unidos intervieram pela primeira vez na ilha caribenha, prática que se estendeu até 1934, quando se consolidou no poder o sargento Fulgêncio Batista, um ditador aliado aos Estados Unidos.
Batista só foi deposto por ocasião da Revolução Cubana, em 1959, o que contrariou os interesses dos Estados Unidos. Desse modo, no contexto do mundo bipolar da Guerra Fria, Cuba alinhou-se com a União Soviética, implan tando uma ditadura de partido único – o Partido Comunista de Cuba – e uma economia planificada como vimos no capítulo 12. Como retaliação, em 1962 os Estados Unidos expulsaram o país da OEA e lhe impuseram um embargo econômico que se estende até os dias de hoje.

Composição étnica da população


Nos países da porção continental da América Central, a população é majoritariamente descendente de europeus e de indígenas. Há uma predominân cia de mestiços fruto da miscigenação de europeus, notadamente espanhóis, com etnias nativas, como os maias.
Já no Caribe, onde foi instalada a plantation com uso de mão de obra es cravizada durante o período colonial, há maior presença de afrodescendentes, sendo maioria em alguns países, seguidos de mestiços de brancos com negros.

Distribuição da população


A maior concentração populacional está no norte da porção continental, com destaque para a Guatemala e Honduras, e nas maiores ilhas do Caribe, como na ilha de Cuba e na ilha de São Domingos, dividida entre o Haiti e a República Dominicana.
As regiões mais povoadas da América Central se localizam na faixa oeste da porção continental, pois, entre outros motivos, nessa área os solos vulcânicos são mais férteis, o que favorece a prática da agricultura.
A taxa de urbanização da América Central é relativamente alta. Em média 71,3% dos habitantes dos países da porção caribenha vivem em cidades; nos países da porção continental a taxa é ainda mais alta: 74,7%.
Apesar de os países da América Central terem altas taxas de urbanização. As populações são pequenas e não há nenhuma megacidade no subcontinente.

Indicadores sociais da América Central


Assim como os demais países latino-americanos, os países da América Cen tral apresentam elevada desigualdade social. Em cada país há um pequeno grupo social que concentra a maior parte da renda nacional e uma classe média reduzida, enquanto a maior parte da população recebe baixos salários ou está desempregada. A população marginalizada enfrenta diversos problemas, como moradias precárias, subnutrição, ineficiência dos serviços públicos de saúde e educação, entre outras dificuldades. 
Além disso, sobretudo nos países do chamado Triângulo Norte da América Central (Honduras, Guatemala e El Salvador), a violência provocada pela ação de gangues urbanas e de grupos de traficantes de drogas é uma das mais altas do mundo. Tudo isso explica o grande número de pessoas que emigram para o México e principalmente para os Estados Unidos.
Os indicadores que compõem o Índice de De senvolvimento Humano (IDH) de alguns países da América Central. Neste sub continente não há nenhum país no grupo de IDH muito elevado; a maioria deles apresenta IDH elevado e apenas um, o Haiti, IDH baixo.

Desigualdade social e pobreza 


A partir da década de 1990, assim como ocorreu no restante da América Latina, os indicadores sociais da América Central melhoraram e a maioria deles já tem IDH elevado. Porém, a renda nacional permanece muito concentrada e a taxa de pobreza ainda é elevada, principalmente entre a população indígena e a afrodescendente. 
A acentuada desigualdade social é um dos fatores que mais contribuem para a América Latina ser a região mais violenta do mundo. A violência atinge toda a sociedade, mas principalmente a população mais pobre, sobretudo os homens mais jovens e as mulheres. 
Porém, há grande disparidade entre os países. A Costa Rica é o país que apresenta o menor índice de pobreza entre a população e o Haiti é o país com o maior índice. 

O caso do Haiti 


Em 2004, após a queda do presidente Jean Bertrand Aristide, o Haiti vivia uma situação que beirava a guerra civil e apresentava altos índices de violência, sobretudo na capital, Porto Príncipe, que estava dominada por gangues. Nesse ano, para tentar controlar a caótica situação política do país, o Conselho de Segurança da ONU autorizou a formação da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah, sigla em inglês). 
Essa força de paz da ONU foi comandada desde o início por um general do Exército brasileiro e contava com muitos soldados brasileiros (ao longo de 13 anos 37,5 mil soldados de nosso país passaram pelo Haiti) e também de outras nacionalidades. Os soldados estiveram empenhados em conter a vio lência, em ajudar na reconstrução do país e dar assistência básica à população: alimentação para crianças, vacinas, etc. 
Em 2017, depois de cumprir sua missão, a Minustah foi encerrada. Nesse mesmo ano o Conselho de Segurança auto rizou a criação da Missão das Nações Unidas para Apoio à Justiça no Haiti (Minujusth, sigla em inglês). Diferente da anterior, a Minujusth é composta de um pequeno grupo de civis e oficiais de polícia que tem o objetivo de ajudar o governo do Haiti a implantar a Polícia Nacional e fortalecer as instituições legais do país, visando tornar mais seguro o cotidiano da população e garantir o respeito aos direitos humanos.
Único país com baixo IDH em todo o continente americano, seu povo tem condições de vida muito precárias. Segundo o Relatório de 2018 do Banco Mundial, 48% da população vivia na pobreza, e 23,5% na extrema pobreza (com menos de 1,90 dólar por dia). Todas essas dificuldades explicam o grande fluxo de haitianos que emigram em busca de melhores condições de vida, muitos dos quais vieram para o Brasil.
Todos esses fatores agravados pelas catástrofes naturais que atingem o Haiti, como terremotos e furacões, fazem do país o mais pobre de todo o continente americano.

O caso de Cuba 


Antes da Revolução Cubana (1953-1959), a economia desse país baseava-se na monocultura de cana-de-açúcar e frutas tropicais, além do turismo de en tretenimento. Após a revolução e a aproximação com a União Soviética, os meios de produção foram estatizados e terras foram distribuídas para usufruto dos camponeses. O acesso à saúde e à educação foi garantido e, com isso, a partir da década de 1960 houve grande melhoria nas condições de vida da população. 
Nessa época, o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos não impactava tanto Cuba, porque a União Soviética fornecia ajuda econômica e petróleo barato ao país. Porém, com o fim da superpotência socialista, em 1991, a economia cubana entrou em colapso, devido ao baixo dinamismo da econo mia planificada e à dependência da atividade açucareira.
O IDH de Cuba se mantém elevado porque o país tem boas condições de saúde e educação: de acordo com o Banco Mundial, em 2015, 100% dos adul tos eram alfabetizados e, como vimos, segundo o relatório do Pnud, a expec tativa de vida era de quase 80 anos. Porém, há carência de bens de consumo, como alimentos e material de limpeza, e a renda da população é muito baixa, o que torna a capacidade de compra limitada. 
A estagnação da renda per capita foi a responsável pela redução do IDH de Cuba a partir de 2010 e pela perda de posições no ranking do Pnud (entre 2010 e 2015, o país perdeu 12 posições). No início daquela década o país centro-a mericano chegou a apresentar o IDH mais alto da região e a fazer parte do grupo de paí ses com IDH muito elevado. Compare no gráfico abaixo a evolução do IDH de Cuba com Barbados, o país que em 2015 apresentava o mais eleva do IDH da América Central, e com Trinidad e Tobago. Embora a escolaridade média e a expectativa de vida dos cubanos sejam mais elevadas, a renda per capita é metade da de Barbados e cerca de um quarto da de Trinidad e Tobago. 
Portanto, apenas o crescimento  econômico não é suficiente para a melhoria das condições de vida de uma população, a riqueza precisa ser distribuída. Porém, sem o crescimento econômico não é possível elevar o padrão de vida de uma população, pois a riqueza precisa ser produzida. Apesar do fim da Guerra Fria e da reaproximação diplomática entre Es tados Unidos e Cuba no final do governo Barack Obama (2009-2017), o embargo econômico não foi suspenso e as condições econômicas de Cuba continuam difíceis.


América Central: Aspectos físicos e socioambientais

A colonização europeia iniciou-se pela América Central, no século XVI, e foi caracterizada pela exploração de produtos agrícolas e minerais, e emprego de mão de obra escrava indígena e africana. Esse processo de colonização, como veremos, deixou marcas que perduram até hoje. Além disso, veremos que a América Central se destaca por suas condições naturais, que propiciam o desenvolvimento de algumas atividades econômicas.
A América Central é formada por uma parte continental e uma parte insular, composta de um grupo de ilhas localizadas no mar do Caribe e no oceano Atlântico. Observe no mapa político da América Central os vinte países inde pendentes que a compõem. Destes, sete são continentais e treze são insulares. Há ainda treze territórios no mar do Caribe que pertencem a outros países, como Reino Unido, França, Países Baixos e Estados Unidos. Porto Rico, por exemplo, é um protetorado estadunidense com o status de Estado Livre Associado.
A localização do subcontinente e o predomínio do clima tropical tiveram papel importante na especialização econômica dos países da América Central. Desde o início da colonização europeia, a economia de grande parte da região baseia-se no cultivo de produtos tropicais.
Outra atividade econômica importante para a região é o turismo. O clima tropical e a enorme variedade de praias estimularam o desenvolvimento do turismo de sol e praia, sobretudo na região do Caribe. As paisagens naturais de florestas tropicais, montanhas e vulcões também impulsionaram o turismo ecológico e de aventura. Há ainda as ruínas de civilizações pré-colombianas que atraem turistas de diversos países.

Relevo e hidrografia


A América Central localiza-se em uma região de encontro de diversas placas tectônicas e isso explica a origem das cordilheiras que existem ali, principalmente no encontro da placa de Cocos com a placa do Caribe. Além das cadeias monta nhosas, a movimentação tectônica no subcontinente dá origem a vulcões ativos e inativos e à ocorrência de terremotos, como mostra o mapa de placas tectônicas.
A oeste da porção continental, o relevo é mais movimentado e íngreme. Note, no mapa físico abaixo, como as cores variam de verde a marrom em uma distância muito curta nessa porção do subcontinente. Já a leste, estendem-se as terras mais baixas das planícies litorâneas, onde é possível perceber faixas mais largas na coloração de verde a amarelo no mapa. Na parte insular, há várias ilhas de origem vulcânica.
Os maiores rios da América Central, como o rio Grande (Nicarágua) ou o rio Patuca (Honduras), nascem nas montanhas, atravessam as planícies e deságuam no mar do Caribe. Já os rios que correm das montanhas em direção ao oceano Pacífico são menos extensos, porque, como você já viu, a planície costeira a oeste é estreita. Destaca-se na América Central a presença de lagos, como o lago Nicarágua e o lago de Manágua (Nicarágua) e o Izabal (Guatemala).
No Panamá, na parte mais estreita do istmo, foi construído um canal ligan do o oceano Atlântico e o mar do Caribe ao oceano Pacífico (canal do Panamá). Desse modo, o percurso nas rotas de navegação oceânica foi bastante redu zido. A elevada pluviosidade da região e a enorme disponibilidade de água doce garantem o bom funcionamento do canal.

O canal do Panamá


A localização e a exten são do canal do Panamá, construído pelos Estados Unidos. O canal levou onze anos até ser concluído, de 1903 a 1914, o que indica a complexidade da obra, que envolveu a construção de uma barragem na desem bocadura do caudaloso rio Chagres e originou uma represa de 26 metros acima do nível do mar. Apenas em 2000 a administração do canal foi transferida pelos Estados Unidos ao Panamá.
Em 2016, foram concluídas as obras de ampliação do canal, com um novo conjunto de eclusas mais largas e mais profundas, ao lado do antigo, com o objetivo de comportar navios maiores.
A obra, feita por um consórcio liderado por uma construtora espanhola, custou 5,3 bilhões de dólares e demorou nove anos para ser concluída. O antigo canal comportava a passagem de navios com capacidade de transpor tar, no máximo, 6 mil contêineres; já o novo canal pode receber navios que transportam até 14 mil contêineres. Com isso, além de o Panamá triplicar as receitas com pedágio pela passagem dos gigantescos navios de hoje em dia, que não conseguiam passar no antigo canal, também foi possível reduzir o preço do frete nas viagens entre os oceanos Atlântico e Pacífico, beneficiando principalmente o comércio entre a Ásia e os Estados Unidos (costa leste). O antigo canal do Panamá era responsável pelo trânsito de aproximadamente 5% do comércio mundial; com o novo canal, essa participação deve subir para cerca de 8% das trocas internacionais.

Clima e vegetação.


Quase toda a América Central está situada na Zona intertropical do planeta. Como as únicas correntes marítimas que lá atuam são quentes, as tempe raturas são elevadas em grande parte do subcontinente, assim como as pre cipitações. Predominam os climas equatorial e tropical, este último com uma estação chuvosa abundante e outra com menores índices de chuva. Nas regiões montanhosas as temperaturas são mais ba ixas em razão do efeito da altitude, que também provoca variação na vegetação.
Em função dos climas quentes, neste subcontinente predominam as Florestas Tropicais, que, como as flo restas da América do Sul, sofrem com o desmatamento.

Furacões


No mar do Caribe e no golfo do México é frequente a ocorrência de tor mentas tropicais, ali chamadas de furacões (do espanhol huracan, que vem de hurakan, “deus do vento e da tempestade” para os maias). No oceano Índico e nas proximidades da Austrália essas tormentas são chamadas de ciclones tropicais e, no oceano Pacífico, de tufões. Esse fenômeno meteorológico começa como uma depressão tropical (ventos de até 50 km/h); à medida que ganha intensidade, transforma-se numa tempes tade tropical e, quando os ventos ultrapassam os 119 km/h, passa a ser chamada de furacão, que pode chegar até a categoria 5 na escala Saffir-Simpson.
Fenômenos naturais como os furacões não podem ser controlados pelos seres humanos e, geralmente, causam muita destruição. Porém, já faz algum tempo que se pode prevê-los com certa antecedência, por meio de imagens de satélite. Ainda assim, é muito difícil deslocar grandes grupos de pessoas, especialmente em países pequenos e pobres, como muitos do Caribe.
O ano de 2017 ficou marcado por uma das mais intensas temporadas de furacão no mar do Caribe. Foram 17 tempestades tropicais, das quais dez evoluíram para a categoria de furacão, provocando muita destruição nos países da região. Estima-se que os prejuízos superaram os 280 bilhões de dólares. Apesar de ser uma área do planeta onde as tempestades tropicais ocorrem com certa frequência, a maioria das construções não foi projetada para resistir a furacões.

América do Norte: economia

A América do Norte é composta de dois países desenvolvidos – os Estados Unidos e o Canadá – e um país emergente – o México. Os três são país...