A América Platina recebe essa denominação porque
parte dos territórios dos países da região – Argentina,
Paraguai e Uruguai – é banhada pelos rios que compõem
a bacia Platina.
A região recebeu esse nome por ser atravessada pelo Rio da Prata, o que facilitou a ocupação desse território no período colonial.
Além dos aspectos hidrográficos, os países platinos com
partilham um mesmo passado colonial. Argentina, Paraguai e
Uruguai, além de Bolívia e parte do Chile, estiveram, durante
o domínio espanhol, sob mesma administração, o Vice-Reino
do Rio da Prata.
Algumas características físicas da região, como o
predomínio do relevo plano, a extensa rede hidrográfica e a
presença de solos férteis, possibilitam aos países platinos
uma expressiva produção agrícola e a prática de pecuária.
A região apresenta três áreas que podem ser diferenciadas com base em suas características físicas:
• Chaco: abrange o norte da Argentina e parte do
Paraguai; caracteriza-se pelos terrenos planos,
pelo clima subtropical e pela presença de florestas;
destacam-se as culturas de algodão, erva-mate e a
prática da pecuária.
• Patagônia: abrange o sul da Argentina; caracteriza--se pelos terrenos planálticos, clima seco e vegeta
ção rasteira; destacam-se a prática da pecuária e a
exploração de petróleo e carvão mineral.
• Pampa: abrange o sul do estado do Rio Grande do
Sul, parte da Argentina e o Uruguai; o relevo plano
e a qualidade do solo possibilitam a prática agrícola; destaca-se, também, pela pecuária.
Fruto da colonização espanhola, a população da
região é predominantemente branca, com exceção do Paraguai, marcado pela presença indígena.
Economicamente, os países que compõem a América Platina apresentam uma diversidade maior que os
países andinos.
Os três países mantêm uma relação comercial muito próxima com o Brasil, graças ao Mercosul.
A economia dos países platinos é bastante dinâmica.
O setor agropecuário, por exemplo, tem grande des
taque na pauta de exportações, especialmente em
relação à pecuária de bovinos de qualidade, principalmente na Argentina e no Uruguai.
A atividade industrial é diversificada e os principais recursos naturais explorados são o petróleo e o gás natural na
Argentina e os rios volumosos para geração de hidreletricidade
no Paraguai, produzida nas usinas de Itaipu e Yacyretá.
No setor de serviços, a atividade turística se destaca
nos três países, e no Paraguai há uma grande área comercial
de produtos importados, em Ciudad del Este, na fronteira
com o Brasil (Foz do Iguaçu).
A Argentina
Na Argentina, cuja capital é Buenos
Aires, vivem aproximadamente 45 milhões
de pessoas. Cerca
de um terço da população argentina vive na
região metropolitana de sua capital e o restante em áreas do centro e do norte do país,
como nas cidades de Córdoba e Rosário.
Os principais recursos naturais do país são: chumbo, zinco, estanho, cobre, minério
de ferro, manganês, petróleo e gás natural.
O país apresenta solos férteis nas planícies
dos pampas, onde se desenvolve a agricul
tura. A Argentina produz energia elétrica
a partir de combustíveis fósseis, fontes
hidráulicas e outras fontes renováveis, além
da energia nuclear – é o país da América
Latina com a maior capacidade instalada
desse tipo de energia.
Apesar das sucessivas crises que vem enfrentando, a Argentina apresenta os melhores indicadores econômicos e sociais dos países platinos. O país pode ser dividido em três regiões geoeconômicas: o Pampa, que concentra as principais cidades e a atividade industrial do país, além de possuir elevada produção de grãos, em razão do clima temperado e do solo fértil; o Chaco e a Mesopotâmia argentina, áreas mais pobres, com produções de milho, soja, algodão e erva-mate, além da pecuária bovina; os Andes e a Patagônia, regiões menos populosas em razão do clima frio.
A Argentina é reconhecida internacionalmente por seu setor agropecuário. Boa parte da criação de bovinos abastece
o mercado interno, e cerca de 5% é exportada. Os principais destinos da carne produzida são
China, Israel, Estados Unidos, América Latina e Europa.
A atividade agropecuária está concentrada nos pampas, região de planícies cobertas de vegetação de Pradarias ou campos. Além das características naturais favoráveis, os pampas concentram
grande parte do mercado consumidor argentino e infraestruturas importantes para o escoamento da
produção, como os portos de Rosário, no Rio Paraná, e Buenos Aires, no Rio da Prata.
O modelo agropecuário argentino apresenta muitas semelhanças com o modelo brasileiro.
Ambos são pautados na produção para o mercado externo, com elevado grau de mecanização, uso
de sementes geneticamente trans
formadas e agrotóxicos e cultivos em
grandes propriedades monocultoras.
Na Argentina, o avanço da soja
e do milho sobre as áreas de pastagens tem feito com que os pecuaristas
adotem sistemas intensivos de criação
de animais, chamados feedlots (lotes
de alimentação).
Nesse modelo, que já abrange
mais de 80% do rebanho argentino,
milhares de animais são confinados
em áreas reduzidas para que possam
engordar rapidamente, alimentados
com soja transgênica. Além disso,
recebem medicamentos para evitar
doenças causadas pelo confinamento.
As características climáticas e o relevo predominantemente plano favorecem o desenvolvimen
to da agricultura, com destaque para o cultivo de
milho, algodão, soja e cana-de-açúcar.
A porção oeste apresenta elevadas altitudes
e climas rigorosos da cordilheira dos Andes. Há
baixa densidade demográfica, e as principais ati
vidades econômicas são a fruticultura irrigada e a
extração de petróleo.
No sul, na região chamada de Patagônia, há o
predomínio do clima frio com invernos rigorosos.
As características naturais fazem a região também ser pouco povoada. Além da pecuária bovina, desenvolve-se a criação de ovinos. Também
há importantes jazidas de petróleo e gás natural.
Sobre a população argentina, ressaltar que
grande parte tem origem espanhola por conta
da colonização, mas que há grande número de
descendentes de outros imigrantes, sobretudo
italianos. Vale destacar que há parcela significativa da população de origem ameríndia, decorrente da miscigenação dos povos europeus com os nativos que habitavam o atual
território argentino.
Grande parte
da população está concentrada
nos arredores de Buenos Aires,
sendo a densidade populacional
no interior mais baixa, sobretudo
na região sul e extremo sul do território, por conta das baixas temperaturas e solos impróprios para
a atividade agropecuária.
A exemplo do México e do Brasil, a
Argentina é um dos países mais industrializados da América Latina. Destacam-se as indústrias alimentícias, têxteis, mecâ
nicas, eletroeletrônicas, metalúrgicas e automobilísticas.
Em 2001, a Argentina decretou a moratória (suspensão do pagamento da
dívida externa) e passou a ser vista com desconfiança pelos investidores internacionais. Esse foi o período da mais grave crise econômica, social e política da
conturbada história do país.
Durante as últimas duas décadas, o único período
de maior estabilidade econômica do país foi entre 2002 e 2007, quando o PIB
cresceu em média 8,5% ao ano, resultado de políticas econômicas e do aproveitamento da capacidade industrial e de trabalho, que estavam ociosas na crise.
No entanto, após essa breve estabilidade, o país voltou a passar por períodos de
recessão. Em 2020, o PIB argentino foi de 389 bilhões de dólares.
Em 2014, o país decretou nova moratória, o que diminuiu as perspectivas
de avanços econômicos e sociais para os anos subsequentes. A partir de 2016,
com o governo do então presidente Maurício Macri, houve um crescimento econômico inicial (PIB de 2,9% em 2017), fruto da tentativa de controlar as contas
públicas e a inflação.
Porém, com a alta do dólar e dos juros nos Estados Unidos,
a queda da safra agrícola em torno de 30% e a falha na tentativa de conter
a inflação e os gastos públicos, o governo mergulhou em nova crise econô
mica e de confiança e se viu obrigado a recorrer, em agosto de 2018, ao Fundo
Monetário Internacional (FMI), algo que não acontecia desde 2003. Em 2021,
o governo argentino iniciou a negociação de um novo acordo com o FMI, com o
objetivo de refinanciar a dívida de 44 bilhões de dólares.
O Uruguai
O Uruguai possui aproximadamente 3,5 milhões de
habitantes, dos quais grande parte
se concentra no sul do país, sobretudo na capital, Montevidéu, que abriga 50% de toda a população do país. O relevo aplanado e a vegetação de Pradarias contribuíram para que a pecuária se tornasse uma atividade relevante para o país, que apresenta um dos melhores indicadores sociais do continente latino-americano.
Os principais recursos naturais do país são: solos aráveis,
recursos hídricos e pesca. Aproximadamente, 75% do território uruguaio é formado por terrenos baixos e planos, o que
favorece a criação de gado para a produção de carne.
O país
obtém energia elétrica por meio da queima de combustíveis fósseis, da atividade
hidrelétrica e, principalmente, de fontes renováveis, como a eólica e a solar. O país
não produz petróleo nem gás natural, sendo obrigado a importá-los.
A economia é baseada no setor agropecuário.
O país é um grande produtor
de cereais, como trigo, arroz e soja. Contudo, a maior força da economia uruguaia está relacionada à criação de gado bovino e ovino e à exportação de seus
subprodutos, como carne, couro e lã.
O país tem uma arrecadação significativa
com o turismo, com destaque para o balneário de Punta del Este. China, Brasil,
Estados Unidos e Argentina são os principais destinos da exportação uruguaia.
No começo da década de 1990, o país iniciou uma política de privatização
de empresas estatais, o que permitiu o aumento da arrecadação do governo
e a diminuição dos gastos públicos. Essa medida também atraiu empresas e
instituições financeiras internacionais, fazendo com que o país ganhasse fama
de “paraíso fiscal”.
Entre 2004 e 2008, o Uruguai passou por um momento de forte cresci
mento econômico, com médias anuais de 8%. Em 2009, a crise econômica
internacional fez com que o crescimento econômico do país fosse de apenas
2,9%. No entanto, os uruguaios conseguiram evitar a recessão e a economia
continuou crescendo por meio de investimentos privados e gastos públicos.
No
período entre 2012 e 2016, devido à desaceleração da economia global e de
seus parceiros do Mercosul (sobretudo Brasil e Argentina), a economia uruguaia
diminuiu sua velocidade de crescimento. Uma das marcas do país nos últimos
quinze anos é a combinação de abertura para o livre-comércio e fortes investimentos sociais.
O PIB do país em 2020 foi de aproximadamente 54 bilhões
de dólares. Em relação aos seus indicadores sociais, o Uruguai apresenta alta
expectativa de vida e índices satisfatórios de alfabetização, sendo classificado
como um ótimo país para se viver.
O Paraguai
Com cerca de 7 milhões de habitantes, o Paraguai, cuja capital é Assunção, tem a maioria de sua população vivendo na parte
leste do país. Na porção oeste (área do Chaco), embora corresponda a 60% do
território paraguaio, vivem apenas 2% dos habitantes do país.
Os principais recursos naturais do país são: madeira, minério de ferro, manganês, calcário e recursos hídricos. O país não possui reservas conhecidas de
petróleo nem de gás natural.
Como não apresenta saída para o mar, o Paraguai utiliza portos argentinos e brasileiros para escoar seus produtos. Desenvolve atividades extrativistas (madeira), agricultura (algodão, tabaco e soja) e pecuária bovina. O comércio nas áreas de fronteira é uma importante atividade econômica, com a venda de mercadorias baratas, as quais depois são revendidas nos países vizinhos, especialmente no Brasil.
A economia paraguaia é pouco diversificada e sua produção industrial é
modesta. O fraco desempenho da economia pode ser explicado, em primeiro
lugar, pela ausência de saída para o mar, o que dificulta a ampliação das relações comerciais do país.
A principal via de acesso para o Oceano Atlântico é o
Rio Paraguai, que se une ao Rio Paraná e às rodovias brasileiras. O Porto de
Paranaguá, no Paraná, é o local de entrada e saída da maioria dos produtos.
Além disso, a infraestrutura do país é pouco eficiente, o que resulta em
baixo volume de exportações e pouca arrecadação para o Estado, que possui
uma enorme dívida externa.
É um dos poucos países do mundo em que a agricultura arrecada mais que
a indústria. Os principais produtos de exportação são: soja, trigo, mandioca e
cana-de-açúcar.
O país é um grande exportador de energia elétrica, excedente da Usina
Binacional Itaipu, e o Brasil é seu maior comprador.
Na fronteira com o Brasil, mais preci
samente com Foz do Iguaçu, no estado do
Paraná, existe uma grande área comercial
localizada na Ciudad del Este.
Essa espécie
de zona franca atrai diariamente muitos brasileiros que cruzam a Ponte da Amizade, que
separa os dois países, em busca de produtos
importados. O Paraguai apresenta os piores
índices sociais entre os países platinos, porém,
nos últimos anos, vem apresentando crescimento da sua economia, ainda que em 2020
apresente uma balança comercial deficitária.
O PIB paraguaio foi de 35 bilhões de dólares.