sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Europa: dinâmicas naturais

O continente europeu


Embora ocupe uma área que corresponde a apenas 7% das terras emersas, caracterizando-se como uma das menores porções continentais do globo, a Europa apresenta grande diversidade natural e cultural.
O continente europeu é atravessado pelo meridiano de Greenwich (0°), dividindo-o entre os hemisférios ocidental e oriental. Seu extremo norte é cortado pelo círculo polar Ártico e sua porção sul está distante da linha do equador, situando, assim, todo o continente no hemisfério norte (ou setentrional). 
Destaca-se também o fato de que a Europa é integrada à Eurásia, uma grande massa continental formada pelos continentes europeu e asiático. 
Do ponto de vista físico-natural, o continente europeu poderia ser considerado uma península do continente asiático, pois não há separação clara entre a Europa e a Ásia. Por essa razão, essa grande porção de terra emersa é chamada de Eurásia.
Dessa maneira, embora tenha sido convencionado que os montes Urais, o rio Ural e o mar Cáspio demarcam a fronteira entre a Europa e a Ásia, a real separação entre esses continentes se dá principalmente por critérios políticos e culturais.
A divisão entre esses continentes, envolve fatores culturais e é uma questão ainda em disputa.

Aspectos gerais


A Europa tem cerca de 10,3 milhões de quilômetros quadrados de extensão e é dividida entre 50 países – incluindo a Rússia e a Turquia, países que têm parte do território na Europa e outra na Ásia. O seu território corresponde a apenas 7% das terras emersas, a Europa é uma das menores porções continentais do globo. O continente europeu estende-se do oceano Atlântico aos Montes Urais (que o separam da Ásia).
Diferentemente dos outros continentes, as terras da Europa não estão dis tribuídas de forma compacta. Seu extenso litoral, bastante recortado, contém um grande número de mares, golfos, penínsulas, fiordes e outras formações geomorfológicas. Isso facilita a construção de portos, favorecendo a utilização do transporte marítimo, mesmo entre regiões e países do próprio continente.
Dos mares que banham a Europa, os mais importantes são: Mediterrâneo, Negro, Adriático, do Norte, Báltico, da Noruega, Egeu e Cáspio.  
Ao norte do continente, em razão dos climas frios, parte dos oceanos Atlântico e Ártico congela-se durante o inverno, dificultando a navegação. A Rússia é um dos países mais afetados pelas baixíssimas temperaturas no inverno, pois as saídas por mar para o Atlântico ficam congeladas nessa estação. O acesso ao Atlântico é feito, então, pelo mar Mediterrâneo, passando pelo mar Negro e atra vessando os estreitos de Bósforo e Dardanelos e o mar de Mármara, os três controlados pela Turquia.

Entre as várias penínsulas, destacam-se: 

• Escandinava, onde se localizam a Noruega e a Suécia; 
• Jutlândia, onde se situa a Dinamarca; 
• Ibérica, constituída pela Espanha e por Portugal; 
• Itálica, onde se localiza a Itália; 
• Balcânica ou dos Bálcãs, constituída por Bulgária, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia, Montenegro, Macedônia, Turquia (parte europeia), Grécia e Albânia. Sobressaem também ilhas e arquipélagos: 
• no oceano Atlântico, o arquipélago Britânico, cujas maiores ilhas são a Grã-Bretanha e a Irlanda, o arquipélago dos Açores e a ilha da Islândia; 
• no mar Mediterrâneo, as ilhas Baleares e as da Sardenha, da Sicília, de Córsega e de Creta; 
• no mar Egeu, o arquipélago Grego.

Os aspectos físicos da Europa são também caracterizados por um litoral muito recortado, com diversas penínsulas e ilhas, principalmente na Europa meridional.

Regionalização do espaço europeu


Da mesma forma que a Europa e a Ásia são divididas de acordo com diferenças políticas e culturais, é possível regionalizar internamente o continente europeu com base nas características marcantes que distinguem a Europa ocidental da Europa oriental. 
Essa regionalização do continente europeu tornou-se comum, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial, para diferenciar os países com sistema econômico capitalista dos países que adotaram o socialismo ou que apresentassem desenvolvimento econômico considerado menor.

Europa: domínios naturais


Pode-se regionalizar a Europa utilizando como critério a variedade de paisagens naturais. Assim, o continente geralmente é dividido em quatro grandes regiões: Europa ocidental, Europa setentrional, Europa mediterrânea (ou meridional) e Europa centro-oriental.
Essa regionalização é uma evidência da grande diversidade de paisagens naturais presente no continente europeu. Essa variedade adquire maior relevância se consideramos que toda a Europa, com seus 50 países, tem uma área de aproximadamente 10,5 milhões de km2, ou seja, apenas 2 milhões de km2 maior que o Brasil.
Assim, o segundo menor continente (maior apenas que a Oceania) apresenta, em uma área relativamente pequena, paisagens naturais que vão de altas montanhas a extensas planícies, com grande diversidade de tipos climáticos e de formações vegetais.

Relevo


Para conhecer as paisagens naturais do continente europeu, inicialmente vamos identificar a localização de suas principais unidades de relevo, constituídas de planaltos, como os maciços de levo, formação antiga a oeste, de dobramentos modernos mais recentes, ao sul, e de extensas planícies, principalmente nas regiões central e leste.
O relevo europeu é formado por planaltos, cadeias de montanhas, planícies e depressões. Na Europa, no entanto, predominam baixas altitudes. Cerca de dois terços do relevo europeu é formado por planícies – altitude inferior a 200 metros –, característica que favorece o desenvolvimento de atividade agrícola mecanizada. 
As terras baixas constituem a maior parte das unidades de relevo do continente europeu, onde se localizam as planícies formadas pelos vales dos rios Reno, Sena, Tejo, Pó, Danúbio, Volga, Elba, entre outros. Essas planícies e seus vales são, em geral, densamente povoados. As maiores são a planície Sarmática (ou planície Russa), a planície Germano-Polonesa e a planície da Hungria.
Os planaltos são encontrados no norte e distribuídos pela parte central do continente. São formas de relevo bastante desgastadas pela erosão, caracterizadas por baixas altitudes e formas arredondadas ou planas (mesetas). 
Em contraste com a baixa altitude e as formas arredondadas dos maciços do norte, na porção centro-sul e leste do continente europeu estendem-se cadeias montanhosas de formação recente que abrigam grandes elevações. 
Na península da Escandinávia, no norte da Europa, estão os Alpes Escandinavos, que se estendem por uma faixa de cerca de 300 km de largura (no ponto mais largo), por cerca de 1 700 km de comprimento. O ponto mais elevado é o cume da montanha Galdhopiggen, que está a 2 472 m acima do nível médio do mar. 
O ponto mais elevado da Europa ocidental é o monte Branco, 4 807 m acima do nível médio do mar, localizado nos Alpes. Na parte oriental, é o monte Elbrus, com 5 633 m, localizado no Caúcaso. Nos Pireneus, o ponto mais elevado é o pico do Aneto, 3 404 m acima do nível médio do mar. 
Nas regiões com elevadas altitudes da Europa meridional, localizam-se os dobramentos modernos, geologicamente mais recentes, mais altos e instáveis. Destacam-se também as cadeias montanhosas dos Pirineus, entre França e Espanha; dos Cárpatos, em torno da planície da Hungria; e dos Bálcãs, entre os mares Adriático e Negro. Na Europa setentrional, predominam os planaltos formados por maciços cristalinos, com idades geológicas mais antigas e, portanto, mais desgastados.
Os Alpes estendem-se aproximadamente desde Nice (no sul da França) até Viena (no extremo leste da Áustria), formando um grande arco, que abrange principalmente o território da Suíça, o norte da Itália e a Áustria. Contam com 12 picos com mais de 4 mil metros de altitude, dos quais o monte Branco (4.807 metros) é o ponto culminante. Além dos Alpes, destacam-se na Europa outras cadeias montanhosas: 

• os Pirineus, na divisa entre França e Espanha; 
• os Apeninos, na península Itálica; 
• os Cárpatos, pequeno arco em torno da planície da Hungria; • os Bálcãs, na península Balcânica, entre o mar Adriático e o mar Negro; 
• o Cáucaso, entre o mar Negro e o mar Cáspio.

Cerca de dois terços do relevo europeu é formado por planícies que se localizam, principalmente, nas partes leste e central do continente. Tal fato favorece o desenvolvimento de atividade agrícola mecanizada. São planícies sedimentares cortadas por importantes rios navegáveis e se estendem do mar do Norte aos Montes Urais. 
As planícies mais extensas são a Russa (também chamada de Sarmática), a Germano-Polonesa (conhecida como planície do Norte da Europa) e a da Hungria. Existem outras menores, como a planície do Pó (ao norte da Itália), a bacia de Paris e a bacia de Londres. 
As depressões absolutas (trechos do relevo abaixo do nível do mar, com al titudes negativas) ocorrem junto ao mar Cáspio (entre a Europa e a Ásia) e nos Países Baixos, ao norte do baixo curso do rio Reno. Para impedir o avanço da água do mar sobre o país, os holandeses constroem diques, canais de drenagem e sis temas de bombeamento da água, formando os pôlderes, bastante aproveitados para a atividade agrícola.
O continente europeu abrange ainda algumas depressões absolutas (áreas abaixo do nível médio do mar) que ocorrem junto ao mar Cáspio (entre a Europa e a Ásia) e nos Países Baixos – onde a técnica dos pôlderes permite que áreas antes cobertas pelo mar fossem estruturadas para a prática agrícola.
Nas altitudes mais baixas ocorre o aproveitamento agrícola. Em países como França, Itália, Espanha e Portugal, por exemplo, são cultivadas uvas para a produção de vinhos. Espanha e Portugal também se destacam como produtores de azeitonas. 
Mais ao norte, nos Países Baixos, ocorre a criação intensiva de animais combinada à agricultura. Nas planícies Germano-Polonesa e Sarmática é mais frequente a produção de cereais, como ocorre na Alemanha e na Polônia.

Hidrografia 


No que se refere à hidrografia da Europa, um aspecto que se destaca é o extenso litoral do continente, bastante recortado, com abundância de golfos, penínsulas, fiordes e outras formações. Esse aspecto natural da Europa facilita a construção de portos e a utilização do transporte marítimo.

Os grandes rios da Europa 


Os rios europeus não se destacam pela grande extensão, mas por sua im portância como vias de transporte. A Europa apresenta cerca de 75 mil quilôme tros de vias fluviais, dos quais 43 500 quilômetros são constituídos por canais. Os dois principais centros dispersores de água da Europa são a cordilheira dos Alpes (norte da Itália, sul da França, Suíça, Áustria e sul da Alemanha) e o planal to de Valdai (Rússia). Os principais rios são o Danúbio, o Volga e o Reno. 
Com 3 701 quilômetros de comprimento, o rio Volga é o mais extenso do con tinente. Ele nasce no planalto de Valdai, corre pela planície Russa e desemboca no mar Cáspio. É navegável em quase todo o seu curso, mas suas águas ficam parcialmente congeladas durante parte do ano.
O rio Reno, que nasce nos Alpes e desemboca no oceano Atlântico, comunica-se com vários outros rios através de canais, conectando regiões industriais importantes do continente ao oceano (veja a foto desta página). Isso tornou o porto de Roterdã (Países Baixos), localizado em sua foz, um dos mais movimen tados do mundo. Entre outros rios de grande relevância na Europa, estão: Tejo, Douro, Minho e Ebro (Espanha e Portugal); Sena, Loire e Ródano (França); Pó, Tibre e Arno (Itália); Vístula e Oder (Polônia); Elba (República Tcheca e Alemanha); Don (Rússia); Dnieper (Rússia, Ucrânia e Belarus); e Tâmisa (Reino Unido).

Regiões lacustres 


Além dos rios, a Europa apresenta numerosas regiões lacustres. Na parte europeia da Rússia, destacam-se os lagos Ladoga (com 18 200 km2) – o maior da Europa – e Onega, ambos de origem tectônica (surgiram de desdobramentos ou falhas na estrutura geológica) e alimentados pelas águas provenientes do derretimento de grandes geleiras que cobriam parte do continente durante a última glaciação. Na península Escandinava, localizam-se o Vanern e o Vattern, considerados lagos residuais (restos de antigos mares). Na Finlândia, milhares de lagos de menor porte, formados por processos resultantes da escavação de geleiras, co brem aproximadamente 9% do território do país. 
Também existem diversos lagos abastecidos pelas águas de rios provenien tes da cordilheira dos Alpes ou do derretimento de geleiras que existem na re gião. Entre eles estão o lago Genebra, entre a Suíça e a França; o lago Cons tança, entre a Alemanha, a Áustria e a Suíça; e os lagos de Como e Garda, na Itália; entre outros que contam com excelente infraestrutura hoteleira, atraindo milhares de turistas. 

Conservação dos recursos hídricos 


A maior parte dos cursos dos rios da Europa encontra-se bastante modifica da pela ação humana. Em um levantamento que abrangeu 36 países, cientistas verificaram a existência de pelo menos 1,2 milhão de barragens e outras bar reiras artificiais que impactam o livre fluxo de água dos rios do continente e os ecossistemas locais. Outros fatores que representam desafios à conservação ambiental dos rios da Europa são a poluição, a perda de biodiversidade e o uso excessivo das águas fluviais para a irrigação. No entanto, foram realizados, desde a segunda metade do século XX, diversos avanços no sentido de criar áreas de conserva ção, regulamentar obras que impactam os ecossistemas fluviais, promover o uso sustentável das águas e a recuperação de rios poluídos, como ocorreu no Tâmisa, em Londres.

O clima e a vegetação 


O continente europeu, situado quase totalmente na Zona temperada do hemisfério norte, é caracteriza do pelo predomínio do clima Temperado. Além da posição geográfica, diversos outros fatores influenciam os climas do continente, com destaque para o relevo e a ação de correntes marinhas.
A disposição das formas do relevo influencia o deslocamento das massas de ar. A existência de monta nhas na porção sul da Europa dificulta a penetração da massa tropical saariana no interior do continente. Já na porção norte, penetram no continente europeu as massas de ar frio (Ártica oceânica e Ártica continental), que atingem as áreas de planície da porção central do continente, provocando baixas temperatu ras durante o inverno. O litoral recortado – que aproxima o mar de muitas áreas do continente – e a ação de correntes mari nhas (frias ou quentes) também influenciam o clima em áreas litorâneas. 
Destaca-se a influência da cor rente quente do Golfo, que provém da Zona intertropical e aquece as áreas litorâneas de vários países europeus, amenizando o rigor do inverno. Em áreas onde essa corrente tem menor influência, as temperaturas tendem a ser consideravelmente mais baixas no inverno. Em algumas áreas, parte dos oceanos Atlântico e Ártico congela-se durante o inverno, dificultando a navegação. A Rússia é um dos países mais afetados por esse problema e necessita utilizar o mar Negro, além do estreito de Bósforo, do mar de Mármara e do estreito de Dardanelos (controlados pela Turquia) para ter acesso ao mar Mediterrâneo e ao oceano Atlântico.

Tipos climáticos 


O clima Temperado europeu apresenta dois tipos. O clima Temperado Oceâ nico ocorre na parte ocidental do continente e recebe a influência da corrente do Golfo. Esse tipo climático é úmido e caracterizado por verões e invernos me nos rigorosos. Por causa da ação da maritimidade, a amplitude térmica é menor que no interior do continente; e as chuvas, abundantes, distribuem-se de forma regular pelos doze meses do ano, atingindo maiores volumes no inverno. Já o clima Temperado Continental ocorre no interior do continente e sofre influên cia da continentalidade. 
Os verões são quentes e os invernos mais rigorosos. Os tipos climáticos Temperado Oceânico e Continental estão associados a diferentes formações vegetais: Floresta Temperada (bastante devastada); Landa (composta de juncos, samambaias e árvores de menor porte); Turfeira (em solos muito úmidos); e Estepe (recobre as planícies e os baixos planaltos, onde é possível encontrar o solo tchernoziom). 
Nas proximidades do mar Mediterrâneo, o clima predominante é o Mediterrâneo. Graças à influência das massas de ar oriundas do deserto do Saara (África), esse tipo de clima proporciona verões quentes e secos, com chuvas concentradas no inverno. As coberturas vegetais associadas a esse tipo climáti co são o Maqui (vegetação densa e espessa de árvores e arbustos) e o Garrigue (arbustos e vegetação rasteira). Nas áreas de elevada altitude, como nos Alpes e no Cáucaso, há ocorrência do clima Frio de Montanha, associado à Vegetação de Altitude. 
O clima Polar ocorre no extremo norte do continente e é marcado por temperaturas extre mamente baixas. No mês mais quente, as temperaturas médias mensais são um pouco superiores a 0 °C. As condições climáticas adversas proporcionam apenas a ocorrência da vegetação de Tundra, composta, principalmente, de musgos e líquens. 
Em áreas próximas ao oceano Glacial Ártico e ao longo de grande parte da porção leste do continente europeu, predomina o clima Frio, com temperaturas próximas a 10 °C no verão e, no inverno, médias inferiores a 0 °C. O tipo de ve getação associado a esse tipo climático é a Floresta Boreal, também chamada de Taiga, caracterizada pelo predomínio de árvores coníferas, como o pinheiro e o abeto, intensamente aproveitadas para a obtenção de madeira e celulose. 


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