1. Produção agropecuária
Vamos conhecer como a agricultura se desenvolveu na Europa e entender sua importância para outras atividades econômicas.
Durante o feudalismo, a maioria da população da Europa vivia no campo. A atividade rural ocupava grande parte da mão de obra europeia. O camponês produzia os alimentos para o sustento local e o excedente da produção abastecia a população das cidades.
No século XVIII, com o cercamento das terras e a consequente migração de parcela significativa da população rural para as áreas urbanas, houve uma grande redução da mão de obra no campo, que passou a trabalhar nas indústrias em desenvolvimento. Assim, com menos pessoas trabalhando na produção de alimentos e com o aumento do consumo nas cidades, tornou-se importante incorporar novas técnicas que aumentassem a produtividade agrícola.
Na passagem do século XIX para o XX, o aperfeiçoamento das viagens transoceânicas, promovidas pela introdução da navegação a vapor, ampliou o intercâmbio entre a Europa e antigas terras coloniais. Nesse processo, insumos agrícolas, como fertilizantes trazidos do Chile e do Peru, por exemplo, deram mais um impulso à produtividade.
Parte do contingente de trabalhadores rurais europeus migrou para outras regiões do mundo, formando comunidades em países como Brasil, Argentina e Estados Unidos.
Agricultura europeia no pós-guerra
Os esforços para a reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial também envolveram medidas de apoio à agricultura, sobretudo entre os países da Europa ocidental. Políticas de subsídio agrícola foram implementadas para favorecer a mecanização da atividade rural e a aquisição de fertilizantes e defensivos agrícolas, entre outros insumos.
Os estímulos resultaram no aumento da produtividade. No entanto, alguns países europeus adotaram medidas protecionistas em relação aos produtos de outros países, reservando o mercado interno para atuação dos produtores locais.
Essa política, embora tenha surtido efeitos positivos no tocante à produtividade, ao garantir a segurança alimentar da população europeia, trouxe inúmeros impactos ambientais, como a degradação e a contaminação dos solos e cursos d’água.
As medidas protecionistas foram alvo de críticas da comunidade internacional, sobretudo no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), que defende a queda de barreiras ao comércio global.
Espacialização da produção
A atual espacialização da produção agrícola é voltada principalmente para áreas de produção de gêneros específicos. Essa forma de organização visa analisar as características físicas de cada região, como tipo de solo, relevo e condições climáticas, para elevar a produtividade.
Entretanto, esse modelo de produção desfavorece a existência de propriedades policultoras, uma vez que tem por finalidade propiciar a especialização da atividade agrícola. Dessa forma, os gêneros produzidos em uma região específica precisam percorrer longas distâncias para atingir consumidores ao redor do continente e de outras partes do mundo.
Panorama atual da agricultura na Europa
O setor agrícola responde por uma pequena parcela do PIB dos países europeus, sobretudo na União Europeia, onde a participação é inferior a 2%. Há países, no entanto, em que essa participação é um pouco mais significativa, como na Ucrânia, onde a agricultura responde por cerca de 9% do PIB, e na Armênia, em que o percentual fica pouco acima dos 10%, de acordo com dados de 2020 do Banco Mundial.
De modo geral, as propriedades agrícolas europeias têm pequenas dimensões: cerca de dois terços delas têm aproximadamente cinco hectares e são conduzidas de modo familiar.
Metade das propriedades agrícolas da União Europeia é especializada em um tipo de produção e um terço se dedica à criação de animais.
Entre os principais produtos, estão: trigo, milho, cevada, centeio e aveia. Além disso, o continente se destaca na produção de uvas e olivas, oriundas da costa mediterrânea.
A produção agrícola europeia é bastante diversificada e mecanizada, com
elevada produção. Entre os principais cultivos estão o trigo, o centeio, a cevada, a
batata, a uva e a beterraba.
Na França, a produção de vinhos deve ser destacada porque combina a
agricultura tradicional das uvas com a indústria de bebidas, setor importante
nas exportações do país. Nos países mediterrâneos, como Portugal, Espanha e
Grécia, além da produção de uvas, há o cultivo de oliveiras (azeitonas), das quais
é extraído o azeite.
Por tratar-se de uma produção modernizada, a agropecuária emprega
pouca mão de obra, porém
qualificada. A maior parte das unidades
produtoras é de pequenas propriedades
de estrutura familiar, com a produção
destinada aos mercados locais. Ainda
assim, a produção não é suficiente para
abastecer a população, e é necessário
importar produtos alimentícios.
Outra característica do mercado de
produtos agropecuários europeu é a
valorização de produtos orgânicos, isto
é, aqueles cultivados sem o uso de antibióticos, hormônios, agrotóxicos ou
fertilizantes químicos, e que não sejam
transgênicos.
Segurança alimentar
Os países europeus têm acentuado o controle sobre a qualidade dos alimentos consumidos por sua população. Há grande vigilância sobre a higiene dos alimentos e a saúde dos animais e plantas destinados ao consumo, além de controle do uso de substâncias, incluindo fertilizantes, defensivos agrícolas e aditivos usados no processamento de alimentos industrializados.
No âmbito da União Europeia, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA, sigla em inglês) mantém um conselho científico independente que monitora a qualidade e a segurança dos produtos alimentícios produzidos nesse continente e também sobre os importados.
2. Produção industrial e setor de comércio e serviços
A atividade industrial que surgiu no continente europeu foi amplamente responsável por parte de seu desenvolvimento econômico. A partir das Grandes Navegações europeias, o capitalismo
ampliou-se e tomou proporções mundiais. Graças à Revolução Industrial, iniciada
na Inglaterra, as indústrias e seus produtos se expandiram pelo mundo todo.
Os
europeus influenciaram diversos povos com sua cultura e sua ideologia.
Na Europa estão estabelecidas sedes
de grandes empresas multinacionais, algumas das mais importantes regiões industriais e alguns dos maiores Produtos
Internos Brutos (PIBs) do mundo.
Além disso, em 2017, a Europa foi a região
com maior exportação de serviços no mercado mundial. Essas características, porém, não ocorrem da mesma maneira em
todo o continente: o Leste Europeu, que
integrava o antigo bloco socialista, ainda
apresenta menor dinamismo econômico.
Atualmente, a Europa enfrenta a concorrência com os países de industrialização mais recente, como a China. Para fazer frente à possibilidade de perda de protagonismo no setor, a Europa busca promover inovações tecnológicas e implementar um novo padrão industrial.
Panorama atual da indústria europeia
O continente europeu é o berço da produção industrial, pois foi onde a Revolução Industrial teve início. Atualmente, no entanto, alguns países enfrentam um processo de desindustrialização, com participação decrescente da atividade secundária e aumento das taxas de desemprego no setor, ocasionado, em parte, pela concorrência gerada por países recentemente industrializados.
Países europeus tentam reverter essa tendência, considerando a capacidade da atividade industrial em articular-se a outras atividades econômicas, criando cadeias produtivas que geram empregos dentro e fora das indústrias.
Além disso, a indústria é um dos principais vetores de inovação tecnológica e, portanto, é fundamental para tornar a economia mais dinâmica.
Atualmente, as princi
pais áreas industriais da Europa estão localizadas na área central do continente,
sendo o Leste Europeu e a península Ibérica regiões com menor industrialização.
Alemanha, Itália, França, Suíça, Áustria,
Bélgica, Países Baixos e Reino Unido
concentram a maior produção industrial da Europa, constituindo o centro
dinâmico de sua economia.
Os países europeus mais industrializados concentram indústrias diversificadas: siderúrgica, naval, automobilística, aeronáutica, têxtil, química,
eletrônica, entre outras. Também abrigam sedes de grandes empresas de
prestação de serviços, como bancos e
seguradoras.
Para fazer frente ao crescimento industrial de países como China e Coreia do Sul, os países europeus, principalmente no âmbito da União Europeia, estão formulando estratégias para recuperar o protagonismo econômico no setor industrial.
Entre algumas das estratégias dos europeus, está o estímulo à pesquisa e à introdução de novas técnicas de automação e informatização de serviços, além de cortes de setores deficitários. O ponto central situa-se no financiamento de políticas para a ampliação da indústria de alta tecnologia, os chamados setores tecnológicos de largo espectro (KETs, na sigla em inglês).
A intenção é renovar o parque industrial europeu dentro dos parâmetros da Indústria 4.0, gerando novos empregos ligados à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias disruptivas.
Desafios contemporâneos
A transição para uma economia industrial baseada no conhecimento, isto é, fortemente ligada à inovação tecnológica, depende de investimentos públicos e privados que não são feitos igualmente nos países europeus.
Países com a economia mais robusta, como a Alemanha, apresentam maior capacidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento científico, ao contrário de outras economias europeias. Em paralelo, é essencial que os países europeus consigam capacitar a população para as mudanças que devem ocorrer no mercado de trabalho, ampliando a presença de trabalhadores com alto grau de capacitação.
Panorama da indústria em países europeus
A situação econômica pode variar significativamente entre os países europeus. No entanto, há economias que têm se destacado por se manterem na liderança econômica do continente, apesar das constantes crises enfrentadas pelo capitalismo global nas últimas décadas.
Alemanha
Com a maior economia do continente, seu parque industrial é diversificado e altamente tecnológico. Inovador e voltado para a exportação, o país é destaque nos setores de produção siderúrgica, metalúrgica, química, de máquinas, veículos, equipamentos eletrônicos, construção naval e tecnologia medicinal.
Um dos países mais industrializados do mundo, a Alemanha apresenta uma vantagem geográfica: situa-se no
centro da Europa, o que facilita o acesso terrestre aos de
mais países do continente.
Atualmente, a indústria
continua a ser um pilar na economia da Alemanha, apesar
de o setor de serviços ter ganhado importância nas últimas
décadas. O modelo econômico alemão se baseia, sobretudo, em produtos tecnológicos e em uma malha de pequenas e médias empresas que empregam grande parte dos trabalhadores do país.
Exporta equipamentos e produtos sofisticados, que dependem de muita pesquisa científica e tecnológica para seu desenvolvimento. Os principais setores
industriais estão estabelecidos principalmente no vale do Ruhr, na bacia hidro
gráfica do rio Reno, por causa da presença de reservas de carvão mineral e da
facilidade de escoamento da produção pelo rio até o porto de Roterdã, nos
Países Baixos.
Em Stuttgart e em Wolfsburg estão as sedes de grandes indústrias de auto
móveis. Da Alemanha, essas empresas comandam fábricas distribuídas pelo mun
do, em países como Brasil, China e México.
Em Leverkusen encontra-se uma das maiores empresas do setor químico, que
produz remédios e materiais químicos usados em processos industriais e mantém
fábricas em muitos países, incluindo o Brasil, com duas unidades em São Paulo (SP)
e uma em Belford Roxo (RJ).
Reino Unido
Sua economia está fortemente apoiada no setor financeiro, sobretudo no oferecimento de serviços bancários. Na indústria, destaca-se na produção de maquinários, equipamentos para automação, construção naval, aeronaves e produtos químicos.
Tanto a crise global de 2008 como a decisão de deixar a União Europeia, o Brexit (Britain exit), afetaram profundamente sua economia. Ambos os fatores acentuaram o processo de desaceleração econômica.
O setor industrial do Reino Unido, primeiro país do mundo a se industrializar, atualmente está decrescendo, em razão da concorrência internacional. Os altos salários britânicos
e sua legislação rigorosa afastam os investidores, o que contribui para a decadência de antigos centros industriais, como
Liverpool, Manchester e Sheffield.
As principais
indústrias atuais são: siderúrgica, química, automobilística,
aeronáutica, petroquímica e eletrônica. O tecnopolo de
Cambridge é um dos principais parques tecnológicos do país,
concentrando indústrias de informática e biotecnologia.
França
Além do turismo (a França é o país mais visitado do mundo), merece destaque a industrialização baseada na produção de máquinas, produtos químicos, automóveis, aeronaves e equipamentos eletrônicos.
O país tem enfrentado dificuldades econômicas, sobretudo para equilibrar os gastos públicos e combater as altas taxas de desemprego entre os jovens.
Muitas empresas do setor industrial e financeiro têm origem francesa e estão
presentes em vários países do mundo, inclusive no Brasil, atuando na produção de
automóveis e no setor de comércio varejista, entre outros.
Em Paris, capital daquele país, estão as sedes de empresas com atuação mundial e de importantes
universidades. No seu entorno concentra-se grande parte das indústrias do país.
Trata-se do principal polo da economia da França.
Outras cidades de destaque são Marselha e Lyon, nas quais se encontram
importantes universidades e centros de pesquisa, além de muitas indústrias. Toulouse, Montpellier, Rennes e Nantes possuem empresas de tecnologia de ponta,
como a aeroespacial.
Outro setor de destaque para a economia é o de cosméticos.
A França é o principal exportador mundial de perfumes.
Itália
Apresenta grandes desigualdades internas, com o norte do país mais rico e industrializado e o sul menos desenvolvido. Seu parque industrial se baseia na produção de bens de consumo, maquinários, produtos químicos, alimentos processados, veículos e vestuário.
A Itália tem uma dívida pública bastante expressiva, com crescimento econômico baixo e altas taxas de desemprego, principalmente entre os jovens.
No norte da Itália, na região do vale do rio Pó, está localizado o maior centro
industrial e também o centro financeiro do país. Devido a esse fator, há marcante
desigualdade econômica entre o norte e o sul do país.
Em Milão, Turim
e Gênova, concentram-se as principais regiões industriais, com a presença dos setores automobilístico, de eletrônicos, têxtil, químico, petroquímico e alimentício. Do
total de exportações, cerca de 85% são de produtos industrializados.
3. Comércio e serviços
Os países europeus mantêm relações comerciais entre si e com outros países. A União Europeia, com seus 27 países-membros, concentra boa parte desse fluxo de comércio, o que faz dela uma grande potência comercial.
As relações comerciais europeias baseiam-se no multilateralismo e na abertura comercial. Isso significa que os países se apoiam na ideia de que os vários parceiros comerciais da Europa devem manter práticas que facilitem a troca de mercadorias, sem se valer do protecionismo alfandegário, por exemplo.
O continente europeu é o destino de boa parte das matérias-primas produzidas em países do Sul.
O comércio também tem sido usado como parte de uma estratégia geopolítica, uma vez que os acordos comerciais são frequentemente atrelados a agendas políticas priorizadas por países europeus, como a defesa dos Direitos Humanos e compromissos com o desenvolvimento sustentável, sobretudo no que diz respeito às mudanças climáticas.
China, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Índia figuram entre os principais parceiros econômicos dos países europeus. Internamente, Rússia, Reino Unido, Suíça, Turquia e Noruega são os países com negociações mais significativas com o bloco formado pela União Europeia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário