sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Economia da Região Norte

Uma atividade de grande importância econômica para a Região Norte é o extrativismo. O extrativismo vegetal e o mineral são atividades desenvolvidas na região que são muito significativas tanto em nível nacional como internacional. 
Faz parte desse ramo, por exemplo, a extração de madeira, comercializada no Brasil e no exterior para a fabricação de móveis ou para ser utilizada em construções.
Mas no Norte do país também estão presentes atividades agropecuárias, fábricas de veículos e de equipamentos eletrônicos, exploração de madeira e de recursos minerais, que são realizadas muitas vezes sem os devidos cuidado
A exploração dos recursos regionais de maneira sustentável, no entanto, é um desafio. Isso porque grande parte das atividades econômicas desenvolvidas na região envolve a exploração da Floresta Amazônica que, muitas vezes, ocorre com base na destruição de extensas áreas de vegetação nativa.

O extrativismo da Região Norte


Em razão da grande variedade de recursos naturais existentes no Norte, há muito tempo a atividade extrativa vegetal e mineral é realizada nessa região. A atividade extrativista mineral é fundamental para a produção industrial na atualidade, porém, dependendo da forma como é realizada, pode gerar muitos impactos ambientais. Na Região Norte isso não é diferente.

Extrativismo vegetal


Até o século XIX, o extrativismo vegetal desenvolvido na Região Norte esteve relacionado, basicamente, à exploração das chamadas drogas do sertão, ou seja, produtos como o cacau, o urucum e o gengibre, muito apreciados, naquele período, pelo mercado consumidor europeu. Atualmente, o extrativismo vegetal nessa região envolve a exploração de vários produtos, como madeira bruta, látex, castanha-do-pará, açaí e buriti.
Considerado um dos produtos mais nutritivos da Floresta Amazônica, o açaí representa a base alimentar de milhares de pessoas na região. O Pará e o Amazonas são os dois estados brasileiros que se destacam na extração do açaí.
Na floresta Amazônica, a exploração de mogno e cedro, por exemplo, é regulada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), porém essa atividade acaba se tornando alvo de desmatamento ilegal pelo seu grande valor comercial. As áreas de maior exploração de madeira localizam-se próximas às rodovias, devido à facilidade de transporte.
Desde o final do século XIX até os dias de hoje, as seringueiras são muito exploradas para a extração do látex, material à destinado fabricação de borracha. 

As reservas extrativistas 


As reservas extrativistas, também conhecidas por Resex, são áreas de domínio público destinadas ao extrativismo sustentá vel de recursos naturais renováveis. Nelas os recursos são explorados de forma organizada e planejada, a fim de não comprometer o meio ambiente para as gerações futuras.
De maneira geral, as reservas extrativistas são utilizadas pelas populações tradicionais, cuja subsistência estrutura-se, principalmente, na prática do extrativismo. O objetivo dessas reservas é preservar tanto o meio ambiente quanto o modo de vida tradicional da população local. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), atualmente a Região Norte abriga aproximadamente 43 reservas extrativistas. 

Extrativismo mineral 


O extrativismo mineral é uma das atividades mais lucrativas da Região Norte. No subsolo da Região Norte, há importantes jazidas minerais. Entre as áreas de maior exploração destacam-se a serra dos Carajás e o vale do rio Tapajós, am bas localizadas no estado do Pará. Os estados do Amazonas, de Rondônia, de Roraima e do Amapá também apresentam significativas reservas minerais. 
A exploração mais intensa dos minerais nessa região ocorreu a partir da dé cada de 1960, quando tiveram início os projetos governamentais de ocupação dessa porção do território brasileiro. Entre os projetos promovidos pelo governo estava a criação de áreas de mineração. 
A atividade extrativa mineral atraiu brasileiros de várias regiões do país e também muitas empresas japonesas, alemãs e estadunidenses, todas interessadas na exploração dos recursos naturais.
Os principais minerais extraídos são ferro, bauxita, manganês, cassiterita, níquel, cobre e ouro. Esse tipo de extração ocorre principalmente na serra do Carajás, no Pará, responsável por grande parte da produção mineral do país. 
A serra dos Carajás, localizada no sudoeste do estado do Pará, abriga grandes jazidas de manganês, metal utilizado na fabricação de aço. Seu escoamento ocorre por meio da Estrada de Ferro do Carajás, que chega até o Porto do Itaqui, na cidade de São Luís, capital do Maranhão.

O garimpo 


O garimpo consiste em uma prática artesanal, baseada em técnicas rudimen tares de extração de minérios como ouro, diamante, esmeralda e cassiterita. A garimpagem gera uma série de problemas ambientais. Entre eles, podemos citar: 
• o desmatamento do terreno para a instalação do garimpo e remoção do solo. Além da retirada da vegetação, muitos materiais extraídos dessas áreas são despejados nos rios, causando seu assoreamento e colocando em risco o equilíbrio da vida existente em seu interior; 
• a poluição do solo e da água dos rios pelo óleo diesel utilizado como combustível nos maquinários do garimpo; 
• a contaminação da água dos rios e dos peixes pelo mercúrio usado na garim pagem do ouro. Nesses garimpos, o mercúrio é usado para auxiliar a separação entre a argila e o metal precioso.

Agropecuária da Região Norte 


A agropecuária da Região Norte é marcada, principalmente, pela expansão da fronteira agrícola. A agricultura, de caráter tradicional, desenvolve principalmente lavouras de gêneros alimentícios, como arroz, feijão e mandioca. Esses produtos são comercializados e, geralmente, atendem ao consumo interno da população.
A agropecuária vem aumentando significativamente sua participação na economia da região, em razão, principalmente, da expansão de lavouras monocultoras de soja e da pecuária extensiva. 
Os produtos de maior importân cia comercial da região são a juta e a malva, cujas fibras destinam-se à indústria têxtil, e a pimenta-do-reino, trazida para a região por imigrantes japoneses. 
Nas últimas décadas, as lavouras monocultoras de soja vêm ganhando destaque na Região Norte. Os estados que mais se destacam na produção deste grão são Rondônia e Tocantins. 
Grande parte dos agricultores que atualmente cultivam soja na Região Norte são migrantes vindos do Sul e do Sudeste do país. Segundo o IBGE, em 2010, cerca de 40% da população de Rondônia são migrantes de outros estados brasileiros.
A pecuária bovina desenvolvida na Região Norte ganhou força a partir da década de 1970, quando os projetos agropecuários promovidos pelo governo incentivaram a expansão dessa atividade na região. Pesquisas indicam que nos últimos quinze anos a pecuária bovina apresentou um significativo crescimento.
De modo geral, a pecuária também é praticada em grandes propriedades, de forma extensiva. Seus principais rebanhos são de gado bovino de corte, ou seja, criados para comercialização de carne. As criações de suínos e aves têm pequena participação na pecuária regional e destinam-se, principalmente, ao consumo interno da população. 
Essa atividade vem sendo responsabilizada pelas maiores áreas de desmatamento da região. Isso porque a expansão da pecuária de forma extensiva exige a ampliação de pastagens para alimentar o gado, as quais são obtidas à custa de áreas de floresta derrubada. 
Além dos bovinos, o rebanho de búfalos é bem expressivo na Região Norte, sendo atualmente o maior rebanho do país. Inseridos na região no início do século XIX, es ses animais ocupam principalmente as porções de terras alagáveis da ilha de Marajó.

A questão fundiária na Região Norte 


Até a década de 1960, grande parte das terras da Região Norte pertencia à União, ou seja, ao governo brasileiro. Muitas dessas terras eram ocupadas por populações que obtinham seu sustento da floresta, dos rios e de pequenas lavouras. Essa população era formada, em sua maioria, por povos indígenas e ribeirinhos, que ainda hoje habitam essa região. 
A concessão de terras da Região Norte a partir da década de 1960 pelo governo brasileiro, como parte dos projetos de povoamento, deu início a uma série de conflitos, pois não considerou a presença dos povos indígenas em seus respectivos territórios. Além disso, com a falta de demarcação, era comum a venda de um mesmo terreno para vários compradores. 
Quando todos os envolvidos reivindicaram apos se das terras que já estavam ocupadas havia séculos, iniciaram-se vários conflitos, que até hoje ocorrem, cada vez mais violentos e registrando muitas mortes. Há décadas, alguns grupos religiosos e organizações não governamentais (ONGs) atuam na região com o intuito de amenizar os conflitos relacionados à posse de terras.
Exploração econômica e conflitos pela terra Na Amazônia, assim como em outras regiões do país, as terras das populações indígenas sofrem grandes ameaças. Veja, a seguir, alguns exemplos de como isso tem ocorrido. 
• muitas das estradas que começaram a ser implantadas na região Amazônica a partir da década de 1970 foram traçadas em terras indígenas, levando doenças. O povo indígena Waimiri Atroari, no estado de Roraima, por exemplo, sofreu uma forte redução populacional após a construção da estrada que liga Manaus a Boa Vista;
• epidemias que vitimaram muitos desses povos;
• muitas terras indígenas, sobre tudo as que ainda não foram demarcadas pelo governo, con tinuam sendo invadidas pela ati vidade ilegal de madeireiros; 
• atraídos pela existência de ouro e outros metais preciosos, muitos garimpos clandestinos se formaram em terras indígenas, gerando violentos conflitos entre garimpeiros e indígenas;
• nas áreas de fronteira agr cola da Amazônia, extensas áreas de pastagens e lavouras monocultoras, sobretudo de soja e milho, têm avançado sobre terras indígenas.
Outras comunidades tradicionais que vivem na Amazônia, como populações ribeirinhas e comunidades extrativistas, como a dos seringueiros, por exemplo, também sofrem constantes ameaças. A construção de grandes hidrelétricas, por exemplo, inunda extensas áreas de florestas, desalojando populações ribeirinhas e comunidades de pescadores que vivem nas margens dos rios.

A atividade industrial da Região Norte


A atividade industrial da Região Norte, sobretudo de indústrias de transformação, como as de eletrodomésticos e equipamentos de comunicação, concentra-se no estado do Pará e, principalmente, no estado do Amazonas, em razão do grande polo industrial ali existente, denominado Zona Franca de Manaus (ZFM). Juntos, esses dois estados concentram aproximadamente 58% das atividades industriais da região.
A criação dessa área industrial foi incentivada por políticas do governo federal a partir do final da década de 1960 com a intenção de incentivar o desenvolvimento econômico e o maior povoamento dessa região.

Zona Franca de Manaus 


Em 1967, o governo criou a Zona Franca de Manaus, uma área de 10 mil km² delimitada para a instalação de indústrias, centros de comércio e projetos agropecuários. 
Esse projeto consistia em instalar no município de Manaus uma área voltada para a atividade industrial que promovesse o desenvolvimento econômico e social da região.  
O setor que mais cresceu foi o industrial, para o qual eram concedidos isenção de impostos de importação, redução de alíquotas de outros impostos e incentivos financeiros, como empréstimos com taxas de juros abaixo das praticadas pelo mercado. A palavra “franca” indica justamente a isenção de impostos.
Essas medidas atraíram muitas indústrias de outras regiões brasileiras e de outros países, gerando grande crescimento econômico, populacional e urbano na região de Manaus, onde destacam-se indústrias químicas, de produtos eletroeletrônicos, de motocicletas e de bicicletas, entre outras.
No início, o princípio básico da atividade industrial da Zona Franca foi a fabricação de produtos por meio da montagem, utilizando peças importadas. No entanto, atualmente algumas empresas da ZFM já fabricam parte das peças necessárias para a produção. Essas empresas montam os próprios produtos e depois os comercializam, tanto no mercado interno quanto no externo.
Um fator que contribuiu para a atração de indústrias à ZFM foram os incentivos fiscais fornecidos pelo governo federal. Esses incentivos consistiam basicamente na isenção de taxas alfandegárias às peças importadas que fossem necessárias à montagem dos produtos. 
Inicialmente esses incentivos fiscais durariam um período de trinta anos, porém uma emenda constitucional, em 2014, prorrogou o período de vigência dos incentivos até 2073. 
Após a instalação da ZFM na Região Norte, o município de Manaus apresentou um crescimento considerável em seu PIB, tendo hoje o sexto maior PIB nacional. 

As atividades econômicas e as ameaças ambientais na Floresta Amazônica 


A Amazônia está muito distante de sobreviver livre de ameaças que comprome tam seu futuro, assim como o dos povos que nela habitam. Considerada o maior reservatório de biodiversidade do mundo, suas riquezas naturais – existentes na mata e em seu subsolo – têm despertado muito interesse, não somente no Brasil, mas no mundo todo. 
Foi somente a partir do século XX, com os avanços das atividades econômicas na Região Norte, que a exploração das riquezas naturais passou a ameaçar o futuro da floresta em médio e em longo prazo.
A ocupação mais efetiva e a exploração realizada pelas atividades econômicas cada vez mais intensas na floresta Amazônica vêm resultando em uma rápida e progressiva devastação dessa formação. Entre as atividades econômicas predatórias e incompatíveis com sua preservação, destacam-se: 
• a agropecuária, que ocasiona a queimada de extensas áreas de floresta para a formação de lavouras ou de pastagens para a criação de gado bovino; 
• a ação predatória de muitas madeireiras, nacionais e estrangeiras, que praticam a exploração descontrolada da floresta, derrubando espécies já ameaçadas de extinção ou extraindo árvores sem valor comercial, as quais acabam sendo abandonadas no meio da floresta; 
• a atividade mineradora e a construção de grandes usinas hidrelétricas, que inundam vastas áreas da floresta para a formação de reservatórios.
De acordo com cálculos do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espa ciais (Inpe), cerca de 17% da floresta já foi devastada, o que corresponde a apro ximadamente 729 mil km². 
Além de toda essa devastação, a derrubada da floresta prossegue em ritmo acelerado. A cada ano, ainda de acordo com o PRODES, cerca de 10 mil km² da floresta são perdidos.

O arco do desmatamento 


A Amazônia atualmente está sujeita a uma série de ameaças ambientais. Essa destruição já chegou a boa parte do interior dos estados de Rondônia, Mato Grosso e Pará. Trata-se do chamado arco do desmatamento.
O arco do desmatamento avança em direção ao centro da Floresta Amazônica. A exploração dessas áreas ocorre, em geral, da seguinte maneira: 
• primeiramente, ocorre a derrubada das árvores para o comércio de madeira; 
• em seguida, as áreas são ocupadas pela atividade pecuária, que, por sua vez, explora o solo ao transformar os terrenos em pastos para o gado; 
• por fim, muitas áreas desocupadas pela pecuária são utilizadas para o plantio de lavouras monocultoras de soja.
Ainda que recentemente as imagens de satélites tenham significado um importante avanço no monitoramento ambiental da Amazônia, esse recurso ainda é insuficiente e tem uma série de dificuldades, relacionadas especialmente ao controle da retirada da madeira, considerada o início da degradação florestal. 
Além das atividades já mencionadas, o desmatamento na Amazônia é agravado por outras que, ainda que em menor proporção, também causam sérios prejuízos à natureza da Região Norte. Destacam-se a caça e a pesca predatórias, o narcotráfico com suas plantações proibidas, o tráfico de plantas e animais silvestres – denominado biopirataria – o garimpo e, principalmente, as grandes obras, como usinas hidrelétricas, hidrovias, gasodutos, grandes minerações industriais e novos eixos rodoviários.



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