quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Fluxos migratórios na América Latina

A América, desde o século XVI, tornou-se um continente de destino de imigrantes de várias partes do mundo. O “Novo Mundo”, como foi chamado, atraiu milhões de imigrantes que povoaram suas terras e que, juntamente com a popu lação nativa e mais as migrações forçadas de africanos, formaram suas populações, construíram seus espaços geográficos e suas economias.
Entretanto, por volta de 1970 e prolongando-se até os dias atuais, en quanto Estados Unidos e Canadá continuaram sendo países de destino de imigrantes, os países da América Latina se tornaram grande área geo gráfica de saída de emigrantes, principalmente para os Estados Unidos, países europeus e, sobretudo, países da própria região latino-americana.
Para se ter ideia, em 2020, segundo a Organização Internacional para Migrações (OIM), da ONU, dos 14,7 milhões de migrantes latino-americanos, cerca de 76% deles migraram para países da própria Amé rica Latina e os cerca de 24% restantes se dirigiram a outros países do mundo. Em relação à América do Sul, quase 74% de todos os movimentos migratórios foram realizados entre os países desse subcontinente, tendência que vem aumentando nos últimos anos.

Causas da inversão da migração latino-americana


A situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas na América Latina é a principal causa das migrações. Muitos latino-americanos deixam seus países de origem em busca de melhores condições de vida. Quando migram para outros países da América Latina, dizemos que se trata de migrações intrarregionais.
Devemos também considerar as migrações extrarregionais, ou seja, as que se dirigem aos Estados Unidos, ao Canadá ou a países de outros continentes. Quanto ao fato de o maior fluxo de migrantes latino-americanos se dirigir a países da própria região, podemos considerar como causas: o maior desenvolvimento regional; o sentimento anti-imigração ou a xenofobia existentes nos Estados Unidos e nos países europeus; e, principalmente, as leis de migração restritivas adotadas por esses países.

Os deslocamentos internos na América Latina


Além das migrações internas espontâneas que ocorrem dentro de um mesmo país – êxodo rural, migração de uma cidade ou região para outra etc. – e das migrações internacionais, existem os deslocamentos internos ou as migrações internas forçadas.
Na América Latina, o crescimento do narcotráfico e a consequente formação de organizações criminosas têm espalhado a violência tanto no campo como nas cidades. Os casos mais graves são encontrados no México, em países da América Central, na Colômbia e no Brasil, entre ou tros. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, gangues do narcotráfico se enfrentam pelo domínio de territórios para a venda de drogas ilícitas e, nesse confronto, policiais e civis inocentes morrem.
Na Colômbia, a ação de grupos guerrilheiros também espalhou a violência e provocou migrações forçadas ou deslocamentos internos.
Assim como ocorreu no Brasil e em outros países, os megaprojetos agroindustriais na Colômbia causaram grandes deslocamentos internos. Esses projetos, além de alterar profundamente a paisagem, desestrutura ram a produção tradicional de alimentos das comunidades, provocaram im pactos ambientais e aumentaram a concentração da terra. Segundo a OIM, cerca de 8,3 milhões de colombianos realizaram deslocamentos internos nos últimos 35 anos – número superior aos deslocamentos internos ocorri dos na Síria (6,8 milhões) entre 2011 e 2021, causados por uma guerra civil.
Além dessas causas das migrações forçadas, há que se considerar: os desastres naturais – inundações, secas, deslizamentos de terras, terre motos etc. –; a construção de barragens para hidrelétricas e para abri gar rejeitos de mineração; e a implantação de megaprojetos minerais. No Brasil, por exemplo, entre os anos de 2000 e 2017, cerca de 7,7 mi lhões de pessoas foram forçadas a se deslocar internamente por essas causas (observe o gráfico), além da violência decorrente da disputa pela posse de terra.
Outro exemplo de migração forçada se refere à construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu, próxima à cidade de Altamira, no estado do Pará, que deslocou cerca de 40 mil pessoas, principalmente a população ribeirinha, na qual se incluem os indígenas.
Outro caso desastroso no Brasil, relacionado à implantação de proje to mineral, foi o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração (minério de ferro) no subdistrito de Bento Rodrigues, no município de Ma riana, estado de Minas Gerais, em 2015. Com esse rompimento, a lama com rejeitos atingiu o vale do Rio Doce e de outros rios dessa bacia hidro gráfica, causando o maior desastre ambiental do Brasil e um dos maiores do mundo. Esse subdistrito foi destruído e, além das mortes, 1361 pes soas foram forçadas a se deslocar ou a realizar migração forçada.

As migrações na América Latina


O México é usado por migrantes da América Central, da América do Sul, da África e da Ásia para entrarem de forma ilegal nos Estados Unidos. O fluxo de pessoas que atra vessam o território mexicano tem aumentado nos últimos anos, mostrando, assim, o descontentamento delas em relação aos seus países de origem ou as dificuldades pe las quais passam neles, como falta de emprego, precárias condições de existência etc.
Mas o desejo desses migrantes de viver nos Estados Unidos é dificultado por barrei ras existentes em sua fronteira com o México, que impedem ou dificultam a entrada de migrantes ilegais. Desde o início dos anos de 1990, nos 3142 km de fronteira entre esses dois países, os Estados Unidos construíram um muro de 1130 km de extensão (embora descontínuo) em locais onde o fluxo de migrantes ilegais é mais intenso (observe o mapa e a foto). Ao longo dele, existe monitoramento militar estadunidense. E nos locais onde o muro não foi construído, há patrulhas de fronteira, câmeras de segurança e alarmes.
Com exceção dessas migrações que se dirigem ao México com a in tenção de entrar nos Estados Unidos, os principais países de destino das migrações, no contexto regional, são: Chile, Brasil e Argentina. A maior parte desses migrantes tem como país de origem a Bolívia, o Peru, o Pa raguai, a Venezuela, a Colômbia e o Haiti. Mas, em contrapartida, cabe destacar que o Paraguai recebeu cerca de 240 mil brasileiros que migra ram para esse país, atraídos pelas facilidades de aquisição de terras – nú mero somente inferior ao de brasileiros nos Estados Unidos, calculado em mais de 1,7 milhão, em 2020. 
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o total de brasileiros que vivia no exterior, em 2020, era superior a 4,2 milhões. Para efeito de comparação, isso corresponde a uma população seme lhante numericamente à do Panamá, que possuía cerca de 4,3 milhões de habitantes, em 2020.

América Central: rotas migratórias


 A América Central é uma região de passagem obrigatória para os migrantes que se dirigem dos países latino-americanos para os Estados Unidos. Cada um dos sete países que formam a região (Belize, Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá) possui suas dinâmicas e problemas socioeconômicos, alguns sendo países de passagem de migrantes e outros sendo emissores ou receptores deles. 
A origem e o destino de alguns fluxos migratórios na América Central, com as rotas usadas por latino-americanos (como também por migrantes asiáticos e africanos) para chegar aos Estados Unidos. Nesses deslocamentos há zonas de perigo, como entre a Colômbia e o Panamá, risco de afogamento na travessia pelo Rio Amazonas ou pelo Golfo de Urabá, pica das de insetos e de cobras, fome e desidratação na selva de Darién; e, nos países da América Central e no México, assaltos e sequestros por grupos do crime organizado. 
A extensa rota de migrações na América Central se inicia na Região de Darién, um imenso obstáculo natural inóspito e perigoso entre a Colômbia e o Panamá, formado por uma floresta densa e que interrompe a Rodovia Panamericana, que liga a maioria dos países da América. 
Mesmo que muitos migrantes cheguem de avião a grandes cidades da América Central, outros tentam atravessar a Região de Darién pelos pequenos portos marítimos, como o de Necoclí, na costa caribenha da Colômbia. Uma vez supera da a passagem pela floresta densa dessa região, os migrantes iniciam uma extensa rota migratória rumo ao México, para depois prosseguirem aos Estados Unidos.
Os migrantes atravessam o principal polo emigratório da América Central, conhecido como Triângulo Norte, formado por Guatemala, Honduras e El Salvador, os três países mais pobres e instáveis politi camente nessa região. 
O Triângulo Norte abrange terras de altitudes elevadas e áridas, muito desmatadas e com as maiores densidades demográficas, es tando sujeitas a tempestades tropicais e catástrofes naturais perió dicas (inundações, deslizamentos de terras, secas prolongadas etc.), que contribuem para a ocorrência de migrações causadas por even tos naturais com capacidade de causar danos graves.
Além disso, pessoas emigram dessa região em razão dos “cin turões de pobreza” em suas grandes cidades, principalmente Gua temala, San Salvador, Tegucigalpa e San Pedro Sula. São nessas cidades que prosperam os chamados maras e pandillas, gangues de rua geralmente formadas por jovens e que contribuem para a esca lada de corrupção e violência que levam muitas pessoas a emigra rem dessa região. 
No entanto, nem todos os emigrantes da América Central se dirigem para fora dessa região. Alguns emigram para o Belize, a Costa Rica e o Panamá, cujos territórios são considerados áreas de estabilidade regionais, pois nos últimos anos vêm apresentando grande desenvolvimento.

Políticas migratórias na América Latina 


Vamos entender aqui por política migra tória um conjunto de normas ou regras esta belecidas em leis, relativas aos imigrantes e emigrantes, pelos governos dos países. De modo geral, as políticas migratórias dos governos dos países latino-americanos tinham por base, até recentemente, suas Doutrinas de Segurança Nacional.
Entre os anos de 1950 e 1970, foram implantados regimes ditato riais repressivos às livres manifestações de suas sociedades: censuras aos meios de comunicação (jornais, revistas, TVs, rádios etc.); proibição de greves de trabalhadores e estudantes; controle de partidos políticos, pessoas, escolas, universidades, professores; restrição à imigração; além de outras medidas, com a justificativa de que eram necessárias para a segurança na cional. No Paraguai e na Guatemala, os governos militares se instalaram em 1954; no Brasil, em 1964; no Peru, em 1968; na Bolívia, em 1972; no Uruguai e no Chile, em 1973; e na Argentina, em 1976 (foto A). 
Após a redemocratização desses países – no Brasil, isso ocorreu a partir de 1985 –, várias leis desse período, pouco a pouco, foram substituídas, entre elas as que se referiam aos imigrantes e emigrantes como questão de segurança nacional.
A Lei de Imigração do Brasil – o Estatuto do Estrangeiro –, vigente até 2017, considerava o imigrante um estranho e uma provável ameaça à segurança nacional e, além disso, pessoa de menor importância em relação aos brasileiros. 
Há anos, o Brasil pretendia fazer a reforma de sua legislação sobre migração. E isso foi conseguido em 2017, com a Nova Lei de Migração, que considerou o deslocamento populacional sob a óptica dos direitos humanos, ou seja, um direito humano, abandonando a ultrapassada concepção de migração como uma questão de segurança nacional. Foi, assim, um grande avanço. Em outros países latino-america nos essa concepção também está sendo ultrapassada.


A COLONIZAÇÃO NA AMÉRICA E AS DISPUTAS TERRITORIAIS

No século XV, a Europa viveu um período de transição entre o feudalismo e o capitalismo comercial. Portugal e Espanha tornaram-se as primeiras nações europeias a navegar pelo oceano Atlântico. Elas se lançaram ao mar em busca de novas rotas marítimas que as levassem ao Oriente e a outros lugares, a fim de explorar riquezas e expandir o comércio de seus produtos. Tal processo ficou conhecido como Grandes Navegações. 
Destacamos alguns dos principais objetivos das Grandes Navegações:

- a procura por novas rotas para o comércio das especiarias do Oriente, como pimenta-do-reino, noz-moscada, cravo, canela e gengibre, visto que as rotas terrestres estavam bloqueadas pela ocupação muçulmana da cidade de Constantinopla (atual Istambul, na Turquia);

- a busca por metais preciosos, como ouro e prata, com os quais os monarcas pretendiam cunhar moedas.

Com a expansão comercial, foram desco bertas novas terras e novos povos, dando início, então, a um processo de colonização e dominação do mundo pelas nações europeias. As consequências disso foram inúmeros conflitos territoriais entre os colonizadores e os povos que habitavam a região. Os continentes afri cano e americano vivenciaram intensa atividade colonizadora e exploradora nesse período. Portugueses e espanhóis – assim como britânicos e franceses nos séculos XVIII e XIX –, ao encontrarem novos territórios, os quais ofere ciam os recursos que buscavam, deparavam-se com civilizações que já dominavam essas regiões e lutavam para mantê-las e continuar vivendo ali.

A COLONIZAÇÃO NA AMÉRICA 


No capitalismo comercial, o papel das novas colônias era fornecer mercadorias a serem comer cializadas por suas respectivas nações europeias em suas metrópoles, como Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França. Para fazer a distribuição delas, foram criados entrepostos comerciais em todo o mundo, em um sistema que inaugurou uma organização econômica mundial. Esses entrepostos foram denominados de feitorias. 
O avanço das conquistas europeias no continente americano, tanto na América do Norte quanto na América do Sul, teve como fatores principais um movimento político estimulado e financiado pelas coroas europeias e a propagação da fé cristã. Os primeiros a conseguir foram os espanhóis, representados por Cristóvão Colombo (1451-1506), que chegou ao Caribe em 1492.
Já os portugueses tinham experiências bem-sucedidas nas costas leste e oeste da África (Moçambique e Angola). O sistema colonial já estava consolidado com base no domínio desses territórios e dos portos costeiros, que estabeleciam relações entre as colônias africanas. 
Um traço muito característico da colonização da América foi o trabalho escravizado. Em um primeiro momento, os indígenas foram submetidos a trabalhos forçados; depois, os africanos, que tiveram seus conhecimentos técnicos e sua força de trabalho explorados em grandes plantações e na extração de minérios.

Os interesses econômicos na colonização da América 

O interesse dos europeus no continente americano era, a princípio, a exploração dos recursos naturais, principalmente ouro e prata. No entanto, acabaram descobrindo novas áreas de cultivo para culturas, como a de cana-de-açúcar, e novos produtos, como o tabaco, além de áreas para a pecuária.
O processo de conquista na América se deu em um violento embate entre potências econômicas e bélicas da Europa e os povos que aqui viviam, os quais lutavam para manter os seus territórios. As disputas territoriais eram constantes; os embates entre as comunidades indígenas e os colonizadores, além das epidemias trazidas pelos portugueses, resultaram na morte de milhares de indígenas que ocupavam aquela região.

A colonização da América inglesa 


Muitos ingleses imigraram para a América do Norte, criando colônias ao longo da costa leste entre o final do século XVI e o início do século XVII. O projeto de ocupação dos ingleses iniciou-se com a atividade de caçadores e mercenários pertencentes à Companhia Virgínia de Londres (1606) – que fundou Chesapeake e as colônias do Sul – e à Companhia de Plymouth (1609) – origem da Nova Inglaterra.
À medida que os britânicos prosperavam e expandiam seus territórios nas planícies costeiras, fundando portos e negociando peles e carnes, mais ingleses chegavam ao novo continente com suas famílias, incentivados pela chance de prosperidade na nova terra. 
As colonizações do Norte (Nova Inglaterra) e do Sul não ocorreram da mesma forma. Na primeira, usavam mão de obra livre, e a propriedade das terras pertencia aos colonos. Na segunda, a economia era baseada no plantio de tabaco e no trabalho escravizado, mais semelhante à lógica colonizadora da América Latina. 
Como resultado, na América Anglo-Saxônica, estabeleceu-se o comércio triangular, que envolvia a colônia americana, a metrópole europeia e a costa africana. A colônia era responsável pelo envio de matéria-prima, como açúcar, arroz, tabaco etc. A metrópole britânica enviava produtos manufaturados e trocava produtos por mão de obra escravizada vinda da costa africana. 
Entre os séculos XVII e XVIII, a população da Nova Inglaterra era constituída de camponeses expulsos da Europa, de protestantes condenados que fugiam e de renegados pela justiça. 
Os produtos obtidos com as atividades pesqueira e manufatureira, assim como os produtos de cultivo (por exemplo, alfafa, trigo e centeio), não despertavam o interesse da metrópole, pois também eram produzidos na Inglaterra. Assim, a falta de produtos tropicais lucrativos para os comerciantes ingleses propiciou uma relativa autonomia econômica dessas colônias e a gênese de uma estrutura social estadunidense.

O COLONIALISMO ESPANHOL NA AMÉRICA 


Os territórios que foram alvo da colonização espanhola iam do oeste dos Estados Unidos até os países da América Central e até a costa oeste do continente sul-americano. Inicialmente, os espanhóis organizaram um sistema de saque; depois, passaram a explorar as jazidas minerais na América Andina e no México. Para isso, desestruturaram politicamente socie dades pré-colombianas, como os impérios Inca e Asteca, e escravizaram a população, usando-a como mão de obra na mineração, formando uma rede de circulação de mercadorias para a Coroa espanhola. 
Todas as riquezas exploradas pela Coroa espanhola eram levadas diretamente à Espanha, diferente mente da América Anglo-Saxônica – cuja produção ia para os portos africanos para compra de escravizados. Essa rota é conhecida como porto único. Para escoar a produção dos territórios localizados mais no interior do continente, os colonizadores utilizavam os rios e demais cursos-d’água. 
Usando o trabalho escravizado dos indígenas, eles formaram uma rede de circulação de mercadorias monopolizada pela Coroa, o que garantia à Espanha direitos exclusivos sobre a América espanhola. Essa rede de circulação contava com o curso natural de rios e com os sistemas de portos únicos – a Espanha era o único destino das riquezas embarcadas.
O monopólio da Coroa inibia o desenvolvimento de outras ativi dades na colônia, impossibilitando a formação e o crescimento de uma economia própria que reunisse todos os vice-reinos espanhóis da América. 
Assim como no processo de colonização por parte da Coroa portuguesa, os povos tradicionais que habitavam o México, as ilhas centrais e os Andes foram dizimados por causa dos intensos conflitos com os colonizadores e pelas doenças trazidas nos navios, as quais resultavam em epi demias. Os territórios asteca e inca foram tomados pelos colonizadores e a população originária já não existe mais.

O COLONIALISMO PORTUGUÊS NA AMÉRICA 


Uma das estratégias de Portugal para ocupar as terras sob seu domínio foi a transferência de grandes pro priedades, chamadas de capitanias hereditárias, a pessoas que se comprometiam a ocupar, explorar e administrar o território. Assim, os portugueses garantiam a ocupação das terras, ao mesmo tempo que as protegiam das invasões de outros povos europeus e de piratas. Os custos dos empreendimentos coloniais foram, desse modo, transferidos para particulares.
A divisão das terras em capita nias hereditárias configurou uma forma de organização territorial do período colonial. Para estimular a ocupação do território, a Coroa portuguesa autorizou os donatários a doar grandes extensões de terras (chamadas de sesmarias) para quem quisesse cultivá-las.
Inicialmente, a ocupação das terras se concentrou no litoral, onde exploravam ouro, pau-brasil e tabaco. Com as ameaças de invasão do território pelo domínio espanhol, a Coroa portuguesa iniciou o processo de interiorização. Nesse período, missio nários jesuítas e bandeirantes eram enviados para as expedições rumo ao interior do território. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

América: clima e vegetação

Vários fatores podem influenciar as características do clima de uma região. No continente americano, tanto a latitude e a altitude quanto o relevo e as correntes marítimas são os fatores que mais exercem influência nos diversos tipos climáticos e, consequentemente, nas variadas formações vegetais.

O clima e as formações vegetais

Por causa de sua grande extensão no sentido norte-sul, o continente americano abrange diferentes latitudes, posição geográfica que favorece a existência de variados tipos climáticos. Nas baixas latitudes, próximas à linha do Equador, ocorre maior inci dência da radiação solar e, por isso, há predomínio de climas mais quentes e úmidos, como os climas equatorial e tropical. Nessas áreas também é comum a ocorrência de furacões.

Clima equatorial

Nas áreas de clima equatorial, as temperaturas permanecem elevadas durante o ano todo, ficando, em ge ral, acima de 25 °C. As precipitações, também abundantes ao longo do ano, atingem totais pluviométricos de apro ximadamente 3 mil milímetros (mm). Nessas áreas de clima equatorial des taca-se, sobretudo na América do Sul, a floresta Equatorial. Por ser muito densa e ampla, essa formação vegetal influencia o elevado regime de pluvio sidade da região.

Clima tropical

As regiões de clima tropical, localizadas principalmente na América do Sul, apresen tam temperaturas médias elevadas durante o ano todo, normalmente acima de 22 °C; no entanto, apresentam variados níveis de precipitações ao longo do ano, com uma estação chuvosa e outra seca. De modo geral, as precipitações anuais costumam atingir aproximadamente 1400 mm.
Nessas áreas ocorrem diversas formações vegetais, entre elas a savana, que no Brasil é denomi nada Cerrado, vegetação forma da, principalmente, por pequenas árvores e arbustos com tronco e galhos retorcidos e casca grossa, além de vários tipos de plantas rasteiras que recobrem o solo.
Na América Central e na costa do Brasil, também encontramos florestas tropicais, que estão sob forte influência das massas de ar quentes e úmidas vindas do oceano Atlântico. As serras existentes nessas regiões barram a passagem dos ventos úmidos, que, ao se elevarem, resfriam-se e precipitam-se, dando origem às chamadas chuvas orográficas ou chuvas de relevo.

Climas temperado e subtropical

Nas médias latitudes, ou seja, nas regiões situadas entre os trópicos e os círculos polares, há predomínio dos climas temperado e subtropical. De modo geral, as áreas de clima temperado apresentam as quatro estações do ano bem definidas, com tem peraturas amenas no outono e na primavera, verões quentes e invernos frios, com frequente ocorrência de neve.
Na América do Norte, as áreas de clima temperado abrigam as pradarias, compostas basicamente de plantas herbáceas, arbustos e gramíneas, assim como florestas tempera das, que se destacam pela presença de plan tas que perdem as folhas durante o outono e o inverno, chamadas de caducifólias.
Nas áreas onde predomina o clima sub tropical, as temperaturas ao longo do ano normalmente são mais amenas se compa radas às do clima temperado, com chuvas durante a maior parte do ano.
Na América do Sul, nessas áreas onde predomina o clima subtropical, há presen ça de araucárias (pinheiros) nos estados da Região Sul do Brasil, e de pradarias na Argentina, no Uruguai e no estado do Rio Grande do Sul (área regionalmente denomi nada Pampas).

Climas frio e polar

Nas elevadas latitudes, onde há menor incidência de radiação solar, predominam climas com baixas temperaturas, como os climas polar e frio.
Nas áreas de clima polar, localizadas nos extremo norte do continente, os inver nos costumam apresentar temperaturas muito baixas, muitas vezes abaixo de -19 °C, e os verões são mais amenos, com temperaturas em torno de 10 °C. Nessas áreas nota-se a predominância da tundra, vegetação formada por musgos e liquens, que se desenvolvem nos curtos períodos de verão, após o derretimento da neve.
Também nas elevadas lati tudes estão localizadas as áreas de clima frio, em que as temperaturas médias no in verno são de aproximadamen te -3 °C, e no verão ficam em torno de 10 °C. Nas áreas lo calizadas em uma ampla faixa no Canadá e parte dos Esta dos Unidos, desenvolve-se a floresta de coníferas, também conhecida como floresta bo real ou taiga, que apresenta aspecto homogêneo com pre domínio de pinheiros.

Clima frio de montanha

Nas áreas montanhosas do oeste do continente, como nos Andes e nas Montanhas Rochosas, predomina o clima frio de mon tanha. De modo geral, a tempe ratura da atmosfera diminui, em média, 0,6 °C a cada 100 metros de altitude. Assim, nos terrenos com maiores altitudes, o cume das montanhas mais altas chega a ficar permanentemente cober to de neve e gelo.
De acordo com a altitude do relevo, a variação na temperatura do ar provoca mudanças significativas na vegetação. Em geral, nas áreas mais baixas desenvolvem--se florestas, e nas áreas mais altas ocorre uma vegetação mais rasteira, denominada vegetação de altitude.

Clima desértico e semiárido

O relevo pode influenciar o clima de determinada área ao dificultar ou facilitar a circulação das grandes massas de ar.
As elevadas cadeias montanhosas do oeste do continente americano determinam a existência de áreas de clima desértico e semiárido nessa região. As massas de ar quentes e úmidas vindas do oceano Pacífico são barradas pelas cadeias de monta nhas norte-americanas. Perdendo a umidade na forma de chuvas próximas ao litoral, as massas de ar chegam ao interior do continente com baixa umidade.
Isso explica a presença de áreas com formações vegetais desérticas e semiáridas, nas quais as plantas são adaptadas aos baixos níveis de pluviosidade ao longo do ano.
As áreas sob domínio de clima desértico apresentam grande amplitude térmica, diária e anual. As médias de temperatura podem variar bastante, entre 30 °C e 8 °C ao longo do ano. Já as médias térmicas diárias variam de 38 °C, durante o dia, passando para cerca de -4 °C, à noite, queda que ocorre rapidamente. As precipita ções não ultrapassam 250 mm ao ano.
As áreas de clima semiárido têm temperaturas com médias de 26 °C praticamente o ano todo, com totais de precipitação maiores do que nas regiões de clima desér tico (de 500 mm a 1000 mm de chuvas por ano).
Na Região Nordeste do Brasil, as características do relevo também influenciam bastante os baixos índices de precipitação. As altitudes mais elevadas ao longo da faixa litorânea funcionam como uma barreira aos ventos úmidos do litoral, o que determina a presença do clima semiárido.

Clima, recursos hídricos e gestão da água

A presença humana em grandes desertos do planeta quase sempre foi limitada pela falta de água desses locais. De fato, o recurso hídrico é extremamente escasso em regiões secas e áridas.
Contudo, o problema da baixa disponibilidade de água em algumas dessas regiões tem sido superado por meio da utilização de técnicas de irrigação, que abastece a po pulação e garante o desenvolvimento das mais diversas atividades.
Um exemplo emblemático do uso de técnicas de irrigação pode ser observado no deserto de Sonora, no estado da Califórnia, localizado na porção sudoeste dos Estados Unidos. Esse deserto é uma das regiões mais áridas do território estaduni dense, com pluviosidade anual de aproximadamente 250 mm (milímetros).
Sua paisagem começou a ser transformada na década de 1930, com a implantação de um projeto de irrigação que desviou parte das águas do rio Colorado até o deserto. Com isso, grandes áreas desérticas foram ocupadas por uma agricultura altamente moderna e muito produtiva, modificando completamente a paisagem.
Apesar de o aproveitamento das águas do rio Colorado abastecer milhões de pessoas e contribuir com o desenvolvimento de uma agricultura próspera, sua ex ploração tem gerado conflitos relacionados ao controle e à gestão dessas águas. Tais conflitos se agravaram nos últimos anos em decorrência de secas históricas que atin giram a região. Em algumas cidades, os habitantes já tiveram de reduzir o consumo de água ou passaram a adotar o racionamento.
Preocupados com a diminuição do nível das águas, ambientalistas e pescadores estão se opondo à abertura de novos poços e conseguindo proibir a irrigação nas áreas em que a situação é mais crítica. Para piorar a situação, estudos indicam que, ao longo das próximas décadas, o rio Colorado poderá perder boa parte de suas águas em razão das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

A influência das correntes marítimas no deserto do Atacama

As correntes marítimas exercem forte influência nos climas de diversas regiões do planeta. Isso porque elas podem alterar a umidade e a temperatura das mas sas de ar que circulam pela atmosfera.
Um dos fatores que explicam a presença de áreas de deserto na costa oeste da América do Sul, como a do Atacama, que abrange o norte do Chile e o sul do Peru, é a influência da corrente marítima fria do Peru (ou de Humboldt), que torna frias e secas as massas de ar que seguem em direção ao Atacama. A Re gião da Patagônia, localizada tanto no sul do Chile quanto da Argentina, também recebe forte influência das correntes marítimas frias que circulam pelas regiões mais próximas.

Os recursos hídricos na América Latina


Com a existência de rios extensos e volumosos, a América Latina apresenta gran de potencial em recursos hídricos. A distribuição geográfica desses recursos, no entanto, ocorre de maneira desigual na região, o que se explica, principalmente, pelas diferenças climáticas.
As grandes bacias hidrográficas localizadas na América do Sul, como a do rio Amazonas e a do rio Orinoco (na Venezuela), assim como a do rio da Prata, por exemplo, apresentam grande potencial econômico e são aproveitadas para a navegação fluvial, a geração de energia, a irrigação de lavouras e o abastecimento da população.
Por outro lado, algumas áreas de clima árido e semiárido da região, como o de serto do Atacama, localizado entre o norte do Chile e o Peru, assim como o Sertão nordestino brasileiro são marcados pela escassez de água e insuficiência de recursos hídricos.

Os aquíferos

Além dos extensos e volumosos cursos d’água que compõem as grandes bacias hidrográficas, várias áreas da região são privilegiadas pela existência de gigantescos mananciais subterrâneos, os chamados aquíferos.
Um dos maiores aquíferos, o Guarani, ocupa uma área de aproximadamente 1,2 milhão de quilômetros quadrados, com a maior parte localizada no território brasileiro, abrangendo também porção considerável na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Suas águas são de excelente qualidade e podem ser exploradas pela perfuração de poços profundos. O Brasil responde por mais de 90% de toda a água explorada desse aquífero, que tem como principal destino o abastecimento de cidades.

O uso e a degradação dos mananciais

Os países da América Latina enfrentam sérios desafios relacionados ao uso e à conservação dos recursos hídricos. Vários fatores podem ser apontados como causas de problemas que comprometem a disponibilidade de água em várias partes da região. A contaminação das fontes hídricas, causada pela descarga de poluentes urbanos, como esgotos domésticos e industriais, agrotóxicos, resíduos de atividades minera doras, entre outras, tem afetado a qualidade das águas a ponto de impossibilitar seu aproveitamento. Por outro lado, as mudanças climáticas estão reduzindo o volume de água disponível, decorrência da irregularidade e redução do volume de chuvas.

A gestão da água

Na rede hidrográfica da América Latina, é comum a presença de extensos rios e aquíferos que atravessam as fronteiras de vários países. Por isso, a exploração racional e adequada dos recursos hídricos na região tem exigido a adoção de ações e políticas conjuntas de diferentes governos. Veja alguns exemplos de como isso vem ocorrendo:

• um comitê formado por representantes de cinco países (Brasil, Argentina, Uru guai, Paraguai e Bolívia) promove ações voltadas para o estudo dos recursos naturais da bacia do rio da Prata;
• com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), países drenados pela bacia Amazônica, entre eles o Brasil, promovem projetos para a exploração comparti lhada e sustentável das águas;
• projetos apoiados e financiados por organismos internacionais vêm sendo im plantados no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, com o objetivo de promover a exploração sustentável das águas do aquífero Guarani.

As bacias hidrográficas da América

Vários rios que formam as grandes bacias hidrográficas do continente americano nascem nas regiões de relevo mais elevado do oeste e, ao atravessar áreas de planícies e de planaltos, modelam e transformam distintas paisagens, até desembocar no oceano Atlântico. 
São duas as principais bacias hidrográficas da América do Norte. A Bacia do Rio São Lourenço, adjacente à área mais povoada do Canadá, possui grande importância para a economia local. A Bacia do Rio Mississipi, nos Estados Unidos, é fundamental para a economia do país, pois seus rios se distribuem pelas Grandes Planícies. A ocupação dessa região pelos colonos, no século XIX, que se deu de maneira violenta, possibilitou maior produção agrícola, circulação de produtos e desenvolvimento da economia do país.
Conheça as principais bacias hidrográficas da América do Norte. 
• A bacia do São Lourenço está localizada na parte nordeste da América do Norte. Após a construção de várias represas e eclusas ao longo do seu curso, tornou-se uma importante hidrovia que liga o oceano Atlântico à Região dos Grandes Lagos. 
• A bacia do Mississippi banha vastas áreas de planícies na parte central dos Estados Unidos. Por ter como um de seus afluentes o rio Missouri, com aproximadamente 3767 km de extensão, essa é uma das maiores bacias hidrográficas do planeta. 

Principais bacias hidrográficas da América do Sul.
• A bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do planeta. Muitos rios dessa bacia servem como importantes vias de navegação para a população da região. 
• A bacia do Orinoco, localizada na parte norte da América do Sul, drena terrenos da Venezuela e da Colômbia até desembocar no mar do Caribe. 
• A bacia Platina, situada na parte sul da América do Sul, tem como principais rios os afluentes do rio da Prata, ou seja, os rios Paraguai, Uruguai e Paraná. Em razão da reduzida área territorial da América Central, seus rios são pouco extensos; no entanto, suas águas são muito utilizadas na irrigação de lavouras.
Na América do Sul, as bacias do Rio Amazonas, do Rio da Prata e do Rio Orinoco são importantes:

- pela capacidade de navegabilidade, para circulação de pessoas e mercadorias;

- como marcos espaciais e caminhos estratégicos na ocu pação dos territórios;

- pela disponibilidade hídrica e pela capacidade de produção energética.

As águas continentais na América

Comparada a outras regiões do mundo, a Améri ca se encontra em uma situação relativamente con fortável no que se refere à disponibilidade de água. No entanto, não se trata de um recurso acessível a todos e, mesmo em áreas onde há disponibilidade, muitas pessoas não têm acesso a água tratada, so bretudo na América Latina.
Além de o acesso a água tratada não ser garantido a muitas pessoas, a polui ção de rios e lagos tem comprometido cada vez mais a qualidade das águas superficiais, gerando uma pressão maior nas grandes reservas de águas subterrâneas, como os lençóis freáticos e os aquíferos – formações rochosas nas quais a água se infiltra, se acumula e se movimenta.
Para fazer frente a essa realidade, em 1997, o Brasil criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), um instrumento de gestão dos recursos hídricos no país. O SINGREH, por meio da Política Nacional de Re cursos Hídricos e do Plano Nacional de Recursos Hídricos, desenvolve projetos de recuperação de bacias hidrográficas, gestão compartilhada de bacias e pro cedimentos para cobrança pelo uso da água retirada de fontes subterrâneas ou superficiais. A Agência Nacional de Águas (ANA), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que responde pela implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos.
Para tomar decisões que orientam projetos em bacias hidrográficas e cobran ça pelo uso dos recursos hídricos, por exemplo, são criados Comitês de Bacias Hidrográficas. Esses comitês contam com a participação de usuários, da socie dade civil organizada e de representantes de governos municipais, estaduais e federal. São usuários das bacias aqueles que captam água das fontes superficiais ou subterrâneas, os que lançam efluentes nos rios, os que fazem uso da irrigação, as empresas de saneamento básico e de distribuição de água, indústrias, minera doras e aquicultores (criadores de peixes), entre outros.
Segundo a ANA, cerca de 40% dos municípios brasileiros são totalmente abastecidos por águas subterrâneas.
O aquífero Guarani se estende pelo subsolo de alguns dos países do Merco sul, mas a maior parte se concentra no Brasil: 71%. O restante de sua área está distribuído da seguinte forma: 19% na Argentina (nesse país, os limites e as ca racterísticas do aquífero ainda são pouco conhecidos), 6% no Paraguai e 4% no Uruguai. Em razão desse compartilhamento, foi criado em 2003 o Projeto Aquífe ro Guarani, objetivando uma gestão conjunta desses países do Mercosul com a finalidade de manter a qualidade do aquífero. O projeto determina que os quatro países devem explorar o aquífero de modo sustentável, dentro de certos limites que possibilitem a recarga natural, além de serem responsáveis pelo controle da contaminação para reduzir a poluição.
A principal ameaça às águas subterrâneas é a poluição decorrente do uso de produtos químicos na agricultura, de vazamentos em redes de esgoto e de lixões e aterros sanitários instalados de forma inadequada. Essas formas de degradação atingem os aquíferos nos trechos em que a água da chuva se infiltra e abastece a reserva subterrânea. Esses trechos, em geral, são os afloramentos.

Rios extensos que formam grandes bacias hidrográficas 

Nas Américas do Norte e do Sul há rios bastante extensos, que formam grandes bacias hidrográficas. No entanto, em muitos países a água está mal distribuí da, uma vez que existem também extensas áreas de clima seco. A América Central não apresenta rios de grande extensão. 
A porção central de seu trecho continental é constituída de montanhas, onde se situam nascentes de rios que percorrem um pequeno trajeto até desaguarem no oceano Pacífico ou no oceano Atlântico. A situação é mais dramática nos países insulares, ameaçados por uma carência crônica de água.
As nascentes de rios localizam-se nas regiões mais elevadas do relevo (planaltos, montanhas, cordilheiras), às quais se dá o nome de centros dispersores de águas. 
Entre os centros dispersores de águas do continente americano destacam-se as Montanhas Rochosas, o planalto Canadense, os montes Apalaches, a cordilheira dos Andes, os planaltos Norte-Amazônicos, o planalto dos Parecis, os planaltos e serras de Goiás-Minas e os planaltos e serras do Atlântico. Essas elevações apre sentam declives que orientam as direções dos rios. Esses declives são chamados vertentes. Para conhecer melhor as demais bacias hidrográficas do continente americano, optamos por agrupá-las de acordo com as vertentes que determinam suas direções.

A vertente Ártica 

Os centros dispersores dos rios da vertente Ártica são as Montanhas Rochosas e o planalto Canadense. Entre esses rios, destaca-se o Mackenzie, maior rio do Canadá, que nasce no Grande Lago do Escravo e deságua no oceano glacial Ártico, após percorrer 4.600 quilômetros de extensão. As águas do Mackenzie, bem como as da maioria dos rios dessa vertente, permanecem congeladas durante grande parte do ano.

A vertente do Atlântico Norte o rio São Lourenço e os Grandes Lagos

O rio São Lourenço, cujo centro dispersor são os Apalaches, é o principal rio da vertente do Atlântico Norte. Esse rio interliga o oceano Atlântico (litoral canadense) à região dos Grandes Lagos (lagos Superior, Huron, Michigan, Erie e Ontário), localizada no interior da América do Norte, entre os Estados Unidos e o Canadá. 
A construção de canais e eclusas nos Grandes Lagos e no rio São Lourenço tornou possível a chegada de embarcações de grande porte, provenientes do oceano Atlântico, à cidade de Chicago, localizada às margens do lago Michigan, no interior do continente. 
Entre a cidade de Quebec (Canadá) e o lago Ontário localiza-se a Via Marítima do São Lourenço ou Grandes Lagos-São Lourenço. Essa hidrovia apresenta várias eclusas que permitem a comunicação entre os Estados Unidos e o Canadá.
Às margens da Via Marítima do São Lourenço, além de Chicago (Estados Unidos) e Montreal (Canadá), existem outras grandes cidades com intensa atividade econômica e vários tipos de indústria. 
Nessa hidrovia, o tráfego é intenso entre as cidades de Quebec e Toronto, no Canadá, e entre as cidades de Buffalo, Cleveland e Detroit (importante centro da indústria automobilística), nos Estados Unidos. 
Dessa forma, os cursos de água e os lagos, assim como as diversas obras realizadas nessa hidrovia, possibilitam o escoamento da grande produção industrial e a chegada de mercadorias de outros países. 
Entre os lagos Erie e Ontário, encontra-se um conjunto de saltos e corredeiras que atrai milhares de turistas todos os anos. São as cataratas do Niágara.

A vertente do golfo do México e a bacia Mississípi-Missouri 

Vários rios que deságuam no golfo do México nascem tanto nas montanhas da parte ocidental quanto nas montanhas e planaltos da parte oriental da América do Norte. 
O principal rio da mais importante bacia hidrográfica da América do Norte é o Mississípi, navegável praticamente em toda sua extensão, por ser um típico rio de planície. 
Seu principal afluente é o rio Missouri. Juntos, o Mississípi e o Missouri atingem mais de 6 mil quilômetros de extensão. 
O Missssípi e o Missouri são rios de grande importância econômica, pois suas margens apresentam solos férteis e planos, aproveitados principalmente para os cultivos de milho e de trigo. Além disso, exercem a função de escoadouro de minerais, cereais e outros produtos cultivados nas regiões banhadas por eles e por seus afluentes. 
Alguns afluentes do Mississípi, como o rio Tennessee, provocavam enchen tes com graves consequências. Após várias obras de engenharia (construção de represas e diques) que regularizaram os cursos desses rios, eles passaram a for necer energia elétrica e se tornaram navegáveis em trechos mais extensos. Além disso, suas águas passaram a ser utilizadas na irrigação de plantações. 
A fronteira entre os Estados Unidos e o México, de 3.140 quilômetros, é delimitada em sua maior extensão pelo rio Grande ou Bravo do Norte (para os mexicanos). Essa fronteira é ostensivamente policiada pelos Estados Unidos e delimitada por muros, em diversos trechos, para impedir a travessia ilegal de imigrantes.

A vertente do Pacífico Norte 

Os rios da vertente do Pacífico Norte, que descem as altas mon tanhas da porção ocidental da América do Norte, são, em geral, de pequena extensão e possuem um curso bastante acidentado, com muitas quedas-d’água. 
Os rios mais expressivos dessa vertente, na América do Norte, são o Colorado e o Sacramento. Os picos das montanhas formam geleiras, que retêm a água durante o inverno e alimentam esses rios na pri mavera e no verão, funcionando, dessa forma, como um reservatório natural. 
A diminuição das geleiras tem afetado o volume de água e apontado problemas à agricultura e ao futuro abastecimento da população da porção noroeste dos Estados Unidos.
O rio Colorado, com mil quilômetros de extensão, nasce no planalto do Colorado. Em seu curso, escavado sobre rochas sedimentares, suas águas abriram vales muito profundos, denominados cânions, como o Grand Canyon. 
O rio Sacramento corre pelo vale da Califórnia e separa as cadeias da Costa da Serra Nevada. Esse rio teve papel de destaque na colonização do oeste norte-americano, pois atraiu grande número de colonos que buscavam ouro encontra do em seu leito.
Ainda na vertente do Pacífico Norte, encontram-se o rio Colúmbia, cujas águas represadas são utilizadas para irrigação e obtenção de energia elétrica, e o rio Yukon, que nasce nas Montanhas Rochosas. 
Em um dos trechos do Colúmbia, localiza-se a usina hidrelétrica de Grand Coulee, uma das maiores do mundo. O Yukon, cuja maior parte de seu curso localiza-se no Alasca, teve grande importância nas explorações auríferas que contribuíram para a ocupação desse território. Apesar de congelado durante boa parte do ano, é possível navegá-lo.

A vertente do Atlântico sul

Essa vertente é a mais extensa e a mais importante do continente. Nela estão situadas as duas maiores bacias hidrográficas do mundo: a bacia Amazônica e a bacia Platina.

A bacia Amazônica 

A bacia Amazônica, cujo principal rio é o Amazonas, ocupa uma área de aproximadamente 7 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 4,8 milhões estão em território brasileiro. Esse rio entra no Brasil com o nome de Solimões e, ao se encontrar com o rio Negro, recebe o nome de Amazonas. 
Os centros dispersores de águas do rio Amazonas situam-se nos Andes (onde o rio nasce), nos planaltos Norte-Amazônicos e no planalto dos Parecis. 
O Amazonas é um rio de planície, propício à navegação, que permite o acesso de navios de grande porte ao porto de Manaus, às margens do rio Negro, no interior do continente. Por essa rede hidroviária são transportados grandes volumes de carga (produtos agrícolas, minerais e industrializados), além de pessoas.
Os afluentes da margem direita do rio Amazonas são mais extensos e pos suem maior volume de água, como o Purus, o Madeira, o Xingu e o Tapajós. Os da margem esquerda, por sua vez, são de menor expressão, exceto o rio Negro, que é um rio de grande porte. 
Em alguns rios da bacia Amazônica foram construídas usinas hidrelétricas, como a de Balbina, no rio Uatumã, e a de Samuel, no rio Jamari, além de Jirao e Santo Antônio, no rio Madeira.
Particularmente nas hidrelétricas de Balbina e de Samuel, foram formados lagos artificiais que provocaram a devastação de grandes áreas florestais, a ex tinção de importantes espécies da fauna e da flora amazônicas e o desalojamen to de habitantes das áreas inundadas. Além disso, a construção de hidrelétricas na Amazônia afeta comunidades indígenas e outras populações tradicionais que vivem da floresta, como as comunidades extrativistas e os ribeirinhos, que vivem da pesca artesanal e da agricultura de subsistência. 
As novas hidrelétricas projetadas para a região são a fio d’água, ou seja, não requerem reservatórios (represas) grandes, pois a geração de energia depende fundamentalmente da vazão do rio. Daí haver uma oscilação grande na capacidade de geração de energia: no período das chuvas gera-se mais energia do que em épocas de estiagem.
Os impactos ambientais provocados pelas hidrelétricas na Amazônia vêm ocasionando uma série de protestos por parte de movimen tos ecológicos nacionais e internacionais. 
En tretanto, há opiniões favoráveis à construção de hidrelétricas na região, sob a justificativa de que se trata de uma fonte renovável e de que, tanto as projetadas (São Luís, no rio Tapajós) quanto aquelas que se encontram em fase de construção (como Belo Monte, no rio Xingu, e Teles Pires, no rio de mesmo nome), atualmen te são a fio d’água, o que reduz os impactos nos ecossistemas amazônicos 
Em 2018, havia dezenas de hidrelétricas projetadas para a região Amazônica.

A bacia Platina

Considerada a segunda maior bacia hidrográfica do mundo, a bacia Platina ocupa uma área de cerca de 4.350.000 quilômetros quadrados, abrangendo terras do Brasil, do Paraguai, do Uruguai, da Argentina e da Bolívia. Os principais rios dessa bacia são o Paraná, o Paraguai e o Uruguai, todos com nascente no Brasil. 
Na divisa da Argentina com o Paraguai, o rio Paraguai deságua no rio Paraná. Este, ao atravessar a cidade de Paraná, na Argentina, tem sua denominação modificada para rio da Prata. O rio Uruguai desemboca na foz do rio da Prata.
Em razão dos inúmeros trechos encachoeira dos, o rio Paraná e muitos de seus afluentes possuem enorme potencial hidráulico, em boa parte já aproveitado. Nesse rio encontram-se várias usinas hidrelétricas, como Itaipu, Sérgio Motta (também chamada de Porto Primavera), Jupiá e Ilha Solteira, que fazem parte do complexo hidrelétrico de Uru bupungá. Nos formadores do rio Paraná há também importantes usinas: Furnas e Volta Grande, no rio Grande; São Simão e Cachoeira Dourada, no rio Paranaíba. 
Com a implantação da hidrovia Tietê-Paraná (interligada ao Paranaíba), possível graças à construção de eclusas em ambos os rios, o Paraná tem sido mais bem aproveitado para a navegação, e por ele é transportada grande quantidade de produtos, principalmente agrícolas.
Formadas pelas ligações Tietê-Paraná e Para guai-Paraná, as hidrovias do Mercosul possibilitam menor custo no transporte de mercadorias e pes soas em comparação aos demais meios de transporte, além de viabilizarem a integração econômica entre os países desse grupo.

Outras bacias 

Também faz parte da vertente do Atlântico Sul a bacia do São Francisco, lo calizada totalmente em território brasileiro. O rio São Francisco atravessa uma área de clima Semiárido (Sertão nordestino) e é aproveitado para irrigação e para transporte de pessoas e mercadorias entre diversas cidades do Sertão. Além disso, esse rio possui enorme potencial hidráulico, o que favoreceu a cons trução de grandes usinas hidrelétricas, como as de Sobradinho, Paulo Afonso, Xingó e Três Marias. 
No território brasileiro há diversas outras bacias hidrográficas cujos rios deságuam no oceano Atlântico. Na bacia do Tocantins-Araguaia há algumas hi drelétricas importantes, como a de Tucuruí e de Serra da Mesa, no rio Tocantins. A hidrovia do Tocantins-Araguaia serve para o escoamento de parte da produção agrícola do Centro-Oeste do Brasil.
Na bacia do rio Doce, ocorreu um dos maiores desastres ambientais da his tória do Brasil, provocado pelo rompimento de duas barragens de reservatórios que armazenavam resíduos de atividade mineradora, no município de Mariana, em Minas Gerais. Essa tragédia ocasionou o assoreamento de rios e riachos, em função da deposição de grande carga de sedimentos em seus leitos, além de afetar e provocar a mortandade de diversas espécies animais e vegetais. Muitas comunidades ribeirinhas que vivem da pesca perderam seu meio de sustento e o abastecimento de água de diversos municípios ficou comprometido. 
No norte da América do Sul, nos territórios da Venezuela e da Colômbia, en contra-se a bacia fluvial constituída pelo rio Orinoco e seus afluentes. Com cerca de 950 mil quilômetros quadrados de área, é a terceira maior bacia da América do Sul. O Orinoco é navegável por embarcações de grande porte, desde sua foz até a confluência com o rio Caroní, em Ciudad Guayana, por onde são transportadas mercadorias industrializadas e agropecuárias.
Às margens do Orinoco, na Venezuela, desenvolve-se a criação de gado, enquanto em seu baixo curso concentram-se indústrias e usinas hidrelétricas. Em suas proximidades há uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a faixa petrolífera do Orinoco, no norte da Venezuela. As atividades econômicas, porém, têm gerado considerável impacto am biental em toda a bacia, inclusive no delta do rio, onde vivem comunidades de pescadores e povos indígenas. 
O território da Colômbia é também atraves sado por um rio que constitui um importante re curso natural: o Madalena. A importância desse rio se deve ao aproveitamento de suas águas para geração de energia elétrica e para irrigação, que propicia o desenvolvimento de atividades agrícolas às suas margens.

Lagos Sul-Americanos

Na América do Sul, dois lagos merecem destaque: o lago Maracaibo (16 mil quilômetros quadrados), localizado na Venezuela, onde se realiza a extração de petróleo; e o lago Titicaca (8 mil quilômetros quadrados), situado nos Andes, a 3.800 metros de altitude. 
Desde o século X, as margens do Titicaca (na fronteira entre a Bolívia e o Peru) têm sido utilizadas para a prática agrícola, como o cultivo de cevada, de quinoa e de batata.


Geologia e relevo na América


Os processos exógenos que atuam na superfície terrestre são movidos pela energia solar, por meio da atmosfera, e agem na modelagem do relevo. A origem dos tipos de relevo é marcada pela relação entre os processos de formação geológicos (como tectônica de placas, composição das rochas e vulcanismo) e as variações climáticas que atuam nas paisagens terrestres (incidência solar, umidade e precipitação, altitude, temperatura, pressão e circulação dos ventos). Isso significa que as formas do relevo resultam de processos ocorridos no interior da crosta terrestre e na litosfera, assim como da ação dos processos atmosféricos (intemperismo e erosão).

De forma geral, distinguem-se três grandes grupos no relevo da América: a oeste, as formações montanhosas, como as cordilheiras; ao longo da costa ocidental e em áreas centrais, as planícies e as depressões; e a leste, os planaltos.

Estrutura geológica da América

A atuação dos agentes internos e externos contribuiu para a formação de um relevo diversificado e de rara beleza na América.
Na América estão presentes os três tipos de estrutura geológica: maciços antigos (ou escudos cristalinos), bacias sedimentares e dobramentos modernos. Essas estruturas são caracterizadas pelos tipos de rochas predominantes, por seu processo de formação e por sua idade geológica.
Os dobramentos modernos apresentam rochas menos rígidas, em trechos da crosta terrestre de formação recente e localizados perto de zonas de contato entre as placas tectônicas. Como você pôde verificar no início deste capítulo, esse proces so de choque entre as placas ocorreu há aproximadamente 70 milhões de anos e participou da formação da cordilheira dos Andes, na América do Sul, e das Montanhas Rochosas, na América do Norte, além de outras unidades montanhosas de relevo.
Devido à pressão de uma placa sobre outra, ocorre a formação de dobramen tos, num processo lento e contínuo que origina as cordilheiras.
Os maciços antigos são terrenos que se formaram há muito tempo. Em al guns deles encontram-se minerais metálicos, como ferro, ouro, manganês, prata, cobre, bauxita e estanho.
As bacias sedimentares resultam do acúmulo de sedimentos provenientes do desgaste das rochas e de organismos vegetais e animais. Delas são extraídos recursos energéticos, como o petróleo, o gás natural e o carvão mineral.
A exploração de recursos minerais ocorre tanto nos terrenos dos maciços antigos quanto nas áreas das bacias sedimentares, em diversos trechos do con tinente americano.

As placas tectônicas da América

A crosta terrestre pode ser grosseiramente comparada a uma casca de ovo rachada em doze pedaços. Cada grande pedaço corresponde a uma placa tectô nica, ou litosférica. Essas placas flutuam e se movimentam continuamente sobre um manto de magma pastoso, provocando choque ou separação entre elas. As regiões do globo mais sujeitas a terremotos de grande intensidade são aquelas onde as placas tectônicas se chocam umas contra as outras.
Devido à sua grande extensão, o continente americano possui áreas situadas próximo às zonas de contato entre as placas tectônicas e em sua porção central. Trechos do Caribe e praticamente toda a costa ocidental do continente americano estão sujeitos a terremotos. Na porção norte, a placa Norte-Americana se choca com a do Pacífico e, na porção sul, a placa Sul-Ameri cana se choca com a de Nazca.
A placa Sul-Americana se movimenta de leste para oeste, enquanto a placa de Nazca se movimenta no sentido contrário, de oeste para leste. No choque entre elas, a placa Sul-Americana se sobrepôs à placa de Nazca, e o resultado foi a formação da cordilheira dos Andes, há cerca de 70 milhões de anos. É o atrito entre essas duas placas sobrepostas que provoca os terremotos na região dos Andes.
Desse atrito resultou uma imensa falha geológi ca na costa oeste dos Estados Unidos, chamada de falha de San Andreas, que corta a Califórnia no senti do norte-sul. A tensão na falha é gigantesca e, quan do acontece um deslocamento de uma das camadas da falha, os terremotos são percebidos. Às vezes, o deslocamento é violento, como aconteceu em 1906, quando um terremoto provocou grandes estragos em São Francisco.

As unidades de relevo da América 

A América do Norte e a América do Sul apresentam semelhanças quanto à dis posição das suas formas de relevo. Nessas duas grandes porções territoriais do con tinente americano são encontradas, no sentido oeste-leste, três grandes unidades de relevo: as grandes cadeias de montanhas, as planícies centrais e os planaltos. 
As grandes cadeias montanhosas do oeste, de formação geológica recente, estendem-se do Alasca (América do Norte) ao sul do Chile (América do Sul). Nos Estados Unidos e no Canadá, o conjunto de cadeias montanhosas do oes te é formado pelas cadeias da Costa, pela serra Nevada, pela serra das Cascatas e pelas Montanhas Rochosas. 
Na América do Sul, as montanhas recebem o nome de cordilheira dos Andes. No México, o prolongamento das Montanhas Rochosas forma a serra Madre Oriental e o prolongamento das cadeias da Costa forma a serra Madre Ocidental.
As cadeias da Costa acompanham o litoral do oceano Pacífico desde o Alasca até o México. Nessas cadeias se encontra o ponto culminante do relevo da América do Norte, o monte McKinley (Alasca), com 6.187 metros de altitude. A serra Nevada, localizada nos Estados Unidos, está alinhada paralelamente às cadeias da Costa. Ao norte, a serra Nevada recebe o nome de serra das Cascatas e se estende até o terri tório canadense. As Montanhas Rochosas, formações montanhosas mais expressivas da Améri ca do Norte, localizam-se numa porção interior desse subcontinente e se estendem até o Alasca. 
Entre a serra Nevada e as Montanhas Rochosas encontram-se alguns planaltos, como o de Colúmbia, o da Grande Bacia — onde estão localizados o grande lago Salgado e o vale da Morte (83 metros abaixo do nível do mar – depressão absoluta) — e o do Colorado, que se estende para o sul, formando o planalto Central Mexicano.
Entre a serra Nevada e as cadeias da Costa localiza-se uma depressão alon gada (sentido norte-sul), o vale da Califórnia, que se tornou uma importante área agrícola dos Estados Unidos, graças ao sistema de irrigação, muito importante para viabilizar o cultivo em locais onde há escassez ou chuvas irregulares. 
No planalto do Colorado, no estado do Arizona, localiza-se o Grand Canyon, profundo vale aberto pela ação erosiva do rio Colorado ao longo de milhões de anos. 

 Os planaltos do México da América Central

Entre a serra Madre Oriental (próxima ao Atlântico) e a serra Madre Ociden tal (próxima ao Pacífico) estão localizados os planaltos elevados do México. No norte do país, encontra-se o planalto Chihuahua e, no sul, o planalto de Anáhuac, onde se desenvolveu a civilização asteca e foi fundada a Cidade do México, núcleo inicial da ocupação espanhola. Na parte ístmica da América Central situam-se planaltos elevados, localiza dos entre as planícies costeiras do Atlântico e as montanhas do oeste.

A cordilheira dos Andes e os planaltos da América do Sul

A cordilheira dos Andes se estende da Venezuela até o extremo sul do Chile e possui aproximadamente 7.500 quilômetros de extensão e 300 quilômetros de largura. 
Em alguns trechos, os Andes são formados por duas ou três cadeias paralelas, entre as quais despontam vastos planaltos elevados, denominados altiplanos, como os da Bolívia, do Peru e do Chile, onde se destaca a criação de lhamas e alpacas. No altiplano boliviano, a cerca de 3.700 metros de altitude, localiza-se a cidade de La Paz, capital da Bolívia.

As planícies centrais 

A porção central da América do Norte e da América do Sul é formada por extensas planícies, em geral atravessadas por grandes rios. Na América do Norte encontram-se:
- a planície do rio São Lourenço, que acompanha o vale desse rio desde a re gião dos Grandes Lagos até o oceano Atlântico. Essa planície corresponde à área mais povoada do Canadá e possui grande expressão econômica; 
- as Prairies (Pradarias), próximo aos Grandes Lagos, que, graças à topografia plana dessa região, correspondem a uma área intensamente cultiva da com o favorecimento da agricultura mecaniza da, onde se destaca a cultura do trigo; 
- a planície central dos Estados Unidos, atravessada por diversos rios, entre eles o Mississípi e o Missouri, onde também se desenvolve intensa atividade agrícola, destacando-se o trigo, o milho e o algodão.

Na América Central ístmica, as planícies são mais amplas a leste, junto ao mar do Caribe. 
Essa região é a menos povoada. Na América do Sul destacam-se três planícies:
• a planície do rio Orinoco, situada entre os Andes e os planaltos residuais Norte-Amazônicos, ocu pando, em maior parte, o território venezuelano. Apresenta vegetação de Savana, conhecida como Lhanos, onde se desenvolve a criação de bovinos; 
• a planície Amazônica, que acompanha o rio Ama zonas e se caracteriza por intenso processo de sedimentação; 
• a planície Platina, que ocupa terras do Brasil, da Bolívia, do Paraguai, do Uruguai e da Argentina, e é atravessada por vários rios, como o Paraguai e o Paraná. Este último, depois de um trecho, ao aden trar em território argentino, passa a se chamar rio da Prata. Essa planície se subdivide nas planícies do Chaco, do Pantanal e do Pampa. O Pantanal, apesar de ser o bioma que, proporcio nalmente, foi o menos devastado no Brasil, sofre as ameaças da exploração de recursos, como a atividade mineradora (que polui os rios), a pesca predatória e a expansão agrícola em suas bordas. No caso do Pampa, ocorre o fenômeno da areni zação, provocado por fatores naturais, mas agra vado pela intensificação da agricultura da soja na região, levando à formação de areais, no sudoeste do Rio Grande do Sul.

Os planaltos da porção oriental 

A parte leste, ou oriental, do continente americano é composta de extensos planaltos que, pela antiguidade de sua formação, são bastante desgastados, apresentando formas mais arredondadas e com altitudes mais modestas do que aquelas encontradas no oeste. Entre os planaltos da América do Norte destacam-se:
• o planalto Canadense, que tem a forma de uma grande ferradura voltada para a baía de Hudson; 
• os montes Apalaches, onde se encontra o monte Mitchell, com 2.027 me tros, situado no estado da Carolina do Norte. Na América do Sul, os planaltos mais importantes são: 
• os planaltos e serras do Atlântico-Leste-Sudeste, no Brasil; 
• o planalto da Patagônia, no extremo sul do continente.

Nessas formações mais antigas encontram-se muitos recursos minerais, como o ferro e o manganês, que são intensamente explorados no Canadá e no Brasil (serra do Espinhaço). Nos Apalaches, desenvolve-se uma importante atividade extrativa, cujo produto mais abundante é o carvão, obtido com relativa facilidade em minas a céu aberto devido à sua ocorrência próximo à superfície. Essa característica barateia o custo de extração, em comparação com as minas subterrâneas.
No Brasil, a prática da atividade agrícola nessas áreas está condicionada à utilização de técnicas que favorecem o cultivo em encostas, como o terraceamen to, que minimiza os impactos do processo erosivo e permite o acúmulo de água nos terraços, irrigando a plantação. Essa técnica consiste na construção de ter raços de aproximadamente 1,5 metro, que permitem a circulação de tratores de pequeno porte para a manutenção do cultivo e para a colheita.

Relações China-Brasil

A China, desde 2009, tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. Em 2021, do valor total das exportaçõe...