sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Estados Unidos: potência militar

A hegemonia estadunidense no mundo não se limita aos campos econômico e cultural, estendendo-se também à área militar. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos investiram maciçamente no aparelhamento das forças armadas, assim como em treinamento e manutenção do exército e em pesquisas nesse setor, a fim de competir com o poderoso exército soviético e conter a expansão do socialismo e a influência da União Soviética no mundo.
O poderio militar tem um peso muito grande nas negociações internacionais. Países poderosos, como os Estados Unidos, conseguem impor seus interesses de modo que os demais acatem suas decisões, o que também ocorre nas negocia ções comerciais. O poder militar possibilita a consolidação do poder político.
Com o fim da União Soviética, os Estados Unidos deixaram de ter oponentes que pudessem ameaçá-los diretamente. Assim, desde então, são a maior potência militar do planeta, com forte indústria bélica.
A Guerra Fria, como ficou conhecido o período de rivalidades entre essas duas superpotências, levou a uma corrida armamentista sem precedentes na história. Mesmo que não tenham se enfrentado diretamente em um conflito, tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética realizaram dezenas de intervenções militares nas mais diversas regiões do planeta, tendo em vista a ampliação das áreas de influência de seus respectivos regimes político-ideológicos.
Sem realizar embates diretos, essas duas potências militares buscaram intimidar uma à outra por meio de ações que demonstrassem o poder de seus armamentos, principalmente com mísseis e armas nucleares. Com o fim da União Soviética, em 1991, os Estados Unidos se consolidaram como a maior potência militar do planeta, sem nenhuma nação que se equiparasse a sua indústria bélica.
Os Estados Unidos tornaram-se o centro de uma gigantesca aliança militar: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), criada em 1949 com a união de algumas das forças armadas mais poderosas do mundo, como a inglesa, a francesa e a italiana. A superioridade militar estadunidense tornou-se incontestável após o fim da União Soviética, em 1991. Desde essa época, as operações militares dos Estados Unidos passaram a ser mais incisivas.
O desenvolvimento da indústria de armamentos nos Estados Unidos, que recebeu fortes investimentos do governo especialmente após a Segunda Guerra Mundial, contribuiu para o crescimento da tecnologia utilizada na produção de novos bens de consumo. 
Nesse sentido, também houve enorme contribuição da indústria aeroespacial (satélites artificiais, foguetes, naves, ônibus espaciais) por meio da Nasa (sigla em inglês para Agência Espacial Norte-Americana), um organismo civil federal. Mais de 3 mil novos produtos de consumo lançados pelos Estados Unidos na segunda metade do século XX foram criados a partir da tecnologia de senvolvida, inicialmente, para produtos ligados à indústria bélica ou aeroespacial. 
O poderio militar dos Estados Unidos possibilitou, por exemplo, a derrubada de governos contrários às orientações estadunidenses. Essa situação foi comum durante a Guerra Fria (1947-1989), período no qual o regime socialista vigorava em diversos países e a União Soviética era a superpotência militar que se opunha aos Estados Unidos.
Atualmente, os Estados Unidos possuem bases militares em diversas regiões do mundo, e, na maioria das vezes, por meio dessas bases, o governo estadunidense intervém em diferentes conflitos pelo mundo. O país também apresenta o maior gasto com questões militares.
No Brasil, a Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, juntamente com a elite nacional, apoiou a deposição de João Goulart (Jango), que procurava se manter independente da disputa entre as superpotências no contexto da Guerra Fria e cujo plano de governo era voltado às causas dos trabalhadores e dos movimentos sociais brasileiros. Após o golpe, instalou-se no país a ditadura (1964-1985). Os militares tomaram o poder e se alinharam aos Estados Unidos. O governo militar foi caracterizado pela repressão e pela censura.
A partir da segunda metade do século XX, o Oriente Médio também rec beu notável atenção dos Estados Unidos. Essa porção territorial da Ásia é rica em petróleo, e os EUA, na posição de maior consumidor do mundo dessa fonte energética, passaram a atuar direta e indiretamente nesse território.
Contudo, nessa região existem países que oferecem resistência ao expansionismo estadunidense. O apoio histórico dos Estados Unidos ao Estado de Israel, desde sua criação, em 1948, aumentou a oposição das nações árabes à política estadunidense.
Em 2017, os gastos militares dos Estados Unidos foram superiores a 600 bilhões de dólares, cerca de 35% dos gastos mundiais no setor. Vários países abrigam tropas estadunidenses, com milhares de soldados, e bases militares que realizam diversas operações, incluindo testes nucleares. O planeta encontra-se, literalmente, dividido em setores: são os comandos militares estadunidenses que dispõem de diversos armamentos de guerra. A força militar dos Estados Unidos está presente em todos os continentes.
Embora naquele mesmo ano a China tenha gasto três vezes menos que os Estados Unidos em despesas militares, entre 2008 e 2017 o crescimento de investimentos do país no setor foi de 110%, enquanto, no mesmo período, os Estados Unidos reduziram seus gastos em 14%. 
Esses dados mostram como a China, atual segunda maior potência econômica global, tem procurado se fortalecer também do ponto de vista militar, trilhando um caminho parecido ao dos Estados Unidos logo após a Segunda Guerra Mundial.
Ainda em 2017, a China inaugurou sua primeira base militar no exterior, em Djibuti, na África, continente que, vem recebendo expressivos investimentos chineses. A base foi instalada em um local estratégico, próximo ao mar Vermelho e ao golfo de Áden, onde é intenso o fluxo de embarcações marítimas comerciais. Nessa área também atuam piratas que sequestram navios e pedem resgate para a libertação das tripulações.
O fortalecimento da estrutura militar chinesa é acompanhado com preocupação pelos Estados Unidos. De acordo com um relatório do governo esta dunidense de 2017, “os Estados Unidos continuarão monitorando a modernização militar da China e continuarão adaptando suas forças, abordagens, investimentos e conceitos operacionais para garantir sua capacidade de proteger a pátria, aliados e parceiros, conter a agressão e garantir a paz na região, a prosperidade e a liberdade”.
Os Estados Unidos utilizam em torno de 3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na área militar, o que corresponde a cerca de 36% do volume gasto em defesa no mundo. O país também conta com um contingente de 1,3 milhão de militares, que representa cerca de 0,7% da população estadunidense economicamente ativa.

Liderança militar no mundo 


Os Estado Unidos são o país que mais investe no setor militar. Em 2017, se gundo dados do Banco Mundial, seus gastos militares chegaram a 610 bilhões de dólares. O segundo país que mais investe nesse setor é a China, cujos gastos, de aproximadamente 228 bilhões no mesmo ano, equivaleram a menos de 40% do montante estadunidense.
Desses investimentos resulta que os Estados Unidos detêm mais aviões e navios de combate do que qualquer outro país e um exército muito bem equipa do e treinado para realizar tarefas em diferentes lugares, como desertos e flores tas, e em diferentes situações, como invasão ou defesa de territórios. Por isso, o país é considerado uma superpotência militar.
Vale lembrar que na última década aumentou o número de conflitos armados, o que levou à deterioração da segurança mundial. Ao aumento do número de conflitos corresponde o maior número de armas comercializadas no mundo. Os Estados Unidos, nesse contexto, são o principal exportador de armas, responsáveis por 34% do total de armas comercializadas internacionalmente.
As centrais de Comandos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos têm como missão garantir a defesa nacional deste país e sustentar a sua influência militar no mundo 
Oferecer proteção é uma maneira de influenciar militarmente um país. Essa proteção pode ocorrer por meio de acordos de venda de tecnologia e de armamentos, treinamento de tropas ou instalação de bases militares em territórios aliados. Nem sempre isso ocorre em benefício da população do país, mas de acordo com os interesses estadunidenses e de determinados grupos que se privilegiam desses acordos. 
Uma forma de influenciar usando o instrumento econômico é emprestar ou doar dinheiro a um país, que, em troca, recebe, por exemplo, uma base militar estadunidense em seu território.
Entre as ações militares estadunidenses que mais se destacaram nas últimas duas décadas estão aquelas feitas em países do Oriente Médio, como na Guerra no Afeganistão (2001), quando as forças estadunidenses invadiram o país para derrubar o governo talibã, acusado de ter ligações com grupos terroristas; na Guerra no Iraque (2003), quando os Estados Unidos e a Inglaterra voltaram a invadir o Iraque e destituíram, definitivamente, o governo de Saddam Hussein; na Guerra da Síria (2012), quando os Estados Unidos, em aliança com outras potências militares, enviaram cerca de dois mil soldados para combater milícias terroristas, entre elas o chamado Estado Islâmico. 
Destaca-se também as ações militares relacionadas à Guerra da Ucrânia (2022), quando, em conjunto com países europeus, o governo estadunidense enviou recursos financeiros e armamentos para que o exército ucraniano resistisse à invasão russa.

Influência militar na América Latina 


Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a influência militar dos Estados Unidos se tornou mais evidente. Os Estados Unidos foram um dos vencedores da Grande Guerra, junto com a ex-União Soviética, a França e o Reino Unido. Os países vencedores europeus, porém, foram destruídos pela guerra e precisavam reconstruir seus territórios. Os Estados Unidos e a ex-União Soviética, por sua vez, saíram da guerra fortalecidos e iniciaram uma disputa pela posição de liderança mundial. 
Essa disputa caracterizou o período conhecido como Guerra Fria, que durou de 1945 a 1991. Especialmente entre as décadas de 1950 e 1970, os Estados Unidos, com o objetivo garantir sua hegemonia no continente americano, passaram a apoiar golpes mi litares nos países da América Latina. 
A primeira intervenção apoiada pelos Estados Unidos, em 1954, foi responsável pela queda do presidente da Guatemala. 
Paraguai, Argentina, Brasil, Peru, Uruguai, Chile, República Dominicana, Nicarágua e Bolívia foram outros países latino-americanos que tiveram ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos.

Guerra ao Terror 


Desde a Guerra Fria, os EUA têm adotado uma política de intervenção e ocupação militar em países que possam lhe oferecer perigo. 
Essa política se acentuou após o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, no qual as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e o prédio do Pentágono, em Washington, foram atingidos por aviões comerciais comandados por terroristas islâmicos, matando 3 278 pessoas. Esses prédios representavam, respectiva mente, os poderes econômico e militar do país.
Os Estados Unidos começaram uma caça aos grupos terroristas que, de alguma forma, ameaçavam os interesses estadunidenses. Assim, o Afeganis tão foi ocupado em 2001, quando o então presidente estadunidense, George W. Bush, autorizou a operação para capturar o saudita Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, acusado de planejar o atentado de 11 de setembro. O Iraque foi ocupado em 2003, quando os Estados Unidos acusaram o governo de Saddam Hussein de produzir armas químicas de destruição em massa. 
Nenhuma das intervenções obteve êxito. Osama bin Laden foi capturado e morto somente em 2011, dez anos após o atentado de 2001. Também ficou comprovado que o Iraque não tinha as armas químicas anunciadas pelo governo estadunidense. O resultado dessas operações foi a destruição desses países e a morte de milhares de civis.
Para os Estados Unidos, o saldo positivo da ocupação do Afeganistão foi a retirada do Talibã do poder, grupo extremista islâmico que governou o país de 1996 a 2002. No Iraque, o ditador Saddam Hussein foi deposto em 2003, após 24 anos no controle do país. Nem os talibãs nem Hussein representavam os interesses dos EUA na região. 
No entanto, a desaprovação popular interna e externa e o alto custo dessas intervenções militares levaram o governo estadunidense a decidir pela retirada de seus militares desses países a partir de 2010. Apesar disso, em 2015, mais de 10 mil militares estadunidenses ainda permaneciam no Afeganistão, e o Talibã não perdera o poder no país. 
Em 2021, sob a presidência de Joe Biden, os Estados Unidos concluíram a retirada de suas tropas do Afeganistão, após 20 anos de ocupação, a mais longa de toda a história dos Estados Unidos. Tal ação ocorreu no momento em que o grupo Talibã retomava o poder no país.
Os Estados Unidos têm rivalizado com o Irã e a Coreia do Norte, nações suspeitas de desenvolver programas nucleares para fins bélicos. Esses países são vistos pelo governo estadunidense e pelas Nações Unidas como uma ameaça, com a justificativa de que podem fabricar bombas atômicas. Em uma iniciativa para aliviar as tensões com os iranianos, os Estados Unidos e mais cinco potências (Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia) firmaram um acordo, em julho de 2015, que previa a diminuição das atividades nucleares do Irã – dessa forma, o país asiático não teria potencial para produzir armas nucleares. 
Em troca, essas potências retirariam as sanções econômicas impostas aos iranianos. No entanto, em 2018, o então presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e retomou as sanções econômicas aos iranianos, alegando que as medidas do acordo e a fiscalização sobre o Irã eram insuficientes para impedir o país asiático de produzir armas nucleares.
Desde 2014, os Estados Unidos enfrentam ainda outro inimigo: o Estado Islâmico, grupo radical formado por ex-combatentes do antigo Exército derrotado de Saddam Hussein, que propaga o terror por meio da dizimação de minorias religiosas e étnicas, como os xiitas e os curdos do norte do Iraque, além de assassinar reféns e jornalistas estrangeiros.

Relações tensas entre Estados Unidos e Rússia 


As tensões entre Estados Unidos e Rússia vêm de longa data, desde o fim da Segunda Guerra Mun dial, quando ainda existia a União Soviética (URSS). A corrida armamentista que as duas superpotências realizaram levou a uma situação de constante desconfiança. 
Com o fim da URSS, na década de 1980, a Rússia surgiu como principal potência remanescente da dissolução do país socialista, mantendo interesses geopolíticos em diversos espaços geográficos das repúblicas vizinhas que um dia, juntas, fizeram parte do mesmo país. 
Ao longo das décadas de 1990 e 2000, Estados Unidos e Rússia mantiveram relações amistosas. Porém, os desentendimentos envolvendo a Ucrânia reativaram certa tensão entre as potências.







Estados Unidos: superpotência mundial

Para compreender como os Estados Unidos chegaram, em termos econômicos e geopolíticos, à atual posição de superpotência mundial, precisamos analisar sua formação histórica e identificar os fatores que contribuíram para seu desenvolvimento.
As colônias que, no século XVII, foram estabelecidas na costa do Atlântico Norte, e que depois deram origem aos Estados Unidos, despertaram pouco interesse nos ingleses. Nessas terras, localizadas em áreas de clima temperado, não se desenvolviam bem os gêneros agrícolas tropicais, muito valorizados na Europa àquela época. Além disso, não havia no local jazidas de minerais preciosos, como ouro e prata. Assim, a ocupação dessas áreas atendia somente às necessidades das próprias colônias. Por isso, a forma de ocupação foi baseada no estabelecimento de pequenas propriedades camponesas, com predomínio do trabalho agrícola familiar, assim como no desenvolvimento do artesanato e da manufatura, com a produção de artigos diversos.
O aumento da produção agrícola e da atividade artesanal propiciou o cres cimento do mercado interno, acelerando a expansão das manufaturas, do comércio e das casas bancárias. A ampliação dessas atividades permitiu significativa acumulação de capital, que, a partir do século XIX, passou a ser investido nas primeiras fábricas, as quais, mais tarde, impulsionaram o desenvolvimento industrial e econômico do país.

Revolução industrial estadunidense

A partir do final do século XVIII, os Estados Unidos passaram por uma fase de grande prosperidade econômica, motivada especialmente pela expansão do mercado consumidor interno, fato que assegurou o crescimento da produção industrial na região nordeste do país.
Na segunda metade do século XIX, muitos recursos passaram a ser aplica dos na mineração, tendo em vista a demanda de matérias-primas destinadas ao abastecimento da crescente indústria. Iniciou-se a exploração de imensas jazidas de carvão nos Montes Apalaches, enquanto o ferro era extraído em abun dância nas proximidades dos Grandes Lagos na região nordeste do país. A exploração desses recursos alavancou o desenvolvimento da atividade industrial.
Mais tarde, no final do século XIX, a descoberta e a extração do petróleo, primeiro próximo aos Grandes Lagos e depois no Texas e no Golfo do México, proporcionaram grande desenvolvimento da indústria, em especial do setor petroquímico. O petróleo passou a ser empregado como combustível para o funcionamento de máquinas industriais e de veículos de transporte, principal mente automóveis.

Colonização e formação da América Anglo-Saxônica

A colonização do Canadá iniciou-se no século XVII, com o estabelecimento de ingleses na baía de Hudson e de franceses no litoral leste. A ocupação europeia seguiu gradativamente para oeste, alcançando o litoral ocidental do país no final do século XIX, com a chegada da ferrovia a Vancouver. 
O Canadá conquistou sua independência da Inglaterra somente em 1867. A colonização efetiva do território que atualmente compõe os Estados Unidos ocorreu em 1776 com a independência das chamadas Treze Colônias, que até então estavam sob o domínio inglês. Em segui da, iniciou-se o processo de ocupação do interior, chamado Conquista do Oeste ou Marcha para o Oeste. Dessa forma, novas áreas foram incorporadas (sobretudo para uso agrícola), algumas anexa das por meio de guerras, outras compradas ou cedidas aos estadunidenses. Assim como ocorreu no Canadá, a construção de ferrovias nos Estados Unidos foi fundamental para o relativamente rápido pro cesso de ocupação do território. 
Por outro lado, durante esse processo, dezenas de povos indígenas que viviam nos territórios compra dos acabaram perdendo suas terras, o que obrigou milhares de pessoas a viver em áreas restritas do ter ritório estadunidense (e também canadense) designadas pelo governo, as chamadas reservas indígenas.

Ascensão como potência econômica

A intensa acumulação de capital ocorrida na segunda metade do século XIX possibilitou a emergência dos Estados Unidos como uma das maiores potências econômicas mundiais.
No início do século XX, o país já abrigava grandes empresas que detinham o monopólio de alguns setores estratégicos da economia, como o de petróleo (pertencente à família Rockefeller), o de aço (da família Morgan), o de automóveis (da família Ford) e o setor de ferrovias (pertencente à família Vanderbilt).
O crescimento da economia estadunidense também foi favorecido por dois importantes acontecimentos históricos: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como eles ocorreram principalmente no território da Europa, os países desse continente, que já eram industrializados e despontavam como potências econômicas, foram praticamente arrasados. Be neficiados por estarem geograficamente distantes da Europa, os Estados Unidos não sofreram os mesmos desgastes e perdas resultantes desses conflitos.
Ao final da Segunda Guerra, países como Inglaterra, França, Itália e Alemanha estavam muito enfraquecidos e com as produções agrícola e industrial arruina das. A escassez de produtos no mercado interno os fez recorrer às importações dos Estados Unidos, acelerando o crescimento da economia estadunidense.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos passaram a destinar grande ajuda financeira para a reconstrução dos países europeus. A realização desses empréstimos contribuiu para o endividamento desses países, ampliando ainda mais a depen dência deles em relação à economia estadunidense.

O dólar na economia mundial

Ao término da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos, na condição de grandes credores internacionais, afirmaram sua hegemonia econômica. Essa posição, entretanto, já havia se evidenciado na Conferência de Bretton Woods, realizada no país em 1944.
O objetivo dessa reunião foi planejar a estabilização da economia mundial, profundamente abalada pela guerra. Naquela ocasião, o dólar estadunidense estava tão valorizado que se tornou a moeda de referência no mercado in ternacional, ou seja, o valor das mercadorias comercializadas entre os países passou a ser definido conforme a cotação dessa moeda no mercado mundial.

Multinacionais e comércio estadunidense

A partir da segunda metade do século XX, a economia dos Estados Unidos iniciou uma nova fase, caracterizada pela expansão de grandes empresas que, em busca de novos mercados, passaram a atuar em outros países. Ao ampliar sua participação no mercado mundial, as multinacionais estadunidenses do minaram o processo de acumulação capitalista, aumentando o poderio dos Estados Unidos em relação às demais nações.
Os investimentos realizados por essas multinacionais foram direciona dos principalmente para os países desenvolvidos da Europa, como França e Inglaterra. Muitas dessas empresas também investiram nos mercados consumi dores em expansão dos países subdesenvolvidos, entre eles Brasil, Argentina, México e África do Sul.

Multinacionais estadunidenses no Brasil

Até o início do século XX, a maior parte dos investimentos estrangeiros no Brasil era proveniente da Inglaterra. No entan to, após a expansão econômica dos Estados Unidos, grupos empresariais estadunidenses passaram a investir maciçamente em nosso país e a instalar empresas multinacionais em território brasileiro.
Atualmente, a maioria delas ainda permanece atuando no mercado nacional nos mais diversos setores de atividades, como o industrial (automóveis, medicamentos, produtos químicos etc.), o de comércio e serviços (seguradoras, bancos, redes de supermercado) e até mesmo o de produção cinematográfica.

Influência econômica dos Estados Unidos

As reportagens acima mostram a influência econômica dos Estados Unidos sobre o comércio e o mercado financeiro mundial. Essa influência se manifesta por meio do grande poder político sobre os organismos financeiros internacio nais, principalmente sobre o Fundo Monetário Internacional (FMI). Prova disso é que muitas das medidas adotadas pelo fundo são determinadas pelo gover no estadunidense, sobretudo quando se referem à ajuda financeira aos países subdesenvolvidos. Para receber empréstimos, os países precisam se ajustar às exigências do FMI.
Além disso, os Estados Unidos praticam uma política econômica externa bastante protecionista. O país interfere no comércio internacional, não permitindo, por exemplo, a entrada de determinados produtos em seu mercado interno e estabelecendo barreiras alfandegárias no comércio com certos países, a fim de impedir que setores de sua economia enfrentem a concorrência externa.
O governo também aplica sanções econômicas e embargos comerciais, que vão da suspensão temporária da importação de determinados produtos ao bloqueio comercial de países que contrariam seus interesses políticos.

Exportação cultural estadunidense

A difusão da cultura estadunidense em todo o mundo é intensa, realizada principalmente por meio dos veículos de comunicação de massa. As emisso ras de rádio espalhadas por todo o planeta, por exemplo, divulgam os vários gêneros musicais criados nos Estados Unidos. Da mesma forma, os estúdios de cinema e as redes de televisão produzem filmes e disseminam informações que enaltecem o modelo estadunidense de sociedade, o chamado american way of life, caracterizado pela modernidade e pelo comportamento consumista.
Além da influência exercida pelos veículos de comunicação de massa, a “invasão” cultural dos Estados Unidos consolidou-se com a implantação de multinacionais estadunidenses em todos os continentes. Ao se expandirem pelo mundo, essas empresas passaram a produzir praticamente os mesmos tipos de mercadoria e a prestar os mesmos serviços oferecidos nos Estados Unidos, influenciando os hábitos alimentares, as roupas, a língua e outros elementos culturais dos países onde foram instaladas, faturando centenas de bilhões de dólares todos os anos.


América Anglo-Saxônica

A América Anglo-Saxônica se destaca pelo desenvolvimento socioeconômico de seus países, que concentram negócios em diversos setores da economia. Esse conjunto regional é formado por duas nações altamente industrializadas: os Estados Unidos e o Canadá.

O território da América Anglo-Saxônica

Um dos países mais extensos do mundo, os Estados Unidos é composto de terras contínuas, com 48 dos 50 estados da Federação, e ainda porções descontínuas, como o Alasca (que se situa próximo à região norte do Canadá) e o Havaí, um arquipélago localizado no Oceano Pacífico.

O Canadá, mesmo tendo vasta extensão territorial, apresenta baixa densidade demográfica. Essa característica pode ser explicada pelo fato de que boa parte de sua área se localiza nas proximidades e até mesmo dentro do Círculo Polar Ártico, o que resulta em condições climáticas extremamente rigorosas.

População e sociedade

Estados Unidos e Canadá

Os Estados Unidos da América (EUA) têm a maior população abso luta do continente americano, com aproximadamente 331 milhões de habitantes (dado de 2020). É for mado por 50 estados.

Já o Canadá, em 2020, tinha uma população absoluta de cerca de 37,7 milhões de habitantes. O país é o segundo maior do mundo em extensão, com uma área de 9 897 170 km2.

Composição e distribuição da população dos Estados Unidos

A população dos Estados Unidos se formou a partir da variedade étnica de grupos indígenas que já ocupavam as terras americanas, africanos escraviza dos para o trabalho nas colônias do sul do país, colonizadores ingleses e outros europeus, principalmente italianos e irlandeses, além de asiáticos. Atualmente, a maioria da população é branca – em torno de 76,3% do total (esse percentual inclui pessoas de origem hispânica ou latina). A população negra, ou afro-americana, compõe 13,4% dos habitantes, e os asiáticos, 5,9% (dados do censo do governo dos Estados Unidos de 2020). Os grupos indígenas do país encontram-se muito reduzidos – cerca de 0,9% do total da população –, devido à dominação e ao extermínio a que foram submetidos no processo colonial. Uma parcela da população dos Estados Unidos é composta de pessoas de origem hispânica ou latina, que somam cerca de 18,5% da população (2020). A maioria dessa população é mexicana, mas há um grande número de porto-riquenhos, cubanos e panamenhos. Ao longo do tempo, os EUA se transformaram em uma nação multiétnica, recebendo pessoas de diver sos países que imigraram em busca, principalmente, de emprego e oportunidades. Desde a segunda metade do século XX, é intenso o fluxo de imigrantes latinos, boa parte deles vivendo em situação de ilegalidade. Em abril de 2018, o governo federal do país estabeleceu uma política de “tolerância zero”, que desencorajou a imigração ilegal nos Estados Unidos. Em virtude da grande extensão territorial – 9 371 219 km2, a quarta maior do mundo –, os EUA têm baixa densidade demográfica, em torno de 35,6 hab./km².

A grande concentração urbana nos Estados Unidos possibilitou a formação de três megalópoles, áreas de intensa rede de cidades, com a conurbação de metrópoles.

- Chi-Pitts: situada na região dos Grandes Lagos, abriga as áreas me tropolitanas de Pittsburgh, Buffalo, Cleveland, Detroit, Milwaukee e Chicago. Trata-se de uma área que se caracteriza por ser polo indus trial, comercial e de serviços.

- Bos-Wash: localizada na região Nordeste, é a maior megalópole do país, abrangendo cidades como Boston, Filadélfia, Washington, Nova York (metrópole central) e Baltimore. É caracterizada por seu notável parque industrial, além de ter ampla gama de serviços e diversos órgãos da admi nistração federal.

- San-San: situada na Costa Oeste, abriga as áreas metropolitanas de São Francisco, Los Angeles, Seattle e San Diego. Esse corredor abrange polos tecnológicos, como o Vale do Silício, onde estão gigantes mundiais da informática.

Composição e distribuição da população do Canadá

Como foi colonizado por ingle ses e franceses, o Canadá é um país com duas línguas oficiais: o inglês e o francês. Devido ao histórico colonial, é formado majoritariamente pelas etnias inglesa e francesa; além dessas, vivem nele pessoas das etnias escocesa, irlan desa, alemã, italiana, chinesa, nativos da América do Norte, entre outras. Essa diversidade é resultado da política de imigração do país, que faz com que quase 22% da população seja de ori gem estrangeira (2019).

Quebec é a província francesa do Canadá, e a maioria da população do país é urbana. As grandes cidades estão localizadas no centro-sul e no sudeste do país, regiões próximas aos Grandes Lagos e ao Vale do Rio São Lourenço.

O Canadá tem uma das mais baixas densidades demográficas do mundo, apenas 4,2 hab./km² (2020), configu rando-se como um país pouco populoso e pouco povoado.

Indicadores sociais e econômicos

Os Estados Unidos, que integram os países do Norte na regionalização Nor te-Sul do mundo, têm bons indicadores sociais e econômicos. Estão entre as dez primeiras nações do planeta, com elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice mostra que, em linhas gerais, a população tem boas condições de vida; no entanto, encontram-se no segundo grupo de países com maior desi gualdade. Observe o mapa da página seguinte com os índices globais de IDH.

O Canadá tem o padrão socioeconômico mais elevado do continente americano e, assim como os Estados Unidos, integra os países do Norte na regionalização Norte-Sul do mundo. Apresenta um dos dez mais elevados IDHs, 0,929, que você pode observar no mapa acima (dados de 2017). Esse índice mostra que, em linhas gerais, a população tem boas condições de vida e o país apresenta menos desigualdade que seu vizinho do sul. O perfil etário estadunidense mostra que a maioria da população está na faixa de 25 a 54 anos, totalizando 38,92%. O crescimento populacional anual é de apenas 0,7% (2021). No Canadá, o perfil etário indica que a maioria da população também está na faixa de 25 a 54 anos (39,81%), e o crescimento populacional anual também é de 0,7% (2021). Veja, na tabela a seguir, alguns indicadores socioeconômicos dos dois países que compõem a América Anglo-Saxônica.

Principais características naturais da América Anglo-Saxônica

Os Estados Unidos e o Canadá têm grande diversidade de paisagens, resultan tes da interação entre suas formas de relevo, seus tipos climáticos e suas forma ções vegetais. Conheça mais sobre essa diversidade a seguir.

O relevo e a hidrografia

Os territórios do Canadá e dos Estados Unidos apresentam, em sua maior parte, baixas altitudes e contrastes evidentes entre suas porções leste e oeste. Analise o mapa a seguir e conheça algumas das principais regiões naturais do continente.

Montanhas e planaltos antigos do leste 

Essa área da América Anglo-Saxônica abrange o Planalto Laurenciano e os Montes Apalaches, um conjunto de montanhas e planaltos muito antigos e desgastados. Por isso, as altitudes são moderadas.
Montanhas jovens do oeste Estão situadas em uma extensa área de contato entre as placas tectônicas do Pacífico e Norte-Americana. Nessa re gião, no período terciário da Era Ceno zoica (entre 65 e 2 milhões de anos atrás), formaram-se as Montanhas Ro chosas, uma ampla cadeia que se esten de no sentido norte-sul.

Cânions 

Também na porção oeste dos Estados Unidos, encontramos o Grand Canyon, formado em áreas de rochas sedimenta res que, no decorrer de milhões de anos, vêm sendo desgastadas pelas águas do Rio Colorado, que percorre a região. Os processos erosivos desenham longos e profundos vales em forma de cânions.

Planícies centrais 

No centro da América Anglo-Saxônica estão localizadas extensas áreas de planí cie. Nelas, destaca-se o Rio Mississippi, que forma uma densa rede hidrográfica, com seus afluentes vindos dos Montes Apala ches a leste e das Montanhas Rochosas a oeste. Esse rio exerce um papel relevante para a navegação e a economia da região.

O clima e as formações vegetais 

A variedade climática da América Anglo-Saxônica, aliada a outros fatores, como o relevo, proporciona a existência de formações vegetais diversificadas, ainda que, atualmente, boa parte delas se encontre intensamente transforma da pela ação humana.
As montanhas localizadas na porção oeste da América Anglo-Saxônica representam uma barreira para as massas de ar que vêm do Oceano Pacífico em dire ção ao interior do território. Essa barreira bloqueia a umidade das chuvas e contribui para a formação de áreas com predomínio dos climas desértico e semiárido. A corrente marítima fria da Califórnia, que atua na porção oeste da região, reduz a evaporação e também favorece a existência de climas mais frios e secos nessa porção.

Nos territórios localizados na porção norte da América Anglo-Saxônica, registra-se a presença de climas mais frios (frio e polar), visto que há menor incidência direta de radiação solar nas áreas de elevada latitude. 
As condições do relevo e a corrente marítima quente do Golfo, por sua vez, propiciam a entrada de ventos úmidos e a formação de climas mais chuvosos e amenos na porção leste dos Estados Unidos, onde predominam os tipos climáticos temperado e subtropical.
As diferentes formações vegetais da América Anglo-Saxônica estão associadas à atuação dos tipos climáticos na região.

Tundra 

No extremo norte do continente, predomina a vegetação de Tundra, composta de musgos e liquens e que se adapta às áreas de ocorrência de clima polar. Nessas regiões, a superfície do solo permanece coberta de gelo durante a maior parte do ano. Nos curtos períodos de verão, quando o gelo derrete, a vegetação floresce e se reproduz. Logo depois, quando reinicia o longo inverno, a Tundra volta a desaparecer sob o gelo.

Floresta Boreal (Taiga) 

Desenvolve-se em regiões de clima frio, com apenas duas estações: um inverno longo e um verão curto. Nessas áreas, destacam-se as coníferas, que, de maneira geral, permanecem com suas copas esverdeadas mesmo durante os períodos mais frios.

Floresta Temperada 

Vegetação típica das áreas onde pre domina o clima temperado, marcado por quatro estações do ano bem definidas. Ocorre no litoral chuvoso da porção noroeste da América Anglo-Saxônica, as sim como na porção centro-leste. A vegetação dessa floresta é composta, principalmente, de espécies caducifólias, isto é, que perdem suas folhas nas esta ções frias (outono e inverno) e as retomam nas estações quentes (primavera e verão). Atualmente, essa vegetação está intensamente alterada pela ação humana.

Vegetação de Estepes e Pradarias 

Desenvolve-se na região central dos Estados Unidos, onde se verifica o predomínio de condições climáticas mais áridas. É caracterizada pela vegetação rasteira, predominantemente composta por gramíneas e herbáceas.

Deserto 

Ocorre nas regiões em que atua o clima desértico, muito seco ao longo de to do o ano. Nessas áreas, há poucas espé cies de animais e plantas. Destacam-se, nesse sentido, as plantas adaptadas à escassez de água.

Vegetação Mediterrânea 

Desenvolve-se no litoral sudoeste dos Estados Unidos, onde o clima proporciona verões quentes e secos e chuvas con centradas no inverno. É caracterizada por plantas de pequeno e médio portes, adaptadas a períodos secos. 

Vegetação de alta montanha 

Ocorre em áreas de altitude elevada, nas montanhas da região oeste dos Esta dos Unidos e do Canadá. Varia conforme a altitude, com predomínio de gramíneas e arbustos nas porções mais baixas e musgos e liquens nas partes mais altas.

Economia

Estados Unidos 

Considerada uma das mais influentes do mundo, a economia dos Estados Unidos alcançou em 2019 o Produto Interno Bruto (PIB) de 21,4 trilhões de dólares, sendo responsável por mais de um quarto do PIB mundial. 
Os Estados Unidos integram o G7, grupo dos sete países mais ricos e industrializados do planeta. Além de serem sede de diversas empresas trans nacionais, são líderes de investimentos em Bolsas de Valores, e sua moeda, o dólar, é adotada como padrão em transações financeiras internacionais.
As exportações estadunidenses somaram cerca de 1,6 trilhão de dólares em 2019. O país é o maior exportador de produtos agrícolas do mundo, sendo responsável por, aproximadamente, 10% da economia global. Canadá, México, China e Japão são os principais compradores, e os principais produtos expor tados são: gêneros agrícolas (soja, frutas e milho), bens de capital (aeronaves, autopeças, computadores e equipamentos de telecomunicações) e bens de con sumo (automóveis e medicamentos).
No entanto, suas importações atingiram mais de 2,5 trilhões de dólares em 2019. Os parceiros que mais exportam para os Estados Unidos são China, México, Canadá, Japão e Alemanha, especialmente no que se refere a produtos agrícolas, bens de capital (computadores e autopeças) e bens de consumo (automóveis, roupas, medicamentos e brinquedos). 
Com base nesses dados, percebe-se a relevância da China para as relações comerciais com os Estados Unidos, bem como seu poder de concorrência na economia global. Nos últimos anos houve um acirramento da disputa comercial entre os dois países, especialmente no período de 2017 a 2020, o que vem resultando em uma série de negociações.

Indústria e agricultura 

Um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento industrial dos Estados Unidos é sua grande riqueza em recursos minerais e energéticos, como petróleo, carvão, gás natural, minério de ferro, cobre e bauxita. 
São o quinto maior produtor mundial de petróleo cru (quase 11,3 milhões de barris por dia), o terceiro de refinados (mais de 20 milhões de barris por dia) e o 11° em reservas de petróleo (cerca de 36 bilhões de barris), além de ocuparem o segundo lugar no maior consumo desses produtos (cerca de 18,1 milhões de barris por dia).
O país também tem a maior reserva de carvão do mundo – 23% do total –, produz cerca de 4 trilhões de kW/h por ano e é o segundo maior con sumidor mundial de energia elétrica.

A indústria estadunidense é altamente diversificada e desenvolvida. Destacam-se no setor os ramos petroquí mico, siderúrgico, automobilístico, aeroespacial, químico, madeireiro, de telecomunicações, de eletrônicos, de bens de consumo, de alimentos processados e de mineração. 
As indústrias tradicionais estão concentradas no nor deste e na área dos Grandes Lagos, região conhecida como manufacturing belt (cinturão industrial). Nela se agrupam setores como o automobilístico, o eletroeletrônico, o ali mentício, o siderúrgico, o aeronáutico e o naval. 
Nas últimas décadas, as regiões sul e oeste se trans formaram no mais novo foco de industrialização do país, por apresentarem menores custos de produção e maiores incentivos fiscais do governo. 
Essa área é conhecida como sun belt (cinturão do sol), porque tem clima predominan temente quente e ensolarado, e nela se destacam as indús trias aeroespacial e petroquímica. Na Costa Oeste há o Vale do Silício, na Califórnia, onde se concentram empresas de tecnologia de ponta, ligadas a microeletrônica, informática e robótica, além de intensa atividade de pesquisa.

Belts agropecuários 

Os Estados Unidos aprimoraram o sistema de cultivo em cinturões agrícolas, conhecidos como belts. São áreas, principalmente na Planície Central, especializadas em mono culturas, que formam o “celeiro agrícola” estadunidense. 
Os principais belts são o cinturão do algodão (cotton belt), o do leite (dairy belt), o do trigo (wheat belt), o do milho (corn belt), o da pecuária (ranching belt) e o da fruticultura (fruit belt).

Canadá: economia 

Considerado um dos países mais desenvolvi dos do mundo, com PIB de 1,6 trilhão de dólares, o Canadá também integra o G7. Cerca de 70% do valor da produção industrial canadense é proveniente das províncias de Quebec e Ontário. Os principais setores são o madeireiro (papel e celulose), o siderúrgico e o eletrônico, o de equipamentos de transporte e aviação, o de telecomunicações e informática. 
As indústrias do país – com destaque para a siderurgia, a metalurgia e a indústria de papel e celulose – estão localizadas principalmente na região dos Grandes Lagos e nos arredores de Vancouver, na Costa Oeste. 
A atividade industrial é favorecida pelos valiosos recursos minerais do subsolo canadense, como cobre, zinco e ferro, além de contar com uma grande dispo nibilidade de recursos energéticos, como petróleo, gás natural e hidreletricidade.
O Canadá é o quarto maior produtor mundial de petróleo cru (mais de 5,1 milhões de barris por dia) e o terceiro em reservas de petróleo (cerca de 168,1 bilhões de barris). 
O país é um grande exportador de riquezas mine rais, configurando-se como o terceiro maior exportador de minérios do mundo, com destaque para o alumínio, o zinco, o ferro e o chumbo. 
A intensa exploração de madeira da Floresta Boreal oferece matéria-prima à indústria de papel e celulose, muito desenvolvida no país, além de abas tecer cerca de metade da demanda de papel-jornal de todo o mundo.
Outra atividade econômica importante do Canadá é a agricultura mecanizada, realizada sobretudo nas áreas úmidas e férteis da Planície Central, também conhecida como prairies (pradarias). Com relevo plano e solo fértil, a planície concentra 75% das áreas de cultivo do país. 
A região dos Grandes Lagos e o Vale do Rio São Lourenço também têm agricultura desenvolvida, principalmente na produção de hortifrutigranjeiros, para abastecer seu grande mercado consumidor. 
O Canadá é considerado um dos principais produtores de alimentos do mundo, com destaque para cereais como trigo, aveia, centeio, cevada, canola e linhaça, exportados especialmente para os Estados Unidos. As exportações canadenses somam cerca de 103 bilhões de dólares (2019). Os parceiros para os quais o Canadá mais exportou, em 2019, foram Estados Unidos e China. 
O país importa mais de 120 bilhões de dólares em mercadorias (2019), sobretudo dos Estados Unidos, da China e do Japão. Canadenses e estaduni denses são importantes parceiros econômicos, mas essa relação passa por um período de crise, iniciado pelo comércio do aço.

Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta)

Estados Unidos e Canadá participam de diversas organizações internacionais, entre elas, até o ano de 2018, o acordo de livre-comércio Nafta (sigla para North America Free Trade Agreement, ou Acordo de Livre Comércio da América do Norte). 
Esse acordo se originou em 1988, com Estados Unidos e Canadá. Em 1991, os dois países assinaram o Acordo de Libera lização Econômica, formalizando sua relação comercial. O México aderiu a ele em 1992, e o Nafta entrou em vigor em 1994, estabelecendo o prazo de 15 anos para a eliminação de todas as barreiras alfandegárias entre seus signatários. 
Em mais de duas décadas, o Nafta aprofundou as relações comerciais entre seus membros, mas trouxe insatisfações de trabalhadores, empresas, políticos e especialistas. Por isso, no início de 2018, os governos dos Estados participantes do Nafta iniciaram discussões para reformar o acordo. Com o fim do Nafta, entrou em vigor o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), em 2020.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Fluxos migratórios na América Latina

A América, desde o século XVI, tornou-se um continente de destino de imigrantes de várias partes do mundo. O “Novo Mundo”, como foi chamado, atraiu milhões de imigrantes que povoaram suas terras e que, juntamente com a popu lação nativa e mais as migrações forçadas de africanos, formaram suas populações, construíram seus espaços geográficos e suas economias.
Entretanto, por volta de 1970 e prolongando-se até os dias atuais, en quanto Estados Unidos e Canadá continuaram sendo países de destino de imigrantes, os países da América Latina se tornaram grande área geo gráfica de saída de emigrantes, principalmente para os Estados Unidos, países europeus e, sobretudo, países da própria região latino-americana.
Para se ter ideia, em 2020, segundo a Organização Internacional para Migrações (OIM), da ONU, dos 14,7 milhões de migrantes latino-americanos, cerca de 76% deles migraram para países da própria Amé rica Latina e os cerca de 24% restantes se dirigiram a outros países do mundo. Em relação à América do Sul, quase 74% de todos os movimentos migratórios foram realizados entre os países desse subcontinente, tendência que vem aumentando nos últimos anos.

Causas da inversão da migração latino-americana


A situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas na América Latina é a principal causa das migrações. Muitos latino-americanos deixam seus países de origem em busca de melhores condições de vida. Quando migram para outros países da América Latina, dizemos que se trata de migrações intrarregionais.
Devemos também considerar as migrações extrarregionais, ou seja, as que se dirigem aos Estados Unidos, ao Canadá ou a países de outros continentes. Quanto ao fato de o maior fluxo de migrantes latino-americanos se dirigir a países da própria região, podemos considerar como causas: o maior desenvolvimento regional; o sentimento anti-imigração ou a xenofobia existentes nos Estados Unidos e nos países europeus; e, principalmente, as leis de migração restritivas adotadas por esses países.

Os deslocamentos internos na América Latina


Além das migrações internas espontâneas que ocorrem dentro de um mesmo país – êxodo rural, migração de uma cidade ou região para outra etc. – e das migrações internacionais, existem os deslocamentos internos ou as migrações internas forçadas.
Na América Latina, o crescimento do narcotráfico e a consequente formação de organizações criminosas têm espalhado a violência tanto no campo como nas cidades. Os casos mais graves são encontrados no México, em países da América Central, na Colômbia e no Brasil, entre ou tros. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, gangues do narcotráfico se enfrentam pelo domínio de territórios para a venda de drogas ilícitas e, nesse confronto, policiais e civis inocentes morrem.
Na Colômbia, a ação de grupos guerrilheiros também espalhou a violência e provocou migrações forçadas ou deslocamentos internos.
Assim como ocorreu no Brasil e em outros países, os megaprojetos agroindustriais na Colômbia causaram grandes deslocamentos internos. Esses projetos, além de alterar profundamente a paisagem, desestrutura ram a produção tradicional de alimentos das comunidades, provocaram im pactos ambientais e aumentaram a concentração da terra. Segundo a OIM, cerca de 8,3 milhões de colombianos realizaram deslocamentos internos nos últimos 35 anos – número superior aos deslocamentos internos ocorri dos na Síria (6,8 milhões) entre 2011 e 2021, causados por uma guerra civil.
Além dessas causas das migrações forçadas, há que se considerar: os desastres naturais – inundações, secas, deslizamentos de terras, terre motos etc. –; a construção de barragens para hidrelétricas e para abri gar rejeitos de mineração; e a implantação de megaprojetos minerais. No Brasil, por exemplo, entre os anos de 2000 e 2017, cerca de 7,7 mi lhões de pessoas foram forçadas a se deslocar internamente por essas causas (observe o gráfico), além da violência decorrente da disputa pela posse de terra.
Outro exemplo de migração forçada se refere à construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu, próxima à cidade de Altamira, no estado do Pará, que deslocou cerca de 40 mil pessoas, principalmente a população ribeirinha, na qual se incluem os indígenas.
Outro caso desastroso no Brasil, relacionado à implantação de proje to mineral, foi o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração (minério de ferro) no subdistrito de Bento Rodrigues, no município de Ma riana, estado de Minas Gerais, em 2015. Com esse rompimento, a lama com rejeitos atingiu o vale do Rio Doce e de outros rios dessa bacia hidro gráfica, causando o maior desastre ambiental do Brasil e um dos maiores do mundo. Esse subdistrito foi destruído e, além das mortes, 1361 pes soas foram forçadas a se deslocar ou a realizar migração forçada.

As migrações na América Latina


O México é usado por migrantes da América Central, da América do Sul, da África e da Ásia para entrarem de forma ilegal nos Estados Unidos. O fluxo de pessoas que atra vessam o território mexicano tem aumentado nos últimos anos, mostrando, assim, o descontentamento delas em relação aos seus países de origem ou as dificuldades pe las quais passam neles, como falta de emprego, precárias condições de existência etc.
Mas o desejo desses migrantes de viver nos Estados Unidos é dificultado por barrei ras existentes em sua fronteira com o México, que impedem ou dificultam a entrada de migrantes ilegais. Desde o início dos anos de 1990, nos 3142 km de fronteira entre esses dois países, os Estados Unidos construíram um muro de 1130 km de extensão (embora descontínuo) em locais onde o fluxo de migrantes ilegais é mais intenso (observe o mapa e a foto). Ao longo dele, existe monitoramento militar estadunidense. E nos locais onde o muro não foi construído, há patrulhas de fronteira, câmeras de segurança e alarmes.
Com exceção dessas migrações que se dirigem ao México com a in tenção de entrar nos Estados Unidos, os principais países de destino das migrações, no contexto regional, são: Chile, Brasil e Argentina. A maior parte desses migrantes tem como país de origem a Bolívia, o Peru, o Pa raguai, a Venezuela, a Colômbia e o Haiti. Mas, em contrapartida, cabe destacar que o Paraguai recebeu cerca de 240 mil brasileiros que migra ram para esse país, atraídos pelas facilidades de aquisição de terras – nú mero somente inferior ao de brasileiros nos Estados Unidos, calculado em mais de 1,7 milhão, em 2020. 
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o total de brasileiros que vivia no exterior, em 2020, era superior a 4,2 milhões. Para efeito de comparação, isso corresponde a uma população seme lhante numericamente à do Panamá, que possuía cerca de 4,3 milhões de habitantes, em 2020.

América Central: rotas migratórias


 A América Central é uma região de passagem obrigatória para os migrantes que se dirigem dos países latino-americanos para os Estados Unidos. Cada um dos sete países que formam a região (Belize, Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá) possui suas dinâmicas e problemas socioeconômicos, alguns sendo países de passagem de migrantes e outros sendo emissores ou receptores deles. 
A origem e o destino de alguns fluxos migratórios na América Central, com as rotas usadas por latino-americanos (como também por migrantes asiáticos e africanos) para chegar aos Estados Unidos. Nesses deslocamentos há zonas de perigo, como entre a Colômbia e o Panamá, risco de afogamento na travessia pelo Rio Amazonas ou pelo Golfo de Urabá, pica das de insetos e de cobras, fome e desidratação na selva de Darién; e, nos países da América Central e no México, assaltos e sequestros por grupos do crime organizado. 
A extensa rota de migrações na América Central se inicia na Região de Darién, um imenso obstáculo natural inóspito e perigoso entre a Colômbia e o Panamá, formado por uma floresta densa e que interrompe a Rodovia Panamericana, que liga a maioria dos países da América. 
Mesmo que muitos migrantes cheguem de avião a grandes cidades da América Central, outros tentam atravessar a Região de Darién pelos pequenos portos marítimos, como o de Necoclí, na costa caribenha da Colômbia. Uma vez supera da a passagem pela floresta densa dessa região, os migrantes iniciam uma extensa rota migratória rumo ao México, para depois prosseguirem aos Estados Unidos.
Os migrantes atravessam o principal polo emigratório da América Central, conhecido como Triângulo Norte, formado por Guatemala, Honduras e El Salvador, os três países mais pobres e instáveis politi camente nessa região. 
O Triângulo Norte abrange terras de altitudes elevadas e áridas, muito desmatadas e com as maiores densidades demográficas, es tando sujeitas a tempestades tropicais e catástrofes naturais perió dicas (inundações, deslizamentos de terras, secas prolongadas etc.), que contribuem para a ocorrência de migrações causadas por even tos naturais com capacidade de causar danos graves.
Além disso, pessoas emigram dessa região em razão dos “cin turões de pobreza” em suas grandes cidades, principalmente Gua temala, San Salvador, Tegucigalpa e San Pedro Sula. São nessas cidades que prosperam os chamados maras e pandillas, gangues de rua geralmente formadas por jovens e que contribuem para a esca lada de corrupção e violência que levam muitas pessoas a emigra rem dessa região. 
No entanto, nem todos os emigrantes da América Central se dirigem para fora dessa região. Alguns emigram para o Belize, a Costa Rica e o Panamá, cujos territórios são considerados áreas de estabilidade regionais, pois nos últimos anos vêm apresentando grande desenvolvimento.

Políticas migratórias na América Latina 


Vamos entender aqui por política migra tória um conjunto de normas ou regras esta belecidas em leis, relativas aos imigrantes e emigrantes, pelos governos dos países. De modo geral, as políticas migratórias dos governos dos países latino-americanos tinham por base, até recentemente, suas Doutrinas de Segurança Nacional.
Entre os anos de 1950 e 1970, foram implantados regimes ditato riais repressivos às livres manifestações de suas sociedades: censuras aos meios de comunicação (jornais, revistas, TVs, rádios etc.); proibição de greves de trabalhadores e estudantes; controle de partidos políticos, pessoas, escolas, universidades, professores; restrição à imigração; além de outras medidas, com a justificativa de que eram necessárias para a segurança na cional. No Paraguai e na Guatemala, os governos militares se instalaram em 1954; no Brasil, em 1964; no Peru, em 1968; na Bolívia, em 1972; no Uruguai e no Chile, em 1973; e na Argentina, em 1976 (foto A). 
Após a redemocratização desses países – no Brasil, isso ocorreu a partir de 1985 –, várias leis desse período, pouco a pouco, foram substituídas, entre elas as que se referiam aos imigrantes e emigrantes como questão de segurança nacional.
A Lei de Imigração do Brasil – o Estatuto do Estrangeiro –, vigente até 2017, considerava o imigrante um estranho e uma provável ameaça à segurança nacional e, além disso, pessoa de menor importância em relação aos brasileiros. 
Há anos, o Brasil pretendia fazer a reforma de sua legislação sobre migração. E isso foi conseguido em 2017, com a Nova Lei de Migração, que considerou o deslocamento populacional sob a óptica dos direitos humanos, ou seja, um direito humano, abandonando a ultrapassada concepção de migração como uma questão de segurança nacional. Foi, assim, um grande avanço. Em outros países latino-america nos essa concepção também está sendo ultrapassada.


A COLONIZAÇÃO NA AMÉRICA E AS DISPUTAS TERRITORIAIS

No século XV, a Europa viveu um período de transição entre o feudalismo e o capitalismo comercial. Portugal e Espanha tornaram-se as primeiras nações europeias a navegar pelo oceano Atlântico. Elas se lançaram ao mar em busca de novas rotas marítimas que as levassem ao Oriente e a outros lugares, a fim de explorar riquezas e expandir o comércio de seus produtos. Tal processo ficou conhecido como Grandes Navegações. 
Destacamos alguns dos principais objetivos das Grandes Navegações:

- a procura por novas rotas para o comércio das especiarias do Oriente, como pimenta-do-reino, noz-moscada, cravo, canela e gengibre, visto que as rotas terrestres estavam bloqueadas pela ocupação muçulmana da cidade de Constantinopla (atual Istambul, na Turquia);

- a busca por metais preciosos, como ouro e prata, com os quais os monarcas pretendiam cunhar moedas.

Com a expansão comercial, foram desco bertas novas terras e novos povos, dando início, então, a um processo de colonização e dominação do mundo pelas nações europeias. As consequências disso foram inúmeros conflitos territoriais entre os colonizadores e os povos que habitavam a região. Os continentes afri cano e americano vivenciaram intensa atividade colonizadora e exploradora nesse período. Portugueses e espanhóis – assim como britânicos e franceses nos séculos XVIII e XIX –, ao encontrarem novos territórios, os quais ofere ciam os recursos que buscavam, deparavam-se com civilizações que já dominavam essas regiões e lutavam para mantê-las e continuar vivendo ali.

A COLONIZAÇÃO NA AMÉRICA 


No capitalismo comercial, o papel das novas colônias era fornecer mercadorias a serem comer cializadas por suas respectivas nações europeias em suas metrópoles, como Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França. Para fazer a distribuição delas, foram criados entrepostos comerciais em todo o mundo, em um sistema que inaugurou uma organização econômica mundial. Esses entrepostos foram denominados de feitorias. 
O avanço das conquistas europeias no continente americano, tanto na América do Norte quanto na América do Sul, teve como fatores principais um movimento político estimulado e financiado pelas coroas europeias e a propagação da fé cristã. Os primeiros a conseguir foram os espanhóis, representados por Cristóvão Colombo (1451-1506), que chegou ao Caribe em 1492.
Já os portugueses tinham experiências bem-sucedidas nas costas leste e oeste da África (Moçambique e Angola). O sistema colonial já estava consolidado com base no domínio desses territórios e dos portos costeiros, que estabeleciam relações entre as colônias africanas. 
Um traço muito característico da colonização da América foi o trabalho escravizado. Em um primeiro momento, os indígenas foram submetidos a trabalhos forçados; depois, os africanos, que tiveram seus conhecimentos técnicos e sua força de trabalho explorados em grandes plantações e na extração de minérios.

Os interesses econômicos na colonização da América 

O interesse dos europeus no continente americano era, a princípio, a exploração dos recursos naturais, principalmente ouro e prata. No entanto, acabaram descobrindo novas áreas de cultivo para culturas, como a de cana-de-açúcar, e novos produtos, como o tabaco, além de áreas para a pecuária.
O processo de conquista na América se deu em um violento embate entre potências econômicas e bélicas da Europa e os povos que aqui viviam, os quais lutavam para manter os seus territórios. As disputas territoriais eram constantes; os embates entre as comunidades indígenas e os colonizadores, além das epidemias trazidas pelos portugueses, resultaram na morte de milhares de indígenas que ocupavam aquela região.

A colonização da América inglesa 


Muitos ingleses imigraram para a América do Norte, criando colônias ao longo da costa leste entre o final do século XVI e o início do século XVII. O projeto de ocupação dos ingleses iniciou-se com a atividade de caçadores e mercenários pertencentes à Companhia Virgínia de Londres (1606) – que fundou Chesapeake e as colônias do Sul – e à Companhia de Plymouth (1609) – origem da Nova Inglaterra.
À medida que os britânicos prosperavam e expandiam seus territórios nas planícies costeiras, fundando portos e negociando peles e carnes, mais ingleses chegavam ao novo continente com suas famílias, incentivados pela chance de prosperidade na nova terra. 
As colonizações do Norte (Nova Inglaterra) e do Sul não ocorreram da mesma forma. Na primeira, usavam mão de obra livre, e a propriedade das terras pertencia aos colonos. Na segunda, a economia era baseada no plantio de tabaco e no trabalho escravizado, mais semelhante à lógica colonizadora da América Latina. 
Como resultado, na América Anglo-Saxônica, estabeleceu-se o comércio triangular, que envolvia a colônia americana, a metrópole europeia e a costa africana. A colônia era responsável pelo envio de matéria-prima, como açúcar, arroz, tabaco etc. A metrópole britânica enviava produtos manufaturados e trocava produtos por mão de obra escravizada vinda da costa africana. 
Entre os séculos XVII e XVIII, a população da Nova Inglaterra era constituída de camponeses expulsos da Europa, de protestantes condenados que fugiam e de renegados pela justiça. 
Os produtos obtidos com as atividades pesqueira e manufatureira, assim como os produtos de cultivo (por exemplo, alfafa, trigo e centeio), não despertavam o interesse da metrópole, pois também eram produzidos na Inglaterra. Assim, a falta de produtos tropicais lucrativos para os comerciantes ingleses propiciou uma relativa autonomia econômica dessas colônias e a gênese de uma estrutura social estadunidense.

O COLONIALISMO ESPANHOL NA AMÉRICA 


Os territórios que foram alvo da colonização espanhola iam do oeste dos Estados Unidos até os países da América Central e até a costa oeste do continente sul-americano. Inicialmente, os espanhóis organizaram um sistema de saque; depois, passaram a explorar as jazidas minerais na América Andina e no México. Para isso, desestruturaram politicamente socie dades pré-colombianas, como os impérios Inca e Asteca, e escravizaram a população, usando-a como mão de obra na mineração, formando uma rede de circulação de mercadorias para a Coroa espanhola. 
Todas as riquezas exploradas pela Coroa espanhola eram levadas diretamente à Espanha, diferente mente da América Anglo-Saxônica – cuja produção ia para os portos africanos para compra de escravizados. Essa rota é conhecida como porto único. Para escoar a produção dos territórios localizados mais no interior do continente, os colonizadores utilizavam os rios e demais cursos-d’água. 
Usando o trabalho escravizado dos indígenas, eles formaram uma rede de circulação de mercadorias monopolizada pela Coroa, o que garantia à Espanha direitos exclusivos sobre a América espanhola. Essa rede de circulação contava com o curso natural de rios e com os sistemas de portos únicos – a Espanha era o único destino das riquezas embarcadas.
O monopólio da Coroa inibia o desenvolvimento de outras ativi dades na colônia, impossibilitando a formação e o crescimento de uma economia própria que reunisse todos os vice-reinos espanhóis da América. 
Assim como no processo de colonização por parte da Coroa portuguesa, os povos tradicionais que habitavam o México, as ilhas centrais e os Andes foram dizimados por causa dos intensos conflitos com os colonizadores e pelas doenças trazidas nos navios, as quais resultavam em epi demias. Os territórios asteca e inca foram tomados pelos colonizadores e a população originária já não existe mais.

O COLONIALISMO PORTUGUÊS NA AMÉRICA 


Uma das estratégias de Portugal para ocupar as terras sob seu domínio foi a transferência de grandes pro priedades, chamadas de capitanias hereditárias, a pessoas que se comprometiam a ocupar, explorar e administrar o território. Assim, os portugueses garantiam a ocupação das terras, ao mesmo tempo que as protegiam das invasões de outros povos europeus e de piratas. Os custos dos empreendimentos coloniais foram, desse modo, transferidos para particulares.
A divisão das terras em capita nias hereditárias configurou uma forma de organização territorial do período colonial. Para estimular a ocupação do território, a Coroa portuguesa autorizou os donatários a doar grandes extensões de terras (chamadas de sesmarias) para quem quisesse cultivá-las.
Inicialmente, a ocupação das terras se concentrou no litoral, onde exploravam ouro, pau-brasil e tabaco. Com as ameaças de invasão do território pelo domínio espanhol, a Coroa portuguesa iniciou o processo de interiorização. Nesse período, missio nários jesuítas e bandeirantes eram enviados para as expedições rumo ao interior do território. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

América: clima e vegetação

Vários fatores podem influenciar as características do clima de uma região. No continente americano, tanto a latitude e a altitude quanto o relevo e as correntes marítimas são os fatores que mais exercem influência nos diversos tipos climáticos e, consequentemente, nas variadas formações vegetais.

O clima e as formações vegetais

Por causa de sua grande extensão no sentido norte-sul, o continente americano abrange diferentes latitudes, posição geográfica que favorece a existência de variados tipos climáticos. Nas baixas latitudes, próximas à linha do Equador, ocorre maior inci dência da radiação solar e, por isso, há predomínio de climas mais quentes e úmidos, como os climas equatorial e tropical. Nessas áreas também é comum a ocorrência de furacões.

Clima equatorial

Nas áreas de clima equatorial, as temperaturas permanecem elevadas durante o ano todo, ficando, em ge ral, acima de 25 °C. As precipitações, também abundantes ao longo do ano, atingem totais pluviométricos de apro ximadamente 3 mil milímetros (mm). Nessas áreas de clima equatorial des taca-se, sobretudo na América do Sul, a floresta Equatorial. Por ser muito densa e ampla, essa formação vegetal influencia o elevado regime de pluvio sidade da região.

Clima tropical

As regiões de clima tropical, localizadas principalmente na América do Sul, apresen tam temperaturas médias elevadas durante o ano todo, normalmente acima de 22 °C; no entanto, apresentam variados níveis de precipitações ao longo do ano, com uma estação chuvosa e outra seca. De modo geral, as precipitações anuais costumam atingir aproximadamente 1400 mm.
Nessas áreas ocorrem diversas formações vegetais, entre elas a savana, que no Brasil é denomi nada Cerrado, vegetação forma da, principalmente, por pequenas árvores e arbustos com tronco e galhos retorcidos e casca grossa, além de vários tipos de plantas rasteiras que recobrem o solo.
Na América Central e na costa do Brasil, também encontramos florestas tropicais, que estão sob forte influência das massas de ar quentes e úmidas vindas do oceano Atlântico. As serras existentes nessas regiões barram a passagem dos ventos úmidos, que, ao se elevarem, resfriam-se e precipitam-se, dando origem às chamadas chuvas orográficas ou chuvas de relevo.

Climas temperado e subtropical

Nas médias latitudes, ou seja, nas regiões situadas entre os trópicos e os círculos polares, há predomínio dos climas temperado e subtropical. De modo geral, as áreas de clima temperado apresentam as quatro estações do ano bem definidas, com tem peraturas amenas no outono e na primavera, verões quentes e invernos frios, com frequente ocorrência de neve.
Na América do Norte, as áreas de clima temperado abrigam as pradarias, compostas basicamente de plantas herbáceas, arbustos e gramíneas, assim como florestas tempera das, que se destacam pela presença de plan tas que perdem as folhas durante o outono e o inverno, chamadas de caducifólias.
Nas áreas onde predomina o clima sub tropical, as temperaturas ao longo do ano normalmente são mais amenas se compa radas às do clima temperado, com chuvas durante a maior parte do ano.
Na América do Sul, nessas áreas onde predomina o clima subtropical, há presen ça de araucárias (pinheiros) nos estados da Região Sul do Brasil, e de pradarias na Argentina, no Uruguai e no estado do Rio Grande do Sul (área regionalmente denomi nada Pampas).

Climas frio e polar

Nas elevadas latitudes, onde há menor incidência de radiação solar, predominam climas com baixas temperaturas, como os climas polar e frio.
Nas áreas de clima polar, localizadas nos extremo norte do continente, os inver nos costumam apresentar temperaturas muito baixas, muitas vezes abaixo de -19 °C, e os verões são mais amenos, com temperaturas em torno de 10 °C. Nessas áreas nota-se a predominância da tundra, vegetação formada por musgos e liquens, que se desenvolvem nos curtos períodos de verão, após o derretimento da neve.
Também nas elevadas lati tudes estão localizadas as áreas de clima frio, em que as temperaturas médias no in verno são de aproximadamen te -3 °C, e no verão ficam em torno de 10 °C. Nas áreas lo calizadas em uma ampla faixa no Canadá e parte dos Esta dos Unidos, desenvolve-se a floresta de coníferas, também conhecida como floresta bo real ou taiga, que apresenta aspecto homogêneo com pre domínio de pinheiros.

Clima frio de montanha

Nas áreas montanhosas do oeste do continente, como nos Andes e nas Montanhas Rochosas, predomina o clima frio de mon tanha. De modo geral, a tempe ratura da atmosfera diminui, em média, 0,6 °C a cada 100 metros de altitude. Assim, nos terrenos com maiores altitudes, o cume das montanhas mais altas chega a ficar permanentemente cober to de neve e gelo.
De acordo com a altitude do relevo, a variação na temperatura do ar provoca mudanças significativas na vegetação. Em geral, nas áreas mais baixas desenvolvem--se florestas, e nas áreas mais altas ocorre uma vegetação mais rasteira, denominada vegetação de altitude.

Clima desértico e semiárido

O relevo pode influenciar o clima de determinada área ao dificultar ou facilitar a circulação das grandes massas de ar.
As elevadas cadeias montanhosas do oeste do continente americano determinam a existência de áreas de clima desértico e semiárido nessa região. As massas de ar quentes e úmidas vindas do oceano Pacífico são barradas pelas cadeias de monta nhas norte-americanas. Perdendo a umidade na forma de chuvas próximas ao litoral, as massas de ar chegam ao interior do continente com baixa umidade.
Isso explica a presença de áreas com formações vegetais desérticas e semiáridas, nas quais as plantas são adaptadas aos baixos níveis de pluviosidade ao longo do ano.
As áreas sob domínio de clima desértico apresentam grande amplitude térmica, diária e anual. As médias de temperatura podem variar bastante, entre 30 °C e 8 °C ao longo do ano. Já as médias térmicas diárias variam de 38 °C, durante o dia, passando para cerca de -4 °C, à noite, queda que ocorre rapidamente. As precipita ções não ultrapassam 250 mm ao ano.
As áreas de clima semiárido têm temperaturas com médias de 26 °C praticamente o ano todo, com totais de precipitação maiores do que nas regiões de clima desér tico (de 500 mm a 1000 mm de chuvas por ano).
Na Região Nordeste do Brasil, as características do relevo também influenciam bastante os baixos índices de precipitação. As altitudes mais elevadas ao longo da faixa litorânea funcionam como uma barreira aos ventos úmidos do litoral, o que determina a presença do clima semiárido.

Clima, recursos hídricos e gestão da água

A presença humana em grandes desertos do planeta quase sempre foi limitada pela falta de água desses locais. De fato, o recurso hídrico é extremamente escasso em regiões secas e áridas.
Contudo, o problema da baixa disponibilidade de água em algumas dessas regiões tem sido superado por meio da utilização de técnicas de irrigação, que abastece a po pulação e garante o desenvolvimento das mais diversas atividades.
Um exemplo emblemático do uso de técnicas de irrigação pode ser observado no deserto de Sonora, no estado da Califórnia, localizado na porção sudoeste dos Estados Unidos. Esse deserto é uma das regiões mais áridas do território estaduni dense, com pluviosidade anual de aproximadamente 250 mm (milímetros).
Sua paisagem começou a ser transformada na década de 1930, com a implantação de um projeto de irrigação que desviou parte das águas do rio Colorado até o deserto. Com isso, grandes áreas desérticas foram ocupadas por uma agricultura altamente moderna e muito produtiva, modificando completamente a paisagem.
Apesar de o aproveitamento das águas do rio Colorado abastecer milhões de pessoas e contribuir com o desenvolvimento de uma agricultura próspera, sua ex ploração tem gerado conflitos relacionados ao controle e à gestão dessas águas. Tais conflitos se agravaram nos últimos anos em decorrência de secas históricas que atin giram a região. Em algumas cidades, os habitantes já tiveram de reduzir o consumo de água ou passaram a adotar o racionamento.
Preocupados com a diminuição do nível das águas, ambientalistas e pescadores estão se opondo à abertura de novos poços e conseguindo proibir a irrigação nas áreas em que a situação é mais crítica. Para piorar a situação, estudos indicam que, ao longo das próximas décadas, o rio Colorado poderá perder boa parte de suas águas em razão das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

A influência das correntes marítimas no deserto do Atacama

As correntes marítimas exercem forte influência nos climas de diversas regiões do planeta. Isso porque elas podem alterar a umidade e a temperatura das mas sas de ar que circulam pela atmosfera.
Um dos fatores que explicam a presença de áreas de deserto na costa oeste da América do Sul, como a do Atacama, que abrange o norte do Chile e o sul do Peru, é a influência da corrente marítima fria do Peru (ou de Humboldt), que torna frias e secas as massas de ar que seguem em direção ao Atacama. A Re gião da Patagônia, localizada tanto no sul do Chile quanto da Argentina, também recebe forte influência das correntes marítimas frias que circulam pelas regiões mais próximas.

A FORMAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS

Entre os séculos XVII e XVIII, os ingleses estabeleceram Treze Colônias próximas à costa atlântica do território que atualmente compõe os Es...