terça-feira, 10 de março de 2026

A América Platina

A América Platina recebe essa denominação porque parte dos territórios dos países da região – Argentina, Paraguai e Uruguai – é banhada pelos rios que compõem a bacia Platina.

A região recebeu esse nome por ser atravessada pelo Rio da Prata, o que facilitou a ocupação desse território no período colonial.
Além dos aspectos hidrográficos, os países platinos com partilham um mesmo passado colonial. Argentina, Paraguai e Uruguai, além de Bolívia e parte do Chile, estiveram, durante o domínio espanhol, sob mesma administração, o Vice-Reino do Rio da Prata.
Algumas características físicas da região, como o predomínio do relevo plano, a extensa rede hidrográfica e a presença de solos férteis, possibilitam aos países platinos uma expressiva produção agrícola e a prática de pecuária. A região apresenta três áreas que podem ser diferenciadas com base em suas características físicas:

• Chaco: abrange o norte da Argentina e parte do Paraguai; caracteriza-se pelos terrenos planos, pelo clima subtropical e pela presença de florestas; destacam-se as culturas de algodão, erva-mate e a prática da pecuária. 
• Patagônia: abrange o sul da Argentina; caracteriza--se pelos terrenos planálticos, clima seco e vegeta ção rasteira; destacam-se a prática da pecuária e a exploração de petróleo e carvão mineral. 
• Pampa: abrange o sul do estado do Rio Grande do Sul, parte da Argentina e o Uruguai; o relevo plano e a qualidade do solo possibilitam a prática agrícola; destaca-se, também, pela pecuária. Fruto da colonização espanhola, a população da região é predominantemente branca, com exceção do Paraguai, marcado pela presença indígena.
Economicamente, os países que compõem a América Platina apresentam uma diversidade maior que os países andinos. Os três países mantêm uma relação comercial muito próxima com o Brasil, graças ao Mercosul.
A economia dos países platinos é bastante dinâmica. O setor agropecuário, por exemplo, tem grande des taque na pauta de exportações, especialmente em relação à pecuária de bovinos de qualidade, principalmente na Argentina e no Uruguai.
A atividade industrial é diversificada e os principais recursos naturais explorados são o petróleo e o gás natural na Argentina e os rios volumosos para geração de hidreletricidade no Paraguai, produzida nas usinas de Itaipu e Yacyretá. 
No setor de serviços, a atividade turística se destaca nos três países, e no Paraguai há uma grande área comercial de produtos importados, em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil (Foz do Iguaçu).

Uruguai

O Uruguai possui aproximadamente 3,5 milhões de habitantes, dos quais grande parte se concentra no sul do país, sobretudo na capital, Montevidéu, que abriga 50% de toda a população do país.
O relevo aplanado e a vegetação de Pradarias contribuíram para que a pecuária se tornasse uma atividade relevante para o país, que apresenta um dos melhores indicadores sociais do continente latino-americano.
Cerca de 92% da população uruguaia vive em áreas urbanas. A capital do país, Montevidéu, concentra as atividades econômicas ligadas aos setores bancário e portuário, assim como a maior parte das indústrias – as principais são as alimentícias (frigoríficos e laticínios), têxteis (que aproveitam os produtos agropecuários) e químicas.
Os principais recursos naturais do país são: solos aráveis, recursos hídricos e pesca. Aproximadamente, 75% do território uruguaio é formado por terrenos baixos e planos, o que favorece a criação de gado para a produção de carne. 
O país obtém energia elétrica por meio da queima de combustíveis fósseis, da atividade hidrelétrica e, principalmente, de fontes renováveis, como a eólica e a solar. O país não produz petróleo nem gás natural, sendo obrigado a importá-los. A economia é baseada no setor agropecuário. 
O país é um grande produtor de cereais, como trigo, arroz e soja. Contudo, a maior força da economia uruguaia está relacionada à criação de gado bovino e ovino e à exportação de seus subprodutos, como carne, couro e lã. 
O país tem uma arrecadação significativa com o turismo, com destaque para o balneário de Punta del Este. China, Brasil, Estados Unidos e Argentina são os principais destinos da exportação uruguaia.
No começo da década de 1990, o país iniciou uma política de privatização de empresas estatais, o que permitiu o aumento da arrecadação do governo e a diminuição dos gastos públicos. Essa medida também atraiu empresas e instituições financeiras internacionais, fazendo com que o país ganhasse fama de “paraíso fiscal”. 
Entre 2004 e 2008, o Uruguai passou por um momento de forte cresci mento econômico, com médias anuais de 8%. Em 2009, a crise econômica internacional fez com que o crescimento econômico do país fosse de apenas 2,9%. No entanto, os uruguaios conseguiram evitar a recessão e a economia continuou crescendo por meio de investimentos privados e gastos públicos. 
No período entre 2012 e 2016, devido à desaceleração da economia global e de seus parceiros do Mercosul (sobretudo Brasil e Argentina), a economia uruguaia diminuiu sua velocidade de crescimento. Uma das marcas do país nos últimos quinze anos é a combinação de abertura para o livre-comércio e fortes investimentos sociais. 
O PIB do país em 2020 foi de aproximadamente 54 bilhões de dólares. Em relação aos seus indicadores sociais, o Uruguai apresenta alta expectativa de vida e índices satisfatórios de alfabetização, sendo classificado como um ótimo país para se viver.
O PIB uruguaio é bastante dependente do setor terciário, com destaque para o turismo. Na região do Pampa uruguaio, destaca-se a atividade pecuária, sobretudo a criação de gado bovino e ovino, responsável por boa parte das exportações – a carne, o couro e a lã são os principais produtos. Com a integração ao Mercosul nos anos 1990, o Uruguai aumentou as exportações para o Brasil e a Argentina.

Paraguai

Com cerca de 7 milhões de habitantes, o Paraguai, cuja capital é Assunção, tem a maioria de sua população vivendo na parte leste do país. Na porção oeste (área do Chaco), embora corresponda a 60% do território paraguaio, vivem apenas 2% dos habitantes do país. Os principais recursos naturais do país são: madeira, minério de ferro, manganês, calcário e recursos hídricos. O país não possui reservas conhecidas de petróleo nem de gás natural.
Assim como a Bolívia, o Paraguai não tem saída para o mar, sendo o intercâmbio comercial do país com o exterior feito predominantemente através dos rios Paraguai e Paraná (Assunção, capital do país, está localizada às margens do rio Paraguai) ou por rodovias que passam pelo território brasileiro, até atingir o porto de Paranaguá, no estado do Paraná.
O Paraguai utiliza portos argentinos e brasileiros para escoar seus produtos. Desenvolve atividades extrativistas (madeira), agricultura (algodão, tabaco e soja) e pecuária bovina. O comércio nas áreas de fronteira é uma importante atividade econômica, com a venda de mercadorias baratas, as quais depois são revendidas nos países vizinhos, especialmente no Brasil.
A economia paraguaia é pouco diversificada e sua produção industrial é modesta. O fraco desempenho da economia pode ser explicado, em primeiro lugar, pela ausência de saída para o mar, o que dificulta a ampliação das relações comerciais do país. 
A indústria paraguaia é pouco diversificada, e a atividade extrativa mineral é inexpressiva. A economia do país é baseada na exportação de produtos agropecuários, principalmente soja, algodão, carne e laticínios. A distribuição de terras é desigual, com grandes áreas concentradas nas mãos de poucos proprietários.
A principal via de acesso para o Oceano Atlântico é o Rio Paraguai, que se une ao Rio Paraná e às rodovias brasileiras. O Porto de Paranaguá, no Paraná, é o local de entrada e saída da maioria dos produtos. 
Além disso, a infraestrutura do país é pouco eficiente, o que resulta em baixo volume de exportações e pouca arrecadação para o Estado, que possui uma enorme dívida externa. 
É um dos poucos países do mundo em que a agricultura arrecada mais que a indústria. Os principais produtos de exportação são: soja, trigo, mandioca e cana-de-açúcar.
O país é um grande exportador de energia elétrica, excedente da Usina Binacional Itaipu, e o Brasil é seu maior comprador. Na fronteira com o Brasil, mais preci samente com Foz do Iguaçu, no estado do Paraná, existe uma grande área comercial localizada na Ciudad del Este. 
Essa espécie de zona franca atrai diariamente muitos brasileiros que cruzam a Ponte da Amizade, que separa os dois países, em busca de produtos importados. 
O Paraguai apresenta os piores índices sociais entre os países platinos, porém, nos últimos anos, vem apresentando crescimento da sua economia, ainda que em 2020 apresente uma balança comercial deficitária. O PIB paraguaio foi de 35 bilhões de dólares.
Atualmente, o Paraguai se destaca como exportador de energia elétrica, revendendo a parte da energia que não consome e que é produzida nas usinas hidrelétricas binacionais de Itaipu (Brasil-Paraguai) e Yaciretá (Argentina-Paraguai).

América andina

A América andina é formada por Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, países que abrangem, em seus territórios, partes da cordilheira dos Andes. No caso, os Andes são um elemento natural muito marcante no território desses países, justificando a denominação regional.
A base da economia da América Andina é a produção de matérias-primas, principalmente minerais, com destaque para a extração de ouro, prata, petróleo, cobre, estanho, carvão e minério de ferro, que se destinam ao mercado externo.
A economia dos países da América andina, de modo geral, é estruturada em função das atividades agropecuárias e extrativistas. 
A produção agrícola é bastante diversificada. Com exceção do Chile, onde predominam as culturas de clima Subtropical (trigo, uva e aveia), nos demais paí- ses andinos cultiva-se uma série de produtos tropicais: café e cana-de-açúcar, na Colômbia (segundo produtor mundial de café); banana, no Equador (principal produto agrícola de exportação do país); cacau, no Equador, na Colômbia e na Venezuela; além de milho, arroz e mandioca, produtos consumidos em larga escala pela população andina e cultivados em todos esses países.
A pesca também é uma atividade expressiva em alguns países da América andina, sendo o Chile e o Peru os principais produtores de pescado. A presença de muitos peixes nas áreas litorâneas desses dois países se deve à passagem da corrente marítima de Humboldt (ou do Peru). Essa corrente traz grande quantidade de plânctons, microrganismos que são a base da cadeia alimentar nos oceanos.

Bolívia

A economia da Bolívia é dependente da exploração de recursos minerais e energéticos como estanho, gás natural e lítio (minério utilizado na fabricação de baterias elétricas para automóveis movidos a eletricidade). A Bolívia tem as maiores reservas de lítio do mundo, o que confere ao país importância estraté gica significativa – considerando que, no futuro, pode ocorrer uma ampliação do mercado em razão do aumento da frota de carros elétricos em escala global.

Com a chegada ao poder de um líder de ascendência indígena, Evo Morales, eleito presidente em 2005, a Bolívia passou a trilhar novos rumos na explora ção de suas reservas de gás natural e petróleo. Em 2006, Morales estatizou esses setores, medida que afetou diretamente a empresa brasileira de petróleo (Petrobras), que controlava 95% do refino e era responsável por cerca de 15% do PIB boliviano.

A partir da nacionalização, o controle de todo o processo de extração, produção e refino passou a ser responsabilidade de uma empresa estatal boliviana. Paralelamente, acordos foram feitos com a Argentina e o Brasil para um aumento no preço do gás que a Bolívia vende a esses países – distribuído por meio de gasodutos como o Bolívia-Brasil, inaugurado em 1999 e que é de grande impor tância no abastecimento das regiões Sul e Sudeste do Brasil. O aproveitamento do gás natural da Bolívia faz parte de uma estratégia do governo brasileiro para diversificação da matriz energética, muito dependente das usinas hidrelétricas e do petróleo.

Um aspecto relevante do território boliviano é a falta de acesso ao mar – ao perder a província de Atacama (território costeiro) para o Chile na Guerra do Pacífico (1879-1884), a Bolívia perdeu também sua única saída para o oceano. Nas décadas de 1990, um acordo com o Peru permitiu à Bolívia dispor de uma zona franca comercial no porto peruano de Ilo. Bolívia e Chile não man têm relações diplomáticas desde 1978, e a fronteira entre os países é uma zona de tensão, mas, em 2021, delegações dos dois países se reuniram em La Paz para en caminhar uma solução para esse impasse diplomático.


Peru

Assim como seus países vizinhos, o Peru tem importantes recursos minerais em seu território, com destaque para o cobre (explorado no sul do país) e a prata – o Peru é o segundo maior produtor mundial.

A atividade turística também é uma importante fonte de recur sos, dada a grande diversidade de paisagens e o enorme e rico pa trimônio arquitetônico-cultural do país. Até a chegada dos espanhóis, no século XVI, o território do atual Peru foi sede do Império Inca. Ves tígios dessa civilização podem ser encontrados em diversas localida des, com destaque para as ruínas das cidades de Machu Picchu e Cuzco, declaradas Patrimônio His tórico e Cultural da Humanidade.

Um aspecto marcante da economia da América andina verificado no Peru é a existência de muitas atividades econômicas que escapam ao controle do governo. Na chamada economia informal, as pequenas indústrias e os setores de transportes, construção e comércio não pagam impostos nem registram seus funcionários.

Equador

O Equador abriga reservas de ouro, prata, chumbo e zinco, mas a economia do país se baseia na exploração do petróleo, produto que corresponde a cerca de 40% do total de suas exportações. Bastante dependente do mercado esta dunidense, o Equador exporta cerca de 50% das mercadorias produzidas em seu território para lá.

Apesar da grande produção petrolífera, aproximadamente 60% da energia consumida no Equador é proveniente de centrais hidrelétricas, cuja construção é viabilizada pela abundância de rios com quedas-d’água. No setor industrial, merecem destaque as indústrias madeireiras e têxteis.

Quito é a capital administrativa e o principal centro financeiro do Equador, mas a cidade portuária de Guayaquil é a mais populosa.

Características da Terra

Desde seu surgimento, e sobretudo nas primeiras civilizações, o ser humano observa o céu e nele busca conhecimentos para entender seu lugar ...