sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

As regiões polares

Quando se ouve falar em regiões polares, as pessoas logo imaginam lugares com temperaturas baixíssimas. De fato, essas são as porções mais frias do planeta e abrigam grande variedade de espécies animais e vegetais. São regiões ainda pouco conhecidas, mas já se sabe que são ricas em recursos minerais e energéticos fósseis.
O planeta Terra possui duas regiões polares, assim chamadas por abrangerem áreas ao redor dos polos geográficos Norte e Sul do planeta.
A região polar ártica é delimitada pelo Círculo Polar Ártico, no extremo norte do planeta. Essa região é caracterizada pela existência de um manto de gelo oce ânico (ou seja, uma calota de gelo sobre o oceano), rodeado pelo Oceano Glacial Ártico e por terras continentais da Europa, Ásia e América do Norte.
Já a região polar antártica é delimitada pelo Círculo Polar Antártico, no extremo sul do planeta. Essa região é marcada pela presença de um continente chamado Antártida, coberto e rodeado por um extenso manto de gelo.
As regiões polares correspondem às áreas localizadas no interior e próximas ao Círculo Polar Ártico, ao norte do planeta, e do Círculo Polar Antártico, ao sul. Nelas encontram-se, respectivamente, o Polo Norte e o Polo Sul terrestres. Por causa da forma arredondada da Terra, os raios solares incidem com pouca intensidade nessas regiões, que têm as temperaturas médias mais baixas do globo, nunca superiores a –10 °C no inverno.
Além disso, a falta de umidade atmosférica nas regiões polares deixa o ar bastante seco, reduzindo as precipitações, que, quando ocorrem, são em forma de neve.
Nas regiões polares, as baixas temperaturas congelam grande parte da superfície das águas oce ânicas. As águas congeladas formam banquisas, cuja área de abrangência aumenta no inverno e diminui no verão. 
Outra característica natural importante des sas regiões é a formação de inlândsis, camadas espessas de gelo constituídas pela compactação de neve sobre a terra que podem chegar a 4 mil metros de espessura. No litoral, as inlândsis des lizam sobre o oceano, partindo-se em grandes blocos de gelo que flutuam no mar: os icebergs.
As grandes camadas de gelo e as características climáticas polares, no entanto, não impedem o desenvolvimento da fauna e da flora. Especial mente no verão, quando ocorre degelo em algu mas áreas, bandos de aves migratórias e mamí feros dirigem-se às regiões polares para procriar. É também nessa época que se desenvolvem os musgos e liquens que recobrem os solos e as rochas. 
Os oceanos nas regiões polares abrigam gran de diversidade de formas de vida, como algas, corais, camarões, diferentes espécies de baleias e peixes. Boa parte desses seres vivos ainda está sendo estudada por pesquisadores.

Principais características naturais das regiões polares


Em razão da curvatura terrestre e da baixa incidência dos raios solares nas áreas de elevada latitude, as temperaturas nas regiões polares da Terra permanecem baixas durante todo o ano e as precipitações ocorrem na forma de neve. 
Na Antártida, o solo coberto por gelo e a baixa umidade do ar praticamente impedem a existência de cobertura vegetal, a qual é composta de algumas espécies de liquens e musgos. Pinguins, peixes, focas e baleias são algumas das espécies que compõem a fauna antártica. No entanto, as cadeias alimentares na região são sustentadas por um pequeno crustáceo chamado krill. 
No Ártico, embora as formações da vegetação não se desenvolvam sobre a calota polar, as partes de terras continentais são marcadas pela presença da vegetação de tundra, composta de líquens, musgos e alguns arbustos. 
O caribu, a raposa-do-ártico, o lobo-do-ártico e o urso-polar são alguns dos animais da fauna do ártico, que também abrange baleias e outras espécies marinhas.

A população do Ártico 


Enquanto na Antártida inexistem habitações permanentes, o Ártico abriga em algumas cidades diversos povos nativos. No entanto, as condições naturais desafiam a sobrevivência humana e, por isso, as pessoas precisaram encontrar meios para se adaptar à região. 
As terras geladas do Ártico são habitadas há cerca de 4 mil anos por diferentes grupos humanos: os inuítes, na zona costeira e nas ilhas do extremo norte da América; os lapões, no norte da Europa; e alguns povos no norte da Rússia (évènes, sakhas, chuckchis, entre outros). Esses povos nativos, tradicio nalmente nômades, viviam isolados em pequenos grupos e dependiam basicamente da caça e da pesca.
Entre os povos que compõem a população no Ártico, os inuits constituem um dos principais, ocupando partes da região entre o Estreito de Bering e a Groenlândia. 
No entanto, a maneira como grande parte dos inuits vive atualmente no Ártico não se assemelha ao modo de vida de seus antepassados, que eram nômades e cuja manutenção da vida era garantida pela caça, sobretudo de mamíferos, no verão.
Por volta da década de 1950, iniciou-se o povoamento mais intenso da região ártica, sobretudo após a descoberta de grandes jazidas minerais e de petróleo. A exploração desses recursos atraiu imigrantes do sul, proporcionando o surgimento de povoados e cidades, além de atividades industriais, de comércio e de serviços. Tudo isso modificou o espaço ártico e a vida dos habitantes nativos, rompendo o isolamento da região. 
Atualmente, as principais atividades econômicas no Ártico estão relacionadas à pesca e à extração de recursos minerais e energéticos fósseis. Esses recursos são transportados por oleodutos, gasodutos e navios, e destinados principalmente aos Estados Unidos, ao Canadá, à Rússia e a alguns países europeus.
A ampliação de atividades econômicas voltadas para o comércio trouxe significativas transformações no espaço geográfico da região ártica, afetando o modo de vida das populações nativas.

Povos do Ártico: mudança nos costumes e tradições 


As transformações ocorridas no espaço geográfico do Ártico modificaram o modo de vida dos povos nativos. As atividades econômicas levaram esses po vos, que antes viviam como nômades, a habitar cidades ou povoados e a traba lhar em atividades industriais, comerciais, de serviços ou, ainda, na mineração, pecuária ou na pesca (atualmente praticada com modernas embarcações). 
Entre os povos nativos do Ártico destacam-se os inuítes e os lapões. O povo inuíte vive em áreas do norte da América e na Groenlândia, constituindo um grupo de pouco mais de 135 mil pessoas. Tradicionalmente nômades, os inuítes viviam em pequenos grupos, e caçavam e pescavam apenas o necessário para sobreviver. Contudo, após passarem a residir em cidades e povoados, a maioria deles se tornou sedentária e usuária de novas tecnologias.
Já os lapões formam uma comunidade de cerca de 80 mil pessoas, divididas em diferentes grupos que habitam os territórios do norte da Finlândia, Suécia, Noruega e Rússia. Antigamente, os lapões viviam em barracas de couro e sua subsistência de pendia, em grande parte, da caça, da pesca e do pastoreio nômade. Atualmente, assim como os inuítes, muitos habitam povoados e se dedicam principal mente à criação extensiva de renas. 
Tanto os lapões quanto os inuítes lutam por direitos sobre os territórios que habitam. O governo canadense, por exemplo, após sofrer muitas pressões, cedeu uma área de 2 milhões de km2 a um grupo de inuítes daquele país, a fim de que usufruam os recursos do local. Para defender seus interesses, é necessário que os líderes inuítes busquem novas e fortes representações políticas no governo dos países em que vivem.

A economia do Ártico 


Enquanto a exploração dos valiosos recursos minerais do subsolo antártico não é permitida sob o Tratado da Antártida, a exploração econômica dos recursos do ártico já se encontra em andamento e tem grande potencial, embora esteja relacionada a diversos impactos ambientais. 
Nos dias atuais, embora a caça e a pesca comercial de determinadas espécies de mamíferos marinhos estejam proibidas, parte dos povos nativos pode continuar capturando esses animais apenas para sua subsistência. 
A partir de meados do século XX, contudo, a economia tradicional dos povos nativos passou a conviver cada vez mais com atividades econômicas modernas. 
Isso ocorreu, principalmente, em razão da descoberta de grandes jazidas minerais e de petróleo na região, que atraiu muitas empresas extrativas, que, por sua vez, acabaram por impulsionar a expansão urbana e a infraestrutura regional, incentivando a vinda de imigrantes para a região.

Esquimó


O nome esquimó, designação indígena para “comedores de carne crua”, deriva do costume dos nativos de comer carne de mamíferos marinhos sem cozinhá-la. No entanto, especialmente nos últimos vinte anos, grande parte dos costumes do povo esquimó, que prefere ser chamado de inuíte, passou por muitas modificações.
A caça de focas e baleias foi substituída pela importação de carnes bovina, suína e de aves, que passaram a ser cozidas. Os iglus (habitações feitas de gelo) foram trocados por casas de madeira com calefação, água encanada e luz elétrica. Os novos costumes trouxeram comodidades; no entanto, vieram acompanhados de problemas como de semprego e criminalidade.

Antártica 


A região polar sul tem extensa área de terras formada pela Antártica, continente com cerca de 13 milhões de km2. No inverno, essa área aumenta devido ao congelamento da superfície oceânica à sua volta, chegando a 19 milhões de km2. 
Embora o congelamento máximo ocorra no inverno polar, a maior parte do solo antártico permanece coberta por espessas camadas de gelo (as inlândsis) durante o ano todo. Estima-se que as geleiras que cobrem o continente concentrem cerca de 70% das reservas de água doce do planeta.
As temperaturas médias na região polar sul são mais baixas que as da re gião polar norte e também as menores da Terra. No verão, são inferiores a 0 °C; no inverno podem chegar a – 80 °C em alguns lugares.

Imenso laboratório de pesquisas 


A Antártica não é povoada como o Ártico; nela vivem somente pesquisadores de diferentes nacio nalidades. Nas bases científicas são feitas pesquisas que beneficiam diversas áreas do conhecimento, como Biologia, Geologia e Climatologia. 
A ocupação desse território é regulamentada desde 1961, quando foi ratificado o Tratado Antártico. Com ele decidiu-se que o continente não per tenceria a nenhum país, sendo liberadas apenas pesquisas com fins pacíficos e proibidos testes nucleares, depósitos de lixo radioativo e exercícios militares na região.
Além dessas resoluções, foram proibidas atividades econômicas extrativas, com exceção da pesca, permitida no oceano. Estima-se que na Antártica existam importantes reservas de petróleo, além de ouro, prata, urânio, manganês, cobre, entre outros minérios. Todas as medidas de proibição visam proteger o ambiente polar, que abriga aproximadamente 50 espécies de aves, leões-marinhos, baleias, focas, entre outros ani mais de sua riquíssima fauna.

Regiões polares: meios frágeis


Embora muitos acreditem que, em razão de seu isolamento, as regiões po lares não seriam afetadas pelas alterações ambientais provocadas pelos seres humanos habitantes de distantes centros urbanos e áreas mais povoadas do planeta, algumas constatações têm alertado a humanidade para essa questão. 
A caça e a pesca predatórias ameaçam um número cada vez maior de espécies animais polares, que em pouco tempo podem correr o risco de extinção. Algumas espécies de focas do Ártico, por exemplo, são muito procuradas pelo alto valor de sua pele, enquanto as baleias têm sido caçadas por sua carne, muito apreciada em países como o Japão.
Outros sérios problemas que afetam as regiões polares são o efeito estufa intensificado e o buraco na camada de ozônio. O efeito estufa é um fenômeno natural que mantém as temperaturas da troposfera em médias ideais para a existência de vida na Terra. Contudo, a intensificação desse fenômeno decorrente do lançamento excessivo de certos gases na atmosfera pelas atividades humanas – como dióxido de carbono e metano, que absorvem parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre –, que causa retenção de calor e aumenta a temperatura do planeta, é chamada de aquecimento global. 
Muitos cientistas alertam que esse aumento da temperatura pode atingir a fauna das regiões polares. Na Antártica, por exemplo, o pequeno krill, crustáceo que é a base da cadeia alimentar do ambiente, tem dificuldades de se adaptar a águas menos geladas, o que pode diminuir sua população. O aquecimento da água, portanto, interferiria na dieta de pinguins e de outros animais, levando-os à mudança de hábitos alimentares e prejudicando, consequentemente, muitas outras espécies.




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