terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Aspectos naturais da Região Norte

A Região Norte abriga uma das formações vegetais com maior biodiversidade do planeta e o maior complexo fluvial do mundo – a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas. De modo geral, a densidade demográfica da região é baixa e a população vive, em sua maioria, ao longo dos principais rios, que constituem importantes vias de transporte de pessoas e de mercadorias.

Clima 

A região Norte localiza-se na zona climática mais quente do planeta (próximo do equador). Apresenta pequena amplitude térmica diária e anual. Isso significa que há pequena variação entre as temperaturas máxima e mínima durante os dias e entre as médias mensais ao longo do ano. 
Em grande parte do território não existe estação seca. Em alguns outros lugares, porém, como em Palmas (TO), há um período de seca que pode durar de um a cinco meses. 

Vegetação 

Grande parte da Região Norte está sob influência do clima equatorial. Por ser quente e úmido, esse clima favorece a presença da rica diversidade vegetal da floresta. Embora a floresta Amazônica seja predominante, outras formações vegetais também são encontradas na região.
Próxima ao litoral, nos estados do Pará e do Amapá, desenvolve-se a vegetação litorânea, com formações de mangues e arbustos. Na Ilha de Marajó, também no Pará, e em parte do Amapá, temos a vegetação de Campos. 
Na maior parte do Tocantins, está presente a vegetação de Cerrado, que também pode ser observada em outros estados da região, menos no Acre.
Embora a Região Norte abrigue manchas de vegetação de Cerrado e de Campos (como em Roraima, em Rondônia, no Amapá, no Pará e no Amazonas), além de vegetação com influência marinha e/ou fluvial (como no Pará, no Amapá e em Rondônia), a maior parte de sua cobertura vegetal é formada pela Floresta Amazônica, também conhecida como Floresta Tropical Pluvial, Hileia e Floresta Equatorial. 
Como as demais formações vegetais do Brasil, na Floresta Amazônica a área antropizada cresce a cada ano, com grandes intervenções huma nas predatórias, a exemplo de queimadas e desmatamentos decorren tes da ação de alguns madeireiros, da implantação de fazendas de gado e de agricultura, de empresas de mineração etc. De modo geral, são encontrados na Floresta Amazônica dois ecossistemas principais: as matas de terra firme e as matas de inundação. 

Matas de terra firme 

A biodiversidade da Floresta Amazônica é encontrada, em gran de parte, nas matas de terra firme, ou seja, matas que nunca sofrem inundações dos rios. Recobrem 90% da Bacia Amazônica e localizam-se nas áreas de altitudes mais elevadas. A altura média das árvores é de 40 m, firmadas em solos bem drenados. Predominam matas densas, com pouca luz e muita umidade, em virtude de a junção das copas das árvores dificultar a entrada da luz do sol. Nelas são encontradas madei ras nobres, como o cedro, o mogno e os louros. 

Matas de inundação 

As matas de inundação são aquelas sujeitas à invasão das águas dos rios, com vegetação adaptada para sobreviver por longos períodos de submersão. Dividem-se em:
- Matas de igapó: o termo “igapó” designa as áreas muito encharca das, com inundações permanentes. As matas de igapó situam-se nos terrenos mais baixos e permanecem quase sempre inundadas. Nelas a vegetação é baixa, com arbustos, cipós e musgos. Também são encontradas plantas aquáticas, como a vitória-régia, um dos símbolos da Amazônia (observe a foto). 
- Matas de várzea: são aquelas inundadas somente em determina dos períodos do ano, durante a cheia dos rios, e situadas em áreas mais elevadas em relação às matas de igapó.

Maior complexo fluvial do mundo 

A Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas situa-se, predo minantemente, na Região Norte. Além do Brasil, banha terras da Bolívia, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela. Formada pelo Rio Amazonas e seus afluentes, é a maior bacia hidrográfica do mundo, tanto em exten são como em volume de água. Essa bacia detém 11% da água doce disponível no mundo e é o maior reservatório de água doce do planeta.
Da fronteira do Peru com o Brasil até a confluência com o Rio Negro, em Manaus, o principal rio dessa bacia recebe o nome de Rio Solimões. Desse ponto até sua foz, no Golfão Amazônico, é denominado Rio Amazonas. O Rio Amazonas é o maior e o mais caudaloso rio do mundo: tem 6580 km de extensão e representa 20% do volume de água de todos os rios da Terra. 
A Floresta Amazônica e a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas fornecem à atmosfera grande quantidade de vapor de água, que volta à superfí cie terrestre na forma de chuva, estabelecendo, assim, o ciclo hidroló gico ou ciclo da água, com influência não apenas local e regional, mas também global.

Hidrografia da Região Norte e aspectos socioeconômicos 

O Rio Amazonas é navegável desde a foz até a cidade de Nauta, no Peru, em uma extensão de mais de 4000 quilômetros. Na Região Norte, os maiores fluxos de pessoas e de mercadorias são feitos por meio das hidrovias. 
Como os rios facilitam o transporte e a co municação, as maiores densidades demográficas e as áreas mais urbanizadas da Região Norte se concentram nas planícies do Rio Amazonas e de alguns de seus afluentes. 
O porto de Manaus, capital do estado do Amazonas, é o maior porto fluvial brasileiro em volume de carga. Grande parte das mercadorias que circulam na Região Norte passa por esse porto. 
Além de sua relevância para o transporte na Região Norte, a Bacia Amazônica apresenta outros usos importantes. Os povos indígenas e as populações tradicionais, por exemplo, dependem dos rios para obter parte de seu sustento pela pesca. 
Além disso, os rios possuem importância cultural e estão ligados às crenças e ao modo de vida de diferentes povos da floresta – como é o caso das comunidades ribeirinhas, que constroem as suas moradias sobre palafitas às margens dos cursos d'água. 
Os rios da Bacia Hidrográfica do Amazonas apresentam, também, grande potencial turístico. A praia do Rio Negro (maior afluente do Rio Amazonas) pode ser facilmente confundida com uma praia oceânica. Hotéis e restaurantes recebem turistas que buscam lazer na praia fluvial ou nas ilhas desse rio.

Potencial hidrelétrico e impactos ambientais

No Brasil, em 2020, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 62,5% da energia elétrica era obtida por meio de hidrelétricas, sendo a Região Norte a com maior potencial hidrelétrico. Nesse sentido, a Bacia Amazônica é estratégica para o desenvolvimento nacional, pois graças ao Sistema Interliga do Nacional (SIN), a energia elétrica gerada nas usinas da Região Norte fica disponível para todo o Brasil. 
Nos últimos anos, os investimentos em produção de energia hidrelétrica vêm aumentando significa tivamente no Brasil. Entretanto, apesar de se tratar de uma fonte de energia renovável que apresenta vantagens em comparação às fontes não renováveis, a construção de usinas hidrelétricas gera dis cussões relacionadas aos impactos socioambientais que elas podem causar, tais como: o desmatamento das áreas alagadas para construção das barragens; diminuição da biodiversidade; alteração nos ecossistemas fluviais; assoreamento dos rios; deslocamento de comunidades inteiras de seus lugares de vivência, ocasionando prejuízos sociais, ambientais, econômicos e culturais a milhares de pessoas. 
A presença de rios volumosos com potencial para geração de energia é um dos fatores que tornam a região atrativa para a construção de usinas hidrelétricas (UHEs). 
A energia hidrelétrica, em associação com outras fontes, como a eólica, a solar e os combustíveis fósseis, é muito importante para atender à crescente demanda por energia no Brasil. Porém, assim como outras obras de infraestrutura (ferrovias, rodovias, portos, aeroportos etc.), a construção das usinas provoca impactos socioambientais. 
Por isso, esses projetos enfrentam resistência de ambientalistas, indígenas, comu nidades ribeirinhas, movimentos sociais, organizações não governa mentais (ONGs), entre outros.
Um exemplo recente é a UHE Belo Monte (PA), cuja cons trução causou polêmica desde a fase inicial do projeto até sua inauguração, em 2015. A seguir, algumas das principais con sequências socioambientais da implantação da hidrelétrica de Belo Monte.
- As águas do Rio Xingu foram desviadas de seu curso natural, deixando parte de seu trecho seco. Nessa área vivem comu nidades ribeirinhas que dependem do rio para a pesca, que lhes garante alimento e renda. 
- Cerca de 10 mil famílias foram removidas em razão das obras. Somente 4 mil foram reassentadas pela empresa responsável pela Belo Monte. 
- Treze terras indígenas foram afetadas pela construção da usina, envolvendo cerca de 4 mil indígenas. 
- A flora e a fauna das áreas inundadas foram destruídas. 
- Os índices de criminalidade aumentaram: o município de Altamira (PA) foi considerado o segundo mais violento do país, segundo o Atlas da Violência 2019, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com o regis tro de 133,7 homicídios a cada 100 mil habitantes.

Importância dos rios 

Na Região Norte, os rios têm grande importância no dia a dia da população e nas atividades econômicas. Eles representam a principal via de transporte para o fluxo diário de pessoas e mercadorias. Muitas comunidades só podem ser alcançadas de barco e grande parte das principais cidades da região está localizada às margens dos rios ou próxima deles. 
Os rios influenciam a construção de moradias e outras estruturas. Tanto nas cidades quanto nas comunidades ribeirinhas, há, por exemplo, moradias e escolas construídas sobre estacas altas de madeira (palafitas) para evitar que a água inunde as construções. Existem, ainda, portos flutuantes que se movimentam acompanhando os períodos de cheia e de seca dos rios. 
O sustento das comunidades ribeirinhas também está muito ligado aos rios. Os ribeirinhos sobrevivem principalmente da pesca, mas desenvolvem outras atividades, como a agricultura de vazante (mandioca, milho, feijão e arroz), praticada nas margens dos rios nos períodos de seca, e o extrativismo vegetal (látex, castanha-do-pará, piaçava e açaí). 
Em termos regionais, os rios estruturam a organização social e econômica dos povos da Região Norte. São fundamentais para o transporte, o abastecimento e a subsistência da população e influenciam na localização das cidades. Nesse sentido, um dos desafios atuais do Estado brasileiro é conciliar, de maneira sustentável, as questões locais e regionais com as demandas nacionais.

Relevo 

Na Região Norte predominam relevo e altitudes de até 200 metros. Essas terras de baixas altitudes acompanham os vales dos rios da Bacia Amazônica, formando extensas planícies. 
O relevo da região Norte é composto de planícies, planaltos e depressões, com predomínio de baixas altitudes. Parte dele está sobre uma grande bacia sedimentar, mas que hoje sofre mais desgaste do que sedimentação – por isso o predomínio de terras baixas (ou baixos platôs) e de depressões.
As várzeas, que são áreas de planície, acompanham o curso dos rios da região. Existem, porém, várias serras, principalmente ao norte, na fronteira com a Venezuela
As terras de altitudes mais elevadas localizam-se, principalmente, no norte do estado de Roraima e no norte e noroeste do estado do Amazonas, onde se encontra o ponto culminante do Brasil – o Pico da Neblina –, com 2995 metros de altitude, na Serra do Imeri, fronteira com a Venezuela. 

Nenhum comentário:

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...