Atitudes prejudiciais ao meio ambiente são resultado, entre outros fatores, do desconhecimento da necessidade de preservar o equilíbrio ecológico. Daí a importância da criação de uma consciência ecológica por parte de toda a sociedade. Outro fator significativo é o desejo de ganhar muito dinheiro sem se importar com a natureza, en tendendo-a apenas como fonte de lucro e não como fonte de vida.
Região Sul: desmatamento
A cobertura vegetal é importante para o equilíbrio ecológico, pois pro tege a nascente dos rios, regula o clima e os mananciais que abastecem as cidades, influi na fertilidade do solo e o protege da erosão, cria beleza paisagística e é fonte de vida para as comunidades que dela dependem diretamente, como é o caso dos indígenas, dos caiçaras e dos ribeirinhos.
Mata Atlântica
Assim como no Nordeste e no Sudeste, a Mata Atlântica da Região
Sul foi intensamente desmatada com a marcha do povoamento. As áreas
não desmatadas ocupam trechos de difícil acesso da Serra do Mar e da
Serra Geral, além de trechos do vale do Rio Ribeira de Iguape, entre os
estados do Paraná e de São Paulo – o maior remanescente contínuo de
Mata Atlântica do país.
Entretanto, apesar da fiscalização do Ibama, o desma
tamento continua ocorrendo. São desmatamentos de áreas menores,
não detectados nas imagens de
satélites do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Mas eles ocorrem e criam uma
fragmentação florestal que dificulta a sobrevivência de vegetais e animais da região.
Uma das causas atuais do
desmatamento da Mata Atlân
tica na Região Sul é a substi
tuição dessa vegetação nativa
pela silvicultura de pínus, usado
como matéria-prima na indús
tria de papel e celulose.
A Mata de Araucárias
A Mata de Araucárias ou dos Pinhais cobria uma vasta exten
são de terras – cerca de 185000 km2 –, estendendo-se desde as
terras altas do sul do estado de Minas Gerais até o Rio Grande do
Sul, prolongando-se, ainda, pelo extremo nordeste da Argenti
na. Não era uma floresta homogênea; abrigava muitas outras es
pécies vegetais, como angico, tamboril, imbuia, cedro, gamelei
ra, canela etc.
No processo de produção de espaços geográficos da Região
Sul, essa floresta foi amplamente desmatada, a exemplo do que
ocorreu com a Mata Atlântica. De início, a extração da madeira
do pinheiro, o pinho, atendia ao mercado interno.
Por oferecer
madeira mole, ideal para a construção de casas, para a fabricação
de móveis e para a confecção de tábuas, essa floresta passou a
ser explorada de modo intenso. Posteriormente, com o fluxo imi
gratório alemão, italiano e polonês, muitas de suas áreas foram
desmatadas para ceder lugar à prática da agricultura.
O grande desmatamento da Mata dos Pinhais ocorreu entre
1915 e 1960, pois, nesse período, tornou-se grande
a procura por madeira mole no mercado internacional. Por falta
de fiscalização governamental, serrarias clandestinas se espa
lharam na Região Sul, promovendo intensa destruição florestal.
Após 150 anos de intervenção humana, restaram apenas 5%
dessa mata. O que sobrou foi transformado em áreas de preser
vação ambiental sob os cuidados dos estados e do governo
federal.
Especialistas mostram que esse ecossistema está quase extin
to. Roedores, aves e insetos que se alimentavam do pinhão, ou
que aí encontravam o seu hábitat, morreram ou estão ameaçados
de extinção.
Principais problemas ambientais
Na Região Sul, o estado do Paraná foi o que perdeu
maior parte de sua vegetação nativa com a devastação da
Mata Atlântica e da Mata dos Pinhais. A ação humana também criou alguns problemas ambientais nos estados do
Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
As bacias hidrográficas e os problemas
ambientais no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, podemos identificar a degradação ambiental por meio da observação das bacias hidrográficas do estado. Com o conhecimento
desses problemas, a sociedade e o Estado conseguem definir qual é a melhor estratégia para solucioná-los.
Arenização na Campanha
Gaúcha
Desde o século XVIII, os solos da Campanha
Gaúcha são usados para a criação de gado. Em
decorrência disso, eles vêm sofrendo:
• compactação pelo pisoteio constante
de animais;
• rarefação das gramíneas (pastagens),
decorrente do número excessivo de
gado por área, que, ao deixar o solo sem
cobertura vegetal, causa a erosão e o
assoreamento de rios e córregos;
• queimadas, provocadas para eliminar as
sobras secas de pastagens durante o
inverno e facilitar a rebrota das gramíneas;
esse procedimento mata os micro-organismos importantes para o solo.
Esses fatos têm afetado seriamente o solo da
Campanha Gaúcha, causando a arenização, ou
seja, o afloramento de depósitos arenosos resul
tantes da lavagem do solo pela água da chuva,
que, além de retirar a cobertura vegetal, provoca
a perda de matéria orgânica e de elementos químicos importantes na constituição do solo.
Degradação ambiental em
Santa Catarina
Na zona costeira, a implantação de balneários sem a devida infraes
trutura de rede coletora de esgoto tem provocado a poluição de rios,
córregos e vales e o despejo de dejetos no mar. Tal situação, além de
ser responsável pela contaminação ambiental, compromete a ativida
de turística.
Na região carbonífera do sul do estado, que compreende os municípios de Criciúma, Tubarão e Imbituba, a exploração do carvão mineral a céu aberto ou em galerias arrasa paisagens e contamina as águas
de superfície e subterrâneas. Além disso, o carvão mineral trazido
à superfície, em contato com o oxigênio e a umidade do ar, dá origem
ao ácido sulfúrico, substância tóxica e corrosiva que pode provocar
chuvas ácidas.
Somam-se a esses problemas outros impactos causados pelas atividades agropecuárias: a erosão do solo, o assoreamento de rios e a con aminação das águas provocada pelo uso de agrotóxicos, assim como
a contaminação de cursos de água pelos excrementos de aves e suínos
criados em sistema intensivo no oeste catarinense.
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