segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Centro-Oeste - Aspectos físicos da região

Entre as Grandes Regiões do Brasil, a Centro-Oeste é a única que não é banhada pelo Oceano Atlântico, sendo a mais interiorizada do território brasileiro. 
O Centro-Oeste é a segunda maior região brasileira, com uma extensão de, aproximadamente, 1,6 milhão de km², representando cerca de 19% do território nacional. Além de três estados, abriga o Distrito Federal e a cidade de Brasília, sede administrativa do nosso país. Em 1º de julho de 2021, a população estimada da Região Centro-Oeste era de 16 707 336 habitantes, o que a colocava como a menos populosa entre as regiões do Brasil. 
É nela que se localiza Brasília, a capital político-administrativa de nosso país. Desde o século XVI até meados do século XX, a Região Centro-Oeste manteve-se pouco povoada e pouco articulada com as demais regiões brasileiras. 
Nela predominavam, de modo geral, os espaços geográficos voltados para si próprios. Somente a partir das décadas de 1940 e 1950 passou a ser mais povoada, em razão da construção de rodovias e da expansão da fronteira agropecuária em seu território por meio da implantação de fazendas de gado e agrícolas, sítios etc.
Na região Centro-Oeste as transformações são muito recentes, mas não menos impactantes. A região foi ocupada pela penetração causada pela busca de ouro e só recentemente, graças a inovações tecnológicas, passou por mudanças que a posicionam entre as maiores produtoras de alimentos do mundo.
Nessa região, destaca-se o clima tropical típico. Sua vegetação é bastante diversificada, com a predominância de Cerrado. O relevo é composto, em sua maioria, de planaltos, com hidrografia importante, contando com os rios Paraná e Paraguai.

Clima e vegetação 

O clima dessa região é predominantemente tropical, caracterizado, de modo geral, por duas estações: o verão, quente e chuvoso, e o inverno, seco e com temperaturas mais amenas. Nessas condições climáticas, desenvolvem-se diferentes formações vegetais. 
A região Centro-Oeste é muito rica em termos de biodiversidade. Nela se encontram áreas como a Floresta Amazônica, o Cerrado e o Pantanal, uma das áreas com mais biodiversidade do planeta. Parte dessa vegetação original está protegida, mas ainda é pouco, se comparada com o tamanho da região.
Cobrindo quase toda a parte central da região, na qual predominam terrenos de planaltos e chapadas, desenvolve-se a vegetação do Cerrado. 
Na porção oeste, dividida entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, apresenta-se a maior planície do interior do país, coberta pela vegetação do Pantanal. 
Já ao norte da região estende-se parte da formação da Floresta Amazônica. Também se desenvolvem na região a Floresta Tropical e a vegetação de Campos, porém em menor proporção em relação às demais.
Com relação à exploração de minérios, pode-se dizer que no Centro-Oeste a atividade é importante, porém menos significativa se comparada a outras regiões brasileiras, como o Norte e o Sudeste. Na região existem reservas de diversos recursos naturais.

Clima

Com exceção de uma pequena porção do território do estado de Mato Grosso do Sul, que se encontra ao sul do Trópico de Capricórnio, a Região Centro-Oeste localiza-se na zona tropical. Essa posição geográfica e as altitudes modestas do relevo, que facilitam a circulação atmosférica, ou seja, não constituem obstáculos para o deslocamento de massas de ar, con ferem o clima tropical, com verão úmido e inverno seco, à maior parte de seu território.
As áreas no norte de Mato Grosso são dominadas pelo clima equatorial úmido – o mesmo clima da Ama zônia. Nesse local, as temperaturas são elevadas no decorrer de todo o ano e o período de seca é curto, cerca de 2 a 3 meses durante o inverno.
É uma sub-região sob influência da massa Equatorial continen tal (mEc), massa de ar quente e úmida que se forma na Amazônia Ocidental. 
Durante o inverno do Hemisfério Sul, a área do Centro-Oeste de clima tropical permanece sob a influência da massa Polar atlântica (mPa). Entretanto, essa massa de ar se apresenta bas tante alterada quanto às suas características iniciais. Nessa re gião – como também em partes da Região Sudeste –, a massa Polar atlântica torna-se a responsável pelas baixas umidades relativas do ar nos meses de inverno, pois quando aí chega já é uma massa de ar seca. 
A umidade relativa é a proporção da quantidade de vapor de água presente em determinado volu me de ar, em dado momento, em relação à quantidade máxi ma de vapor de água que esse volume de ar pode conter, na temperatura desse momento. Geralmente, seu valor é expres so em porcentagem.
No Centro-Oeste, é comum que a umidade relativa do ar atin ja pontos críticos, abaixo de 30%, nos meses de inverno. Nessas condições, os problemas respiratórios da população se agravam, principalmente em idosos e crianças. 
Tal situação leva escolas a suspender aulas e a população é orientada a moderar as ativida des físicas e beber muita água para hidratar o organismo. 

Vegetação nativa
 
Originalmente, a porção norte da Região Centro-Oeste era recoberta: pela Floresta Amazônica; pela Mata Atlântica (Tropical), acompanhando vários vales fluviais da região; pelo Cerrado, cobrindo grandes trechos de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso; e pela vegetação do Pantanal, denominada Complexo do Pantanal. 
A expansão da fronteira agropecuária na região modificou a paisagem do Centro-Oeste nos últimos 50 anos. Atualmente, grandes fazendas de gado substituíram amplamente a vegetação natural.

As diversas fisionomias do Cerrado 

O Cerrado apresenta diversos tipos de árvores, arbustos e vegetação herbácea (rasteira), formando diferentes composições – chamadas de fisionomias –, que variam de acordo com as condições locais, como tipo de solo e altitude, entre outros fatores. 
Durante o inverno, período em que predomina a baixa pluviosidade, as queimadas, que são comuns na região, se alastram com mais facilidade. 
As queimadas naturais são importantes para o Cerrado, porque impedem que as gramíneas predominem e contribuem para o equilíbrio desse bioma. Porém, também ocorrem queimadas criminosas, que podem ter grandes proporções e destruir extensas áreas de vegetação, além de causar problemas respiratórios em moradores de cidades localizadas nas proximidades.

Pantanal 

Localizado na Região Hidrográfica do Paraguai, o Pantanal é a maior planície alagá vel das Américas. A vida nesse domínio morfoclimático gira em torno de duas estações diferenciadas, a seca e a úmida (cheia), que influenciam o modo de ser e de produzir do pantaneiro, habitante tradicional do Pantanal. A criação extensiva de gado, a pesca e o ecoturismo são as principais atividades econômicas. 
O Pantanal abrange uma área aproximada de 230 mil km² em três países. Cerca de 85% estão no território brasileiro (imagem de satélite), 10% na Bolívia e 5% no Paraguai. Nesses dois países, recebe o nome de Chaco.
O período de seca no Pantanal vai de maio a outubro. 
As baías e os corixos secam à medida que a água escorre lentamente para o Rio Paraguai. As baías são lagoas rasas de água doce de até dois metros de profundidade. Têm tamanhos e formas variadas e podem ser cobertas por vegetação aquática. Os corixos são canais naturais que escoam a água das lagoas para os rios e ligam as baías. No período das chuvas isso se inverte: as águas dos rios vão para as lagoas. As plantas aquáticas e os peixes atraem aves e outros animais, e essa concentração de vida proporciona alimento e oportunidades de reprodução para a fauna e a flora da região.
O período de cheia no Pantanal vai de novembro a abril. Os rios transbordam e as planícies são inundadas: as águas invadem áreas que estavam secas até então. Surgem os corixos e a inundação abastece as lagoas e baías conectando diferentes corpos de água. Isso permite o deslocamento das espécies aquáticas. A vegetação fica exuberante. 
Há áreas de serras e morrarias onde a água não alcança: as cordilheiras. Nelas se encontra uma vegetação de cerradões, que são semelhantes ao Cerrado, porém mais densos e com maior porte. 


Relevo e hidrografia 

No Centro-Oeste predominam terras com altitudes entre 200 e 500 metros. As terras mais elevadas são encontradas no estado de Goiás, como a Serra dos Pireneus e a Chapada dos Veadeiros. Entre as terras de baixas altitudes, de 100 a 200 metros, destaca-se a área do Pantanal Mato-Grossense, na porção sudoeste da região.
O relevo da região Centro-Oeste não apresenta elevadas altitudes. Predominam os planaltos, e as chapadas são as formas que se destacam na região. 
Chapadas são formas de relevo com topos aplainados e encostas escarpadas cujo topo foi modelado pela ação erosiva – principalmen te dos ventos – ao longo de milhões de anos. 
Essas formas são testemunhos de períodos passados, quando na região predominou um clima mais seco que o atual e a ação da água da chuva, que geral mente arredonda as superfícies, não era tão intensa.
Atualmente, o principal fator de erosão no Centro-Oeste é a água das chuvas. Por isso, caso o índice de chuvas continue com as mesmas características de hoje, dentro de alguns milhares ou milhões de anos esse terreno poderá apresentar formas mais arredondadas que atualmente, como resultado da erosão pluvial.
Outra forma de relevo que se destaca na região Centro-Oeste é a planície do Pantanal, área onde predomina a deposição de sedimentos trazidos pela densa rede de rios, de baixas altitudes.
O Centro-Oeste localiza-se em uma porção do território brasileiro onde predomina o relevo de planalto, com serras e chapadas, e onde estão as nascentes de vários rios. 
Nas maiores altitudes da região Centro-Oeste encontram-se as nascentes de rios que formam importantes regiões hidrográficas brasileiras, fazendo do planalto Central um importante divisor de águas do país.
Esses rios fazem parte de algumas das maiores bacias hidrográficas do Brasil, como a Bacia do Paraná, a do Paraguai e a do Araguaia-Tocantins, além de parte da Bacia Amazônica. 
Na Região Centro-Oeste encontramos nascentes de rios que formam quatro regiões hidrográficas brasileiras. Alguns afluentes e subafluentes do Rio Amazonas, como o Rio Xingu e os rios Juruena e Teles Pires – que formam o Rio Tapajós –, nascem em Mato Grosso. 
Da mesma forma, é no Centro--Oeste que nascem afluentes da margem direita do Rio Paraná e afluentes da margem esquerda do Rio Paraguai, além dos rios formadores da região hidrográfica do Tocantins-Araguaia.
A maioria das nascentes do Centro-Oeste se encontra nas partes mais elevadas da região e corre para as áreas de menor altitude, formando o chamado divisor de águas do Brasil. Os rios da Região Centro-Oeste são utilizados tanto para a navegação quanto para a produção de energia hidrelétrica.
Essa rica rede hidrográfica oferece a possibilidade de navegação, de irrigação de terras, de produção de energia elétrica e de fornecimento de alimentos. Os rios que a formam desempenharam, nos séculos anteriores, o papel importante de vias de acesso para o povoamento regional.

As unidades do relevo 

Quanto ao relevo, predominam no Centro-Oeste os planaltos e as chapadas, que compõem as unidades dos Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná e dos Pla naltos e Chapadas dos Parecis. 
Essas formações são tradicionalmente agrupadas sob a denominação geral de Planalto Central do Brasil. Brasília está situada a 1171,8 m de altitude, em uma das chapadas de Goiás. 
As depressões abrangem menores extensões. Destacam-se a Depressão do Tocantins e a Depressão Marginal Sul-Amazônica, que se estende desde o norte de Mato Grosso até o vale do Rio Amazonas, na Região Norte. 
As planícies ocupam a área do Panta nal e são representadas pela Planície e Pantanal do Rio Guaporé, pela Planície e Pantanal do Rio Paraguai e por um trecho da Planície do Rio Araguaia.

A Chapada dos Veadeiros 

Localizado no estado de Goiás, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma área de conservação natural considerada um Patrimônio Mundial pela Unesco, desde 2001. A Chapada dos Veadeiros situa-se em uma área de planalto elevada, atingindo altitudes superiores a 1700 metros, abrangendo algumas serras e formações esculpidas pela ação da erosão sobre rochas muito resistentes, ao longo de milhões de anos. 
Alguns municípios da região, como Alto Paraíso de Goiás, Colinas do Sul e Cavalcante, atraem muitos turistas do Brasil e de outros países, que vêm para a região em busca de maior contato com a natureza, como diversas cachoeiras, águas termais. São locais de beleza singular em meio a uma das maiores áreas de Cerrado preservadas do país. 
Um dos principais cartões postais do parque é o Vale da Lua, lentamente esculpido pela ação das águas do Rio São Miguel sobre rochas sedimentares. O nome desse atrativo faz referência à superfície lunar, em razão dos tons de cinza adquirido pelas rochas sedimentares e de seu formato irregular. 

A planície do Pantanal 

O Pantanal é considerado a maior planície inundável do mundo e se estende por dois estados brasileiros: ocupa 25% do território de Mato Grosso do Sul e 7% de Mato Grosso, com cerca de 140 mil quilômetros quadrados, além de estar presente nos territórios da Bolívia e do Paraguai. 
Os rios do Pantanal percorrem áreas de pouca declividade, formando muitas curvas (meandros). Nas margens, as praias são de areia fina. A dinâmica desse ambiente, que abriga grande diversidade de fauna e flora, é determinada pelos períodos de seca e de cheia. 
Nas cheias, os rios transbordam e carregam folhas, galhos e restos de animais, que se depositam nas partes mais baixas e adubam naturalmente o solo. Além disso, nesse período acontece a migração de aves, peixes, etc., e os criadores de gado são obrigados a transferir os animais para as partes mais altas do relevo.
As espécies vegetais e animais que se desenvolvem no Pantanal recebem in fluência da floresta Amazônica, do Cerrado e da Mata Atlântica, reunindo um conjunto de características únicas no mundo, como plantas adaptadas aos longos períodos de cheias e exemplares exuberantes de espécies vegetais, como o ipê-roxo, presente nas áreas de maior altitude; e grande varie dade de peixes, aves e répteis, com destaque para os jacarés, que habitam as águas rasas dos alagados. 
Diante disso, no ano 2000, a região pantaneira foi declarada Patrimônio Natural da Humanidade pela Organiza ção das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Apesar de estar menos degradado se comparado com a Mata Atlântica e o Cerrado, o Pantanal sofre a agressão do avanço das atividades econômicas, sobretudo da agropecuária, e também do crescimento das cidades e do aumento da ativi dade turística.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Economia da Região Sul

De acordo com dados publicados pelo IBGE em 2019, a Região Sul se destaca na economia brasileira por apresentar o segundo maior PIB nacional. Ela também é considerada a segunda região mais industrializada do país.
A presença de um diversificado parque industrial e o desenvolvimento de uma agropecuária moderna são características econômicas da Região Sul

Agricultura 

A Região Sul apresenta, de modo geral, uma agricultura moderna. Destaca-se, no Brasil, como grande produtora de grãos: soja, milho, arroz, feijão e trigo. Sobressai, também, na produção de aveia, centeio e cevada, em virtude das características favoráveis do clima subtropical. 
As características do clima subtropical contribuem para o cultivo de diversas lavouras na Região Sul. A ocorrência de chuvas bem distribuídas ao longo do ano e as baixas temperaturas favorecem o desenvolvimento de cultivos típicos de clima mais frio, como trigo, aveia, cevada, milho, uva e maçã.
Destaca-se, ainda, na cultura do sorgo, da uva, da erva-mate e do tabaco, no Rio Grande do Sul; da maçã, em Santa Catarina; e da mandioca e do café, no Paraná. Diferentemente de outras regiões brasileiras, na Região Sul a atividade agrícola assenta-se predominantemente nas pequenas propriedades de base familiar – herança do processo de colonização aí implantado desde o século XIX.
As exceções são os latifúndios nos Campos da Campanha Gaúcha, no norte do Paraná, nas proximidades das cidades de Londrina e Maringá, e no município de Lages, em Santa Catarina. 
Tanto a pequena como a grande propriedade estão integradas à agroindústria alimentícia, que produz vinho, geleias, café solúvel, farinha de trigo, soja, milho, entre outros produtos.
Vinda do estado de São Paulo, a cafeicultura avançou para o norte do Paraná na primeira metade do século XX. Entre o final dos anos 1950 e 1975, o Paraná foi o maior produtor de café do Brasil. A cafeicultura impulsionou o desenvolvimento desse estado, onde estão as cidades de Maringá e Londrina.
Por volta dos anos 1960, no entanto, a cafeicultura começou a ser substituída por outras culturas. As geadas, a perda da fertilidade do solo e a queda do pre ço do café no mercado internacional le varam muitos agricultores a substituir os cafezais por outras culturas, por exemplo algodão, cana-de-açúcar e soja, e, também, pela pecuária. 
Como o café era cultivado e colhido sem o uso de máquinas, diferentemente da soja, que é uma cultura mecanizada, essa substituição provocou uma crise social, representada por desemprego e migração de famílias do campo para as cidades. 
Algumas pessoas empregaram-se na construção civil, no comércio e em outros setores, mas muitas estabeleceram-se na periferia de cidades e tornaram-se boias-frias, dedicando-se ao corte de cana no estado de São Paulo e no norte do Paraná.

Integração: agropecuária-indústria

Grande parte das atividades agropecuárias desenvolvidas na Região Sul é considerada moderna. Há uso de tratores, colheitadeiras e fertilizantes na agricultura; e rações, medicamentos e vacinas, na pecuária, o que vem proporcionando elevado nível de produtividade nas atividades agropecuárias desenvolvidas na região.
Uma parte significativa da atividade agropecuária da Região Sul tem se desenvolvido por meio de um sistema de parceria entre os produtores rurais e as agroindústrias, principalmente os frigoríficos e as indústrias de laticínios. 
Nesse sistema, conhecido como sistema de integração, cabe aos criadores o crescimento saudável dos animais até o período do abate. Já as agroindústrias são responsáveis por oferecer assistência técnica aos criadores, dando a eles, por exemplo, a ração, os medicamentos para os animais e assumindo os gastos com veterinários. 
Além disso, cabe às agroindústrias a compra total da produção. Esse sistema integrado trouxe bons resultados tanto para os produ tores quanto para as agroindústrias.
Nas áreas de relevo mais acidentado, onde o uso de máquinas agrícolas é limitado, predominam as pequenas e médias propriedades. Atualmente, a maioria delas produz matéria-prima para as grandes agroindústrias da região e, des de os anos 1990, conta com empréstimos a juros baixos concedidos pelos governos estaduais e federal. A pecuária suína e a de aves são exemplos de produção integrada à indústria. 
A Região Sul também apresenta muitas pequenas e médias propriedades rurais de base familiar, responsáveis por diversificar a produção agropecuária. No entanto, existem também grandes propriedades localizadas, por exemplo, em municípios como Lages (SC), Londrina, Maringá e Guarapuava (PR) e na Campanha Gaúcha (RS).
A partir da década de 1970, acompanhando o processo de modernização que reestruturou a produção agropecuária no Brasil, os grandes produtores passaram a utilizar tecnologias modernas na criação de animais e no cultivo de diferentes culturas para aumentar a produção. Ao mesmo tempo, muitos pequenos e médios proprietários rurais não conseguiram investir nesse tipo de tecnologia e passaram a ter mais dificuldade para concorrer com os grandes fazendeiros. É importante destacar que nesse período os pequenos e médios proprietários não eram be neficiados com empréstimos do governo para investir em suas produções, en quanto os grandes fazendeiros recebiam ajuda governamental.
Os grandes fazendeiros passaram então a comprar as propriedades dos pequenos e médios produtores, o que provocou um intenso processo de con centração de terras, principalmente no oeste do Paraná e de Santa Catarina. Além disso, o emprego de máquinas substituiu a mão de obra, dispensando diversos trabalhadores.
Muitos pequenos e médios produtores migraram para a periferia das cidades em busca de emprego. Outros, que ainda dispunham de capital, partiram em busca de melhores oportunidades em estados das regiões Centro-Oeste e Norte.

A pecuária

A atividade pecuária na Região Sul é bastante expressiva. De acordo com dados do IBGE, em 2020, em 2020, a região abrigava cerca de 11% do rebanho bovino brasileiro, 19% do rebanho ovino, 43% do suíno e, aproximadamente, 47% do efetivo de galináceos. 
Amparados nessa criação, desenvolveram-se grandes frigoríficos em Santa Catarina, além de laticínios, curtumes e lanifícios, abastecidos pela lã da pecuária ovina.
Na cadeia produtiva da avicultura sulina, os grandes abatedouros e frigoríficos articulam-se com os pequenos produtores para garantir a produção avícola da região e viabilizar seu próprio negócio.
A criação de bovinos também é significativa, sendo destinada, principalmente, para a produção de leite, o que corresponde a 34% da produção nacional. 
O Rio Grande do Sul é o segundo maior criador de ovinos do Brasil, obtendo dessa criação carne, lã e couro. Grande parte da produção agropecuária da Região Sul está ligada às agroindústrias. 
Muitas delas, como as do setor de laticínios, de frigoríficos, de óleos vege tais e as vinícolas, instalaram-se nas proximidades de áreas rurais com o objetivo de obter as matérias-primas mais facilmente e dinamizar sua produção. 

Distribuição espacial da atividade agropecuária

A agricultura na região Sul é muito importante. Até recentemente, o estado do Paraná, por exemplo, aparecia como um dos principais em produção agrícola do Brasil. Nas últimas décadas houve uma mudança na economia paranaense, com uma maior produção industrial. Entre os principais produtos agrícolas do Paraná estão a soja e o milho. 
Plantados em grandes extensões de terra, principalmente a primeira, fornecem matérias-prima para o preparo de óleos e produtos vegetais, como margarinas, que são processados no estado. Porém, parte da soja é destinada ao mercado externo. O porto de Paranaguá é o principal do estado e escoa a produção de soja para- naense e de outros estados. O café merece destaque na agricultura paranaense, que também é a que mais produz feijão no Brasil, se somadas a produção de feijão-preto e a dos demais tipos.
Além disso, o estado se destaca pela produção de madeira cultivada, seja para produzir papel e celulose, seja para fornecer material para a produção de móveis, seja para a produção de trigo.
Em Santa Catarina, o destaque é a criação de animais para o abate. O estado é o principal em termos de criação de suínos. Como resultado, é o maior produtor de alimentos embutidos (mortadela, presunto, entre outros tipos). 
A produção de frangos também merece destaque, assim como a de madeira cultivada. Santa Catarina é o maior estado produtor de maçã, abastecendo praticamente todo o país. 
Isso ocorre em razão da adaptação da fruta às condições climáticas do estado. Além disso, já é o segundo estado do Brasil em cultivo de uva para produção de vinho ou suco. A proximidade com o Rio Grande do Sul ajuda a entender esse fato.
A pecuária é muito importante no Rio Grande do Sul. O rebanho de bovinos e suínos e a criação de aves, em especial de frango, posicionam o es tado entre os principais do Brasil. Por isso, o esta do é um tradicional exportador de carne bovina para mercados exigentes, como os dos países da União Europeia. Como resultado, no estado estão presentes muitas empresas que atuam no proces samento de carne (abate, corte, conservação e distribuição).
Além disso, o Rio Grande do Sul é o maior pr odutor de arroz do Brasil, com cerca de 60% da produção total do país. Outro produ to com destaque é o fumo, cuja liderança nacio nal também está no estado. A soja também po siciona o Rio Grande do Sul entre os maiores produtores do Brasil, bem como o trigo, muito adaptado às condições climáticas do estado. 
Na região de Bento Gonçalves estão as princi pais áreas produtoras de uva, que fornecem matéria-prima para produção de vinho, tornando-a a mais importante do Brasil. Os vinhos do Rio Gran de do Sul abastecem os principais mercados do país, com destaque para os estados do Sul e Su deste, além do Distrito Federal.
Desde 2012, os vinhos produzidos no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, obtiveram a denominação de origem, um selo que garante que os produtos que saem da região possuem características de qualida de que resultam tanto das condições físicas (solo, clima e relevo), quanto das condições sociais de produção. Esse tipo de selo também existe em outros países. 

Indústria

A Região Sul tem um parque industrial diversificado, com a presença de indústrias metalúrgicas, mecânicas, químicas, de bebidas, têxteis e alimentícias. 
Dois fatores foram extremamente importantes para a industrializa ção da Região Sul: a imigração estrangeira e a organização de uma economia voltada para abastecer, de início, o mercado regional.
Muitos dos imigrantes que se dirigiram para o sul, principalmente ita lianos, alemães, poloneses e ucranianos, tinham conhecimentos técnicos de fabricação de produtos de vários ramos industriais – de vinhos, tecidos, porcelanas, cristais, máquinas, vestuário, móveis, carroças, pro dutos alimentícios etc.
Esses grupos iniciaram o processo de fabricação com base no arte- sanato familiar, em seus próprios domicílios, no fundo do quintal, ou em pequenos barracões e oficinas. Com o passar do tempo, algumas dessas manufaturas transformaram-se em indústrias de grande porte. 
A partir da década de 1960, com a maior integração rodoviária das sub-regiões do Sul, e destas com o Sudeste e outras regiões do Brasil, as indústrias sulistas, que antes se limitavam a atender ao mercado regional, passaram também a vender seus produtos para todo o país e para o exte rior. Assim, a atividade industrial da Região Sul cresceu de forma considerável, tornando-a a segunda região mais industrializada do Brasil.
Um fator importante que impulsionou a industrialização da Região Sul foi o processo de desconcentração industrial ocorrido no país. Nas últimas décadas, muitas indústrias se dirigiram para outros estados, fora da Região Sudeste. 
Com o processo de desconcentração industrial em curso no Brasil, empresas de grande porte têm se instalado na Região Sul. Entre elas, merecem destaque as indústrias automobilísticas instaladas em São José dos Pinhais – município da Região Metropolitana de Curitiba – e em Gravataí – município da Região Metropolitana de Porto Alegre. 
A partir da década de 1990, os governos dos estados da Região Sul passaram a oferecer uma série de benefícios para promover a vinda de indústrias para a região, como isenção de impostos, redução dos custos com infraestrutura e empréstimos bancários. Além disso, a região é favorecida por sua localização no território brasileiro. 
Por situar-se na fronteira entre os países-membros do Mercosul, muitas indústrias foram instaladas na região com o objetivo de estreitar suas relações comerciais com os países do bloco. 
A criação do Mercosul dinamizou as trocas comerciais entre os países-membros de forma considerável. Por causa da proximidade com o Uruguai, a Argentina e o Paraguai, a Região Sul foi beneficiada com a criação dessa organização internacional. Tal proximidade facilita o transporte de mercadorias do Sul para os países vizinhos, reduzindo os custos das empresas.

Os principais centros industriais

O parque industrial da região Sul é bastante diversificado e fornece produtos a todo o Brasil e ao exterior. São calçados, têxteis, móveis, cerâmicas, em butidos e derivados de carne, vinhos e muitos outros. Desde o início da década de 1990, quando foi criado o Mercosul, a produção industrial cresceu ainda mais.
As áreas com os maiores polos industriais estão nas regiões metropolitanas de Porto Alegre e Curitiba. No entanto, as cidades catarinenses de Blumenau e Brusque, as paranaenses Londrina, Maringá e Cianorte e as gaúchas Santa Maria, Caxias do Sul e Pelotas também se destacam.
No Sul existem também importantes centros de indústrias automobilísticas – carros, ônibus, caminhões e tratores. 
Com uma base industrial diversificada, o Paraná passou a se destacar no Brasil recentemente. Junto à Região Metropolitana de Curitiba estão localizadas indústrias do setor automobilístico, eletrônico e de bens de consumo (eletrodomésticos). No Paraná, os principais polos estão localizados em São José dos Pinhais e em Curitiba.
No norte do Paraná estão localizadas outras importantes cidades que possuem atividade industrial intensa: Londrina e Maringá. Londrina destaca-se pela presença dos setores metalúrgicos, de material elétrico, de peças para má quinas, entre outros. Já Maringá tem a produção de máquinas e equipamentos. Mas o principal destaque fica para o setor de vestuário, que produz roupas em larga escala para comercialização em todo o Brasil, além de exportar parte da produção. A cidade de Araucária tem uma refinaria de petróleo, o que permitiu a presença de indústrias químicas. 
No Rio Grande do Sul, encontram-se em Caxias do Sul e Gravataí. Em Santa Catarina, concentram-se em Araquari.
Além disso, a região tem indústrias metalúrgicas e mecânicas em Caxias do Sul (RS) e em Joinville (SC). Destacam-se também a indústria naval em Rio Grande (RS) e a têxtil em Blumenau (SC). 
No Rio Grande do Sul existem diferentes tipos de indústrias. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, a mais industrializada do estado, concentram-se empresas do setor automobilístico, de autopeças, mecânico, alimentício, químico, entre outros. 
Novo Hamburgo destaca-se como produtor de calçados, embora também tenha empresas do setor metalúrgico. Já São Leopoldo abriga indústrias mecânicas e de calçados. Caxias do Sul e Farroupilha se destacam pelo setor metalúrgico. Bento Gonçalves, por sua vez, é o maior polo de produção de vinhos do Brasil. 
De lá saem vinhos que abastecem parte expressiva do mercado de consumo brasileiro. Rio Grande, que fica no litoral, é sede de estaleiros que restauram navios.
Santa Catarina possui atividade industrial em várias cidades do estado. Joinville, principal município em produção industrial do estado, é um polo de produção metalúrgica, mas também é importante para a produção de máquinas para uso industrial e materiais de construção (tubos metálicos, sistemas hidráulicos, material elétrico). 
Blumenau é outro importante município com produção industrial – nesse caso, com liderança na produção de tecidos. Lages abriga empresas que produzem equipamentos agrícolas. Outro destaque de Lages é o setor madeirei ro, que fabrica máquinas para produzir portas e batentes. 
Empresas de produção de alimentos preparados têm uni dades de produção no estado, em Chapecó. Criciúma, por sua vez, é a principal do país em produção de carvão mineral e é destaque na produção de material cerâmico, usado na construção civil.

Extrativismo 

A Região Sul dispõe de diversos recursos minerais, com destaque para o carvão mineral. Na Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná, encontra-se uma faixa de terra que se convencionou chamar de Cinturão Carbonífero do Sul do Brasil.
A Região Sul se destaca por deter as maiores reservas de carvão mineral do Brasil. Embora o Rio Grande do Sul possua as maiores delas, a produção de carvão mineral nesse estado é inferior à produção de Santa Catarina em razão da baixa qualidade que apresenta. O carvão catarinense libera menos resíduos durante a queima; por isso, é preferido pelas indústrias siderúrgicas. 
O carvão mineral extraído de Santa Catarina destina-se principalmente ao mercado nacio nal, abastecendo as siderúrgicas dos estados de São Paulo e Minas Gerais e do municí pio de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, en tre outras. Transportado por ferrovias até os portos de Imbituba e Laguna, em Santa Catarina, segue daí por navios cargueiros até Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, em direção àquelas siderúrgicas.
Já o carvão mineral extraído no Rio Grande do Sul e no Paraná não é considerado ade quado para a siderurgia, sendo usado pelas usinas termelétricas regionais. No passado, o carvão aí extraído era empregado como combustível para locomotivas a vapor.
Nos últimos anos, tem-se manifestado uma preocupação maior com a exploração do carvão mineral na Região Sul, principalmente em relação aos impactos socioambientais causados por ela. 
A extração do carvão mineral a céu aberto ou em galerias causa danos à paisagem e os entulhos colocados na superfície contaminam as águas com seus sais e ácidos.
Na Região Sul, também se extraem do subsolo alguns mi nerais muito utilizados para a fabricação de joias ou objetos de arte, conhecidos como pedras preciosas. A ametista, por exemplo, pode ser encontrada na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e a ágata, na porção mais central do Rio Grande do Sul.

Turismo 

Entre as atividades do setor de serviços da Região Sul, o turismo tem se des tacado. Todos os anos, a região atrai turistas que procuram paisagens naturais, como praias, serras e cânions, além das Cataratas do Iguaçu. 
Outra grande procura é por cidades históricas, sobretudo as marcadas pela presença da cultura e dos costumes dos povos imigrantes, com construções de casas no estilo europeu e manifestações culturais como festas, comidas e roupas típicas. 

Região Sul - Ocupação Territorial

Colonização da região Sul 

Durante todo o século XVI, Portugal demonstrou pouco interesse pelas terras que hoje correspondem à Região Sul. Várias expedições de outros países visitaram-na em busca, principalmente, de pau-brasil, sem, contudo, estabelecer núcleos permanentes de povoamento.
No início da colonização portuguesa no Brasil, as terras que hoje pertencem aos estados da região Sul não foram prontamente ocupadas, como aconteceu no Nordeste, por exemplo. Como a região não dispunha de minérios conside rados valiosos por Portugal, como ouro e prata, e suas condições climáticas eram inadequadas ao cultivo de produtos tropicais, ela não oferecia possibilidades de exploração comercial, mineral ou agrícola que dessem lucros à metrópole. Assim, inicialmente nessas terras foram implantadas apenas algumas missões jesuíticas, isto é, aldeamentos criados e administrados por padres jesuítas para catequizar os indígenas. 
Já a partir de meados do século XVII, os bandeirantes passaram a adentrar as terras da atual região Sul para capturar indígenas e vendê-los como escravos. 

As reduções jesuíticas e o bandeirismo

O povoamento europeu do Sul iniciou-se no século XVII, em virtude de iniciativas como a implantação de reduções jesuíticas por padres espanhóis, nas terras que hoje pertencem ao Rio Grande do Sul e ao Paraná, onde catequizavam os indígenas e praticavam a agricultura e a pecuária bovina.
As reduções, também chamadas missões, foram sistematicamente invadidas por bandeirantes paulistas, que se dedicavam ao apresamento de indígenas com o objetivo de escravizá-los. Apesar disso, contribuí ram para a formação de cidades localizadas no atual estado do Rio Grande do Sul, como Santo Ângelo, São Borja, São Luiz Gonzaga, São Nicolau e São Miguel das Missões.
As bandeiras que partiram de São Vicente (SP) e da Vila de São Paulo, em busca de ouro e do apresamento de indígenas, encontraram o metal pre cioso onde hoje ficam as cidades de Paranaguá, no litoral, e de Curitiba, ambas no Paraná.
No entanto, por falta de conhecimentos técnicos, essa exploração foi de curta duração, levando a população dessas localidades a se dedi car à agricultura e à criação de gado bovino, com o objetivo de abastecer a região das Minas Gerais. Quanto às terras que hoje pertencem a Santa Catarina, continuaram pouco povoadas por portugueses e luso-brasileiros na primeira metade do século XVII. 
A primeira povoação estável foi fundada no litoral em 1658, com o nome de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco, atual São Francisco do Sul. Em seguida, em 1675, a Ilha de Santa Catarina foi povoada com a fundação da Vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. E, em 1676, foi fundada Laguna.
No século XVIII, a Coroa portuguesa começou a doar terras para atrair imigrantes europeus que se dispusessem a povoar aquela área, uma vez que o povoamento era a melhor forma de garantir o domínio do terri tório e evitar invasões estrangeiras. Naquela época, vigorava o princípio cha mado uti possidetis (expressão em latim que significa “propriedade por posse”), que garantia a posse das terras a quem as ocupasse e promovesse sua colonização. 
As terras doadas concentravam-se principalmente nos vales e nas áreas montanhosas dos atuais estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 
No mesmo século, o desenvolvimento da mineração em Minas Gerais incentivou a formação de fazendas de gado nos Pampas, também conhecidos como Campanha Gaúcha, para fornecer charque ao crescente mercado das cidades que surgiam em torno das minas de ouro e de pedras preciosas. Houve, então, o ingresso de pessoas escravizadas, que foram trazidas à força do continente africano para trabalhar nos Pampas.
O processo de colonização da região Sul foi marcado pela imigração de pessoas de várias origens. No século XVII houve ingresso de portugueses na região, que fundaram Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), em 1673, e Colônia do Santíssimo Sacramento (hoje Colônia de Sacramento, no Uruguai), em 1680. Já em 1772, fundaram São Francisco do Porto dos Casais (atual Porto Alegre). 
Muitos deles, bem como seus descendentes, possuíam grandes fazendas de criação de gado nas áreas planas da Campanha Gaúcha, onde eram frequentes os conflitos com colonizadores espanhóis que imigraram para o atual território do Uruguai e da Argentina.

Açorianos 

O maior povoamento da Região Sul teve início com a chegada de ilhéus açorianos. Em 1742, casais vindos dos Açores fundaram a Vila do Porto dos Casais, hoje Porto Alegre, e se fixaram no vale de vários rios, como o Gravataí, o Sinos e o Jacuí, onde deram origem a diversas cidades. Em Santa Catarina, entre 1748 e 1756, desembarcaram cerca de 5 mil açorianos, iniciando o povoamento de trechos do litoral e da Vila de Nossa Senhora do Desterro, que deu origem à cidade de Florianópolis.

A articulação do Sul com as Minas Gerais 

No final do século XVII e início do século XVIII, a necessidade de couro e de carne para a região mineradora das Minas Gerais incentivou o des locamento de paulistas para os campos do Sul em busca de gado. Ini cialmente, o objetivo foi aproveitar o rebanho bravio, disperso na área, resultante da destruição das missões. Posteriormente, em decorrência do crescimento populacional da região da mineração, o fornecimento de gado por meio da caça tornou-se insuficiente. Iniciou-se, então, a for mação de estâncias na vegetação nativa dos Campos. 
Isso ocorreu inicialmente no litoral, em Rio Grande e Pelotas, e depois avançou para o interior, pela região de Bagé, o que estimulou a instalação de charqueadas nessa região. A mão de obra para a expansão da criação de gado no Rio Grande do Sul contou com a participação de africanos escravizados e açorianos. 
Com indígenas e espanhóis, esses grupos deram origem à cultura gaúcha. Deve-se em grande parte a eles a manutenção das fronteiras do Brasil com o Uruguai e a Argentina.

As tropas e a produção 

Para escoar o charque e o couro para os mercados compradores, entre eles a região das Minas, os tropeiros deslocavam-se por gran des distâncias, do sul para o norte, transpor tando suas mercadorias em lombos de mulas e burros. Ao longo do trajeto, paravam para des cansar, pernoitar e tratar dos animais. 
Alguns pousos dos tropeiros e caminhos de gado deram origem a cidades como: Osório, São Gabriel, Vacaria e Viamão, no Rio Grande do Sul; São Joaquim, Mafra, Porto União, em Santa Catarina; Castro e Lapa, no Paraná (localize essas cidades no mapa da página seguinte). 
O relevo mais plano das depressões facilitou os deslocamentos sul-norte dos tropeiros, que chegavam a durar três meses.

A imigração e a produção de espaços no Sul 

O século XIX marca um novo período da ocupação das terras e de pro dução de espaços na Região Sul. Além da maior ocupação do litoral, o povoamento do interior intensificou-se com a imigração europeia, o que acentuou a apropriação das terras indígenas. Após a vinda do príncipe D. João para o Brasil, em 1808, a Coroa por tuguesa tomou várias providências para povoar mais o sul da colônia. Para atrair imigrantes, D. João assinou um decreto permitindo que estrangeiros se tornassem proprietários de terras no Brasil, custeou as despesas de transporte para os imigrantes, disponibilizou empréstimos para a compra de instrumentos agrícolas e de animais de transporte, além de oferecer outras facilidades. 
Como o clima da porção sul do Brasil não era adequado para a produção de gêneros tropicais, como a cana-de-açúcar, estabeleceu-se na região uma agricultura em pequenos lotes de terra. Isso deu origem, na região, à pequena propriedade rural, diferentemente do ocorrido com a cultura da cana-de-açúcar no Nordeste, com a cafeicultura no Sudeste e com a pecuária nos campos do Rio Grande do Sul, que se estabeleceram em grandes propriedades, os latifúndios.

Portugueses açorianos

Aproveitando as vantagens ofereci das em 1808, a corrente de colonos por tugueses, vindos principalmente das Ilhas dos Açores, intensificou-se. Deu-se preferência aos imigrantes que formas sem grupos familiares, o que constituiu exceção na história da ocupação da co lônia até aquele momento. 
As 1500 fa mílias de açorianos que imigraram para o Brasil nesse período fixaram-se no li toral do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, dedicando-se principalmente à pesca e à agricultura de subsistência.

Alemães

As primeiras levas de imigrantes ale mães foram para o Rio Grande do Sul e se instalaram na região do vale do rio dos Sinos, onde formaram a colônia de São Leopoldo, em 1824. Com o tempo foram se constituindo pequenos núcleos urbanos, que posteriormente deram origem a vilas e cidades, entre elas, Novo Hamburgo, nas proximidades de Porto Alegre. No norte de Santa Catarina (no vale do rio Itajaí), eles foram responsáveis pela fundação de Blumenau, em 1850, e de Joinville, em 1851, entre outras cidades. 
Os imigrantes alemães deram importante contribuição à ocupação do sul do Brasil: em 1824, D. Pedro I iniciou a imigração alemã para o Rio Grande do Sul, em São Leopoldo, nas mesmas bases da imigração açoriana; em 1827, 600 imigrantes alemães fixaram-se em Rio Negro, no Paraná; em 1850, famílias alemãs fundaram Blumenau, em Santa Cata rina, hoje importante centro industrial e comercial; em 1851, foi fundada a colônia de Dona Francisca, em Santa Catarina, que deu origem à cidade de Joinville, hoje também importante centro comercial e industrial.
Além desses núcleos urbanos, os alemães fundaram muitos outros no sul do Brasil. Muitos deles tornaram-se importantes cidades, como é o caso de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

Italianos, poloneses e ucranianos 

A partir da segunda metade do século XIX, os italianos começaram a se instalar no vale do rio Tubarão (no sul do estado de Santa Catarina) e na serra Gaúcha. Eles fundaram cidades como Criciúma, Caxias do Sul, Garibaldi e Bento Gonçalves.
No Rio Grande do Sul, os imigrantes italianos dedicaram-se principalmente à cultura da uva (vinicultura) e à sua industrialização. Muitos de seus núcleos iniciais transformaram-se em cidades importantes, como Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do Sul.
Em Santa Catarina, os italianos dedicaram-se a uma agricultura variada e também fundaram importantes cidades, como Nova Trento, Urus sanga e Nova Veneza. 
A partir de 1869, o estado do Paraná recebeu muitos imigrantes eslavos, como poloneses e ucranianos, que se fixaram em Curitiba e nas proximidades de Ponta Grossa, Castro, Lapa e Ivaí, no Paraná. Todos esses imigrantes dedicaram-se à agricultura e à pecuária. 
Com o tempo, houve diversificação da atividade econômica. O artesanato doméstico, por exemplo, deu origem a indústrias de grande porte voltadas, por exemplo, para a tecelagem, a confecção de roupas e a pro dução de cristais, motores elétricos, tintas etc. 

Japoneses 

A última grande corrente imigratória estrangeira para a região Sul, já no século XX, foi a dos japoneses, que se dedicaram, principalmente, à cafeicultura no Sudeste. 
Posteriormente, com a expansão do café para o norte do Paraná, por volta de 1930, imigrantes japoneses deslocaram-se para a região, fixando-se nos municípios de Londrina e Maringá. Também no norte do Paraná fundaram as cidades de Uraí e Assaí.

A organização das colônias 

Foi muito difícil para os imigrantes abandonar seu país de origem e iniciar o povoamento de um novo lugar, onde a natureza era praticamente intacta e tendo de produzir absolutamente tudo para sobreviver. Havia, ainda, o isola mento imposto principalmente pela falta de meios de comunicação. 
Para vencer esses obstáculos, os imigrantes que povoaram a região Sul organizavam grupos em seus países de origem e, ao chegarem ao Brasil, as sentavam-se em colônias. 
Os imigrantes fixavam-se em pequenas e médias propriedades, utilizando mão de obra familiar e praticando a policultura. Com algumas exceções, qua se não se utilizou trabalho escravo na região Sul: em grande parte, os indígenas foram aprisionados por bandeirantes, expulsos ou assassinados pelos novos ocupantes, e os africanos foram levados em menor número para lá, já que os imigrantes não dispunham de dinheiro para comprar escravos. Nas colônias havia uma divisão do trabalho. 
Por exemplo: uma família pro duzia trigo e arroz, outra criava alguns animais, outra produzia legumes, e assim por diante. A produção era vendida (ou trocada) e consumida na própria colô nia. Já no extremo sul da região, na Campanha Gaúcha, a produção de carne, couro e animais de carga (muares) abastecia principalmente o Sudeste, primei ro a região das minas e, posteriormente, do café. 
No século XIX, era famosa a feira de muares de Sorocaba, no estado de São Paulo, que comercializava animais criados no Sul.
Ao longo de todo o século XIX, principalmente na sua segunda metade, a entrada de imigrantes foi um fator importante no crescimento demográfico da região Sul, que, recebeu sobretudo imigrantes europeus.
Também no século XX o deslocamento de pessoas influenciou fortemente a dinâmica populacional na região, provocando primeiro a elevação e depois a redução das taxas de crescimento populacional. Naquela época, porém, os impactos foram causados pela migração interna.
No período de 1950 a 1960, a região Sul (assim como a Centro-Oeste) apresentou taxas de cres cimento elevadas, se comparadas às das demais regiões.
A abertura de novos espaços produtivos para a ati vidade agrícola atraiu expressivos fluxos migratórios, principalmente para o Paraná, aumentando de forma acentuada a sua população. 
Em 1950, metade de sua população era composta de brasileiros provenientes de outros estados, a maioriade São Paulo e Minas Gerais, e de estrangeiros, principalmente japoneses.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Região Sul: o meio natural

A Região Sul, a menor das cinco regiões brasileiras, é composta por três estados e corresponde a 7% de todo o território nacional, com extensão de aproxi madamente 577 mil km2.
O clima subtropical, predominante na região, tem chuvas bem distribuídas ao longo do ano e temperaturas mais baixas em comparação a outras partes do país, sobretudo no inverno. Sua vegetação é mais adaptada às baixas temperaturas, como os Campos e a Mata de Araucárias. 
A região também tem áreas preservadas cobertas por vegetação de Mata Atlân tica em locais de transição climática, onde as temperaturas são um pouco mais elevadas
A Região Sul conta com grande diversidade paisagística. A seguir, conheceremos as características de seu quadro natural.

Relevo e vegetação

A grande diversidade de vegetação da região Sul é consequência, sobretudo, das diferenças nas temperaturas médias anuais. Ao longo do tempo, no entanto, a agricultura, a pecuária e a extração de madeira, principalmente para fabricação de móveis, provocaram grande desmatamento, reduzindo drasticamente a cobertura vegetal da região. 
As terras altas (de maiores altitudes) da Região Sul são encontradas nas porções norte e nordeste do Rio Grande do Sul e se prolongam para os estados de Santa Catarina e Paraná. Formam diversas serras, entre elas a Serra do Mar e a Serra Geral, onde as massas de ar úmidas, vindas do oceano, provocam chuvas orográficas ao encontrar suas encostas.
Nessas serras e em outras da região, há remanescentes da Mata Atlântica e da Mata dos Pinhais. 
A Mata dos Pinhais, como também é conhecida, aparece em maior concentração nas regiões serranas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, onde as temperaturas são mais baixas.
É na Serra Geral, no estado de Santa Catarina, que se localiza São Joaquim, a 1354 metros de altitude. Esse município é um dos mais frios do país. Por causa de sua altitude elevada e por estar sujeito às incursões da massa Polar atlântica, fria, já registrou temperatura de –10 °C e queda de neve no inverno.
A Mata de Araucária era a vegetação predominante da região Sul, embora ocorram algumas árvores características dessa vegetação em regiões serranas do Sudeste e no sul do estado de São Paulo. É formada por diversas espécies vegetais, com destaque para as variedades de araucárias, entre elas o pinheiro-do-paraná. Outra espécie vegetal característica dessa mata é a erva-mate, cujas folhas são utilizadas para preparar uma bebida digestiva. 
A Mata de Araucárias, formada por pinheiros adaptados às temperaturas mais baixas, cobria originalmente grande parte dessa região. No entanto, tal vegetação sofreu forte devastação em decorrência da expansão das atividades econômicas, principalmente dos cultivos agrícolas e do crescimento das áreas urbanas. Já os Campos, também adaptados às baixas temperaturas, são bastante aproveitados para áreas de pastagens e predominam no sul do Rio Grande do Sul.
Próximo ao litoral dos estados de Santa Catarina e Paraná, recobrindo a serra do Mar e estendendo-se até a planície Costeira, desenvolveu-se originalmente a Mata Atlântica, que hoje aparece apenas em pequenas manchas. A Mata Atlântica também se desenvolveu na porção oeste da região, mas apresentando características particulares relacionadas às variações de temperatura e umidade.
No litoral desenvolvem-se Mangues e Restingas, também fortemente ameaçados pela ocupação e as atividades humanas.
As terras baixas são encontradas ao longo do litoral, onde formam planícies litorâneas ou costeiras. Nelas estão situadas importantes cidades turísticas, como Balneário Camboriú, em Santa Catarina. 
Na porção centro-sul do Rio Grande do Sul, as terras baixas acompanham os vales dos rios Ibicuí, Santa Maria, Jacuí, Sinos e do Lago Guaíba, onde formam planícies fluviais. 
A cidade de Porto Alegre está situada na margem esquerda do Lago Guaíba, próximo à foz do Rio Jacuí. É nessas terras de baixas altitudes do Rio Grande do Sul que se encontram os Campos, vegetação com predominância de gramíneas, dominando o sul e o sudeste do estado. 
Essa formação varia conforme as características de solo e clima. A área campestre mais típica é a do sudoeste do Rio Grande do Sul, conhecida como Campanha Gaúcha ou Pampa, que se prolonga para o território do Uruguai e da Argentina. Seu relevo é geralmente plano, entre cortado por pequenos e baixos morros (cerros). 
A vegetação que se encontra mais preservada na região Sul são os Campos, com predomínio de diversos tipos de gramíneas, que se desenvolvem na porção meridional do Rio Grande do Sul. A vegetação dos Campos é menos exuberante do que a das matas, por exemplo, mas não menos importante, pois abriga grande biodiversidade. Historicamente utilizadas como pastagens, hoje essas áreas estão ameaçadas pelos cultivos de soja e arroz e pela introdução de espécies exóticas de gramíneas.
No século XVII, iniciou-se nos Campos a criação de bovinos e equinos e, posteriormente, a de ovinos, aproveitando as condições naturais favoráveis da região. 

As unidades de relevo

a as unidades do relevo da Região Sul: 
• os planaltos da porção leste, que fazem parte dos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste, representados pela Serra Geral e pela Serra do Mar; 
• em direção a oeste, o relevo perde altitude, dando lugar à Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná; 
• ultrapassada a depressão, surgem outras grandes áreas de planalto até o vale do Rio Paraná e em direção sul – são os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná.

As lagoas costeiras 

As seguintes unidades do relevo da Região Sul não foram citadas no texto: Planalto Sul-Rio-Grandense, a Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense e a Planície das Lagoas dos Patos e Mirim. 
Nas bordas litorâneas do Rio Grande do Sul surgem três grandes lagoas costeiras parcialmente separadas do mar por extensos cordões litorâneos – as restingas. 
A Lagoa dos Patos, com cerca de 10000 km2, alimentada pelas águas do Lago Guaíba e dos rios Jacuí e Caí; e a Lagoa Mirim, com aproximadamente 4000 km², onde desá gua o Rio Jaguarão, são ligadas pelo Canal de São Gonçalo. A Lagoa Mangueira, de área menor, encontra-se entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico.
 
Clima
 
A região Sul é a que apresenta as temperaturas médias mais baixas do Brasil, sobretudo nos meses de inverno.
O Trópico de Capricórnio atravessa a porção norte do estado do Paraná. Assim, a maior parte da Região Sul está localizada na zona temperada; isso significa que, por causa da esfericidade da Terra, os raios solares incidem menos inclinados em relação à su perfície da Terra que na zona tropical.
Na pequena porção da região Sul que se encontra ao norte do trópico de Capricórnio predomina o clima tropical de altitude. Na porção localizada ao sul do trópico de Capricórnio, na zona temperada do planeta, predomina o clima subtropical, com forte influência das massas polares. Junta mente com as condições do relevo, isso explica o fato de a região Sul do Brasil apresentar médias de tempera tura mais baixas do que o restante do país.
É importante destacar que, ape sar de predominar um tipo climático, existem variações nas temperaturas e na precipitação devido às características locais. No litoral da região Sul, as tempe raturas são elevadas durante o verão, mas também caem bastante no inver no. Por exemplo, em Florianópolis, capital catarinense, a temperatura pode ultrapassar os 30 ºC no verão, mas diminui bastante no inverno.
Nas áreas de menor altitude as temperaturas médias são mais elevadas do que na porção serrana, onde a altitude provoca queda nas médias térmicas anuais. 
Nas porções mais elevadas do relevo, é comum a ocorrência de fortes geadas nos períodos de inverno. Em alguns municípios, como São Joaquim, Urubici e Lajes, localizados no estado de Santa Catarina, pode até mesmo haver, nos anos mais frios, precipitação de neve. 
Durante o inverno, é comum a ocorrência de geadas e, com menor frequência, a queda de neve. Uma das condições necessárias para a ocorrência de geada é que, durante a noite, o céu esteja limpo, sem nuvens e com ausência de ventos, o que favorece a perda de calor do solo e a queda brusca da temperatura. 
O clima frio, com a ocorrência de geada, costuma atrair visitantes e ajuda a movimentar a economia da região Sul. Entretanto, nas áreas agrícolas, as geadas podem provocar grande prejuízo, dependendo de sua intensidade, da espécie cultivada e da fase de crescimento em que as plantas se encontram.
Outra situação que provoca bastante preocupação entre os agricultores é a ocorrência de geadas negras, devido à ação da Massa Polar Atlântica, com ventos frios, de moderada a forte intensidade e baixa umidade do ar. Essa condição atmosférica provoca o congelamento da parte interna da planta, que fica escura e morre. 
As condições climáticas, associadas a variadas formas de relevo, propiciam o desenvolvi mento de diferentes formações vegetais nas paisagens naturais dessa região.

A massa de ar Polar atlântica 

A região está submetida a uma ação mais intensa da massa de ar Polar atlântica, originada no extremo sul do conti nente americano. Os ramos de entrada dessa massa de ar, ao se deslocarem na direção norte, passam pela Argentina e pelo Uruguai, onde provocam invernos frios. Ao chegarem à Região Sul do Brasil, seguem pelas áreas de menores altitudes: um de seus ramos avança pelo litoral, pelas planícies litorâneas, e o outro avança sobre o território do Brasil pelo interior. 
No outono e no inverno, essa massa de ar atua com maior intensidade. Forma as denominadas frentes frias, que provocam quedas de temperatura e invernos mais rigorosos no Sul.

O clima subtropical

A maior porção do território da Região Sul localiza-se na zona temperada, ao sul do Trópico de Capricórnio. Essa região é dominada pelo clima subtropical. 
A Região Sul é a única, entre as regiões do país, onde predomina o clima subtropical. Por essa razão, é conhecida pelas baixas tempe raturas que caracterizam boa parte de seu território no período de inverno.
De modo geral, esse tipo de clima se caracteriza por temperaturas médias anuais entre 15 °C e 20 °C. Entretanto, no extremo sul do Rio Grande do Sul, as médias térmicas anuais são inferiores a 15 °C. 
Quanto à precipitação total anual, há variação entre 1500 e 2000 milímetros, sendo bem distribuída no decorrer do ano, o que favorece a prá tica da agricultura e da pecuária. 

Hidrografia

A Região Sul abriga uma vasta rede hidrográfica, sendo que parte dela corre por terrenos localizados em planaltos, fato que confere amplo potencial energé tico à região.
A Região Sul conta com rios caudalosos e extensos que correm em áreas planálticas e apresentam quedas-d’água aproveitadas para a produção de energia elétrica. É o caso do Rio Paranapanema, na divisa de São Paulo e Paraná; do Rio Paraná, na divisa dos estados do Paraná e de Mato Grosso do Sul, que corre na fronteira do estado do Paraná com o Paraguai; do Rio Iguaçu, que separa, em parte, os estados do Paraná e de Santa Catarina. 
É nesse rio que se encontram as famosas Cataratas do Iguaçu, na fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai, trecho em que sua largura é reduzida de 4000 metros para 100 metros. Em todos esses rios foram construídas usinas hidrelétricas a fim de garantir a produção de energia para a região. 
Entre as usinas hidrelétricas presentes no Rio Paraná, uma em particular, a usina hidrelétrica de Itaipu – Itaipu Binacional –, destaca-se por sua magnitude. Ela é uma usina binacional, pois foi desenvolvida por meio de uma parceria entre os governos do Brasil e do Paraguai. A usina produziu em 2021 cerca de 66 milhões de gigawatts-hora (GWh). Por ter sido um ano mais seco, a energia produzida foi responsável pelo suprimento de aproximada mente 8,4% do consumo no Brasil, e 86% no Paraguai.
Embora a construção da usina hidrelétrica de Itaipu, iniciada em 1975, tenha sido um dos maiores empreendimentos de engenharia do país, foi alvo de muitas polêmicas, já que não foram poucos os impactos ambientais causados por sua construção.
Destaca-se também o Rio Uruguai, que nasce na Serra Geral com o nome de Rio Pelotas e, após receber as águas do Rio Canoas, passa a ser denomi nado Rio Uruguai. Esse rio faz a divisa entre os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e determina a fronteira deste estado com a Argentina.

O Aquífero Guarani


Além das águas superficiais, nessa região se localiza parte de um dos maiores reservatórios de águas subterrâneas do mundo: o Aquífero Guarani. Esse nome é uma homenagem da comunidade científica aos povos que habitavam a região do aquífero. Atualmente, sua denominação é Sistema Aquífero Guarani. Parte dele se localiza também nos territórios da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. 
Em 2010, para ampliar a cooperação para um maior conhecimento científico e a ges tão responsável de seus recursos hídricos, baseando-se em “critérios de uso racional e sustentável”, o Brasil e esses três países assinaram o Acordo sobre o Sistema Aquífero Guarani.
Ratificado em 2017 pelo Congresso Nacional do Brasil, o acordo estabelece uma série de normas para o desenvolvimento de ações de conservação e aproveitamento sustentável dos recursos hídricos do Sistema Aquífero Guarani, respeitando o domínio territorial de cada país sobre as porções desse aquífero. 
O Brasil abriga cerca de 70% do Aquífero Guarani. A água armazenada nos poros das rochas sedimentares abastece muitos municípios por meio de poços artesianos.



Sudeste - A expansão da cafeicultura

A expansão da cafeicultura em direção ao interior de São Paulo


Chegando às terras mais interiores da província de São Paulo, na primeira metade do século XIX, a cafeicultura desenvolveu-se amplamente. Por volta de 1840 ocupou terras da Depressão Periférica Paulista, entre elas a área do atual município de Campinas (SP), que se situa na zona de contato entre essa depressão, a oeste, e o Planalto Cristalino ou Oriental, a leste.
Depois, avançou para o Planalto Ocidental Paulista, tanto na direção do Rio Grande, na divisa de Minas Gerais, como em direção ao Rio Paraná e ao Rio Paranapanema. No Planalto Ocidental Paulista, a cafeicultura encontrou condições de clima e solo bastante favoráveis para o seu desenvolvimento: clima tropical, com verão chuvoso e inverno seco, e médias anuais de temperatura superiores a 20 °C, além de manchas de terra roxa de grande fertilidade.
Assim como aconteceu com os canaviais do Nordeste nos séculos XVI e XVII e também com a expansão da monocultura cafeeira no Vale do Paraíba e na Zona da Mata Mineira, o avanço da cafeicultura no Planalto Ocidental Paulista provocou a devastação de grande parte da cobertura vegetal natural. A Mata Tropical e o Cerrado foram progressivamente substituídos por culturas agrícolas – café, amendoim, cana-de-açúcar etc. –, pela pecuária e ainda pela urbanização e construção de ferrovias.

Ferrovias, cafeicultura e produção 


As ferrovias tiveram papel importante na ocupação humana e, por conseguinte, na produção de espaços geográficos no Sudeste, particu- larmente no estado de São Paulo. Muitas cidades surgiram ao redor de estações ferroviárias, destinadas a receber a produção cafeeira e outros produtos. É o caso, por exemplo, de Adamantina, Araçatuba, Bauru, Lins, Lucélia, Penápolis, Pompeia, São José do Rio Preto, Tupã e Votuporanga, todas no estado de São Paulo. 
Ao mesmo tempo que foram construídas para escoar a produção cafeeira, devemos considerar que as ferrovias foram importantes para a industrialização inicial de São Paulo e do Rio de Janeiro ao propiciar o transporte tanto de matérias-primas para as indústrias como da produ ção industrial para o interior. Observe a localização das culturas de café ao longo das ferrovias paulistas no mapa. As ferrovias cumpriram esse papel até, aproximadamente, os anos 1950, quando teve início o desenvolvimento rodoviário.

A cafeicultura e a imigração estrangeira


Em 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico de pes soas escravizadas da África para o Brasil, o problema da falta de mão de obra para a cafeicultura em expansão se agravou, pois o preço do escravo aumentou para quem desejasse comprá-lo. Esses fatos, somados ao movimento abolicionista, levaram os grandes plantadores de café a pensar se não seria mais conveniente e mais barato empregar trabalhadores livres. 
Considerando-se que o número de brasileiros livres nos espaços da cafeicultura era insuficiente para o trabalho nas fazendas, a solução encontrada pelos fazendeiros e pelo governo da época foi buscar mão de obra fora do Brasil. Agentes enviados para a Europa passaram a divulgar que o Brasil estava precisando de imigrantes para o trabalho na lavoura de café. Criou-se, então, um fluxo migratório para o país, que se acentuou após a abolição da escravidão, em 1888, particularmente para a província de São Paulo.
Imigrantes de várias nacionalidades vieram para São Paulo: espa nhóis, portugueses, japoneses, italianos e outros. Os italianos foram os que vieram em maior número. Contribuíram, assim, de forma significativa, como trabalhadores na cultura cafeeira, para a ocupação do território e a produção de espaços geográficos.

Trabalho livre e mercado interno  


Durante o período da escravidão, o mercado interno de consumo era bastante limitado. Os trabalhadores livres eram em pequeno número e os escravizados não recebiam salário por seu trabalho. Estavam, portanto, impossibilitados de comprar bens ou mercadorias. 
Com a expansão das relações assalariadas de trabalho e o estabe lecimento dos fluxos imigratórios, essa situação se alterou. Ao receber dinheiro pelo trabalho, o trabalhador passou a consumir e, em consequência, estimulou a produção interna de mercadorias e a industrialização. Além disso, muitos imigrantes trouxeram consigo técnicas de fabricação de variadas mercadorias. Uma parte deles montou oficinas ou pequenas fábricas que ao longo do tempo, em vista do crescimento urbano, transformaram-se em indústrias.
Desse modo, desde o final do século XIX, começou a se formar um mercado interno de consumo que favoreceu o desenvolvimento urbano, comercial, agrícola, indus trial, financeiro (dos bancos) e de prestação de serviços (escolas, hospitais, rede de água e de esgoto, coleta de lixo etc.). 
A cafeicultura, com seu dinamismo, movimen tou a economia e forneceu o capital financeiro para essas transformações no Sudeste, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os espaços geográ ficos, até então produzidos de acordo com uma economia voltada para o mercado externo (espaços extrovertidos), passaram também a ser produzidos para atender às suas próprias necessidades.



A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...