Entre as Grandes Regiões do Brasil, a Centro-Oeste é a única que não é banhada pelo Oceano Atlântico, sendo a mais interiorizada do território brasileiro.
O Centro-Oeste é a segunda maior região brasileira, com uma extensão de,
aproximadamente, 1,6 milhão de km², representando cerca de 19% do território
nacional. Além de três estados, abriga o Distrito Federal e a cidade de Brasília,
sede administrativa do nosso país. Em 1º de julho de 2021, a população estimada da Região Centro-Oeste era de 16 707 336 habitantes, o que a colocava como a menos populosa entre as regiões do Brasil.
É nela que se localiza Brasília, a capital político-administrativa de nosso país. Desde o século XVI até meados do século XX, a Região Centro-Oeste manteve-se pouco povoada e pouco articulada com as demais regiões brasileiras.
Nela predominavam, de modo geral, os espaços geográficos voltados para si próprios. Somente a partir das décadas de 1940 e 1950 passou a ser mais povoada, em razão da construção de rodovias e da expansão da fronteira agropecuária em seu território por meio da implantação de fazendas de gado e agrícolas, sítios etc.
Na região Centro-Oeste as transformações são muito recentes,
mas não menos impactantes. A região foi ocupada pela penetração causada pela
busca de ouro e só recentemente, graças a inovações tecnológicas, passou por
mudanças que a posicionam entre as maiores produtoras de alimentos do mundo.
Nessa região, destaca-se o clima tropical típico. Sua vegetação é bastante diversificada, com a predominância de Cerrado. O relevo é composto, em sua maioria,
de planaltos, com hidrografia importante, contando com os rios Paraná e Paraguai.
Clima e vegetação
O clima dessa região é predominantemente tropical, caracterizado, de modo
geral, por duas estações: o verão, quente e chuvoso, e o inverno, seco e com temperaturas mais amenas. Nessas condições climáticas, desenvolvem-se diferentes
formações vegetais.
A região Centro-Oeste é muito rica em termos de biodiversidade. Nela se encontram áreas como a Floresta Amazônica, o Cerrado e o Pantanal, uma das áreas com mais biodiversidade do planeta. Parte dessa vegetação original está protegida, mas ainda é pouco, se comparada com o tamanho da região.
Cobrindo quase toda a parte central da região, na qual predominam terrenos
de planaltos e chapadas, desenvolve-se a vegetação do Cerrado.
Na porção oeste,
dividida entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, apresenta-se a
maior planície do interior do país, coberta pela vegetação do Pantanal.
Já ao norte da região estende-se parte da formação da Floresta Amazônica. Também se
desenvolvem na região a Floresta Tropical e a vegetação de Campos, porém em
menor proporção em relação às demais.
Com relação à exploração de minérios, pode-se dizer que no Centro-Oeste a
atividade é importante, porém menos significativa se comparada a outras regiões
brasileiras, como o Norte e o Sudeste. Na região existem reservas de
diversos recursos naturais.
Clima
Com exceção de uma pequena
porção do território do estado de
Mato Grosso do Sul, que se encontra
ao sul do Trópico de Capricórnio, a Região Centro-Oeste localiza-se na zona
tropical. Essa posição geográfica e
as altitudes modestas do relevo, que
facilitam a circulação atmosférica, ou
seja, não constituem obstáculos para
o deslocamento de massas de ar, con
ferem o clima tropical, com verão
úmido e inverno seco, à maior parte
de seu território.
As áreas no norte de Mato Grosso
são dominadas pelo clima equatorial úmido – o mesmo clima da Ama
zônia. Nesse local, as temperaturas
são elevadas no decorrer de todo o
ano e o período de seca é curto, cerca
de 2 a 3 meses durante o inverno.
É uma sub-região sob influência da massa Equatorial continen
tal (mEc), massa de ar quente e úmida que se forma na Amazônia Ocidental.
Durante o inverno do Hemisfério Sul, a área do Centro-Oeste
de clima tropical permanece sob a influência da massa Polar
atlântica (mPa). Entretanto, essa massa de ar se apresenta bas
tante alterada quanto às suas características iniciais. Nessa re
gião – como também em partes da Região Sudeste –, a massa
Polar atlântica torna-se a responsável pelas baixas umidades
relativas do ar nos meses de inverno, pois quando aí chega já
é uma massa de ar seca.
A umidade relativa é a proporção da
quantidade de vapor de água presente em determinado volu
me de ar, em dado momento, em relação à quantidade máxi
ma de vapor de água que esse volume de ar pode conter, na
temperatura desse momento. Geralmente, seu valor é expres
so em porcentagem.
No Centro-Oeste, é comum que a umidade relativa do ar atin
ja pontos críticos, abaixo de 30%, nos meses de inverno. Nessas
condições, os problemas respiratórios da população se agravam,
principalmente em idosos e crianças.
Tal situação leva escolas a
suspender aulas e a população é orientada a moderar as ativida
des físicas e beber muita água para hidratar o organismo.
Vegetação nativa
Originalmente, a porção norte da Região Centro-Oeste era recoberta:
pela Floresta Amazônica; pela Mata Atlântica (Tropical), acompanhando vários vales fluviais da região; pelo Cerrado, cobrindo grandes
trechos de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso; e pela vegetação
do Pantanal, denominada Complexo do Pantanal.
A expansão da fronteira agropecuária na região modificou a paisagem do Centro-Oeste nos últimos 50 anos. Atualmente, grandes fazendas de gado substituíram amplamente a vegetação natural.
As diversas fisionomias do Cerrado
O Cerrado apresenta diversos tipos de árvores, arbustos e vegetação herbácea
(rasteira), formando diferentes composições – chamadas de fisionomias –, que variam
de acordo com as condições locais, como tipo de solo e altitude, entre outros fatores.
Durante o inverno, período em que predomina a baixa pluviosidade, as
queimadas, que são comuns na região, se alastram com mais facilidade.
As queimadas naturais são importantes para o Cerrado, porque impedem
que as gramíneas predominem e contribuem para o equilíbrio desse bioma.
Porém, também ocorrem queimadas criminosas, que podem ter grandes proporções e destruir extensas áreas de vegetação, além de causar problemas
respiratórios em moradores de cidades localizadas nas proximidades.
Pantanal
Localizado na Região Hidrográfica do Paraguai, o Pantanal é a maior planície alagá
vel das Américas. A vida nesse domínio morfoclimático gira em torno de duas estações
diferenciadas, a seca e a úmida (cheia), que influenciam o modo de ser e de produzir do
pantaneiro, habitante tradicional do Pantanal. A criação extensiva de gado, a pesca e o
ecoturismo são as principais atividades econômicas.
O Pantanal abrange uma área aproximada de 230 mil km² em três países. Cerca de
85% estão no território brasileiro (imagem de satélite), 10% na Bolívia e 5% no Paraguai.
Nesses dois países, recebe o nome de Chaco.
O período de seca no Pantanal vai de maio a outubro.
As baías e os corixos secam à medida que a água escorre lentamente para o Rio Paraguai.
As baías são lagoas rasas de água doce de até dois metros de profundidade. Têm tamanhos
e formas variadas e podem ser cobertas por vegetação aquática. Os corixos são canais
naturais que escoam a água das lagoas para os rios e ligam as baías. No período das chuvas
isso se inverte: as águas dos rios vão para as lagoas.
As plantas aquáticas e os peixes atraem aves e outros animais, e essa concentração de
vida proporciona alimento e oportunidades de reprodução para a fauna e a flora da região.
O período de cheia no Pantanal vai de novembro a abril. Os rios transbordam e as
planícies são inundadas: as águas invadem áreas que estavam secas até então.
Surgem os corixos e a inundação abastece as lagoas e baías conectando
diferentes corpos de água. Isso permite o deslocamento das espécies aquáticas. A vegetação fica exuberante.
Há áreas de serras e morrarias onde a água não alcança: as cordilheiras. Nelas se encontra uma vegetação de cerradões, que são semelhantes ao Cerrado, porém mais densos e
com maior porte.
Relevo e hidrografia
No Centro-Oeste predominam terras
com altitudes entre 200 e 500 metros.
As terras mais elevadas são encontradas
no estado de Goiás, como a Serra dos Pireneus e a Chapada dos Veadeiros.
Entre as terras de baixas altitudes,
de 100 a 200 metros, destaca-se a área
do Pantanal Mato-Grossense, na porção sudoeste da região.
O relevo da região Centro-Oeste não apresenta elevadas altitudes. Predominam os planaltos, e as chapadas são as formas que se destacam na região.
Chapadas são formas de relevo com topos aplainados e
encostas escarpadas cujo topo foi modelado pela ação erosiva – principalmen
te dos ventos – ao
longo de milhões
de anos.
Essas formas são testemunhos de períodos
passados, quando
na região predominou um clima mais
seco que o atual e a
ação da água da
chuva, que geral
mente arredonda
as superfícies, não
era tão intensa.
Atualmente, o principal fator de erosão no Centro-Oeste é a água das
chuvas. Por isso, caso o índice de chuvas continue com as mesmas características de hoje, dentro de alguns milhares ou milhões de anos esse terreno poderá apresentar formas mais arredondadas que atualmente, como resultado
da erosão pluvial.
Outra forma de relevo que se destaca na região Centro-Oeste é a planície
do Pantanal, área onde predomina a deposição de sedimentos trazidos pela
densa rede de rios, de baixas altitudes.
O Centro-Oeste localiza-se em uma porção do território brasileiro onde predomina o relevo de planalto, com serras e chapadas, e onde estão as nascentes de
vários rios.
Nas maiores altitudes da região Centro-Oeste encontram-se as nascentes
de rios que formam importantes regiões hidrográficas brasileiras, fazendo do
planalto Central um importante divisor de águas do país.
Esses rios fazem parte de algumas das maiores bacias hidrográficas
do Brasil, como a Bacia do Paraná, a do Paraguai e a do Araguaia-Tocantins, além
de parte da Bacia Amazônica.
Na Região Centro-Oeste encontramos nascentes
de rios que formam quatro regiões hidrográficas
brasileiras. Alguns afluentes e subafluentes do Rio
Amazonas, como o Rio Xingu e os rios Juruena e
Teles Pires – que formam o Rio Tapajós –, nascem
em Mato Grosso.
Da mesma forma, é no Centro--Oeste que nascem afluentes da margem direita
do Rio Paraná e afluentes da margem esquerda do
Rio Paraguai, além dos rios formadores da região
hidrográfica do Tocantins-Araguaia.
A maioria das nascentes do
Centro-Oeste se encontra nas partes mais elevadas da região e corre para as áreas de menor altitude, formando o chamado divisor de águas do Brasil.
Os rios da Região Centro-Oeste são utilizados tanto para a navegação quanto
para a produção de energia hidrelétrica.
Essa rica rede hidrográfica oferece a possibilidade de navegação,
de irrigação de terras, de produção de energia elétrica e de fornecimento de alimentos. Os rios que a formam desempenharam, nos séculos anteriores, o papel importante de vias de acesso para o povoamento regional.
As unidades do relevo
Quanto ao relevo, predominam no
Centro-Oeste os planaltos e as chapadas,
que compõem as unidades dos Planaltos
e Chapadas da Bacia do Paraná e dos Pla
naltos e Chapadas dos Parecis.
Essas formações são tradicionalmente
agrupadas sob a denominação geral de
Planalto Central do Brasil. Brasília está
situada a 1171,8 m de altitude, em uma
das chapadas de Goiás.
As depressões abrangem menores
extensões. Destacam-se a Depressão
do Tocantins e a Depressão Marginal
Sul-Amazônica, que se estende desde o
norte de Mato Grosso até o vale do Rio
Amazonas, na Região Norte.
As planícies ocupam a área do Panta
nal e são representadas pela Planície e
Pantanal do Rio Guaporé, pela Planície
e Pantanal do Rio Paraguai e por um
trecho da Planície do Rio Araguaia.
A Chapada dos Veadeiros
Localizado no estado de Goiás, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma área
de conservação natural considerada um Patrimônio Mundial pela Unesco, desde 2001.
A Chapada dos Veadeiros situa-se em uma área de planalto elevada, atingindo altitudes
superiores a 1700 metros, abrangendo algumas serras e formações esculpidas pela ação da
erosão sobre rochas muito resistentes, ao longo de milhões de anos.
Alguns municípios da região, como Alto Paraíso de Goiás, Colinas do Sul e Cavalcante,
atraem muitos turistas do Brasil e de outros países, que vêm para a região em busca de
maior contato com a natureza, como diversas cachoeiras, águas termais. São locais de
beleza singular em meio a uma das maiores áreas de Cerrado preservadas do país.
Um dos principais cartões postais do parque é o Vale da Lua, lentamente esculpido pela
ação das águas do Rio São Miguel sobre rochas sedimentares. O nome desse atrativo faz
referência à superfície lunar, em razão dos tons de cinza adquirido pelas rochas
sedimentares e de seu formato irregular.
A planície do Pantanal
O Pantanal é considerado a maior planície inundável do mundo e se estende por dois estados brasileiros: ocupa 25% do território de Mato Grosso do Sul e 7% de Mato Grosso, com cerca de 140 mil quilômetros quadrados, além de estar presente nos territórios da Bolívia e do Paraguai.
Os rios do Pantanal percorrem áreas de pouca declividade, formando muitas curvas (meandros). Nas margens, as praias são de areia fina. A dinâmica desse ambiente, que abriga grande diversidade de fauna e flora, é determinada pelos períodos de seca e de cheia.
Nas cheias, os rios transbordam e carregam folhas, galhos e restos de animais, que se depositam nas partes mais baixas e adubam naturalmente o solo. Além disso, nesse período acontece a migração de aves, peixes, etc., e os criadores de gado são obrigados a transferir os animais para as partes mais altas do relevo.
As espécies vegetais e animais que se desenvolvem no Pantanal recebem in fluência da floresta Amazônica, do Cerrado e da Mata Atlântica, reunindo um conjunto de características únicas no mundo, como plantas adaptadas aos longos períodos de cheias e exemplares exuberantes de espécies vegetais, como o ipê-roxo, presente nas áreas de maior altitude; e grande varie dade de peixes, aves e répteis, com destaque para os jacarés, que habitam as águas rasas dos alagados.
Diante disso, no ano 2000, a região pantaneira foi declarada Patrimônio Natural da Humanidade pela Organiza ção das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Apesar de estar menos degradado se comparado com a
Mata Atlântica e o Cerrado, o
Pantanal sofre a agressão do
avanço das atividades econômicas, sobretudo da agropecuária,
e também do crescimento das
cidades e do aumento da ativi
dade turística.
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