terça-feira, 10 de março de 2026

América andina

A América andina é formada por Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, países que abrangem, em seus territórios, partes da cordilheira dos Andes. No caso, os Andes são um elemento natural muito marcante no território desses países, justificando a denominação regional.
A base da economia da América Andina é a produção de matérias-primas, principalmente minerais, com destaque para a extração de ouro, prata, petróleo, cobre, estanho, carvão e minério de ferro, que se destinam ao mercado externo.
A economia dos países da América andina, de modo geral, é estruturada em função das atividades agropecuárias e extrativistas. 
A produção agrícola é bastante diversificada. Com exceção do Chile, onde predominam as culturas de clima Subtropical (trigo, uva e aveia), nos demais paí- ses andinos cultiva-se uma série de produtos tropicais: café e cana-de-açúcar, na Colômbia (segundo produtor mundial de café); banana, no Equador (principal produto agrícola de exportação do país); cacau, no Equador, na Colômbia e na Venezuela; além de milho, arroz e mandioca, produtos consumidos em larga escala pela população andina e cultivados em todos esses países.
A pesca também é uma atividade expressiva em alguns países da América andina, sendo o Chile e o Peru os principais produtores de pescado. A presença de muitos peixes nas áreas litorâneas desses dois países se deve à passagem da corrente marítima de Humboldt (ou do Peru). Essa corrente traz grande quantidade de plânctons, microrganismos que são a base da cadeia alimentar nos oceanos.

Bolívia

A economia da Bolívia é dependente da exploração de recursos minerais e energéticos como estanho, gás natural e lítio (minério utilizado na fabricação de baterias elétricas para automóveis movidos a eletricidade). A Bolívia tem as maiores reservas de lítio do mundo, o que confere ao país importância estraté gica significativa – considerando que, no futuro, pode ocorrer uma ampliação do mercado em razão do aumento da frota de carros elétricos em escala global.

Com a chegada ao poder de um líder de ascendência indígena, Evo Morales, eleito presidente em 2005, a Bolívia passou a trilhar novos rumos na explora ção de suas reservas de gás natural e petróleo. Em 2006, Morales estatizou esses setores, medida que afetou diretamente a empresa brasileira de petróleo (Petrobras), que controlava 95% do refino e era responsável por cerca de 15% do PIB boliviano.

A partir da nacionalização, o controle de todo o processo de extração, produção e refino passou a ser responsabilidade de uma empresa estatal boliviana. Paralelamente, acordos foram feitos com a Argentina e o Brasil para um aumento no preço do gás que a Bolívia vende a esses países – distribuído por meio de gasodutos como o Bolívia-Brasil, inaugurado em 1999 e que é de grande impor tância no abastecimento das regiões Sul e Sudeste do Brasil. O aproveitamento do gás natural da Bolívia faz parte de uma estratégia do governo brasileiro para diversificação da matriz energética, muito dependente das usinas hidrelétricas e do petróleo.

Um aspecto relevante do território boliviano é a falta de acesso ao mar – ao perder a província de Atacama (território costeiro) para o Chile na Guerra do Pacífico (1879-1884), a Bolívia perdeu também sua única saída para o oceano. Nas décadas de 1990, um acordo com o Peru permitiu à Bolívia dispor de uma zona franca comercial no porto peruano de Ilo. Bolívia e Chile não man têm relações diplomáticas desde 1978, e a fronteira entre os países é uma zona de tensão, mas, em 2021, delegações dos dois países se reuniram em La Paz para en caminhar uma solução para esse impasse diplomático.


Peru

Assim como seus países vizinhos, o Peru tem importantes recursos minerais em seu território, com destaque para o cobre (explorado no sul do país) e a prata – o Peru é o segundo maior produtor mundial.

A atividade turística também é uma importante fonte de recur sos, dada a grande diversidade de paisagens e o enorme e rico pa trimônio arquitetônico-cultural do país. Até a chegada dos espanhóis, no século XVI, o território do atual Peru foi sede do Império Inca. Ves tígios dessa civilização podem ser encontrados em diversas localida des, com destaque para as ruínas das cidades de Machu Picchu e Cuzco, declaradas Patrimônio His tórico e Cultural da Humanidade.

Um aspecto marcante da economia da América andina verificado no Peru é a existência de muitas atividades econômicas que escapam ao controle do governo. Na chamada economia informal, as pequenas indústrias e os setores de transportes, construção e comércio não pagam impostos nem registram seus funcionários.

Equador

O Equador abriga reservas de ouro, prata, chumbo e zinco, mas a economia do país se baseia na exploração do petróleo, produto que corresponde a cerca de 40% do total de suas exportações. Bastante dependente do mercado esta dunidense, o Equador exporta cerca de 50% das mercadorias produzidas em seu território para lá.

Apesar da grande produção petrolífera, aproximadamente 60% da energia consumida no Equador é proveniente de centrais hidrelétricas, cuja construção é viabilizada pela abundância de rios com quedas-d’água. No setor industrial, merecem destaque as indústrias madeireiras e têxteis.

Quito é a capital administrativa e o principal centro financeiro do Equador, mas a cidade portuária de Guayaquil é a mais populosa.

Venezuela

A Venezuela tem importantes reservas petrolíferas – uma das maiores do mundo – e integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O principal local de extração de petróleo no território venezuelano é o lago Maracaibo, mas a maior parte das reservas se encontra na bacia do rio Orinoco, onde a extração é mais difícil e cara.

A prosperidade econômica do país nas décadas de 1970 e 1980, decorrente do grande aumento da produção de petróleo, beneficiou apenas uma mino ria da população, que concentra grande parte da renda nacional. No final dos anos 1990, cerca de 55% dos venezuelanos se encontravam abaixo da linha da pobreza, e o nível de pobreza extrema era de aproximadamente 25%.

Nesse contexto social, foi eleito presidente o coronel Hugo Chávez. Com um forte discurso nacionalista e antiestadunidense e um projeto de universalização dos direitos sociais, o líder político venezuelano passou a representar uma espe rança para as classes desfavorecidas. Em 1999, uma nova Constituição foi apro vada, mudando o nome oficial do país para República Bolivariana da Venezuela.

Valendo-se da alta do preço do petróleo no mercado internacional, que ampliou as receitas de exportação do país no início do século XXI, o governo Chávez promoveu um amplo conjunto de reformas importantes, entre elas: a regulamentação da reforma agrária; a cogestão entre Estado e funcionários nas empresas falidas; a restrição da participação de grupos transnacionais na exploração de petróleo; e a nacionalização de empresas em setores conside rados estratégicos (telecomunicações, energia elétrica e exploração mineral). Na política externa, Chávez procurou estreitar relações com Cuba, Irã e Rússia.

Durante o governo Chávez, foram ampliados os investimentos em progra mas sociais, como os de alfabetização, de alimentos a preços baixos e de assis tência médica a comunidades carentes. Os resultados inicialmente foram po sitivos e, em 2011, a porcentagem de população em situação de pobreza havia caído para 27%.

A crise econômica venezuelana

Ancorada na exploração de petróleo, a economia venezuelana não resistiu às crises econômicas de 2008 e de 2012, que ocorreram paralelamente à crise política no país. Após a morte de Chávez, em 2013, Nicolás Maduro foi eleito presidente. O cenário político do país passou a ser marcado pela escalada autoritária de Maduro – que aparelhou o sistema judiciário e o Exército com aliados e foi reeleito para mais seis anos de mandato em 2018, por meio de eleições con testadas por opositores e membros da comunidade internacional. Em 2019, seus opositores orquestraram uma tentativa de golpe de Estado, mas esta terminou sendo malsucedida, e Maduro permaneceu no poder. Com a queda nas receitas de exportação e uma elevada dependência de importações, a Venezuela passou a conviver com escassez de produtos, infla ção e desvalorização de sua moeda. O agravamento da crise levou à emigra ção de aproximadamente 1 milhão de venezuelanos, principalmente em direção a outros países latino-americanos – elevando as tensões com vizinhos (Brasil, Colômbia e Guiana).

Chile

O Chile é o país mais desenvolvido da América Latina, levando em consideração o IDH, e se destaca pelas intensas relações comerciais que estabelece com países de diversas partes do mundo – cerca de 30% do que os chilenos consomem é importado, e aproximadamente 30% de sua produção é exportada. 
Banhado pelo oceano Pacífico, realiza grande parte de suas transações comerciais com países asiáticos, como Japão, Coreia do Sul, Malásia e Nova Zelândia, e faz parte da Associação de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec) desde novembro de 1994.
Em termos de produção econômica, o Chile apresenta uma produção agrícola altamente especializada. Atrás apenas do Brasil, o país é o maior exportador de frutas da América do Sul, comercializando mais de trinta espécies diferentes no mercado externo. A atividade emprega mais de 500 mil pessoas, com quase 8 mil produtores e cerca de 750 empresas exportadoras. 
O clima Mediterrâneo, marcado por verões quentes e secos e por invernos frios e chuvosos, é extrema mente favorável à produção de uvas para a fabricação de vinhos, garantindo posição de destaque para o país no mercado mundial do setor.
A exploração de recursos minerais é outra atividade relevante para a eco nomia chilena, com destaque para o cobre, cujas reservas se localizam no norte, próximo à cidade de Antofagasta (deserto do Atacama), e que corresponde a aproximada mente 40% do total das exportações do país e a cerca de 25% de toda a produção mundial. 
Muito utilizado na fabricação de fios e cabos para telecomunicações, o cobre está perdendo espaço para a fibra óptica, mas continua sendo empregado na transmissão de energia elétrica. A exploração do produto, que era totalmente realizada por companhias estadunidenses, atualmente conta com a participação do governo por meio da associação de empresas estatais com as referidas companhias dos Estados Unidos.

Colômbia

Com uma população estimada em 50,8 milhões de habitantes, a Colômbia é o segundo país mais populoso da América do Sul. O litoral colombiano é banhado pelo oceano Pacífico e também pelo mar do Caribe – onde está localizada a cidade de Cartagena, o principal destino turístico do país, que reúne um rico conjunto arquitetônico do período colonial.
As principais cidades colombianas são: Bogotá (capital), Medellín e Barranquilla. 
Na América do Sul, a Colômbia tem o terceiro maior PIB, atrás apenas do Brasil e da Argentina. Nas últimas décadas, o país tem recebido muitos investimentos externos. A Colômbia tem significativas reservas de petróleo (20% das exportações do país), gás natural, carvão mineral (40% das reservas conhecidas na América Latina), níquel e ouro. Além disso, mais da metade das esmeraldas que abaste cem o mercado mundial é de origem colombiana.
No setor industrial destacam-se as indústrias química, têxtil, de alimentos, de couro e de máquinas. Na pauta das exportações figuram principalmente o café, o petróleo, o carvão mineral, o açúcar, as esmeraldas, produtos químicos e têxteis.
O litoral da Colômbia é banhado pelo oceano Pacífico e pelo mar do Caribe. No litoral caribenho encontra-se Cartagena, principal destino turístico colombiano. A cidade reúne um conjunto arquitetônico do período colonial tombado pela Unesco como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.
O território colombiano apresenta áreas de instabilidade social, devido à atuação do narcotráfico – o país é um centro distribuidor de cocaína para as redes do tráfico de drogas internacional, apesar de todas as ações destinadas a seu combate. Nesse contexto, destaca-se o Plano Colômbia (2000), um acordo com os Estados Unidos que objetivava acabar com a atuação dos grupos guerrilheiros (sobretudo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou Farc) e paramilitares. Esse acordo intensificou a presença dos Estados Unidos no país, o que tem sido um fator de desestabilização, com acusações de desrespeito aos direitos humanos.
Em 2016, as Farc assinaram com o governo da Colômbia um acordo de paz, no qual o grupo se comprometeu a entregar suas armas, transformando-se em um partido político, a Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc). No entanto, a situação de tensão não cessou totalmente, pois ainda há grupos em combate em determinadas regiões do país.




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