sexta-feira, 20 de março de 2026

Brasil: o processo de industrialização

A indústria reúne matéria-prima, máquinas e trabalho humano; ela transforma a matéria-prima em produtos elaborados, que serão consumidos pela sociedade. A atividade industrial ocorre especialmente nos espaços urbanos e está atrelada a outros setores da economia, como a agropecuária e os serviços.
As primeiras indústrias no Brasil foram instaladas ainda no período colonial, no final do século XIX, quando o Império deu lugar à República. Entretanto, o país não se industrializou naquela época. 
No Período Colonial, havia pequenas indústrias artesanais domésticas (têxteis, de calçados, de embarcações etc.). O comando da metrópole portuguesa não permitia nenhum tipo de atividade industrial na colônia que pudesse competir com as de Portugal ou prejudicasse seus interesses comerciais.
Na realidade, o processo de industrialização brasileiro, no qual a economia passou a ser orientada principalmente pelas atividades industriais, ocorreu cerca de cem anos após ela se desenvolver na Europa, quando por lá o processo já estava bem mais avançado. Por isso, esse processo foi denominado de “industrialização tardia”.
A atividade industrial no Brasil é recente, se comparada à história da industrialização mundial, porque a política econômica brasileira era fundamentada na agricultura exportadora até a primeira metade do século XX.
Até o início do século XX, o Brasil ainda não havia se industrializado, a agropecuária respondia por 45% do PIB brasileiro e a produção de café para exportação era a principal atividade do país.
Foi somente a partir do século XIX, com a expansão da economia cafeeira na Região Sudeste, que teve início a primeira fase industrial do país
A primeira fase do processo de industrialização ocorreu entre 1880 e 1930, quando a exportação de café era a principal atividade econômica do Brasil e favoreceu o acúmulo de capitais para a estruturação de fábricas que se concentraram nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). Nessa primeira fase, predominaram as indústrias têxteis, de vestuário, calçados e alimentos.
Fatores determinantes para isso foram a capitalização dos empreendedores nacionais (com dinheiro proveniente das vendas de café), a institucionalização do trabalho assalariado, a mão de obra imigrante, o aumento do mercado consumidor urbano, entre outros. 
Por muito tempo, os bens de consumo duráveis e os bens de produção, como máquinas e equipamentos pesados, eram importados.
Por aqui, a instalação das fábricas e o processo de industrialização decorreu da iniciativa privada, de empresários brasileiros, e sobretudo da ação do Estado, no final do século XIX e mais intensamente a partir da década de 1930.

Mercado consumidor e mão de obra


Em compasso com o avanço do crescimento industrial e urbano, o Brasil conheceu a formação de um mercado consumidor interno que se tornou importante para o crescimento econômico do país. Esse mercado se formou pela abolição da escravidão e pelo aumento do trabalho assalariado, realizado pela grande leva de imigrantes, sobretudo europeus. Diferentemente da mão de obra escravizada, o trabalhador livre e assalariado constitui-se como mercado consumidor para aquilo que é produzido pelo setor industrial de bens de consumo, alimentando, assim, parte da economia do país.
Na época, o trabalho não era regulamentado por leis trabalhistas como as que existem hoje. Dias e horas de trabalho, as funções do trabalhador, condições para sua realização e a remuneração eram praticamente definidos pelo empregador, com nenhum ou pouco diálogo com o operário. E as leis que havia, sobre, por exemplo, acidentes de trabalho, férias e contratação de menores de idade, eram pouco respeitadas e pouco fiscalizadas pelo governo.
Tentativas de organização entre operários, passeatas e algumas greves eram muito malvistas pela classe dominante. Não era incomum que os jornais relatassem as reivindicações como badernas e classificassem seus organizadores e participantes como pessoas ingratas por não valorizarem o trabalho que tinham, revelando heranças sobre as relações construídas no período escravagista e a desvalorização do trabalho braçal e das pessoas que o executavam.


Operários em fábrica de louças no estado de Santa Catarina, 1922. Observe que há crianças trabalhadoras, o que na época não era proibido pela legislação.

Crises externas e desenvolvimento industrial brasileiro


A maioria dos produtos industrializados que eram comercializados no Brasil ainda vinha da Europa, quando a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiu. O conflito provocou a diminuição da oferta de mercadorias dos países europeus e as tornou mais caras. Nesse período, novas fábricas surgiram no Brasil, substituindo as importações de alguns produtos estrangeiros. Na década de 1920, parte dos ganhos obtidos com a venda de café passou a ser investida na criação de bancos e indústrias.
As reduções do preço do café no mercado internacional e os períodos de crise econômica mundial, decorrente em parte da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e da quebra de empresas e da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, levou ao deslocamento de parte dos recursos destinados à produção cafeeira para o desenvolvimento da indústria. Esses fatores criaram novas oportunidades de lucro com a produção e venda de bens até então importados pelo Brasil, para os quais já havia mercado consumidor interno.

Área de fábricas no bairro do Brás, um dos símbolos da industrialização local no início do século XX, em São Paulo (SP), 1925.


Em 1929, uma crise econômica começou nos Estados Unidos e afetou outros países. O preço internacional do café despencou e muitos cafeicultores faliram em nosso país. Com isso, o governo e os investidores se voltaram para a criação de indústrias, e, a partir da década de 1930, o Brasil intensificou sua industrialização. Por essa razão, foi chamado de “país de industrialização tardia”, quando comparado à Inglaterra, à França ou aos Estados Unidos.
O processo de industrialização brasileiro foi, em grande parte, possibilitado pelo capital acumulado na rede bancária e que não seria reinvestido nas plantações de café, em razão da reduzida possibilidade de lucro diante do contexto econômico mundial. 
Fabricou-se aqui, sobretudo, bens de consumo não duráveis e semiduráveis, como sapatos, roupas, produtos de higiene, alimentos, bebidas, gráfica (papelaria), móveis, etc., que exigiam pouco investimento financeiro e tecnologias mais simples. 
Para isso, importou-se máquinas dos países que eram expoentes industriais, deixando de investir no desenvolvimento tecno lógico nacional e tornando o país dependente da tecnologia externa.
Além do capital, da concentração da mão de obra e do mercado consumidor, o ciclo do café também propiciou a tecnificação dos territórios paulista e carioca, ou seja, a instalação de ferrovias, portos, es tradas, cidades, telégrafo, energia elétrica e o setor de serviços (bancos e comércio), fatores essenciais ao processo industrial, o que também explica a concentração espacial inicial da indústria no Brasil nessas áreas do atual Sudeste. 
Entretanto, esses sistemas de infraestruturas, em menor diversidade e densidade, também foram instalados em outras regiões brasileiras onde as atividades econômicas se mostravam mais dinâmicas, com destaque para a faixa litorânea do país.
A partir da década de 1930, gradativamente, a elite agrária foi dando espaço para a elite urbana, forma da por industriais, comerciantes e banqueiros.

Durante o governo Vargas 


Durante o governo de Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954), ocorreu uma mudança significativa na estrutura industrial brasileira. 
O Estado passou a investir fortemente na industrialização do país, sobretudo nas indústrias de base, que exigem grande volume de investimento e retorno a longo prazo e são essenciais (ainda mais naquela época) ao processo de industrialização, pois favorecem o desenvolvimento dos demais setores industriais.
A atividade industrial intensificou-se com a implantação de indústrias de base (siderurgia, metalurgia, mecânica, indústria de cimento etc.). Isso reduziu as importações e estimulou a produção nacional de bens de consumo duráveis. Nessa segunda fase da industrialização brasileira, a indústria tornou-se um importante setor da economia, superando o setor agrícola.
Destacam-se a criação de indústrias estatais de siderurgia (1941: Companhia Siderúrgica Nacional – CSN), bens de capital (1942: Fábrica Nacional de Motores – FNM) e mineração (1942: Companhia Vale do Rio Doce – CVRD). 
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) também favoreceu a industrialização brasileira por meio de crises de abastecimento e necessidade de produção local daquilo que ainda era importado e de negociações que o governo fez para vincular seu apoio aos Aliados na guerra (Estados Unidos, Reino Unido e França) em troca de investimento e repasse de tecnologia industrial. Ou seja, novamente a substituição de importações foi um grande motivador do desenvolvimento industrial brasileiro.

Pós Segunda Guerra Mundial 


Na década de 1940, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o desenvolvimento da indústria nacional foi novamente estimulado pela substituição de produtos importados por nacionais. Esse foi um período de muitos investimentos estatais na produção de energia, aço e máquinas, sem os quais outras indústrias dificilmente surgiriam. 
Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a industrialização brasileira ganhou uma nova configuração ao se desenvolver por meio da instalação de filiais de empresas estrangeiras (de origem europeia, japonesa e estadunidense) que passaram a se internacionalizar na busca por mercado consumidor, oferta de matéria-prima e energia, mão de obra mais barata e legislação favorável. 

50 anos em 5 


No governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) iniciou-se a terceira fase da industrialização brasileira, com o uso de capital externo e o desenvolvimento da indústria de bens de consumo duráveis. Com a entrada de capital estrangeiro, empresas multinacionais ingressaram no país. Nessa fase, foram feitos muitos investimentos e empréstimos a instituições financeiras para manter o ritmo de crescimento econômico nacional, o que gerou grande endividamento.
Durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, foi desenvolvido um ambicioso projeto de modernização do país, denominado Plano de Metas. O projeto tinha como slogan promover o avanço econômico do país de 50 anos em 5 anos, visando modernizar a indústria, com especial atenção para as áreas de energia, transporte e indústrias de base (química, siderúrgica, elétrica etc.). 
O incentivo à industrialização mobilizou a instalação de infraestrutura viária e desenvolvimento do setor energético. Aumentou-se consideravelmente a geração de energia elétrica e extração de petróleo, assim como a abertura e pavimentação de estradas, estimulando a vinda de montadoras automobilísticas estrangeiras ao país. Por outro lado, o transporte ferroviário foi praticamente abandonado. 
É desse período também o projeto e construção de Brasília, a sede da nova capital federal. Além disso, foram criados mecanismos fiscais e financeiros que incentivaram a importação de maquinário pelos empresários brasileiros e a entrada de capital estrangeiro na participação nos empreendimentos e na economia nacional. Esse período foi marcado pelo aumento da entrada de empresas multinacionais no território brasileiro.

Governos militares


Com a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, quem assumiu foi seu vice, João Goulart, que tentou promover um conjunto de reformas, como a agrária, a cambial, a tributária, a educacional, entre muitas outras que desagradaram os setores mais conservadores da sociedade, uma grande parte da elite urbana e rural, bem como parte de empresas e investidores estrangeiros, que se mobilizaram para impedi-las.
Em 1964, os militares brasileiros, com apoio de parte da sociedade civil, destituíram o presidente (Golpe de Estado), fecharam o Congresso e assumiram o poder executivo no país, que deixou de realizar eleições diretas para presidente até 1989.

Durante a Ditadura Militar no Brasil, foram feitos investimentos em projetos audaciosos e caros, e alguns apresentaram grandes dificuldades na execução e um resultado aquém do planejado, como na rodovia BR- 230, também conhecida como Transamazônica. Trajeto em Altamira (PA), 1972

Usina Nuclear de Angra dos Reis (RJ), 1977


Os governos militares assumiram uma postura desenvolvimentista e que promoveu a industrialização e a construção de grandes empreendimentos de infraestrutura, com significativo desenvolvimento do setor de bens de produção até por volta de 1980. Entre 1968 e 1973, o país cresceu a uma média de 10% ao ano. Em 1979, pela primeira vez na história do país, a exportação de bens industrializados superou o de gêneros primários (agrícolas, minérios, etc.). Esse desempenho foi chamado de “milagre brasileiro”. Entretanto, também foi o período de grande endividamento externo do país, redução do valor de compra do salário-mínimo, não reajustado adequadamente, e aumento da desigualdade social.
Na década de 1980, dificuldades de a indústria nacional obter novos equipamentos e crédito do governo marcaram o período conhecido como a “década perdida” para a economia do Brasil. 

Concentração e relativa desconcentração industrial


A década de 1980 foi conhecida como “a década perdida” por ter sido marcada pela grande recessão e crise econômica vivida pelo país e que se desdobrou até o início dos anos 2000. Foi um período de estagnação das atividades industriais e muitas fábricas foram deslocadas dos grandes centros urbanos para cidades menores no mesmo estado ou até para outros estados, que ofereciam condições fiscais mais vantajosas.
Na década de 1990, o país expandiu as atividades comerciais. Essa fase ficou marcada pela entrada de vários produtos estrangeiros (computadores, automóveis, eletrodomésticos, entre outros). Empresas estatais foram privatizadas, ou seja, deixaram de ser propriedades do governo e passaram a ser empresas privadas. 
A partir dessa década, o país ingressou na quarta fase industrial, marcada pela globalização e abertura econômica, pelo desenvolvimento de tecnologias de telecomunicações, informática, robótica, engenharia genética e transporte.
A partir de 1990, com a economia mais estável, alguns segmentos industriais voltaram a crescer. Outros, porém, tiveram dificuldade para superar a concorrência dos produtos importados após a abertura comercial desse período.
Já tendo um governo eleito democraticamente e com grande influência da globalização econômica e financeira, foi promovida no país uma abertura comercial e ampliada à concorrência com empresas estrangeiras. Esse movimento levou a uma maior competitividade interna, falência ou compra de empresas, privatizações e nova onda de modernização e competitividade (mão de obra bastante qualificada e novas tecnologias). 
Com o término de alguns mecanismos de protecionismo à indústria nacional, ocorreu a facilitação da entrada de máquinas e equipamentos industriais de última geração, possibilitando a modernização de parte do parque industrial brasileiro, melhorando a qualidade de alguns setores, tornando-os mais competitivos.
O setor industrial brasileiro está concentrado nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e também em áreas da Região Sul e do litoral nordestino. 
Embora a indústria esteja concentrada em algumas áreas, nas últimas décadas muitas fábricas se deslocaram para o interior do país, em busca de mão de obra mais barata e de incentivos fiscais de governos estaduais ou prefeituras. 
Essa mudança na distribuição espacial das indústrias marca nova fase de desconcentração industrial. A desconcentração da produção tem modificado expressivamente os fluxos migratórios, por causa da demanda de trabalhadores.
A concentração industrial no Centro-Sul é um importante elemento para avaliar as desigualdades socioeconômicas entre as regiões brasileiras. A descentralização industrial, ainda que insuficiente, foi importante para o desenvolvimento técnico e produtivo de outros municípios e estados do país.
O setor industrial brasileiro no século XXI depende cada vez mais do desenvolvimento tecnológico para melhorar seu desempenho. Apesar de os investimentos em ciência e tecnologia serem crescentes, ainda não têm sido suficientes para tornar o Brasil independente tecnologicamente. 
Desde o início, a industrialização do Brasil concentrou-se na Grande Região Sudeste, principalmente nas Regiões Metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. 
Na metrópole paulista, essa concentração ocorreu no chamado “ABCD”, que reúne os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema. 
A Rodovia Anchieta, que liga esses municípios ao Porto de Santos, a disponibilidade de energia elétrica e a proximidade do mercado consumidor foram fatores determinantes para a escolha dessa localização industrial. 
A partir da década de 1950, intensificou-se a implantação de indústrias ao longo de quatro principais eixos rodoviários paulistas: a Rodovia Presidente Dutra, a Rodovia Presidente Castelo Branco, o Sistema Anchieta-Imigrantes e o Sistema Bandeirantes-Anhanguera-Washington Luís.
A instalação de indústrias nesses eixos rodoviários mostra a desconcentração industrial em relação à Região Metropolitana de São Paulo. 
Entretanto, esse processo vem ocorrendo também em âmbito nacional. Assim, há um declínio relativo na atividade industrial do estado de São Paulo e da Grande Região Sudeste. Em outras palavras, a industrialização do estado de São Paulo e da Grande Região Sudeste está crescendo em um ritmo mais lento do que o de outros estados e regiões do Brasil, produzindo, assim, uma nova distribuição espacial das indústrias.

A desconcentração industrial e suas causas 


Apesar da relativa desconcentração industrial em curso, a Grande Região Sudeste, sobretudo o estado de São Paulo e as Regiões Metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro, continua sendo a principal área industrial do Brasil. 
Porém, é importante destacar os fatores que estão levando a essa desconcentração:

  • Política industrial do governo militar 


Durante o governo militar, no período de 1964 a 1985, instituíram-se diversas políticas de industrialização e planos econômicos de desenvolvimento dirigidos à descentralização industrial no país. Foram realizados investimentos em infraestrutura essenciais para a criação de polos industriais. 
Destacam-se a exploração de minérios em Carajás (PA), Trombetas (PA), Caraíba (BA) e Patos (MG); os portos de Itaqui (MA) e Tubarão (ES); as petroquímicas de Camaçari (BA), Paulínia (SP) e Canoas (RS); a indústria automobilística em Betim (MG); além de outros.

  • Elevação dos custos de produção 


Ao longo do tempo, a Grande Região Sudeste, sobretudo a Região Metropolitana de São Paulo, perdeu vantagens na produção industrial para outras unidades da federação e regiões do Brasil. Isso porque passou a apresentar altos custos produtivos resultantes de um conjunto de fato res, como congestionamento de trânsito e impostos e salários mais altos.

  • A guerra fiscal


Principalmente a partir da década de 1990, vem ocorrendo a atração de indústrias para fora da Grande Região Sudeste em razão da intensificação de vantagens fiscais oferecidas por governos estaduais, distrital ou municipais de outras regiões do Brasil. Exemplos dessas vantagens são: incentivo fiscal, doação de terrenos com infraestrutura de saneamento básico, de transporte, de comunicação etc. 
A chamada guerra fiscal, somada às outras causas da desconcentração industrial apresentadas, ajuda a explicar a atual distribuição das indústrias no Brasil e a participação desse setor da economia em cada região do país.

Indústria, inovação tecnológica e transformações socioeconômicas 


Durante o século XIX e parte do século XX, um dos fatores que diferenciavam os países do mundo em desenvolvidos, subdesenvolvidos e em desenvolvimento era o nível de industrialização por eles alcançado. 
As técnicas de produção, que impulsionaram a industrialização nesses séculos, assumiram, por volta da década de 1970, uma nova etapa graças à Terceira Revolução Industrial. Também conhecido como Revolução Técnico-Científico-Informacional, tal processo caracteriza-se pela intensa aplicação de conhecimentos científicos à produção e pelo desenvolvimento tecnológico em diversas áreas, como a informática – com o amplo uso de computadores e de redes de comunicação, como a internet; as telecomunicações – satélites artificiais; a robótica – uso de robôs no processo de produção; além de outras. 
Certos países já se encontram na Quarta Revolução Industrial, chama da também de Indústria 4.0, que se caracteriza pelo aperfeiçoamento das máquinas e dos equipamentos.

  • Economia do conhecimento 


A atividade industrial, considerada o “motor” do desenvolvimento econômico e social dos países durante os séculos XIX e XX, passou a disputar importância, de alguns anos atrás para os dias atuais, com a produção de conhecimento sobre as técnicas; daí se falar, hoje, em economia do conhecimento. 
O “saber fazer” tornou-se uma valiosa mercadoria, sendo produzida e comercializada em escala global, beneficiando países, instituições e pessoas que produzem conhecimento e desenvolvem novas tecnologias. 
No início da década de 1950, algumas empresas de tecnologia se estabeleceram no Vale do Silício (Silicon Valley), no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, região onde há universidades importantes, como Stanford e Berkeley. Logo, a região transformou-se em importante polo de tecnologia avançada nos setores de eletrônica, informática e comunicação. 
O elemento químico silício inspirou o nome dado à região por ser a matéria-prima usada na produção de grande parte dos pequenos circuitos eletrônicos (chips). Várias empresas de tecnologia dinamizaram e promoveram uma reorganização do território na região. 
Elas atraíram pessoas de outras áreas dos Estados Unidos e do mundo, induziram o crescimento urbano, a construção de infraestruturas, o desenvolvimento do comércio e de indústrias etc. 
Não tardou para que surgissem polos de tecnologia avançada em outros países, como França, Alemanha, Japão, Reino Unido, Coreia do Sul e Países Baixos.

  • O Brasil e a economia do conhecimento 


A inserção do Brasil na economia do conhecimento ainda é modesta se comparada à dos grandes centros mundiais de produção científica e tecnológica. No país, as pesquisas são realizadas principalmente em universidades e instituições governamentais e, em menor proporção, em empresas do setor privado – diferentemente dos Estados Unidos, onde a maior quantidade de pesquisadores trabalha em empresas privadas. 
No Brasil, os pesquisadores de instituições governamentais enfrentam diversos problemas, entre eles a escassez de recursos financeiros, a ineficiência dos órgãos públicos para autorizar a aquisição de materiais e substâncias necessárias para a realização de pesquisas, além de outros. 

  • Parques científicos e tecnológicos no Brasil 


Um parque tecnológico corresponde a uma concentração geográfica de instituições dedicadas a atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e envolvidas na produção de bens e serviços, como universidades, centros de pesquisa, laboratórios e empresas. 
A instalação de um parque científico e tecnológico exige investimentos em infraestrutura e mão de obra qualificada. Porém, pode estimular a economia e integrar territórios com os espaços nacional e internacional. 

  • Parques científicos e tecnológicos e reorganização espacial


Além de atrair populações e empresas, os parques científicos e tecnológicos dinamizam a economia e estimulam o crescimento do setor terciário (comércio e serviços), favorecendo, assim, as comunidades locais. Têm, nesse sentido, uma função de reorganização do espaço geográfico. De modo geral, atraem e criam demanda por empreendi mentos, como agências bancárias, hotéis, centros de convenção, lojas, lanchonetes, hospitais, entre outros. 
Além disso, quando são implantados, geram a necessidade de infraestrutura básica (como a criação de vias de circulação, energia, saneamento e telecomunicações); fomentam a construção civil por meio de edificações para a instalação de empresas, laboratórios e outros espaços de trabalho etc.; e favorecem o surgimento de empresas de serviços (limpeza, segurança, alimentação, entre outras) para atender à sua estrutura administrativa.
Por exemplo, a implantação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), respectiva mente nos anos de 1950 e 1971, no município de São José dos Campos, no estado de São Paulo, reorganizou o território do município e de suas proximidades. Em 1960, a população de São José dos Campos somava 40 mil habitantes e sua economia era predominantemente de base agrícola. 
Em 2021, sua população chegou a 730 mil habitantes e sua economia passou a ser de base industrial. O município conta com várias universidades e faculdades, atraindo estudantes de todo o Brasil e do exterior.

Guerra fiscal e guerra dos lugares 


São variados os fatores responsáveis pela maior dispersão industrial pelo território nacional e sua relativa desconcentração espacial, observada a partir da década de 1970, como: o desenvolvimento dos sistemas de transporte e comunicação, a maior oferta de energia em outras localidades, as transformações das técnicas produtivas, os novos maquinários e as novas matérias-primas, o crescimento populacional, etc. Além disso, aumento dos custos de produção em antigas localidades de tradição industrial associada com benefícios fiscais, imobiliários, financeiros e até ambientais, oferecidos pelos estados e municípios com o objetivo de atrair empreendimentos industriais para seus territórios na perspectiva de modernizá-lo e dinamizá-lo economicamente, levou muitas empresas a se deslocarem. Isso estimulou a competição entre os entes federativos para atrair determinadas indústrias por meio da oferta de condições fiscais e financiamento cada vez mais favoráveis a elas, fenômeno que é denominado “guerra fiscal” ou “guerra dos lugares”.

A indústria e o espaço rural 


A expansão da atividade industrial, motivada pela ampliação do consumo da população, aumenta a demanda por matérias-primas – produtos agrícolas, pecuários e extrativos –, que impulsiona o campo a aumentar a produção dos gêneros destinados a suprir o abastecimento das fábricas. 
Isso pode ser visto quando uma usina de açúcar e etanol é instalada em deter minado município: parte dos produtores rurais da região substitui seus cultivos tradicionais ou as pastagens por lavouras de cana-de-açúcar a fim de abastecer a demanda daquela indústria. 
Para suprir a demanda da produção industrial, o campo fornece um volume cada vez maior de matérias-primas. No entanto, para se tornarem mais produtivas, as propriedades rurais dependem da incorporação de recursos tecnológicos avançados. 
Isso exige investimentos em tratores, colheitadeiras, adubos, fertilizantes para as lavouras, rações, vacinas e medicamentos para a criação de animais, entre outros recursos. Dessa forma, ao mesmo tempo que o campo se organiza para atender à de manda da produção industrial, suas atividades também são impulsionadas pela indústria a se modernizarem, visando produzir cada vez mais

Decadência


Em meados da década de 1970, a indústria brasileira respondia por cerca de 22,5% do PIB nacional. No início de 2020, respondia por 12%. Após estar entre os 10 países mais industrializados no mundo por cinquenta anos, em 2020, o país saiu desse grupo. O Brasil, atualmente, contribui com cerca de 2% da produção industrial mundial e cerca de dois terços dessa produção é de baixa ou média tecnologia.


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