quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países com bom nível de desenvolvimento socioeconômico e países com sérios problemas sociais e econômicos – em desenvolvimento.
A análise das relações entre países de diferentes níveis de desenvolvimento socioeconômico, considerando o IDH e o papel de cada país na Divisão Internacional do Trabalho (DIT), pode ser realizada com base em um estudo regional. Neste volume, esse estudo se concentra nos continentes africano e americano. 
Existem outras propostas para a análise do mundo em que vivemos. No entanto, a opção pela divisão regional em continentes oferece a vantagem defa cilitar o estudo de aspectos naturais, políticos e socioeconômicos, entre outros, dentro de um mesmo bloco territorial.
Na África foi estabelecida uma regionalização que subdivide o continente em África do Norte – de influência árabe e islâmica, que apresenta, em linhas gerais, IDH superior à grande porção situada ao sul do deserto do Saara – e em África Subsaariana – uma das regiões mais pobres do mundo, com população predominantemente negra e grupos étnicos bastante diferenciados, nos quais o IDH é baixíssimo. A África do Sul, pelo nível de industrialização e por outras carac terísticas socioeconômicas, merece uma abordagem específica.
Na América, a regionalização agrupa, de um lado, os países desenvolvidos, que formam a chamada América Anglo-Saxônica (Estados Unidos e Canadá); de outro, os países da América Latina, que apresenta IDH bem mais baixo, porém, não forma um conjunto homogêneo, como veremos.
Na Europa, os países da parte ocidental, mais desenvolvidos, formam um bloco diferenciado em relação aos países da parte oriental do continente, onde o IDH é comparativamente mais baixo. A Rússia, cujo território está situado nos continentes europeu e asiático, apresenta especificidades e certa influência no mundo que permitem uma abordagem particular.
A Ásia é um continente com grandes contrastes sociais, culturais e econômi cos. A bacia do Pacífico, sob a liderança do Japão, agrupa países com os melhores índices de crescimento econômico do con tinente, como a China e os chamados Tigres Asiáticos. O Oriente Médio forma outro bloco, marcado por questões econômicas, religiosas e estratégicas em comum, com grandes repercussões no mundo atual.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), indicador estabelecido pela ONU para avaliar o nível de desenvolvimento econômico e social dos países, foi criado por um grupo de especialistas para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O primeiro Relatório do Desenvolvimento Humano foi publicado em 1990, e, desde então, é atualizado anualmente, classificando os países do globo de acordo com seu nível de desenvolvimento econômico e social. É preciso ressaltar que a geração de um volume cada vez maior de riquezas (bens e serviços) não garante melhoria das condições de vida da maioria dos habitantes dos países porque essa riqueza, em geral, é mal distribuída, principalmente nos países em desenvolvimento. 
Há diversos casos de países que apresentaram expressivo crescimento econômico entre a segunda metade do século XX e este início de século, porém não acompanhado de um desenvolvimento social efetivo, ou seja, com benefícios a toda a população nas áreas de saúde, educação, habitação, saneamento básico, transporte, etc. 
Em razão das más condições de vida de parte de suas populações e das fortes desigualdades sociais existentes, países como Brasil, México e Argentina, por exemplo, são classificados como emergentes.
Para classificar os países, o IDH leva em consideração três dimensões do processo de desenvolvimento humano: 
• a longevidade, medida pela expectativa ou esperança de vida ao nascer, con siderando as condições de moradia, saúde e alimentação; 
• o conhecimento, que considera a média de anos de escolaridade dos habitan tes com 25 anos ou mais e os anos de escolaridade esperados, ou seja, o nú mero de anos de estudo que se espera de uma criança ao ingressar na escola; • o Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita (por indivíduo) ajustado, que é a renda nacional bruta dividida pelo número de habitantes do país, expres sa em dólares, considerando o poder de compra da população.
Embora o IDH não seja um indicador ideal, ele apresenta a vantagem de con siderar o desenvolvimento de forma mais abrangente e avaliar, até certo ponto, o acesso da população aos benefícios proporcionados pelo crescimento econômi co. Os indicadores mais gerais de desenvolvimento sempre estiveram limitados ao desempenho econômico, como o PIB ou o PIB per capita. 
A consideração do Índice de Riqueza Inclusiva exige uma alteração nos padrões de produção e consumo nos países. Demanda a busca por um desenvolvimento sustentável, ou seja, que atenda às necessidades das populações no presente sem comprometer as demandas das gerações futuras. 
Nessa perspectiva, a utilização dos recursos deve ocorrer de acordo com a capacidade de reposição da natureza, de modo que o crescimento econômico não agrida violenta e irreparavelmente os ecossistemas e possa, ao mesmo tempo, equacionar problemas sociais. Desse modo, deve ter como prioridade a diminuição da pobreza e da desigualdade social.

A Divisão Internacional do Trabalho

A Divisão Internacional do Trabalho (DIT), iniciada nos séculos XV e XVI, cor respondeu, a princípio, à delineação do papel das metrópoles e das colônias no contexto da produção e do comércio internacional. Coube às colônias o forneci mento de produtos agrícolas, como cana-de-açúcar, tabaco e algodão, e de especiarias e metais preciosos, que eram comercializados pelas metrópoles na Europa com grandes lucros.
No final do século XVIII, a Revolução Industrial desencadeou a desestruturação do sistema colonial, ou seja, da exclusividade de comércio imposta pelas metrópoles às suas colônias. A industrialização exigia maiores quantidades de matérias-primas e mais consumidores para as mercadorias, que passavam a ser produzidas em larga escala.
Nesse contexto, teve início, entre o final do século XVIII e o início do século XIX, o processo de independência de várias colônias, sob influência dos ideais da Re volução Francesa. No entanto, a independência política não trouxe independência econômica, tampouco modificou a realidade social das ex-colônias. Por outro lado, os países industrializados ampliaram sua capacidade produtiva e sua margem de lucro, intensificando as diferenças econômicas e sociais em relação aos países exportadores de matérias-primas.
A Divisão Internacional do Trabalho, portanto, caracteriza a interdependência entre as atividades econômicas realizadas em diferentes partes do globo e o pa pel que cada país ou cada região ocupa na economia mundial, considerando o que produz, o que exporta e o que importa, entre outros aspectos. Essa divisão do trabalho em âmbito internacional só ocorreu com a conso lidação do sistema capitalista, que integrou a economia mundial e estabeleceu, em cada uma de suas fases de evolução, o papel que cabia a cada região ou país.
Os Estados tiveram participação significativa na instalação das unidades de produção dessas empresas em seus territórios, pois foi necessário construir toda uma infraestrutura energética, de sistemas de telecomunicações e redes de transporte, entre outras. 
O desenvolvimento dos meios de transporte e das telecomunicações acrescentou outras características à nova Divisão Inter nacional do Trabalho. Ela está organizada em redes de produção, por meio das quais uma empresa transnacional contrata empresas em outras partes do mundo para realizar a atividade produtiva ou a distribuição e comercialização de seus produtos. Os países centrais concentram a fabricação de produtos de tecnologias mais sofisticadas, o desenvolvimento de novos produtos, o setor de marketing, os serviços financeiros e a gerência administrativa das grandes empresas.

A nova Divisão Internacional do Trabalho

No século XX, principalmente a partir de 1950, ocorreu a chamada industria lização tardia, que se caracterizou pela concentração industrial em países como Brasil, México e Argentina, na América Latina; África do Sul, no continente africa no; e, a partir da década de 1960, Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e outros países da Ásia.
Esse processo ocorreu por meio das transnacionais, que instalaram filiais em diversas partes do mundo, particularmente nos países atualmente denomi nados emergentes, pelo fato de oferecerem condições vantajosas: matérias-pri mas, mercado consumidor, mão de obra abundante e barata e baixos impostos. De modo geral, a industrialização desses países acabou atendendo a interes ses específicos das indústrias transnacionais, com algumas exceções, como em Taiwan e, sobretudo, na Coreia do Sul, onde o apoio estatal permitiu a formação de grandes corporações.
Esse contexto deu origem a uma nova Divisão Internacional do Trabalho, na qual alguns países em desenvolvimento, além de produzir e exportar matérias-primas agrícolas e minerais, transformaram-se em produtores e exportadores de produtos industrializados.

Características do desenvolvimento e dos países em desenvolvimento 

Para começar, analisamos alguns fatores que permitem classificar um país como “desenvolvido” ou “em desenvolvimento”, considerando o contexto mundial. Após conhecer as características gerais desses dois grupos, você vai analisar a seguir aspectos econômicos e sociais mais específicos. 
Os países desenvolvidos ou do centro são grandes polos financeiros e tecnolgicos mundiais e dominam as grandes decisões políticas e econômicas internacio nais. Entretanto, como visto anteriormente, os países emergentes também vêm in fluenciando as decisões tomadas no âmbito financeiro e econômico internacional. Nos países desenvolvidos predominam as atividades econômicas industriais, comerciais e de serviços. 
A agricultura é praticada com o auxílio de técnicas modernas e com elevado índice de mecanização, diminuindo a necessidade de mão de obra. Uma pequena parcela da população se dedica ao setor primário. Em muitos países desenvolvidos, esse percentual não chega a 5% da Popula ção Economicamente Ativa (PEA), como no caso dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália, por exemplo.
Nos países em desenvolvimento, a situação é bem diferente, apesar da diversidade de condições socioeconômicas. A agropecuária e o extrativismo são as principais atividades praticadas nesses países e, de modo geral, sobretudo na África e em alguns países da Ásia, essas atividades são praticadas de forma rudimentar, apresentando baixa produtividade.
A presença de uma atividade industrial amplamente diversificada, com alguns setores de tecnologia mais avançada, embora dependente dos países desenvolvidos, é restrita a poucos países que se industrializaram na segunda metade do século XX. 
Nos países em desenvolvimento, uma pequena parcela da população desfru ta de boas condições de vida, equiparadas às da população dos países desenvol vidos. Entretanto, a maioria da população se alimenta de forma insuficiente, mora em habitações precárias e apresenta alto índice de analfabetismo, entre outros indicadores negativos que justificam a baixa expectativa de vida em boa parte desse grupo de países. 
A escolarização de uma parcela significativa da população desses países é deficiente, o que compromete a qualificação profissional e o desenvolvimento socioeconômico futuro na maior parte dos países desse grupo. 
O índice de mortalidade infantil, elevado em comparação ao dos países desenvolvidos, ocorre em função de desnutrição das mães e dos recém-nascidos e das más condições de saúde e higiene oferecidas à população.


Desenvolvimento econômico e social no mundo capitalista

Mudanças decorrentes do sistema capitalista

Desde o início de sua formação, o sistema capitalista provocou profundas al terações no modo de vida das pessoas, nas relações econômicas entre os países e na organização do espaço geográfico. O capitalismo também transformou as re lações entre as diversas regiões do mundo. Nesse contexto, os países que realiza ram a Revolução Industrial até o século XIX construíram um vasto império colonial.
Além de terem estruturado os organismos internacionais que influenciam e regulam as relações entre os países, esses países mantiveram o domínio sobre os antigos territórios colonizados, mesmo após a descolonização.
Após conquistarem independência política, muitas ex-colônias permanece ram na mesma condição, ou seja, como países produtores e exportadores de ma térias-primas. Entretanto, no período posterior à Segunda Guerra Mundial (1939- -1945), vários desses países – como Brasil, México (figura 18), Argentina e África do Sul – alcançaram grande desenvolvimento industrial e modernizaram diferen tes setores de sua atividade produtiva.
Em uma etapa seguinte, diversos países da Ásia se destacaram pelo alto índice de crescimento industrial e pela modernização na economia, como Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong (atual Região Administrativa Especial da China), além da própria China. A partir dos anos 1990, vários outros países asiáticos ingressaram no processo de modernização, como Indonésia, Malásia e Vietnã, cada um, como no caso dos países anteriores, com as suas particularidades.

Países emergentes

Alguns países que se modernizaram a partir da segunda metade do século XX alcançaram maior protagonismo no cenário político-econômico internacional em razão de sua capacidade de geração de serviços, produção de bens e acúmulo de reservas internacionais. São exemplos a China, a Índia, o Brasil e a Coreia do Sul.
Esses e diversos outros países que não apresentam o mesmo nível de desenvolvimento social e econômico dos chamados desenvolvidos, como México, Argentina, Indonésia, África do Sul, Egito, Turquia, Filipinas, Malásia e Irã, são chamados países emergentes.
A China vem alcançando grande projeção no cenário econômico mundial, com papel determinante no desempenho da economia global. Em termos de capacidade produtiva, consumo de recursos minerais e acúmulo de reservas internacionais, é o país que mais se destaca no grupo dos emergentes e, atualmente, é a segunda maior economia do mundo, compondo com os Estados Unidos o G2 – grupo formado pelos dois maiores PIBs mundiais. A influência financeira e eco nômica chinesa vem crescendo em todos os continentes.
Entretanto, apesar da modernização na economia, do vigoroso crescimento econômico de alguns setores e do maior protagonismo no cenário global dos emergentes, os países que se industrializaram a partir da segunda metade do século XX não resolveram diversos de seus problemas sociais. Muitos ainda man têm forte dependência cultural e tecnológica em relação ao mundo desenvolvido.
Por outro lado, alguns países, graças a programas de transferência de renda, ga nhos reais no salário mínimo e aumento no valor das aposentadorias, apresen taram melhorias em termos de distribuição de renda, como ocorreu no Brasil na década passada.
Atualmente, a maior parte dos países da América Latina, da Ásia e quase to dos os países da África se encontram em uma situação marcada pelo subdesen volvimento, com dependência econômica, financeira, tecnológica e cultural, seja dos países desenvolvidos, seja dos principais emergentes.

BRICS 

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul formam o grupo que tem maior ex pressão entre os emergentes, denominado BRICS (sigla formada com a letra ini cial do nome de cada país, em inglês). Na crise econômico-financeira iniciada em 2008, os países do BRICS, sobre tudo os quatro primeiros, encontravam-se em situação privilegiada para enfren tar crises econômicas, principalmente em razão de suas elevadas reservas in ternacionais, de modo que havia um fluxo de investimentos de alguns países do BRICS e de outros emergentes para alguns países desenvolvidos. Por esse moti vo, desde 2011, os países emergentes vêm reivindicando uma participação mais ativa nos organismos financeiros internacionais, como o FMI. 
Outro aspecto relevante entre os países que compõem o BRICS é o comér cio internacional. Entre eles há uma intensa comercialização de produtos, desde commodities até outros de maior valor agregado, como máquinas e tecnologia.
Embora sejam muitas as diferenças entre os países que formam o BRICS – tanto no que diz respeito a aspectos internos (cultura, história, economia) quan to externos (relações internacionais) –, o grupo vem buscando se fortalecer no mercado internacional. 
Em 2014, os países do BRICS acertaram a criação de um banco, o NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), com o objetivo de financiar pro jetos de infraestrutura em países emergentes. Essa é uma das ações do grupo no sentido de somar forças de modo a garantir maior independência em relação aos recursos internacionais e afirmar sua legitimidade. 
Se, por um lado, a construção de um grupo coeso e afinado é um desafio para o BRICS, visto que as disparidades entre seus membros são grandes, por outro, África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia, juntos, possuem um peso inegável no cenário internacional: reúnem quase 50% da população mundial, o que significa um imenso mercado produtor e consumidor, e cerca de 25% do PIB per capita.

As origens da dependência 

A origem do processo de formação dos países desenvolvidos e em desenvolvimento remonta às grandes navegações empreendidas pelos Estados nacionais europeus a partir do século XV, época em que a Europa expandia o seu comércio e em que o principal interesse eram as especiarias. 
Nesse processo, potências europeias como Portugal, Espanha, Países Baixos, França e Inglaterra (metrópoles) ocuparam e colonizaram diversos territó rios (colônias) na América, na África, na Ásia e na Oceania, submetendo os povos à sua cultura e controlando a extração de riquezas naturais e as atividades pro dutivas. Portugal e Espanha lideraram a primeira fase do colonialismo, que teve início na Europa Ocidental, criando rotas pelas Índias até alcançarem o Novo Mundo (América). 
A exploração dos recursos das colônias, como metais preciosos, minérios e produtos agrícolas, proporcionou grande enriquecimento das metrópoles. Exce ções a essa forma de colonialismo de exploração foram as ex-colônias nas quais houve colonialismo de povoamento, que deram origem aos atuais Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Expressões para designar os grupos de países 

Os termos subdesenvolvimento e Terceiro Mundo tiveram origem após a Se gunda Guerra Mundial, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou uma série de dados estatísticos sobre a situação socioeconômica de vários países do mundo. A partir de então, os índices de desenvolvimento econômico e nível de qualidade de vida dos países começaram a ser quantificados. 
Essas duas expressões passaram a ser empregadas para classificar os países mais pobres do planeta, nos quais a maior parte da população apresentava más condições de vida, porém, com o tempo, se tornaram pejorativas, sinônimos de pobreza. Além disso, o conceito de Terceiro Mundo perdeu o sentido após o fim da Guerra Fria.
Atualmente, várias organizações internacionais, principalmente aquelas liga das à ONU, preferem utilizar o termo países em desenvolvimento, ressaltando a potencialidade desses países para atingir um nível mais elevado de desenvolvi mento e se tornarem desenvolvidos. Também são utilizadas as denominações centro, para designar os países desenvolvidos que têm papel de comando na economia mundial – chamados de países do Norte (pois a maioria está localizada nesse hemisfério) –, e periferia, para caracterizar os países em desenvolvimento (países do Sul). Os países do centro controlam a maior parte dos investimentos em pesquisa e desenvolvimen to de novas tecnologias e detêm a maior parte das universidades e as melhores instituições de ensino. 
É comum alguns economistas e outros especialistas utilizarem a expressão “semiperiferia” para se referir a países de periferia que atingiram um nível de industrialização maior do que o dos demais – o que os coloca no grupo dos países industrializados – e que apresentam valores expressivos de PIB. Esses são os chamados países emergentes.




Os blocos econômicos regionais

Outra tendência importante verificada na atual fase do sistema capitalista é a formação dos blocos econômicos regionais. Nesses blocos, os países buscam, em geral, maior integração econômica, negociando maior liberdade comer cial entre os associados. São exemplos a União Europeia, o Mercosul e o Nafta, entre outros.
Cada um deles apresenta particularidades e diferentes níveis de integração, com o objetivo de se inserir no mundo globalizado de forma mais competitiva. A globalização e a intensificação da concorrência no mercado mundial en tre empresas e países impulsionaram a formação dessas alianças de integração econômica regional.
Os primeiros blocos econômicos regionais tiveram origem na Europa, após a Segunda Guerra Mundial, com a formação da Comunidade Econômica Europeia (CEE), em 1957, que evoluiu até se transformar, em 1993, em União Europeia (UE).
A liberalização comercial pode ocorrer tanto em âmbito mundial, por intermé dio da OMC, como em âmbito regional, com os acordos comerciais definidos em cada bloco econômico. Cerca de 60% a 70% do comércio mundial ocorre dentro dos acordos de livre-comércio ou de outras formas de integração comercial (ou tros tipos de blocos comerciais). As modalidades de blocos econômicos existentes no mundo são: 
• Zona ou acordo de livre-comércio: pressupõe acordos comerciais que visam exclusivamente à redução ou eliminação de tarifas aduaneiras (impostos de importação) entre os países-membros do bloco. Exemplo: Nafta. 
• União aduaneira: além de reduzir ou eliminar as tarifas aduaneiras entre os países do bloco, estabelece as mesmas tarifas de exportação e importação para o comércio com países fora do bloco, com a implantação da TEC (Tarifa Externa Comum). É o caso, atualmente, do Mercosul. 
• Mercado comum: visa à livre circulação de pessoas, mercadorias, capitais e serviços. O único bloco que atingiu essa etapa foi a União Europeia, que tam bém constituiu uma união econômica e monetária com a adoção de uma moeda única.

Crise financeira e econômica do final dos anos 2000

No início do segundo semestre de 2008, o mundo capitalista passou por uma séria crise financeira e econômica, que teve origem nos Estados Unidos, em 2007. Os analistas econômicos, tanto do setor privado como dos governos de países e organismos internacionais, classificaram essa crise como a mais grave ocorrida desde a intensificação do processo de globalização, a partir dos anos 1970/1980.
A crise foi desencadeada pela expansão dos financiamentos para compra de imóveis nos Estados Unidos, em razão dos juros baixos que o governo estadunidense vinha mantendo desde o início dos anos 2000. Essa política gerou forte valorização dos imóveis, estimulando as pessoas que haviam contraído financiamentos (mutuários) a refinanciar suas dívidas.
Nesse processo de refinanciamento, os mutuários recebiam uma diferença em dinheiro, em geral utilizada para consumo. Diversos bancos criaram títulos que tinham como garantia os financiamentos para compra de imóveis (títulos garantidos com hipotecas). Investidores que adquiriram esses títulos emitiam, por sua vez, outros títulos que tinham como garantia os títulos anteriores, e essa prática se espalhou por todo o sistema financeiro.
Com o consumo em alta, a inflação aumentou. Para frear esse aumento, o governo dos Estados Unidos elevou os juros, afetando as mensalidades dos finan ciamentos dos imóveis, que ficaram mais caros. Como consequência, centenas de milhares de proprietários deixaram de pagar os financiamentos, os preços dos imóveis despencaram e os títulos se desvalorizaram acentuadamente.
Em decorrência, houve quebra de bancos e empresas, cortes de empregos e redução da oferta de crédito por parte das instituições bancárias. As demissões reduziram o mercado de consumo e aqueles que mantiveram o emprego preferiram poupar. A crise se intensificou. Os governos dos países desenvolvidos, sobretudo dos Estados Unidos, injetaram recursos financeiros em empresas e bancos, na tentativa de ameni zar os efeitos da crise e de evitar uma quebra geral no sistema financeiro. 
Em razão da forte integração entre as economias nacionais no contexto da globalização, e pelo fato de a crise ter se originado nos Estados Unidos, afetando sua economia – o país gera 1/5 do PIB mundial –, seus efeitos foram rapidamente sentidos em todo o mundo, em maior ou menor grau. Entre 2010 e 2012, houve uma intensificação da crise e de seus desdobra mentos, com a ampliação significativa das dívidas públicas dos países desenvolvidos.
Com a crise, a desregulamentação do sistema financeiro internacional, um dos pilares do neoliberalismo, passou a ser fortemente questionada. A fiscalização e o controle mais rigorosos da economia por parte do Estado nos sistemas financeiros nacional e internacional, inibindo a especulação, passaram a ser apontados como medidas extremamente necessárias por diversos economistas.

Globalização


O capitalismo, desde sua origem, proporcionou integração entre diversos países. Atualmente, porém, os Estados-nações vêm atingindo um grau de interdependência jamais visto antes. A economia mundial capitalista, principalmente a partir dos anos 1970/1980, passou por rápidas e profundas transformações, que ficaram co nhecidas pelo termo globalização. São exemplos desse processo:

• o rápido avanço das tecnologias e sua distribuição desigual no mundo;
• os novos padrões de organização da produção e da gestão das empresas;
• o mercado mundial, marcado por grande aumento na exportação/importa ção de mercadorias, e os mercados dentro de blocos econômicos regionais;
• o aumento dos fluxos de capitais, mercadorias, informações e pessoas, com maior interdependência entre os países, a partir da estruturação de redes geográficas globais;
• a abertura das economias, sobretudo dos países subdesenvolvidos indus trializados, cujos governos implementaram processos de privatização e passaram a dar mais liberdade à entrada de capitais estrangeiros, inclusive para a compra de empresas nacionais;
• a expansão das empresas transnacionais;
• a maior interferência de organismos internacionais, especialmente FMI e Banco Mundial, em políticas econômicas dos países subdesenvolvidos;
• a modificação no papel do Estado em vários países, principalmente nos países em desenvolvimento, que, em razão do grande endividamento externo, passaram a depender mais intensamente dos organismos internacionais e do capital de investidores estrangeiros e empresas transnacionais;
• a participação da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O fenômeno da globalização proporcionou benefícios, como a disseminação de informações em escala mundial, a maior difusão cultural entre os países, o grande avanço tecnológico, a oferta de bens e serviços, a formação de ONGs que atuam globalmente, entre outros. 
No entanto, diversos geógrafos, econo mistas, sociólogos e outros estudiosos vêm alertando sobre os aspectos negativos desse processo, principalmente porque o aumento nos fluxos de capitais e de mercadorias e as políticas neoliberais têm intensificado as desigualdades, tanto entre os Estados-na ções como no interior deles. 
As desigualdades se tornam mais evidentes se considerarmos o fato de que a participação dos países mais pobres (20%) no comércio mundial de mercadorias e serviços passou de 4%, nos anos 1960, para 1%, na segunda década do século XXI, além do fato de existirem muitos países com baixa renda per capita e da má distribuição de renda no mundo. 

A interligação econômica e financeira em um mundo desigual

Ao analisarmos a evolução do sistema capitalista, especialmente a partir da Primeira Revolução Industrial, destaca-se uma característica: o fortalecimento das relações internacionais. Graças ao desenvolvimento técnico, houve um au mento da produção e das exportações dos países, sobretudo dos mais industria lizados, o que proporcionou também a diversificação das atividades econômicas. 
Os países fortemente industrializados e com amplo domínio tecnológico, que formam o grupo dos países desenvolvidos, foram conquistando novos mercados. A partir de meados do século XX, suas empresas se expandiram e abriram filiais em diversas partes do mundo, inclusive nos países antes denominados subdesen volvidos, nos quais obtinham benefícios dos governos locais. Esses benefícios au mentavam as margens de lucro dessas transnacionais, particularmente no Brasil, no México e na Argentina, que apresentavam grandes mercados consumidores. 
A partir da década de 1980, o capitalismo passou por um processo de ex pansão no que se refere à sua abrangência mundial. Nesse contexto, os grandes agentes do processo de globalização são os países desenvolvidos, as empresas transnacionais e os organismos internacionais — FMI (Fundo Monetário Interna cional), Banco Mundial e OMC (Organização Mundial do Comércio), que substituiu o Gatt (iniciais em inglês de Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) em 1994.
Os países desenvolvidos geram o maior volume dos investimentos para atividades produtivas e para aplicações financeiras. É principalmente nesse grupo de países que são geradas tecnologias para a fabricação de diversos produtos e para a inovação de sistemas de produção, entre outros. Esse grupo também investe maciçamente, por meio de recursos públicos e privados, em educação e pesquisa. 
Além de dominarem os fluxos de comércio internacional, esses países rece bem vultosas somas em dinheiro provenientes do pagamento de juros de dívida ex terna, principalmente dos países em desenvolvimento; das remessas de lucros das filiais de empresas multinacionais; do pagamento de royalties; dos lucros obtidos nas aplicações financeiras realizadas por bancos ou grandes investidores, etc. 
As empresas multinacionais, ou transnacionais, são as principais criadoras e detentoras da tecnologia avançada e controlam boa parte dos capitais mundiais. Enquanto no início dos anos 1970 havia cerca de 7 mil multinacionais em todo o mundo, no início do século XXI já são 56 mil. Elas também são responsáveis por grande parte dos fluxos internacionais de mercadorias e serviços.

As novas tecnologias

O desenvolvimento tecnológico se tornou fator determinante do sucesso de uma empresa, e mesmo de um país, no atual cenário competitivo do mercado internacional e se difundiu por todos os setores econômicos, destacando-se o industrial e o de serviços. 
Os avanços tecnológicos nas áreas de eletrônica, micro eletrônica, robótica, informática, biotecnologia e telecomunicações constituem um elemento fundamental na conquista e na ampliação de mercados consumidores. No contexto da Terceira Revolução Industrial, o geógrafo Milton Santos salientou que os espaços estão carregados de ciência, técnica e informação). 
Além de transformar os processos de fabricação e as técnicas de adminis tração industrial, as novas tecnologias possibilitam a criação e a renovação de produtos, bem como o desenvolvimento de novos materiais, produzidos em la boratório. Tudo isso graças aos avanços das pesquisas científicas, fundamentais para o aprimoramento da tecnologia industrial. 
A biotecnologia, por exemplo, integra as ciências biológicas e os processos tecnológicos industriais, produzindo alimentos, medicamentos e outras formas de vida. Essa avançada tecnologia exige investimentos elevados e por isso está fortemente concentrada nos países desenvolvidos, que abrigam os principais polos tecnológicos mundiais. 
Os avanços tecnológicos vêm contribuindo para um aumento significativo da capacidade produtiva das empresas e para a redução dos custos. As corporações transnacionais estruturam cadeias globais de produção, ou cadeias produtivas globais, nas quais as peças de uma mercadoria são produzidas em diversos países. Essas corporações também contratam empresas para a fabrica ção de seus produtos. Há também as cadeias globais que processam mercadorias agrícolas, como milho, soja, cacau.
Apesar de todos os avanços, o acesso aos recursos tecnológicos está restrito a uma pequena parcela da população mundial, que se concentra sobretudo nos países desenvolvidos. 
Ao diminuir o tempo de acesso aos diferentes locais, as tecnologias de co municação e de transporte acabam alterando as noções de espaço e de tempo, interferindo no modo como as pessoas trabalham, se deslocam, se comunicam, compram e se divertem, gerando uma sensação de redução de distâncias. 
Por um lado, essas inovações tecnológicas podem trazer diversas vantagens para pessoas e empresas, como maior rapidez no envio de informações e na realização de tarefas, mais opções de entretenimento e agilidade nos deslocamentos, facilidade de compras, etc. Por outro lado, elas podem causar maior nível de estres se nas pessoas, em decorrência da busca desenfreada por consumo, de maiores pressões no trabalho e de um ambiente mais competitivo, entre outros fatores.

Fase atual do capitalismo

Após a Segunda Guerra Mundial, começou a se estruturar uma nova etapa de desenvolvimento do capitalismo, que vem se intensificando, sobretudo a partir dos anos 1970 e 1980. Essa fase é marcada pela supremacia dos Estados Unidos como principal potência político-militar e econômica do planeta. 
No entanto, no período que su cedeu a Segunda Guerra até o final dos anos 1980, a União das Repúblicas Socia listas Soviéticas (URSS), que havia implantado o socialismo, rivalizava com os Estados Unidos como principal potência mundial, principalmente no aspecto políico-militar.
A partir dos anos 1960, a ascensão econômica do Japão e da Alema nha elevou-os a grandes potências econômicas mundiais. Até os primeiros anos do século XXI, esses países ocupavam, respectivamente, os postos de segunda e terceira economias do mundo. 
No decorrer deste século, a China vem despontando como grande potência econômica, disputando com os Estados Unidos o posto de maior economia mun dial. Apesar de já se estruturar de forma multipolar, com centros importantes na Europa (União Europeia), no Japão e, sobretudo, nos Estados Unidos, esse poder global, a partir da última década do século XX, passou a contar também com a pujança chinesa. 
A esse movimento emprega-se o termo recentralização em razão de os chineses já terem constituído um império, entre os séculos II a.C. e XIX d.C. – período em que a influência da China era marcante em extensas porções da Ásia – e agora voltarem a uma posição de destaque, de modo que o mundo conhece uma recentralização do poder econômico global.
Com o avanço do colonialismo europeu no continente asiático, houve uma redução sensível da influência chinesa no continente, que passa a ser retomada na virada do século XX para o XXI, com grandes investimentos chineses em diversos países do Sul e Sudeste Asiáticos. Tal processo também compreende as relações da China com o mundo inteiro, marcado por grandes volumes de exportações e importações de mercadorias e serviços e por investimentos em diversos projetos em todos os continentes, além da expansão de empresas chinesas em muitos países. 
Na África e na América Latina, em particular no Brasil, as relações políticas, comerciais e econômicas com os chineses passam por uma intensificação sem precedentes na história sino-africana, sino-latino-americana e sino-brasileira. Diversas empresas da China, de diferentes ramos, atuam no Brasil, e esse país é o maior parceiro comercial brasileiro. 
Essa nova fase de desenvolvimento do capitalismo é marcada pela Terceira Revolução Industrial, com o desenvolvimento de novos processos de produção industrial, novas mercadorias, fontes energéticas, atividades profissionais e formas de comunicação a distância. Outra característica marcante dessa etapa é a globalização, com forte interdependência entre pessoas e empresas de diferentes países, apoiada, sobretudo, por uma ampla e estruturada rede mundial de telecomunicações e de transportes. Esta, porém, se distribui de forma desigual entre os países do globo.
No âmbito econômico, mantém-se o processo de centralização do capital por meio de fusões (união de empresas) e aquisições (compra de empresas), iniciado na fase anterior, levando à formação de oligopólios mundiais – um pequeno número de grandes empresas transnacionais domina mercados re levantes, como os de comercialização de produtos de alta tecnologia (infor mática, equipamentos de telecomunicações, aviões), obtendo grandes lucros. 
No contexto atual, intensifica-se o processo de desconcentração da produ ção industrial em escala global, iniciado após a Segunda Guerra Mundial. Graças à evolução tecnológica nos setores de transportes e comunicações, as indústrias transnacionais estadunidenses, europeias e japonesas ampliam o número de suas fábricas, escritórios e centros de pesquisas, com filiais em diversos países. 
O baixo custo de mão de obra, os benefícios oferecidos pelos governos locais (como a redução de impostos) e a legislação ambiental menos rigorosa em alguns países são fatores que também estimulam as transnacionais a instalar novas fábricas nesses territórios. 
As grandes empresas transnacionais, principalmente dos Estados Unidos, da Alemanha, do Reino Unido, da França, da Itália, da Suécia e do Japão, des centralizam a produção, criando padrões econômicos produtivos em escala mundial, estruturados em redes, nas quais cada país é responsável pela fabricação de determinados componentes do produto. Trata-se das cadeias globais de produção, nas quais a distribuição da fabricação de peças de automóveis ou aviões  pelo território de vários países são bons exemplos. 
Com o expressivo crescimento econômico da China, a partir da década de 1990 – principalmente a partir dos anos 2000 –, transnacionais chinesas pas saram a operar com base nesse padrão produtivo. 
Houve também processos de recentralização nos países com maior nível de industrialização, onde as unidades fabris de bens de consumo, instaladas nos grandes centros urbanos e seus arredores, foram deslocadas para regiões com menor concentração industrial.
Um desses processos está relacionado à formação de clusters, áreas de concentração de empresas que desenvolvem um mesmo ramo de atividade e utilizam mão de obra específica, como especialistas em tecnologia da informação, ou um mesmo tipo de matéria-prima. Os clusters são beneficiados por toda uma infraestrutura de telecomunicações e transportes, além da proximida de de centros de pesquisa ou universidades, garantindo capacidade competitiva em razão da redução de custos e do potencial de geração de inovações. 
Os tecnopolos (polos de desenvolvimento de pesquisas tecnológicas) são outro exemplo de recentralização, uma vez que passam a concentrar empresas desenvolvedoras de produtos que incorporam alta tecnologia em locais próximos a universidades. O primeiro deles se formou no esta do da Califórnia, Estados Unidos, na região conhecida como Vale do Sílicio: o Parque de Pesquisas de Stanford, próximo à universidade de mesmo nome.
No Brasil, têm sido criados diversos polos tecnológicos nas últimas décadas. Esses centros estavam concentrados em poucas capitais (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) com maior projeção econômica. 
Atualmente, municípios como Campinas, São José dos Campos e São Carlos (SP), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Curitiba e Londrina (PR), Santa Rita do Sapucaí (MG) e Re cife (PE)  passam também a concentrar empresas de tecnologia de ponta, com a formação de novos tecnopolos. Esses processos de descentralização e recentralização envolveram também empresas de alta tecnologia estadunidenses e mesmo chinesas, sendo que estas começaram a ingressar no Brasil neste início de século XXI. 
O expressivo crescimento da China, que reforçou a configuração de um importante polo de dinamismo econômico no Sudeste e Leste asiáticos (China, Japão e Coreia do Sul são os centros mais dinâmicos desse polo, com destaque para os dois primeiros), contou também com a estruturação de grandes grupos empresariais que abriram filiais em diversos países.

O socialismo

Durante a fase imperialista do capitalismo ocorreu uma revolução socialista na Rússia, em 1917. Em 1922, foi proclamada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), primeiro Estado socialista do mundo.
O socialismo é um sistema que organiza a vida política, social e econômica de uma sociedade. Nele, as formas de produção e de organização do território são definidas pelo planejamento do Estado, e indústrias, máquinas, meios de transporte, fontes de energia, matérias-primas, terras, enfim, todos os meios de produção são estatais.
Ao Estado cabe determinar os investimentos, os tipos de bens produzidos e a distribuição de mercadorias e também cabe a ele fornecer educação, assistência médica, moradia, lazer e uma renda que garanta à população viver de forma minimamente digna. 
Sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, diversos países, muitos deles por influência direta da URSS, adotaram o sistema socialista. Na América, Cuba foi o único país a adotar o socialismo. A partir do final dos anos 1980, o socialismo entrou em colapso.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Capitalismo financeiro ou monopolista

Na segunda metade do século XIX, uma nova etapa de desenvolvimento in dustrial provocou mudanças significativas na economia mundial e no território de vários países, inaugurando o capitalismo financeiro ou monopolista.
As bases tecnológicas dessa nova fase foram o motor a explosão, a hidreletricidade e o petróleo. Esse período, que recebeu o nome de Segunda Revolução Industrial, foi marcado pelo desenvolvimento da indústria pesada: metalúrgica, siderúrgica, de má quinas e equipamentos industriais.
O motor a explosão, movido a óleo diesel ou a gasolina (derivados do petróleo), impulsionou a fabricação de automóveis. Esse fato contribuiu para o desen volvimento da indústria petrolífera. Além disso, o desenvolvimento de tecnologia para a geração de energia elétrica tornou possível o desenvolvimento do motor elétrico e, por consequência, a produção dos primeiros eletrodomésticos.
A produção dessas novas mercadorias e o seu aprimoramento tecnológico exigiam investimentos elevados, o que levou algumas empresas a se associarem para ampliar sua capacidade de produção e competitividade. Ao mesmo tempo, várias instituições financeiras começaram a participar diretamente da ativida de industrial, por meio da formação das S/A (Sociedades Anônimas, com capital constituído por ações).
Os bancos tornaram-se acionistas de muitas empresas e passaram a investir também na produção. Com a venda de ações, as empresas ampliaram seu capital e, consequentemente, seu parque industrial. Muitas pequenas empresas desapa receram, incapazes de concorrer com as maiores, que disputavam o mesmo ramo de produção. Por isso, a fase do capitalismo financeiro é também chamada de ca pitalismo monopolista, que se caracteriza pelo domínio de uma grande empresa ou de um grupo de grandes empresas que dividem o mercado entre si, ou seja, há uma extrema concentração de capital por um menor número de empresas.
A Standard Oil, por exemplo, fundada em 1870, foi a maior companhia petro lífera entre o final do século XIX e início do século XX e refinava apenas 4% do petróleo produzido nos Estados Unidos. Em 1879, já controlava 90% das refinarias estadunidenses. Na Alemanha, as indústrias pesadas floresceram nes se período, incluindo uma das maiores siderúrgicas do mundo na segunda meta de do século XIX.
A partir da Segunda Revolução Industrial, a Inglaterra foi gradativamente deixando de ser o centro do sistema capitalista, passando a dividir essa posição com os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão, que incorporaram mais rapidamente as novas tecnologias e saíram à frente no desenvolvimento de novos produtos. Outros países que intensificaram o processo de industrialização ou se industrializa ram nessa etapa foram França, Bélgica, Itália, Suíça e Suécia.
As ferrovias foram aperfeiçoadas e implementadas em diversos trechos dos territórios dos países, o que possibilitou a instalação de indústrias em áreas distan tes dos locais de concentração de matéria-prima e de fontes de energia. Desenvolveram-se novos meios de comunicação, como o telégrafo, que se disseminaram pelo mundo. Essas tecnologias intensificaram ainda mais as rela ções econômicas internacionais e promoveram significativas modificações, particularmente nas paisagens dos países que se desenvolveram industrialmente nessa etapa.
Novas relações sociais e econômicas foram estabelecidas, propor cionando outros usos dos territórios, outras territorialidades. No início do século XX, o empresário Henry Ford aplicou técnicas de organização do trabalho segundo o taylorismo e desenvolveu uma linha de montagem de automóveis na qual as peças vão se deslocando por meio de equipamentos, enquanto cada trabalhador, em seu posto de trabalho, executava uma tarefa específica em um tempo predeterminado. Essa produção em série, com forte espe cialização do trabalho, chamada fordismo, foi imortalizada por Charles Chaplin no filme Tempos modernos.
Entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, o setor indus trial ampliou sua produção numa escala muitas vezes maior que a capacidade de consumo dos países industrializados. A busca de novos mercados consumidores e de fontes de matérias-primas tornou-se então indispensável para a sustentação dessa nova etapa produtiva. Ingleses, alemães, franceses, belgas, estaduniden ses e japoneses impuseram sua força industrial por meio do controle e da exploração, submetendo várias regiões do mundo ao seu domínio.
Esse período de divisão do mundo entre as grandes potências que disputa vam o controle de territórios entre si constituiu a fase imperialista do capitalismo, responsável por importantes conflitos, entre eles as duas guerras mundiais ocor ridas no século XX.

O capitalismo industrial

A Revolução Industrial, que marcou a fase capitalista chamada de capitalismo industrial, teve início na Inglaterra, na segunda metade do século XVIII, e tomou pro jeção em outros países europeus, sobretudo na França, no começo do século XIX. A industrialização ocasionou profundas modificações na sociedade, na eco nomia e na organização do espaço.
Também denominada Primeira Revolução Industrial, teve como elementos dinamizadores duas invenções: a máquina a va por, movida a carvão mineral, principal fonte de energia desse período, e o tear mecânico, que revolucionou a produção têxtil. Nessa etapa, as indústrias se concentraram nas áreas próximas às minas de carvão.
Com a revolução nas técnicas de produção e a organização do trabalho a partir de então estabelecidas, abriu-se um novo caminho para o enriquecimento dos países pioneiros da Revolução Industrial: a produção fabril em larga escala, o livre-comércio (concorrência), o investimento em tecnologia, o desenvolvimento do transporte ferroviário e a ampliação do mercado mundial. Ao elevar o grau de interdependência entre os países, a Revolução Industrial reorganizou o espaço mundial e a estruturação dos territórios.
Além de ampliar a divisão do trabalho dentro de cada unidade de produção (a fábrica), onde os operários tinham funções específicas, estabeleceu uma divisão internacional do trabalho entre as novas potências econômicas. Estas forneciam produtos indus trializados, enquanto as regiões dependentes – colônias e ex-colônias – forne ciam as matérias-primas utilizadas na fabricação das mercadorias.
A interferência da sociedade na natureza se intensificou com a exploração das minas de carvão mineral, a extração de minérios e o lançamento de poluen tes na atmosfera, em decorrência da atividade industrial. Nas regiões dependen tes, houve necessidade de ampliação das áreas agrícolas, sobretudo para produ ção de algodão, utilizado na confecção de fios e tecidos, como a lã dos carneiros.
Nesse período, milhares de trabalhadores se deslocaram do campo para as cidades, onde se concentravam as fábricas. As cidades começaram a crescer ra pidamente, gerando problemas ambientais: acúmulo de lixo e poluição das águas dos rios pelos esgotos lançados a céu aberto. Nas fábricas, os operários eram submetidos a jornadas exaustivas de trabalho, que ultrapassavam 14 horas diá rias, sem direito a férias. Era grande o número de mulheres e crianças que traba lhavam nas mesmas condições precárias.
As condições de trabalho e moradia da população das cidades começaram a melhorar entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, em consequência da mobilização dos trabalhadores, que passaram a reivindi car direitos por meio da organização de protestos e manifestações e da formação de sindicatos.
As conquistas obtidas pelos trabalhadores foram resultado da maior participação dos cidadãos na vida política dos países por meio de manifestações e do voto. A participação popular tem o poder de influenciar as decisões dos políticos e é fundamental no sentido de cobrar ações dos dirigentes públicos. As lutas empreendidas pelas mulheres na reivindicação de seus direitos, por exemplo, resultaram em uma grande conquista, entre o final do século XIX e o início do século XX: o voto feminino.




O capitalismo comercial

Nas atuais sociedades, há ampla diversificação na produção e na comercialização de mercadorias. O mercado capitalista está cada vez mais globalizado, ou mundializado. Diversos produtos que consumimos em nosso cotidiano provêm de localidades bem distantes.
Nem sempre foi assim. Nos séculos XV e XVI, período de formação do capitalis mo na Europa (capitalismo comercial), as mercadorias se restringiam a perfumes, seda, madeira, marfim e, sobretudo, especiarias adquiridas na Ásia. Elas eram transportadas através do mar Mediterrâneo e entravam na Europa principalmente pelas cidades de Veneza e Gênova, que as distribuíam para o restante do continente.
É importante ressaltar que povos nórdicos (da Europa do Norte), árabes, poli nésios (da Oceania) e do Sudeste Asiático também atingiram estágios de desenvolvimento significativo em termos de navegação em períodos históricos anteriores. Com a intensificação do comércio no interior da Europa, tornou-se necessária a ampliação da rota comercial controlada pelos venezianos e genoveses. Além disso, outros povos queriam participar desse negócio, bastante lucrativo.
O desenvolvimento do transporte marítimo nesse período – com a invenção da caravela, da bússola, do astrolábio – possibilitou a navegação para territórios mais distantes. Portugal e Espanha foram pioneiros nessa primeira etapa de formação do capitalismo, marcada pelas Grandes Navegações. 
Com a chegada dos europeus à América e a descoberta de novas rotas comerciais para regiões da Ásia, o comércio entre a Europa e os diversos territórios de outros continentes foi intensificado e as mercadorias passaram a ser transportadas em rotas realizadas pelo oceano Atlântico, contornando o continente africano.
Territórios do continente americano e de outras regiões do mundo foram incorporados às relações econômicas e comerciais em escala intercontinental. 
A expansão da atividade comercial levou à colonização de novos territórios, com o objetivo de extrair matérias-primas e metais preciosos. 
Estados-nações europeus se apropriaram de territórios em diferentes continentes e passaram a explorá-los, assim como a explorar os povos que habitavam essas porções territoriais.
Em decorrência dessa expansão, a intervenção humana na natureza foi se intensificando de forma gradativa nos territórios dominados pelos europeus, com a modificação e a destruição de muitos ecossistemas. Ao mesmo tempo, nações indígenas foram dizimadas ou tiveram sua população extremamente reduzida em decorrência de confrontos com os europeus ou devido ao contágio de doenças trazidas pelos colonizadores. Muitos povos foram escravizados, submetidos ao poder português e expulsos de seus territórios. 
Para os povos indígenas, o modo de vida e as relações estabelecidas entre sociedade e natureza não estavam pautados no acúmulo de riquezas e na explo ração dos recursos naturais para o comércio, e sim na obtenção daquilo que era necessário à sobrevivência. Ao conquistarem o território impondo-se à força aos nativos, os colonizadores estabeleceram novas formas de domínio, de exploração e de organização territorial onde viviam os diversos povos indígenas.

Características do capitalismo


Desde sua origem, nos séculos XV e XVI, o capitalismo passou por diversas transformações. Nesse sistema, estabeleceram-se relações de poder, travaram-se disputas por matérias-primas em diferentes territórios; grupos sociais e Estados-nações atuaram na construção e defesa de seus territórios; desenvolveram-se relações econômicas, políticas e culturais que compreendem uma territorialidade.

Algumas características fundamentais do capitalismo são:

• A produção de mercadorias e a geração de serviços destinados ao mercado de consumo levam à concorrência entre as diversas empresas que ofertam pro dutos e serviços, exigindo do empresário investimento em pesquisas para a criação de novos produtos e serviços ou o aprimoramento daqueles já existentes. Nesse sentido, as empresas, representadas por seus proprietários e/ou pelos executivos que as dirigem, procuram adotar algumas estratégias, como diminuir o tempo de fabricação para inserir mais produtos no mercado, antecipando-se ao lançamento de um concorrente; reduzir o custo de produção com a utilização de mão de obra mais barata ou o uso de máquinas que substituam o trabalho humano; obter matérias-primas e componentes mais baratos; investir em marketing e design.

• A propriedade privada dos meios de produção (fábricas, bancos, comércio e terras, como fazendas ou sítios) e dos bens pessoais (imóveis, veículos) é um direito, que pode ser transmitido aos descendentes dos proprietários.

• O trabalho é assalariado e o valor da remuneração depende de vários fatores, como a qualificação profissional e a maior ou menor oferta de mão de obra.

• Existem diferenças entre as pessoas que compõem as distintas classes so cioeconômicas. Algumas fazem parte do poder econômico e/ou político.

• As atividades econômicas têm, entre outros objetivos, a satisfação das ne cessidades materiais das pessoas e o aumento do capital (dinheiro) investido na produção e na geração de serviços, propiciando acúmulo de riquezas e obtenção de lucro. No entanto, isso depende da aceitação dos produtos e dos serviços oferecidos por parte dos consumidores. Esse lucro pertence aos proprietários ou administradores das empresas e pode am pliar as diferenças sociais.
O processo de desenvolvimento do capitalismo, particularmente a partir do século XIX, foi marcado por conflitos entre empresários (donos dos meios de produção) e trabalhadores. Enquanto estes lutavam por melhores condições de trabalho e salários mais justos, aqueles bus cavam obter lucros cada vez maiores. Atualmente, com os elevados índices de desemprego em todo o mundo, a garantia de emprego vem sendo o principal motivo de luta dos trabalhadores em muitos países.

Estado e Estado-nação

O Estado é a forma organizada e centralizada de poder político sobre um território. Todos os que vivem nesse território estão submetidos às mesmas leis. Geralmente, a lei máxima de um Estado é a Constituição.
As principais atribuições do Estado são: a organização econômica e jurídica; a criação de infraestrutura (estradas, portos, saneamento básico, redes de energia elétrica, etc.); a manutenção da ordem social, por meio de um corpo policial, e a segu rança nacional, sob responsabilidade das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aero náutica); o estabelecimento de relações com outros países – relações diplomáticas.
A oferta de serviços de educação e de saúde à sociedade, bem como inves timentos em pesquisas, também pode ser atribuição do Estado. Um conjunto de instituições, como o governo e os tribunais, com seus funcionários, garante o funcionamento do Estado. Para isso existe a arrecadação de impostos e taxas, pagos pela população e pelas instituições. 
O governo é formado pelos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, que no Brasil compreendem três esferas: federal, estadual e municipal (nesta última, não há poder judiciário). Nos Estados democráticos, com eleições regulares, os representantes do Legislativo e do Executivo são eleitos diretamente pela população e ocupam seus cargos por períodos determinados. 
Nos Estados de regimes ditatoriais, uma pessoa ou um grupo de pessoas se mantém no poder, em geral, pelo uso da força, ou assume o governo por meio de um golpe de Estado, ação que consiste na tomada inesperada do poder, quase sempre de forma inconstitucional, sem a participação do povo. Na ditadura, a população não pode eleger seus representantes e o de tentor ou detentores do poder permanecem no comando por tempo indeterminado. 
Chamamos um Estado de Estado-nação, Estado nacional ou país quando existe, dentro dos limites geográficos governados por ele, ou seja, no seu território, uma população unida por interesses e identidades comuns. Essa população é ligada por um sentimento de comunidade e pela defesa do seu direito de determinar seus próprios rumos. Assim, o Estado-nação é uma entidade que compreende um Estado (conjunto de instituições do poder político), que atua soberanamente em um território que abriga uma população, com as características descritas an teriormente. 
Cada Estado-nação é soberano sobre seu território, e sua autonomia é reconhecida internacionalmente, pela comunidade de países, por meio da Orga nização das Nações Unidas (ONU). O conceito de nação refere-se a um grupo de pessoas que geralmente apresentam determinadas semelhanças culturais, principalmente a língua, e um pas sado histórico comum, apesar das diferenças individuais. Em alguns casos, esse grupo tem também uma religião comum. A identidade e a consciência nacionais estão presentes nos símbolos (bandeira nacional, hino, etc.), rituais e comemorações que manifestam.
Os Estados-nações modernos se formaram primeiramente na Europa: Ingla terra no século XI, Portugal no século XII, Espanha no século XV e Holanda (Países Baixos) no século XVI. Nem sempre Estado e nação coincidem. Existem as nações indígenas que não se constituem em Estado. Há Estados, no entanto, que reúnem mais de uma nação ou apenas uma parcela da comunidade nacional, o que pode gerar conflitos e instabilidade. A Espanha é um exemplo de país que abriga dife rentes nações, como os catalães, os bascos e os espanhóis. Já os curdos formam uma nação que está espalhada por diversos países, como Turquia, Síria e Iraque.

O capitalismo e a interdependência entre os países

O espaço geográfico é resultado da ação humana sobre a natureza ao longo da história. Com o passar do tempo, o ser humano criou objetos, desenvolveu novas técnicas de produção, estabeleceu convenções no espaço físico e diferentes formas de relação com a natureza, explorando uma enorme quantidade de recursos naturais e degradando muitos ecossistemas no planeta. 
Com o surgimento e o desenvolvimento do capitalismo, a partir do século XV, o espaço natural e o espaço humanizado sofreram profundas transformações, que se refletem atualmente, com maior ou menor intensidade, na quase totali dade dos territórios dos países do mundo. Desde então, o espaço mundial vem sendo marcado por uma crescente tendência à interligação, pois o sistema ca pitalista é caracterizado por um grande aumento de produção de mercadorias e geração de serviços. 
Estes, por sua vez, são provenientes de diferentes países. O espaço mundial engloba o con junto de Estados-nações e as relações políticas e econômicas que se estabelecem entre eles, que muitas vezes são intermediadas e mesmo influenciadas pelas organizações inter nacionais, como a ONU (Organização das Nações Unidas), o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a OMC (Organização Mundial do Comércio).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Agropecuária da Região Sudeste

O Sudeste destaca-se não só por seu desenvolvimento urbano-industrial, mas também pelo êxito alcançado na produção agropecuária.
A produção agropecuária da região Sudeste é muito dinâmica, apresenta alta produtividade e dispõe de eficiente infraestrutura de escoamento da produção por rodovias, ferrovias, hidrovias e portos. 
A região Sudeste concentra cerca de 40% da população brasi leira e nela se localizam as três maiores regiões metropolitanas do país, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de Vitória, Campinas e outras. Cerca de 94% da população reside na zona urbana de seus municípios, gerando a necessidade de grande produção agrícola para abastecimento, associada à busca de alimentos nos mercados de outros estados e países.
A região concentra o maior volume e o maior valor da produção agrícola do Brasil e nela encontramos os mais variados tipos de produção e organização das atividades agropecuárias. Há diversas regiões onde se pratica agricultura familiar para abastecimento dos centros urbanos, muitas vezes com uso de tecnologia moderna e alta produtividade, e onde houve recente aumento da prática de agricultura orgânica. A agricultura de subsistência ainda é praticada em locais onde a terra é de baixa fertilidade e tem menor valor comercial. 
Em várias propriedades rurais do Sudeste, a introdução de um sistema produtivo de alto padrão tecnológico no campo tem garantido elevado índice de produtividade, tanto no cultivo de diversos gêneros agrícolas como na criação de animais.
Na região, também há pequenas propriedades, com técnicas tradicionais de cultivo e de criações. Como em outras regiões brasileiras, elas coexistem com a expansão das grandes propriedades monocultoras comerciais.
Nas médias e grandes propriedades também é desenvolvida uma grande variedade de atividades, com destaque para a exportação de produtos agroindustriais. 
Além de abastecer o mercado interno, essa atividade tem peso significativo entre os principais produtos que o Brasil exporta. Com o interesse de expandir cada vez mais o mercado exportador de produtos agropecuários, várias regiões do Brasil estão optando por produzir em extensas áreas agrícolas monocultoras.
Na Região Sudeste, entre as principais lavouras cultivadas nessas propriedades estão o café, a cana-de-açúcar e a laranja. As agroindústrias localizadas na Região Sudeste participam intensamente do crescimento agropecuário regional. Elas processam uma parcela relevante de produtos agropecuários exportados pelo país.

Com exceção do café, que, além de abastecer o mercado interno, é exportado sem nenhum processamento industrial, os demais produtos são comercializados no mercado interno e também exportados depois de serem proces sados nas agroindústrias, ou seja, após passarem por um processo de industrialização. Na região, entre outras produções agroindustriais, destacam-se: 
- o cultivo de laranja para produção de suco concentrado (o estado de São Paulo é o maior produtor mundial); 
- o cultivo de cana-de-açúcar para produção de açúcar e álcool (São Paulo é o maior produtor nacional e reúne a maior quantidade de usinas); 
- o cultivo de eucalipto para produção de papel e celulose, espalhado por várias sub-regiões (Minas Gerais é o maior produtor nacional); 
- a criação de gado para produção de carne, leite e laticínios, com a maior produção regional concentrada em Minas Gerais; - a criação de aves para produção de carne e ovos, com concentração de granjas no estado de São Paulo.

Agricultura e modernização no campo

Nas terras da Região Sudeste cultivam-se vários produtos, destacan do-se a cana-de-açúcar, a laranja, o café, o amendoim, a soja, o arroz, o milho, além de outras culturas. Na região se localizam os três maiores produtores de café do Brasil: Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, cuja produção, além de atender ao mercado interno, é destinada à exportação. 
A cultura da laranja é realizada principalmente no estado de São Paulo, onde se destacam os municípios de Matão, Araraquara, Bebedouro e São José do Rio Preto. 
As indústrias de suco de laranja aí instaladas são determinantes para que o Brasil seja o líder na exportação mundial desse produto. 
O Sudeste é o maior produtor nacional de cana-de-açúcar – o esta do de São Paulo lidera a produção brasileira de açúcar e a de etanol (álcool combustível para veículos automotores). No interior paulista, os canaviais e as grandes usinas de açúcar e álcool localizam-se principal mente nas proximidades de Ribeirão Preto, Bauru e Piracicaba. 
A produção de etanol permitiu ao Brasil desenvolver novas tecnolo gias agrícolas e industriais. O país ocupa a liderança mundial nesse setor.
A modernização agrícola do Sudeste apresenta outra face. A mão de obra empregada tanto na colheita de laranja como na de cana-de-açúcar é temporária, frequentemente realizada por boias-frias, originários da Região Nordeste, principalmente. 
O corte manual da cana-de-açúcar exige enorme esforço físico, e o trabalhador, submetido a condições desgastantes, é mal remunerado. 
Diante dessas condições, explicadas por um modelo de de senvolvimento caracterizado pela exclusão social, o corte manual de cana é uma questão que começou a ser enfrentada pelos governos. 
No estado de São Paulo, na safra 2007/08, apenas 42% da colheita foi realizada por máquinas, mas, na de 2018/19, atingiu-se mais de 95% de mecanização. 
Além disso, apesar de toda a modernização e da existência de le gislação ambiental específica, a cultura da cana-de-açúcar ainda provoca impactos ambientais, como poluição do ar causada pela queima da palha da cana e poluição dos corpos de água.

Cadeias produtivas agrícolas 

A agropecuária do Sudeste é bastante diversificada e tem sido fortemente in fluenciada pela produção industrial, fornecendo matéria-prima para a indústria ou comprando das fábricas máquinas agrícolas, fertilizantes químicos e agrotóxicos. Ou para produção de margarina e óleos vegetais. 
Destacam-se ainda a avicultura e a criação de gado leiteiro, seja, a cadeia produtiva agrícola combina produtos gerados na cidade para a produção agrícola e, também, produtos agrícolas que são beneficiados nas indústrias. 
O café, a cana-de-açúcar, a soja e a laranja são os cultivos mais importantes da região. Todas essas atividades integram cadeias produtivas. O café, por exemplo, pode ser colhido, torrado e moído antes de ser comercializado. A soja é usada para produção de margarina e óleos vegetais. Destacam-se ainda a avicultura e a criação de gado leiteiro, do qual se produzem manteiga, iogurte, entre outros produtos lácteos.
São Paulo se destaca pela produção de alimentos, em especial resultado do trabalho de assenta dos do Movimento Sem Terra que conquistaram a terra nas últimas décadas do século XX. Parte dessa produção não usa agrotóxicos ou complemen tos químicos, o que qualifica o resultado, que é comercializado a preço mais elevado que o que é produzido em larga escala com base naqueles produtos.
Os laços comerciais do Sudeste, principalmente São Paulo, com o resto do país são cada vez mais intensos. Muitas atividades agrícolas desenvolvidas em outras regiões estão relacionadas ao Sudeste. Por exemplo, a soja produzida em Mato Grosso do Sul é usada para produzir óleo de cozinha e, em alguns casos, biodiesel, em São Paulo.

Pecuária

Além da pecuária bovina de corte predominantemente extensiva, praticada sobretudo no norte de Minas Gerais, o Sudeste apresenta várias bacias leiteiras, ou seja, áreas de pecuária intensiva destinadas à produção de leite e seus derivados – queijos, iogurtes etc. 
Dotado de tecnologias adiantadas de produção e de seleção de raças leiteiras, o setor é expressivo na Região Sudeste, com destaque para o Vale do Paraíba, o sul de Minas Gerais, o Triângulo Mineiro e o leste do estado de São Paulo, próximo ao sul de Minas.


Industrialização na região Sudeste

Industrialição

A região Sudeste, nas primeiras décadas do século XX, reuniu as condições favoráveis à industrialização.
Aa cidade de São Paulo já era um importante centro comercial e financeiro e contava com uma boa infraestrutura. Tinha ainda uma população numerosa e pessoas com espírito empreendedor, com destaque para os imigrantes. Muitos estrangeiros tinham bom nível de qualificação profissional, porque seus países de origem começaram a industrializar-se antes do Brasil. 
Toda essa infraestrutura e esses recursos humanos, mais o dinheiro acumulado com as exportações de café ao longo do tempo, foram direcionados para o desenvolvimento de atividades industriais, e São Paulo começou a comandar o processo de industrialização nacional.
Até essa época, o café era o principal produto da economia brasileira, mas a atividade sofreu grande enfraquecimento a partir de 1929, quando teve início uma crise econômica mundial, que abalou o comércio internacional. Houve redução tanto no volume de exportações brasileiras como no de importações de produtos industrializados, o que tornou necessária a instalação de novas fábricas no país para produzir mercadorias que antes eram importadas.
O Rio de Janeiro – principalmente por ter sido a capital federal desde 1763 e por ter passado por uma onda de modernização com a chegada da família real, em 1808 – também dispunha de boa infraestrutura e uma diversificada rede de comércio e serviços, que serviram de base para o processo de industrialização. 
Em Belo Horizonte, o processo de industrialização ganhou impulso a partir da década de 1940, quando a extração de minérios e a produção de aço se tornaram atividades importantes em municípios próximos. Em 1942, Getúlio Vargas criou a Companhia Vale do Rio Doce, uma empresa de mineração que atraiu a instalação de muitas outras indústrias que utilizavam os minérios (ferro, alumínio, níquel e outros) como matéria-prima.
Além disso, a região Sudeste recebeu do governo federal muitos investi mentos em infraestrutura ao longo do século XX, principalmente durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960), sobretudo em energia e trans portes. Isso aconteceu porque era mais barato concentrá-los espacialmente, pois as estruturas poderiam ser utilizadas de forma compartilhada. 
Esses investimentos por parte do governo brasileiro atraíram muitas em presas estrangeiras para o Brasil, com destaque para as indústrias automobi lísticas no ABC (municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano, que fazem parte da região metropolitana de São Paulo). 
A entrada das indústrias automobilísticas gerou investimento nacional e estrangeiro em vários outros setores complementares, como o da produção de máquinas e equipamentos industriais, vidros, bancos, peças para motores e muitos outros. Isso porque as indústrias automobilísticas não fabricam os auto móveis; na verdade, elas os montam a partir do que é produzido em outras fábricas. Por isso, são chamadas de montadoras de veículos.

Produção industrial

São Paulo é o estado responsável pela maior parte da produção industrial do país. Minas Gerais e Rio de Janeiro também se destacam nesse setor da economia. Todos os setores industriais estão presentes no estado de São Paulo. Além da Região Metropolitana de São Paulo, que concentra muitas indústrias, inclusive do setor automobilístico, elas estão presentes na Região Metropolitana de Campinas, onde atuam em presas do setor de autopeças e eletrônica; em São Carlos, com empresas automobilísticas e de produção de aeronaves; em Sorocaba, com destaque para papel e celulose; no Vale do Paraíba Paulista, com destaque para São José dos Campos, que reúne a maior parte das indústrias aeroespaciais do Brasil; em Taubaté e Caçapava, que sediam grandes empresas do setor au tomobilístico e alimentício; e em Pindamonhangaba, que se destaca pela reciclagem do alumínio.
Minas Gerais está voltada para a produção das indústrias de base, mas tam bém tem indústrias automobilísticas. Além disso, possui um importante polo de produção de máquinas e equipamentos, que fabrica máquinas que são usadas por outras indústrias — de produtos químicos e farmacêuticos. 
A área industrial distribui-se pelo Vale do Aço, que tem em Ipatinga sua principal cidade; pelo Triângulo Mineiro, com destaque para os municípios de Uberaba e Uberlândia; pelo sul do estado, onde a indústria eletrônica é bem desenvolvida no Vale da Eletrônica, como ficou conhecida Santa Rita do Sapucaí; pela Zona da Mata, onde Juiz de Fora é a cidade mais importante por abrigar indústrias automotivas; e pela Região Metro politana de Belo Horizonte, que tem uma atividade industrial diversificada, ainda que o setor automobilístico seja o mais importante. 
Minas Gerais também se destaca na mineração como um dos maiores estados produtores do país. Entretanto, em 2015 um terrível acontecimento gerou repercussões para além do território mineiro.
O Rio de Janeiro também conta com um parque industrial de destaque no Brasil. Ele está distribuído em municípios do Vale do Paraíba Fluminense, como Resende, que possui empresas diversificadas, como as dos setores automobilístico, siderúrgico e de produção de combustível nuclear, e em Volta Redonda, onde está a primeira empresa siderúrgica do Brasil. Macaé e Campos dos Goytacazes, que estão a leste da capital do estado, se destacam pela indústria de extração e processamento de petróleo; na Região Metropolitana do Rio de Janeiro estão presentes indústrias de diversos setores, com destaque para o setor naval, siderúrgico e químico.
No Espírito Santo, o setor industrial está concentrado junto à capital, Vitória. Nela se encontram indústrias dos setores siderúrgico e alimentício. Já no município de Aracruz está uma grande empresa do setor de produção de celulose, matéria-prima para a produção de papel.

Indústria e a população urbana

O processo de industrialização provocou grandes transformações na organiza ção do espaço geográfico da Região Sudeste.
A expansão da atividade industrial fez com que a Região Sudeste tivesse um expressivo aumento na população urbana. Isso ocorreu porque, à medida que as indústrias se multiplicavam, um grande contingente de trabalhadores era atraído em direção aos centros urbanos que se industrializavam. A partir da década de 1950, um grande número de nordestinos se dirigiu espe cialmente para o estado de São Paulo, que já se destacava como o estado mais industrializado do país. 
Dessa forma, podemos concluir que a industrialização do Sudeste contribuiu para torná-la a região mais urbanizada do país, pois ocorreu de maneira desigual e concentrada e impulsionou o crescimento de grandes cidades e metrópoles, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Isso explica por que o Sudeste é a região que apresenta a maior a taxa de urbanização do país. Atualmente, de cada 100 habitantes que vivem na Região Sudeste, 93 moram em áreas urbanas.

Concentração da atividade industrial

O desenvolvimento da atividade industrial no Sudeste caracterizou-se pela formação de um diversificado e vasto parque industrial, com indústrias de base, como siderúrgicas e petroquímicas; de bens intermediários, como as de autope ças; de materiais de transporte e máquinas industriais, que fabricam máquinas e equipamentos para outras indústrias; de bens de consumo duráveis, que são as automobilísticas e de aparelhos eletroeletrônicos, além de indústrias de bens não duráveis, como as alimentícias e de produtos de higiene e limpeza. 
Embora o Sudeste seja uma região bastante industrializada, a atividade industrial não está distribuída de maneira homogênea entre os estados que a compõem. As maiores concentrações industriais estão localizadas em seus grandes centros urbanos, sobretudo nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. 
Nessas cidades, também estão localizadas as grandes empresas nacionais e multinacionais e as sedes, no Brasil, dos grandes bancos internacionais e institui ções financeiras, como as bolsas de valores. Além disso, concentram as principais universidades e possuem os mais avançados laboratórios e centros de pesquisa, responsáveis pelo desenvolvimento de inovações tecnológicas produzidas no país. Isso explica por que, no Sudeste, estão instaladas indústrias de alta tecnologia, como as de informática, eletrônica, telecomunicações, aeroespacial e farmacêutica.

A descentralização industrial no Sudeste

Até o final do século XX, a atividade industrial brasileira esteve concentrada, sobretudo, no eixo formado pelas cidades localizadas entre as capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro.
A partir desse período, algumas indústrias passaram a transferir suas unidades de produção para outras áreas da própria Região Sudeste, como o estado de Minas Gerais e o interior do estado de São Paulo. Algumas delas também se instalaram nas demais regiões do Brasil, principalmente nos estados das regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste.
A Região Sudeste concentra importantes tipos de indústria, como siderúrgicas, metalúrgicas, mecânicas, alimentícias, extrativas minerais, além das de alta tecnologia, como informática e aeroespacial. 
No entanto, a maneira como estão distribuídas pelo espaço regional é bastante desigual. A maior parte está localizada nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Só a região metropolitana da capital paulista, por exemplo, abriga a maior parte das unidades fabris e, consequentemente, o maior número de pessoas empregadas nesse setor. 
A indústria da Região Sudeste responde por 54% do PIB gerado pelo setor industrial do país. Muitos produtos fabricados pelas indústrias, além de abastecer o mercado interno, são responsáveis por incrementar a diversidade do que é exportado.
Nos últimos anos, um grande número de indústrias tem deixado áreas de concentração tradicionais do Sudeste para se instalarem em outras regiões do Brasil ou até mesmo em áreas no interior da própria Região Sudeste, movimento co nhecido como descentralização industrial. Esse movimento se deve à busca de custos mais baixos com transportes, imóveis, impostos e salários.
Esse processo de descentralização espacial da atividade industrial foi de sencadeado por uma série de fatores, como incentivos fiscais ofertados por estados de outras regiões, diminuição dos custos com transporte e mão de obra, diminuição das despesas imobiliárias e, principalmente, redução dos encargos tributários.

Cadeias produtivas industriais 

Muitas fábricas se estabeleceram no Sudeste para desenvolver atividades complementares. A indústria automobilística, por exemplo, compra das fábricas de peças e acessórios vários componentes utilizados na montagem final dos carros (espelhos, vidros, chave de roda, bateria, entre outros). Além dos milhares de carros produzidos diariamente, são fabricados no Sudes te aviões, navios, sapatos, roupas, geladeiras e muitos outros produtos industrializados. 
Esse conjunto de atividades industriais estimula o desenvolvimento do comércio, dos transportes, dos serviços e liga esse complexo regional aos demais do país. Também permite a produção para exportação de máquinas, automóveis e aviões, entre outros produtos. O desenvolvimento dessas atividades fortaleceu as relações econômicas no país. 
A atividade industrial do Sudeste necessita de diversas matérias-primas, localizadas muitas vezes em outras regiões. A indústria vai então buscá-las onde for preciso para manter em funcionamento a sua linha de produção. Por causa de atividades localizadas em torno de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG), o Sudeste lidera o desenvolvimento econômico do país. 
Junto às áreas industriais está a maior oferta de rede de água, esgoto e energia elétrica do país. Também se concentram estradas e ferrovias, além de se en contrar o maior porto de exportações e importações do Brasil. Nessa região ainda ficam os principais centros financeiros, comerciais, culturais e de desenvolvimento científico e tecnológico do país.
São Paulo e Rio de Janeiro influenciam atividades econômicas dispersas pelo território nacional. Além disso, estão integradas a fluxos produtivos internacio nais e alojam sede de empresas que atuam em vários países. Por isso, são consideradas cidades globais por alguns pesquisadores. Elas também fazem parte da megalópole em formação no país, pois suas áreas urbanas espraiam-se uma em direção à outra.


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Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...