terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O capitalismo comercial

Nas atuais sociedades, há ampla diversificação na produção e na comercialização de mercadorias. O mercado capitalista está cada vez mais globalizado, ou mundializado. Diversos produtos que consumimos em nosso cotidiano provêm de localidades bem distantes.
Nem sempre foi assim. Nos séculos XV e XVI, período de formação do capitalismo na Europa (capitalismo comercial), as mercadorias se restringiam a perfumes, seda, madeira, marfim e, sobretudo, especiarias adquiridas na Ásia. Elas eram transportadas através do mar Mediterrâneo e entravam na Europa principalmente pelas cidades de Veneza e Gênova, que as distribuíam para o restante do continente.
O comércio intensificou-se, o que possibilitou o fortalecimento de uma classe social composta principalmente de comerciantes e banqueiros, denominada burguesia, ampliando a busca por novos produtos comerciais.
É importante ressaltar que povos nórdicos (da Europa do Norte), árabes, polinésios (da Oceania) e do Sudeste Asiático também atingiram estágios de desenvolvimento significativo em termos de navegação em períodos históricos anteriores. Com a intensificação do comércio no interior da Europa, tornou-se necessária a ampliação da rota comercial controlada pelos venezianos e genoveses. Além disso, outros povos queriam participar desse negócio, bastante lucrativo.
A necessidade de novas rotas para atender a esse comércio, especialmente para as Índias, impulsionou a expansão marítima europeia durante o período das Grandes Navegações (no início, realizadas por Portugal e Espanha e, em seguida, também por França, Inglaterra e Holanda). 
O desenvolvimento do transporte marítimo nesse período – com a invenção da caravela, da bússola, do astrolábio – possibilitou a navegação para territórios mais distantes. Portugal e Espanha foram pioneiros nessa primeira etapa de formação do capitalismo, marcada pelas Grandes Navegações. 
Esses países expandiram seus domínios territoriais criando colônias na América, onde a mineração passou a ser a principal fonte de riqueza das potências hegemônicas do período, como Espanha e Portugal. Essas e outras nações europeias passaram então a disputar o controle de rotas comerciais marítimas que levavam até as cidades europeias metais preciosos, açúcar e especiarias, a fim de abaste cer o mercado consumidor europeu.
Com a chegada dos europeus à América e a descoberta de novas rotas comerciais para regiões da Ásia, o comércio entre a Europa e os diversos territórios de outros continentes foi intensificado e as mercadorias passaram a ser transportadas em rotas realizadas pelo oceano Atlântico, contornando o continente africano.
Territórios do continente americano e de outras regiões do mundo foram incorporados às relações econômicas e comerciais em escala intercontinental. 
A expansão da atividade comercial levou à colonização de novos territórios, com o objetivo de extrair matérias-primas e metais preciosos. 
Estados-nações europeus se apropriaram de territórios em diferentes continentes e passaram a explorá-los, assim como a explorar os povos que habitavam essas porções territoriais.
Durante esse período do capitalismo, o acúmulo de metais preciosos, principalmente o ouro e a prata, era o grande objetivo das monarquias europeias. Essas riquezas deveriam fortalecer o Estado e o acúmulo de capital pela burguesia. 
Em decorrência dessa expansão, a intervenção humana na natureza foi se intensificando de forma gradativa nos territórios dominados pelos europeus, com a modificação e a destruição de muitos ecossistemas. Ao mesmo tempo, nações indígenas foram dizimadas ou tiveram sua população extremamente reduzida em decorrência de confrontos com os europeus ou devido ao contágio de doenças trazidas pelos colonizadores. Muitos povos foram escravizados, submetidos ao poder português e expulsos de seus territórios. 
Para os povos indígenas, o modo de vida e as relações estabelecidas entre sociedade e natureza não estavam pautados no acúmulo de riquezas e na exploração dos recursos naturais para o comércio, e sim na obtenção daquilo que era necessário à sobrevivência. Ao conquistarem o território impondo-se à força aos nativos, os colonizadores estabeleceram novas formas de domínio, de exploração e de organização territorial onde viviam os diversos povos indígenas.
A partir desse período, passou a ser estabelecida a função de cada uma das regiões ou países do mundo nas trocas comerciais internacionais, conhecida como Divisão Internacional do Trabalho (DIT).
Ficou caracterizada essa divisão durante o período do capitalismo comercial.
- Colônias - Às colônias, cabia o envio de matérias-primas (metais preciosos, especiarias, entre outros) para as metrópoles.
- Metrópoles - Às metrópoles, cabia abastecer as colônias com mercadorias manufaturadas (louças, tecidos, ferramentas, entre outras).
O acúmulo de capital propiciado nessa fase do capitalismo, além de beneficiar a burguesia, incentivou o estabelecimento da manufatura nos centros urbanos da Europa, também chamados burgos, onde eram produzidos e comercializados produtos enviados para vários lugares do mundo. Esse foi um dos principais fato res que contribuíram para a industrialização da Europa, caracterizada como o início de uma nova fase do capitalismo. 

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