terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O capitalismo industrial

O período que se estende da segunda metade do século XVIII até meados do século XIX foi marcado pela Revolução Industrial, processo que realizou a transição da produção manufatureira para a industrial.
A Revolução Industrial, que marcou a fase capitalista chamada de capitalismo industrial, teve início na Inglaterra, na segunda metade do século XVIII, e tomou projeção em outros países europeus, sobretudo na França, no começo do século XIX. A industrialização ocasionou profundas modificações na sociedade, na economia e na organização do espaço. Esse processo fortaleceu o capitalismo e revolucionou as técnicas empregadas nos meios de produção das mercadorias.
A introdução da maquinofatura nas indústrias e a inserção de novas tecnologias nas atividades industriais, sendo uma delas a máquina a vapor, transformaram o trabalho, que passou a ser executado nas fábricas por trabalhadores em troca do pagamento de salários. Esse sistema elevou a produção e o lucro dos empresários, incentivou a urbanização e provocou intensas mudanças nas sociedades europeias. O mesmo ocorreu, posteriormente, em outras regiões do mundo.
Também denominada Primeira Revolução Industrial, teve como elementos dinamizadores duas invenções: a máquina a vapor, movida a carvão mineral, principal fonte de energia desse período, e o tear mecânico, que revolucionou a produção têxtil. Nessa etapa, as indústrias se concentraram nas áreas próximas às minas de carvão.
Com a revolução nas técnicas de produção e a organização do trabalho a partir de então estabelecidas, abriu-se um novo caminho para o enriquecimento dos países pioneiros da Revolução Industrial: a produção fabril em larga escala, o livre-comércio (concorrência), o investimento em tecnologia, o desenvolvimento do transporte ferroviário e a ampliação do mercado mundial. Ao elevar o grau de interdependência entre os países, a Revolução Industrial reorganizou o espaço mundial e a estruturação dos territórios.
Além de ampliar a divisão do trabalho dentro de cada unidade de produção (a fábrica), onde os operários tinham funções específicas, estabeleceu uma divisão internacional do trabalho entre as novas potências econômicas. Estas forneciam produtos indus trializados, enquanto as regiões dependentes – colônias e ex-colônias – forneciam as matérias-primas utilizadas na fabricação das mercadorias.
A interferência da sociedade na natureza se intensificou com a exploração das minas de carvão mineral, a extração de minérios e o lançamento de poluen tes na atmosfera, em decorrência da atividade industrial. Nas regiões dependen tes, houve necessidade de ampliação das áreas agrícolas, sobretudo para produ ção de algodão, utilizado na confecção de fios e tecidos, como a lã dos carneiros.
Nos centros urbanos da Europa, a industrialização ocorreu associada ao pro cesso de urbanização e ao êxodo rural.
Entre as razões que explicam esse êxodo está a transformação na estrutura agrária, provocada pela Revolução Industrial. Com o avanço das relações capitalistas no campo, a terra passou a ter um preço muito elevado, o que provocou a expulsão dos camponeses que não tinham condições de adquiri-la e, como consequência, sua migração para as cidades. Por outro lado, os camponeses viam nas cidades oportunidades de emprego e renda, o que acabou suprindo as necessidades de mão de obra das indústrias, transformando-os em trabalhadores assalariados.
Nesse período, milhares de trabalhadores se deslocaram do campo para as cidades, onde se concentravam as fábricas. As cidades começaram a crescer rapidamente, gerando problemas ambientais: acúmulo de lixo e poluição das águas dos rios pelos esgotos lançados a céu aberto. 
Esse processo resultou no elevado aumento do número de habitantes das cidades, bem como no crescimento desordenado de núcleos urbanos, gerando problemas como o aumento da poluição atmosférica. 
Nas fábricas, os operários eram submetidos a jornadas exaustivas de trabalho, que ultrapassavam 14 horas diárias, sem direito a férias. Era grande o número de mulheres e crianças que traba lhavam nas mesmas condições precárias.
As condições de trabalho e moradia da população das cidades começaram a melhorar entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, em consequência da mobilização dos trabalhadores, que passaram a reivindi car direitos por meio da organização de protestos e manifestações e da formação de sindicatos.
As conquistas obtidas pelos trabalhadores foram resultado da maior participação dos cidadãos na vida política dos países por meio de manifestações e do voto. A participação popular tem o poder de influenciar as decisões dos políticos e é fundamental no sentido de cobrar ações dos dirigentes públicos. As lutas empreendidas pelas mulheres na reivindicação de seus direitos, por exemplo, resultaram em uma grande conquista, entre o final do século XIX e o início do século XX: o voto feminino.




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