O espaço geográfico é resultado da ação humana sobre a natureza ao longo da história. Com o passar do tempo, o ser humano criou objetos, desenvolveu novas técnicas de produção, estabeleceu convenções no espaço físico e diferentes formas de relação com a natureza, explorando uma enorme quantidade de recursos naturais e degradando muitos ecossistemas no planeta.
Com o surgimento e o desenvolvimento do capitalismo, a partir do século XV, o espaço natural e o espaço humanizado sofreram profundas transformações, que se refletem atualmente, com maior ou menor intensidade, na quase totalidade dos territórios dos países do mundo. Desde então, o espaço mundial vem sendo marcado por uma crescente tendência à interligação, pois o sistema capitalista é caracterizado por um grande aumento de produção de mercadorias e geração de serviços.
Estes, por sua vez, são provenientes de diferentes países. O espaço mundial engloba o conjunto de Estados-nações e as relações políticas e econômicas que se estabelecem entre eles, que muitas vezes são intermediadas e mesmo influenciadas pelas organizações internacionais, como a ONU (Organização das Nações Unidas), o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a OMC (Organização Mundial do Comércio).
Sistema econômico capitalista
Atualmente, o capitalismo é o sistema ou modo de
produção hegemônico na economia global e as sociedades capitalistas são predominantes no mundo.
Capitalismo é o sistema econômico e social em que
os meios de produção (fábricas, terras, máquinas etc.) são,
em grande parte ou totalmente, de propriedade privada,
ou seja, pertencem a alguém ou a um grupo de pessoas.
Numa economia capitalista, a produção e a distribuição de riquezas são regidas pelo mercado, pela lei
da oferta e da procura. Isso significa que o mercado
influencia o que, quando, onde, como e quanto produzir.
Quando há grande oferta e pouca procura por um produto no mercado, seu preço tende a diminuir; quando
a oferta do produto é menor e a procura maior, o preço
tende a subir. Por isso dizemos que os preços dos pro
dutos que consumimos são definidos pela economia
de mercado.
No capitalismo, as mercadorias são produzidas por
meio do trabalho assalariado, ou seja, a maior parte das
pessoas vende sua força de trabalho às empresas em
troca de um salário.
É importante salientar, entretanto, que o capitalismo
não se desenvolve da mesma forma, nem no mesmo
ritmo, em todos os lugares. E essas diferenças são visíveis na paisagem.
Essas características evidenciam o principal
objetivo do capitalismo: a obtenção de lucro.
Todo o processo produtivo está voltado para a
aquisição e o acúmulo de capital (que pode estar
aplicado de diversas formas, por exemplo, em
propriedades).
Uma vez garantido, o capital será
reinvestido na produção da mesma empresa ou
em outros setores.
Apesar de haver impulsionado a capacidade
produtiva das sociedades, o capitalismo promoveu a divisão de classes sociais, consequência
das relações de propriedade e de trabalho. Um
dos resultados desse fato é a desigualdade social
perceptível nas paisagens urbanas.
O Brasil faz parte do sistema econômico capitalista. Para entender como o
capitalismo age na economia brasileira, precisamos voltar um pouco no tempo
e compreender como ele surgiu e se desenvolveu no mundo.
Surgimento e evolução do capitalismo
O capitalismo consolidou-se na Europa Ocidental com a decadência do
feudalismo e a ascensão das monarquias absolutistas. No feudalismo, a terra
era propriedade dos senhores feudais. Eles distribuíam pequenas partes da
terra a seus servos (camponeses), que, em troca, deveriam trabalhar para eles
e lhes dar parte da produção obtida.
A partir do século XI, muitas alterações ocorreram nas relações de trabalho
e produção no espaço europeu e levaram ao surgimento do capitalismo:
• o renascimento urbano e comercial;
• a formação de uma nova classe de comerciantes e artesãos nas cidades;
• as modificações nas relações de trabalho no campo, causadas pelo avanço
tecnológico e pela organização da produção;
• a mudança do sistema de troca de produtos por produtos (escambo) para
o sistema de troca de produtos por moedas.
Nesse contexto, a produção para o mercado cresceu gradualmente, incentivada por inovações nas técnicas de produção, que aumentavam a produtividade
do trabalho. Assim, o comércio se expandiu em busca de novos compradores.
À medida que as cidades prosperavam, os comerciantes passaram a liderar
o desenvolvimento econômico e a se aliar a monarcas. Lentamente, encerrava-se o sistema feudal e iniciava-se o capitalismo comercial.
Com o nascimento do capitalismo, os servos passaram a trocar o espaço
agrário pelas pequenas cidades (burgos), o que possibilitou o aparecimento do
trabalhador livre, configurando-se mais adiante em trabalhador assalariado.
O
crescimento e desenvolvimento de cidades foi uma importante transformação
do espaço geográfico nesse período.
Capitalismo comercial
O capitalismo comercial vigorou na Europa entre os séculos XV e XVIII,
quando o acúmulo de capitais por meio do comércio originou o capitalismo.
Nessa época predominava uma política mercantilista de expansão marítima,
na qual terras até então desconhecidas pelos europeus foram ocupadas. Essas
empreitadas comerciais foram financiadas por comerciantes ricos e viabilizadas
pelos investimentos em inovações dos transportes marítimos, com destaque
para os conhecimentos desenvolvidos em Portugal, Espanha e Itália.
Nesse período, chamado de Grandes Navegações, as potências europeias
da época (Portugal, Espanha, Holanda e França) chegaram a lugares distantes,
estabeleceram colônias e expandiram o comércio de riquezas naturais e de produtos manufaturados. Com o comércio, acumulava-se capital. As transformações no espaço geográfico mundial foram profundas entre o
final do feudalismo e o início do capitalismo comercial.
As Grandes Navegações
proporcionaram o contato entre povos de diferentes continentes e a expansão
da cultura ocidental. Iniciaram-se o intercâmbio de produtos, os avanços nas técnicas de navegação e a produção de mercadorias.
Nos territórios ocupados, os
países europeus começaram a dizimar os povos nativos, a escravizar e a comercializar as pessoas negras africanas e a explorar os recursos naturais. Além de
fornecer recursos, as colônias eram importantes mercados consumidores dos
produtos manufaturados europeus. A acumulação de capitais foi essencial para
o desenvolvimento da segunda fase do capitalismo, o industrial.
Capitalismo industrial
Essa fase do capitalismo se desenvolveu entre os séculos XVIII e XIX,
quando ocorreram a Primeira e a Segunda Revolução Industrial, nas quais a
indústria dominou a atividade econômica.
O acúmulo de capital, originado na
fase do capitalismo comercial, possibilitou grandes investimentos na mecanização e no desenvolvimento de novas técnicas de produção. Assim, o capitalismo
ganhou um novo rumo, e as cidades, além da atividade comercial, começaram a
abrigar também a produção industrial.
Os métodos artesanais e manuais foram aos poucos substituídos pelo
uso de máquinas. Esse período também é marcado pela queda das monarquias absolutistas e do clero e pela ascensão da burguesia (classe de comerciantes). Uma nova classe social também nasce na Revolução Industrial: o
proletariado.
Os proletários formam o grupo social que não possui capital
acumulado e não dispõe de indústrias ou máquinas (meios de produção); por
tanto, para garantir a sobrevivência, precisam vender sua força de trabalho
em troca de um salário.
Capitalismo monopolista ou financeiro
É a fase atual do capitalismo, iniciada na segunda metade do século XIX,
com o desenvolvimento da Segunda Revolução Industrial. Nela, a economia é
monopolizada (uma ou poucas empresas dominam o mercado de determina
dos produtos) e há a expansão de grandes corporações, como os bancos e as
empresas transnacionais.
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