terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O capitalismo e a interdependência entre os países

O espaço geográfico é resultado da ação humana sobre a natureza ao longo da história. Com o passar do tempo, o ser humano criou objetos, desenvolveu novas técnicas de produção, estabeleceu convenções no espaço físico e diferentes formas de relação com a natureza, explorando uma enorme quantidade de recursos naturais e degradando muitos ecossistemas no planeta. 
Com o surgimento e o desenvolvimento do capitalismo, a partir do século XV, o espaço natural e o espaço humanizado sofreram profundas transformações, que se refletem atualmente, com maior ou menor intensidade, na quase totalidade dos territórios dos países do mundo. Desde então, o espaço mundial vem sendo marcado por uma crescente tendência à interligação, pois o sistema capitalista é caracterizado por um grande aumento de produção de mercadorias e geração de serviços. 
Estes, por sua vez, são provenientes de diferentes países. O espaço mundial engloba o conjunto de Estados-nações e as relações políticas e econômicas que se estabelecem entre eles, que muitas vezes são intermediadas e mesmo influenciadas pelas organizações internacionais, como a ONU (Organização das Nações Unidas), o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a OMC (Organização Mundial do Comércio).

Sistema econômico capitalista


Atualmente, o capitalismo é o sistema ou modo de produção hegemônico na economia global e as sociedades capitalistas são predominantes no mundo. 
Capitalismo é o sistema econômico e social em que os meios de produção (fábricas, terras, máquinas etc.) são, em grande parte ou totalmente, de propriedade privada, ou seja, pertencem a alguém ou a um grupo de pessoas. 
Numa economia capitalista, a produção e a distribuição de riquezas são regidas pelo mercado, pela lei da oferta e da procura. Isso significa que o mercado influencia o que, quando, onde, como e quanto produzir. 
Quando há grande oferta e pouca procura por um produto no mercado, seu preço tende a diminuir; quando a oferta do produto é menor e a procura maior, o preço tende a subir. Por isso dizemos que os preços dos pro dutos que consumimos são definidos pela economia de mercado.
No capitalismo, as mercadorias são produzidas por meio do trabalho assalariado, ou seja, a maior parte das pessoas vende sua força de trabalho às empresas em troca de um salário. 
É importante salientar, entretanto, que o capitalismo não se desenvolve da mesma forma, nem no mesmo ritmo, em todos os lugares. E essas diferenças são visíveis na paisagem.
Essas características evidenciam o principal objetivo do capitalismo: a obtenção de lucro. Todo o processo produtivo está voltado para a aquisição e o acúmulo de capital (que pode estar aplicado de diversas formas, por exemplo, em propriedades). 
Uma vez garantido, o capital será reinvestido na produção da mesma empresa ou em outros setores. Apesar de haver impulsionado a capacidade produtiva das sociedades, o capitalismo promoveu a divisão de classes sociais, consequência das relações de propriedade e de trabalho. Um dos resultados desse fato é a desigualdade social perceptível nas paisagens urbanas. 
O Brasil faz parte do sistema econômico capitalista. Para entender como o capitalismo age na economia brasileira, precisamos voltar um pouco no tempo e compreender como ele surgiu e se desenvolveu no mundo. 

Surgimento e evolução do capitalismo 


O capitalismo consolidou-se na Europa Ocidental com a decadência do feudalismo e a ascensão das monarquias absolutistas. No feudalismo, a terra era propriedade dos senhores feudais. Eles distribuíam pequenas partes da terra a seus servos (camponeses), que, em troca, deveriam trabalhar para eles e lhes dar parte da produção obtida. 

A partir do século XI, muitas alterações ocorreram nas relações de trabalho e produção no espaço europeu e levaram ao surgimento do capitalismo: 
• o renascimento urbano e comercial; 
• a formação de uma nova classe de comerciantes e artesãos nas cidades; 
• as modificações nas relações de trabalho no campo, causadas pelo avanço tecnológico e pela organização da produção; 
• a mudança do sistema de troca de produtos por produtos (escambo) para o sistema de troca de produtos por moedas.

Nesse contexto, a produção para o mercado cresceu gradualmente, incentivada por inovações nas técnicas de produção, que aumentavam a produtividade do trabalho. Assim, o comércio se expandiu em busca de novos compradores. 
À medida que as cidades prosperavam, os comerciantes passaram a liderar o desenvolvimento econômico e a se aliar a monarcas. Lentamente, encerrava-se o sistema feudal e iniciava-se o capitalismo comercial. 
Com o nascimento do capitalismo, os servos passaram a trocar o espaço agrário pelas pequenas cidades (burgos), o que possibilitou o aparecimento do trabalhador livre, configurando-se mais adiante em trabalhador assalariado. 
O crescimento e desenvolvimento de cidades foi uma importante transformação do espaço geográfico nesse período.

Capitalismo comercial


O capitalismo comercial vigorou na Europa entre os séculos XV e XVIII, quando o acúmulo de capitais por meio do comércio originou o capitalismo. 
Nessa época predominava uma política mercantilista de expansão marítima, na qual terras até então desconhecidas pelos europeus foram ocupadas. Essas empreitadas comerciais foram financiadas por comerciantes ricos e viabilizadas pelos investimentos em inovações dos transportes marítimos, com destaque para os conhecimentos desenvolvidos em Portugal, Espanha e Itália. 
Nesse período, chamado de Grandes Navegações, as potências europeias da época (Portugal, Espanha, Holanda e França) chegaram a lugares distantes, estabeleceram colônias e expandiram o comércio de riquezas naturais e de produtos manufaturados. Com o comércio, acumulava-se capital. As transformações no espaço geográfico mundial foram profundas entre o final do feudalismo e o início do capitalismo comercial. 
As Grandes Navegações proporcionaram o contato entre povos de diferentes continentes e a expansão da cultura ocidental. Iniciaram-se o intercâmbio de produtos, os avanços nas técnicas de navegação e a produção de mercadorias. 
Nos territórios ocupados, os países europeus começaram a dizimar os povos nativos, a escravizar e a comercializar as pessoas negras africanas e a explorar os recursos naturais. Além de fornecer recursos, as colônias eram importantes mercados consumidores dos produtos manufaturados europeus. A acumulação de capitais foi essencial para o desenvolvimento da segunda fase do capitalismo, o industrial.


Capitalismo industrial 


Essa fase do capitalismo se desenvolveu entre os séculos XVIII e XIX, quando ocorreram a Primeira e a Segunda Revolução Industrial, nas quais a indústria dominou a atividade econômica. 
O acúmulo de capital, originado na fase do capitalismo comercial, possibilitou grandes investimentos na mecanização e no desenvolvimento de novas técnicas de produção. Assim, o capitalismo ganhou um novo rumo, e as cidades, além da atividade comercial, começaram a abrigar também a produção industrial.
Os métodos artesanais e manuais foram aos poucos substituídos pelo uso de máquinas. Esse período também é marcado pela queda das monarquias absolutistas e do clero e pela ascensão da burguesia (classe de comerciantes). Uma nova classe social também nasce na Revolução Industrial: o proletariado. 
Os proletários formam o grupo social que não possui capital acumulado e não dispõe de indústrias ou máquinas (meios de produção); por tanto, para garantir a sobrevivência, precisam vender sua força de trabalho em troca de um salário.

Capitalismo monopolista ou financeiro 


É a fase atual do capitalismo, iniciada na segunda metade do século XIX, com o desenvolvimento da Segunda Revolução Industrial. Nela, a economia é monopolizada (uma ou poucas empresas dominam o mercado de determina dos produtos) e há a expansão de grandes corporações, como os bancos e as empresas transnacionais. 

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