terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A RIQUEZA CULTURAL NORDESTINA

Na história da ocupação e da formação territorial do Brasil, o Nordeste constitui-se como uma das primeiras regiões a concentrar os núcleos urbanos, as atividades agrícolas e, na vida cotidiana, a mistura de várias culturas e povos, como você já estudou. Esses fatos propiciaram a convivência de diferentes povos e possibilitaram a formação de uma cultura que confere uma identidade regional.
A cultura nordestina é o resultado da convivência de vários povos europeus, africanos e indígenas. Essa miscigenação cultural traz aspectos do catolicismo e das religiões africanas e indígenas e materializa-se em ritmos, danças, músicas e festas. 
A miscigenação de grupos étnicos imprimiu à Região Nordeste grande riqueza cultural. O evento cultural e popular de maior destaque é o Carnaval, que atrai turistas do Brasil e do mundo, especialmente para Salvador, Recife e Olinda. A dança é outra forte expressão popular na região, com inúmeros ritmos. Entre eles, destacam-se o maracatu e o frevo, com origem em Pernambuco; o maculelê e o axé, na Bahia; a dança do cavalo Piancó, no Piauí. As festas também são marcantes, como a Festa de Iemanjá e a Festa do Bonfim, na Bahia, e os festejos de São João, na Paraíba. A literatura de cordel – estilo literário característico do Nordeste –, a culinária e o artesanato também integram essa rica e diversificada cultura.

Festas tradicionais

Festa tradicional desde o século XVIII no Maranhão, o Bumba Meu Boi traz em seu enredo vários elementos da história colonial do Nordeste, como a pecuária, a monocultura, a presença indígena e o trabalho escravizado.

No decorrer do mês de junho, em vários lugares do mundo, acontecem festejos em homenagem a santos católicos, como Santo Antônio e São José. São as chamadas festas juninas. Essas datas foram trazidas para o Brasil pelos colonizadores portugueses e são muito tradicionais no Nordeste. A tradição das fogueiras, porém, é muito mais antiga e se relaciona às comemorações pela chegada do verão no Hemisfério Norte.

A Festa do Bonfim é uma celebração que acontece todos os anos em Salvador, na segunda quinta-feira do mês de janeiro, e é um exemplo do sincretismo religioso, ou seja, da fusão de elementos de diferentes religiões. Na véspera, acon tece a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim por praticantes do candomblé, em ritual que faz parte da celebração do orixá Oxalá. No dia da festa, acontece uma procissão em direção à igreja dos praticantes do candomblé, que vestem roupas brancas, a cor de Oxalá, e dos católicos com imagens de Jesus Cristo.

O frevo é um ritmo e uma dança com origem no estado de Pernambuco no século XIX. Caracterizado por possuir ritmo muito acelerado, foi criado por músicos para gerar maior animação durante os desfiles de Carnaval. Da junção da música e da capoeira, nasceu a dança do frevo, que possui mais de 120 passos específicos. Em 2012, foi tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

O maracatu nasceu no Recife (PE) entre os negros que misturavam o culto católico a Nossa Senhora com a devoção a seus orixás nos xangôs, e ainda conserva elementos iniciais. O maracatu, uma das ricas manifestações da cultura brasileira, é composto de elementos da religiosidade afro-brasileira, expressos na forma de personagens que também representam a resistência dos povos africanos escravizados. Os agrupamentos de maracatu saem às ruas em cortejos com tambores e outros instrumentos percussivos com toques característicos do estilo.



AS MIGRAÇÕES NORDESTINAS

Historicamente, o Nordeste é uma região de intensos fluxos migratórios, com destaque para o período entre 1950 e 1970, quando houve maior saída de nordestinos para outras regiões do país. O Nordeste caracteriza-se como uma região marcada por surtos de emigração.
Na década de 1950, muitos nordestinos migraram para trabalhar na construção de Brasília, e ficaram conhecidos como candangos. Na década seguinte, o destino passou a ser as cidades da Região Sudeste, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro.
As causas da saída da população foram várias, como a seca do Sertão, a concentração de terras e de renda, a falta de emprego e a estagnação econômica da região durante grande parte do século XX. As pessoas migravam para outros lugares com o intuito de conseguir emprego e ter melhores condições de vida.
Aos poucos, o fluxo de saída de pessoas foi diminuindo e, atualmente, o movimento migratório ocorre mais no âmbito intrarregional: elas saem do interior (Sertão) em direção às médias e grandes cidades do Agreste e da Zona da Mata. Geralmente, as capitais são o principal destino desses migrantes. 
Nas últimas décadas, o Nordeste ampliou seu parque industrial e sua produção agrícola, aumentando, assim, a oferta de emprego. Mais recentemente, também a migração de retorno está aumentando – muitos nordestinos que haviam migrado para outras regiões do país têm retornado aos seus lugares de origem.
Atraída por mais postos de trabalho, grande parte dos migrantes regressou a essa região, em especial para as capitais, como Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). A produção de petróleo e o turismo também têm participação significativa na economia nordestina e na atração populacional para a região. 
O crescimento econômico regional tem contribuído para a inversão do fluxo de migração Nordeste-Sudeste. É cada vez mais intensa a chamada migração de retorno – pessoas nascidas em estados do Nordeste que vivem no Sudeste estão retornando à sua região de origem.
Salvador, Recife e Fortaleza são as cidades que mais recebem migrantes e nem sempre estão preparadas para acolher todas as pessoas que chegam. O resultado são espaços urbanos com grande concentração humana, formação de periferias sem infraestrutura e graves problemas habitacionais.

Os movimentos pendulares e sazonais


Na Região Nordeste, é muito comum ocorrer movimentos temporários de pessoas, por um período mais longo ou no decorrer do mesmo dia. Eles se diferenciam dos fluxos migratórios exatamente por não serem permanentes. São chamados de movimento sazonal e movimento pendular de pessoas. 

O movimento sazonal se refere a migrações que acontecem por um período deter minado. Ocorre principalmente nos períodos de seca no Sertão nordestino, que incentivam os fluxos temporários de pessoas que vão para as grandes cidades para trabalhar. Quando as chuvas retornam, essas pessoas voltam para seu local de origem. Também podem ser trabalhadores de indústrias ou empresas de serviços, que trabalham durante um período em uma das filiais, ou profissionais autônomos, que se deslocam para prestar serviços durante um período em outras cidades.

No movimento pendular, os trabalhadores se deslocam, diariamente, de suas residências em direção ao seu lugar de trabalho. Então, não chegam a mudar de casa. Entre os exemplos, estão os boias-frias, tra balhadores rurais que saem das cidades onde residem e se deslocam para as fazendas em que trabalham, regressando às suas casas depois do dia de trabalho; os trabalhadores da indústria e dos serviços que vivem em cidades-dormitório e se deslocam diariamente ao centro das grandes cidades para trabalhar, algo muito comum nas regiões metropolitanas.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Amazônia: desmatamento e biodiversidade

Diante das dificuldades apresentadas pelos núcleos ou projetos de colonização implantados na Amazônia, o governo federal, a partir de 1974, alterou a política de ocupação e desenvolvimento econômico da região. 
Iniciando um novo processo, deu preferência ao grande capital, ou seja, às grandes empresas agropecuárias e de mineração nacio nais e estrangeiras, que se instalaram na região em áreas gigantescas, às vezes maiores que alguns estados brasileiros e que muitos países.
Nesse novo processo, acentuaram-se os conflitos de interesses e de territorialidade, isto é, a disputa por territórios entre os grupos ou protagonistas sociais da Amazônia, desfavorecendo, geralmente, os de menor poder político e econômico, como os povos da floresta (indígenas, ribeirinhos, seringueiros, castanheiros, pequenos agricultores etc.).

Os protagonistas sociais


Com a entrada do grande capital, o garimpeiro foi vencido pela empresa de mineração e o pequeno agricultor foi suplantado pela grande empresa rural ou pelo agronegócio. O trabalhador sem-terra foi submetido, muitas vezes, à condição de servidão, e o posseiro foi expulso de sua pequena roça. Grupos indígenas perderam suas terras ou aguardam até hoje a demarcação e a legalização delas. Madeireiros ilegais entraram em conflito com indígenas, posseiros, pequenos agricultores e povos da floresta. Grileiros ocuparam terras públicas, onde poderiam ser assentadas famílias de sem-terra. Interessados nas terras chegavam a contratar pistoleiros para assassinar quem se opunha a seus interesses.
A atividade de compra e venda de terras tanto enriqueceu pessoas como ocasionou o desmatamento de várias áreas, com a consequente perda de biodiversidade, acompanhada de desequilíbrios ecológicos e destruição de ecossistemas. As intervenções humanas na Amazônia, como em qualquer meio natural, não podem ser realizadas de forma irresponsável e predatória. É preciso planejá-las considerando os possíveis impactos ambientais.
Há também a necessidade de os governos estaduais e federal resolverem a questão da posse da terra entre os vários protagonistas sociais. Especialis tas sugerem como solução para a exploração econômica da região a práti ca do desenvolvimento sustentável. E, para minimizar os conflitos sociais, apontam a urgência da aplicação de uma política fundiária ou de terras que contemple democraticamente todos os envolvidos na questão.

O desmatamento na Amazônia 


Entre as causas históricas do desmatamento na Amazônia, podemos destacar a expansão urbana, a exploração madeireira e a expan são da fronteira agropecuária. Calcula-se que, desde a década de 1960 até 2021, foram desmatados em torno de 830 mil km² da Amazônia, cer ca de 16% de sua cobertura florestal. Isso corres ponde a uma área qua se equivalente à dos estados do Maranhão, do Piauí e do Ceará juntos.

O arco do desmatamento 


A Amazônia atualmente está sujeita a uma série de ameaças ambientais. Essa destruição já chegou a boa parte do interior dos estados de Rondônia, Mato Grosso e Pará.
Na Amazônia Legal, o desmatamento é intenso em vários estados. No entanto, cerca de 75% da degradação ambiental se concentra historicamente em uma vasta área denominada arco do desmatamento. 
O desmatamento na Amazônia aumentou intensamente desde a década de 1970. Também é possível perceber que a maior parte do desmatamento da floresta tem se concentrado ao longo de um “arco” que se estende do Maranhão ao sudeste do Acre. 
O arco do desmatamento avança em direção ao centro da Floresta Amazônica. A exploração dessas áreas ocorre, em geral, da seguinte maneira: 
• primeiramente, ocorre a derrubada das árvores para o comércio de madeira; 
• em seguida, as áreas são ocupadas pela atividade pecuária, que, por sua vez, explora o solo ao transformar os terrenos em pastos para o gado; 
• por fim, muitas áreas desocupadas pela pecuária são utilizadas para o plantio de lavouras monocultoras de soja.
Atualmente, há dois grandes fatores relacionados ao desmatamento da Amazônia: a exploração ilegal da madeira e a expansão da área ocupada por grandes propriedades rurais onde se desenvolvem atividades agrícolas. 
A abertura de estradas tem facilitado o desmatamento: aproximadamente 80% da área total desmatada está localizada até 30 km de uma rodovia. Há grandes áreas desmatadas ao redor das rodovias.
Após a retirada das árvores com valor de mercado, as áreas são queimadas para eliminar a vegetação que sobra e abrir pastos e áreas agrícolas. Entretanto, isso causa empobrecimento do solo pela queima da matéria orgânica, o que reduz a produtividade da terra. 
As queimadas realizadas sem controle e em períodos de estiagem podem se propagar facilmente. Além disso, liberam grande quantidade de gases poluentes na atmosfera. Atualmente, porém, essa prática começa a ser combatida: algumas grandes empresas nacionais e estrangeiras que compram madeiras e produtos feitos a partir delas exigem que sejam provenientes de áreas legalizadas, se recusando a adquirir o que foi produzido em regiões de desmatamento ilegal.
Ainda que recentemente as imagens de satélites tenham significado um importante avanço no monitoramento ambiental da Amazônia, esse recurso ainda é insuficiente e tem uma série de dificuldades, relacionadas especialmente ao controle da retirada da madeira, considerada o início da degradação florestal.
Além das atividades já mencionadas, o desmatamento na Amazônia é agravado por outras que, ainda que em menor proporção, também causam sérios prejuízos à natureza da Região Norte. Destacam-se a caça e a pesca predatórias, o narcotráfico com suas plantações proibidas, o tráfico de plantas e animais silvestres – denominado biopirataria – o garimpo e, principalmente, as grandes obras, como usinas hidrelétricas, hidrovias, gasodutos, grandes minerações industriais e novos eixos rodoviários.

Desmatamento e problemas ambientais 


A ocupação mais efetiva e a exploração realizada pelas atividades econômicas cada vez mais intensas na floresta Amazônica vêm resultando em uma rápida e progressiva devastação dessa formação. 
De maneira geral, a devastação acompanha os projetos de ocupação implantados pelo governo federal na região. No Tocantins e no Maranhão, ela é mais intensa ao longo da rodovia Belém-Brasília; no Pará, nas proximidades da usina hidrelétrica de Tucuruí e do Projeto Grande Carajás e na região da cidade de Paragominas, onde foram implantados vários projetos agropecuários; no norte do Mato Grosso, ocorre principalmente nas áreas ocupadas pela expansão da mo nocultura da soja e da pecuária extensiva; estende-se até Rondônia, ao longo da rodovia Cuiabá-Porto Velho, e alcança os arredores de Rio Branco, capital do Acre.
O desmatamento da Floresta Amazônica é preocupante pelos danos ambientais que provoca, como a extinção de espécies vegetais e animais, a erosão do solo, o assoreamento dos rios e a emissão de gases de efeito estufa. A devastação também afeta a precipitação. 
Calcula-se que a evapotranspiração na Amazônia é responsável por mais de 50% das chuvas que ocorrem nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Com a cessação da evapotranspiração, países mais distantes também seriam afetados, causando prejuízos para a agricultura e para a produção de alimentos.
De acordo com cálculos do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espa ciais (Inpe), cerca de 17% da floresta já foi devastada, o que corresponde a apro ximadamente 729 mil km². 
Além de toda essa devastação, a derrubada da floresta prossegue em ritmo acelerado. A cada ano, ainda de acordo com o PRODES, cerca de 10 mil km² da floresta são perdidos.

Expansão da pecuária 


A abertura de pastagens para a pecuária na Amazônia é responsável por 75% das áreas desmatadas, muitas delas de forma ilegal. Para combater esse problema, são realiza das campanhas e ações a fim de evitar a comercialização de gado oriundo de áreas desmatadas ilegalmente e aumentar a consciência da população sobre esse grave problema.

 A biodiversidade da Amazônia


O Brasil apresenta grande biodiversidade, isto é, variedade biológica em suas fauna e flora, e está entre os chamados “países megadiversos”, pois estima-se que 20% de todos os animais e vegetais vivos do planeta estejam em território brasileiro. 
A Amazônia contribui bastante para essa megadiversidade: tem cerca de 21000 espécies ve getais – 2500 de árvores –, 1400 espécies de peixes, 300 espécies de mamíferos e 1300 espécies de pássaros, além de milhares de insetos e micro-organismos. Várias dessas espécies são endêmicas. 
A biodiversidade da Floresta Amazônica, como também a de outros domínios morfoclimáticos brasileiros, constitui grande riqueza e pode fornecer, entre outros, substâncias usadas como matérias-primas de medicamentos para tratamento de várias enfermidades.
O uso de plantas para a elaboração de medicamentos é uma práti ca antiga. Porém, com o desenvolvimento da ciência, esse fato se acentuou. Os denominados produtos fitoterápicos ganharam muita importância e suas vendas aumentam em todo o mundo. Compreende-se, então, a corrida dos laboratórios farmacêuticos, sobretudo estrangeiros, para pesquisar plantas, animais e micro-organismos na Amazônia. 

A biopirataria 


A biopirataria consiste no roubo de animais, plantas e conhecimentos tradicionais (principalmente das culturas indígenas) para fins de exploração comercial, sem o consentimento ou controle do país de origem e das comunidades locais. 
Para evitar que o Brasil perca os direitos sobre sua biodiversidade ou sobre os resultados das pesquisas realizadas por empresas estrangeiras, bem como para proteger a diversidade de plantas e animais, o governo brasileiro colocou em prática, em junho de 2000, o acordo conhecido como Convenção da Biodiversidade.
Esse documento foi assinado, em 1993, por representantes de 160 países que atestam a necessidade de preservação da biodiversida de, a exploração dos recursos naturais de forma sustentável e a divisão justa dos benefícios obtidos com a pesquisa científica.

O desenvolvimento econômico 


A primeira atividade econômica de grande relevância a se desenvolver na Amazônia foi a produção de borracha, que começou no século XIX. A partir do látex, líquido bran co extraído da seringueira, árvore nativa da Floresta Amazônica, a borracha é produzida. 
Essa atividade alcançou seu auge no fim do Império e início da República, entre 1870 e 1910, quando o Brasil se tornou o maior fornecedor mundial de borracha. Uma das principais áreas produtoras era a fronteira entre o Brasil e a Bolívia (parte do atual estado do Acre). 
Naquela época, cerca de 500 mil seringueiros brasileiros – na maioria provenientes da atual região Nordeste – exploravam o látex das seringueiras da floresta sem que soubessem exatamen te em que país estavam. Na floresta não há marcos que indiquem os limites territoriais, e muitos seringueiros avançaram sobre o antigo território boliviano.
Depois que milhares de seringueiros brasileiros se instalaram na Bolívia – o que levou a vários conflitos –, o governo brasi leiro propôs a compra desse território ocupado. 
Para isso, ofereceu pagamento em dinheiro de 2 milhões de libras esterlinas, cedeu porções de terra de Mato Grosso e comprometeu-se a viabilizar uma ligação entre a Bolívia e o oceano Atlântico, por meio da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, partindo de Rondônia e acompanhando as margens dos rios Ma deira e Mamoré. O acordo foi assinado em 1903, e a área passou a pertencer ao Brasil.
Durante esse período houve grande crescimento da economia da região Norte e as cidades portuárias de Belém e Manaus passaram a ser locais de intensa circulação de pessoas e de consumo de artigos de luxo importados da Europa. 
No início do século XX, porém, o Reino Unido começou a produzir látex em suas colônias do Sudeste Asiático, como a Malásia, utilizando seringueiras culti vadas a partir de sementes contrabandeadas da Amazônia, em fazendas de monocultura, que atingiram alta produtividade e preços mais baixos. Isso provocou a decadência dessa atividade extrativista no Brasil. Como resultado, a região Norte permaneceu, por décadas, relativamente isolada do restante do espaço geográfico brasileiro e mundial.

O desenvolvimento sustentável na Amazônia


Atualmente, muitas pessoas preocupadas com a preservação da Amazônia concordam que a exploração econômica da região é necessária e que existem métodos para que ela ocorra sem afetar o equilíbrio ecológico de seus diver sos ecossistemas.
Em razão da necessidade de gerar emprego e renda para a população local, muitas propostas de desenvolvimento sus tentável – isto é, em que se utilizem os recursos atuais sem comprometer sua disponibilidade para as futuras gerações – já vêm sendo aplicadas com sucesso. 
Embora essas medidas ainda beneficiem uma parcela muito pequena da população, elas têm conseguido elevar o padrão de vida de algumas co munidades sem provocar agressões ambientais ou destruição da cultura local.
A atuação das ONGs contribuiu para aumentar a consciência social ecológica das populações, fazendo com que as questões ambientais passassem a ser discutidas em reuniões internacionais. 
Em 1972, a Organização das Nações Unidas realizou a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, na cidade de Estocolmo, capital da Suécia, em que alertou governos, grupos econômicos e toda a sociedade sobre os graves riscos a que o planeta e as populações estão sujeitos em razão da destruição ambiental e da intensa exploração dos recursos naturais. 
Foi nessa conferência de 1972 que nasceu a ideia do desenvolvimento ecologicamente sustentável, que visa à exploração dos recursos na turais de forma racional, sem desperdício e sem a degradação ambien tal, de modo que as gerações futuras possam também se beneficiar deles. 
Nos últimos anos, têm ocorrido alguns progressos na questão am biental: leis severas foram criadas para proteger o meio ambiente e procuram-se novos caminhos para o desenvolvimento econômico e social. A consciência social ecológica, no entanto, ainda está muito aquém das reais necessidades.
Estudos realizados na Amazônia Legal mostram que vastas áreas da região apresentam solos impróprios para a prática da agricultura, por serem arenosos e rasos. Quanto à floresta, ela “vive por si só”, isto é, ela mesma alimenta o solo por meio da decomposição de troncos, galhos e folhas, que caem e formam uma espessa camada de solo or gânico – o húmus. Por causa disso, se retirada, a vegetação de flo resta teria poucas chances de se recompor, ainda que ficasse intoca da por muitos anos, aumentando a possibilidade de desertificação na região. Assim, existe na Amazônia – como também em outras regiões e em todas as atividades humanas – a necessidade de aplicação do desenvolvimento ecologicamente sustentável. 
Na Amazônia, muitas comunidades e empresas já praticam a exploração de recursos da floresta de acordo com os prin cípios do desenvolvimento ecologicamen te sustentável. É o caso do extrativismo do látex, da castanha-do-pará, do jambo, do açaí, de fibras vegetais para a confecção de diversos artefatos, gomas para a fabricação de chicletes etc., sem causar a degradação ambiental. 
Atualmente, além de coletados, são também cultivados o guaraná, o cupuaçu, o bacuri, a pupunha e o açaí, usados na indústria de refrigerantes e de alimentos ou vendidos in natura.

O Plano de Integração Nacional e a expansão das fronteiras agrícolas 


Alguns anos mais tarde, a partir da década de 1960 (com a construção de Brasília), o governo federal passou a preocupar-se com a integração da região Norte à economia nacional. Essa integração começou a ser vista como um modo de conseguir crescimento econômico e enfrentar qualquer possibilidade de a Amazônia passar a ser controlada por outros países ou organis mos internacionais. 
Para tanto, o governo federal criou um projeto de integração do território das regiões Norte e Centro-Oeste às áreas de economias mais dinâmicas do país. Esse projeto recebeu o nome de Plano de Integração Nacional. 
Fazia parte dele a construção de várias rodovias, entre elas a Transamazônica, que ligaria a região Nordeste até as proximidades de Rondônia, e a Cuiabá-Santarém, ligando a capital de Mato Grosso à Transamazônica. 
Com o objetivo de incentivar a ocupação do território, o governo também se propôs a doar terras na Amazônia para grandes empresas que se dispusessem a instalar fazendas e para pes soas que se mudassem para lá, estimulando a produção agropecuária. 
Várias cidades da região surgiram a partir dos projetos de colonização do governo federal. Foram oferecidos, ainda, incen tivos fiscais, como isenções de impostos, e fi nanceiros, como empréstimos bancários com taxas de juros baixas.
Milhares de famílias oriundas de diversos lugares do Brasil, especialmente das regiões Nordeste e Sul, deslocaram-se ao longo de toda a década de 1970 para a beira da rodovia Transamazônica, onde o governo estava distribuindo terras. No entanto, mesmo conseguindo produzir algum excedente para comer cializar, essas famílias tinham grande dificuldade em escoar e vender sua produ ção devido à falta de infraestrutura básica. Em curto prazo, a falta de tecnologia para produzir transformou a produção em agricultura de subsistência. Muitos colonos, como eram chamados esses migrantes, abandonaram a região. 
Embora os pequenos agricultores não fossem beneficiados por investimen tos em infraestrutura, as indústrias, os bancos e outros tipos de empresa – em geral sediadas na região Sudeste – receberam títulos de propriedade de terra para implantar suas fazendas no Norte. Com a abertura das rodovias e a construção de hidrovias em alguns rios da região, a Amazônia começou a atrair principalmente grandes produtores de carne bovina e soja.
A ocupação de novas fronteiras agrícolas, ou seja, de novas áreas do território brasileiro para a implantação de propriedades rurais, fez com que alguns estados das regiões Norte (Tocantins e Pará) e Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás) se transformassem em grandes exportadores de carne bovina, soja e outros produtos. 
Porém, gerou grandes impactos ambientais por causa do desmatamento. Na década de 1970, desmatar a floresta para criar gado era uma ação incentivada pelo governo federal.


As reservas extrativistas


Desde a década de 1970, seringueiros e castanheiros se opõem à for ma como a Amazônia vem sendo ocupada. Com o avanço da colonização na região, eles têm sido expulsos das áreas onde praticavam o extrativismo vegetal. Diante disso, decidiram se organizar e pressionar o governo federal para a criação de reservas extrativistas. Estas devem ser entendidas como Unidades de Conservação (UCs), legalmente instituídas pelo poder público para serem utilizadas por populações extrativistas tradicionais. 
Nas reservas extrativistas, além de os recursos da floresta serem explorados de forma sustentável, praticam-se a agricultura de subsistência e a criação de animais de pequeno porte, assegurando os meios de vida das populações tradicionais. São ainda garantia de proteção con tra a invasão dessas terras e contra o desmatamento e a destruição de ecossistemas. 
Na criação das reservas extrativistas, destacou-se a atuação do seringueiro e líder sindical Chico Mendes, que lutou por essa causa e foi assassinado em 1988 por aqueles que se opunham à criação das reservas, pois elas contrariavam seus interesses. 
A primeira reserva extrativista foi criada pelo poder público em 7 de março de 1990, após a morte de Chico Mendes. Essa reserva localiza-se no município de Xapuri, no estado do Acre, onde o líder sindical vivia. Posteriormente, foram criadas outras reservas extrativistas na Região Norte e em outras regiões do Brasil.


Os povos indígenas 


A maioria das comunidades vive em Terras Indígenas, declaradas pelo governo federal para seu usufruto exclusivo. Algumas delas vivem hoje sob a jurisdição político-administrativa de mais de um país, porque as fronteiras entre os Estados nacionais na América do Sul se sobrepuseram às áreas ocupadas pelos povos indígenas. 
São mais de 240 povos vivendo na Amazônia, que apresentam muitas diferenças entre si, como a língua, a forma de organização social e política, os rituais, os mitos, as formas de expressão artística, as habitações e as maneiras de se relacionar com o ambiente em que vivem. 
As concepções indígenas de “natureza”, por exemplo, variam bastante, pois cada povo tem um modo particular de conceber o meio ambiente e de compreender as relações que estabelece com ele. Mas é comum a ideia de que o “mundo natural” é, antes de tudo, uma ampla rede de inter-relações entre agentes, sejam eles humanos ou não. Isso significa que, para os povos indígenas, os seres humanos estão sempre interagindo com a “natureza” e que esta jamais é intocada. 
Os indígenas têm consciência da sua dependência em relação ao meio ambien te e, em função disso, desenvolveram formas de manejo dos recursos naturais que têm se mostrado fundamentais para a conservação da cobertura florestal no Brasil. 
Entre os povos conhecidos que vivem na Amazônia, os mais numerosos são os Ticuna, os Makuxi e os Yanomami. Existem, ainda, na Amazônia brasileira, mais de 50 evidências de indígenas isolados, mas pouco se sabe a respeito deles.

Como funciona o manejo florestal


O manejo florestal é um conjunto de medidas utilizadas para que a exploração econômica das florestas seja feita de for ma sustentável, tanto para os produtos madeireiros (toras ou pranchas) como para os produtos não madeireiros (óleos, se mentes, castanhas, etc). 
A extração de madeira, por exemplo, deve ser realizada respeitando o desenvolvimento das árvores menores, que as sim poderão ser aproveitadas futuramente, assegurando uma exploração contínua e a permanência da biodiversidade. 
Delimita-se uma área de onde se retira anualmente uma quantidade de árvores, de forma seletiva e em quantidade que possibilite sua reposição natural. Além disso, a propriedade de uma área florestal e toda a atividade precisa ser legalizada, o que significa pagar os tributos e respeitar os direitos trabalhistas.
O manejo é obrigatório por lei e, desde 1993, as empresas que o praticam recebem um certificado chamado selo verde (FSC), emitido pelo FSC Brasil (Conselho Brasileiro de Manejo Florestal). 
Esse certificado prova a origem sustentável da madeira e é cada vez mais exigido pelos países importadores e pelas empresas que a utilizam como matéria-prima para a produção de móveis e outros artigos. 
Fatores como solo raso e pouco fértil, com deficiência de nutrientes, e a ocorrência de muitas chuvas na região limitam o desenvolvimento da agropecuária em grande parte da Amazônia. 
Com toda essa situação, ainda é possível promover o desenvolvimento de atividades que garantam a geração de trabalho e a renda para os milhões de habitantes que vivem na região sem impactar a floresta.
Práticas sustentáveis de exploração garantem o desenvolvimento de atividades econômicas e conservam a biodiversidade da floresta. Dos recursos florestais é possível obter produtos como óleos, resinas, fibras, castanhas, frutos, raízes, entre outros.
No caso da exploração madeireira, o ideal é que seja feita com base em um rigoroso plano de manejo, técnica que consiste em derrubar apenas as árvores adultas, após atingirem determinado tamanho (que pode variar de acordo com a espécie), e que realmente podem ser aproveitadas para fins comerciais. Agindo dessa forma, evita-se a derrubada das árvores mais jovens, que poderiam ser exploradas futuramente.


Economia da Região Norte

Uma atividade de grande importância econômica para a Região Norte é o extrativismo. O extrativismo vegetal e o mineral são atividades desenvolvidas na região que são muito significativas tanto em nível nacional como internacional. 
Faz parte desse ramo, por exemplo, a extração de madeira, comercializada no Brasil e no exterior para a fabricação de móveis ou para ser utilizada em construções.
Mas no Norte do país também estão presentes atividades agropecuárias, fábricas de veículos e de equipamentos eletrônicos, exploração de madeira e de recursos minerais, que são realizadas muitas vezes sem os devidos cuidado
A exploração dos recursos regionais de maneira sustentável, no entanto, é um desafio. Isso porque grande parte das atividades econômicas desenvolvidas na região envolve a exploração da Floresta Amazônica que, muitas vezes, ocorre com base na destruição de extensas áreas de vegetação nativa.

O extrativismo da Região Norte


Em razão da grande variedade de recursos naturais existentes no Norte, há muito tempo a atividade extrativa vegetal e mineral é realizada nessa região. A atividade extrativista mineral é fundamental para a produção industrial na atualidade, porém, dependendo da forma como é realizada, pode gerar muitos impactos ambientais. Na Região Norte isso não é diferente.

Extrativismo vegetal


Até o século XIX, o extrativismo vegetal desenvolvido na Região Norte esteve relacionado, basicamente, à exploração das chamadas drogas do sertão, ou seja, produtos como o cacau, o urucum e o gengibre, muito apreciados, naquele período, pelo mercado consumidor europeu. Atualmente, o extrativismo vegetal nessa região envolve a exploração de vários produtos, como madeira bruta, látex, castanha-do-pará, açaí e buriti.
Considerado um dos produtos mais nutritivos da Floresta Amazônica, o açaí representa a base alimentar de milhares de pessoas na região. O Pará e o Amazonas são os dois estados brasileiros que se destacam na extração do açaí.
Na floresta Amazônica, a exploração de mogno e cedro, por exemplo, é regulada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), porém essa atividade acaba se tornando alvo de desmatamento ilegal pelo seu grande valor comercial. As áreas de maior exploração de madeira localizam-se próximas às rodovias, devido à facilidade de transporte.
Desde o final do século XIX até os dias de hoje, as seringueiras são muito exploradas para a extração do látex, material à destinado fabricação de borracha. 

As reservas extrativistas 


As reservas extrativistas, também conhecidas por Resex, são áreas de domínio público destinadas ao extrativismo sustentá vel de recursos naturais renováveis. Nelas os recursos são explorados de forma organizada e planejada, a fim de não comprometer o meio ambiente para as gerações futuras.
De maneira geral, as reservas extrativistas são utilizadas pelas populações tradicionais, cuja subsistência estrutura-se, principalmente, na prática do extrativismo. O objetivo dessas reservas é preservar tanto o meio ambiente quanto o modo de vida tradicional da população local. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), atualmente a Região Norte abriga aproximadamente 43 reservas extrativistas. 

Extrativismo mineral 


O extrativismo mineral é uma das atividades mais lucrativas da Região Norte. No subsolo da Região Norte, há importantes jazidas minerais. Entre as áreas de maior exploração destacam-se a serra dos Carajás e o vale do rio Tapajós, am bas localizadas no estado do Pará. Os estados do Amazonas, de Rondônia, de Roraima e do Amapá também apresentam significativas reservas minerais. 
A exploração mais intensa dos minerais nessa região ocorreu a partir da dé cada de 1960, quando tiveram início os projetos governamentais de ocupação dessa porção do território brasileiro. Entre os projetos promovidos pelo governo estava a criação de áreas de mineração. 
A atividade extrativa mineral atraiu brasileiros de várias regiões do país e também muitas empresas japonesas, alemãs e estadunidenses, todas interessadas na exploração dos recursos naturais.
Os principais minerais extraídos são ferro, bauxita, manganês, cassiterita, níquel, cobre e ouro. Esse tipo de extração ocorre principalmente na serra do Carajás, no Pará, responsável por grande parte da produção mineral do país. 
A serra dos Carajás, localizada no sudoeste do estado do Pará, abriga grandes jazidas de manganês, metal utilizado na fabricação de aço. Seu escoamento ocorre por meio da Estrada de Ferro do Carajás, que chega até o Porto do Itaqui, na cidade de São Luís, capital do Maranhão.

O garimpo 


O garimpo consiste em uma prática artesanal, baseada em técnicas rudimen tares de extração de minérios como ouro, diamante, esmeralda e cassiterita. A garimpagem gera uma série de problemas ambientais. Entre eles, podemos citar: 
• o desmatamento do terreno para a instalação do garimpo e remoção do solo. Além da retirada da vegetação, muitos materiais extraídos dessas áreas são despejados nos rios, causando seu assoreamento e colocando em risco o equilíbrio da vida existente em seu interior; 
• a poluição do solo e da água dos rios pelo óleo diesel utilizado como combustível nos maquinários do garimpo; 
• a contaminação da água dos rios e dos peixes pelo mercúrio usado na garim pagem do ouro. Nesses garimpos, o mercúrio é usado para auxiliar a separação entre a argila e o metal precioso.

Agropecuária da Região Norte 


A agropecuária da Região Norte é marcada, principalmente, pela expansão da fronteira agrícola. A agricultura, de caráter tradicional, desenvolve principalmente lavouras de gêneros alimentícios, como arroz, feijão e mandioca. Esses produtos são comercializados e, geralmente, atendem ao consumo interno da população.
A agropecuária vem aumentando significativamente sua participação na economia da região, em razão, principalmente, da expansão de lavouras monocultoras de soja e da pecuária extensiva. 
Os produtos de maior importân cia comercial da região são a juta e a malva, cujas fibras destinam-se à indústria têxtil, e a pimenta-do-reino, trazida para a região por imigrantes japoneses. 
Nas últimas décadas, as lavouras monocultoras de soja vêm ganhando destaque na Região Norte. Os estados que mais se destacam na produção deste grão são Rondônia e Tocantins. 
Grande parte dos agricultores que atualmente cultivam soja na Região Norte são migrantes vindos do Sul e do Sudeste do país. Segundo o IBGE, em 2010, cerca de 40% da população de Rondônia são migrantes de outros estados brasileiros.
A pecuária bovina desenvolvida na Região Norte ganhou força a partir da década de 1970, quando os projetos agropecuários promovidos pelo governo incentivaram a expansão dessa atividade na região. Pesquisas indicam que nos últimos quinze anos a pecuária bovina apresentou um significativo crescimento.
De modo geral, a pecuária também é praticada em grandes propriedades, de forma extensiva. Seus principais rebanhos são de gado bovino de corte, ou seja, criados para comercialização de carne. As criações de suínos e aves têm pequena participação na pecuária regional e destinam-se, principalmente, ao consumo interno da população. 
Essa atividade vem sendo responsabilizada pelas maiores áreas de desmatamento da região. Isso porque a expansão da pecuária de forma extensiva exige a ampliação de pastagens para alimentar o gado, as quais são obtidas à custa de áreas de floresta derrubada. 
Além dos bovinos, o rebanho de búfalos é bem expressivo na Região Norte, sendo atualmente o maior rebanho do país. Inseridos na região no início do século XIX, es ses animais ocupam principalmente as porções de terras alagáveis da ilha de Marajó.

A questão fundiária na Região Norte 


Até a década de 1960, grande parte das terras da Região Norte pertencia à União, ou seja, ao governo brasileiro. Muitas dessas terras eram ocupadas por populações que obtinham seu sustento da floresta, dos rios e de pequenas lavouras. Essa população era formada, em sua maioria, por povos indígenas e ribeirinhos, que ainda hoje habitam essa região. 
A concessão de terras da Região Norte a partir da década de 1960 pelo governo brasileiro, como parte dos projetos de povoamento, deu início a uma série de conflitos, pois não considerou a presença dos povos indígenas em seus respectivos territórios. Além disso, com a falta de demarcação, era comum a venda de um mesmo terreno para vários compradores. 
Quando todos os envolvidos reivindicaram apos se das terras que já estavam ocupadas havia séculos, iniciaram-se vários conflitos, que até hoje ocorrem, cada vez mais violentos e registrando muitas mortes. Há décadas, alguns grupos religiosos e organizações não governamentais (ONGs) atuam na região com o intuito de amenizar os conflitos relacionados à posse de terras.
Exploração econômica e conflitos pela terra Na Amazônia, assim como em outras regiões do país, as terras das populações indígenas sofrem grandes ameaças. Veja, a seguir, alguns exemplos de como isso tem ocorrido. 
• muitas das estradas que começaram a ser implantadas na região Amazônica a partir da década de 1970 foram traçadas em terras indígenas, levando doenças. O povo indígena Waimiri Atroari, no estado de Roraima, por exemplo, sofreu uma forte redução populacional após a construção da estrada que liga Manaus a Boa Vista;
• epidemias que vitimaram muitos desses povos;
• muitas terras indígenas, sobre tudo as que ainda não foram demarcadas pelo governo, con tinuam sendo invadidas pela ati vidade ilegal de madeireiros; 
• atraídos pela existência de ouro e outros metais preciosos, muitos garimpos clandestinos se formaram em terras indígenas, gerando violentos conflitos entre garimpeiros e indígenas;
• nas áreas de fronteira agr cola da Amazônia, extensas áreas de pastagens e lavouras monocultoras, sobretudo de soja e milho, têm avançado sobre terras indígenas.
Outras comunidades tradicionais que vivem na Amazônia, como populações ribeirinhas e comunidades extrativistas, como a dos seringueiros, por exemplo, também sofrem constantes ameaças. A construção de grandes hidrelétricas, por exemplo, inunda extensas áreas de florestas, desalojando populações ribeirinhas e comunidades de pescadores que vivem nas margens dos rios.

A atividade industrial da Região Norte


A atividade industrial da Região Norte, sobretudo de indústrias de transformação, como as de eletrodomésticos e equipamentos de comunicação, concentra-se no estado do Pará e, principalmente, no estado do Amazonas, em razão do grande polo industrial ali existente, denominado Zona Franca de Manaus (ZFM). Juntos, esses dois estados concentram aproximadamente 58% das atividades industriais da região.
A criação dessa área industrial foi incentivada por políticas do governo federal a partir do final da década de 1960 com a intenção de incentivar o desenvolvimento econômico e o maior povoamento dessa região.

Zona Franca de Manaus 


Em 1967, o governo criou a Zona Franca de Manaus, uma área de 10 mil km² delimitada para a instalação de indústrias, centros de comércio e projetos agropecuários. 
Esse projeto consistia em instalar no município de Manaus uma área voltada para a atividade industrial que promovesse o desenvolvimento econômico e social da região.  
O setor que mais cresceu foi o industrial, para o qual eram concedidos isenção de impostos de importação, redução de alíquotas de outros impostos e incentivos financeiros, como empréstimos com taxas de juros abaixo das praticadas pelo mercado. A palavra “franca” indica justamente a isenção de impostos.
Essas medidas atraíram muitas indústrias de outras regiões brasileiras e de outros países, gerando grande crescimento econômico, populacional e urbano na região de Manaus, onde destacam-se indústrias químicas, de produtos eletroeletrônicos, de motocicletas e de bicicletas, entre outras.
No início, o princípio básico da atividade industrial da Zona Franca foi a fabricação de produtos por meio da montagem, utilizando peças importadas. No entanto, atualmente algumas empresas da ZFM já fabricam parte das peças necessárias para a produção. Essas empresas montam os próprios produtos e depois os comercializam, tanto no mercado interno quanto no externo.
Um fator que contribuiu para a atração de indústrias à ZFM foram os incentivos fiscais fornecidos pelo governo federal. Esses incentivos consistiam basicamente na isenção de taxas alfandegárias às peças importadas que fossem necessárias à montagem dos produtos. 
Inicialmente esses incentivos fiscais durariam um período de trinta anos, porém uma emenda constitucional, em 2014, prorrogou o período de vigência dos incentivos até 2073. 
Após a instalação da ZFM na Região Norte, o município de Manaus apresentou um crescimento considerável em seu PIB, tendo hoje o sexto maior PIB nacional. 

As atividades econômicas e as ameaças ambientais na Floresta Amazônica 


A Amazônia está muito distante de sobreviver livre de ameaças que comprome tam seu futuro, assim como o dos povos que nela habitam. Considerada o maior reservatório de biodiversidade do mundo, suas riquezas naturais – existentes na mata e em seu subsolo – têm despertado muito interesse, não somente no Brasil, mas no mundo todo. 
Foi somente a partir do século XX, com os avanços das atividades econômicas na Região Norte, que a exploração das riquezas naturais passou a ameaçar o futuro da floresta em médio e em longo prazo.
A ocupação mais efetiva e a exploração realizada pelas atividades econômicas cada vez mais intensas na floresta Amazônica vêm resultando em uma rápida e progressiva devastação dessa formação. Entre as atividades econômicas predatórias e incompatíveis com sua preservação, destacam-se: 
• a agropecuária, que ocasiona a queimada de extensas áreas de floresta para a formação de lavouras ou de pastagens para a criação de gado bovino; 
• a ação predatória de muitas madeireiras, nacionais e estrangeiras, que praticam a exploração descontrolada da floresta, derrubando espécies já ameaçadas de extinção ou extraindo árvores sem valor comercial, as quais acabam sendo abandonadas no meio da floresta; 
• a atividade mineradora e a construção de grandes usinas hidrelétricas, que inundam vastas áreas da floresta para a formação de reservatórios.
De acordo com cálculos do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espa ciais (Inpe), cerca de 17% da floresta já foi devastada, o que corresponde a apro ximadamente 729 mil km². 
Além de toda essa devastação, a derrubada da floresta prossegue em ritmo acelerado. A cada ano, ainda de acordo com o PRODES, cerca de 10 mil km² da floresta são perdidos.

O arco do desmatamento 


A Amazônia atualmente está sujeita a uma série de ameaças ambientais. Essa destruição já chegou a boa parte do interior dos estados de Rondônia, Mato Grosso e Pará. Trata-se do chamado arco do desmatamento.
O arco do desmatamento avança em direção ao centro da Floresta Amazônica. A exploração dessas áreas ocorre, em geral, da seguinte maneira: 
• primeiramente, ocorre a derrubada das árvores para o comércio de madeira; 
• em seguida, as áreas são ocupadas pela atividade pecuária, que, por sua vez, explora o solo ao transformar os terrenos em pastos para o gado; 
• por fim, muitas áreas desocupadas pela pecuária são utilizadas para o plantio de lavouras monocultoras de soja.
Ainda que recentemente as imagens de satélites tenham significado um importante avanço no monitoramento ambiental da Amazônia, esse recurso ainda é insuficiente e tem uma série de dificuldades, relacionadas especialmente ao controle da retirada da madeira, considerada o início da degradação florestal. 
Além das atividades já mencionadas, o desmatamento na Amazônia é agravado por outras que, ainda que em menor proporção, também causam sérios prejuízos à natureza da Região Norte. Destacam-se a caça e a pesca predatórias, o narcotráfico com suas plantações proibidas, o tráfico de plantas e animais silvestres – denominado biopirataria – o garimpo e, principalmente, as grandes obras, como usinas hidrelétricas, hidrovias, gasodutos, grandes minerações industriais e novos eixos rodoviários.



terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Região Norte: ocupação e população

Originalmente, a Região Norte era ocupada por diversos povos indígenas, muito antes da chegada dos colonizadores, assim como outras regiões do país. Porém, diferentemente dessas regiões, no Norte até hoje eles constituem parte importante da população, somando cerca de 51% dos povos indígenas vivendo em terras indígenas no Brasil.
A ocupação inicial da Amazônia pelos portugueses limitou-se à construção de fortes militares e às missões religiosas, pois a região não despertava tanto interesse para os colonizadores como o lucrativo Nordeste açucareiro e as Minas Gerais, com sua produção aurífera. 
Essa ocupação ocorreu em meio a vários conflitos com indígenas. Desde o século XVII até quase o final do século XIX, São Luís (MA) e Belém (PA) constituíram os dois principais espaços geográficos construídos na Amazônia. 
Em São Luís e nos arredores, desenvolveram-se culturas de algodão, cana-de-açúcar, arroz e tabaco. Belém, situada na entrada do Golfão Amazônico, transformou-se no principal núcleo urbano regional no século XVII. 
Desse local eram exportadas as chama das drogas do sertão extraídas da floresta, como baunilha, guaraná, urucum, entre outras ervas, frutos e sementes.
A linha ou meridiano do Tratado de Tordesilhas determinava que a porção situada a leste dessa demarcação pertencia a Portugal, e a porção a oeste, à Espanha. De 1580 a 1640, Portugal permaneceu sob o domí nio da Espanha. 
Na América, os colonizadores portugueses aproveitaram esse período para invadir e conquistar os espaços de domínio espanhol e incorporar ao reino de Portugal as terras a oeste do meridiano de Torde silhas, ampliando consideravelmente o território do que viria a ser o Brasil. 
Após o fim do domínio espanhol, acordos firmados entre Portugal e Espanha oficializaram a posse dessas terras por parte de Portugal.
A Região Norte começou a ser povoada de maneira mais efetiva por outros povos não indígenas a partir da década de 1960, quando o governo federal passou a incentivar sua ocupa ção para assegurar o domínio sobre essa região, até então pouco habitada.
Para incentivar essa ocupação, o go verno implantou, na segunda metade do século XX, uma série de grandes projetos voltados para o desenvolvi mento econômico dessa região. Entre esses projetos, destacam-se:
• a abertura de grandes eixos viários, como as rodovias Belém-Brasília, Cuiabá-Santarém e Cuiabá-Porto Velho, formando extensas vias de penetração pelo interior da floresta Amazônica; 
• a implantação de grandes projetos de exploração mineral, como o Grande Carajás e o Trombetas, no Pará; o da serra do Navio, no Amapá; e o de exploração de cassiterita, em Rondônia;
• a implantação de projetos de colonização agrária, com o assentamento de milhares de camponeses, sobretudo ao longo das rodovias recém-construídas; 
• a construção de grandes usinas hidrelétricas, como a de Tucuruí, no rio Tocantins, uma das maiores do país;
• a criação da Zona Franca de Manaus, com o objetivo de impulsionar o desen volvimento da atividade industrial na região.
Esses projetos fomentaram o povoamento da região, mas ocasionaram um intenso pro cesso de devastação da floresta Amazônica.. Atualmente, a Região Norte apresenta vasta fronteira econômica no país. 
É para essa região que se deslocam as frentes mais recentes de ocupação e povoamento do território e também para onde avançam atividades econômicas vindas de outras partes do país.

Crescimento da população

Desde a década de 1960, quando o governo passou a incentivar a ocupação da Amazônia, a população dos estados dessa região aumentou de maneira significativa. Embora o crescimento populacional da região tenha sido significativo ao longo das últimas décadas, a Amazônia ainda é uma região pouco povoada. 
Em parte, isso ocorre devido à grande extensão de seu território e pela presença da densa floresta. A densidade demográfica média da Região Norte está em torno de 4,9 hab./km², bem menor que a do país, de 25 hab./km².
Além disso, essa população está dis tribuída de maneira desigual pela região. As concentrações populacionais mais elevadas encontram-se nos maiores centros urbanos, sobretudo nas capitais estaduais, como Belém, Manaus e Porto Velho, e em outras importantes cidades ao longo das rodovias, tais como Ji-Paraná, em Rondônia, e Marabá, no Pará. 
O povoamento também é maior nas proximidades do rio Amazonas, pois ele é a principal via de ocupação do interior da região.


O extrativismo do látex 

A ocupação e o povoamento dessa região por outros povos intensificaram-se, a partir do final do século XIX, quando muitos migrantes, principalmente nordestinos, chegaram à região para trabalhar na exploração de látex nos seringais.
Por volta de 1870, a região amazônica passou a receber grande número de migrantes, principalmente provenientes da Região Nordeste, por causa da seca prolongada no Sertão nordestino e do desenvolvimento de atividades extrativas no norte do país, como a extração de castanha-do-pará, de madeira e de látex para a fabricação da borracha.
Para se ter uma ideia, entre 1870 e 1900, cerca de 300 mil nordestinos migraram para a Região Norte.
Nesse período, a borracha já era conhecida no mercado mundial; no entanto, foi somente a partir de 1888, após a invenção do pneu e o aumento da produção automobilística, que a borracha se transformou em um produto de grande valor e de grande procura pelas indústrias. 
Em 1910, metade da borracha consumida no mundo saía da Amazônia. A procura por seringueiras nativas levou muitas pessoas, desde o final do século XIX, a se embrenhar na mata e alcançar a região que constitui hoje o estado do Acre – na época, território pertencente à Bolívia. 
O extrativismo do látex e da castanha-do-pará (fim do século XIX e início do século XX) foi o motor do processo de produção e organização do espaço regional, estimulando:
• a atração de migrantes brasileiros de outras regiões e de imigran tes estrangeiros (espanhóis, portugueses, franceses etc.); 
• a construção dos portos de Belém e de Manaus; • a incorporação do Acre ao território brasileiro e a fundação das cidades de Xapuri e Brasileia, nesse estado, pelos seringueiros; 
• a expansão da rede urbana e a modernização dos espaços urbanos, principalmente de Manaus e de Belém; 
• a instalação de pequenas indústrias de bens de consumo, sobretudo em Belém e Manaus; 
• a atração de capitais estrangeiros, por meio da instalação de bancos, empresas de co mércio e companhias de na vegação inglesas, francesas e estadunidenses.
Além desses impulsos à produção de espaços geográficos, foram implantadas colônias agrícolas na chamada Zona Bragantina, no nordeste do Pará, ocupadas por migrantes nordestinos e estrangeiros que aí desenvolveram a agricultura. Essas colônias foram criadas por iniciativas públicas ou privadas, e os loteamentos foram vendidos a longo prazo ou doados aos interessados em se estabelecer nessa área e desenvolver atividades agrícolas e de criação de animais.

O declínio da produção de borracha

O Brasil foi o maior produtor mundial de borracha entre 1880 e 1912 (a produção da América Central e da África equatorial nesse perío- do era pequena). Nessa época, a produção do país chegou a represen tar cerca de 60% do total mundial, e a exportação chegou a se igualar, em valor, à do café. 
Enquanto a Amazônia dependia da coleta do látex silvestre, sem a preocupação de plantar seringueiras e racionalizar o cultivo, os ingle ses, percebendo a importância econômica do produto, transportaram sementes de seringueiras da Amazônia para serem plantadas em suas colônias asiáticas de clima quente e úmido, semelhante ao clima amazônico. O produto foi cultivado primeiro no Ceilão (atual Sri Lanka) e depois em Cingapura e na Índia, espalhando-se para Indonésia, Tailândia, Malásia, entre outros países. 
Em decorrência disso, na década de 1910, o Brasil perdeu a liderança da produção de borracha natural, cuja procura apresentava aumento crescente em virtude do desenvol vimento da indústria automobilística. 
Com a perda de mercado, a Região Norte deixou de receber investimentos e fluxos migratórios e de ser um espaço de atração populacional, desacelerando o processo de construção espacial, retomado apenas a partir da década de 1930 e, principalmente, da década de 1960, por meio de políticas de incentivo do governo federal.

A ocupação da Região Norte promovida pelos grandes projetos

Após o período áureo da extração do látex e da comercialização da borracha natural (1900-1912), intensificou-se, a partir de 1930, a cultura da pimenta-do-reino, da juta e da malva em algumas localidades da região, contribuindo para o desenvolvimento da economia e para a construção de espaços geográficos. 
A exploração de alguns minérios também promoveu o povoamento da região, como a descoberta do manganês, nos anos 1940, e sua exploração a partir de 1953, e a intensificação da exploração da cassiterita a partir de 1958.
A ocupação mais intensa da Região Norte teve início, principalmente, a partir da década de 1960, quando houve na região a expansão tanto de atividades agropecuárias e extrativistas quanto de atividades industriais. 
Nessa ocasião, a Região Norte passou a constituir a maior área de fronteira econômica do país. A demanda por novas áreas de expansão econômica, associada à necessidade de integrar a Região Norte ao restante do país, levou o governo federal a criar uma série de projetos e investimentos que incentivassem a ocupação e ao mesmo tempo viabilizassem o desenvolvimento econômico da região.

Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) 

Em 1950, a Amazônia possuía apenas cerca de 1,8 milhão de habitantes e apresentava pouca integração econômica, social e cultural com as demais regiões do Brasil. Com o objetivo de planejar e promover o desenvolvimento dessa região, em 1953, o governo federal criou a Supe rintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). 
A construção de estradas é uma providência importante para a integração e o desenvolvimento regional. Elas facilitam o povoamento e a implantação de fazendas de agricultura e de gado, vilas e cidades ao longo das rodovias, além do desenvolvimento do comércio e da exploração de recursos naturais. 
Mas, em 1954, com a crise política nacional decorrente do suicídio do presidente Getúlio Vargas, houve atraso na implementação das iniciativas da SPVEA, como a implantação de rodovias. 
Foi retomada no governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), quando foram construídas as rodovias Belém-Brasília (BR-153) e a Cuiabá-Santarém (BR-163), o que levou a um maior povoamento e ao início da integração entre o espa ço amazônico e o das demais regiões do Brasil. 

Os governos militares e os novos rumos da colonização da Amazônia (1964-1985) 

Em vista da propalada cobiça internacional sobre a Amazô nia, os governos militares que se sucederam na presidência da república, a partir de 1964, entendiam que havia a necessida de de realizar maior ocupação humana na região, dinamizar a economia e integrar o espaço amazônico por questão de segurança nacional. Com esse objetivo, o governo militar criou várias iniciativas.

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam)

A Sudam, subordinada ao governo federal, foi criada em 1966, substituindo a SPVEA objetivando promover o desenvolvimento empresarial da região por meio de incentivos fiscais e empréstimos a juros baixíssimos às empresas interessadas em se instalarem ali.
Além do chamado Plano de Integração Nacional, um programa de construção de rodovias para integrar a região, a exemplo da Rodovia Transamazônica, a Sudam lançou também um programa para atrair à região grandes empresas nacionais e estrangeiras. 
Para que se instalassem na Amazônia, a Sudam fornecia empréstimos em dinheiro a longo prazo e a juros baixos, incentivos fiscais e, ainda, comprometia-se a construir hidrelétricas para fornecimento de energia, estradas, portos e aeroportos, linhas de telefonia etc.
Algumas empresas se instalaram na região. Mas muitas terras foram compradas visando à especulação posterior, ou seja, obter lucro com sua venda futura. Houve, ainda, pessoas que receberam empréstimos e os aplicaram em suas empresas localizadas em outras regiões do Brasil, que criaram empresas de fachada ou que praticaram desvios de recursos públicos da Sudam, causando prejuízos não só para a Amazônia, mas também para toda a sociedade brasileira. Esses recursos que foram mal aplicados e desviados, como também muitos incentivos fiscais concedidos, não beneficiaram na totalidade nem a Amazônia nem o Brasil. Grande parte desse dinheiro poderia ter sido concedida aos pequenos e médios produtores regionais ou aplicada na implantação de hospitais, escolas, saneamento básico etc. 
Além de tudo isso, por falta de atuação eficaz de órgãos públicos de fis calização, a implantação de empresas e a migração de pessoas e famílias para a região (fazendeiros, madeireiros, garimpeiros, posseiros etc.) inten sificaram os desmatamentos e os conflitos pela posse da terra, fato que ainda ocorre nos dias de hoje.
Os incentivos para o povoamento da Região Norte trouxeram expressivo aumento da população. No ano de 1950, a população era aproximadamente 2 milhões de habitantes; já em 1980, atingia cerca de 6,8 milhões de pessoas. Houve, assim, grande crescimento populacional, graças, sobretudo, aos fluxos migratórios.
A princípio, o processo de ocupação da Região Norte deveria ter ocorrido de maneira planejada e controlada. Entretanto, ele acabou gerando a concentração de terras e riquezas nas mãos de poucos e ainda acarretou sérios problemas ambientais. No final da década de 1980, por exemplo, a área destruída da floresta Amazônica alcançava aproximadamente 230 mil km².

Núcleos ou projetos de colonização 

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão do governo federal, criou, após 1964, os núcleos ou projetos de colonização. 
Com a implantação de programas de colonização agropecuários às margens das rodovias, em especial a BR-364 (Cuiabá-Porto Velho). Muitos migrantes, provenientes principalmente das regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste, foram atraídos para essas áreas.
Neles, a área de terra pública foi dividida em lotes e distribuída a famílias cadastradas interessadas em cultivá-la. Vários núcleos foram instalados nos anos 1970. 
Nem todos os núcleos de colonização tiveram êxito. A falta de assistência médica e escolar, a grande distância dos centros urbanos, a falta de orientação técnica para lidar com o manejo do solo, a assistência financeira insuficiente, entre outros fatores, contribuíram para o insucesso de vários desses núcleos.

A Zona Franca de Manaus 

Criação em Manaus de um grande centro industrial baseado no comércio livre de impostos de importação, no ano de 1967. Em uma década de existência, a Zona Franca de Manaus, como é chamada esta área, transformou a cidade em um importante polo industrial e comercial do país.
Buscando incentivar a industrialização de Manaus, o governo federal criou, em 1967, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que disponibilizou infraestrutura e vantagens financeiras para atrair as indústrias para a região. 
Assim, a Suframa implantou o Distrito Industrial de Manaus e ofereceu isenção de impostos para a importação de matérias-primas e de componentes industriais, além de empréstimos e de incentivos fiscais às empresas nacionais e estrangeiras que ali se instalaram. 
Houve investimentos, sobretudo, no setor de eletroeletrônicos. Com isso, outros setores da economia local e regional foram beneficiados, como o comércio, os transportes urbanos e o setor de turismo e hotelaria. 
O município de Manaus tornou-se área de atração de população, concentrando pouco mais da metade dos 4 269 995 habitantes do estado, em 1° de julho de 2021. No entanto, apesar dos benefícios trazidos pela Suframa, a população de Manaus enfrenta ainda graves problemas urbanos, como o favelamento e o saneamento básico deficiente.

Recursos minerais e o Projeto Grande Carajás 

Na Amazônia estão grandes reservas de recursos minerais e energéticos  presentes no Amazonas, onde estão atividades de exploração de ouro, petróleo e estanho; em Rondônia (ouro e estanho); em Roraima (ouro); e no Amapá (ouro, cromo e manganês).
No Pará, a exploração de bauxita, ferro e ouro, entre outros recursos minerais, é mais intensa. A serra dos Carajás, no sul do Pará, é uma enorme reserva de minerais. Estima-se que lá existam 65 milhões de toneladas de manganês, 100 milhões de toneladas de níquel e 60 milhões de toneladas de ouro. Além disso, a área abriga a maior reserva de ferro do mundo: são 18 bilhões de toneladas.
Com a descoberta de jazidas de minérios de ferro e de manganês, ouro, cassiterita, bauxita, níquel e cobre na Serra dos Carajás, no Pará, por volta de 1967, o governo federal criou o Projeto Grande Carajás, que envolvia não só a exploração dos recursos minerais, mas também da floresta, além do aproveitamento dos rios para a produção de energia elétrica (caso da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Rio Tocantins) e a construção da Estrada de Ferro Carajás para o transporte dos recur sos minerais até o porto de Itaqui, no Maranhão, de onde são exportados. 
A exploração econômica desse mineral era realizada por uma empresa estatal, isto é, que era propriedade do Estado, no caso, do governo federal. Na década de 1990, ela foi privatizada, ou seja, vendida para a iniciativa privada. Essa ação foi polêmica. 
Para algumas pessoas a exploração mineral deveria ser realizada pelo Estado, dado seu caráter estratégico e a quantidade disponível. Para outros, os valores pagos pelo grupo que comprou foram baixos, considerando a quantidade e a qualidade das reservas de ferro. E havia os que defendiam a privatização por entender que não é papel do Estado atuar em atividades econômicas, mas sim prover serviços à população.
O Projeto Carajás está situado na Amazônia Oriental, mas exerce uma profunda influência na vida econômica do Maranhão. 
A empresa privatizada atua na exploração do ferro de Carajás e construiu uma longa ferrovia para escoar o minério até o porto de Itaqui, no Maranhão. De lá, o ferro é exportado. Além disso, encontra-se lá a Hidrelétrica de Tucuruí, que abastece a indústria do alumínio implantada na região. 
O projeto atraiu trabalhadores de várias partes do Brasil, o que estimulou a fundação de cidades. Ainda hoje o Projeto Grande Carajás tem papel importante na produção de espaços geográficos na Amazônia Legal.

A população atual da Região Norte

Desde o final do século XIX, a população da Região Norte vem apresentando um considerável ritmo de crescimento. Um dos principais fatores que explicam esse crescimento populacional é o fato de essa região constituir a maior área de fronteira econômica do país e atrair muitos migrantes. 
Os incentivos de ocupação promovidos pelo governo federal, aliados à esperança de muitos brasileiros em encontrar novas oportunidades de trabalho e, consequentemente, melhores condições de vida, levaram muitas pessoas a migrar para a Região Norte. Entre os grupos de migrantes que se dirigiram à região, destacam-se os nordestinos.
Nas últimas décadas, a Região Norte passou a apresentar um acelerado processo de urbanização. Esse fato, em parte, foi decorrente da decadência dos projetos agropecuários criados pelo governo e também do intenso processo de concentração de terras, o que ocasionou a migração de pessoas para as cidades. 
Há cerca de quarenta anos, a população urbana da Região Norte era de aproximada mente 1,6 milhão de pessoas. Em 2021, es sa população somava cerca de 19 milhões de habitantes.

Os indígenas na Região Norte 

Um grande número de indígenas do Brasil vive atualmente na Região Norte. Segundo o IBGE, em 2010, eram cerca de 343 mil indígenas, aproximadamente 38% da população indígena total do país. A população indígena da Região Norte já foi muito maior, no entanto, o número de indivíduos apresentou uma queda com o decorrer do tempo. 
O contato inicial com povos não indígenas e, consequentemente, com doenças — como sarampo e gripe — levou inúmeros indígenas à morte. Posteriormente, ao longo do século XX, a implantação de madeireiras, garimpos, mineradoras, fazendas de gado, grandes lavouras monocultoras, hidrelétricas e rodovias foi gradativamente restringindo as terras desse povo. 
Atualmente, muitos indígenas abandonaram suas terras tradicionais e passa ram a viver em comunidades rurais ou nas cidades. No entanto, nessas áreas, em geral, os indígenas convivem com violência, fome e miséria. 
Vários povos indígenas ainda vivem isolados em meio à floresta, ou seja, sem contato com a sociedade não indígena. Nessas áreas, preservam sua cultura tradicional, como alimentação, danças, crenças etc. No entanto, esse isolamento está cada vez mais ameaçado.

Os ribeirinhos 

Os povos ribeirinhos são populações tradicionais que vivem nas proximidades dos rios e obtêm os recursos necessários à subsistência por meio da pesca artesanal, caça, pequena agricultura de subsistência e extrativismo. 
Os ribeirinhos são originários da miscigenação de diferentes povos, como indígenas, nordestinos, populações afrodescendentes e imigrantes portugueses. 
É na Região Norte que, provavelmente, vive a maior parte dos povos ribeirinhos do país, onde se desenvolve a extensa Floresta Amazônica e sua rica biodiversida de. Por viverem tão próximo aos rios e à floresta, vários aspectos do cotidiano dos ribeirinhos precisaram ser adaptados às condições da natureza local.

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...