terça-feira, 13 de janeiro de 2026

AS MIGRAÇÕES NORDESTINAS

Historicamente, o Nordeste é uma região de intensos fluxos migratórios, com destaque para o período entre 1950 e 1970, quando houve maior saída de nordestinos para outras regiões do país. O Nordeste caracteriza-se como uma região marcada por surtos de emigração.
Na década de 1950, muitos nordestinos migraram para trabalhar na construção de Brasília, e ficaram conhecidos como candangos. Na década seguinte, o destino passou a ser as cidades da Região Sudeste, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro.
As causas da saída da população foram várias, como a seca do Sertão, a concentração de terras e de renda, a falta de emprego e a estagnação econômica da região durante grande parte do século XX. As pessoas migravam para outros lugares com o intuito de conseguir emprego e ter melhores condições de vida.
Aos poucos, o fluxo de saída de pessoas foi diminuindo e, atualmente, o movimento migratório ocorre mais no âmbito intrarregional: elas saem do interior (Sertão) em direção às médias e grandes cidades do Agreste e da Zona da Mata. Geralmente, as capitais são o principal destino desses migrantes. 
Nas últimas décadas, o Nordeste ampliou seu parque industrial e sua produção agrícola, aumentando, assim, a oferta de emprego. Mais recentemente, também a migração de retorno está aumentando – muitos nordestinos que haviam migrado para outras regiões do país têm retornado aos seus lugares de origem.
Atraída por mais postos de trabalho, grande parte dos migrantes regressou a essa região, em especial para as capitais, como Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). A produção de petróleo e o turismo também têm participação significativa na economia nordestina e na atração populacional para a região. 
O crescimento econômico regional tem contribuído para a inversão do fluxo de migração Nordeste-Sudeste. É cada vez mais intensa a chamada migração de retorno – pessoas nascidas em estados do Nordeste que vivem no Sudeste estão retornando à sua região de origem.
Salvador, Recife e Fortaleza são as cidades que mais recebem migrantes e nem sempre estão preparadas para acolher todas as pessoas que chegam. O resultado são espaços urbanos com grande concentração humana, formação de periferias sem infraestrutura e graves problemas habitacionais.

Os movimentos pendulares e sazonais


Na Região Nordeste, é muito comum ocorrer movimentos temporários de pessoas, por um período mais longo ou no decorrer do mesmo dia. Eles se diferenciam dos fluxos migratórios exatamente por não serem permanentes. São chamados de movimento sazonal e movimento pendular de pessoas. 

O movimento sazonal se refere a migrações que acontecem por um período deter minado. Ocorre principalmente nos períodos de seca no Sertão nordestino, que incentivam os fluxos temporários de pessoas que vão para as grandes cidades para trabalhar. Quando as chuvas retornam, essas pessoas voltam para seu local de origem. Também podem ser trabalhadores de indústrias ou empresas de serviços, que trabalham durante um período em uma das filiais, ou profissionais autônomos, que se deslocam para prestar serviços durante um período em outras cidades.

No movimento pendular, os trabalhadores se deslocam, diariamente, de suas residências em direção ao seu lugar de trabalho. Então, não chegam a mudar de casa. Entre os exemplos, estão os boias-frias, tra balhadores rurais que saem das cidades onde residem e se deslocam para as fazendas em que trabalham, regressando às suas casas depois do dia de trabalho; os trabalhadores da indústria e dos serviços que vivem em cidades-dormitório e se deslocam diariamente ao centro das grandes cidades para trabalhar, algo muito comum nas regiões metropolitanas.

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