quinta-feira, 5 de março de 2026

A riqueza cultural dos povos latino-americanos

A América Latina apresenta uma grande diversidade étnico-cultural, resultado da miscigenação entre os diferentes povos que deram origem à sua população. No entanto, essa miscigenação não ocorreu da mesma maneira em toda a América Latina. Em alguns lugares, houve o predomínio de indígenas; em outros, de europeus ou, ainda, de negros africanos.
Em países da América Central, como Haiti e Jamaica, foi intensa a influência das culturas e tradições dos negros africanos. Muitos deles foram escravizados e obrigados a sair de seu país de origem para trabalhos forçados nas monoculturas de exportação, como a da cana-de-açúcar.
Já em países como Peru e Bolívia, por exemplo, a influência das culturas e tradições dos povos indígenas americanos está bastante presente. Neles e em vários outros da região, os descendentes de povos indígenas chegam a compor cerca de 37% da população.
É forte a influência dos povos europeus sobre a formação étnico-cultural da América Latina. Em praticamente todos os países dessa região verifica-se o uso oficial de línguas latinas (português e espanhol), o predomínio da religião católica, adotada pelos colonizadores europeus, além da arquitetura de muitas construções.

A arte dos povos indígenas da América Latina


Os povos pré-colombianos, que habitavam a América antes da chegada dos colonizadores, possuíam uma rica expressão artística.
Era por meio da arte que, de modo geral, esses povos retratavam sua vida em sociedade, suas crenças e, sobretudo, a relação que estabeleciam com a natureza.
Embora as danças, as músicas e também os diversos contos fizessem parte da expressão artística dos povos indígenas, foram os objetos como artefatos cerâmicos e de pedra, cestarias, tecelagens e também a arte plumária que se tornaram representativos e conhecidos como expressão artística indígena na atualidade.
Grande parte da arte indígena foi destruída durante o processo de colonização. Por isso, hoje, existe um intenso movimento de valorização e preservação da arte indígena atual e também da arte remanescente do período de coloniza ção do continente americano.

Biocombustíveis

Chamamos de biocombustíveis os combustíveis derivados de uma energia vegetal não fóssil. A extração de álcool dos vegetais, que produz os bioetanóis, enquadra-se nessa definição.
É possível extrair o bioetanol de mais de um tipo de cultura vegetal, como milho, cana-de-açúcar, mandioca ou da própria celulose que compõe as plantas.
Em 1975, o Brasil iniciou o chamado Programa Nacional do Álcool (Proálcool), que visava à produção de bioetanol por meio da cana-de-açúcar. Utilizando tecnologias brasileiras para diminuir o consumo dos combustíveis provenientes de fontes fósseis não renováveis, como a gasolina, o objetivo era tornar o Brasil menos dependente dos países que exploram o petróleo. 
O programa contou com o levantamento de pesquisas de diversas áreas, como Química e Engenharia. A Geografia contri buiu com estudos sobre solo e clima, que apontaram as melhores áreas para o cultivo da cana-de-açúcar no território brasileiro.
Apesar do sucesso do Proálcool, o programa rendeu herança negativa no que diz respeito à manutenção dos latifúndios, da monocultura canavieira e ao aumento da desigualdade social gerada pela exploração de subempregos no Brasil. Além disso, o uso prolongado de terrenos pela monocultura da cana-de-açúcar reduz a qualidade dos solos, tornando-os inférteis.

América Latina: Recursos naturais e economia

Exploração de recursos naturais


O continente americano possui, em suas terras, grande disponibilidade de recursos vegetais, animais e minerais; essa característica possibilita a exploração e a utilização desses recursos de diversas maneiras. A estrutura geológica propicia a exploração de recursos minerais, a presença dos oceanos Atlântico e Pacífico favorece a atividade pesqueira, a existência de extensa e variada rede hidrográfica possibilita a geração de energia elétrica e a diversidade de climas, formas de relevo e tipos de solo favorecem as práticas agrícolas e pecuárias.
Apesar de o setor industrial ter apresentado crescimento nas últimas déca das em alguns países latino-americanos, a base da organização econômica e produtiva da maioria dos países da região é voltada para o setor primário, ou seja, concentra-se na produção e exportação de produtos agropecuários e na extração vegetal, animal e mineral.
O Brasil, a Argentina e o México possuem, no setor primário, uma base importante de exportação, mas são os países com maiores níveis de industrialização dentre os latino-americanos e contam com bens industriais nas suas pautas de exportação.
Venezuela, Trinidad e Tobago, Equador, Chile, Bolívia, Guiana, Suriname e Jamaica destacam-se na exploração mineral. Colômbia, Uruguai, Paraguai e a maior parte dos países da América Central têm na produção agropecuária a base de suas economias.

Agricultura e pecuária


A América Latina é a região que mais exporta carne bovina e aves no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a tendência é que a produção agropecuária dos países latino-americanos cresça significativa mente até 2028.
Na década de 2020, é previsto que o uso de terras destinado ao setor agrícola aumente cerca de 11 milhões de hectares. O cultivo das oleaginosas, especialmente da soja, será o principal responsável pelo crescimento da pro dutividade agrícola e pela expansão de áreas cultivadas. Segundo as estimativas da FAO, a América Latina será pro dutora de aproximadamente 59% dos produtos alimentícios, principalmente soja e açúcar, comercializados no mercado global até 2027.
A América Latina é também a segunda maior produtora de pescados do mundo, ficando atrás apenas da Ásia. Peru, Chile e Brasil destacam-se nessa atividade.
Com base no que você estudou sobre a América Latina, é possível identificar a existência de disparidades econômicas e sociais entre os países da região. No que se refere à produção agropecuária, isso não é diferente: técnicas produtivas tradicionais convivem com práticas modernas e altamente tecnológicas. São grandes os contrastes de investimentos científicos e tecnológicos, não só entre os países, mas também entre os agropecuaristas de um mesmo país.
De modo geral, a maioria das terras estão concentradas nas mãos de poucos pro prietários rurais, que são os que têm melho res condições de investir no aumento da produtividade.
Nas propriedades em que se desenvolvem as atividades agrárias tradicionais, o investimento em máquinas e insumos, por exemplo, é bastante reduzido. As técnicas são rudimentares, o plantio e a colheita são realizados manualmente ou com o uso de força animal. Em contrapartida, alguns países latino-americanos possuem propriedades com altos níveis de aproveitamento produtivo, como é o caso de Brasil, Uruguai, Argentina e México.
As propriedades mais tecnológicas geralmente possuem grande extensão territorial e são produtoras de monoculturas voltadas à exportação. Por sua vez, as pequenas e médias propriedades, de modo geral, são as responsáveis pela produção de alimentos e pelo abastecimento do mercado interno.

Recursos minerais


A atividade mineradora é uma importante fonte de recursos econômicos de alguns países da América Latina. Para Venezuela, Equador, Chile e Bolívia, por exemplo, os minérios são os principais produtos de exportação.
Os recursos minerais exportados pelos países da América Latina destinam-se aos países industrializa dos da América Anglo-Saxônica, da Europa e da Ásia. Isso reforça a condição dos países latino-americanos de exportadores de produtos primários e dependen tes de produtos industrializados e de alta tecnologia.
Se, por um lado, a atividade mineradora gera riqueza aos países da região em questão, por outro, está associada a impactos ambientais, como a contami nação da água e do solo, a erosão e ao desmatamento, que, por consequência, contribui para a extinção da fauna e da flora. Esses impactos podem ser de maiores ou menores dimensões, conforme o planejamento, o cuidado com o manejo e a reparação ambiental.
Alguns países da América Latina são conhecidos mundialmente por suas reservas de petróleo e de gás natural. A Venezuela destaca-se pelas gran des reservas de petróleo, detendo aproximadamente 20% do total mundial. O país, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), já foi um dos principais produtores, contudo, enfrenta nos últimos anos uma severa crise econômica, que afetou a produção petrolífera. O Brasil possui a segunda maior reserva de petróleo entre os países latino-americanos, mas não é membro da Opep.
No que se refere ao gás natural, a Venezuela também possui as maiores reservas latino-americanas. O Brasil está em segundo lugar e, em terceiro, o Peru. O petróleo e o gás natural são fontes de energia não renováveis. Contudo, eles ainda são recursos naturais energéticos amplamente utilizados em todo o mundo. Para os países que possuem grandes reservas naturais, torna-se um recurso estratégico na negociação com outros países que não o possuem e necessitam importá-lo. Portanto, as grandes reservas latino-americanas colocam a região em destaque no comércio internacional.
Muitas vezes, os paí ses com grandes reservas de petróleo e gás natural veem na exportação a mais importante fonte de geração de recursos financeiros, como a Bolívia e a Venezuela. Além de sofrerem com a variação dos preços e do cená rio no mercado global, os países latino‑americanos têm dividido ou fornecido o processo de exploração desses recursos para empresas de outros países.

Fontes de energia


Nas últimas décadas, os países latino-americanos que não possuem abundância de combustíveis fósseis como petróleo, gás natural e carvão mineral (fontes de energia não renováveis) têm investido em fontes de energia alterna tivas e renováveis. Além disso, há um consenso global sobre a necessidade de reduzir a emissão de gases gerados pelo uso intenso de combustíveis fósseis, já que o acúmulo desses gases na atmosfera pode contribuir para o aumento do efeito estufa. As fontes de energia renováveis, embora também causem impactos ambientais, renovam-se em um período curto e são consideradas energias limpas, porque impactam menos o ambiente do que a queima dos combustíveis fósseis.
A América Latina tem sido reconhecida internacional mente pelos investimentos realizados em fontes de energia limpa. Alternativas pouco usuais têm sido exploradas por países como Argentina, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México e Nicarágua. É o caso da instalação de usinas geotérmicas, que geram energia por meio do calor fornecido pela atividade magmática.
Na Costa Rica, grande parte da energia elétrica é gerada de fontes renováveis, destacando-se: hidrelétricas, usinas eólicas, usinas geotérmicas e biomassa – matéria orgânica de origem vegetal ou animal utilizada para a produção de energia.
O Uruguai também é um exemplo de país que tem investido em fontes alternativas de energia. Grande parte de sua energia provém de fontes renováveis, como a energia eólica. O país também tem investido na construção de represas hidrelé tricas e em biomassa.
No Chile foram construídas muitas usinas solares para a produção de ener gia, principalmente no deserto do Atacama.
O Brasil também se destaca na geração de energia de fontes renováveis. Segundo o Anuário Estatístico de Energia Elétrica de 2020, aproximadamente 60% da produção de energia elétrica do país é originada de usinas hidrelétricas. A Usina Binacional Itaipu – uma das maiores hidrelétricas do mundo, localizada no Rio Paraná – pertence e é administrada pelo Paraguai e pelo Brasil. A usina é responsável por cerca de 88,5% da energia elétrica consumida pelo Paraguai e por 10% da consumida pelo Brasil.
O Brasil também tem investido em biomassa, principalmente oriunda da lenha, do bagaço da cana-de-açúcar e da lixívia (água de lavagem das cinzas da queima de madeira). A geração de energia elétrica oriunda da força dos ventos (energia eólica) também tem contribuído para a geração total da energia elétrica brasileira.

Projetos de cooperação energética entre os países do Mercosul


O Mercosul (Mercado Comum do Sul), do qual fazem parte Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela (esta última sus pensa em 2016 por descumprimento do Protocolo de Adesão) com outros países sul-americanos, possui algumas experiências de cooperação com o objetivo de produzir energia elétrica ou explorar os recursos naturais disponíveis de forma conjunta.
Já citamos o caso da hidrelétrica de Itaipu, compartilhada entre o Brasil e o Paraguai. Existem outros exemplos, como a hidrelétrica de Yacyretá, compartilhada entre Argentina e Paraguai; e, também, a hidrelétrica Salto Grande, entre Argentina e Uruguai.
A Rodovia Interoceânica, que interliga o Brasil e o Peru, visa, entre outros objetivos, promover maior integração comercial entre os dois países e os países andinos vizinhos. Inaugurada em 2011, a rodovia atravessa trechos da Floresta Amazônica, da Cordilheira dos Andes, desertos e vilarejos históricos.
Alguns gasodutos e oleodutos, tubulações que transportam, respectiva mente, gás natural e petróleo (e alguns derivados), interligam diferentes países sul-americanos. Um deles liga os territórios da Argentina, do Brasil, do Chile e do Uruguai, e outro interliga a Bolívia e o Brasil.
A Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Ame ricana (IIRSA) foi criada em 2000 como proposta conjunta de todos os paí ses da América do Sul, com o objetivo de promover a integração da estrutura física desses países. Entre as principais propostas, discute-se a modernização da infraestrutura de transporte, energia e telecomunicações, estabelecendo ações cooperativas entre os Estados.
Atualmente, os projetos de integração e cooperação de infraestrutura têm realizado poucas operações. Os governos da América do Sul não têm buscado a integração regional, seja comercial, seja energética.


América Latina: Conflitos e movimentos sociais

Conflitos históricos


Para entendermos os conflitos e movimentos sociais latino-americanos, precisamos relembrar como se deram os processos de colonização e suas con sequências para esses países.
Como mensurar de que forma os séculos de dominação contribuíram para a dificuldade do enfrentamento de tantas questões, cuja superação seria muito importante para o desenvolvimento dos países da América Latina. E a interferência externa dos países mais ricos e poderosos do mundo, que mantiveram e mantêm interesses políticos e econômicos nos países latino-americanos.
Esse complexo conjunto de fatos são questões de especial relevância para entendermos os conflitos que se desenrolam na América Latina e a atuação dos movimentos sociais em vários países.

A luta indígena


Entre os países latinos, a Bolívia tem a maior proporção de população indígena, seguida por Guatemala, Peru e México. Segundo o Banco Mundial, em 2016, um em cada quatro indíge nas latino-americanos ainda vivia em situação de pobreza.
No que se refere ao acesso à terra, relativos avanços foram conquistados, mas por toda a região ainda ocorrem conflitos motivados pela demarcação e pelo controle de terras indígenas em detrimento dos anseios exploratórios.

Os movimentos no campo


O primeiro país latino a realizar uma grande reforma agrária foi o México, a partir de 1910, durante o movimento conhecido como Revolução Mexicana, liderada por Emiliano Zapata. Durante o processo, milhares de latifúndios que se concentravam nas mãos de poucos foram ocupados e divididos, beneficiando parte da população empobrecida no campo.
A reforma agrária é feita pelo Estado e tem por objetivo redistribuir pro priedades rurais por meio da compra ou desapropriação de terras de grandes latifundiários (cuja maior parte aproveitável não é utilizada) e distribuição dos lotes de terras para famílias camponesas.
No início dos anos 1950, movimentos indígenas na Bolívia ocuparam diver sos latifúndios. No entanto, o subsídio aos produtos agrícolas importados e a falta de manutenção da política de reforma agrária fizeram com que a estrutura fundiária boliviana (ou seja, o modo como as propriedades agrárias estavam distribuídas e organizadas neste país) se desequilibrasse novamente a favor dos grandes proprietários. Desse processo, a população indígena boliviana herdou o direito ao voto, à educação e a títulos de propriedade de terras.
Em Cuba, o governo liderado por Fidel Castro conseguiu implantar o pro cesso de reforma agrária, buscando mais igualdade na estrutura fundiária e soberania alimentar na ilha. Soberania alimentar diz respeito ao direito dos povos de decidir seu próprio sistema alimentar e produtivo, acima das exi gências do mercado e das empresas. No entanto, com o embargo econômico imposto pelos EUA e com o fim da URSS, o governo cubano começou a passar por dificuldades estruturais, o que se refletiu em todos os setores da economia, inclusive na produção agrícola.
Apesar das experiências mais ou menos bem-sucedidas em alguns países ao longo de parte do século XX, os contextos econômicos regionais e mundial e as decisões políticas locais contribuíram para que as desigualdades no campo se agravassem. Nesse contexto, o empobrecimento da população rural da América Latina atingiu índices altíssimos no final do século passado.
Nesse contexto de crise no ambiente rural do final do século XX, surgiu a Via Campesina, uma organização internacional de camponeses que levantava as bandeiras da reforma agrária, da soberania alimentar das populações, da equidade de gênero na movimentação política e do fim da violência no campo contra os pequenos produtores.
Em 1994, foi fundado em Chiapas, no sul do México, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), formado principalmente por camponeses de origem indígena. Seu nome é uma homenagem ao revolucionário mexicano Emiliano Zapata (1879-1919), que lutou pela reforma agrária no país. Entre várias pautas de luta do EZLN, destacam-se a luta pela terra e a valorização das culturas indígenas locais.
Recentemente, os índices de pobreza rural na região caíram, se comparados aos do final do século XX. Porém, a ONU alerta para o fato de que o ritmo dessa diminuição estancou em alguns países. Na Costa Rica, em El Salvador, no México e no Paraguai, por exemplo, ocorreu uma retomada da pobreza rural.
Atualmente, os movimentos camponeses na América Latina lutam não somente por uma reforma que equilibre a estrutura fundiária dos países e garanta aos pequenos trabalhadores rurais o direito à terra e ao trabalho, mas também por questões ambientais e pela qualidade na produção dos alimentos.
O Brasil destaca-se no que diz respeito à luta pela melhor distribuição de terras no espaço rural. Ao longo da história, movimentos, como as Ligas Camponesas e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), têm lutado pela reforma agrária e por melhorias nas condições do trabalhador rural. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) é o órgão federal responsável por tratar do assunto.

Fronteiras e áreas de risco


Essa situação faz com que a região fronteiriça desperte a atenção das autoridades de ambos os países e de toda a comunidade internacional. Ainda segundo a ONU, o número de mortes registradas na região da fronteira entre Estados Unidos e México representa 65% do total registrado nas Américas, o que a torna a mais letal do continente.
Mais ao sul, a Colômbia é uma área de risco que também preocupa as autoridades locais e a comunidade internacional. As tensões que ocor reram entre o governo colombiano, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o narcotráfico produziram uma onda de violência e medo no país, o que provocou o maior movimento de deslocados internos do mundo.





América Latina: Aspectos populacionais

A América Latina é composta por países localizados na América do Sul, América Central e América do Norte. Na região latino-americana, alguns territórios não são independentes, pertencendo a diferentes nações, como Guiana Francesa (França), Ilhas Cayman e Ilhas Virgens Britânicas (Reino Unido), e Porto Rico (território não incorporado aos Estados Unidos).
De todos os países latino-americanos, em uma parte, os habitantes se comunicam em espanhol, português ou francês (línguas latinas); em outra parte, se comunicam em inglês (Bahamas, Barbados e Jamaica, por exemplo); e em apenas um se comunicam em holandês (Suriname). Em muitos desses países, sobrevivem as línguas nativas e tradicionais.

Dinâmicas populacionais na América Latina 


A distribuição da população pelo território, o ritmo de crescimento da população e os movimentos migratórios são alguns dos aspectos que caracterizam as dinâmicas populacionais da América Latina.  
De modo geral, podemos verificar uma maior concentração ao longo do litoral, tanto do Oceano Pacífico como do Oceano Atlântico, com exceção de determinados trechos no extremo sul da região.
No território latino-americano, a população está distribuída de forma irregular. As áreas mais habitadas são os litorais dos oceanos Pacífico e Atlântico, que concentram a maioria das capitais e das grandes e médias cidades. Esse cenário é explicado principalmente pelo fato de que a colonização teve início na porção litorânea, onde foi fundada a maioria das cida des latino-americanas.
Como as faixas litorâneas foram a “porta de entrada” para os colonizadores europeus a partir do século XVI, a concentração humana nessas áreas é uma consequência histórica.
As áreas de baixa densidade demográfica correspondem, em geral, à localização dos principais obstáculos naturais ao povoamento. Na América do Sul, essas áreas são a Floresta Amazônica, ao norte; a Cordilheira dos Andes, a oeste; e o deserto semiárido frio da Patagônia, ao sul.

Aspectos demográficos


A população da América Latina cresceu significativamente a partir de meados do século XX. Em 1950, os latino-americanos e caribenhos somavam aproximadamente 179 milhões de pessoas. Na década de 1980, a região já contava com cerca de 385 milhões de pessoas. 
Os principais fatores que contribuíram para esse crescimento foram as melhorias relacionadas aos serviços de saúde e saneamento básico verificadas em muitos países. 
A partir do final do século XX, no entanto, esse ritmo começou a cair. Atualmen te, países como a Guatemala e o Paraguai ainda apresentam taxa de crescimento de aproximadamente 1,6% e 1,1% ao ano, respectivamente. Já países como o Bra sil e o Uruguai, por exemplo, vêm registrando nas últimas décadas taxas de crescimento de cerca de 0,7% e 0,3% ao ano, respectivamente. 
A desaceleração nas taxas de crescimento vegetativo está associada a alguns fatores, como o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, maior difusão de métodos contraceptivos, por exemplo, anticoncepcionais e medidas de esterilização, além de campanhas de planejamento familiar.
O aumento da expectativa de vida e a diminuição das taxas de mortalidade são decorrentes de progressos médico-sanitários que ocorreram nos países latino-americanos. Com a ampliação dos serviços de saúde (campanhas de vacinação, avanços tecnológicos na área farmacêutica e cons trução de hospitais) e o tratamento de água e esgoto, a melhoria na qualidade de vida da população aumentou a longevidade dos povos da América Latina. 
De modo geral, países como Bolívia, Guatemala, Haiti e Honduras, que exibem os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da América Latina, são aqueles que apresentam as mais altas taxas de crescimento vegetativo e maior per centual de jovens no conjunto de suas populações. 
Apesar dos avanços econômicos e sociais conquistados, de modo geral, pela América Latina ao longo dos últimos anos, a população ainda apresenta características típicas de países em desenvolvimento.
Já os países que apresentam Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais elevados, como Argentina, Chile e Uruguai, em geral apresentam baixas taxas de crescimento vegetativo e maior percentual de idosos na composição da população total. 
Entre esses extremos, encontram-se nações como o Brasil e o México, as mais populosas da região, que vêm mostrando queda constante nas taxas de crescimento vegetativo e se caracterizando por apresentar populações em processo de envelhecimento. 
Um percentual muito elevado de idosos na população, caso de países como o Uruguai, leva ao aumento no gasto com os sistemas de previdência social e de saúde pública e à redução no percentual da População Economicamente Ativa (PEA). Consequentemente, esses países realizam ações para estimular as taxas de natalidade e reverter gradualmente esse cenário. 

Migração


De acordo com dados da International Organization for Migration (IOM), em 2021, a principal característica dos fluxos migratórios da América era a emigração de latino-americanos e caribenhos para a América do Norte. 
Os fluxos migratórios internos na América Latina podem ser caracterizados por migrações legais, realizadas por indivíduos que vão estudar e trabalhar em outros países, de acordo com as leis vigentes, e por migrações ilegais, realizadas por indivíduos que não possuem documentação para permanecer no país de destino.
Grande parte dos imigrantes ilegais na América Latina provém de países que vivenciam problemas econômicos e crises sociais, como Haiti, Venezuela, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, que se tornaram áreas de repulsão na região.
Embora uma parte expressiva desses indivíduos busque se deslocar para países de outras regiões, principalmente para os Estados Unidos, alguns países latino-americanos também atraem imigrantes, como Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Costa Rica, Equador, México e Peru. A maioria dos imigrantes se desloca para as grandes cidades desses países, que contam com comunidades de imigrantes latino-americanos.
A emigração de populações da América Latina aumentou consideravelmente nos últimos anos, ao passo que o percentual de imigrantes de outros continentes que vivem na América Latina permaneceu estável. Houve diminuição do número de europeus e aumento do de norte-americanos vivendo na América Latina.
O México é o país latino-americano com maior número de pessoas vivendo fora do país. Cerca de 12 milhões de mexicanos vivem no exterior, segundo dados de 2019 da IOM. O destino da maior parte dos mexicanos é os Estados Unidos. Muitos mexicanos fazem a tentativa de emigração de forma ilegal, com o objetivo de conseguir melhores condições de vida.
A fronteira entre os Estados Unidos e o México é muito fiscalizada, o que dificulta a entrada ilegal de mexicanos e outros grupos latino-americanos de diferentes nacionalidades. Parte dessa fronteira é separada por muros e cercas, como na região de Tijuana.
No que se refere a migrações intrarregionais, há importante corrente migratória de nicaraguenses, panamenhos e pessoas de outras nacionalidades centro-americanas que se deslocam em busca de oportunidades de trabalho na Costa Rica.
As migrações também se intensificaram de Honduras, Guatemala e El Salvador para Belize. Na região caribenha, uma das principais correntes migratórias é de haitianos com destino à República Dominicana.
Os países sul-americanos também apresentam número expressivo de habitantes vivendo no exterior. Internamente, a Argentina é o principal destino dos vizinhos Paraguai e Bolívia. Das migrações inter-regionais (fora da América Latina), os principais destinos dos sul-americanos são Estados Unidos e Espanha.

O caso da Venezuela 


Em relação às migrações atuais na América Latina, o caso mais marcante é o da Venezuela, país que apresenta uma elevada dependência de importações de produtos consumidos internamente, mas passa por uma profunda crise política e econômica que já se estende desde meados de 2010. 
Devido à crise, os venezuelanos convivem com problemas como a escassez de alimentos, o desemprego, a desvalorização da moeda e a inflação, fatores que vêm estimulando a emigração em massa. 
Entre os venezuelanos que deixam o país, a maioria se dirige ao Brasil e à Colômbia, países vizinhos e que fazem fronteira com a Venezuela. Entre janeiro de 2017 e fevereiro de 2022, o Brasil recebeu cerca de 702 222 venezuelanos. Muitos dos quais ganharam status de refugiado. 
A principal área do território brasileiro que recebeu venezuelanos foi o estado de Roraima, que faz limite com a Venezuela e onde existem acampamentos destinados aos refugiados. 


América Latina: Aspectos sociais e econômicos

Diferenças sociais e econômicas


Os países da América Latina apresentam diferenças em sua origem e colonização, o que resulta em indicadores sociais e econômicos diversos. No que se refere à economia e aos avanços sociais, a realidade da América Latina é bastante insatisfatória, mesmo se considerarmos os grandes avanços realizados nas últimas décadas. Persistem a pluralidade e os problemas dos países latinos, em comparação aos países desenvolvidos.
A maioria dos países latinos está em situação de dependência econômica em relação às maiores economias do mundo – como EUA, China e União Europeia. São países que, em geral, dependem da exportação de produtos primários e não têm altos índices de industrialização. Suas economias não estão geralmente entre as que mais crescem no cenário mundial e, quando o crescimento é favorável, não conseguem usar a riqueza gerada para solucionar a desigualdade econômica e social.
Além disso, setores essenciais de atendimento à população, como saúde, educação, além da oferta de emprego, estão concentrados nos grandes cen tros urbanos, provocando uma migração massiva em direção a esses espaços, lançando novos desa fios para os governos locais nas áreas do transporte, da segurança pública, da moradia, do abastecimento de água e energia, entre outras.

Moradia e problemas urbanos


A América Latina é atualmente a região mais urbanizada do mundo, com cerca de 450 milhões de pessoas (80% da população) vivendo em cidades. Entre os maiores centros urbanos do mundo estão a Cidade do México e a cidade de São Paulo.
Os centros urbanos da América Latina caracterizam-se pela segregação espacial e pela desigualdade, ou seja, é possível notar a existência de bairros que possibilitam aos seus moradores o acesso satisfatório a serviços básicos (hospitais, escolas, creches, iluminação, segurança, serviço de água e esgoto, coleta de lixo, transporte público eficiente, entre outros) em detrimento de outros bairros, geralmente localizados em áreas periféricas. Nesse contexto, a violência urbana é um dos problemas que mais preocupam a população dos grandes centros urbanos.
O deslocamento de grandes contingentes populacionais do campo ou de outras cidades menores em direção aos grandes centros urbanos, a falta de planejamento regional e urbano, além da atuação do mer cado imobiliário, colocam a questão da habitação entre os grandes problemas dos centros urbanos da América Latina. Aproximadamente 111 milhões, dos 588 milhões de habitantes da região, moram em favelas.
Segundo o IBGE, as favelas e os alagados, entre outras formas de habitação precária, conhecidas como grotões, invasões, baixadas, ressacas, mocambos, palafitas etc., estão agrupados de forma genérica no conceito de aglomerados subnormais.
Entre as maiores favelas da América Latina estão a favela do Sol Nascente (DF), a favela da Rocinha (RJ), Cité Soleil, em Porto Príncipe (capital do Haiti) e a impressionante cidade de Nezahualcóyotl, ou apenas Ciudad Neza, nos limites da Cidade do México, com um adensamento de mais de 1 milhão de habitantes.
Segundo a ONU, a população urbana mundial vai duplicar até 2050, e as taxas de crescimento urbano devem diminuir na América Latina, o que não significa dizer que os desafios serão menores no que se refere à garantia de direitos das populações que habitam os densos centros urbanos e no que se refere às estratégias de planejamento por parte dos governantes locais. Estima-se que, em 2050, 89% da população da região estará vivendo em cidades.
Outro tema inerente aos grandes centros é a mobilidade urbana. Parte da população precisa percorrer longas distâncias entre sua moradia e o posto de trabalho. As más condições do transporte público e os frequentes congestiona mentos diários nas ruas e avenidas das grandes cidades agravam o problema. Outra questão importante é a água potável. De acordo com os estudos do Banco Mundial, a América Latina é a região com maior quantidade de água doce do planeta, com destaque para Brasil, Colômbia e Peru. No entanto, cerca de 34 milhões de pessoas têm algum comprometimento no acesso à água potável.

Economia e emprego


Alguns países da América Latina tiveram um crescimento industrial de destaque nos últimos anos, o que refletiu em melhorias socioeconômicas para a população. Eles são conhecidos como países de economia emergente ou em desenvolvimento. Países emergentes, a exemplo de Brasil, México e Argentina, apresentam industrialização tardia, com predomínio da tecnologia clássica e modernização em alguns setores.
O Brasil é o único país da região que, desde o início do século XXI, faz parte do bloco das maiores economias emergentes do mundo, o chamado Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Recentemente, com a desaceleração do crescimento econômico do Brics, desponta no cenário internacional o chamado Mint (México, Indonésia, Nigéria e Turquia), que têm em comum as superpopulações e a promessa de gigantescos mercados de trabalho para as próximas décadas.
Em relação ao mercado de trabalho, a instabilidade política ainda faz com que as taxas de desemprego oscilem de acordo com momentos de calmaria e de tensão nos cenários políticos nacional e continental, bem como em virtude tanto da concorrência dos lugares que disputam a atração dos investidores quanto da dinâmica do mercado mundial.
Como a maioria dos países latino-americanos tem economia pouco diversificada e baseada na produção e comercialização de commodities (mercadorias produzidas em larga escala, geralmente de origem mineral ou agropecuária, como petróleo, minério de ferro, soja ou proteína animal), com seus preços definidos no mercado internacional, qualquer oscilação ou crise econômica os afeta diretamente.
Apesar de consideráveis avanços, ainda hoje um dos grandes desafios para a América Latina é a qualificação da mão de obra, o que exige investimentos nas áreas da educação e da pesquisa e desenvolvimento tecnológico.





quarta-feira, 4 de março de 2026

América: países emergentes

As maiores economias da América Latina


No conjunto dos países latino-americanos, México, Argentina e Brasil formam um grupo à parte: são os chamados países emergentes. Suas economias estão entre as maiores do continente americano ao sul dos Estados Unidos e representaram mais de 66% do Produto Inter no Bruto (PIB) da América Latina em 2020. A economia mexicana, por exemplo, supera a soma do PIB das economias dos países da América Central e da América Andina. Em 2020, o PIB brasileiro foi de aproximadamente 1,4 trilhão de dólares, o do México, de 1,1 trilhão, e o da Argentina, de 0,4 trilhão.

A industrialização tardia


A industrialização do México, da Argentina e do Brasil teve início na primeira metade do século XX. Mas ela somente se intensificou após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando ocorreu a diversificação da produção industrial graças, sobretudo, às corporações industriais transna cionais que se instalaram nesses países latino-americanos.
Assim, comparando os períodos da industrialização de México, Argentina e Brasil com os períodos de industrialização da Inglaterra (Reino Unido), França, Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, Japão e Rússia, que iniciaram suas industrializações nos séculos XVIII e XIX, podemos dizer que a industrialização daqueles países da América Latina foi uma industrialização tardia ou retardatária, isto é, ocorreu com mais de um século de atraso.

A industrialização de 1950 aos dias atuais


Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo entrou em um novo período das relações internacionais, marcado, como já estudamos, pela ordem mundial bipolarizada e pela crescente disputa por áreas de influência geopolítica entre Estados Unidos e União Soviética.
Uma das estratégias empregadas pelos Estados Unidos e por paí ses europeus capitalistas para assegurar suas áreas de influência no mundo foi a de instalar suas empresas na América Latina, na Ásia e na África. Entretanto, isso não teria ocorrido se não houvesse grandes interesses das corporações transnacionais em ampliar seu capital, seu lucro e seu poder econômico e financeiro em escala planetária, apro veitando, então, o baixo nível de desenvolvimento industrial e de empresas de serviços nos países subdesenvolvidos – conjunto em que México, Argentina e Brasil estavam incluídos à época. Assim, ocorreu uma intensa internacionalização da economia des ses países, representada pela participação crescente de corporações ou empresas transnacionais em vários setores de suas economias. 
Na década de 1990, com a aceleração do processo de globalização, ou seja, o aumento de facilidades para exportação e importação e a maior abertura da economia mundial, a concorrência entre empresas nacionais latino-americanas e transnacionais se acirrou. Para se manter competiti vas, muitas empresas nacionais foram obrigadas a passar por um processo de modernização tecnológica e de gerenciamento dos seus negócios.

Diversificação econômica e inserção global


As maiores economias da América Latina são distintas entre si, e cada uma delas trilhou diferentes caminhos de desenvolvimento para enfrentar as incertezas e oportunidades da economia global. Enquanto o México, em 1992, se aliou aos Estados Unidos e ao Canadá, aderindo ao Nafta, atual mente denominado USMCA, o Brasil e a Argentina passaram a integrar o Mercado Comum do Sul (Mercosul).
Nos últimos anos, México, Argentina e Brasil aprofundaram a integração comercial com outros países e regiões do globo. Isso se deve, entre outros motivos, à sua diversificação econômica e ao desenvolvimento de parques industriais com emprego de tecnologia, que se destacam no contexto regional. Brasil e Argentina se diferenciam por ter diversificado mais intensa mente o destino de suas exportações, sobretudo para o mercado asiático – principalmente Índia e China. O México, por sua vez, manteve o predomínio de relações comerciais com os Estados Unidos, mas tam bém diversificou o destino de suas exportações.

As concentrações industriais no México e na Argentina


As maiores concentrações industriais desses dois países encontram-se em torno de suas capitais, respectivamente a Cidade do México e Buenos Aires.

México


Diferentemente do Brasil, cuja concentração industrial não ocorre em sua capital ou em seu entorno, no México há grande concentração e diversidade de ramos industriais na Cidade do México, em decorrência de diferenças relacionadas a eventos e processos históricos entre esses dois países. Existem também outros centros industriais mexicanos importantes: Guadalajara, Monterrey, Lázaro Cárdenas, Monclova etc. (localize-os no mapa). Os ramos têxtil, alimentício, automobilístico (controlado pelas transnacionais), petroquímico, siderúrgico e metalúrgico se destacam.

As indústrias maquiladoras


A partir dos anos 1960, com a expansão econômica dos Estados Unidos no mundo e após um acordo com o governo do México, indústrias estadunidenses passaram a ser implanta das no território mexicano. Muitas delas se instalaram na fronteira entre Estados Unidos e México, visando diminuir os custos de produção. 
As maquiladoras passaram a realizar parte de sua produção no México, atraí das, principalmente, pelos baixos impostos, pela mão de obra barata e pela proximidade com os Estados Unidos, o que reduz tanto os custos de produção como os de transporte.

México: agropecuária


Com a criação do Nafta, em 1992, a economia mexicana apresentou maior crescimento graças aos investimentos estrangeiros e ao aumento das exportações para os Estados Unidos e o Canadá. Em 2020, enquanto 64,3% do valor do PIB mexicano foi derivado do setor terciário (comércio e serviços), 31,6% foi formado pelo setor secundário – construção e indústria de transformação e extrativa mineral, em que a exploração de petróleo participou na formação desse PIB – e 4,1% pelo setor primário (agropecuária). O território mexicano é pouco favorável à agropecuária.
A presença de montanhas e de climas áridos e semiáridos reduz a disponibilidade de áreas cultiváveis. Ainda assim, esse setor emprega mais de 12% da População Economicamente Ativa (PEA) do país. Cerca de 39% do território mexicano é ocupado pela pecuária, voltada principalmente para a criação de gado bovino e praticada no centro-norte do país.
Os produtos com maior área de cultivo e voltados para o abastecimento do mercado externo são: algodão, sisal, café e cana-de-açúcar. Para o mercado interno são cultivados: milho, batata, trigo, arroz, feijão etc. Após a entrada em vigor do Nafta, a produção de milho per deu espaço diante da concorrência estadunidense. Mas, mesmo assim, por se tratar de alimento tradicional desde o tempo dos astecas e maias, o México foi o sexto produtor mundial de milho, na safra 2020/21.
Como em toda a América Latina, com exceção de Cuba, há no México grande concentração da propriedade rural: 1% das propriedades concentra 56% da área de terras – na Argentina, que estudaremos mais adiante, 2% concentram cerca de 50%; no Brasil, 0,3% concentra 32,8%.

As transnacionais de alimentos no México


Grandes empresas transnacionais de alimentos têm se estabelecido no México. Compram as melhores terras e orientam a produção para atender ao mercado externo, principalmente os Estados Unidos. Controlam 90% da produção mexicana de algodão, aspargos, morangos, cebolas, hortaliças e outros vegetais. 
Embora as grandes empresas também cultivem esses produtos nos Estados Unidos, preferem o México, onde podem obter lucros maiores, uma vez que a terra e a mão de obra são mais baratas, além da proximidade do mercado consumidor estadunidense.
Entre as consequências desse estabelecimento de empresas transnacionais de alimentos no México, destacam-se: diminuição da área de cultivo de milho e de feijão – produtos básicos e tradicionais na alimentação do mexicano – e sua consequente alta de preços; aumento da carência alimentar; alteração dos hábitos alimentares da população em decorrên- cia da influência da propaganda das transnacionais; valorização da terra rural, dificultando seu acesso aos camponeses e aos sem-terra etc.

Argentina


A maior concentração espacial industrial na Argentina se localiza na região metropolitana de Buenos Aires, onde se con centram indústrias de diferentes ramos. No entanto, o eixo que se estende a noroeste de Buenos Aires, que abrange as cidades de Rosário, Santa Fé e Córdoba – a segunda cidade mais populosa, após a capital –, forma a mais importante região de diversificação industrial do país.

Argentina: agropecuária


Em 2020, o setor terciário respondeu por 52,4% do PIB argentino, en quanto o secundário participou com 41% e o primário com 6,6%. Apesar da menor participação deste setor, a agropecuária ocupa posição importante na economia do país. Cerca de 60% do valor total de suas ex portações é constituído por produtos agropecuários: soja (3° produtor mundial, depois do Brasil e dos Estados Unidos, em 2021); produtos de rivados da soja (maior exportador mundial); milho; trigo; cana-de-açú car; girassol (óleo comestível); carne; além de outros.

Distinguem-se duas grandes regiões agropecuárias na Argentina

• a região pampeana (pampa úmido) compreende grande área de terras extremamente férteis, com formato semelhante ao de um leque, tendo Buenos Aires na base e abrangendo as cidades de Santa Fé, Rosário e Baía Blanca. É grande a produção de trigo, soja e milho, assim como a criação de bovinos e ovinos na região: o relevo plano ou pouco ondulado permite a mecanização da agricultura, e os Campos (Pampas) são excelentes para a pecuária. Cerca de 50% dos produtos agrícolas argentinos são oriundos dessa região. É aí, também, que estão 66% do rebanho bovino e 50% do ovino, entre os mais importantes rebanhos do mundo, não exatamente pelo número, mas pela excelente qualidade do gado;

• a grande região extrapampeana apresenta condições naturais di versificadas. Afastando-se da região pampeana em direção ao norte, oeste e sul, a umidade diminui, o que exerce influência sobre os tipos de cultura praticados na região. Assim, surgem culturas regio nais, como a do algodão, no Chaco, região situada ao norte, próxima da cidade de Corrientes, onde também se faz extração vegetal do quebracho e da erva-mate, e a cultura da cana-de-açúcar, em Salta e Tucumán, além da cultura das frutas, vinhas e oliveiras no entorno das cidades de Mendoza e San Juan, cuja parte da produção de vinho é exportada para vários países.
A Patagônia, vasta região do sul, formada por planaltos e planícies de clima frio e semiárido e por vegetação de estepes, possui baixa ocupa ção humana. Ela se destaca na criação extensiva de ovinos, cuja produção de lã é largamente exportada.

Circuitos da carne e da soja nos Pampas argentinos


A expressão “circuito” é entendida como rota ou caminho percorrido para atingir certo lugar. Nos casos da soja e da carne, refere-se, assim, ao caminho percorrido desde a área de produção até o mercado consumi dor interno e aos portos de exportação, para chegar ao mercado consumidor externo. Há diferenças marcantes entre os circuitos da soja e da carne na Argentina e no Brasil. A vantagem é argentina.
As maiores concentrações de plantio de soja e de criação de gado bovino e ovino na Argentina se encontram na região dos Pampas. Nela concentra-se cerca de 66% da população da Argentina, o que representa a maior parte de seu mercado consumidor interno.
Nos Pampas, localizam-se dois importantes portos: Buenos Aires, no Rio da Prata; e o porto fluvial da cidade de Rosário, no Rio Paraná, que tem acesso ao Oceano Atlântico pelo Rio da Prata.
O Porto de Rosário permite o atracamento de navios graneleiros de grande porte para o transporte de soja e também de navios frigoríficos para o transporte de carne. Assim, desse porto partem navios até portos marítimos situados em outros países, como a China.
Grande parte das propriedades agropecuárias argentinas se localiza a cerca de 300 km de distância do Porto de Rosário, que, por sua vez, está aproximadamente a essa mesma distância de Buenos Aires.
Entretanto, a infraestrutura de transporte na Argentina – rodoviária, ferroviária e hidroviária –, assim como no Brasil, apresenta proble mas ou gargalos para o escoamento de grãos – soja, milho, trigo etc. Há congestionamentos de caminhões nas estradas e nos portos para descarregar os grãos e demora para transferi-los para os navios durante o pico da safra. Mas, mesmo assim, os produtores rurais argentinos levam vantagem em relação aos do Brasil, principalmente aos da Região Centro-Oeste.
Essa vantagem ocorre porque na Argentina os produtores rurais não estão distantes do mercado interno de consumo, representado pelas indústrias e pelos próprios criadores de gado, que usam o farelo de soja como ração animal, e também por não estarem distantes dos portos de exportação. Além disso, o tempo de espera causado pelos congestio namentos de navios graneleiros e frigoríficos nos portos da Argentina é menor do que nos portos brasileiros. Esses fatores conferem vantagens competitivas e mais ganhos aos produtores argentinos.

Brasil


O Brasil é considerado uma potência na América Latina por causa da influência econômica que exerce sobre a região. Destacaremos, a seguir, alguns aspectos relacionados ao cultivo da soja na Região Centro-Oeste e à industrialização na Região Sudeste do país.

Setor agropecuário


Em 2021, de acordo com dados da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), o setor agropecuário representou cerca de 7% do PIB do país, chegando a 27% quando consideradas as atividades do agronegócio. A agropecuária responde por cerca de 20% das exportações brasileiras.
O país se destaca na produção e exportação de soja, café, açúcar e milho. Em 2020, o Brasil contava com o segundo maior rebanho de bovinos e o terceiro de aves do mundo, sendo o maior exportador mundial de frangos.
A China é a principal parceira comercial do Brasil e a maior compradora da soja produzida no país. Desde 2010, os chineses têm realizado grandes investimentos no território brasileiro, principalmente nos setores de energia, logística e agropecuária.
O objetivo desses investimentos é garantir a produção e o escoamento de recursos e maté rias-primas, para a China. Além disso, pretendem melhorar o processo de distribuição de produtos das empresas chinesas que estão se instalando no país.
Em 2018, o grupo chinês CMPort comprou 90% do terminal de cargas do porto de Paranaguá (PR), localizado em um ponto estratégico para o escoamento de produtos agrícolas para a Ásia. Desde então, o terminal vem passando por obras de expansão e renovação.

A concentração industrial no Brasil


No Brasil, a maior concentração espacial da atividade industrial se formou, historicamente, na Região Sudeste do país ou mais propria mente no polígono formado pelos estados de São Paulo, do Rio de Ja neiro e de Minas Gerais, que já foi chamado de “coração econômico do Brasil”.

O Polígono Industrial


Certos fatores locacionais influenciaram para que ocorresse essa concentração espacial industrial no Sudeste: disponibilidade de ener gia elétrica; mercado consumidor; infraestrutura ferroviária, rodoviá ria e de portos marítimos; mão de obra especializada; rede bancária; empresas importadoras e exportadoras; capitais disponíveis para in vestimentos industriais resultantes das exportações de café e políticas industriais estabelecidas pelos governos brasileiros entre 1956 e 1979, que facilitaram a implantação de indústrias.

Atividade industrial no Sudeste


A indústria brasileira está concen trada na Região Sudeste, com 45,4% dos estabelecimentos em 2020, de acordo com o Conselho Nacional da Indústria. Essa distribuição espacial pode ser explicada por diversos fatores, sendo o processo histórico de ocupação do território o mais importante.
Nos anos 1930, quando o país iniciou de fato o processo de industria lização, as áreas urbanas do Sudeste reuniam condições necessárias para a implantação de indústrias, como a existência de infraestruturas, disponibi lidade de mão de obra e proximidade dos mercados consumidores.
A partir da década de 1990, com o desenvolvimento da rede urbana nacional, as indústrias começaram a transferir suas unidades de produção dos grandes centros urbanos para outras localidades, como cidades de médio porte, em um processo conhecido como desconcentração industrial. Nesse período, estados e municípios atraíam as indústrias com redução de impostos, criação de infraes truturas, terrenos a preços mais baixos, entre outras vantagens. Também influenciaram a desconcentração os altos custos da produção em áreas industriais tradicionais, como salários comparativamente mais altos, assim como valores mais altos de aluguéis e impostos, além de problemas de mobilidade urbana.
Atualmente, a desconcentração industrial está relacionada à diminuição da importância da atividade industrial na economia dos países (em 2021, a indústria teve 22,2% de participação no PIB brasileiro), ocorrendo com maior intensidade entre as atividades industriais que não empregam tecnologia muito avançada, como processamento de recursos naturais.
Apesar da queda na participação do PIB nacional e do processo de desconcentração, o Sudeste continua se destacando no setor industrial. De acordo com dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o estado de São Paulo participou com 38,1% da produção da indús tria de transformação em 2018. O segundo colocado, Minas Gerais, havia participado com 10,1%.
Outra característica das indústrias do Sudeste é o emprego crescente de tecnologias de ponta e inovações, como robôs, inteligência artificial, impressoras 3-D, entre outras, principalmente nos setores automotivo, alimentício, químico e têxtil.
As aplicações vão desde o uso da reali dade virtual para análise de peças durante o processo de fabricação até a criação de equipamentos que podem ser “vestidos” pelos operários, dando sustentação em tarefas que exigem esforço físico e precisão nos gestos.

No Brasil: a soja e a carne na Região Centro-Oeste


No Brasil, em 2020, o setor primário foi responsável por 6,8% do PIB nacional, enquanto os setores secundário e terciário responderam por 20,4% e 72,8%, respectivamente. 
O país foi o maior produtor de soja no mundo nas safras de 2020/2021 e 2021/2022, seguido pelos Estados Unidos. A produção de soja no mundo nessas safras foi de quase 750 milhões de toneladas, sendo que o Brasil produziu quase 280 milhões de toneladas desse total e os Estados Unidos produziram mais de 235 milhões de toneladas. Mato Grosso foi o maior es tado produtor de soja brasileiro e o Rio Grande do Sul, o segundo. Só Mato Grosso produziu, nessas safras, quase 75 milhões de toneladas de soja. 
Em 2020, o Brasil possuía o maior rebanho de gado bovino e foi o maior exportador dessa carne. A Região Centro-Oeste é a que responde pela maior produção de soja e é a que possui maior rebanho de gado bovino.
Os produtores de soja e carne do Centro-Oeste estão a longas dis tâncias dos portos de exportação do Brasil. Para se ter ideia, a distância dos municípios de Sinop e Sorriso, no estado de Mato Grosso, que são grandes produtores de soja, até o Porto de Santos, no litoral do estado de São Paulo, é de mais de 2 mil quilômetros.
Considerando que cerca de 65% da soja produzida no Brasil e a quase totalidade do gado bovino e da carne são transportadas pela via rodoviária, existe desvantagem em relação à Argentina e, sobretudo, aos Estados Unidos, pois os custos de transporte oneram mais os produtos brasileiros. Nos Estados Unidos, os produtores de soja se encontram tam bém distantes dos portos de exportação, cerca de mil a 2 mil quilô metros.
No entanto, cerca de 60% da soja produzida é transportada por via hidroviária ou aquaviária, que é um modal de transporte mais barato – seu custo (tonelada por quilômetro percorrido) é cerca de 60% inferior ao do rodoviário e 37%, ao do ferroviário. Consequentemente, os Estados Unidos possuem vantagens competitivas superiores às do Brasil e da Argentina.
No Brasil, as distâncias deixariam de ser um inconveniente caso houvesse boa infraestrutura de transporte rodo-ferro-aquaviário, juntamen te com terminais de transbordo e suficiente aparelhamento portuário.
Persistem problemas como rodovias malconservadas e mal sinalizadas, elevados preços de pedágios, altos custos das tarifas portuárias, baixa capacidade instalada dos terminais marítimos ocasionando filas de caminhões e de navios em época de safra, entre outros.





México

O México, pela sua localização, pertence à América do Norte e, segundo a regionalização histórico-cultural, pertence à América Latina. Com a...