A América Latina é composta por países localizados na América do Sul, América Central e América do Norte. Na região latino-americana, alguns territórios não são independentes, pertencendo a diferentes nações, como Guiana Francesa (França), Ilhas Cayman e Ilhas Virgens Britânicas (Reino Unido), e Porto Rico (território não incorporado aos Estados Unidos).
De todos os países latino-americanos, em uma parte, os habitantes se comunicam em espanhol, português ou francês (línguas latinas); em outra parte, se comunicam em inglês (Bahamas, Barbados e Jamaica, por exemplo); e em apenas um se comunicam em holandês (Suriname). Em muitos desses países, sobrevivem as línguas nativas e tradicionais.
Dinâmicas populacionais na América Latina
A distribuição da população pelo território, o ritmo de crescimento da população e os movimentos migratórios são alguns dos aspectos que caracterizam as
dinâmicas populacionais da América Latina.
De modo geral, podemos verificar uma maior concentração
ao longo do litoral, tanto do
Oceano Pacífico como do Oceano Atlântico, com exceção de
determinados trechos no extremo sul da região.
No território latino-americano, a população está distribuída de forma irregular. As áreas mais habitadas são os litorais dos oceanos Pacífico e Atlântico, que concentram a maioria das capitais e das grandes e médias cidades. Esse cenário
é explicado principalmente pelo
fato de que a colonização teve
início na porção litorânea, onde
foi fundada a maioria das cida
des latino-americanas.
Como as faixas litorâneas foram a “porta de entrada” para os colonizadores europeus a partir do século XVI, a concentração humana nessas áreas é uma consequência histórica.
As áreas de baixa densidade demográfica correspondem, em geral, à localização dos principais obstáculos naturais ao povoamento. Na América do Sul, essas áreas são a Floresta Amazônica, ao norte; a Cordilheira dos Andes, a oeste; e o deserto semiárido frio da Patagônia, ao sul.
Aspectos demográficos
A população da América Latina cresceu significativamente a partir de meados do século XX. Em 1950, os latino-americanos e caribenhos somavam aproximadamente 179 milhões de pessoas. Na década de 1980, a região já contava com cerca de 385 milhões de pessoas.
Os principais fatores que contribuíram para esse
crescimento foram as melhorias relacionadas aos serviços de saúde e saneamento básico verificadas em muitos países.
A partir do final do século XX, no entanto, esse ritmo começou a cair. Atualmen
te, países como a Guatemala e o Paraguai ainda apresentam taxa de crescimento
de aproximadamente 1,6% e 1,1% ao ano, respectivamente. Já países como o Bra
sil e o Uruguai, por exemplo, vêm registrando nas últimas décadas taxas de crescimento de cerca de 0,7% e 0,3% ao ano, respectivamente.
A desaceleração nas taxas de crescimento vegetativo está associada a alguns
fatores, como o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, maior
difusão de métodos contraceptivos, por exemplo, anticoncepcionais e medidas
de esterilização, além de campanhas de planejamento familiar.
O aumento da expectativa de vida e a diminuição das taxas de mortalidade são decorrentes de progressos médico-sanitários que ocorreram nos países latino-americanos. Com a ampliação dos serviços de saúde (campanhas de vacinação, avanços tecnológicos na área farmacêutica e cons trução de hospitais) e o tratamento de água e esgoto, a melhoria na qualidade de vida da população aumentou a longevidade dos povos da América Latina.
De modo geral, países como Bolívia, Guatemala, Haiti e Honduras, que exibem
os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da América Latina, são aqueles que apresentam as mais altas taxas de crescimento vegetativo e maior per
centual de jovens no conjunto de suas populações.
Apesar dos avanços econômicos e sociais conquistados, de modo geral, pela América Latina ao longo dos últimos anos, a população ainda apresenta características típicas de países em desenvolvimento.
Já os países que apresentam Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais
elevados, como Argentina, Chile e Uruguai, em geral apresentam baixas taxas de
crescimento vegetativo e maior percentual de idosos na composição da população total.
Entre esses extremos, encontram-se nações como o Brasil e o México, as mais
populosas da região, que vêm mostrando queda constante nas taxas de crescimento vegetativo e se caracterizando por apresentar populações em processo de
envelhecimento.
Um percentual muito elevado de idosos na população, caso de países como o
Uruguai, leva ao aumento no gasto com os sistemas de previdência social e de saúde pública e à redução no percentual da População Economicamente Ativa (PEA).
Consequentemente, esses países realizam ações para estimular as taxas de natalidade e reverter gradualmente esse cenário.
Migração
De acordo com dados da International Organization for Migration (IOM), em 2021, a principal característica dos fluxos migratórios da América era a emigração de latino-americanos e caribenhos para a América do Norte.
Os fluxos migratórios internos na América Latina podem ser caracterizados por
migrações legais, realizadas por indivíduos que vão estudar e trabalhar em outros
países, de acordo com as leis vigentes, e por migrações ilegais, realizadas por indivíduos que não possuem documentação para permanecer no país de destino.
Grande parte dos imigrantes ilegais na América Latina provém de países que vivenciam problemas econômicos e crises sociais, como Haiti, Venezuela, El Salvador,
Guatemala, Honduras e Nicarágua, que se tornaram áreas de repulsão na região.
Embora uma parte expressiva desses indivíduos busque se deslocar para países
de outras regiões, principalmente para os Estados Unidos, alguns países latino-americanos também atraem imigrantes, como Argentina, Brasil, Colômbia, Chile,
Costa Rica, Equador, México e Peru. A maioria dos imigrantes se desloca para as
grandes cidades desses países, que contam com comunidades de imigrantes latino-americanos.
A emigração de populações da América Latina aumentou consideravelmente nos últimos anos, ao passo que o percentual de imigrantes de outros continentes que vivem na América Latina permaneceu estável. Houve diminuição do número de europeus e aumento do de norte-americanos vivendo na América Latina.
O México é o país latino-americano com maior número de pessoas vivendo fora do país. Cerca de 12 milhões de mexicanos vivem no exterior, segundo dados de 2019 da IOM. O destino da maior parte dos mexicanos é os Estados Unidos. Muitos mexicanos fazem a tentativa de emigração de forma ilegal, com o objetivo de conseguir melhores condições de vida.
A fronteira entre os Estados Unidos e o México é muito fiscalizada, o que dificulta a entrada ilegal de mexicanos e outros grupos latino-americanos de diferentes nacionalidades. Parte dessa fronteira é separada por muros e cercas, como na região de Tijuana.
No que se refere a migrações intrarregionais, há importante corrente migratória de nicaraguenses, panamenhos e pessoas de outras nacionalidades centro-americanas que se deslocam em busca de oportunidades de trabalho na Costa Rica.
As migrações também se intensificaram de Honduras, Guatemala e El Salvador para Belize. Na região caribenha, uma das principais correntes migratórias é de haitianos com destino à República Dominicana.
Os países sul-americanos também apresentam número expressivo de habitantes vivendo no exterior. Internamente, a Argentina é o principal destino dos vizinhos Paraguai e Bolívia. Das migrações inter-regionais (fora da América Latina), os principais destinos dos sul-americanos são Estados Unidos e Espanha.
O caso da Venezuela
Em relação às migrações atuais na América Latina, o caso mais marcante é o da
Venezuela, país que apresenta uma elevada dependência de importações de produtos
consumidos internamente, mas passa por uma profunda crise política e econômica que já se
estende desde meados de 2010.
Devido à crise, os venezuelanos convivem com problemas como a escassez de alimentos,
o desemprego, a desvalorização da moeda e a inflação, fatores que vêm estimulando a
emigração em massa.
Entre os venezuelanos que deixam o país, a maioria se dirige ao Brasil e à Colômbia,
países vizinhos e que fazem fronteira com a Venezuela. Entre janeiro de 2017 e fevereiro de
2022, o Brasil recebeu cerca de 702 222 venezuelanos. Muitos dos quais ganharam status de
refugiado.
A principal área do território brasileiro que recebeu
venezuelanos foi o estado de Roraima, que faz limite com a Venezuela e onde existem
acampamentos destinados aos refugiados.
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