quinta-feira, 5 de março de 2026

América Latina: Recursos naturais e economia

Exploração de recursos naturais


O continente americano possui, em suas terras, grande disponibilidade de recursos vegetais, animais e minerais; essa característica possibilita a exploração e a utilização desses recursos de diversas maneiras. A estrutura geológica propicia a exploração de recursos minerais, a presença dos oceanos Atlântico e Pacífico favorece a atividade pesqueira, a existência de extensa e variada rede hidrográfica possibilita a geração de energia elétrica e a diversidade de climas, formas de relevo e tipos de solo favorecem as práticas agrícolas e pecuárias.
Apesar de o setor industrial ter apresentado crescimento nas últimas déca das em alguns países latino-americanos, a base da organização econômica e produtiva da maioria dos países da região é voltada para o setor primário, ou seja, concentra-se na produção e exportação de produtos agropecuários e na extração vegetal, animal e mineral.
O Brasil, a Argentina e o México possuem, no setor primário, uma base importante de exportação, mas são os países com maiores níveis de industrialização dentre os latino-americanos e contam com bens industriais nas suas pautas de exportação.
Venezuela, Trinidad e Tobago, Equador, Chile, Bolívia, Guiana, Suriname e Jamaica destacam-se na exploração mineral. Colômbia, Uruguai, Paraguai e a maior parte dos países da América Central têm na produção agropecuária a base de suas economias.

Agricultura e pecuária


A América Latina é a região que mais exporta carne bovina e aves no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a tendência é que a produção agropecuária dos países latino-americanos cresça significativa mente até 2028.
Na década de 2020, é previsto que o uso de terras destinado ao setor agrícola aumente cerca de 11 milhões de hectares. O cultivo das oleaginosas, especialmente da soja, será o principal responsável pelo crescimento da pro dutividade agrícola e pela expansão de áreas cultivadas. Segundo as estimativas da FAO, a América Latina será pro dutora de aproximadamente 59% dos produtos alimentícios, principalmente soja e açúcar, comercializados no mercado global até 2027.
A América Latina é também a segunda maior produtora de pescados do mundo, ficando atrás apenas da Ásia. Peru, Chile e Brasil destacam-se nessa atividade.
Com base no que você estudou sobre a América Latina, é possível identificar a existência de disparidades econômicas e sociais entre os países da região. No que se refere à produção agropecuária, isso não é diferente: técnicas produtivas tradicionais convivem com práticas modernas e altamente tecnológicas. São grandes os contrastes de investimentos científicos e tecnológicos, não só entre os países, mas também entre os agropecuaristas de um mesmo país.
De modo geral, a maioria das terras estão concentradas nas mãos de poucos pro prietários rurais, que são os que têm melho res condições de investir no aumento da produtividade.
Nas propriedades em que se desenvolvem as atividades agrárias tradicionais, o investimento em máquinas e insumos, por exemplo, é bastante reduzido. As técnicas são rudimentares, o plantio e a colheita são realizados manualmente ou com o uso de força animal. Em contrapartida, alguns países latino-americanos possuem propriedades com altos níveis de aproveitamento produtivo, como é o caso de Brasil, Uruguai, Argentina e México.
As propriedades mais tecnológicas geralmente possuem grande extensão territorial e são produtoras de monoculturas voltadas à exportação. Por sua vez, as pequenas e médias propriedades, de modo geral, são as responsáveis pela produção de alimentos e pelo abastecimento do mercado interno.

Recursos minerais


A atividade mineradora é uma importante fonte de recursos econômicos de alguns países da América Latina. Para Venezuela, Equador, Chile e Bolívia, por exemplo, os minérios são os principais produtos de exportação.
Os recursos minerais exportados pelos países da América Latina destinam-se aos países industrializa dos da América Anglo-Saxônica, da Europa e da Ásia. Isso reforça a condição dos países latino-americanos de exportadores de produtos primários e dependen tes de produtos industrializados e de alta tecnologia.
Se, por um lado, a atividade mineradora gera riqueza aos países da região em questão, por outro, está associada a impactos ambientais, como a contami nação da água e do solo, a erosão e ao desmatamento, que, por consequência, contribui para a extinção da fauna e da flora. Esses impactos podem ser de maiores ou menores dimensões, conforme o planejamento, o cuidado com o manejo e a reparação ambiental.
Alguns países da América Latina são conhecidos mundialmente por suas reservas de petróleo e de gás natural. A Venezuela destaca-se pelas gran des reservas de petróleo, detendo aproximadamente 20% do total mundial. O país, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), já foi um dos principais produtores, contudo, enfrenta nos últimos anos uma severa crise econômica, que afetou a produção petrolífera. O Brasil possui a segunda maior reserva de petróleo entre os países latino-americanos, mas não é membro da Opep.
No que se refere ao gás natural, a Venezuela também possui as maiores reservas latino-americanas. O Brasil está em segundo lugar e, em terceiro, o Peru. O petróleo e o gás natural são fontes de energia não renováveis. Contudo, eles ainda são recursos naturais energéticos amplamente utilizados em todo o mundo. Para os países que possuem grandes reservas naturais, torna-se um recurso estratégico na negociação com outros países que não o possuem e necessitam importá-lo. Portanto, as grandes reservas latino-americanas colocam a região em destaque no comércio internacional.
Muitas vezes, os paí ses com grandes reservas de petróleo e gás natural veem na exportação a mais importante fonte de geração de recursos financeiros, como a Bolívia e a Venezuela. Além de sofrerem com a variação dos preços e do cená rio no mercado global, os países latino‑americanos têm dividido ou fornecido o processo de exploração desses recursos para empresas de outros países.

Fontes de energia


Nas últimas décadas, os países latino-americanos que não possuem abundância de combustíveis fósseis como petróleo, gás natural e carvão mineral (fontes de energia não renováveis) têm investido em fontes de energia alterna tivas e renováveis. Além disso, há um consenso global sobre a necessidade de reduzir a emissão de gases gerados pelo uso intenso de combustíveis fósseis, já que o acúmulo desses gases na atmosfera pode contribuir para o aumento do efeito estufa. As fontes de energia renováveis, embora também causem impactos ambientais, renovam-se em um período curto e são consideradas energias limpas, porque impactam menos o ambiente do que a queima dos combustíveis fósseis.
A América Latina tem sido reconhecida internacional mente pelos investimentos realizados em fontes de energia limpa. Alternativas pouco usuais têm sido exploradas por países como Argentina, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México e Nicarágua. É o caso da instalação de usinas geotérmicas, que geram energia por meio do calor fornecido pela atividade magmática.
Na Costa Rica, grande parte da energia elétrica é gerada de fontes renováveis, destacando-se: hidrelétricas, usinas eólicas, usinas geotérmicas e biomassa – matéria orgânica de origem vegetal ou animal utilizada para a produção de energia.
O Uruguai também é um exemplo de país que tem investido em fontes alternativas de energia. Grande parte de sua energia provém de fontes renováveis, como a energia eólica. O país também tem investido na construção de represas hidrelé tricas e em biomassa.
No Chile foram construídas muitas usinas solares para a produção de ener gia, principalmente no deserto do Atacama.
O Brasil também se destaca na geração de energia de fontes renováveis. Segundo o Anuário Estatístico de Energia Elétrica de 2020, aproximadamente 60% da produção de energia elétrica do país é originada de usinas hidrelétricas. A Usina Binacional Itaipu – uma das maiores hidrelétricas do mundo, localizada no Rio Paraná – pertence e é administrada pelo Paraguai e pelo Brasil. A usina é responsável por cerca de 88,5% da energia elétrica consumida pelo Paraguai e por 10% da consumida pelo Brasil.
O Brasil também tem investido em biomassa, principalmente oriunda da lenha, do bagaço da cana-de-açúcar e da lixívia (água de lavagem das cinzas da queima de madeira). A geração de energia elétrica oriunda da força dos ventos (energia eólica) também tem contribuído para a geração total da energia elétrica brasileira.

Projetos de cooperação energética entre os países do Mercosul


O Mercosul (Mercado Comum do Sul), do qual fazem parte Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela (esta última sus pensa em 2016 por descumprimento do Protocolo de Adesão) com outros países sul-americanos, possui algumas experiências de cooperação com o objetivo de produzir energia elétrica ou explorar os recursos naturais disponíveis de forma conjunta.
Já citamos o caso da hidrelétrica de Itaipu, compartilhada entre o Brasil e o Paraguai. Existem outros exemplos, como a hidrelétrica de Yacyretá, compartilhada entre Argentina e Paraguai; e, também, a hidrelétrica Salto Grande, entre Argentina e Uruguai.
A Rodovia Interoceânica, que interliga o Brasil e o Peru, visa, entre outros objetivos, promover maior integração comercial entre os dois países e os países andinos vizinhos. Inaugurada em 2011, a rodovia atravessa trechos da Floresta Amazônica, da Cordilheira dos Andes, desertos e vilarejos históricos.
Alguns gasodutos e oleodutos, tubulações que transportam, respectiva mente, gás natural e petróleo (e alguns derivados), interligam diferentes países sul-americanos. Um deles liga os territórios da Argentina, do Brasil, do Chile e do Uruguai, e outro interliga a Bolívia e o Brasil.
A Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Ame ricana (IIRSA) foi criada em 2000 como proposta conjunta de todos os paí ses da América do Sul, com o objetivo de promover a integração da estrutura física desses países. Entre as principais propostas, discute-se a modernização da infraestrutura de transporte, energia e telecomunicações, estabelecendo ações cooperativas entre os Estados.
Atualmente, os projetos de integração e cooperação de infraestrutura têm realizado poucas operações. Os governos da América do Sul não têm buscado a integração regional, seja comercial, seja energética.


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