Diferenças sociais e econômicas
Os países da América Latina apresentam diferenças em sua origem e colonização, o que resulta em indicadores sociais e econômicos diversos. No que se refere à economia e aos avanços sociais, a realidade da América Latina é bastante insatisfatória, mesmo se considerarmos os grandes avanços realizados nas últimas décadas. Persistem a pluralidade e os problemas dos países latinos, em comparação aos países desenvolvidos.
A maioria dos países latinos está em situação de dependência econômica em relação às maiores economias do mundo – como EUA, China e União Europeia. São países que, em geral, dependem da exportação de produtos primários e não têm altos índices de industrialização. Suas economias não estão geralmente entre as que mais crescem no cenário mundial e, quando o crescimento é favorável, não conseguem usar a riqueza gerada para solucionar a desigualdade econômica e social.
Além disso, setores essenciais de atendimento à população, como saúde, educação, além da oferta de emprego, estão concentrados nos grandes cen tros urbanos, provocando uma migração massiva em direção a esses espaços, lançando novos desa fios para os governos locais nas áreas do transporte, da segurança pública, da moradia, do abastecimento de água e energia, entre outras.
Moradia e problemas urbanos
A América Latina é atualmente a região mais urbanizada do mundo, com cerca de 450 milhões de pessoas (80% da população) vivendo em cidades. Entre os maiores centros urbanos do mundo estão a Cidade do México e a cidade de São Paulo.
Os centros urbanos da América Latina caracterizam-se pela segregação espacial e pela desigualdade, ou seja, é possível notar a existência de bairros que possibilitam aos seus moradores o acesso satisfatório a serviços básicos (hospitais, escolas, creches, iluminação, segurança, serviço de água e esgoto, coleta de lixo, transporte público eficiente, entre outros) em detrimento de outros bairros, geralmente localizados em áreas periféricas. Nesse contexto, a violência urbana é um dos problemas que mais preocupam a população dos grandes centros urbanos.
O deslocamento de grandes contingentes populacionais do campo ou de outras cidades menores em direção aos grandes centros urbanos, a falta de planejamento regional e urbano, além da atuação do mer cado imobiliário, colocam a questão da habitação entre os grandes problemas dos centros urbanos da América Latina. Aproximadamente 111 milhões, dos 588 milhões de habitantes da região, moram em favelas.
Segundo o IBGE, as favelas e os alagados, entre outras formas de habitação precária, conhecidas como grotões, invasões, baixadas, ressacas, mocambos, palafitas etc., estão agrupados de forma genérica no conceito de aglomerados subnormais.
Entre as maiores favelas da América Latina estão a favela do Sol Nascente (DF), a favela da Rocinha (RJ), Cité Soleil, em Porto Príncipe (capital do Haiti) e a impressionante cidade de Nezahualcóyotl, ou apenas Ciudad Neza, nos limites da Cidade do México, com um adensamento de mais de 1 milhão de habitantes.
Segundo a ONU, a população urbana mundial vai duplicar até 2050, e as taxas de crescimento urbano devem diminuir na América Latina, o que não significa dizer que os desafios serão menores no que se refere à garantia de direitos das populações que habitam os densos centros urbanos e no que se refere às estratégias de planejamento por parte dos governantes locais. Estima-se que, em 2050, 89% da população da região estará vivendo em cidades.
Outro tema inerente aos grandes centros é a mobilidade urbana. Parte da população precisa percorrer longas distâncias entre sua moradia e o posto de trabalho. As más condições do transporte público e os frequentes congestiona mentos diários nas ruas e avenidas das grandes cidades agravam o problema. Outra questão importante é a água potável. De acordo com os estudos do Banco Mundial, a América Latina é a região com maior quantidade de água doce do planeta, com destaque para Brasil, Colômbia e Peru. No entanto, cerca de 34 milhões de pessoas têm algum comprometimento no acesso à água potável.
Economia e emprego
Alguns países da América Latina tiveram um crescimento industrial de destaque nos últimos anos, o que refletiu em melhorias socioeconômicas para a população. Eles são conhecidos como países de economia emergente ou em desenvolvimento. Países emergentes, a exemplo de Brasil, México e Argentina, apresentam industrialização tardia, com predomínio da tecnologia clássica e modernização em alguns setores.
O Brasil é o único país da região que, desde o início do século XXI, faz parte do bloco das maiores economias emergentes do mundo, o chamado Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Recentemente, com a desaceleração do crescimento econômico do Brics, desponta no cenário internacional o chamado Mint (México, Indonésia, Nigéria e Turquia), que têm em comum as superpopulações e a promessa de gigantescos mercados de trabalho para as próximas décadas.
Em relação ao mercado de trabalho, a instabilidade política ainda faz com que as taxas de desemprego oscilem de acordo com momentos de calmaria e de tensão nos cenários políticos nacional e continental, bem como em virtude tanto da concorrência dos lugares que disputam a atração dos investidores quanto da dinâmica do mercado mundial.
Como a maioria dos países latino-americanos tem economia pouco diversificada e baseada na produção e comercialização de commodities (mercadorias produzidas em larga escala, geralmente de origem mineral ou agropecuária, como petróleo, minério de ferro, soja ou proteína animal), com seus preços definidos no mercado internacional, qualquer oscilação ou crise econômica os afeta diretamente.
Apesar de consideráveis avanços, ainda hoje um dos grandes desafios para a América Latina é a qualificação da mão de obra, o que exige investimentos nas áreas da educação e da pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
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