Após a Segunda Guerra Mundial, com o processo de descolonização em andamento, os países desenvolvidos criaram uma estratégia de incremento da produção agrícola mundial: era o início da Revolução Verde. A partir da segunda metade do século XX, vários países do mundo, incluindo o Brasil, implantaram a chamada Revolução Verde com o objetivo de aumentar a produção de alimentos.
Ela se caracterizou pela modernização do campo, principalmente com a introdução de novas técnicas de cultivo, como o uso intensivo de agrotóxicos no combate às pragas, a aplicação de adubos e fertilizantes para a recuperação dos solos, o emprego de máquinas e implementos agrícolas e a utilização de sementes selecionadas, mais resistentes e produtivas.
Contudo, os resultados da Revolução Verde são questionáveis, pois, apesar de a produção agrícola mundial ter aumentado, a fome cresceu em proporções bem maiores. Calcula-se que cerca de um terço da população mundial sofra de carência alimentar, ou seja, consome uma quantidade de nutrientes inferior ao mínimo ne cessário. Isso porque grande parte da produção agrícola, sobretudo a dos países mais pobres, destina-se ao abastecimento do mercado consumidor dos países desenvolvidos, e não à população interna que necessita de alimentos.
Embora a Revolução Verde tenha contribuído para o aumento da produtividade em escala mundial, ela acarretou problemas de concentração da proprieda
de rural, pois apenas os grandes proprietários rurais tiveram acesso ao “pacote
tecnológico”. Desse modo, a competição nos novos parâmetros de produtividade
ocorreu em detrimento dos pequenos produtores.
A fome
A Revolução Agrícola e a Revolução Verde proporcionaram o aumento expressivo
da produtividade agrícola global, resultando em uma produção total de alimentos ca
paz de abastecer toda a população mundial. No entanto, esses processos não foram
suficientes para resolver o problema da fome no mundo, e suas causas são múltiplas.
A modernização da agropecuária foi marcada também por uma ampliação
das terras destinadas a gêneros de exportação nos territórios dos países em de
senvolvimento, com consequente redução das áreas agricultáveis destinadas à
produção de alimentos consumidos pela própria população do país. Desse modo,
a concentração da renda e da terra nas mãos de poucos proprietários e a pobreza
que afeta parcela expressiva da população mundial correspondem a outro con
junto de fatores que contribuiu para a intensificação da fome.
É preciso ressaltar que, em muitos países em desenvolvimento com eleva
das dívidas externas, os governantes desenvolvem estratégias para o aumento
da produção interna de gêneros agrícolas de exportação, a fim de obterem saldos
positivos na balança comercial, de modo a gerar recursos financeiros, geralmente
destinados ao pagamento dos juros das dívidas.
Além disso, questões de ordem natural (seca ou inundações) e conflitos arma
dos, inclusive guerras civis e entre países, ocasionam desestruturação da produção agrícola nos territórios de muitos países, com redução da oferta de alimentos.
É preciso levar em conta, ainda, a questão do
desperdício nos países mais desenvolvidos. Conforme dados da Organização das Nações Unidas para Ali
mentação e Agricultura (FAO), por pessoa, em média,
os habitantes da Europa e dos Estados Unidos des
cartam de 95 a 115 quilos de comida todo ano.
Atualmente, também de acordo com a FAO,
10,8% da população do planeta encontra-se sob
condições precárias de alimentação, sem acesso
a uma dieta que forneça o mínimo necessário de
calorias e nutrientes por dia. Além disso,
aproximadamente 21 mil pessoas morrem a cada
dia por problemas decorrentes da escassez de
alimentos.
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