A atividade turística é um dos setores da economia que mais crescem no mundo, e na Região Nordeste gera muitos recursos e empregos.
Ele envolve grandes investimentos em infraestrutura, como rodovias, portos e aeroportos, e produz grande dinamismo no comércio e nos serviços em geral oferecidos por pousadas, hotéis, restaurantes, lojas de artesanato local, empresas de viagens com guias turísticos, serviços de segurança, etc., gerando muitos empregos – atualmente é uma das atividades que mais geram empregos em todo o mundo.
A partir dos anos 1980, houve um crescimento da atividade turística nas capitais do Nordeste. Salvador, Recife, Fortaleza, Maceió e Natal são os principais polos
de atração, inclusive para turistas estrangeiros. O entorno do município
de Porto Seguro, no litoral sul da Bahia, também passou a ser muito procurado.
Os governos estaduais passaram a estimular a atividade turística, veiculan
do comerciais nos meios de comunicação de outros estados do Brasil, principal
mente São Paulo, o mais populoso e com maior poder aquisitivo. Além disso, houve investimentos estrangeiros em diversos pontos do litoral nordestino, com a
construção de hotéis semelhantes aos existentes nos grandes centros turísticos
internacionais e a modernização de alguns aeroportos.
Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento do turismo no Nordeste tem sido marcado por quatro características:
• diversificação dos destinos, que não se limitam unicamente às capitais e às localidades litorâneas;
• crescimento contínuo do fluxo de turismo interno e externo;
• profissionalização do setor;
• articulação eficiente entre poder público e iniciativa privada.
O turismo é um dos exemplos da articulação entre natureza, economia e cultura. Assim, para que a atividade turística tenha sucesso, não se devem considerar apenas as características naturais, mas também as condições culturais e educacionais da região, promovendo, por exemplo, a formação de mão de obra especializada.
Além das belezas naturais, como o seu vasto litoral e as áreas como os Lençóis Maranhenses, o Nordeste tem cidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Salvador (BA), Olinda (PE) e São Luís (MA), e, também, grandes áreas de preservação ambiental.
Na região Nordeste, o turismo doméstico é muito mais importante para a economia dos centros turísticos do que o turismo internacional. Por exemplo, segundo o Anuário estatístico do Ministério do Turismo, em 2016 ingressaram 6,6 milhões de turistas de outros países no Brasil; destes, apenas 301 mil tiveram como destino o Nordeste. Ou seja, menos de 5% desse total se dirigiu à região.
Os grandes receptores de turistas estrangeiros são o estado de São Paulo, com 2,2 milhões (cerca de um terço do total), Rio de Janeiro, com quase 1,5 milhão, e Rio Grande do Sul, com 1 milhão.
O turismo também tem crescido principalmente na orla litorânea do Nordeste. Grandes e sofisticados complexos hoteleiros hoje fazem parte da paisagem de muitas partes do litoral nordestino, dada sua beleza que atrai turistas do Brasil e do exterior. Eles foram construídos de modo a atender diferentes faixas de renda. A atividade se tornou uma das prioridades das políticas de planejamento dirigidas à região. Isso significa que os empresários do setor turístico contam com grande apoio do governo federal e de governos estaduais para realizar seus investimentos.
O turismo é uma importante fonte de renda para o Nordeste e é um dos setores que mais gera empregos na região. Os turistas são atraídos principalmente
pelas belas praias e pela perspectiva de calor praticamente o ano todo. Para facilitar o acesso a um dos mais belos trechos do litoral do Nordeste, foi construída a
Linha Verde, rodovia que percorre o litoral norte da Bahia, cruzando extensa área
de dunas, manguezais, lagoas, estuários e coqueiros.
Entre os brasileiros, a região Nordeste é a que atrai mais turistas, no que se refere apenas ao turismo doméstico. O clima agradável e as belas praias atraem pessoas de outras regiões do Brasil (e do exterior) em todos os meses do ano, já que no litoral as temperaturas mantêm-se sempre elevadas. No interior, as paisagens naturais, as regiões de serras e chapadas com temperaturas amenas e os parques ecológicos também se tornaram um grande polo de atração de visitantes.
Parte dos investimentos que a região recebeu veio de grupos internacionais. Eles procuraram criar um mercado para turistas europeus, dada a menor distância entre capitais nordestinas e os tradicionais destinos, como Rio de Janeiro (RJ) e Foz do Iguaçu (PR).
Já o turismo de negócios desponta com grande vigor. Fortaleza (CE) transformou-se em uma capital de eventos, recebendo congressos, feiras e convenções todos os meses, o que movimenta sua rede hoteleira e os serviços, como restaurantes.
Cidades como Salvador exploram a atividade turística de diversas formas. Além de receber eventos com frequência, dada sua posição no território brasileiro, explora suas praias, festividades religiosas, o carnaval e, também, seu patrimônio histórico.
O Pelourinho, lugar que era usado para sacrificar e reprimir escravizados na época da es cravidão, mantém um conjunto arquitetônico da época colonial que atrai turistas do Brasil e de outros países. Por fim, encontram-se igrejas de coradas com ouro que também se tornaram um importante destino de visitação turística.
O Nordeste sozinho também comporta quase 50% dos 47 polos ecoturísticos
mapeados pela Embratur. É talvez a região brasileira com maiores contrastes de
paisagem e riqueza natural.
O ecoturismo no Nordeste está estruturado de várias formas. Algumas experiências vêm propiciando o desenvolvimento da atividade aliado à conservação
ambiental. Um exemplo é o que ocorre no arquipélago de Fernando de Noronha. Para conservar seus recursos naturais, o Ibama, responsável por sua
administração, estabeleceu um limite diário para a entrada de turistas.
Entre os locais mais procurados, destacam-se ainda: o Parque Nacional da
Chapada Diamantina, o arquipélago de Abrolhos, a Área de Proteção Ambiental
de Itacaré-Serra Grande e a Reserva Biológica do Una, na Bahia; os Lençóis Ma
ranhenses, região conhecida como o “Saara brasileiro’’; o delta do rio Parnaíba,
entre os estados do Piauí e do Maranhão; o Parque Nacional de Sete Cidades, que
possui vestígios arqueológicos com data de 250 milhões de anos, além de outra
área arqueológica na serra da Capivara, que guarda mais de 200 sítios com pinturas rupestres, no Piauí. Nos últimos anos, em decorrência da falta de
recursos, o Parque Nacional da Serra da Capivara tem sofrido forte degradação.
Em decorrência da forte pressão de ambientalistas, foi criada, às margens da
Linha Verde, a Área de Proteção Ambiental do Litoral Norte, que submete qualquer
empreendimento situado a até dez quilômetros do mar à aprovação do Conselho
Estadual de Proteção Ambiental.
Os empreendimentos imobiliários para a instalação de hotéis e de casas particulares nas áreas litorâneas podem trazer sérios prejuízos ao ambiente. Além
disso, acabam expulsando a população local, que, em geral, é composta de pessoas que não possuem títulos de propriedade.
Todas essas transformações ocorridas no Nordeste indicam que as regiões brasileiras estão permanentemente em processo de mudança. É o que se pode verificar também na região Norte, que no passado recebeu muitos migrantes nordestinos.
No entanto, a atividade turística também apresenta aspectos negativos, já que pode contribuir para a degradação ambiental e a expulsão da população local em áreas que atraem investimentos turísticos. Considerando isso, é importante que as políticas voltadas para o incentivo ao turismo promovam o desenvolvimento local e respeitem as legislações ambientais e trabalhistas.
Em Canoa Quebrada (CE), um desses empreendimentos provocou mudanças na direção do movimento das areias das dunas e soterrou um antigo povoado
do lugar.
Se o turismo é uma atividade geradora de renda, é preciso que essa renda
seja bem distribuída. Uma medida importante a ser tomada é a preparação e a
profissionalização da mão de obra local para exercer as diversas funções ligadas
ao turismo. Isso impede a “importação” de mão de obra de outras regiões, que faz
com que parte da renda gerada acabe migrando para outros locais.
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