Nas últimas décadas, parte significativa do crescimento da região Nordeste
deve-se ao incremento da produção industrial.
Desde a inauguração da usina hidrelétrica em Paulo Afonso, no rio São Fran
cisco, e a instalação de uma fábrica de linhas de costura nas proximidades, em
1913, foram feitas várias tentativas para industrializar o Nordeste. O incremento
da atividade industrial na região, no entanto, deu-se principalmente após a criação da Sudene e a aplicação da política de incentivos fiscais para os empresários
que se estabelecem na região.
Principais setores e centros industriais
Até meados do século XX, a porção Centro-Sul concentrava a grande maioria das indústrias existentes no Brasil. Essa predominância seguiu sem grandes mudanças até a década de 1970. A partir de então, a Região Nordeste passou a apresentar alguns avanços no setor industrial, porém nada muito significativo.
Diante das desigualdade entre as diferentes regiões brasileiras, muitos nordestinos migraram para a Região Sudeste em busca de trabalho, sobretudo no setor industrial, entre as décadas de 1950 e 1990.
A industrialização nordestina sempre esteve ligada à agricultura da cana-de-açúcar e do algodão, o que beneficiou o desenvolvimento de usinas de açúcar e de
fábricas de fiação e tecelagem. Com a descoberta do petróleo, passou a se destacar também a indústria petroquímica. Outros setores que vêm crescendo na região
são o de softwares e o de produtos automobilísticos, químicos e farmacêuticos.
Porém, nas últimas décadas, as atividades industriais desenvolvidas na Região Nordeste têm se diversificado, já que importantes tipos de indústrias, antes restritas às regiões Sudeste e Sul, passaram a exercer suas atividades em estados nordestinos.
Entre os mais importantes setores industriais da região estão o têxtil, o de
produtos alimentícios e bebidas e o petroquímico.
Em torno dos locais de extração de petróleo e de gás natural, vêm se estruturando diversos complexos industriais.
Isso ocorreu devido a uma série de investimentos governamentais em infraestrutura, tais como instalação de usinas hidrelétricas, construção ou modernização de portos marítimos, construção e ampliação de rodovias, além da concessão de incentivos fiscais para as empresas, como baixos impostos.
A Zona da Mata é a região onde está localizada grande parte das indústrias da Região Nordeste, por exemplo, o Distrito Industrial de Ilhéus, na Bahia, e o Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco. Além da presença de um importante mercado consumidor, essa sub-região conta com uma rede de transporte composta por rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Entre as principais empresas que se instalaram no Nordeste estão as do ramo de autopeças, softwares, componentes químicos, automóveis, tecidos e calçados. A partir de 2010, a Petrobras anunciou uma série de descobertas de petróleo em diversos pontos do litoral nordestino e essa também tem sido um atrativo para diversas empresas do setor ao Nordeste.
As três maiores Regiões Metropolitanas do Nordeste – Fortaleza, Salvador e Recife – são também os grandes centros industriais da região. A geração de riqueza dos polos industriais da Bahia, de Pernambuco e do Ceará e os serviços comerciais gerados indiretamente por eles contribuem para que esses estados tenham os maiores PIBs da região.
Importantes áreas industrializadas também movimentam a economia da região Nordeste.
Na Bahia, indústrias mecânicas, químicas, automotivas e de celulose foram implantadas nas proximidades de Salvador, no Polo Industrial de Camaçari, transformando o Recôncavo Baiano em uma das áreas mais importantes do país.
No Recôncavo Baiano, há um importante complexo industrial que transforma o
petróleo bruto em vários subprodutos (gasolina, óleo diesel, querosene, etc.). Trata-se da Refinaria de Petróleo Landulpho Alves, que pertence à Petrobras.
Na Região Metropolitana de Salvador, nos municípios de Camaçari e Dias
D’Ávila, foi criado o polo petroquímico de Camaçari, em 1978, a maior concentração industrial de todo o Nordeste e uma das maiores do Brasil.
O Centro Industrial de Aratu, próximo a Salvador, também aloja muitas indústrias e serviços, assim como o município de Feira de Santana, cuja posição geográfica o torna atrativo para as indústrias.
Com os incentivos oferecidos pela Sudene, outros setores foram instalados na região. Indústrias de eletrodomésticos e de produtos eletrônicos, higiene e limpeza fixaram-se na Região Metropolitana do Recife e as de produtos alimentícios, na região de Fortaleza
A intensificação do desenvolvimento industrial do Ceará a partir dos anos 1990 vem alterando o cenário do estado. O destaque fica para Horizonte, município na Grande Fortaleza que conta com uma montadora de automóveis e indústrias do setor têxtil e alimentício.
Os grandes centros industriais da região Nordeste situam-se na sub-região da Zona da Mata,
onde se localizam o Grande Recife e a Grande Salvador. Nessas áreas existem os distritos industriais,
que concentram muitas indústrias de diversos setores, além de centros de distribuição de mercadorias.
No Grande Recife, destacam-se, entre outros
distritos industriais, o de Cabo de Santo Agostinho,
o de Abreu e Lima, o de Ipojuca, o de Paulista e o de
Jaboatão dos Guararapes.
Ainda na Grande Salvador, encontra-se o Centro Industrial de Aratu (criado em 1967). Ele ocupa
áreas dos municípios de Salvador, Simões Filho e
Candeias, em torno da baía de Aratu, e reúne várias
indústrias (de eletrodomésticos, químicas, de cerâ
mica, de óleos vegetais, de calçados, etc.). Há tam
bém uma indústria de base de grande porte, a Usina
Siderúrgica da Bahia (Usiba).
Em Camaçari (BA), no ano de 2001, foi inaugurada a primeira grande indús
tria automobilística instalada fora do Centro-Sul. O empreendimento recebeu in
centivos dos governos federal, estadual e municipal.
A partir da década de 1990, a instalação de indústrias no Nordeste passou a
ser estimulada pelos próprios estados, que ofereceram isenção de impostos por
alguns anos para áreas não localizadas nas regiões metropolitanas ou redução
do imposto em até 50%, como se faz no Ceará, para a instalação de indústrias
nessas regiões. Os estados passaram também a doar terrenos e a investir em
infraestrutura (rede de energia elétrica, de transportes e de comunicações).
Como resultado dessa guerra fiscal, o Ceará, tradicional produtor têxtil, rece
beu mais indústrias têxteis, muitas delas de capital externo (de outros países).
No sudeste baiano, região de Itapetinga, Jequié, Serrinha, Ipirá e Itaberaba, cerca
de trinta empresas gaúchas instalaram-se em um polo calçadista criado pelo go
verno baiano, em meados da década de 1990, com incentivos fiscais. Também no
estado do Ceará, empresas calçadistas instalaram-se em Sobral, Crato e Fortale
za. Fortaleza é, hoje, o terceiro principal centro industrial do Nordeste.
Ainda na Bahia, em Feira de Santana, encontra-se o terceiro principal Centro
Industrial do estado. Em Ilhéus, formou-se um polo de informática e indústrias
eletroeletrônicas, em virtude de incentivos oferecidos pelo município, pelo estado
e pela Sudene. Cerca de 10% dos microcomputadores vendidos no Brasil são produzidos por empresas instaladas em Ilhéus. Outros distritos baianos que mere
cem destaque são: Itabuna, Jequié, Vitória da Conquista e Juazeiro.
Em Pernambuco, há o polo gesseiro em Araripina, que produz cerca de 90% do
gesso do Brasil; nesse estado também se destacam as confecções de Caruaru.
Em todos esses casos, a mão de obra barata também é um forte atrativo para
as empresas.
Atraindo indústrias para o Nordeste
Muitas empresas têm se instalado na Região Nordeste atraídas pelos incentivos fiscais concedidos pelos estados ou municípios e pelo menor custo da mão de obra, se compararmos com os salários pagos nas áreas mais industrializadas de outras regiões do país, como a Sudeste.
Desde os anos 1990, o baixo custo da mão de obra nordestina vem atraindo empresários do Centro-Sul e do exterior. Os incentivos dos governos estaduais (redução ou isenção de impostos), conhecidos como guerra fiscal, também têm estimulado a instalação de indústrias no Nordeste.
Entre essas empresas estão as que atuam em setores mais tradicionais, como o alimentício e o de vestuário (têxtil e calçados), e também as mais avançadas tecnologicamente, como as de informática, petroquímica e automobilística.
Também estão presentes na Região Nordeste indústrias extrativas minerais e de recursos energéticos fósseis, voltadas, sobretudo, para a exploração de chumbo, cobre, cloreto de sódio e petróleo.
Esses fatores contribuíram, por exemplo, para a instalação de unidades produtivas de calçados no sudeste baiano e no interior do Ceará; de equipamentos de informática e eletroeletrônicos em Ilhéus, no litoral da Bahia; e de outros setores, como o alimentício, de higiene e limpeza, de telemarketing, confecções, medica mentos e automóveis, inclusive nas regiões metropolitanas.
Outra concentração industrial está em Sobral e Crato, que se especializaram na produção de calçados. O Complexo Industrial Portuário de Pecém, ainda em fase de implantação, vem atraindo muitas indústrias, entre as mais importantes, uma petroquímica e uma siderúrgica.
Também o setor de tecnologia da informação (TI) tem recebido empresas de desenvolvimento de software, equipamentos e acessórios. Em Pernambuco, por exemplo, ao lado de uma centena de pequenas e médias empresas do setor, o Porto Digital abriga multinacionais. No mesmo estado, em Suape, en contra-se um dos maiores polos tecnológicos do Brasil.
Nos anos 2000, Pernambuco passou a ter uma das economias que mais crescem no Brasil, estimulada por novos investimentos. O Complexo Industrial Portuário de Suape, que fica há 40 quilômetros do Recife, recebeu uma refinaria de petróleo e uma grande empresa petroquímica.
Além disso, desde 2015 opera no município de Goiana, no estado de Pernambuco, mais uma montadora de automóveis que produz cerca de 100 mil carros por ano, parte dos quais destinados à exportação
Em conjunto com essa fábrica atuam cerca de 16 empresas, que empregam, no total, cerca de 8 500 trabalhadores. Também merece destaque o Porto Digital, uma iniciativa do Governo Estadual que criou as condições para que empresas do setor tecnológico se instalassem na capital do estado.
No polo industrial de Camaçari, foi inaugurada em 2001 a primeira indústria automobilística (multinacional estadunidense).
Atualmente, esse polo é responsável por mais de 30% das exportações da Bahia. Destacam-se nele, além da indústria automobilística, as indústrias química e petroquímica, de metalurgia (cobre), bebidas, celulose e fertilizantes, entre outras.
Atualmente, a região nordestina possui o terceiro maior parque industrial do Brasil. Essa posição decorre de uma série de fatores, como os incentivos fiscais oferecidos pelos governos estaduais e municipais e a disponibilidade de mão de obra barata, ou seja, com baixos salários.
O processo de diversificação industrial no Nordeste está transformando sua economia, pois, além de mudar a organização espacial interna regional instalando, por exemplo, novas fábricas em áreas antes ocupadas por atividades, como agricultura e pecuária, vem gerando mais riquezas para a região.
Os governos estaduais da Região Nordeste têm busca do consolidar a formação de polos produtivos especializados. Eles compreendem áreas de grande dinamismo econômico que contribuíram para impulsionar o crescimento regional.
Indústria e tecnologia
A indústria nordestina tem grande relevância para o país. Seu crescimento
ocorreu de forma mais significativa nas últimas duas décadas, por meio do pro
cesso de desconcentração industrial: processo de deslocamento das fábricas,
antes localizadas em grande parte na Região Sudeste, para a Região Nordeste,
em razão dos incentivos fiscais, da mão de obra barata e do crescente mercado
consumidor da região.
Os setores alimentício, calçadista, de vestuário e auto
mobilístico, são exemplos de indústrias atuantes. Também merece destaque o
crescimento do setor de tecnologia da inovação, principalmente na produção de
energias renováveis e no desenvolvimento de softwares.
Os maiores polos industriais estão localizados no Território de Identidade
Metropolitano de Salvador e na Região Metropolitana do Recife, e em expansão
crescente na Região Metropolitana de Fortaleza. São destaques, em Pernambuco,
os municípios de Jaboatão dos Guararapes e Paulista. Há também um importante
polo de indústrias de calçados em Sobral, Crato e Juazeiro do Norte, no Ceará.
AS PRODUÇÕES MINERAL E INDUSTRIAL
O Nordeste apresenta diversas reservas minerais de urânio, amianto, titânio, fosfato, calcário, diamante, ouro, entre outras. As atividades de garimpo e mineração se destacam, entretanto, são superadas pela extração de petróleo e gás natural. Além da produção de combustíveis e gás de cozinha, o gás natural é utilizado na fabricação de fertilizantes.
A produção de petróleo no Nordeste
No Nordeste, a produção de petróleo destaca-se nas áreas da Bacia Potiguar (RN), da Bacia de Alagoas (AL), da Bacia do Recôncavo (BA) e da Bacia do Sergipe (SE). Desde 2013, com a descoberta do pré-sal, houve crescimento na atividade exploratória.
A maior parte das bacias está localizada em campos maduros, ou seja, onde a exploração ocorre há mais de 25 anos. Também existem pesquisas que visam comprovar a existência de reservas de petróleo com grande potencial.
O desta que da produção petrolífera brasileira é a Bacia de Campos e Santos, situada na plata forma marítima entre os estados do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, ainda que Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Maranhão, Alagoas e Ceará tenham menor participação na produção nacional de petróleo, é importante destacar os investimentos realizados no setor, a exten são do litoral e a infraestrutura existente na região nordestina, como o Polo Petroquímico de Camaçari (BA).
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