segunda-feira, 9 de março de 2026

América Latina – contexto atual

Na primeira década deste século, a América Latina registrou um significativo desempenho econômico – a média de crescimento anual da região foi de cerca de 4% entre 2002 e 2011 –, apoiado, sobretudo, na exportação de matérias-primas agrícolas e minerais, alimentos e produtos energéticos. Nesse período, houve também aumento do nível de emprego, que, aliado à aplicação de programas de transferência de renda, proporcionou redução dos níveis de pobreza.
No entanto, a reversão dessa tendência na década de 2010 é um dos diversos desafios econômicos, políticos, sociais e ambientais que atingem a maior parte dos países latino-americanos, inclusive aqueles que se caracterizam como países industrializados, como Argentina e México.

A crise econômica


A partir de meados da década de 2010, o desempenho econômico da América Latina decaiu, e o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) da região foi de apenas 0,3% entre 2014 e 2019. Esse quadro foi agravado pela crise provocada pela pandemia de covid-19, que se disseminou pelo mundo em 2020, resultando no aumento do desempre go, da inflação, da informalidade e do número de pessoas vivendo em situação de pobreza (com menos de US$ 5,50 por dia) e de pobreza extrema (com menos de US$ 1,90 por dia).
Como se pode constatar pela análise da tabela, a redução da pobreza, em geral, foi interrompida a partir de 2014. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apontou, como causas do retrocesso nos índices de pobreza, as crises econômicas em países como o Brasil e a Venezuela.
Diversos fatores contribuíram para o agravamento da situação econômica nos países latino-americanos, entre eles, a queda do preço das matérias-primas no mercado internacional e os muitos problemas estruturais nas economias da região, como baixo nível de investimentos.
No atual contexto mundial, com a ação humana na natureza provocando sérios problemas ambientais, novos padrões de desenvolvimento econômico e social são necessários para melhorar as condições de vida de milhões de pessoas em situação de pobreza e de miséria na América Latina.

Desafios para os países latino-americanos 


As particularidades geográficas latino-americanas oferecem grande poten cial de desenvolvimento. Nesse sentido, podemos destacar a possibilidade de produção de fontes energéticas renováveis (biocombustíveis, por exemplo), a ampla disponibilidade de recursos hídricos (águas superficiais e subterrâneas), minerais e energéticos, a existência de extensas áreas para a produção agrope cuária e a enorme biodiversidade verificada nos países da região.
Um dos desafios que se apresentam aos países latino-americanos é a difi culdade em criar condições para a inclusão social, a conservação da natureza e a preservação das identidades culturais locais (dos povos indígenas, por exemplo), aspectos que deveriam estar presentes nos projetos governamentais de todos os países latino-americanos.
Outros desafios envolvem gerar maior crescimento econômico, superando, por exemplo, a carência em termos de infraestrutura. No caso dos transportes, diversas obras de redes viárias (rodovias, ferrovias e hidrovias) vêm sendo reali zadas em territórios sul-americanos, algumas interligando os países. No entan to, sobretudo no Brasil, o transporte rodoviário – mais caro do que o ferroviário e o hidroviário – ainda é predominante, elevando o custo da circulação de pessoas e mercadorias.
As obras viárias de interligação do continente sul-americano são muito im portantes, particularmente para o Brasil. Além de facilitar o escoamento de pro dutos brasileiros (os demais países da América do Sul compram do Brasil cerca de dois terços do total de bens industrializados exportados), há muitos investi mentos de empresas brasileiras nos países vizinhos.
A China se consolidou como principal parceiro comercial de vários países latino-americanos e realiza investimentos em obras de infraestrutura na região, com destaque para o setor de transportes. Isso é parcialmente explicado pelo fato de as rodovias, as ferrovias e os portos serem fundamentais para o escoa mento da produção, viabilizando fluxos de matérias-primas exportadas pelos países latino-americanos para a China.

O processo de diversificação industrial


Brasil, México e Argentina concentram aproximadamente 90% da produção industrial da América Latina. Colômbia, Chile e Venezuela, na América do Sul, e Costa Rica, na América Central, são países relativamente industrializados. A partir da década de 1950, o processo de crescimento industrial do Brasil, da Argentina e do México ficou conhecido como Industrialização por Substi tuição de Importações (ISI) e trouxe algumas consequências negativas. Nesse período, a chegada de empresas do setor automobilístico – com sede nos Estados Unidos, na Europa e no Japão – estimulou a expansão do trans porte rodoviário nesses países. Isso acabou levando, principalmente no caso brasileiro, à redução de investimentos em outros tipos de transporte, como o ferroviário, cujo custo é inferior.
Até a década de 1970, o modelo econômico em questão possibilitou um expressivo crescimento, estimulando a geração de empregos, a ampliação do mercado consumidor e a diversificação da pauta de produtos exportados, que passou a incluir diversos bens industrializados.
Entretanto, esse modelo acarretou a falência de muitas empresas nacionais, que não suportaram a concorrência das empresas transnacionais estrangeiras, ampliou a dependência tecnológica em relação aos países desenvolvidos e aos investimentos estrangeiros, contribuiu para o crescimento da dívida externa e não alterou, de modo expressivo, o perfil de baixo valor tecnológico e agregado dos produtos industrializados exportados.
O crescimento econômico, embora tenha sido expressivo, foi alcançado à custa de grande concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas. Apesar das relativas melhorias nas condições de vida da população, esses países não desenvolveram políticas públicas eficientes de distribuição de renda e apresen tam carência de investimentos nas áreas de educação, habitação, saúde, inovação e pesquisa.

Urbanização acelerada e desigualdade social 


Os países latino-americanos apresentam elevados índices de urbanização. O ritmo acelerado de crescimento da população urbana na segunda metade do século XX foi estimulado pelo êxodo rural, caracterizado pela intensa migração campo-cidade em um curto intervalo de tempo.

Entre os fatores que contribuíram para esse processo, podemos citar: o desemprego rural – provo cado pelo predomínio dos grandes latifúndios e pela mecanização das ativida des agrícolas –; a falta de incentivo aos pequenos produtores; a industrialização; o crescimento das atividades econômicas do setor terciário nas cidades; e a busca por serviços urbanos, como saúde e educação.
O crescimento acelerado das cidades, motivado também pelos fatores de expulsão da população rural, e a falta de investimentos em educação e formação profissional, ajudam a explicar os problemas urbanos verificados nos países da América Latina, como o desemprego e os altos índices de informalidade.
Um aspecto marcante das grandes metrópoles latino-americanas é a segregação socioespacial, resultante da ocupação de espaços bem definidos por classes sociais específicas. 
Nas áreas em que se concentra a população com menor renda, a falta de atuação do Estado é marcante e se manifesta na presença de bairros com enorme carência de serviços e equipamentos urbanos – como ruas asfaltadas, iluminação pública, redes de água e esgoto, postos de saúde, creches e escolas.
Essa realidade contrasta com as condições de vida verificadas em bairros ocupados pelas populações de maior poder aquisitivo, que contam com boa infraestrutura – casas e edifícios de médio e alto padrão, ruas asfalta das e bem iluminadas, fácil acesso a escolas, faculdades, hospitais, bibliotecas, parques, teatros, centros de cultura, cinemas, além de outros serviços.

Assentamentos urbanos precários e projetos inovadores de melhoria


A pobreza e a segregação socioespacial na América Latina estimulam a formação de favelas e a ocupação de áreas de risco, como encostas de morros propensas a deslizamentos, locais sujeitos a enchentes (onde as construções, em geral, são feitas sobre palafitas) e inundações (áreas marginais, que ficam em planícies de inundação ou de várzea).
Nesses ambientes, caracterizados como as sentamentos urbanos precários, a população sofre com carência de serviços básicos de saúde, educação e saneamento, decorrente da falta ou insuficiência de políticas habitacionais dos governos latino-americanos para atender às necessidades das populações mais vulneráveis.
Boa parte dos assentamentos urbanos precários se situa nas periferias das grandes cidades, levando também a sérios problemas relacionados ao transporte e à mobilidade urbana – muitas pessoas percorrem grandes distâncias para se deslocar de casa até o trabalho (e vice-versa), e os meios de transporte públicos costumam operar muito acima da capacidade.
Nesse contexto, o desenvolvimento de projetos inovadores de melhoria e recuperação urbana, inclusive com o uso de tecnologias sustentáveis, se destaca como alternativa para ajudar a solucionar alguns desses problemas.


Cuba: país socialista na América

Cuba é um arquipélago localizado em meio à porção insular da América Central, a aproximadamente 150 km de distância da costa leste norte-americana. Há décadas, Cuba ocupa um lugar de destaque no foco das atenções geopolíticas mundiais e atualmente é único país socialista presente no continente americano.
Historicamente, Cuba foi uma importante colônia espanhola, produtora de cana-de-açúcar com uso da mão de obra escravizada trazida do continente afri cano. Após a independência, o país passou a existir dentro de uma condição de subordinação política e econômica aos Estados Unidos, vivenciando problemas sociais semelhantes aos de países vizinhos da América Central.
Após vários séculos de dominação estrangeira, em 1959, sob a liderança do cubano Fidel Castro e do argentino Ernesto Che Guevara, Cuba presenciou uma importante revolução nacionalista, que ficou conhecida como Revolução Cubana. Nos anos seguintes, o novo regime político instaurado promoveu a reforma agrá ria e nacionalizou grande parte das empresas estrangeiras.
Diante dos atritos crescentes com a potência estadunidense e em meio à bipolaridade que caracterizou a Guerra Fria, o país aproximou-se cada vez mais da União Soviética. Em 1961, dois anos após a tomada do poder pelos revolu cionários, Fidel Castro anunciava a filiação de Cuba ao sistema socialista do bloco soviético. Durante décadas, a economia cubana esteve diretamente atrelada às relações comerciais com o bloco socialista, do qual os cubanos obtinham considerável ajuda econômica.
Ainda que politicamente isolada, Cuba passou a se destacar na América Latina em razão de seus indicadores sociais. Além de praticamente erradicar a pobreza extrema, os cubanos realizaram avanços significativos nas áreas de educação e saúde, atingindo níveis de referência mundial. Ainda hoje, apesar dos problemas econômicos e sociais e do aumento da pobreza, os indicadores de expectativa de vida e mortalidade infantil em Cuba são compatíveis aos de países desenvolvidos.
Em razão da decadência do regime soviético na década de 1990 e do em bargo econômico promovido pelos Estados Unidos, a economia cubana passou por profundas dificuldades.
Atualmente, Cuba evidencia um considerável atraso tecnológico em relação aos países capitalistas. Além disso, a dificuldade de obter bens de consumo para o abastecimento interno e a falta de liberdade política dos cidadãos cubanos reduzem a popularidade do governo ano a ano.
Diante desse cenário, o governo cubano vem promovendo uma gradual abertura econômica, incentivando o turismo para sustentar sua economia e permitindo a instalação de algumas empresas de capital estrangeiro no país.

O protecionismo comercial: uma barreira ao desenvolvimento

A economia mundial é marcada pela intensa concorrência entre países no mer cado internacional. No entanto, a criação de políticas protecionistas comerciais, principalmente por parte dos países desenvolvidos, tem se tornado um empecilho à conquista de um livre-comércio global.
Entre as políticas protecionistas mais comuns estão as barreiras alfandegárias, ou seja, o conjunto de tarifas cobradas pelos governos à importação de pro dutos estrangeiros, principalmente aos que exercem concorrência com os produtos nacionais.
As tarifas alfandegárias, de certo modo, impedem a existência de uma concorrência justa e igualitária entre os produtos provenientes dos países em desenvolvimento, principalmente aqueles considerados emergentes, e aqueles produzidos nos países desenvolvidos.
Embora os países desenvolvidos incentivem o livre-mercado e se beneficiem do fato de que as nações em desenvolvimento importam seus produtos de alta tecnologia, eles mesmos dificultam a entrada de produtos agropecuários (frutas, su cos, cereais, carnes) ou industrializados de baixa tecnologia (calçados e produtos têxteis) vindos desses países. 
Assim, o protecionismo cria dificuldades para países em desenvolvimento com economias essencialmente agrárias ou que são grandes potências no setor, impedindo que esses países conquistem mercados e aumentem sua geração de riquezas.

A OMC e a prática do protecionismo


A Organização Mundial do Comércio (OMC) é a instituição internacional responsável por aplicar um sistema de normas comerciais entre os países e também analisar disputas entre eles. Criada em 1995, substituiu o antigo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), de 1948.
A principal função da OMC é regular as relações comerciais entre os Estados, atuando como mediadora das disputas e desentendimentos comerciais entre os países que se consideram lesados por algumas práticas comerciais.
No entanto, o papel desempenhado pela OMC tem gerado severas críticas no comércio mundial, uma vez que é acusada de proteger os interesses dos países ricos e das empresas transnacionais. De fato, muitas disputas levadas aos fóruns da OMC podem ser agrupadas como ações empreendidas por países em desenvolvimento.
Entre as queixas, estão aquelas a respeito das tarifas alfandegárias e subsídios dispensados pelos países da União Europeia e os Estados Unidos aos seus agricultores. Essas políticas protecionistas ajudam a garantir a estabilidade rural e a segurança alimentar nesses países, mas fazem com que nações que são grandes expor tadoras de produtos agropecuários, como o Brasil, reclamem da concorrência desleal e da dificuldade de competir nesses mercados.




A proposta da Alca

Com o intuito de ampliar o poder econômico e político que detêm sobre a América Latina, os Estados Unidos lançaram, no início dos anos 1990, a iniciativa de estabelecer uma grande zona de livre-comércio envolvendo os países americanos, com exceção de Cuba, por causa do embargo econômico aplicado a esse país.
Estava previsto que a Área de Livre-Comércio das Américas (Alca) se consolidaria no ano de 2005. No entanto, a iniciativa recebeu forte oposição em vários países americanos e não chegou a ser executada.
Segundo opositores, a criação desse bloco serviria apenas para os Estados Unidos ampliarem ainda mais seu domínio econômico e político sobre a América Latina.
A oposição popular à Alca em vários países dificultou a formação do bloco proposto pelos Estados Unidos.

A economia da América Latina

A América Latina é formada por países com diferentes níveis de desenvolvimento econômico. Brasil, México e Argentina, que em 2020 apresentaram a 12ª, a 15ª e a 30ª economia do mundo, respectivamente, possuem um relativo desen volvimento industrial. Outras nações, como o Haiti e a Nicarágua, caracterizam-se como economias pouco industrializadas, entre as menos expressivas do mundo, estando na 131ª e na 134ª posição, respectivamente.
Em razão desse contraste, Brasil, México e Argentina destacam-se na geração de riquezas na região, respondendo por aproximadamente 62% do PIB latino-americano em 2020. No entanto, apesar dos contrastes socioeconômicos entre as nações latino-americanas, alguns aspectos atribuem uma identidade comum a todas elas: todas são países em desenvol vimento (de acordo com classificação da ONU) e foram explora dos e colonizados por potências europeias ao longo de sua história. Hoje, a maior parte desses países apresenta uma economia instável, suscetível a crises econômicas periódicas, dependente econômica e tecnologica mente em relação aos países desenvolvidos.
O nível de industrialização dos países da América Latina não é o mesmo. Somente um pequeno grupo, formado por Brasil, Argentina, México e Nicarágua, tem atividade industrial diversificada e desenvolvida. A maior parte dos países latino-americanos possui sua exportação baseada na atividade agropecuária e na exploração mineral, ou seja, na produção de produtos primários.
A força do Estado e a industrialização da América Latina O processo de industrialização do Brasil, do México e da Argentina ocorreu ao longo do século XX, ganhando força após as duas guerras mundiais e tendo como modelo a Industrialização por Substituição das Importações (ISI), ou seja, os produtos que anteriormente eram importados passaram a ser produzidos interna mente. No início, por exemplo, a produção industrial dos países em desenvolvimento foi baseada em bens de consumo, como calçados, tecidos e alimentos enlatados.
Tanto a industrialização brasileira como a argentina e a mexicana tiveram a intervenção direta do Estado. Essa participação envolveu incentivos ao desenvolvimento de indústrias nacionais e financiamentos da infraestrutura necessária à expansão industrial, como estradas para escoamento de matérias-primas e pro dutos industrializados e de hidrelétricas para a produção da energia elétrica, necessária ao funcionamento das fábricas.
Além de promoverem o desenvolvimento da indústria nacional, esses países também incentivaram a entrada de transnacionais em seus territórios. Essas em presas viam na industrialização das nações em desenvolvimento vantagens como:

• a possibilidade de produzir bens de consumo em maior quantidade e com custos mais baixos, em razão de impostos reduzidos, mão de obra farta e barata e leis ambientais frágeis;

• a exploração de novos mercados consumidores, com a possibilidade do envio de grande parte dos lucros às matrizes;

• a liberação do parque industrial dos países desenvolvidos para a fabricação de produtos com elevada tecnologia, como computadores, máquinas e aviões, produtos mais caros e muito procurados no mercado internacional.

Embora hoje em dia contem com um diversificado parque industrial, Brasil, México e Argentina não conseguiram atingir o nível econômico dos países dese volvidos. De modo geral, essas nações ainda dependem da importação de gêneros de elevada tecnologia fabricados nos países desenvolvidos, e muitas empresas responsáveis pela geração de divisas em seus territórios são transnacionais, que remetem à matriz uma porção significativa de seus lucros, não fazendo investi mentos voltados ao desenvolvimento econômico do país.

Tecnologia e emprego


A chegada das transnacionais proporcionou diversas transformações no espaço industrial dos países da América Latina e na organização do trabalho nessa e em outras regiões. Muitas indústrias nacionais nos países da região enfrentaram a concorrência com as transnacionais em seus mercados.
Além disso, as indústrias estrangeiras, com destaque às do setor automobilístico, também foram as primeiras a introduzir nesses países modelos inovadores de produção e organização industrial, como as linhas de montagem, no início do século XX, e o uso de robôs industriais, a partir da década de 1970.
Essa automatização da produção ocorreu inicialmente no contexto das transnacionais do setor automobilístico, gerando a perda de algumas funções de trabalho e levando a maiores exigências de qualificação em outras.

A indústria no Brasil


O Brasil é um dos países mais industrializados da América Latina. No entanto, no século XXI, vem apresentando um declínio na participação da indústria no Pro duto Interno Bruto (PIB) nacional em razão do crescimento do setor terciário, atualmente responsável por gerar 63% do PIB brasileiro. Essa crise no setor industrial se deve a inúmeros fatores, desde a falta de investimentos e os juros elevados até a alta carga tributária e o custo excessivo com o transporte.
A Região Sudeste responde pela maior parte da produção industrial brasileira. Em São Carlos, Campinas e São José dos Campos, no estado de São Paulo, verifica-se a concentração de indústrias de alta tecnologia. Destacam-se também o polo siderúrgico de Volta Redonda e o complexo petroquímico de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, além do parque industrial de Minas Gerais, que conta com diversas indústrias metalúrgicas.
Na Região Sul, segunda mais industrializada do Brasil, o setor industrial tem crescido mais intensamente no século XXI, beneficiado pela proximidade com outros pa íses do Mercosul, o que facilita as exportações para Argentina, Paraguai e Uruguai.
Na Região Norte, está localizada a Zona Franca de Manaus (ZFM), situada em Manaus (AM), que representa uma área de livre comércio, com isenção de impostos sobre produtos industrializados (importações e exportações).
O Nordeste, desde a década de 1990, tem se beneficiado com a desconcentração industrial, principalmente do Sudeste, e atraído indústrias nacionais e transnacionais. Os estados da Bahia e de Pernambuco destacam-se pelos polos industriais como os de Camaçari (BA) e Ipojuca (PE). O sistema portuário dessa região também facilita a logística de exportação para as indústrias que nela se instalam.

As empresas maquilladoras no México


Em decorrência do baixo custo da mão de obra e de reduzidos encargos sociais existentes no México, assim como do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), várias empresas transnacionais estadunidenses passaram a se instalar no território mexicano, próximo à fronteira com os Estados Unidos.
Denominadas empresas maquilladoras, grande parte delas corresponde a unidades produtivas dessas transnacionais e são responsáveis pela monta gem de produtos como rádios, televisores e automóveis, posteriormente co mercializados, principalmente, no mercado estadunidense.
Atualmente, cerca de 66% das exportações de produtos manufaturados do México são provenientes das maquilladoras, que empregam parte significati va da mão de obra que trabalha em indústrias nesse país. 
No entanto, muitas críticas são feitas a essas indústrias por alguns setores da sociedade mexicana, que argumentam que as maquilladoras prejudicam a indústria nacional, pagam baixos salários aos trabalhadores, causam danos ambientais e não ajudam a promover o desenvolvimento socioeconômico do país.

A economia agrária da América Latina


A organização atual do espaço agrário da América Latina possui raízes em seu pas sado colonial. Naquele período, o interesse dos colonizadores era formar colônias de exploração que fornecessem riquezas necessárias ao desenvolvimento econômico de suas metrópoles, como gêneros agrícolas (cana-de-açúcar, tabaco, algodão etc.), madeira, metais preciosos (ouro e prata) e outros minerais (como o diamante).
A partir do século XVI, as atividades agrícolas desenvolvidas nas colônias da América Latina ocorreram sob a forma de plantation, ou seja, extensas áreas mo nocultoras cultivadas mediante a utilização de mão de obra escravizada e tendo seus produtos direcionados ao abastecimento do mercado consumidor europeu.
No Brasil, as plantations de cana-de-açúcar, localizadas nas áreas próximo ao litoral, foram, em parte, a base inicial da estrutura econômica da colônia, já que o açúcar se tornou um dos produtos mais concorridos no mercado europeu e incentivou a expansão da atividade pecuária em direção ao Sertão nordestino, promovida para abastecer as regiões canavieiras do litoral com couro e animais de trabalho.
Mesmo após conquistarem a sua independência política, grande parte dos países da América Latina permaneceu subordinada aos interesses econômicos dos países desenvolvidos. Assim, de modo geral, essas nações participam da DIT como países fornecedores de produtos primários para o mercado internacional.
A estrutura fundiária nesses países não sofreu grandes transformações em relação ao período colonial. A maior parte das terras disponíveis encontra-se nas mãos de poucos proprietários e muitos pequenos produtores rurais abandona ram o campo em razão da falta de financiamentos e da incapacidade de competir com a produção das grandes propriedades comerciais.
A má distribuição de terras deu origem a movimentos sociais que atuam no campo, reivindicando a reforma agrária e a desapropriação de terras improdutivas para a criação de assentamentos, nos quais as famílias sem-terra recebem pequenos lotes para praticar agricultura.
Entre os diversos movimentos ru rais que batalham pela reforma agrária na América Latina, um dos principais é o Movimento dos Traba lhadores Rurais Sem Terra (MST), criado na década de 1980, no Brasil.
Desde a década de 1990, aumentou consideravelmente a quantidade de assentamentos no país. No entanto, em razão do elevado número de famílias que não possuem terra para cultivar, tanto as ocupações de áreas improdutivas pelas famílias sem-terra como os conflitos no campo se inten sificaram. Vários desses conflitos são disputas pela posse da terra, algumas vezes violentas, envolvendo grileiros, populações indígenas e proprietários de extensas áreas rurais.
Conflitos no campo ocorrem também no Paraguai, onde a má distribuição de terras e a pobreza rural levam à violência entre fazendeiros e integrantes de movimentos camponeses. No entanto, recentemente o grupo denominado Exército do Povo Paraguaio vem praticando atos extremos no norte do país.

A economia agrária e o contraste tecnológico


O espaço rural latino-americano é marcado por amplos contrastes. De um lado, há o modo de produção voltado ao agronegócio, com predomínio de grandes latifúndios para exportação, que ocupam a maior parte das terras férteis.
De outro, há os modos de produção tradicionais, realizados em pequenas propriedades e voltados à subsistência das famílias rurais, que respondem pela maior parte dos alimentos consumidos pela população.
Nas áreas onde a produção agropecuária é destinada à produção de gêneros agrícolas para exportação, são, em geral, empregadas tecnologias modernas, como me lhoramento genético, maquinários específicos e sementes selecionadas, que proporcionam elevada produtividade.
Já nas áreas onde são praticados modos tradicionais de produção, as atividades costumam ser realizadas por meio de técnicas rudimenta res de plantio, como o uso do arado com tração animal. Esses contrastes podem ser verificados entre diferentes países e também no espaço rural de um mesmo país.
Os países latino-americanos que apresentam maior grau de modernização, como Brasil, Argentina e Chile, são os principais exportadores de produtos agrícolas.
No Chile, a produção agrícola é bastante especializada, sendo o país o maior exportador de frutas da América Latina e um dos maiores do mundo. A ocorrência do clima mediterrâneo favorece a produção de uvas para a fabricação de vinhos, que são exportados para diversos países.
Diversos outros países latino-americanos, incluindo aqueles que apresentam menor nível de modernização em seu espaço rural, apresentam áreas especializa das na produção de gêneros agrícolas, sobretudo tropicais, em seus territórios. Podemos citar, por exemplo, o circuito da cana-de-açúcar em Cuba. Historicamente impulsionada por um desenvolvido setor de açúcar e álcool, Cuba exporta pro dutos considerados de alta qualidade, como o rum, mas também vem expandido sua produção de etanol (álcool combustível).
No Brasil, destacam-se grandes com plexos agropecuários destinados à produção de gêneros para exportação, principalmente a soja e a carne, que em 2021 responderam, respectivamente, por 36,9% e 19,2% das exportações do agronegócio brasileiro. De modo geral, os estados das Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul se destacam como princi pais produtores.
Na Argentina, a região do Pampa argentino concentra a maior parte da pro dução agropecuária do país. Nela, vastas pastagens naturais são utilizadas para criações de ovinos e, principalmente, bo vinos. O circuito da carne no Pampa ar gentino é um dos mais importantes do mundo devido à alta qualidade da produção e à presença de diversos frigoríficos, que abastecem os mercados interno e externo.

Os recursos minerais da América Latina


Na América Latina, a exploração de recursos minerais remete ao período da colonização, no qual as metrópoles extraíam minerais das colônias, como ouro e prata, para enviar ao continente europeu.
No Brasil, a partir do final do século XVII, a região mineradora do estado de Minas Gerais passou a se destacar pela elevada produção de ouro e, no século XVIII, era responsável por 50% da produção mundial desse metal precioso. No século XX, Minas Gerais passou a se destacar pela produção de minério de ferro.
Atualmente, o Brasil destaca-se como o terceiro produtor mundial de minério de ferro, explorado, principalmente, nos estados de Minas Gerais (Quadrilátero Ferrífero) e Pará (Complexo de Carajás). O país conta ainda com uma expressiva produção de bauxita (usada na produção do alumínio), manganês e petróleo.
A Venezuela abriga as mais extensas jazidas de petróleo da América Latina. O país é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e possui uma economia petrolífera, isto é, cujo PIB depende, grandemente, de receitas oriundas das exportações de petróleo.
A Bolívia é outro país latino-americano cuja economia depende das exportações de recursos energéticos, destacando-se na exploração de gás natural, exportado para Brasil, Argentina e Peru.
Também se destacam em suas atividades extrativistas o Peru (onde é relevante a produção de ouro e outros minérios), o México (atualmente entre os principais exportadores de chumbo e prata) e o Chile (maior produtor mundial de cobre, entre outros recursos explorados).
Os blocos econômicos da América Latina Seguindo uma tendência mundial de integração econômica entre mercados, a América Latina vem presenciando, desde o século XX, a formação de blocos econômicos regionais.
Entre os blocos econômicos latino-americanos, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um dos mais importantes, integrando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (a Venezuela também faz parte do bloco, mas atualmente encontra-se suspensa).
A integração regional entre esses países iniciou-se sob a liderança do Brasil e da Argentina ainda nos anos 1980. No início de 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, quando o Para guai e o Uruguai aderiram à iniciativa.
O Mercosul anula as tarifas internas para produtos importados entre os países-membros e adota uma tarifa externa comum, isto é, uma taxa ou imposto único cobrado por todos os países sobre os produtos vindos de fora do bloco. Por isso, caracteriza-se uma união aduaneira.
A sede da organização é situada em Montevidéu, no Uruguai, e em 2002, foi assinado o Tratado de Livre Trânsito e Residência, permitindo o livre trânsito de cidadãos dos mem bros do bloco entre os países signatários.
Além dos países-membros originais, o Mercosul conta com cinco membros as sociados: Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia. Já o México é considerado Es tado observador, e um acordo para incluir o Suriname e a Guiana como membros associados já foi assinado.
O Mercosul engloba, atualmente, cerca de 404 milhões de habitantes e aproxi madamente 62% da população da América do Sul, chamando atenção por seu po tencial energético e também pela elevada produção agropecuária e extrativista.
No entanto, em razão da existência de grandes desigualdades econômicas, po líticas e até mesmo de estruturas produtivas entre os países-membros do bloco, a integração dessas nações vem ficando cada vez mais comprometida.
Outro bloco existente na América Latina é a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), que surgiu na década de 1980 vi sando promover o desenvolvi mento econômico e social da re gião. Atualmente, integram o bloco Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Já a Nicarágua está em processo de adesão.
A Aladi objetiva a criação de um mercado comum latino-americano, o que ain da está longe de ocorrer. Até o presente momento, as principais conquistas do bloco envolveram acordos prevendo tarifas de importação preferenciais entre os países associados, mas apenas para determinados produtos.
Já a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), criada em 2008 em Brasília, é uma organização intergovernamental que integrava 12 países latino-americanos, todos localizados na América do Sul, objetivando a integração comercial entre seus países associados. 
Contudo, nos últimos anos, a existência da organização vem sendo colocada em xeque em razão da oposição ideológica entre os governos dos países-membros. Em 2019, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Equador anuncia ram sua saída do grupo, que em 2022 era composto apenas por Bolívia, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela e tinha sua existência futura ameaçada.
A Comunidade do Caribe (Caricom), por sua vez, é um bloco criado na década de 1970 por países localizados na sub-região do Caribe com o objetivo de propor cionar maior desenvolvimento econômico e integração política entre as nações associadas. Atualmente, o bloco é integrado por 15 Estados e 5 territórios.
Destaca-se, ainda, a Comunidade Andina de Nações (CAN), bloco formado ape nas por países que têm territórios na Cordilheira dos Andes, integrado atualmente por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Chile e Venezuela chegaram a fazer parte da CAN, mas ambos abandonaram a organização.
Criada na década de 1960 sob o nome de Pacto Andino, a CAN tem como obje tivo a criação de uma união aduaneira, abolindo as taxas alfandegárias e criando uma tarifa única, a ser aplicada às importações de países não membros.
Assim como no caso da Unasul, no século XXI as relações internas da CAN têm sido marcadas pela polarização ideológica em razão da eleição de governos de esquerda e direita em países-membros, estimulando as rivalidades entre eles e configurando um obstáculo diplomático ao desenvolvimento do bloco.
Diversas outras organizações regionais com objetivos não econômicos existem na América Latina, embora, na maioria dos casos, as estruturas implementadas tenham ficado aquém de seus objetivos.
Uma delas é a Organização dos Estados Americanos (OEA), que foi criada ainda no final do século XIX, mas ganhou a denominação atual em 1949, com a assinatura da Carta da OEA, que entrou em vigor em 1951. Diversos outros protocolos foram assinados desde então, sendo o último deles o Protocolo de Washington, de 1992, que entrou em vigor em 1997.
A OEA abrange todos os 35 Estados independentes do continente americano, sendo voltada à manutenção da segurança dos países em questão, à intensifica ção da colaboração entre eles e à defesa da soberania de seus territórios. Nesse contexto, ela também serve como uma plataforma de diálogo entre esses países, inclusive para ajudar na resolução de eventuais disputas.
Também podemos citar a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), criada em 1949 e que se caracteriza como um bloco diferente dos apresentados anteriormente, pois integra tanto países da América Latina (19 países) como da Península Ibérica (Portugal, Espanha e Andorra), na Europa. O objetivo da organização é estritamente a cooperação nas áreas de ciência, cultura e educação.
Vale ressaltar que os países da América Latina foram colonizados predominan temente por Espanha e Portugal, portanto compartilham laços culturais com essas nações, como a língua espanhola e, no caso do Brasil, a língua portuguesa.

A dívida externa da América Latina


Durante o período colonial, as colônias da América Latina eram responsáveis por fornecer produtos agrícolas e minerais para as metrópoles europeias.
A conquista da independência não representou uma ruptura dessa estrutura econômica nos países latino-americanos, que seguiram dependentes da exporta ção de produtos do setor primário, assim como da importação de tecnologias e produtos industrializados dos países desenvolvidos.
As nações latino-americanas também se constituíram como financeiramente dependentes dos países ricos, pois, devido à falta de recursos suficientes para fi nanciar gastos públicos com saúde, habitação, educação, transporte, comunicação e defesa, acabaram por contrair dívidas com empréstimos concedidos por países e instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Interna cional (FMI).
Em razão dos saldos negativos da balança comercial de muitos países e dos elevados juros impostos pelos credores da dívida, o pagamento dos empréstimos externos torna-se cada vez mais difícil. Esse panorama é responsável, em parte, pela dívida externa adquirida pelos países latino-americanos no decorrer de sua história.
Entre os fatores responsáveis pela elevação da dívida externa dos países da América Latina, ao longo do século XX, destacam-se os empréstimos contraídos para o financiamento do processo de industrialização, que exigiu importação de máquinas, ferramentas e tecnologias até então inexistentes nos parques indus triais em expansão.
Além disso, a instalação de indústrias de base, como siderúrgicas, metalúrgicas e petroquímicas, somada à realização de grandes obras de energia e transportes necessárias para desenvolver a infraestrutura desses países, também exigiu volumosos créditos no exterior.
As crises econômicas mundiais que ocorreram no final do século XX e no início do século XXI agravaram ainda mais a questão da dívida externa em alguns países, pois, com a elevação dos juros internacionais que, em geral, ocorre em momentos de crise, a dívida dos países latino-americanos aumentou expressivamente.


Urbanização dos países latino-americanos

O intenso ritmo da urbanização dos países latino-americanos foi influenciado, sobretudo, por três principais fatores: a industrialização, a concentração de terras nas mãos de poucas pessoas e a inserção da mecanização nas lavouras.
O crescimento da atividade industrial ocorrido em países como México, Brasil e Argentina, somado ao grande número de pessoas que se deslocaram do campo em direção às cidades em busca de trabalho nas indústrias, resultou em um processo de urbanização intenso, na maior parte dos casos, desenvolvido sem planejamento.
Uma das consequências dessa rápida urbanização foi a metropolização, fenômeno que se caracteriza pela formação de metrópoles densamente povoadas, cujo espaço urbano se amplia e acaba se unindo ao espaço urbano de outros municípios adjacentes, em um processo denominado conurbação. Consequentemente, formaram-se grandes regiões metropolitanas, que abrigam muitos milhões de habitantes, como São Paulo e Cidade do México, as maiores da América Latina.
Atualmente, a urbanização continua sendo uma tendência na América Latina. No entanto, as grandes regiões metropolitanas já não apresentam a mesma atração de outrora. Nesse contexto, verifica-se em muitos países o fenômeno da desmetropolização, marcado pela desaceleração no crescimento das metrópoles as sociada ao rápido crescimento de cidades médias, com população entre 100 mil e 500 mil habitantes.

Os problemas urbanos na América Latina


O intenso processo de urbanização na América Latina não ocorreu associado a programas de planejamento urbano que visassem à boa qualidade de vida da população, incluindo acesso a emprego, moradias adequadas, sistema de saneamento básico, saúde e alimentação.
O resultado foi a expansão desordenada do espaço urbano e a intensificação da pobreza, em especial nas periferias urbanas. O inchaço populacional e a consequente falta de postos de trabalho têm levado muitas pessoas a sobreviver de trabalhos temporários de baixa remuneração ou a se inserir cada vez mais em atividades informais.
Além disso, a urbanização ocorreu associada à desigual distribuição de renda, resultando na formação de grandes aglomerados urbanos marcados pela segregação socioespacial, isto é, a concentração de populações de diferentes classes sociais em espaços distintos.
Nas regiões metropolitanas, a população de baixa renda se concentra nas periferias urbanas, em bairros ou municípios adjacentes às regiões centrais, convivendo com infraestrutura inadequada e carência de serviços públicos. Muitas vezes, os espaços ocupados por essa parcela da população representam áreas de risco, como encostas de morros propensas a deslizamentos e áreas alagadas (onde as construções são sobre palafitas) ou sujeitas a alagamentos.
Além de problemas associados à mobilidade urbana, como transportes públicos superlotados e trânsito congestionado, as regiões metropolitanas e, principalmente, as áreas periféricas, sofrem com a violência urbana. Esse cenário resulta da desigual dade social e da falta de oportunidades de trabalho e de educação de qualidade.
Diversos impactos ambientais também são verificados nas grandes cidades latino-americanas, sobretudo aqueles associados à intensa geração e ao descar te inadequado de resíduos (lixo) líquidos e sólidos, à poluição de fontes de água, a enchentes e alagamentos.
Considerando a realidade das grandes cidades, e de outras em crescimento, que podem seguir com as mesmas características, é necessário que as políticas públicas sejam eficientes na revitalização desses centros urbanos. Isso pode ser feito por meio de melhorias na infraestrutura e do uso de tecnologias sustentáveis que possam ajudar a resolver problemas como a poluição, proporcionando à população serviços públicos de qualidade e melhor mobilidade urbana.


quinta-feira, 5 de março de 2026

América Latina no início do século XXI

A América Latina não é um conjunto homogêneo de países em desenvolvimento. Alguns fatores provocaram uma diferenciação de ordem econômica e social entre os países latino-americanos: a duração do processo de colonização, o modo de desenvolvimento, a forma de integração no mercado internacional após a independência política, as maneiras de aproveitamento dos recursos naturais, a distribuição das riquezas, o volume de dinheiro investido em educação e saúde, entre outros.

Os países da América Latina podem ser agrupados em:


• países capitalistas com atividade industrial diversificada (exportadores de produtos primários e industrializados), que apresentam produção industrial relativamente elevada em diversos setores e uma pauta de exportações in dustriais também relativamente diversificada. O México e a Argentina, por exemplo, exportam diversos modelos de automóveis e produtos químicos, siderúrgicos e metalúrgicos; o Brasil, além desses produtos, exporta aviões comerciais de pequeno e médio porte;
• países capitalistas com atividade industrial pouco ou relativamente diversificada, a maioria grande dependente de exportações de produtos primários (agrícolas e/ou minerais);
• país socialista: Cuba.

Entre os países capitalistas latino-americanos também existem diferenças em relação às condições de vida da população. Chile, Uruguai, Costa Rica e Argentina apresentam indicadores sociais bem superiores aos da Bolívia, do Paraguai e do Haiti, por exemplo.
Na primeira década deste século, a América Latina registrou um significativo crescimento econômico, apoiado, sobretudo, na exportação de matérias-primas agrícolas e minerais, alimentos e produtos energéticos. A China, que se consolidou como um dos principais parceiros comerciais, também se tornou importante investidor, inclusive em obras de infraestrutura de transportes. Ferrovias, rodovias e portos são fundamentais para o escoamento da produção, viabilizando o fluxo de matérias-primas pelos territórios latino-americanos até sua chegada aos portos asiáticos, daí a grande importância para os chineses de investir nesse setor.
Desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Os investimentos chineses no território brasileiro só perdem para os que são destinados aos Estados Unidos. Esses investimentos, que envolvem a compra de empresas, o financiamen to de obras de infraestrutura e a construção de unidades fabris, foram direcionados sobretudo para os setores de energia (hidrelétricas, extração de petróleo, constru ção de linhas de transmissão), logística e agricultura. Entre 2003 e 2017, os chineses aportaram US$ 53,5 bilhões em 93 projetos no território brasileiro.
Entre 2002 e 2011, o ritmo de crescimento econômico na América Latina apre sentou uma média de 4% ao ano, alavancado, entre outros fatores, pelo aumento de preços e pela maior necessidade de produtos primários (matérias-primas agrícolas, alimentos, minérios e recursos energéticos, como o petróleo) no mercado internacional. Entre 2011 e 2015, essa média apresentou queda em razão dos reflexos da crise econômica mundial.
De qualquer forma, o crescimento econômico e o aumento do nível de emprego, aliados à aplicação de programas de trans ferência de renda, proporcionaram redução dos níveis de pobreza, considerando uma perspectiva de mais de uma década. No en tanto, houve uma alteração nesse processo.
A redução da pobreza, em geral, foi interrompida a partir de 2014. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apontou como causas desse retrocesso nos índices de pobreza, entre outras, as crises econômicas no Brasil e na Venezuela.
Do ponto de vista da industrialização, México, Brasil e Argentina não chega ram a dar um salto em termos de produção em larga escala de bens de alto nível tecnológico agregado, principalmente em razão da falta de uma política de incentivos por parte do Estado. Nesses países, como em toda a América Latina, há pou co investimento em inovação, pesquisa e desenvolvimento.
No atual contexto mundial, os recursos naturais estão se tornando escassos e a interferência humana na natureza vem acarretando sérios problemas ambien tais e sociais, o que exige novos padrões de desenvolvimento. A necessidade ur gente de melhorias nas condições de vida de milhões de pessoas em situação de pobreza ou miséria na América Latina traz novos desafios à política, à sociedade e à economia desses países.
As particularidades geográficas latino-americanas oferecem grande potencial de desenvolvimento. Entre as potencialidades dos territórios latino-america nos, podemos destacar a possibilidade de produção de fontes energéticas renováveis (biocombustíveis, por exemplo), a disponibilidade de recursos hídricos (águas superficiais e subterrâneas), as reservas de petróleo e gás natural em al guns países, as extensas áreas disponíveis para a prática agropecuária, a enorme biodiversidade presente nos ecossistemas e a grande diversidade étnico-cultural.
A partir dos anos 1970, em razão da maior procura da soja para consumo animal e humano (innatura e para fabricação de óleo, margarina e outros derivados), as áreas de cultivo desse produto foram ampliadas em muitos países. No caso do Brasil, onde a produção se concentrava, inicialmente, na região Sul (de clima Subtropical), a soja passou a ser cultivada no Sudeste, no Centro-Oeste e na porção oeste da região Nordeste. Pesquisas no setor agropecuário contribuíram para o desenvolvimento de variedades e técnicas que possibilitaram a adaptação da soja às regiões de clima Tropical. Esse fato, aliado à maior demanda do mercado externo, sobretudo da China, teve papel fundamental na expansão desse cultivo no território brasileiro.
Com a expansão da cultura da soja, extensas áreas de formações vegetais origi nais foram devastadas, sobretudo o Cerrado, com reflexo nos biomas corresponden tes. Houve ampliação das monoculturas, da mecanização, do trabalho assalariado e eventual (realizado apenas na colheita, por exemplo), além de maior concentração da propriedade rural nas mãos de poucos. Nesse processo, criaram-se novas territoria lidades, como decorrência da estruturação de novas relações sociais e econômicas.
As extensas áreas de chapadas do Centro-Oeste facilitaram a mecanização, que garante elevados índices de produtividade. Atualmente, essa região é a maior produtora de soja no território brasileiro, com destaque para o estado do Mato Grosso. A produção – que atende o mercado interno, mas sobretudo o externo – é escoada para o exterior através dos portos marítimos do Sudeste, do Norte e do Sul, para onde segue por meios de transporte rodoviário, ferroviário e hidroviário.

Alguns desafios para os países latino-americanos


Criar condições para que se promovam o fim da exclusão social, a conservação da natureza e a preservação das identidades culturais locais (dos povos indígenas, por exemplo) deveria ser um dos aspectos presentes nos proje tos governamentais dos países latino-americanos.
Um dos fatores que historicamente dificultaram o maior crescimento econômico da América Latina é a carência em termos de infraestrutura. No caso dos transportes, diversas obras de redes viárias (rodovias, ferrovias e hidrovias) vêm sendo realizadas em territórios sul-americanos, algumas in terligando os países. No entanto, sobretudo no Brasil, ainda predominam as rodovias, que encarecem o custo da circula ção de pessoas e mercadorias, já que o transporte rodoviário é mais caro do que o ferroviário e o hidroviário.
As obras viárias de interligação do continente sul-americano são muito importantes, particularmente para o Brasil. Além de facilitar o escoamento de produtos brasileiros (os demais países da América do Sul compram do Brasil cerca de dois terços do total de bens industrializados exportados), há muitos investimentos de empresas brasileiras nos países vizinhos.
O projeto ferroviário que interligaria o porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, ao porto de Antofagasta, no Chile, passando pela Argentina e pelo Paraguai, facilitaria enormemente as exportações de produtos brasileiros para a Ásia, onde estão localizados os países que vêm se firmando como fortes parceiros comerciais do Brasil.
A expansão das redes de infraestrutura para deslocamento de pessoas e de produtos e para abastecimento de energia elétrica (gasodutos, oleodutos, rodo vias, ferrovias, hidrovias, redes de transmissão de energia elétrica), a construção de usinas geradoras de energia (hidrelétricas, por exemplo), além da exploração dos recursos naturais, devem levar em consideração a conservação do ambiente e os benefícios à sociedade, não apenas a um grupo restrito de pessoas e de empresas. Diversas dessas obras sofrem resistência, por exemplo, por parte de comunidades indígenas, que veem seus espaços de vivência ameaçados.
O Brasil tem um peso significativo na economia latino-americana, e sua in fluência política e econômica vem crescendo nesse contexto. Várias obras de infraestrutura energética e de transportes, por exemplo, na Argentina, no Chile, na Venezuela e no Paraguai são administradas por empresas brasileiras. O fortalecimento da infraestrutura regional sul-americana também é fundamental para dar seguimento aos processos de integração entre os países da América do Sul e da América Latina, um dos grandes desafios para os governantes.

O processo de diversificação industrial 


Brasil, México e Argentina concentram quase 90% da produção industrial da América Latina. Colômbia, Chile e Venezuela, na América do Sul, e Costa Rica, na América Central, são países relativamente industrializados.
Os processos de industrialização no Brasil, no México e na Argentina tiveram início na década de 1930 e apresentam algumas diferenças, entre elas: o desenvolvimento do setor da indústria de base (petrolífero ou siderúrgico), as etapas de maior ou menor crescimento industrial, a origem principal dos investimentos e das multinacionais que se instalaram nesses países (Estados Unidos ou países europeus). Entretanto, são muitas as semelhanças: grandes mercados consumidores, sobretudo no Brasil e no México; abundância de matérias-primas agrícolas e minerais; mão de obra barata; investimentos do Estado em infraestrutura; presença de empresas multi nacionais em diversos setores industriais.
A partir da década de 1950, o processo de crescimento industrial de Brasil, Argentina e México ficou conhecido como Industrialização por Substituição de Importações (ISI) e trouxe algumas consequências negativas. Com a instalação das multinacionais ou transnacionais , muitas empresas nacionais não suportaram a concorrência e faliram; outras foram compradas por grupos transnacionais.
A entrada de multinacionais do setor automobilístico estimulou a expansão do transporte rodoviário e, sobretudo no Brasil, os investimentos governamentais em outras redes de transporte, como o ferroviário, foram reduzidos ao longo de décadas, o que levou ao sucateamento da malha de ferrovias, que somente entre o final do século XX e o início deste século voltou a contar com investimentos.
Entre 1940 e 1970, aproximadamente, esse modelo de desenvolvimento possibilitou um expressivo crescimento econômico, geração de empregos, amplia ção do mercado consumidor e diversificação na pauta de produtos exportados, incluindo diversos bens industrializados. Entretanto, o crescimento econômico foi alcançado à custa de alto endividamento externo e grande concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas.
Apesar das relativas melhorias nas condições de vida da população, de modo geral, faltaram políticas públicas de distribuição de renda e maiores investimen tos nas áreas de educação, habitação e saúde, por exemplo.
A concentração de boa parte das indústrias em determinadas áreas do território também se destaca nesse processo. No México e na Argentina, pelo menos até os anos 1970, as unidades fabris se instalaram, sobretudo, no entorno das respectivas capitais federais.
No caso do Brasil, as indústrias se concentraram no Sudeste, ainda hoje a região mais industrializada do país, embora tenha perdido participação no total da produção industrial brasileira. Destacam-se as Regiões Metropolitanas de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, de Campinas, da Baixada Santista, do Vale do Paraíba e Litoral Norte e de Sorocaba, as quatro últimas também no estado de São Paulo, responsável por cerca de 30% da produção industrial do Brasil. O Sudeste apresenta grande diversificação de indústrias: siderúrgica, metalúrgica, au tomobilística, eletroeletrônica, informática, equipamentos de telecomunicações, aeroespacial (aeronaves e satélites artificiais), construção naval, farmacêutica e química, entre outras.
A abertura econômica e as privatizações Entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990, o modelo baseado na proteção das empresas locais e na forte presença do Estado foi substituído por uma política marcada, entre outros aspectos, pela abertura econômica e pelas privatizações, com expressiva participação de empresas estrangeiras, especial mente nos setores mais rentáveis, como o financeiro, o de telecomunicações e o de geração e distribuição de energia elétrica.
Essa política de abertura e privatizações, que ocasionou significativas trans formações nos países latino-americanos, impondo novas territorialidades, resul tou da implementação de propostas elaboradas por instituições internacionais – Banco Mundial, FMI e Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird) – e pelo governo dos Estados Unidos para resolver os problemas de endividamento, infla ção elevada e baixo crescimento econômico. Esse plano de ações foi chamado de Consenso de Washington.

A urbanização acelerada e os reflexos da desigualdade social


Os países latino-americanos apresentam elevados índices de urbanização. Essa característica é resultado do ritmo acelerado de crescimento da população urbana na segunda metade do século XX, em decorrência do intenso processo de migração campo-cidade em um curto intervalo de tempo. Esse processo é conhe cido como êxodo rural.
A mecanização das atividades agrícolas, a industrialização nos países em desenvolvimento, particularmente nos emergentes, e o aumento das atividades econômicas dos setores secundário e terciário nas cidades contribuíram para o processo de urbanização. Além disso, a estrutura fundiária do espaço rural que caracteriza os países latino-americanos, marcada pelos grandes latifúndios e pela falta de incentivo aos pequenos produtores, limita as possibilidades de per manência do trabalhador no campo.
O crescimento acelerado das cidades, particularmente das metrópoles, a mar cante desigualdade social e os elevados percentuais de pobreza presentes nos paí- ses da América Latina, além da falta de atuação do Estado nas áreas periféricas e com presença de população mais pobre, explicam uma série de problemas urbanos e a segregação socioespacial. É preciso considerar, ainda, que, de acordo com da dos da Cepal, 46% dos trabalhadores urbanos latino-americanos se encontram em situação de informalidade, ou seja, não têm registro em carteira de trabalho, não recolhem impostos e muitos não possuem uma renda regular que lhes permita as sumir compromissos financeiros, como aluguel e prestação de imóvel, por exemplo.
Nos espaços urbanos, a segregação socioespacial se manifesta na presença de bairros com enorme carência de serviços públicos elementares – asfaltamento das ruas, redes de água e esgoto, postos de saúde, creches e escolas – ao lado de bairros com completa infraestrutura – casas e edifícios de médio e alto padrão, faculdades, escolas, hospitais, bibliotecas, parques, teatros, centros de cultura, cinemas, entre outros serviços.
A carência de serviços básicos é marcante nos assentamentos urbanos precários, como nas favelas e em áreas alagadas, inclusive nas palafitas. A pobreza e o trabalho informal, que afetam parte significativa da população dos países latino-americanos, levam muitas pessoas a ocupar terrenos para construção em áreas de risco, como encostas de morros, locais sujeitos a enchentes, além dos alagados nos litorais e nas margens de rios. Há falta de políticas habitacionais do governo para atendar às necessidades da população que vive nessas condições.
Boa parte das habitações precárias se situa nas periferias das grandes cidades, carentes de serviços públicos, como transporte. Muitas pessoas encon tram dificuldade para se deslocar até o trabalho e, eventualmente, perdem oportunidades de emprego. Além disso, a falta de acesso à educação restringe as possibilidades de qualificação profissional e, por tanto, das chances de melhores colocações no mer cado de trabalho, agravando a condição de pobreza.

México


No México, o desenvolvimento industrial foi marcado pela forte presença de multinacionais estadunidenses.
O território mexicano possui muitas riquezas minerais, como prata, chumbo, zinco, cobre e petróleo, uma das mais importantes fontes de divisas do país. A abundância desses minerais e a expansão da produção de energia elétrica, das indústrias petroquímicas, siderúrgicas e automobilísticas favoreceram o desenvolvimento industrial mexicano. O México possui uma das maiores reservas mun diais de petróleo e gás natural.
As multinacionais estadunidenses instaladas no México se beneficiam da mão de obra local barata, de impostos e encargos sociais mais baixos (subsidiados pelo governo), além da localização estratégica, em sua maioria, em áreas de fronteira com os Estados Unidos. Essas indústrias são chamadas de maquiadoras.
O aumento do número de indústrias multinacio nais de produtos eletroeletrônicos, de eletrodomésti cos e de automóveis instaladas no território mexicano alavancou as vendas de bens industrializados para o exterior. Essas empresas importam parte dos compo nentes e peças de outras filiais ou de suas matrizes a fim de realizar a montagem da mercadoria final: máquinas fotográficas, computadores, impressoras, televisores, automóveis, caminhonetes, entre outros produtos, a maior parte destinada à exportação.
Em razão dos benefícios e do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), os produtos fabricados pelas maquiadoras são vendidos nos Estados Unidos, seu principal mercado consumidor, por um preço reduzido. Assim, para muitas multinacionais, o México constitui uma ótima porta de entrada para o mercado estadunidense.
O Nafta fortaleceu as relações comerciais entre Estados Unidos e México, po rém criou uma dependência econômica e cultural ainda maior deste último em relação aos primeiros. Para os mexicanos, esse acordo resultou na redução dos postos de trabalho mais bem remunerados e dos benefícios sociais, em contrapo sição ao aumento dos empregos com salários mais baixos, além de menor estabilidade profissional.

O espaço socioeconômico


Com exceção da área localizada entre as cidades de Tampico e Veracruz, a costa do golfo do México (Atlântico) é pouco habitada. Nos extremos norte e sul do país encontram-se as menores densidades demográficas. A Cidade do México, capital do país, é o mais importante centro urbano mexi cano e a mais antiga das grandes cidades do continente americano. A população de sua área metropolitana, com mais de 20 milhões de habitantes, é uma das que mais crescem no mundo. A capital mexicana é uma das mais poluídas do planeta, devido à grande quantidade de veículos particulares em circulação e à forte pre sença de indústrias, além de suas características topográficas. Situada no planal to de Anáhuac, a cidade é cercada por vulcões – dos quais os mais famosos são o Orizaba, o Popocatépetl e o Paricutín –, e as elevações de relevo não favorecem a dispersão de poluentes.
Em várias regiões do México, sobretudo no norte, atuam diversos grupos li gados ao narcotráfico, pois o país é uma porta de entrada para drogas nos Esta dos Unidos, o maior mercado mundial de narcóticos. No estado de Chiapas, o mais pobre do país, a população indígena é a mais afetada pela miséria. Foi aí que nasceu o movimento Exército Zapatista de Liber tação Nacional (EZLN), com o objetivo de pressionar o Estado a realizar mudan ças sociais e econômicas na região. Em 1994, esse grupo organizou uma rebelião contra o governo mexicano que, para sufocá-la, convocou as forças do exército.
Entre os principais produtos agrícolas cultivados no México destacam-se o milho, o algodão, o café e a cana-de-açúcar. O milho e o feijão são a base da ali mentação dos mexicanos. O milho é utilizado na fabricação da tortilla, espécie de pão redondo e achatado como um disco, com massa bem fina, que é usada para a preparação de diversos pratos da culinária mexicana, como tacos, quesadillas e enchiladas. A tortilla já era produzida pelos astecas, antes da chegada dos espanhóis.
O turismo é uma importante atividade econômica do México, com destaque para as regiões de Acapulco e da Baixa Califórnia, na costa Oeste, e Cancún, na costa Leste. Além de belas praias, o México reúne um rico patrimônio histórico--cultural – museus, monumentos e ruínas das civilizações asteca e maia –, que atrai o interesse de visitantes de todo o mundo.

Argentina


Da década de 1940 ao início dos anos 1960, os argentinos desfrutavam de um padrão de vida elevado. A partir daí, esse padrão começou a cair em razão de proble mas internos do país, como a má administração pública, a corrupção e o aumento da dívida externa, que se agravou nos anos 1970 e 1980. Contribuíram para essa queda as reduções nos preços das matérias-primas da agropecuária, como o trigo, a carne e a lã, alguns dos principais produtos de exportação da Argentina.
A crise vivida pela Argentina foi agravada, principalmente nas décadas de 1970 e 1980, pela forte repressão política implantada pela ditadura militar, res ponsável pela morte de aproximadamente 100 mil pessoas.
Na década de 1990, houve um processo de abertura econômica e privatiza ções, que resultou na queda da inflação e estabilização da economia. A valoriza ção da moeda argentina em relação ao dólar, porém, tornou as mercadorias argen tinas mais caras no mercado internacional, dificultando as exportações.
Como resultado da crise, um número maior de argentinos passou a viver em situação de pobreza. No final de 2001, a suspensão do pagamento da dívida exter na argentina ocorreu em meio a um caos político e socioeconômico. Essa medida possibilitou ao país a retenção de 18 bilhões de dólares em juros, que deveriam ser pagos aos credores.
A aplicação desses recursos na economia, o aumento das exportações com a desvalorização do peso argentino e a ampliação da produção industrial contribuíram para a recuperação econômica do país a partir de 2003. A estabilidade po lítica, com a eleição de Néstor Kirchner nesse mesmo ano, foi outro fator favorável para a retomada econômica.
Em meados de 2004, o governo argentino lançou um programa de reestruturação de sua dívida externa com os credores, retomando o pagamento dos juros. Entretanto, em 2018, o país passou a enfrentar novos problemas cambiais diante da necessidade de dólares para o pagamento da dívida, solicitando auxílio do FMI. Essa iniciativa gerou protestos pelo país, num contexto de inflação e juros altos, e com reservas internacionais baixas.

O espaço socioeconômico


O território argentino está subdividido em quatro regiões: Pampa, Chaco, Patagônia e região Andina. No Pampa, uma das áreas mais produtivas do globo, é praticada atividade agrícola intensa, ao lado de uma próspera criação de bovinos e ovinos. O solo da região do Pampa é muito fértil, o que favorece a alta produtividade, principalmente do trigo. É dessa região que os argentinos obtêm metade de sua produ ção agrícola.
O Pampa é a região mais dinâmica do espaço geográfico argentino, concen trando grande parte da produção agropecuária e industrial e cerca de 70% da po pulação do país. É onde se situam Buenos Aires e as cidades de Rosário e Córdo ba, as mais importantes depois da capital.
Essa região apresenta similaridade com os pampas brasileiros, particu larmente no que se refere à criação de bovinos para corte. Grandes grupos industriais frigoríficos, inclusive brasileiros que atuam na Argentina, são abas tecidos pela carne de alta qualidade obtida por meio dessa atividade, que pos sibilita também o desenvolvimento da industrialização do couro para a fabri cação de roupas e calçados. A Argentina exporta grande quantidade de carnes, cereais (trigo e soja) e lã. Esses produtos representam cerca de 2/3 das exportações argentinas.
Em meados da década de 2000, a Argentina era o terceiro maior exportador de carne do mundo, mas a proibição temporária da exportação e a elevação de impostos sobre essa atividade contribuíram para uma diminuição no volume de carne argentina no mercado externo. Brasil, Uruguai e Paraguai conquistaram parcelas desse mercado. Atualmente, num processo de recuperação das exportações, a Argentina encontra-se entre os dez maiores exportadores.
O Chaco, região ocupada pelo povo indígena Guarani, apresenta baixa densi dade demográfica, com predomínio da pecuária extensiva de bovinos e espaços agrícolas dedicados ao cultivo do algodão, do sorgo e do milho.
Na Patagônia, a região menos povoada do país, predominam as grandes pro priedades rurais, nas quais se pratica a criação de ovinos em sistema extensivo, além de uma expressiva produção de petróleo e gás natural. Recentemente, vem se expandindo o cultivo de uva para a fabricação de vinhos. A principal cidade da região Andina, onde predomina o cultivo de frutas – principalmente de uva – e de oliveiras, é Mendoza, grande produtora de vinhos.
A região também se destaca pela produção de azeite, além da extra ção de petróleo e gás natural. No cultivo da uva utiliza-se o método da irrigação, com aproveitamento de água proveniente do degelo da cordilheira dos Andes. Destaca-se também San Carlos de Bariloche, conhecida apenas como Bariloche, importante centro turístico da Argentina.
O setor industrial Os setores industriais mais expressivos da Argentina são o de alimentos (carne) e o têxtil (couro e lã), que aproveitam a grande disponibilidade de produ tos agropecuários, principalmente a carne. Outros setores industriais presentes são o automobilístico, o metalúrgico e o da construção civil. As empresas multi nacionais controlam boa parte dessas indústrias pois, como foi visto, é marcante a presença do capital estrangeiro na economia do país.
As indústrias argentinas se concentram principalmente na Grande Buenos Aires (siderúrgicas, estaleiros navais, refinadoras de petróleo, indústrias mecânica, têxtil e alimentícia). Outros centros industriais importantes são Rosário, Córdoba, Santa Fé e Mendoza.

O Mercosul


O Mercosul foi criado em 1991, quando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram um tratado de livre-comércio, o Tratado de Assunção. Os primeiros acordos comerciais, porém, foram negociados entre Brasil e Argentina ain da na década de 1980, depois de longo período de ditadura militar nesses países.
Entretanto, a efetivação do livre-comércio só ocorreu após a assinatura do Protocolo de Ouro Preto, em 1994. A partir de então, cerca de 95% das mercadorias produzidas nesses quatro países passaram a circular entre eles sem cobrança de tarifa de importação. Em 1995, o Mercosul adotou a tarifa externa comum (TEC). Com isso, os países do bloco praticam um imposto único de importação, ou seja, se no Brasil, por exemplo, o imposto aplicado para a importação de tecidos da China é de 15%, os demais países integrantes devem cobrar a mesma porcentagem para essa mercadoria.
Chile, Peru, Equador, Colômbia, Guiana e Suriname são países associados ao Mercosul, participando da zona de livre-comércio, mas não da união aduaneira, ou seja, da implementação da TEC. A Venezuela, admitida como membro provisório no final de 2005, passou à condição de membro pleno em 2012, quando sua adesão foi efetivada após a suspensão do Paraguai, cujo Senado era contrário à entrada do país no Mercosul.
No entanto, em dezembro de 2016, a Venezuela foi suspensa do bloco por descumprimento de tratados e normas contidos no Protocolo de Adesão. Em agosto de 2017, foi imposta ao país uma nova suspensão, decorrente do reco nhecimento por parte dos outros membros do bloco de que o regime de governo de Nicolas Maduro não fosse democrático. No caso da Bolívia, em julho de 2015, foi aprovado o Protocolo de Adesão do país ao bloco.
Nos anos 1990, a formação do Mercosul pos sibilitou um aumento no comércio de mercadorias entre os países-membros, principalmente entre os de maior peso econômico — Brasil e Argentina, que somam cerca de 97% do PIB do bloco.
O Mercosul, cujo objetivo final é tornar-se um mercado comum, já conseguiu se consolidar como zona de livre-comércio e, atualmente, está em pro cesso de formação de uma união aduaneira. Como ocorre na formação de todo bloco comercial, o es tabelecimento do Mercosul trouxe consequências para as empresas e a população dos cinco Estados-nação integrantes.
Os agricultores argentinos de cereais, espe cialmente de trigo, aumentaram suas exporta ções para o Paraguai e sobretudo para o Brasil. O setor agrícola de cereais argentino apresenta elevados índices de produtividade, pois dispõe de melhores solos, maiores investimentos em tecnologia e apoio do governo, o que possibilita preços mais competitivos.
Em função disso, os produtores de cereais do Brasil, principalmente de trigo, foram bastante afetados, já que não conseguem colocar no mer cado produtos com preços capazes de competir com os produtos argentinos. Isso também ocorre no setor de carne e de laticínios (leite e seus derivados), pois a produtividade da Argentina e do Uruguai são maiores que a do Brasil.
No entanto, boa parte das indústrias brasileiras é mais competitiva que as dos demais países-membros do Mercosul, o que preocupa os empresários do se tor industrial da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.
Uma medida importante para fortalecer o Mercosul em termos de produção industrial é a implementação da “integração produtiva”, meta que consta do Trata do de Assunção. Essa integração permitiria aos países-membros do bloco formar cadeias produtivas nas quais, por exemplo, o Brasil – pelo fato de ser um país industrialmente mais dinâmico – poderia constituir um eixo principal, resultando em benefícios para todo o grupo.
Desde os entendimentos iniciados na década de 1990, o Mercosul e a União Europeia (UE), principal compradora dos produtos brasileiros, conduzem negocia ções para estabelecer uma zona de livre-comércio.


México

O México, pela sua localização, pertence à América do Norte e, segundo a regionalização histórico-cultural, pertence à América Latina. Com a...