A América Latina é formada por países com diferentes níveis de desenvolvimento econômico. Brasil, México e Argentina, que em 2020 apresentaram a 12ª, a 15ª e a 30ª economia do mundo, respectivamente, possuem um relativo desen volvimento industrial. Outras nações, como o Haiti e a Nicarágua, caracterizam-se como economias pouco industrializadas, entre as menos expressivas do mundo, estando na 131ª e na 134ª posição, respectivamente.
Em razão desse contraste, Brasil, México e Argentina destacam-se na geração de riquezas na região, respondendo por aproximadamente 62% do PIB latino-americano em 2020. No entanto, apesar dos contrastes socioeconômicos entre as nações latino-americanas, alguns aspectos atribuem uma identidade comum a todas elas: todas são países em desenvol vimento (de acordo com classificação da ONU) e foram explora dos e colonizados por potências europeias ao longo de sua história. Hoje, a maior parte desses países apresenta uma economia instável, suscetível a crises econômicas periódicas, dependente econômica e tecnologica mente em relação aos países desenvolvidos.
O nível de industrialização dos países da América Latina não é o mesmo. Somente um pequeno grupo, formado por Brasil, Argentina, México e Nicarágua, tem atividade industrial diversificada e desenvolvida. A maior parte dos países latino-americanos possui sua exportação baseada na atividade agropecuária e na exploração mineral, ou seja, na produção de produtos primários.
A força do Estado e a industrialização da América Latina O processo de industrialização do Brasil, do México e da Argentina ocorreu ao longo do século XX, ganhando força após as duas guerras mundiais e tendo como modelo a Industrialização por Substituição das Importações (ISI), ou seja, os produtos que anteriormente eram importados passaram a ser produzidos interna mente. No início, por exemplo, a produção industrial dos países em desenvolvimento foi baseada em bens de consumo, como calçados, tecidos e alimentos enlatados.
Tanto a industrialização brasileira como a argentina e a mexicana tiveram a intervenção direta do Estado. Essa participação envolveu incentivos ao desenvolvimento de indústrias nacionais e financiamentos da infraestrutura necessária à expansão industrial, como estradas para escoamento de matérias-primas e pro dutos industrializados e de hidrelétricas para a produção da energia elétrica, necessária ao funcionamento das fábricas.
Além de promoverem o desenvolvimento da indústria nacional, esses países também incentivaram a entrada de transnacionais em seus territórios. Essas em presas viam na industrialização das nações em desenvolvimento vantagens como:
• a possibilidade de produzir bens de consumo em maior quantidade e com custos mais baixos, em razão de impostos reduzidos, mão de obra farta e barata e leis ambientais frágeis;
• a exploração de novos mercados consumidores, com a possibilidade do envio de grande parte dos lucros às matrizes;
• a liberação do parque industrial dos países desenvolvidos para a fabricação de produtos com elevada tecnologia, como computadores, máquinas e aviões, produtos mais caros e muito procurados no mercado internacional.
Embora hoje em dia contem com um diversificado parque industrial, Brasil, México e Argentina não conseguiram atingir o nível econômico dos países dese volvidos. De modo geral, essas nações ainda dependem da importação de gêneros de elevada tecnologia fabricados nos países desenvolvidos, e muitas empresas responsáveis pela geração de divisas em seus territórios são transnacionais, que remetem à matriz uma porção significativa de seus lucros, não fazendo investi mentos voltados ao desenvolvimento econômico do país.
Tecnologia e emprego
A chegada das transnacionais proporcionou diversas transformações no espaço industrial dos países da América Latina e na organização do trabalho nessa e em outras regiões. Muitas indústrias nacionais nos países da região enfrentaram a concorrência com as transnacionais em seus mercados.
Além disso, as indústrias estrangeiras, com destaque às do setor automobilístico, também foram as primeiras a introduzir nesses países modelos inovadores de produção e organização industrial, como as linhas de montagem, no início do século XX, e o uso de robôs industriais, a partir da década de 1970.
Essa automatização da produção ocorreu inicialmente no contexto das transnacionais do setor automobilístico, gerando a perda de algumas funções de trabalho e levando a maiores exigências de qualificação em outras.
A indústria no Brasil
O Brasil é um dos países mais industrializados da América Latina. No entanto, no século XXI, vem apresentando um declínio na participação da indústria no Pro duto Interno Bruto (PIB) nacional em razão do crescimento do setor terciário, atualmente responsável por gerar 63% do PIB brasileiro. Essa crise no setor industrial se deve a inúmeros fatores, desde a falta de investimentos e os juros elevados até a alta carga tributária e o custo excessivo com o transporte.
A Região Sudeste responde pela maior parte da produção industrial brasileira. Em São Carlos, Campinas e São José dos Campos, no estado de São Paulo, verifica-se a concentração de indústrias de alta tecnologia. Destacam-se também o polo siderúrgico de Volta Redonda e o complexo petroquímico de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, além do parque industrial de Minas Gerais, que conta com diversas indústrias metalúrgicas.
Na Região Sul, segunda mais industrializada do Brasil, o setor industrial tem crescido mais intensamente no século XXI, beneficiado pela proximidade com outros pa íses do Mercosul, o que facilita as exportações para Argentina, Paraguai e Uruguai.
Na Região Norte, está localizada a Zona Franca de Manaus (ZFM), situada em Manaus (AM), que representa uma área de livre comércio, com isenção de impostos sobre produtos industrializados (importações e exportações).
O Nordeste, desde a década de 1990, tem se beneficiado com a desconcentração industrial, principalmente do Sudeste, e atraído indústrias nacionais e transnacionais. Os estados da Bahia e de Pernambuco destacam-se pelos polos industriais como os de Camaçari (BA) e Ipojuca (PE). O sistema portuário dessa região também facilita a logística de exportação para as indústrias que nela se instalam.
As empresas maquilladoras no México
Em decorrência do baixo custo da mão de obra e de reduzidos encargos sociais existentes no México, assim como do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), várias empresas transnacionais estadunidenses passaram a se instalar no território mexicano, próximo à fronteira com os Estados Unidos.
Denominadas empresas maquilladoras, grande parte delas corresponde a unidades produtivas dessas transnacionais e são responsáveis pela monta gem de produtos como rádios, televisores e automóveis, posteriormente co mercializados, principalmente, no mercado estadunidense.
Atualmente, cerca de 66% das exportações de produtos manufaturados do México são provenientes das maquilladoras, que empregam parte significati va da mão de obra que trabalha em indústrias nesse país.
No entanto, muitas críticas são feitas a essas indústrias por alguns setores da sociedade mexicana, que argumentam que as maquilladoras prejudicam a indústria nacional, pagam baixos salários aos trabalhadores, causam danos ambientais e não ajudam a promover o desenvolvimento socioeconômico do país.
A economia agrária da América Latina
A organização atual do espaço agrário da América Latina possui raízes em seu pas sado colonial. Naquele período, o interesse dos colonizadores era formar colônias de exploração que fornecessem riquezas necessárias ao desenvolvimento econômico de suas metrópoles, como gêneros agrícolas (cana-de-açúcar, tabaco, algodão etc.), madeira, metais preciosos (ouro e prata) e outros minerais (como o diamante).
A partir do século XVI, as atividades agrícolas desenvolvidas nas colônias da América Latina ocorreram sob a forma de plantation, ou seja, extensas áreas mo nocultoras cultivadas mediante a utilização de mão de obra escravizada e tendo seus produtos direcionados ao abastecimento do mercado consumidor europeu.
No Brasil, as plantations de cana-de-açúcar, localizadas nas áreas próximo ao litoral, foram, em parte, a base inicial da estrutura econômica da colônia, já que o açúcar se tornou um dos produtos mais concorridos no mercado europeu e incentivou a expansão da atividade pecuária em direção ao Sertão nordestino, promovida para abastecer as regiões canavieiras do litoral com couro e animais de trabalho.
Mesmo após conquistarem a sua independência política, grande parte dos países da América Latina permaneceu subordinada aos interesses econômicos dos países desenvolvidos. Assim, de modo geral, essas nações participam da DIT como países fornecedores de produtos primários para o mercado internacional.
A estrutura fundiária nesses países não sofreu grandes transformações em relação ao período colonial. A maior parte das terras disponíveis encontra-se nas mãos de poucos proprietários e muitos pequenos produtores rurais abandona ram o campo em razão da falta de financiamentos e da incapacidade de competir com a produção das grandes propriedades comerciais.
A má distribuição de terras deu origem a movimentos sociais que atuam no campo, reivindicando a reforma agrária e a desapropriação de terras improdutivas para a criação de assentamentos, nos quais as famílias sem-terra recebem pequenos lotes para praticar agricultura.
Entre os diversos movimentos ru rais que batalham pela reforma agrária na América Latina, um dos principais é o Movimento dos Traba lhadores Rurais Sem Terra (MST), criado na década de 1980, no Brasil.
Desde a década de 1990, aumentou consideravelmente a quantidade de assentamentos no país. No entanto, em razão do elevado número de famílias que não possuem terra para cultivar, tanto as ocupações de áreas improdutivas pelas famílias sem-terra como os conflitos no campo se inten sificaram. Vários desses conflitos são disputas pela posse da terra, algumas vezes violentas, envolvendo grileiros, populações indígenas e proprietários de extensas áreas rurais.
Conflitos no campo ocorrem também no Paraguai, onde a má distribuição de terras e a pobreza rural levam à violência entre fazendeiros e integrantes de movimentos camponeses. No entanto, recentemente o grupo denominado Exército do Povo Paraguaio vem praticando atos extremos no norte do país.
A economia agrária e o contraste tecnológico
O espaço rural latino-americano é marcado por amplos contrastes. De um lado, há o modo de produção voltado ao agronegócio, com predomínio de grandes latifúndios para exportação, que ocupam a maior parte das terras férteis.
De outro, há os modos de produção tradicionais, realizados em pequenas propriedades e voltados à subsistência das famílias rurais, que respondem pela maior parte dos alimentos consumidos pela população.
Nas áreas onde a produção agropecuária é destinada à produção de gêneros agrícolas para exportação, são, em geral, empregadas tecnologias modernas, como me lhoramento genético, maquinários específicos e sementes selecionadas, que proporcionam elevada produtividade.
Já nas áreas onde são praticados modos tradicionais de produção, as atividades costumam ser realizadas por meio de técnicas rudimenta res de plantio, como o uso do arado com tração animal. Esses contrastes podem ser verificados entre diferentes países e também no espaço rural de um mesmo país.
Os países latino-americanos que apresentam maior grau de modernização, como Brasil, Argentina e Chile, são os principais exportadores de produtos agrícolas.
No Chile, a produção agrícola é bastante especializada, sendo o país o maior exportador de frutas da América Latina e um dos maiores do mundo. A ocorrência do clima mediterrâneo favorece a produção de uvas para a fabricação de vinhos, que são exportados para diversos países.
Diversos outros países latino-americanos, incluindo aqueles que apresentam menor nível de modernização em seu espaço rural, apresentam áreas especializa das na produção de gêneros agrícolas, sobretudo tropicais, em seus territórios. Podemos citar, por exemplo, o circuito da cana-de-açúcar em Cuba. Historicamente impulsionada por um desenvolvido setor de açúcar e álcool, Cuba exporta pro dutos considerados de alta qualidade, como o rum, mas também vem expandido sua produção de etanol (álcool combustível).
No Brasil, destacam-se grandes com plexos agropecuários destinados à produção de gêneros para exportação, principalmente a soja e a carne, que em 2021 responderam, respectivamente, por 36,9% e 19,2% das exportações do agronegócio brasileiro. De modo geral, os estados das Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul se destacam como princi pais produtores.
Na Argentina, a região do Pampa argentino concentra a maior parte da pro dução agropecuária do país. Nela, vastas pastagens naturais são utilizadas para criações de ovinos e, principalmente, bo vinos. O circuito da carne no Pampa ar gentino é um dos mais importantes do mundo devido à alta qualidade da produção e à presença de diversos frigoríficos, que abastecem os mercados interno e externo.
Os recursos minerais da América Latina
Na América Latina, a exploração de recursos minerais remete ao período da colonização, no qual as metrópoles extraíam minerais das colônias, como ouro e prata, para enviar ao continente europeu.
No Brasil, a partir do final do século XVII, a região mineradora do estado de Minas Gerais passou a se destacar pela elevada produção de ouro e, no século XVIII, era responsável por 50% da produção mundial desse metal precioso. No século XX, Minas Gerais passou a se destacar pela produção de minério de ferro.
Atualmente, o Brasil destaca-se como o terceiro produtor mundial de minério de ferro, explorado, principalmente, nos estados de Minas Gerais (Quadrilátero Ferrífero) e Pará (Complexo de Carajás). O país conta ainda com uma expressiva produção de bauxita (usada na produção do alumínio), manganês e petróleo.
A Venezuela abriga as mais extensas jazidas de petróleo da América Latina. O país é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e possui uma economia petrolífera, isto é, cujo PIB depende, grandemente, de receitas oriundas das exportações de petróleo.
A Bolívia é outro país latino-americano cuja economia depende das exportações de recursos energéticos, destacando-se na exploração de gás natural, exportado para Brasil, Argentina e Peru.
Também se destacam em suas atividades extrativistas o Peru (onde é relevante a produção de ouro e outros minérios), o México (atualmente entre os principais exportadores de chumbo e prata) e o Chile (maior produtor mundial de cobre, entre outros recursos explorados).
Os blocos econômicos da América Latina Seguindo uma tendência mundial de integração econômica entre mercados, a América Latina vem presenciando, desde o século XX, a formação de blocos econômicos regionais.
Entre os blocos econômicos latino-americanos, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um dos mais importantes, integrando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (a Venezuela também faz parte do bloco, mas atualmente encontra-se suspensa).
A integração regional entre esses países iniciou-se sob a liderança do Brasil e da Argentina ainda nos anos 1980. No início de 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, quando o Para guai e o Uruguai aderiram à iniciativa.
O Mercosul anula as tarifas internas para produtos importados entre os países-membros e adota uma tarifa externa comum, isto é, uma taxa ou imposto único cobrado por todos os países sobre os produtos vindos de fora do bloco. Por isso, caracteriza-se uma união aduaneira.
A sede da organização é situada em Montevidéu, no Uruguai, e em 2002, foi assinado o Tratado de Livre Trânsito e Residência, permitindo o livre trânsito de cidadãos dos mem bros do bloco entre os países signatários.
Além dos países-membros originais, o Mercosul conta com cinco membros as sociados: Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia. Já o México é considerado Es tado observador, e um acordo para incluir o Suriname e a Guiana como membros associados já foi assinado.
O Mercosul engloba, atualmente, cerca de 404 milhões de habitantes e aproxi madamente 62% da população da América do Sul, chamando atenção por seu po tencial energético e também pela elevada produção agropecuária e extrativista.
No entanto, em razão da existência de grandes desigualdades econômicas, po líticas e até mesmo de estruturas produtivas entre os países-membros do bloco, a integração dessas nações vem ficando cada vez mais comprometida.
Outro bloco existente na América Latina é a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), que surgiu na década de 1980 vi sando promover o desenvolvi mento econômico e social da re gião. Atualmente, integram o bloco Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Já a Nicarágua está em processo de adesão.
A Aladi objetiva a criação de um mercado comum latino-americano, o que ain da está longe de ocorrer. Até o presente momento, as principais conquistas do bloco envolveram acordos prevendo tarifas de importação preferenciais entre os países associados, mas apenas para determinados produtos.
Já a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), criada em 2008 em Brasília, é uma organização intergovernamental que integrava 12 países latino-americanos, todos localizados na América do Sul, objetivando a integração comercial entre seus países associados.
Contudo, nos últimos anos, a existência da organização vem sendo colocada em xeque em razão da oposição ideológica entre os governos dos países-membros. Em 2019, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Equador anuncia ram sua saída do grupo, que em 2022 era composto apenas por Bolívia, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela e tinha sua existência futura ameaçada.
A Comunidade do Caribe (Caricom), por sua vez, é um bloco criado na década de 1970 por países localizados na sub-região do Caribe com o objetivo de propor cionar maior desenvolvimento econômico e integração política entre as nações associadas. Atualmente, o bloco é integrado por 15 Estados e 5 territórios.
Destaca-se, ainda, a Comunidade Andina de Nações (CAN), bloco formado ape nas por países que têm territórios na Cordilheira dos Andes, integrado atualmente por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Chile e Venezuela chegaram a fazer parte da CAN, mas ambos abandonaram a organização.
Criada na década de 1960 sob o nome de Pacto Andino, a CAN tem como obje tivo a criação de uma união aduaneira, abolindo as taxas alfandegárias e criando uma tarifa única, a ser aplicada às importações de países não membros.
Assim como no caso da Unasul, no século XXI as relações internas da CAN têm sido marcadas pela polarização ideológica em razão da eleição de governos de esquerda e direita em países-membros, estimulando as rivalidades entre eles e configurando um obstáculo diplomático ao desenvolvimento do bloco.
Diversas outras organizações regionais com objetivos não econômicos existem na América Latina, embora, na maioria dos casos, as estruturas implementadas tenham ficado aquém de seus objetivos.
Uma delas é a Organização dos Estados Americanos (OEA), que foi criada ainda no final do século XIX, mas ganhou a denominação atual em 1949, com a assinatura da Carta da OEA, que entrou em vigor em 1951. Diversos outros protocolos foram assinados desde então, sendo o último deles o Protocolo de Washington, de 1992, que entrou em vigor em 1997.
A OEA abrange todos os 35 Estados independentes do continente americano, sendo voltada à manutenção da segurança dos países em questão, à intensifica ção da colaboração entre eles e à defesa da soberania de seus territórios. Nesse contexto, ela também serve como uma plataforma de diálogo entre esses países, inclusive para ajudar na resolução de eventuais disputas.
Também podemos citar a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), criada em 1949 e que se caracteriza como um bloco diferente dos apresentados anteriormente, pois integra tanto países da América Latina (19 países) como da Península Ibérica (Portugal, Espanha e Andorra), na Europa. O objetivo da organização é estritamente a cooperação nas áreas de ciência, cultura e educação.
Vale ressaltar que os países da América Latina foram colonizados predominan temente por Espanha e Portugal, portanto compartilham laços culturais com essas nações, como a língua espanhola e, no caso do Brasil, a língua portuguesa.
A dívida externa da América Latina
Durante o período colonial, as colônias da América Latina eram responsáveis por fornecer produtos agrícolas e minerais para as metrópoles europeias.
A conquista da independência não representou uma ruptura dessa estrutura econômica nos países latino-americanos, que seguiram dependentes da exporta ção de produtos do setor primário, assim como da importação de tecnologias e produtos industrializados dos países desenvolvidos.
As nações latino-americanas também se constituíram como financeiramente dependentes dos países ricos, pois, devido à falta de recursos suficientes para fi nanciar gastos públicos com saúde, habitação, educação, transporte, comunicação e defesa, acabaram por contrair dívidas com empréstimos concedidos por países e instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Interna cional (FMI).
Em razão dos saldos negativos da balança comercial de muitos países e dos elevados juros impostos pelos credores da dívida, o pagamento dos empréstimos externos torna-se cada vez mais difícil. Esse panorama é responsável, em parte, pela dívida externa adquirida pelos países latino-americanos no decorrer de sua história.
Entre os fatores responsáveis pela elevação da dívida externa dos países da América Latina, ao longo do século XX, destacam-se os empréstimos contraídos para o financiamento do processo de industrialização, que exigiu importação de máquinas, ferramentas e tecnologias até então inexistentes nos parques indus triais em expansão.
Além disso, a instalação de indústrias de base, como siderúrgicas, metalúrgicas e petroquímicas, somada à realização de grandes obras de energia e transportes necessárias para desenvolver a infraestrutura desses países, também exigiu volumosos créditos no exterior.
As crises econômicas mundiais que ocorreram no final do século XX e no início do século XXI agravaram ainda mais a questão da dívida externa em alguns países, pois, com a elevação dos juros internacionais que, em geral, ocorre em momentos de crise, a dívida dos países latino-americanos aumentou expressivamente.
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