quinta-feira, 5 de março de 2026

América Latina no início do século XXI

A América Latina não é um conjunto homogêneo de países em desenvolvimento. Alguns fatores provocaram uma diferenciação de ordem econômica e social entre os países latino-americanos: a duração do processo de colonização, o modo de desenvolvimento, a forma de integração no mercado internacional após a independência política, as maneiras de aproveitamento dos recursos naturais, a distribuição das riquezas, o volume de dinheiro investido em educação e saúde, entre outros.

Os países da América Latina podem ser agrupados em:


• países capitalistas com atividade industrial diversificada (exportadores de produtos primários e industrializados), que apresentam produção industrial relativamente elevada em diversos setores e uma pauta de exportações in dustriais também relativamente diversificada. O México e a Argentina, por exemplo, exportam diversos modelos de automóveis e produtos químicos, siderúrgicos e metalúrgicos; o Brasil, além desses produtos, exporta aviões comerciais de pequeno e médio porte;
• países capitalistas com atividade industrial pouco ou relativamente diversificada, a maioria grande dependente de exportações de produtos primários (agrícolas e/ou minerais);
• país socialista: Cuba.

Entre os países capitalistas latino-americanos também existem diferenças em relação às condições de vida da população. Chile, Uruguai, Costa Rica e Argentina apresentam indicadores sociais bem superiores aos da Bolívia, do Paraguai e do Haiti, por exemplo.
Na primeira década deste século, a América Latina registrou um significativo crescimento econômico, apoiado, sobretudo, na exportação de matérias-primas agrícolas e minerais, alimentos e produtos energéticos. A China, que se consolidou como um dos principais parceiros comerciais, também se tornou importante investidor, inclusive em obras de infraestrutura de transportes. Ferrovias, rodovias e portos são fundamentais para o escoamento da produção, viabilizando o fluxo de matérias-primas pelos territórios latino-americanos até sua chegada aos portos asiáticos, daí a grande importância para os chineses de investir nesse setor.
Desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Os investimentos chineses no território brasileiro só perdem para os que são destinados aos Estados Unidos. Esses investimentos, que envolvem a compra de empresas, o financiamen to de obras de infraestrutura e a construção de unidades fabris, foram direcionados sobretudo para os setores de energia (hidrelétricas, extração de petróleo, constru ção de linhas de transmissão), logística e agricultura. Entre 2003 e 2017, os chineses aportaram US$ 53,5 bilhões em 93 projetos no território brasileiro.
Entre 2002 e 2011, o ritmo de crescimento econômico na América Latina apre sentou uma média de 4% ao ano, alavancado, entre outros fatores, pelo aumento de preços e pela maior necessidade de produtos primários (matérias-primas agrícolas, alimentos, minérios e recursos energéticos, como o petróleo) no mercado internacional. Entre 2011 e 2015, essa média apresentou queda em razão dos reflexos da crise econômica mundial.
De qualquer forma, o crescimento econômico e o aumento do nível de emprego, aliados à aplicação de programas de trans ferência de renda, proporcionaram redução dos níveis de pobreza, considerando uma perspectiva de mais de uma década. No en tanto, houve uma alteração nesse processo.
A redução da pobreza, em geral, foi interrompida a partir de 2014. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apontou como causas desse retrocesso nos índices de pobreza, entre outras, as crises econômicas no Brasil e na Venezuela.
Do ponto de vista da industrialização, México, Brasil e Argentina não chega ram a dar um salto em termos de produção em larga escala de bens de alto nível tecnológico agregado, principalmente em razão da falta de uma política de incentivos por parte do Estado. Nesses países, como em toda a América Latina, há pou co investimento em inovação, pesquisa e desenvolvimento.
No atual contexto mundial, os recursos naturais estão se tornando escassos e a interferência humana na natureza vem acarretando sérios problemas ambien tais e sociais, o que exige novos padrões de desenvolvimento. A necessidade ur gente de melhorias nas condições de vida de milhões de pessoas em situação de pobreza ou miséria na América Latina traz novos desafios à política, à sociedade e à economia desses países.
As particularidades geográficas latino-americanas oferecem grande potencial de desenvolvimento. Entre as potencialidades dos territórios latino-america nos, podemos destacar a possibilidade de produção de fontes energéticas renováveis (biocombustíveis, por exemplo), a disponibilidade de recursos hídricos (águas superficiais e subterrâneas), as reservas de petróleo e gás natural em al guns países, as extensas áreas disponíveis para a prática agropecuária, a enorme biodiversidade presente nos ecossistemas e a grande diversidade étnico-cultural.
A partir dos anos 1970, em razão da maior procura da soja para consumo animal e humano (innatura e para fabricação de óleo, margarina e outros derivados), as áreas de cultivo desse produto foram ampliadas em muitos países. No caso do Brasil, onde a produção se concentrava, inicialmente, na região Sul (de clima Subtropical), a soja passou a ser cultivada no Sudeste, no Centro-Oeste e na porção oeste da região Nordeste. Pesquisas no setor agropecuário contribuíram para o desenvolvimento de variedades e técnicas que possibilitaram a adaptação da soja às regiões de clima Tropical. Esse fato, aliado à maior demanda do mercado externo, sobretudo da China, teve papel fundamental na expansão desse cultivo no território brasileiro.
Com a expansão da cultura da soja, extensas áreas de formações vegetais origi nais foram devastadas, sobretudo o Cerrado, com reflexo nos biomas corresponden tes. Houve ampliação das monoculturas, da mecanização, do trabalho assalariado e eventual (realizado apenas na colheita, por exemplo), além de maior concentração da propriedade rural nas mãos de poucos. Nesse processo, criaram-se novas territoria lidades, como decorrência da estruturação de novas relações sociais e econômicas.
As extensas áreas de chapadas do Centro-Oeste facilitaram a mecanização, que garante elevados índices de produtividade. Atualmente, essa região é a maior produtora de soja no território brasileiro, com destaque para o estado do Mato Grosso. A produção – que atende o mercado interno, mas sobretudo o externo – é escoada para o exterior através dos portos marítimos do Sudeste, do Norte e do Sul, para onde segue por meios de transporte rodoviário, ferroviário e hidroviário.

Alguns desafios para os países latino-americanos


Criar condições para que se promovam o fim da exclusão social, a conservação da natureza e a preservação das identidades culturais locais (dos povos indígenas, por exemplo) deveria ser um dos aspectos presentes nos proje tos governamentais dos países latino-americanos.
Um dos fatores que historicamente dificultaram o maior crescimento econômico da América Latina é a carência em termos de infraestrutura. No caso dos transportes, diversas obras de redes viárias (rodovias, ferrovias e hidrovias) vêm sendo realizadas em territórios sul-americanos, algumas in terligando os países. No entanto, sobretudo no Brasil, ainda predominam as rodovias, que encarecem o custo da circula ção de pessoas e mercadorias, já que o transporte rodoviário é mais caro do que o ferroviário e o hidroviário.
As obras viárias de interligação do continente sul-americano são muito importantes, particularmente para o Brasil. Além de facilitar o escoamento de produtos brasileiros (os demais países da América do Sul compram do Brasil cerca de dois terços do total de bens industrializados exportados), há muitos investimentos de empresas brasileiras nos países vizinhos.
O projeto ferroviário que interligaria o porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, ao porto de Antofagasta, no Chile, passando pela Argentina e pelo Paraguai, facilitaria enormemente as exportações de produtos brasileiros para a Ásia, onde estão localizados os países que vêm se firmando como fortes parceiros comerciais do Brasil.
A expansão das redes de infraestrutura para deslocamento de pessoas e de produtos e para abastecimento de energia elétrica (gasodutos, oleodutos, rodo vias, ferrovias, hidrovias, redes de transmissão de energia elétrica), a construção de usinas geradoras de energia (hidrelétricas, por exemplo), além da exploração dos recursos naturais, devem levar em consideração a conservação do ambiente e os benefícios à sociedade, não apenas a um grupo restrito de pessoas e de empresas. Diversas dessas obras sofrem resistência, por exemplo, por parte de comunidades indígenas, que veem seus espaços de vivência ameaçados.
O Brasil tem um peso significativo na economia latino-americana, e sua in fluência política e econômica vem crescendo nesse contexto. Várias obras de infraestrutura energética e de transportes, por exemplo, na Argentina, no Chile, na Venezuela e no Paraguai são administradas por empresas brasileiras. O fortalecimento da infraestrutura regional sul-americana também é fundamental para dar seguimento aos processos de integração entre os países da América do Sul e da América Latina, um dos grandes desafios para os governantes.

O processo de diversificação industrial 


Brasil, México e Argentina concentram quase 90% da produção industrial da América Latina. Colômbia, Chile e Venezuela, na América do Sul, e Costa Rica, na América Central, são países relativamente industrializados.
Os processos de industrialização no Brasil, no México e na Argentina tiveram início na década de 1930 e apresentam algumas diferenças, entre elas: o desenvolvimento do setor da indústria de base (petrolífero ou siderúrgico), as etapas de maior ou menor crescimento industrial, a origem principal dos investimentos e das multinacionais que se instalaram nesses países (Estados Unidos ou países europeus). Entretanto, são muitas as semelhanças: grandes mercados consumidores, sobretudo no Brasil e no México; abundância de matérias-primas agrícolas e minerais; mão de obra barata; investimentos do Estado em infraestrutura; presença de empresas multi nacionais em diversos setores industriais.
A partir da década de 1950, o processo de crescimento industrial de Brasil, Argentina e México ficou conhecido como Industrialização por Substituição de Importações (ISI) e trouxe algumas consequências negativas. Com a instalação das multinacionais ou transnacionais , muitas empresas nacionais não suportaram a concorrência e faliram; outras foram compradas por grupos transnacionais.
A entrada de multinacionais do setor automobilístico estimulou a expansão do transporte rodoviário e, sobretudo no Brasil, os investimentos governamentais em outras redes de transporte, como o ferroviário, foram reduzidos ao longo de décadas, o que levou ao sucateamento da malha de ferrovias, que somente entre o final do século XX e o início deste século voltou a contar com investimentos.
Entre 1940 e 1970, aproximadamente, esse modelo de desenvolvimento possibilitou um expressivo crescimento econômico, geração de empregos, amplia ção do mercado consumidor e diversificação na pauta de produtos exportados, incluindo diversos bens industrializados. Entretanto, o crescimento econômico foi alcançado à custa de alto endividamento externo e grande concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas.
Apesar das relativas melhorias nas condições de vida da população, de modo geral, faltaram políticas públicas de distribuição de renda e maiores investimen tos nas áreas de educação, habitação e saúde, por exemplo.
A concentração de boa parte das indústrias em determinadas áreas do território também se destaca nesse processo. No México e na Argentina, pelo menos até os anos 1970, as unidades fabris se instalaram, sobretudo, no entorno das respectivas capitais federais.
No caso do Brasil, as indústrias se concentraram no Sudeste, ainda hoje a região mais industrializada do país, embora tenha perdido participação no total da produção industrial brasileira. Destacam-se as Regiões Metropolitanas de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, de Campinas, da Baixada Santista, do Vale do Paraíba e Litoral Norte e de Sorocaba, as quatro últimas também no estado de São Paulo, responsável por cerca de 30% da produção industrial do Brasil. O Sudeste apresenta grande diversificação de indústrias: siderúrgica, metalúrgica, au tomobilística, eletroeletrônica, informática, equipamentos de telecomunicações, aeroespacial (aeronaves e satélites artificiais), construção naval, farmacêutica e química, entre outras.
A abertura econômica e as privatizações Entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990, o modelo baseado na proteção das empresas locais e na forte presença do Estado foi substituído por uma política marcada, entre outros aspectos, pela abertura econômica e pelas privatizações, com expressiva participação de empresas estrangeiras, especial mente nos setores mais rentáveis, como o financeiro, o de telecomunicações e o de geração e distribuição de energia elétrica.
Essa política de abertura e privatizações, que ocasionou significativas trans formações nos países latino-americanos, impondo novas territorialidades, resul tou da implementação de propostas elaboradas por instituições internacionais – Banco Mundial, FMI e Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird) – e pelo governo dos Estados Unidos para resolver os problemas de endividamento, infla ção elevada e baixo crescimento econômico. Esse plano de ações foi chamado de Consenso de Washington.

A urbanização acelerada e os reflexos da desigualdade social


Os países latino-americanos apresentam elevados índices de urbanização. Essa característica é resultado do ritmo acelerado de crescimento da população urbana na segunda metade do século XX, em decorrência do intenso processo de migração campo-cidade em um curto intervalo de tempo. Esse processo é conhe cido como êxodo rural.
A mecanização das atividades agrícolas, a industrialização nos países em desenvolvimento, particularmente nos emergentes, e o aumento das atividades econômicas dos setores secundário e terciário nas cidades contribuíram para o processo de urbanização. Além disso, a estrutura fundiária do espaço rural que caracteriza os países latino-americanos, marcada pelos grandes latifúndios e pela falta de incentivo aos pequenos produtores, limita as possibilidades de per manência do trabalhador no campo.
O crescimento acelerado das cidades, particularmente das metrópoles, a mar cante desigualdade social e os elevados percentuais de pobreza presentes nos paí- ses da América Latina, além da falta de atuação do Estado nas áreas periféricas e com presença de população mais pobre, explicam uma série de problemas urbanos e a segregação socioespacial. É preciso considerar, ainda, que, de acordo com da dos da Cepal, 46% dos trabalhadores urbanos latino-americanos se encontram em situação de informalidade, ou seja, não têm registro em carteira de trabalho, não recolhem impostos e muitos não possuem uma renda regular que lhes permita as sumir compromissos financeiros, como aluguel e prestação de imóvel, por exemplo.
Nos espaços urbanos, a segregação socioespacial se manifesta na presença de bairros com enorme carência de serviços públicos elementares – asfaltamento das ruas, redes de água e esgoto, postos de saúde, creches e escolas – ao lado de bairros com completa infraestrutura – casas e edifícios de médio e alto padrão, faculdades, escolas, hospitais, bibliotecas, parques, teatros, centros de cultura, cinemas, entre outros serviços.
A carência de serviços básicos é marcante nos assentamentos urbanos precários, como nas favelas e em áreas alagadas, inclusive nas palafitas. A pobreza e o trabalho informal, que afetam parte significativa da população dos países latino-americanos, levam muitas pessoas a ocupar terrenos para construção em áreas de risco, como encostas de morros, locais sujeitos a enchentes, além dos alagados nos litorais e nas margens de rios. Há falta de políticas habitacionais do governo para atendar às necessidades da população que vive nessas condições.
Boa parte das habitações precárias se situa nas periferias das grandes cidades, carentes de serviços públicos, como transporte. Muitas pessoas encon tram dificuldade para se deslocar até o trabalho e, eventualmente, perdem oportunidades de emprego. Além disso, a falta de acesso à educação restringe as possibilidades de qualificação profissional e, por tanto, das chances de melhores colocações no mer cado de trabalho, agravando a condição de pobreza.

México


No México, o desenvolvimento industrial foi marcado pela forte presença de multinacionais estadunidenses.
O território mexicano possui muitas riquezas minerais, como prata, chumbo, zinco, cobre e petróleo, uma das mais importantes fontes de divisas do país. A abundância desses minerais e a expansão da produção de energia elétrica, das indústrias petroquímicas, siderúrgicas e automobilísticas favoreceram o desenvolvimento industrial mexicano. O México possui uma das maiores reservas mun diais de petróleo e gás natural.
As multinacionais estadunidenses instaladas no México se beneficiam da mão de obra local barata, de impostos e encargos sociais mais baixos (subsidiados pelo governo), além da localização estratégica, em sua maioria, em áreas de fronteira com os Estados Unidos. Essas indústrias são chamadas de maquiadoras.
O aumento do número de indústrias multinacio nais de produtos eletroeletrônicos, de eletrodomésti cos e de automóveis instaladas no território mexicano alavancou as vendas de bens industrializados para o exterior. Essas empresas importam parte dos compo nentes e peças de outras filiais ou de suas matrizes a fim de realizar a montagem da mercadoria final: máquinas fotográficas, computadores, impressoras, televisores, automóveis, caminhonetes, entre outros produtos, a maior parte destinada à exportação.
Em razão dos benefícios e do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), os produtos fabricados pelas maquiadoras são vendidos nos Estados Unidos, seu principal mercado consumidor, por um preço reduzido. Assim, para muitas multinacionais, o México constitui uma ótima porta de entrada para o mercado estadunidense.
O Nafta fortaleceu as relações comerciais entre Estados Unidos e México, po rém criou uma dependência econômica e cultural ainda maior deste último em relação aos primeiros. Para os mexicanos, esse acordo resultou na redução dos postos de trabalho mais bem remunerados e dos benefícios sociais, em contrapo sição ao aumento dos empregos com salários mais baixos, além de menor estabilidade profissional.

O espaço socioeconômico


Com exceção da área localizada entre as cidades de Tampico e Veracruz, a costa do golfo do México (Atlântico) é pouco habitada. Nos extremos norte e sul do país encontram-se as menores densidades demográficas. A Cidade do México, capital do país, é o mais importante centro urbano mexi cano e a mais antiga das grandes cidades do continente americano. A população de sua área metropolitana, com mais de 20 milhões de habitantes, é uma das que mais crescem no mundo. A capital mexicana é uma das mais poluídas do planeta, devido à grande quantidade de veículos particulares em circulação e à forte pre sença de indústrias, além de suas características topográficas. Situada no planal to de Anáhuac, a cidade é cercada por vulcões – dos quais os mais famosos são o Orizaba, o Popocatépetl e o Paricutín –, e as elevações de relevo não favorecem a dispersão de poluentes.
Em várias regiões do México, sobretudo no norte, atuam diversos grupos li gados ao narcotráfico, pois o país é uma porta de entrada para drogas nos Esta dos Unidos, o maior mercado mundial de narcóticos. No estado de Chiapas, o mais pobre do país, a população indígena é a mais afetada pela miséria. Foi aí que nasceu o movimento Exército Zapatista de Liber tação Nacional (EZLN), com o objetivo de pressionar o Estado a realizar mudan ças sociais e econômicas na região. Em 1994, esse grupo organizou uma rebelião contra o governo mexicano que, para sufocá-la, convocou as forças do exército.
Entre os principais produtos agrícolas cultivados no México destacam-se o milho, o algodão, o café e a cana-de-açúcar. O milho e o feijão são a base da ali mentação dos mexicanos. O milho é utilizado na fabricação da tortilla, espécie de pão redondo e achatado como um disco, com massa bem fina, que é usada para a preparação de diversos pratos da culinária mexicana, como tacos, quesadillas e enchiladas. A tortilla já era produzida pelos astecas, antes da chegada dos espanhóis.
O turismo é uma importante atividade econômica do México, com destaque para as regiões de Acapulco e da Baixa Califórnia, na costa Oeste, e Cancún, na costa Leste. Além de belas praias, o México reúne um rico patrimônio histórico--cultural – museus, monumentos e ruínas das civilizações asteca e maia –, que atrai o interesse de visitantes de todo o mundo.

Argentina


Da década de 1940 ao início dos anos 1960, os argentinos desfrutavam de um padrão de vida elevado. A partir daí, esse padrão começou a cair em razão de proble mas internos do país, como a má administração pública, a corrupção e o aumento da dívida externa, que se agravou nos anos 1970 e 1980. Contribuíram para essa queda as reduções nos preços das matérias-primas da agropecuária, como o trigo, a carne e a lã, alguns dos principais produtos de exportação da Argentina.
A crise vivida pela Argentina foi agravada, principalmente nas décadas de 1970 e 1980, pela forte repressão política implantada pela ditadura militar, res ponsável pela morte de aproximadamente 100 mil pessoas.
Na década de 1990, houve um processo de abertura econômica e privatiza ções, que resultou na queda da inflação e estabilização da economia. A valoriza ção da moeda argentina em relação ao dólar, porém, tornou as mercadorias argen tinas mais caras no mercado internacional, dificultando as exportações.
Como resultado da crise, um número maior de argentinos passou a viver em situação de pobreza. No final de 2001, a suspensão do pagamento da dívida exter na argentina ocorreu em meio a um caos político e socioeconômico. Essa medida possibilitou ao país a retenção de 18 bilhões de dólares em juros, que deveriam ser pagos aos credores.
A aplicação desses recursos na economia, o aumento das exportações com a desvalorização do peso argentino e a ampliação da produção industrial contribuíram para a recuperação econômica do país a partir de 2003. A estabilidade po lítica, com a eleição de Néstor Kirchner nesse mesmo ano, foi outro fator favorável para a retomada econômica.
Em meados de 2004, o governo argentino lançou um programa de reestruturação de sua dívida externa com os credores, retomando o pagamento dos juros. Entretanto, em 2018, o país passou a enfrentar novos problemas cambiais diante da necessidade de dólares para o pagamento da dívida, solicitando auxílio do FMI. Essa iniciativa gerou protestos pelo país, num contexto de inflação e juros altos, e com reservas internacionais baixas.

O espaço socioeconômico


O território argentino está subdividido em quatro regiões: Pampa, Chaco, Patagônia e região Andina. No Pampa, uma das áreas mais produtivas do globo, é praticada atividade agrícola intensa, ao lado de uma próspera criação de bovinos e ovinos. O solo da região do Pampa é muito fértil, o que favorece a alta produtividade, principalmente do trigo. É dessa região que os argentinos obtêm metade de sua produ ção agrícola.
O Pampa é a região mais dinâmica do espaço geográfico argentino, concen trando grande parte da produção agropecuária e industrial e cerca de 70% da po pulação do país. É onde se situam Buenos Aires e as cidades de Rosário e Córdo ba, as mais importantes depois da capital.
Essa região apresenta similaridade com os pampas brasileiros, particu larmente no que se refere à criação de bovinos para corte. Grandes grupos industriais frigoríficos, inclusive brasileiros que atuam na Argentina, são abas tecidos pela carne de alta qualidade obtida por meio dessa atividade, que pos sibilita também o desenvolvimento da industrialização do couro para a fabri cação de roupas e calçados. A Argentina exporta grande quantidade de carnes, cereais (trigo e soja) e lã. Esses produtos representam cerca de 2/3 das exportações argentinas.
Em meados da década de 2000, a Argentina era o terceiro maior exportador de carne do mundo, mas a proibição temporária da exportação e a elevação de impostos sobre essa atividade contribuíram para uma diminuição no volume de carne argentina no mercado externo. Brasil, Uruguai e Paraguai conquistaram parcelas desse mercado. Atualmente, num processo de recuperação das exportações, a Argentina encontra-se entre os dez maiores exportadores.
O Chaco, região ocupada pelo povo indígena Guarani, apresenta baixa densi dade demográfica, com predomínio da pecuária extensiva de bovinos e espaços agrícolas dedicados ao cultivo do algodão, do sorgo e do milho.
Na Patagônia, a região menos povoada do país, predominam as grandes pro priedades rurais, nas quais se pratica a criação de ovinos em sistema extensivo, além de uma expressiva produção de petróleo e gás natural. Recentemente, vem se expandindo o cultivo de uva para a fabricação de vinhos. A principal cidade da região Andina, onde predomina o cultivo de frutas – principalmente de uva – e de oliveiras, é Mendoza, grande produtora de vinhos.
A região também se destaca pela produção de azeite, além da extra ção de petróleo e gás natural. No cultivo da uva utiliza-se o método da irrigação, com aproveitamento de água proveniente do degelo da cordilheira dos Andes. Destaca-se também San Carlos de Bariloche, conhecida apenas como Bariloche, importante centro turístico da Argentina.
O setor industrial Os setores industriais mais expressivos da Argentina são o de alimentos (carne) e o têxtil (couro e lã), que aproveitam a grande disponibilidade de produ tos agropecuários, principalmente a carne. Outros setores industriais presentes são o automobilístico, o metalúrgico e o da construção civil. As empresas multi nacionais controlam boa parte dessas indústrias pois, como foi visto, é marcante a presença do capital estrangeiro na economia do país.
As indústrias argentinas se concentram principalmente na Grande Buenos Aires (siderúrgicas, estaleiros navais, refinadoras de petróleo, indústrias mecânica, têxtil e alimentícia). Outros centros industriais importantes são Rosário, Córdoba, Santa Fé e Mendoza.

O Mercosul


O Mercosul foi criado em 1991, quando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram um tratado de livre-comércio, o Tratado de Assunção. Os primeiros acordos comerciais, porém, foram negociados entre Brasil e Argentina ain da na década de 1980, depois de longo período de ditadura militar nesses países.
Entretanto, a efetivação do livre-comércio só ocorreu após a assinatura do Protocolo de Ouro Preto, em 1994. A partir de então, cerca de 95% das mercadorias produzidas nesses quatro países passaram a circular entre eles sem cobrança de tarifa de importação. Em 1995, o Mercosul adotou a tarifa externa comum (TEC). Com isso, os países do bloco praticam um imposto único de importação, ou seja, se no Brasil, por exemplo, o imposto aplicado para a importação de tecidos da China é de 15%, os demais países integrantes devem cobrar a mesma porcentagem para essa mercadoria.
Chile, Peru, Equador, Colômbia, Guiana e Suriname são países associados ao Mercosul, participando da zona de livre-comércio, mas não da união aduaneira, ou seja, da implementação da TEC. A Venezuela, admitida como membro provisório no final de 2005, passou à condição de membro pleno em 2012, quando sua adesão foi efetivada após a suspensão do Paraguai, cujo Senado era contrário à entrada do país no Mercosul.
No entanto, em dezembro de 2016, a Venezuela foi suspensa do bloco por descumprimento de tratados e normas contidos no Protocolo de Adesão. Em agosto de 2017, foi imposta ao país uma nova suspensão, decorrente do reco nhecimento por parte dos outros membros do bloco de que o regime de governo de Nicolas Maduro não fosse democrático. No caso da Bolívia, em julho de 2015, foi aprovado o Protocolo de Adesão do país ao bloco.
Nos anos 1990, a formação do Mercosul pos sibilitou um aumento no comércio de mercadorias entre os países-membros, principalmente entre os de maior peso econômico — Brasil e Argentina, que somam cerca de 97% do PIB do bloco.
O Mercosul, cujo objetivo final é tornar-se um mercado comum, já conseguiu se consolidar como zona de livre-comércio e, atualmente, está em pro cesso de formação de uma união aduaneira. Como ocorre na formação de todo bloco comercial, o es tabelecimento do Mercosul trouxe consequências para as empresas e a população dos cinco Estados-nação integrantes.
Os agricultores argentinos de cereais, espe cialmente de trigo, aumentaram suas exporta ções para o Paraguai e sobretudo para o Brasil. O setor agrícola de cereais argentino apresenta elevados índices de produtividade, pois dispõe de melhores solos, maiores investimentos em tecnologia e apoio do governo, o que possibilita preços mais competitivos.
Em função disso, os produtores de cereais do Brasil, principalmente de trigo, foram bastante afetados, já que não conseguem colocar no mer cado produtos com preços capazes de competir com os produtos argentinos. Isso também ocorre no setor de carne e de laticínios (leite e seus derivados), pois a produtividade da Argentina e do Uruguai são maiores que a do Brasil.
No entanto, boa parte das indústrias brasileiras é mais competitiva que as dos demais países-membros do Mercosul, o que preocupa os empresários do se tor industrial da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.
Uma medida importante para fortalecer o Mercosul em termos de produção industrial é a implementação da “integração produtiva”, meta que consta do Trata do de Assunção. Essa integração permitiria aos países-membros do bloco formar cadeias produtivas nas quais, por exemplo, o Brasil – pelo fato de ser um país industrialmente mais dinâmico – poderia constituir um eixo principal, resultando em benefícios para todo o grupo.
Desde os entendimentos iniciados na década de 1990, o Mercosul e a União Europeia (UE), principal compradora dos produtos brasileiros, conduzem negocia ções para estabelecer uma zona de livre-comércio.


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