terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Região Norte: ocupação e população

Originalmente, a Região Norte era ocupada por diversos povos indígenas, muito antes da chegada dos colonizadores, assim como outras regiões do país. Porém, diferentemente dessas regiões, no Norte até hoje eles constituem parte importante da população, somando cerca de 51% dos povos indígenas vivendo em terras indígenas no Brasil.
A ocupação inicial da Amazônia pelos portugueses limitou-se à construção de fortes militares e às missões religiosas, pois a região não despertava tanto interesse para os colonizadores como o lucrativo Nordeste açucareiro e as Minas Gerais, com sua produção aurífera. 
Essa ocupação ocorreu em meio a vários conflitos com indígenas. Desde o século XVII até quase o final do século XIX, São Luís (MA) e Belém (PA) constituíram os dois principais espaços geográficos construídos na Amazônia. 
Em São Luís e nos arredores, desenvolveram-se culturas de algodão, cana-de-açúcar, arroz e tabaco. Belém, situada na entrada do Golfão Amazônico, transformou-se no principal núcleo urbano regional no século XVII. 
Desse local eram exportadas as chama das drogas do sertão extraídas da floresta, como baunilha, guaraná, urucum, entre outras ervas, frutos e sementes.
A linha ou meridiano do Tratado de Tordesilhas determinava que a porção situada a leste dessa demarcação pertencia a Portugal, e a porção a oeste, à Espanha. De 1580 a 1640, Portugal permaneceu sob o domí nio da Espanha. 
Na América, os colonizadores portugueses aproveitaram esse período para invadir e conquistar os espaços de domínio espanhol e incorporar ao reino de Portugal as terras a oeste do meridiano de Torde silhas, ampliando consideravelmente o território do que viria a ser o Brasil. 
Após o fim do domínio espanhol, acordos firmados entre Portugal e Espanha oficializaram a posse dessas terras por parte de Portugal.
A Região Norte começou a ser povoada de maneira mais efetiva por outros povos não indígenas a partir da década de 1960, quando o governo federal passou a incentivar sua ocupa ção para assegurar o domínio sobre essa região, até então pouco habitada.
Para incentivar essa ocupação, o go verno implantou, na segunda metade do século XX, uma série de grandes projetos voltados para o desenvolvi mento econômico dessa região. Entre esses projetos, destacam-se:
• a abertura de grandes eixos viários, como as rodovias Belém-Brasília, Cuiabá-Santarém e Cuiabá-Porto Velho, formando extensas vias de penetração pelo interior da floresta Amazônica; 
• a implantação de grandes projetos de exploração mineral, como o Grande Carajás e o Trombetas, no Pará; o da serra do Navio, no Amapá; e o de exploração de cassiterita, em Rondônia;
• a implantação de projetos de colonização agrária, com o assentamento de milhares de camponeses, sobretudo ao longo das rodovias recém-construídas; 
• a construção de grandes usinas hidrelétricas, como a de Tucuruí, no rio Tocantins, uma das maiores do país;
• a criação da Zona Franca de Manaus, com o objetivo de impulsionar o desen volvimento da atividade industrial na região.
Esses projetos fomentaram o povoamento da região, mas ocasionaram um intenso pro cesso de devastação da floresta Amazônica.. Atualmente, a Região Norte apresenta vasta fronteira econômica no país. 
É para essa região que se deslocam as frentes mais recentes de ocupação e povoamento do território e também para onde avançam atividades econômicas vindas de outras partes do país.

Crescimento da população

Desde a década de 1960, quando o governo passou a incentivar a ocupação da Amazônia, a população dos estados dessa região aumentou de maneira significativa. Embora o crescimento populacional da região tenha sido significativo ao longo das últimas décadas, a Amazônia ainda é uma região pouco povoada. 
Em parte, isso ocorre devido à grande extensão de seu território e pela presença da densa floresta. A densidade demográfica média da Região Norte está em torno de 4,9 hab./km², bem menor que a do país, de 25 hab./km².
Além disso, essa população está dis tribuída de maneira desigual pela região. As concentrações populacionais mais elevadas encontram-se nos maiores centros urbanos, sobretudo nas capitais estaduais, como Belém, Manaus e Porto Velho, e em outras importantes cidades ao longo das rodovias, tais como Ji-Paraná, em Rondônia, e Marabá, no Pará. 
O povoamento também é maior nas proximidades do rio Amazonas, pois ele é a principal via de ocupação do interior da região.


O extrativismo do látex 

A ocupação e o povoamento dessa região por outros povos intensificaram-se, a partir do final do século XIX, quando muitos migrantes, principalmente nordestinos, chegaram à região para trabalhar na exploração de látex nos seringais.
Por volta de 1870, a região amazônica passou a receber grande número de migrantes, principalmente provenientes da Região Nordeste, por causa da seca prolongada no Sertão nordestino e do desenvolvimento de atividades extrativas no norte do país, como a extração de castanha-do-pará, de madeira e de látex para a fabricação da borracha.
Para se ter uma ideia, entre 1870 e 1900, cerca de 300 mil nordestinos migraram para a Região Norte.
Nesse período, a borracha já era conhecida no mercado mundial; no entanto, foi somente a partir de 1888, após a invenção do pneu e o aumento da produção automobilística, que a borracha se transformou em um produto de grande valor e de grande procura pelas indústrias. 
Em 1910, metade da borracha consumida no mundo saía da Amazônia. A procura por seringueiras nativas levou muitas pessoas, desde o final do século XIX, a se embrenhar na mata e alcançar a região que constitui hoje o estado do Acre – na época, território pertencente à Bolívia. 
O extrativismo do látex e da castanha-do-pará (fim do século XIX e início do século XX) foi o motor do processo de produção e organização do espaço regional, estimulando:
• a atração de migrantes brasileiros de outras regiões e de imigran tes estrangeiros (espanhóis, portugueses, franceses etc.); 
• a construção dos portos de Belém e de Manaus; • a incorporação do Acre ao território brasileiro e a fundação das cidades de Xapuri e Brasileia, nesse estado, pelos seringueiros; 
• a expansão da rede urbana e a modernização dos espaços urbanos, principalmente de Manaus e de Belém; 
• a instalação de pequenas indústrias de bens de consumo, sobretudo em Belém e Manaus; 
• a atração de capitais estrangeiros, por meio da instalação de bancos, empresas de co mércio e companhias de na vegação inglesas, francesas e estadunidenses.
Além desses impulsos à produção de espaços geográficos, foram implantadas colônias agrícolas na chamada Zona Bragantina, no nordeste do Pará, ocupadas por migrantes nordestinos e estrangeiros que aí desenvolveram a agricultura. Essas colônias foram criadas por iniciativas públicas ou privadas, e os loteamentos foram vendidos a longo prazo ou doados aos interessados em se estabelecer nessa área e desenvolver atividades agrícolas e de criação de animais.

O declínio da produção de borracha

O Brasil foi o maior produtor mundial de borracha entre 1880 e 1912 (a produção da América Central e da África equatorial nesse perío- do era pequena). Nessa época, a produção do país chegou a represen tar cerca de 60% do total mundial, e a exportação chegou a se igualar, em valor, à do café. 
Enquanto a Amazônia dependia da coleta do látex silvestre, sem a preocupação de plantar seringueiras e racionalizar o cultivo, os ingle ses, percebendo a importância econômica do produto, transportaram sementes de seringueiras da Amazônia para serem plantadas em suas colônias asiáticas de clima quente e úmido, semelhante ao clima amazônico. O produto foi cultivado primeiro no Ceilão (atual Sri Lanka) e depois em Cingapura e na Índia, espalhando-se para Indonésia, Tailândia, Malásia, entre outros países. 
Em decorrência disso, na década de 1910, o Brasil perdeu a liderança da produção de borracha natural, cuja procura apresentava aumento crescente em virtude do desenvol vimento da indústria automobilística. 
Com a perda de mercado, a Região Norte deixou de receber investimentos e fluxos migratórios e de ser um espaço de atração populacional, desacelerando o processo de construção espacial, retomado apenas a partir da década de 1930 e, principalmente, da década de 1960, por meio de políticas de incentivo do governo federal.

A ocupação da Região Norte promovida pelos grandes projetos

Após o período áureo da extração do látex e da comercialização da borracha natural (1900-1912), intensificou-se, a partir de 1930, a cultura da pimenta-do-reino, da juta e da malva em algumas localidades da região, contribuindo para o desenvolvimento da economia e para a construção de espaços geográficos. 
A exploração de alguns minérios também promoveu o povoamento da região, como a descoberta do manganês, nos anos 1940, e sua exploração a partir de 1953, e a intensificação da exploração da cassiterita a partir de 1958.
A ocupação mais intensa da Região Norte teve início, principalmente, a partir da década de 1960, quando houve na região a expansão tanto de atividades agropecuárias e extrativistas quanto de atividades industriais. 
Nessa ocasião, a Região Norte passou a constituir a maior área de fronteira econômica do país. A demanda por novas áreas de expansão econômica, associada à necessidade de integrar a Região Norte ao restante do país, levou o governo federal a criar uma série de projetos e investimentos que incentivassem a ocupação e ao mesmo tempo viabilizassem o desenvolvimento econômico da região.

Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) 

Em 1950, a Amazônia possuía apenas cerca de 1,8 milhão de habitantes e apresentava pouca integração econômica, social e cultural com as demais regiões do Brasil. Com o objetivo de planejar e promover o desenvolvimento dessa região, em 1953, o governo federal criou a Supe rintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). 
A construção de estradas é uma providência importante para a integração e o desenvolvimento regional. Elas facilitam o povoamento e a implantação de fazendas de agricultura e de gado, vilas e cidades ao longo das rodovias, além do desenvolvimento do comércio e da exploração de recursos naturais. 
Mas, em 1954, com a crise política nacional decorrente do suicídio do presidente Getúlio Vargas, houve atraso na implementação das iniciativas da SPVEA, como a implantação de rodovias. 
Foi retomada no governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), quando foram construídas as rodovias Belém-Brasília (BR-153) e a Cuiabá-Santarém (BR-163), o que levou a um maior povoamento e ao início da integração entre o espa ço amazônico e o das demais regiões do Brasil. 

Os governos militares e os novos rumos da colonização da Amazônia (1964-1985) 

Em vista da propalada cobiça internacional sobre a Amazô nia, os governos militares que se sucederam na presidência da república, a partir de 1964, entendiam que havia a necessida de de realizar maior ocupação humana na região, dinamizar a economia e integrar o espaço amazônico por questão de segurança nacional. Com esse objetivo, o governo militar criou várias iniciativas.

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam)

A Sudam, subordinada ao governo federal, foi criada em 1966, substituindo a SPVEA objetivando promover o desenvolvimento empresarial da região por meio de incentivos fiscais e empréstimos a juros baixíssimos às empresas interessadas em se instalarem ali.
Além do chamado Plano de Integração Nacional, um programa de construção de rodovias para integrar a região, a exemplo da Rodovia Transamazônica, a Sudam lançou também um programa para atrair à região grandes empresas nacionais e estrangeiras. 
Para que se instalassem na Amazônia, a Sudam fornecia empréstimos em dinheiro a longo prazo e a juros baixos, incentivos fiscais e, ainda, comprometia-se a construir hidrelétricas para fornecimento de energia, estradas, portos e aeroportos, linhas de telefonia etc.
Algumas empresas se instalaram na região. Mas muitas terras foram compradas visando à especulação posterior, ou seja, obter lucro com sua venda futura. Houve, ainda, pessoas que receberam empréstimos e os aplicaram em suas empresas localizadas em outras regiões do Brasil, que criaram empresas de fachada ou que praticaram desvios de recursos públicos da Sudam, causando prejuízos não só para a Amazônia, mas também para toda a sociedade brasileira. Esses recursos que foram mal aplicados e desviados, como também muitos incentivos fiscais concedidos, não beneficiaram na totalidade nem a Amazônia nem o Brasil. Grande parte desse dinheiro poderia ter sido concedida aos pequenos e médios produtores regionais ou aplicada na implantação de hospitais, escolas, saneamento básico etc. 
Além de tudo isso, por falta de atuação eficaz de órgãos públicos de fis calização, a implantação de empresas e a migração de pessoas e famílias para a região (fazendeiros, madeireiros, garimpeiros, posseiros etc.) inten sificaram os desmatamentos e os conflitos pela posse da terra, fato que ainda ocorre nos dias de hoje.
Os incentivos para o povoamento da Região Norte trouxeram expressivo aumento da população. No ano de 1950, a população era aproximadamente 2 milhões de habitantes; já em 1980, atingia cerca de 6,8 milhões de pessoas. Houve, assim, grande crescimento populacional, graças, sobretudo, aos fluxos migratórios.
A princípio, o processo de ocupação da Região Norte deveria ter ocorrido de maneira planejada e controlada. Entretanto, ele acabou gerando a concentração de terras e riquezas nas mãos de poucos e ainda acarretou sérios problemas ambientais. No final da década de 1980, por exemplo, a área destruída da floresta Amazônica alcançava aproximadamente 230 mil km².

Núcleos ou projetos de colonização 

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão do governo federal, criou, após 1964, os núcleos ou projetos de colonização. 
Com a implantação de programas de colonização agropecuários às margens das rodovias, em especial a BR-364 (Cuiabá-Porto Velho). Muitos migrantes, provenientes principalmente das regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste, foram atraídos para essas áreas.
Neles, a área de terra pública foi dividida em lotes e distribuída a famílias cadastradas interessadas em cultivá-la. Vários núcleos foram instalados nos anos 1970. 
Nem todos os núcleos de colonização tiveram êxito. A falta de assistência médica e escolar, a grande distância dos centros urbanos, a falta de orientação técnica para lidar com o manejo do solo, a assistência financeira insuficiente, entre outros fatores, contribuíram para o insucesso de vários desses núcleos.

A Zona Franca de Manaus 

Criação em Manaus de um grande centro industrial baseado no comércio livre de impostos de importação, no ano de 1967. Em uma década de existência, a Zona Franca de Manaus, como é chamada esta área, transformou a cidade em um importante polo industrial e comercial do país.
Buscando incentivar a industrialização de Manaus, o governo federal criou, em 1967, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que disponibilizou infraestrutura e vantagens financeiras para atrair as indústrias para a região. 
Assim, a Suframa implantou o Distrito Industrial de Manaus e ofereceu isenção de impostos para a importação de matérias-primas e de componentes industriais, além de empréstimos e de incentivos fiscais às empresas nacionais e estrangeiras que ali se instalaram. 
Houve investimentos, sobretudo, no setor de eletroeletrônicos. Com isso, outros setores da economia local e regional foram beneficiados, como o comércio, os transportes urbanos e o setor de turismo e hotelaria. 
O município de Manaus tornou-se área de atração de população, concentrando pouco mais da metade dos 4 269 995 habitantes do estado, em 1° de julho de 2021. No entanto, apesar dos benefícios trazidos pela Suframa, a população de Manaus enfrenta ainda graves problemas urbanos, como o favelamento e o saneamento básico deficiente.

Recursos minerais e o Projeto Grande Carajás 

Na Amazônia estão grandes reservas de recursos minerais e energéticos  presentes no Amazonas, onde estão atividades de exploração de ouro, petróleo e estanho; em Rondônia (ouro e estanho); em Roraima (ouro); e no Amapá (ouro, cromo e manganês).
No Pará, a exploração de bauxita, ferro e ouro, entre outros recursos minerais, é mais intensa. A serra dos Carajás, no sul do Pará, é uma enorme reserva de minerais. Estima-se que lá existam 65 milhões de toneladas de manganês, 100 milhões de toneladas de níquel e 60 milhões de toneladas de ouro. Além disso, a área abriga a maior reserva de ferro do mundo: são 18 bilhões de toneladas.
Com a descoberta de jazidas de minérios de ferro e de manganês, ouro, cassiterita, bauxita, níquel e cobre na Serra dos Carajás, no Pará, por volta de 1967, o governo federal criou o Projeto Grande Carajás, que envolvia não só a exploração dos recursos minerais, mas também da floresta, além do aproveitamento dos rios para a produção de energia elétrica (caso da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Rio Tocantins) e a construção da Estrada de Ferro Carajás para o transporte dos recur sos minerais até o porto de Itaqui, no Maranhão, de onde são exportados. 
A exploração econômica desse mineral era realizada por uma empresa estatal, isto é, que era propriedade do Estado, no caso, do governo federal. Na década de 1990, ela foi privatizada, ou seja, vendida para a iniciativa privada. Essa ação foi polêmica. 
Para algumas pessoas a exploração mineral deveria ser realizada pelo Estado, dado seu caráter estratégico e a quantidade disponível. Para outros, os valores pagos pelo grupo que comprou foram baixos, considerando a quantidade e a qualidade das reservas de ferro. E havia os que defendiam a privatização por entender que não é papel do Estado atuar em atividades econômicas, mas sim prover serviços à população.
O Projeto Carajás está situado na Amazônia Oriental, mas exerce uma profunda influência na vida econômica do Maranhão. 
A empresa privatizada atua na exploração do ferro de Carajás e construiu uma longa ferrovia para escoar o minério até o porto de Itaqui, no Maranhão. De lá, o ferro é exportado. Além disso, encontra-se lá a Hidrelétrica de Tucuruí, que abastece a indústria do alumínio implantada na região. 
O projeto atraiu trabalhadores de várias partes do Brasil, o que estimulou a fundação de cidades. Ainda hoje o Projeto Grande Carajás tem papel importante na produção de espaços geográficos na Amazônia Legal.

A população atual da Região Norte

Desde o final do século XIX, a população da Região Norte vem apresentando um considerável ritmo de crescimento. Um dos principais fatores que explicam esse crescimento populacional é o fato de essa região constituir a maior área de fronteira econômica do país e atrair muitos migrantes. 
Os incentivos de ocupação promovidos pelo governo federal, aliados à esperança de muitos brasileiros em encontrar novas oportunidades de trabalho e, consequentemente, melhores condições de vida, levaram muitas pessoas a migrar para a Região Norte. Entre os grupos de migrantes que se dirigiram à região, destacam-se os nordestinos.
Nas últimas décadas, a Região Norte passou a apresentar um acelerado processo de urbanização. Esse fato, em parte, foi decorrente da decadência dos projetos agropecuários criados pelo governo e também do intenso processo de concentração de terras, o que ocasionou a migração de pessoas para as cidades. 
Há cerca de quarenta anos, a população urbana da Região Norte era de aproximada mente 1,6 milhão de pessoas. Em 2021, es sa população somava cerca de 19 milhões de habitantes.

Os indígenas na Região Norte 

Um grande número de indígenas do Brasil vive atualmente na Região Norte. Segundo o IBGE, em 2010, eram cerca de 343 mil indígenas, aproximadamente 38% da população indígena total do país. A população indígena da Região Norte já foi muito maior, no entanto, o número de indivíduos apresentou uma queda com o decorrer do tempo. 
O contato inicial com povos não indígenas e, consequentemente, com doenças — como sarampo e gripe — levou inúmeros indígenas à morte. Posteriormente, ao longo do século XX, a implantação de madeireiras, garimpos, mineradoras, fazendas de gado, grandes lavouras monocultoras, hidrelétricas e rodovias foi gradativamente restringindo as terras desse povo. 
Atualmente, muitos indígenas abandonaram suas terras tradicionais e passa ram a viver em comunidades rurais ou nas cidades. No entanto, nessas áreas, em geral, os indígenas convivem com violência, fome e miséria. 
Vários povos indígenas ainda vivem isolados em meio à floresta, ou seja, sem contato com a sociedade não indígena. Nessas áreas, preservam sua cultura tradicional, como alimentação, danças, crenças etc. No entanto, esse isolamento está cada vez mais ameaçado.

Os ribeirinhos 

Os povos ribeirinhos são populações tradicionais que vivem nas proximidades dos rios e obtêm os recursos necessários à subsistência por meio da pesca artesanal, caça, pequena agricultura de subsistência e extrativismo. 
Os ribeirinhos são originários da miscigenação de diferentes povos, como indígenas, nordestinos, populações afrodescendentes e imigrantes portugueses. 
É na Região Norte que, provavelmente, vive a maior parte dos povos ribeirinhos do país, onde se desenvolve a extensa Floresta Amazônica e sua rica biodiversida de. Por viverem tão próximo aos rios e à floresta, vários aspectos do cotidiano dos ribeirinhos precisaram ser adaptados às condições da natureza local.

Aspectos naturais da Região Norte

A Região Norte abriga uma das formações vegetais com maior biodiversidade do planeta e o maior complexo fluvial do mundo – a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas. De modo geral, a densidade demográfica da região é baixa e a população vive, em sua maioria, ao longo dos principais rios, que constituem importantes vias de transporte de pessoas e de mercadorias.

Clima 

A região Norte localiza-se na zona climática mais quente do planeta (próximo do equador). Apresenta pequena amplitude térmica diária e anual. Isso significa que há pequena variação entre as temperaturas máxima e mínima durante os dias e entre as médias mensais ao longo do ano. 
Em grande parte do território não existe estação seca. Em alguns outros lugares, porém, como em Palmas (TO), há um período de seca que pode durar de um a cinco meses. 

Vegetação 

Grande parte da Região Norte está sob influência do clima equatorial. Por ser quente e úmido, esse clima favorece a presença da rica diversidade vegetal da floresta. Embora a floresta Amazônica seja predominante, outras formações vegetais também são encontradas na região.
Próxima ao litoral, nos estados do Pará e do Amapá, desenvolve-se a vegetação litorânea, com formações de mangues e arbustos. Na Ilha de Marajó, também no Pará, e em parte do Amapá, temos a vegetação de Campos. 
Na maior parte do Tocantins, está presente a vegetação de Cerrado, que também pode ser observada em outros estados da região, menos no Acre.
Embora a Região Norte abrigue manchas de vegetação de Cerrado e de Campos (como em Roraima, em Rondônia, no Amapá, no Pará e no Amazonas), além de vegetação com influência marinha e/ou fluvial (como no Pará, no Amapá e em Rondônia), a maior parte de sua cobertura vegetal é formada pela Floresta Amazônica, também conhecida como Floresta Tropical Pluvial, Hileia e Floresta Equatorial. 
Como as demais formações vegetais do Brasil, na Floresta Amazônica a área antropizada cresce a cada ano, com grandes intervenções huma nas predatórias, a exemplo de queimadas e desmatamentos decorren tes da ação de alguns madeireiros, da implantação de fazendas de gado e de agricultura, de empresas de mineração etc. De modo geral, são encontrados na Floresta Amazônica dois ecossistemas principais: as matas de terra firme e as matas de inundação. 

Matas de terra firme 

A biodiversidade da Floresta Amazônica é encontrada, em gran de parte, nas matas de terra firme, ou seja, matas que nunca sofrem inundações dos rios. Recobrem 90% da Bacia Amazônica e localizam-se nas áreas de altitudes mais elevadas. A altura média das árvores é de 40 m, firmadas em solos bem drenados. Predominam matas densas, com pouca luz e muita umidade, em virtude de a junção das copas das árvores dificultar a entrada da luz do sol. Nelas são encontradas madei ras nobres, como o cedro, o mogno e os louros. 

Matas de inundação 

As matas de inundação são aquelas sujeitas à invasão das águas dos rios, com vegetação adaptada para sobreviver por longos períodos de submersão. Dividem-se em:
- Matas de igapó: o termo “igapó” designa as áreas muito encharca das, com inundações permanentes. As matas de igapó situam-se nos terrenos mais baixos e permanecem quase sempre inundadas. Nelas a vegetação é baixa, com arbustos, cipós e musgos. Também são encontradas plantas aquáticas, como a vitória-régia, um dos símbolos da Amazônia (observe a foto). 
- Matas de várzea: são aquelas inundadas somente em determina dos períodos do ano, durante a cheia dos rios, e situadas em áreas mais elevadas em relação às matas de igapó.

Maior complexo fluvial do mundo 

A Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas situa-se, predo minantemente, na Região Norte. Além do Brasil, banha terras da Bolívia, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela. Formada pelo Rio Amazonas e seus afluentes, é a maior bacia hidrográfica do mundo, tanto em exten são como em volume de água. Essa bacia detém 11% da água doce disponível no mundo e é o maior reservatório de água doce do planeta.
Da fronteira do Peru com o Brasil até a confluência com o Rio Negro, em Manaus, o principal rio dessa bacia recebe o nome de Rio Solimões. Desse ponto até sua foz, no Golfão Amazônico, é denominado Rio Amazonas. O Rio Amazonas é o maior e o mais caudaloso rio do mundo: tem 6580 km de extensão e representa 20% do volume de água de todos os rios da Terra. 
A Floresta Amazônica e a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas fornecem à atmosfera grande quantidade de vapor de água, que volta à superfí cie terrestre na forma de chuva, estabelecendo, assim, o ciclo hidroló gico ou ciclo da água, com influência não apenas local e regional, mas também global.

Hidrografia da Região Norte e aspectos socioeconômicos 

O Rio Amazonas é navegável desde a foz até a cidade de Nauta, no Peru, em uma extensão de mais de 4000 quilômetros. Na Região Norte, os maiores fluxos de pessoas e de mercadorias são feitos por meio das hidrovias. 
Como os rios facilitam o transporte e a co municação, as maiores densidades demográficas e as áreas mais urbanizadas da Região Norte se concentram nas planícies do Rio Amazonas e de alguns de seus afluentes. 
O porto de Manaus, capital do estado do Amazonas, é o maior porto fluvial brasileiro em volume de carga. Grande parte das mercadorias que circulam na Região Norte passa por esse porto. 
Além de sua relevância para o transporte na Região Norte, a Bacia Amazônica apresenta outros usos importantes. Os povos indígenas e as populações tradicionais, por exemplo, dependem dos rios para obter parte de seu sustento pela pesca. 
Além disso, os rios possuem importância cultural e estão ligados às crenças e ao modo de vida de diferentes povos da floresta – como é o caso das comunidades ribeirinhas, que constroem as suas moradias sobre palafitas às margens dos cursos d'água. 
Os rios da Bacia Hidrográfica do Amazonas apresentam, também, grande potencial turístico. A praia do Rio Negro (maior afluente do Rio Amazonas) pode ser facilmente confundida com uma praia oceânica. Hotéis e restaurantes recebem turistas que buscam lazer na praia fluvial ou nas ilhas desse rio.

Potencial hidrelétrico e impactos ambientais

No Brasil, em 2020, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 62,5% da energia elétrica era obtida por meio de hidrelétricas, sendo a Região Norte a com maior potencial hidrelétrico. Nesse sentido, a Bacia Amazônica é estratégica para o desenvolvimento nacional, pois graças ao Sistema Interliga do Nacional (SIN), a energia elétrica gerada nas usinas da Região Norte fica disponível para todo o Brasil. 
Nos últimos anos, os investimentos em produção de energia hidrelétrica vêm aumentando significa tivamente no Brasil. Entretanto, apesar de se tratar de uma fonte de energia renovável que apresenta vantagens em comparação às fontes não renováveis, a construção de usinas hidrelétricas gera dis cussões relacionadas aos impactos socioambientais que elas podem causar, tais como: o desmatamento das áreas alagadas para construção das barragens; diminuição da biodiversidade; alteração nos ecossistemas fluviais; assoreamento dos rios; deslocamento de comunidades inteiras de seus lugares de vivência, ocasionando prejuízos sociais, ambientais, econômicos e culturais a milhares de pessoas. 
A presença de rios volumosos com potencial para geração de energia é um dos fatores que tornam a região atrativa para a construção de usinas hidrelétricas (UHEs). 
A energia hidrelétrica, em associação com outras fontes, como a eólica, a solar e os combustíveis fósseis, é muito importante para atender à crescente demanda por energia no Brasil. Porém, assim como outras obras de infraestrutura (ferrovias, rodovias, portos, aeroportos etc.), a construção das usinas provoca impactos socioambientais. 
Por isso, esses projetos enfrentam resistência de ambientalistas, indígenas, comu nidades ribeirinhas, movimentos sociais, organizações não governa mentais (ONGs), entre outros.
Um exemplo recente é a UHE Belo Monte (PA), cuja cons trução causou polêmica desde a fase inicial do projeto até sua inauguração, em 2015. A seguir, algumas das principais con sequências socioambientais da implantação da hidrelétrica de Belo Monte.
- As águas do Rio Xingu foram desviadas de seu curso natural, deixando parte de seu trecho seco. Nessa área vivem comu nidades ribeirinhas que dependem do rio para a pesca, que lhes garante alimento e renda. 
- Cerca de 10 mil famílias foram removidas em razão das obras. Somente 4 mil foram reassentadas pela empresa responsável pela Belo Monte. 
- Treze terras indígenas foram afetadas pela construção da usina, envolvendo cerca de 4 mil indígenas. 
- A flora e a fauna das áreas inundadas foram destruídas. 
- Os índices de criminalidade aumentaram: o município de Altamira (PA) foi considerado o segundo mais violento do país, segundo o Atlas da Violência 2019, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com o regis tro de 133,7 homicídios a cada 100 mil habitantes.

Importância dos rios 

Na Região Norte, os rios têm grande importância no dia a dia da população e nas atividades econômicas. Eles representam a principal via de transporte para o fluxo diário de pessoas e mercadorias. Muitas comunidades só podem ser alcançadas de barco e grande parte das principais cidades da região está localizada às margens dos rios ou próxima deles. 
Os rios influenciam a construção de moradias e outras estruturas. Tanto nas cidades quanto nas comunidades ribeirinhas, há, por exemplo, moradias e escolas construídas sobre estacas altas de madeira (palafitas) para evitar que a água inunde as construções. Existem, ainda, portos flutuantes que se movimentam acompanhando os períodos de cheia e de seca dos rios. 
O sustento das comunidades ribeirinhas também está muito ligado aos rios. Os ribeirinhos sobrevivem principalmente da pesca, mas desenvolvem outras atividades, como a agricultura de vazante (mandioca, milho, feijão e arroz), praticada nas margens dos rios nos períodos de seca, e o extrativismo vegetal (látex, castanha-do-pará, piaçava e açaí). 
Em termos regionais, os rios estruturam a organização social e econômica dos povos da Região Norte. São fundamentais para o transporte, o abastecimento e a subsistência da população e influenciam na localização das cidades. Nesse sentido, um dos desafios atuais do Estado brasileiro é conciliar, de maneira sustentável, as questões locais e regionais com as demandas nacionais.

Relevo 

Na Região Norte predominam relevo e altitudes de até 200 metros. Essas terras de baixas altitudes acompanham os vales dos rios da Bacia Amazônica, formando extensas planícies. 
O relevo da região Norte é composto de planícies, planaltos e depressões, com predomínio de baixas altitudes. Parte dele está sobre uma grande bacia sedimentar, mas que hoje sofre mais desgaste do que sedimentação – por isso o predomínio de terras baixas (ou baixos platôs) e de depressões.
As várzeas, que são áreas de planície, acompanham o curso dos rios da região. Existem, porém, várias serras, principalmente ao norte, na fronteira com a Venezuela
As terras de altitudes mais elevadas localizam-se, principalmente, no norte do estado de Roraima e no norte e noroeste do estado do Amazonas, onde se encontra o ponto culminante do Brasil – o Pico da Neblina –, com 2995 metros de altitude, na Serra do Imeri, fronteira com a Venezuela. 

Região Sul: problemas ambientais

Atitudes prejudiciais ao meio ambiente são resultado, entre outros fatores, do desconhecimento da necessidade de preservar o equilíbrio ecológico. Daí a importância da criação de uma consciência ecológica por parte de toda a sociedade. Outro fator significativo é o desejo de ganhar muito dinheiro sem se importar com a natureza, en tendendo-a apenas como fonte de lucro e não como fonte de vida.

Região Sul: desmatamento

A cobertura vegetal é importante para o equilíbrio ecológico, pois pro tege a nascente dos rios, regula o clima e os mananciais que abastecem as cidades, influi na fertilidade do solo e o protege da erosão, cria beleza paisagística e é fonte de vida para as comunidades que dela dependem diretamente, como é o caso dos indígenas, dos caiçaras e dos ribeirinhos.

Mata Atlântica 

Assim como no Nordeste e no Sudeste, a Mata Atlântica da Região Sul foi intensamente desmatada com a marcha do povoamento. As áreas não desmatadas ocupam trechos de difícil acesso da Serra do Mar e da Serra Geral, além de trechos do vale do Rio Ribeira de Iguape, entre os estados do Paraná e de São Paulo – o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do país. 
Entretanto, apesar da fiscalização do Ibama, o desma tamento continua ocorrendo. São desmatamentos de áreas menores, não detectados nas imagens de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mas eles ocorrem e criam uma fragmentação florestal que dificulta a sobrevivência de vegetais e animais da região. Uma das causas atuais do desmatamento da Mata Atlân tica na Região Sul é a substi tuição dessa vegetação nativa pela silvicultura de pínus, usado como matéria-prima na indús tria de papel e celulose.

A Mata de Araucárias 

A Mata de Araucárias ou dos Pinhais cobria uma vasta exten são de terras – cerca de 185000 km2 –, estendendo-se desde as terras altas do sul do estado de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, prolongando-se, ainda, pelo extremo nordeste da Argenti na. Não era uma floresta homogênea; abrigava muitas outras es pécies vegetais, como angico, tamboril, imbuia, cedro, gamelei ra, canela etc. 
No processo de produção de espaços geográficos da Região Sul, essa floresta foi amplamente desmatada, a exemplo do que ocorreu com a Mata Atlântica. De início, a extração da madeira do pinheiro, o pinho, atendia ao mercado interno. 
Por oferecer madeira mole, ideal para a construção de casas, para a fabricação de móveis e para a confecção de tábuas, essa floresta passou a ser explorada de modo intenso. Posteriormente, com o fluxo imi gratório alemão, italiano e polonês, muitas de suas áreas foram desmatadas para ceder lugar à prática da agricultura.
O grande desmatamento da Mata dos Pinhais ocorreu entre 1915 e 1960, pois, nesse período, tornou-se grande a procura por madeira mole no mercado internacional. Por falta de fiscalização governamental, serrarias clandestinas se espa lharam na Região Sul, promovendo intensa destruição florestal. 
Após 150 anos de intervenção humana, restaram apenas 5% dessa mata. O que sobrou foi transformado em áreas de preser vação ambiental sob os cuidados dos estados e do governo federal. 
Especialistas mostram que esse ecossistema está quase extin to. Roedores, aves e insetos que se alimentavam do pinhão, ou que aí encontravam o seu hábitat, morreram ou estão ameaçados de extinção. 

Principais problemas ambientais 

Na Região Sul, o estado do Paraná foi o que perdeu maior parte de sua vegetação nativa com a devastação da Mata Atlântica e da Mata dos Pinhais. A ação humana também criou alguns problemas ambientais nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

As bacias hidrográficas e os problemas ambientais no Rio Grande do Sul 

No Rio Grande do Sul, podemos identificar a degradação ambiental por meio da observação das bacias hidrográficas do estado. Com o conhecimento desses problemas, a sociedade e o Estado conseguem definir qual é a melhor estratégia para solucioná-los.

Arenização na Campanha Gaúcha Desde o século XVIII, os solos da Campanha Gaúcha são usados para a criação de gado. Em decorrência disso, eles vêm sofrendo: 
• compactação pelo pisoteio constante de animais; 
• rarefação das gramíneas (pastagens), decorrente do número excessivo de gado por área, que, ao deixar o solo sem cobertura vegetal, causa a erosão e o assoreamento de rios e córregos;
• queimadas, provocadas para eliminar as sobras secas de pastagens durante o inverno e facilitar a rebrota das gramíneas; esse procedimento mata os micro-organismos importantes para o solo. 
Esses fatos têm afetado seriamente o solo da Campanha Gaúcha, causando a arenização, ou seja, o afloramento de depósitos arenosos resul tantes da lavagem do solo pela água da chuva, que, além de retirar a cobertura vegetal, provoca a perda de matéria orgânica e de elementos químicos importantes na constituição do solo. 

 Degradação ambiental em Santa Catarina 

Na zona costeira, a implantação de balneários sem a devida infraes trutura de rede coletora de esgoto tem provocado a poluição de rios, córregos e vales e o despejo de dejetos no mar. Tal situação, além de ser responsável pela contaminação ambiental, compromete a ativida de turística. 
Na região carbonífera do sul do estado, que compreende os municípios de Criciúma, Tubarão e Imbituba, a exploração do carvão mineral a céu aberto ou em galerias arrasa paisagens e contamina as águas de superfície e subterrâneas. Além disso, o carvão mineral trazido à superfície, em contato com o oxigênio e a umidade do ar, dá origem ao ácido sulfúrico, substância tóxica e corrosiva que pode provocar chuvas ácidas. 
Somam-se a esses problemas outros impactos causados pelas atividades agropecuárias: a erosão do solo, o assoreamento de rios e a con aminação das águas provocada pelo uso de agrotóxicos, assim como a contaminação de cursos de água pelos excrementos de aves e suínos criados em sistema intensivo no oeste catarinense.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Economia da Região Centro-Oeste

A partir de 1970, a Região Centro-Oeste passou a desempenhar um papel importante na organização do espaço geográfico brasileiro. A expansão da fronteira econômica para a Região Centro-Oeste promoveu o de senvolvimento das atividades econômicas na região, com destaque para a agropecuária. O crescimento dessa atividade transformou a região em uma das principais produtoras e exportadoras de produtos agropecuários do Brasil.
O grande destaque econômico do Centro-Oeste é o agronegócio. A região é responsável por cerca de metade da soja e do milho produzidos no Brasil, que está entre os maiores produtores do mundo. Também apresenta o maior rebanho de bovinos do país. 
A partir da década de 2000, principalmente com a expansão da soja, a participação do Centro-Oeste no PIB do país tem aumentado significativamente e, em 2019, correspondia a aproximadamente 10% do total nacional. Ao mesmo tempo, o parque industrial vem se consolidando em torno das agroindústrias, e muitas delas provêm de estados sulistas e trazem consigo inovações técnicas de produção.
A partir da década de 1960, o governo federal colocou em prática projetos para ocupar, povoar e integrar o Centro-Oeste a outras regiões. As principais ações realizadas foram a construção de Brasília, a expansão das áreas agrícolas e a construção de rodovias. Para promover a expansão das áreas agrícolas entre as décadas de 1970 e 1980, algumas medidas foram implantadas. Entre elas, destacamos:
- financiamentos para que agricultores pudessem pagar as terras adquiridas; 
- investimentos em infraestrutura de transporte para facilitar o deslocamento de pessoas e o escoamento da produção agro pecuária – por exemplo, muitas rodovias ligando as capitais da região ao restante do país foram construídas; 
- desenvolvimento e introdução de técnicas modernas de produção, como as adotadas para a correção dos solos do Cerrado, naturalmente ácidos e, até então, considerados inadequados para o agronegócio.
Pessoas de outras regiões migraram para o Centro-Oeste, principalmente agricultores do Sul, atraídos pelas grandes extensões de terras a baixos preços. De início, enfrentaram diversas dificuldades para se estabelecer, pois a região contava com infraestruturas precárias ou inexistentes. 
Os primeiros agricultores que se estabeleceram no Centro-Oeste eram chamados de pioneiros. Uma vez instalados, eram seguidos por outros membros de suas famílias. 
Atualmente, muitas empresas do agronegócio que atuam no Centro-Oeste pertencem aos migrantes sulistas. Estima-se que, entre 1975 e 1996, aproximadamente 1 milhão de famílias tenham migrado do Sul para o Centro-Oeste.

A produção agropecuária


A atividade agropecuária do Centro-Oeste desempenha um papel expressivo na economia brasileira. Ela corresponde a aproximadamente 23% da produção nacional.
Além disso, a elevada produção agropecuária na Região Centro-Oeste ocorre, em parte, devido às transformações ocorridas no campo a partir da segunda metade do século XX, quando o governo brasileiro passou a adotar medidas para promover o desenvolvimento regional. Entre essas medidas, houve o financiamento de pesquisas para aprimorar as técnicas empregadas tanto na agricultura quanto na pecuária.
Atualmente, a criação de gado bovino, os abatedouros, os e os frigoríficos relacionados à pecuária constituem a atividade econômica mais importante da região Centro-Oeste. Segundo dados do IBGE, em 2016 a região Centro-Oeste abrigava o maior rebanho de bovinos do país. 
No início do processo de ocupação da região, os criadores limitavam-se a deixar o gado solto no Cerrado para que se alimentasse de pastagem natural. Hoje, as fazendas cultivam seus pastos, confinam os animais na época da engorda e têm alta produtividade. 
Também se destacam na região os cultivos de milho, algodão, cana-de-açúcar e soja, que utilizam tecnologia de ponta em cultivos de clima tropical. Essa produção tornou o Brasil o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos. 
A participação da região no total da produção agrícola do país vem aumentando graças a uma associação de vários fatores que permitiram grande ampliação da área cultivada e da produtividade, entre os quais estão:
- a correção da acidez natural dos solos desde a década de 1960, com a utilização de calcário (técnica conhecida como calagem); 
- os investimentos em pesquisa genética, desenvolvida especialmente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o que permitiu que várias plantas nativas de clima temperado fossem adaptadas ao clima tropical, como soja e trigo; 
- a mecanização do preparo dos solos, do cultivo e da colheita; 
- a ampliação da irrigação.
Os solos, que apresentavam baixa quantidade de nutrientes, foram corrigidos por meio de técnicas como a calagem e a aplicação de fertilizantes, permitindo o desenvolvimento de grandes lavouras monocultoras. Além disso, o emprego de modernos maquinários agrícolas, entre eles semeadeiras e colheitadeiras, possibilitou o desenvolvimento e a expansão da agropecuária regional.
O desenvolvimento da atividade agropecuária no Centro-Oeste vem desmatando extensas áreas de Cerrado. As queimadas irregulares, praticadas para ampliar as áreas de lavouras para o plantio de soja, arroz e milho e também para pastagem, sobre tudo para a criação de gado bovino, têm alterado significativamente a extensão ori ginal dessa formação vegetal. Além disso, com a destruição da vegetação nativa do Cerrado, muitos animais estão perdendo seu hábitat natural.
Atualmente, o cultivo da cana-de-açúcar vem ganhando espaço nas lavouras da região. Na última década, o número de usinas produtoras de álcool e a área plantada de cana-de-açúcar aumentaram consideravelmente. 
Entre os principais motivos da introdução do cultivo da cana na região está o crescente aumento da produção de etanol feito de cana-de-açúcar. O etanol é usado, sobretudo, como combustível para automóveis e figura como importante alternativa na substituição de combustíveis fósseis, pois é um recurso renovável e causa menos impacto ambiental.
Já a atividade pecuária foi inicialmente desenvolvida em áreas de vegetação de Cerrado. Isso ocorreu em razão da proximidade com a Região Sudeste, grande mercado consumidor, e foi essencial para a ocupação da Região Centro-Oeste. Atualmente, essa atividade é impulsionada pelo mercado de exportação, sobretudo para países da União Europeia, China e Estados Unidos.

Agricultura e tecnologia 


A principal atividade econômica da região está baseada na agricultura. Grandes rebanhos de gado, principalmente em Mato Grosso, bem como vastas plantações de soja, são frequentes na paisagem do Centro-Oeste. 
Tanto a carne quanto a soja produzidas visam, em primeiro lugar, ao comércio externo. No caso da carne, os principais destinos são a Rússia  e os países europeus. Em relação à soja, China e Estados a Unidos são os maiores compradores.
O modelo de produção de soja para exportação adotado no Centro-Oeste é consequência de uma combinação de fatores: terrenos planos, concentração de terras em grandes propriedades e chuvas regulares em parte do ano. 
Faltava corrigir o solo, que não era muito bom para o cultivo. Com pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esse problema foi corrigido e o resultado foi o crescimento da produção agrícola.

O domínio das grandes propriedades rurais


O desenvolvimento agropecuário da região também contou com a inserção de máquinas agrícolas modernas (colheitadeiras e semeadeiras), com a utilização de várias técnicas de manejo e com tratamentos específicos na criação animal, garantindo, assim, um produto final com qualidade, além da elevada produção. 
A maior parte das áreas agricultáveis pertence às grandes propriedades rurais, constituídas por imensas lavouras monocultoras. Entre elas, destacam-se as lavouras de soja, milho, arroz, cana-de-açúcar e algodão. 
Na pecuária, a bovinocultura é a criação que mais se destaca, concentrando o maior rebanho do país. São cerca de 75 milhões de cabeças de gado bovino criadas em vastas áreas de Cerrado, sendo a maior parte de forma extensiva para corte.
A criação do gado bovino na região é destinada prin cipalmente para o abastecimento do mercado nacio nal, sobretudo para o mercado consumidor da Região Sudeste. Porém, uma parcela significativa da produção de carne é direcionada para o mercado externo. 
Outra criação de destaque é a de suínos, principal mente nos estados de Goiás e de Mato Grosso do Sul. O avanço das atividades agropecuárias tem provo cado grandes impactos ambientais na região, principalmente a devastação da vegetação nativa.

Escoamento da produção agropecuária 


Por algum tempo, o escoamento da produção agrícola da região Centro-Oeste dependeu de transporte rodoviário entre as fazendas e as ferrovias do Sudeste. A ferrovia Noroeste do Brasil, que liga Bauru (SP) a Corumbá (MS), com conexão até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, foi inaugurada em 1914 e apesar das diferenças de entre alguns trechos, que exigiam transferên cia de carga de um trem para outro, foi importante para a comunicação do Centro-Oeste com o Sudeste e, consequentemente, com os portos de exportação.
A partir da década de 1990, importantes hidrovias, como as dos rios Paraguai, Madeira, Araguaia e Tocantins, Tapajós-Teles Pires e outras, passaram a transportar grande parte dos produtos agrícolas de exportação, tais como soja, diminuindo o custo dos transportes e provocando em seu entorno um grande aumento da produção. 
Parte da produção agrícola da região também é levada por caminhões até os municípios goianos de Alto Araguaia, Alto Taquari e outros no entor no do Distrito Federal, de onde é transportada por trens até os principais portos do Sudeste – Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Sepetiba (RJ) e Vitória (ES). 

Centro-Oeste: economia em expansão


A Região Centro-Oeste foi também a que apresentou o maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nas últimas décadas. Os dados de população e de PIB são indicativos de que o Centro-Oeste se encontra em plena expansão econômica. Esse crescimento nos últimos anos se deve sobretudo ao setor agropecuário. A Grande Região abrigava, em 2020, o maior rebanho bovino do país, com mais de 75 milhões de cabeças, o que corresponde a mais de um terço do total na cional. Além disso, respondeu, em 2020, por quase metade da soja produzida no Brasil (48,5%) – somente Mato Grosso contribuiu com cerca de 29% da produção nacional. Foi também a maior produ tora de milho em grãos. 
Cada estado do Centro-Oeste se destaca em determinados produtos agropecuários. Goiás foi, em 2020, responsável por cerca de 42% do sorgo produzido no Brasil e sobressai também na produção de soja e milho. Nesse ano, Mato Grosso foi o maior produtor nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, e Mato Grosso do Sul, além de ser grande exportador de carne, destacou-se na produção de soja, milho etc.

Fronteira agropecuária e a preservação ambiental 


Nos últimos 50 anos, grandes áreas ocupadas originalmente pelo Cerrado e pela Floresta Amazônica, no norte de Mato Grosso, foram ocupadas pela agropecuária. Apesar de ser o bioma mais bem preservado do país, o Pantanal também foi agredido por intervenções humanas, que ameaçam a sua diversidade de flora e de fauna.
A expansão da fronteira agropecuária sobre essas formações vege tais provocou alterações ambientais, com risco de perda de sua biodiversidade, e ainda é responsável pelo desmatamento daquelas áreas, que continuam a ser ocupadas, sobretudo, pelo plantio da soja e pela pecuária. 
Por isso, o grande desafio do Centro-Oeste é conciliar a expansão dessas atividades com a preservação ambiental e o respeito ao modo de vida dos povos tradicionais da floresta e do Cerrado, como quilombolas, vazanteiros, pantaneiros, entre outros, que buscam o reconhecimento e a proteção de seus territórios. 
Daí a necessidade de disciplinar o uso do solo e dos recursos naturais regionais por meio da fiscalização e da aplicação da legislação ambiental.

A indústria da Região Centro-Oeste


A Região Centro-Oeste é uma das menos industrializadas do Brasil. Assim como a Região Norte, o Centro-Oeste teve seu processo de ocupação tardio em relação às demais regiões. Apenas na década de 1950 essa região passou a receber a instalação de indústrias com base em incentivos fiscais e em investimentos do governo em vias de transporte para o escoamento da produção industrial.
A maior parcela das atividades industriais do Centro-Oeste é composta por agroindústrias. A expansão da agricultura e da pecuária na região vem promovendo a ampliação desse tipo de atividade industrial. Essas indústrias estão ligadas tanto ao beneficiamento de produtos agrícolas, transformando-os em alimentos e bebidas, quanto ao próprio trabalho nas lavouras, com a fabricação de maquinário e insumos cada vez mais modernos e que possibilitem o aumento da produtividade agrícola.
Nas últimas décadas, o Centro-Oeste vem apresentando um desenvolvimento econômico significativo, em decorrência de diversos fatores, entre eles, está a atividade industrial. 
Grande parte desta atividade está atrelada ao setor agropecuário, o que caracteriza o predomínio de agroindústrias, que são, em parte, responsáveis pela expansão das monoculturas altamente mecanizadas na região. 
Essas empresas, além de buscar a alta produtividade — capaz de abastecer o mercado interno e o externo com as culturas, sobretudo, de soja e milho — promovem sistemas de produção em parceria com produtores, a exemplo dos avicultores de diferentes municípios da região.
Muitas agroindústrias instaladas no Centro-Oeste pertencem a grandes grupos alimentícios que atuam no Brasil e no exterior. Atraídas por fatores como incentivos fiscais, oferta de terrenos a preço reduzido, disponibilidade de energia e melhoria na infraestrutura de transportes, as agroindústrias passaram a atuar cada vez mais nessa porção do território. 
Entre as agroindústrias que se destacam no Centro--Oeste estão os frigoríficos e as beneficiadoras de soja, que produzem, sobretudo, óleo e ração para animais.
Embora as agroindústrias constituam um ramo industrial de grande expressão no Centro-Oeste, outras atividades industriais também são desenvolvidas. Predominando os ramos de extração e transformação mineral, química, de madeira, de alimentos (frigorífico) e bebidas, têxtil e alimentício estão instaladas na região, sobretudo nos estados de Goiás e Mato Grosso.
Em Goiás, o perfil da industrialização vem sendo alterado nos últimos anos, com o desenvolvimento das indústrias farmacêutica, metalúrgica e de autopeças em Goiânia e com a instalação de montadoras de veículos automotores da China e da Coreia do Sul em Anápolis.

Indústria automobilística 


Nos últimos anos, atividades industriais começam a ter como destino estados do Brasil Central. Montadoras de automóveis escolheram Goiás para implantar suas fábricas.
Em 1998, uma empresa montadora de automóveis que tem origem no Japão inaugurou sua fábrica em Catalão, no interior de Goiás. O município goiano foi escolhido por conta dos subsídios fiscais que concedeu à montadora japonesa. 
A montagem dos carros envolve várias outras empresas situadas no Distrito Industrial de Catalão, distribuídas em 630 mil m² e que geram cerca de 2 mil empregos diretos. A produção no final de 2017 era de cerca de 22 mil veículos por ano, enquanto que em 2014 chegou a cerca de 45 mil. 
Já outra empresa automobilística passou a montar veículos com origem na Coreia do Sul e na China. Ela se instalou em Anápolis, que está a cerca de 55 quilômetros de Goiânia. Segundo dirigentes da em presa, a opção por instalar a fábrica no município deu-se por causa da infraestrutura de transporte dis ponível, além dos incentivos fiscais. 
Em 2017, a fábrica empregava cerca de 1 300 trabalhadores e produzia cerca de 45 mil carros por ano. Outra empresa de origem chinesa escolheu Itumbiara para instalar sua nova fábrica, que vai operar a partir de 2019, para montar cerca de 35 mil automóveis por ano, com cerca de 800 trabalhadores.
É de São Paulo e Minas Gerais que saem muitas das peças dos carros monta dos em Goiás. Esse caso serve como exemplo da influência que a região mais industrializada do país exerce, mesmo sobre áreas de expansão industrial. Outro importante elemento na estrutura de produção de carros em Goiás é o chamado porto seco, um lugar que pode receber mercadorias importadas e servir de ponto de partida de produtos exportados. 
Em um porto seco são realizadas operações de fiscalização pela Polícia Federal, que costumam ocorrer em portos e aeroportos. Isso facilita muito a movimentação de partes de produtos que são importadas, pois essas peças não precisam ficar aguardando a presença de um fiscal em um porto fluvial ou marítimo. A principal vantagem para importadores e exportadores é o tempo que ganham, o que torna seus produtos mais competitivos. 
Além disso, junto a Anápolis, desenvolveu-se um importante polo de produção de fármacos. Esse segmento envolve pesquisa científica e tecnológica e pode gerar um novo dinamismo regional, já que visa abastecer o mercado bra sileiro, que não é pequeno. 

A indústria e o turismo 


Nas últimas décadas vem aumentando a instalação de indústrias ligadas a produtos agropecuários no Centro-Oeste, tais como processadoras de alimen tos e usinas de açúcar e álcool. Mas a região também começa a se destacar pela ampliação e diversificação do setor industrial. 
Em Goiás há um parque industrial bastante diversificado, que vem crescen do nas últimas décadas. Anápolis (GO) abriga um distrito que concentra a produção dos setores químico e farmacêutico, além de indústrias automobi lísticas, alimentícias, têxteis e de bebidas. No sul de Goiás, destaca-se a cida de de Catalão, onde estão instaladas uma montadora de automóveis e outras indústrias mecânicas, químicas e alimentícias. 
Em Rondonópolis, a segunda maior economia de Mato Grosso, também foram instaladas empresas de diversos segmentos e, em Mato Grosso do Sul, chamam a atenção a produção industrial de Dourados e de Três Lagoas (es pecialmente a de celulose). 
O turismo é uma importante atividade econômica que vem crescendo na região Centro-Oeste. O Pantanal e os diversos Parques Nacionais, com suas belezas naturais, atraem grande número de turistas que buscam o contato com a natureza. Brasília (declarada pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, por sua arquitetura) e algumas cidades históricas e estâncias hidrotermais, como Pirenópolis e Abadiânia, entre outras, também são atrações turísticas dessa região, que dispõem de boa infraestrutura para hospedagem, alimentação, transporte e outros serviços de atendimento aos visitantes.

Mudando tradições 


Ao longo dos rios de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso se desenvolveu a atividade do garimpo do ouro e de pedras preciosas. Nesse processo muitos indígenas foram escravizados. Além disso, algumas fortificações com o objetivo de defender as terras sob domínio português foram instaladas em locais que, mais tarde, viraram cidades. 
Depois, o Brasil central, coberto pelo Cerrado, foi ocupado pela pecuária e pela agricultura. A expansão da produção cafeeira em São Paulo permitiu que novas áreas fossem incorporadas à produção agrícola, em especial no Centro-Oeste. 
Nos últimos anos, o patrimônio histórico de áreas como a cidade de Pirenópolis, em Goiás, passou a ser valorizado, em especial, para a atividade turística, o que gerou novas oportunidades de negócios. São agências de viagens, pousadas, restaurantes, guias de turismo locais, que passam a oferecer serviços a quem busca conhecimento e diversão com o chamado turismo cultural.

A atividade extrativa  


A atividade extrativa do Centro-Oeste também desempenha importante papel na economia regional.
Na Região Centro-Oeste, a atividade extrativa iniciou-se com a garimpagem de ouro e diamante no século XVIII. Atualmente, a maior parte do extrativismo mineral no Centro-Oeste é de minérios de ferro e manganês, que atendem, principalmente, às indústrias siderúrgicas localizadas nas proximidades da cidade de Corumbá, no estado do Mato Grosso do Sul.
A produção desses minerais também segue para exportação, sendo escoada tanto pelo rio Paraguai, com destino aos países da América Latina, quanto pelo rio Paraná, até alcançar os portos de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná.
A extração mineral está presente desde a época da colonização, de modo que até hoje o garimpo de ouro e diamantes é bastante praticado, principalmente nos estados do Mato Grosso e em Goiás. 
No extremo oeste do Mato Grosso do Sul, próximo ao município de Corumbá, está localizado o maciço do Urucum, on de existem importantes reservas de minério de ferro e manganês. A produção desses minérios é destinada tanto para o mercado externo quanto para o interno, servindo dessa maneira como matéria-prima para várias indústrias siderúrgicas nacionais.
Além da atividade extrativa mineral, a extração vegetal de madeira e borracha também sobressai, principalmente na área de floresta Amazônica, no norte do Mato Grosso.

Centro-Oeste: ocupação e população

Os primeiros exploradores

As primeiras incursões de portugueses e luso-brasileiros no es paço do atual Centro-Oeste ocorreram nos séculos XVI, XVII e XVIII e resultaram em aldeamentos indígenas realizados por missões religiosas e pelo bandeirismo, que visava descobrir ouro e pedras preciosas ou, ainda, aprisionar indígenas para vendê-los como escravos no Nordeste açucareiro.
Até o início do século XVIII, a população do território onde atualmente se loca- lizam os estados do Centro-Oeste era composta basicamente de povos indígenas. Desde então, com a descoberta de jazidas de ouro e de pedras preciosas, a região passou a ser ocupada por mais pessoas. 
Essas riquezas foram encontradas por meio de expedições bandeirantes, ou seja, viagens de interesse particular feitas por desbravadores que partiam da antiga Vila de São Paulo em direção ao interior do território brasileiro, também conhecido na época como sertões. Desde meados do século XVII, expedições foram organizadas a fim de buscar riquezas e capturar indígenas para serem escravizados.
Nos deslocamentos pelo território, os bandeirantes faziam pousos ou paradas para o descanso e, quando encontravam ouro ou pedras preciosas, fixavam-se no lugar, dando início a um arraial. 
Por onde passavam, os bandeirantes estabeleciam pouso em lugares que se transformaram mais tarde em vilas e, posteriormente, em ci dades, como Bom Jesus de Cuiabá, a atual Cuiabá, capital do Mato Grosso, fundada em 1719. 
Com a ocupação dessa região, iniciava-se também a expansão da pecuária, atividade que ganhou des taque econômico com o declínio da mineração, no final do século XVIII.
Quando o ouro se esgotava nos cursos de água de onde era extraído, muitos desses arraiais eram abandonados. Entretanto, no início da exploração de filões auríferos, a população tornou-se sedentária, formando povoados, que se transformaram em vilas e cidades, como Cuiabá .
Já Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e Cáceres, no estado de Mato Grosso, ambas nas margens do Rio Paraguai, têm as suas origens relacionadas a postos ou fortificações implantados por portugueses e luso-brasileiros.

A fronteira econômica e a intensificação do povoamento

A reduzida quantidade de grandes vias de transporte ligando os pequenos nú cleos urbanos da Região Centro-Oeste aos estados localizados a leste do território brasileiro, principalmente os estados de Rio de Janeiro e São Paulo, maiores cen tros consumidores da época, contribuiu para o reduzido povoamento da região até a década de 1940. 
Mas, a partir de meados do século XX, o governo brasileiro criou uma série de projetos de colonização, entre eles as colônias agrícolas, a fim de incentivar o aumento da produção agropecuária da região. Para promover o povoamento dessa área, o governo também investiu na construção de rodovias e ferrovias, possibili tando o transporte dessa produção agropecuária para outras regiões e a chegada ao Centro-Oeste de produtos industrializados e de pessoas. 
Com isso, a partir da década de 1950, a Região Centro-Oeste passou a ser o destino de muitos investidores que apostavam principalmente no desenvolvimento da agropecuária naquela parte do território brasileiro. A expansão dessa nova fronteira agrícola atraiu muitos migrantes de outros estados, principalmente da Região Sul, que, nas décadas seguintes, partiram para o Centro-Oeste em busca de trabalho e de melhores condições de vida.

A construção de Brasília 

A expansão da fronteira econômica em direção ao interior do território brasi leiro tornou-se mais efetiva quando teve início a construção da cidade de Brasília. 
A nova cidade, inaugurada em 1960, atraiu muitas pessoas, vindas principalmente das regiões Norte e Nordeste do Brasil, para trabalhar na construção de ruas, casas, prédios e outros estabelecimentos da capital federal. 
A transferência da capital da cidade do Rio de Janeiro para a área central do país proporcionou maior integração entre as regiões brasileiras e atraiu grandes investimentos financeiros para a Região Centro-Oeste.

O crescimento populacional

Diferentemente das Regiões Nordeste e Sudeste, a Região Centro-Oeste manteve-se isolada e pouco povoada durante muito tempo.
Do período colonial até meados do século XX, a região não se transformou em forte área de atração populacional. Com exceção do curto período em que ocorreu a exploração de metais e pedras preciosas, nos séculos XVII e XVIII, não havia atrativos econômicos que justificassem expressivos fluxos migratórios para a região. 
Além disso, a falta de ferrovias e rodovias – com exceção da E. F. Noroeste do Brasil – dificultava a exploração dos recursos naturais, principalmente no atual estado de Mato Grosso e de Goiás. 
Como já sabemos, até meados do século XX o povoamento da Região Centro-Oeste era escasso. A economia era frágil e havia obstáculos que dificultavam o desenvolvimento, entre eles a escassez de energia elétrica, a falta de estradas e desconhecimento técnico quanto à melhor forma de uso dos solos do Cerrado para a agricultura. 
A expansão da fronteira econômica promoveu a integração de vastas áreas do Centro-Oeste com as regiões Sudeste e Sul. Tal fato colaborou para o expressivo aumento populacional nessa região do país, até então pouco povoada. 
A população do estado de Goiás, por exemplo, saltou de 1,2 milhão de habitantes, em 1950, para aproximadamente 3,8 milhões, em 1980. 
Segundo dados do IBGE, em 2021 a Região Centro-Oeste tinha aproximadamen te 17 milhões de habitantes, concentrados, em sua maioria, nas áreas urbanas, que receberam um grande contingente de trabalhadores expulsos do campo pela intensa concentração fundiária.

A Expedição Roncador-Xingu: os irmãos Villas Bôas

No início dos anos 1940, o governo do presidente Getúlio Vargas lan çou o projeto “Marcha para o Oeste” com o objetivo de promover o po voamento do Centro-Oeste. 
Entre outras iniciativas governamentais, foi organizada a Expedição Roncador-Xingu, em 1943, em Mato Grosso, que fez um amplo trabalho de reconhecimento e mapeamento de territórios até então desconhecidos, sob o comando dos irmãos Orlando (1914-2002), Cláudio (1916-1998) e Leonardo (1918-1961) Villas Bôas que, no início da década de 1940, integraram as expedições de desbravamento do interior do Brasil organizadas pelo Governo Federal. 
Por meio da abertura de estradas e da construção de campos de pouso de emergência, calcula-se que essa expedição deu origem a cerca de 40 municípios e 4 bases aéreas. 
Ao terem contato com os indígenas que habitavam aquela região, os irmãos se sensibilizaram com a ideia de proteger o território des ses povos para que pudessem preservar suas tradições.
Graças ao empenho dos irmãos Villas Bôas, foi criado em 1961, pelo governo federal, o Parque Nacional do Xingu – reserva indígena no alto do Rio Xingu, no estado de Mato Grosso, que abriga indígenas de diversas aldeias e tem como objetivo preservar os seus territórios e valores culturais.
Assim, eles elaboraram um projeto de delimitação de uma área de proteção para os povos indígenas que ocupavam a região do rio Xingu e lutaram pelo reconhecimento nacional de sua política em defesa desses povos. Em 1961, con seguiram apoio do Governo Federal para que fosse criado o Parque Indígena do Xingu (PIX), localizado ao norte do estado do Mato Grosso. Atualmente, o parque conta com aproxima damente 16 etnias indígenas, que se distribuem em diversas aldeias.

A integração do Centro-Oeste 

Na década de 1950, o governo brasileiro passou a priorizar a construção de estradas para promover a integração entre as diversas áreas do território, sobre tudo das regiões Centro-Oeste e Norte e das principais cidades na faixa leste do país, e incentivar seu processo de interiorização e ocupação. 
Desde então, o meio de transporte rodoviário passou a ser o mais utilizado no Brasil. A construção de importantes rodovias, como a Belém-Brasília e a Cuiabá-Santarém, ao ampliar o fluxo de migrantes originários de diferentes lugares do país para essas regiões menos povoadas, promoveu a expansão de atividades econômicas, especialmente a agricultura e a pecuária, e impulsionou a formação e o crescimento de cidades. 
A rodovia BR-153 é também conhecida como rodovia Belém-Brasília ou Transbrasiliana. Com aproximadamente 3677 km de extensão, ela passa pelos estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais, de Goiás, de Tocantins e do Pará. 
Devido à sua grande extensão, ela é considerada uma das principais rodovias responsáveis pela integração do território nacional e uma das mais importantes vias de acesso à região central do Brasil.
Assim, deu-se prosseguimento à construção das chamadas rodovias da integração nacional: Brasília-Acre, Cuiabá-Santarém, Transpantaneira (ligando Corumbá a Cuiabá), Campo Grande-Três Lagoas, Cuiabá-Vitória e outras. As rodovias abriram novas possibilidades para o desen volvimento econômico da região.

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil

Em 1914, a inauguração da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil foi um marco importante para a articulação da Região Centro-Oeste, particu- larmente do estado de Mato Grosso, com o estado de São Paulo (em 1914, não havia o estado de Mato Grosso do Sul, que foi criado em 1977, após o desmembramento de Mato Grosso). 
Partindo da cidade de Bauru, no interior de São Paulo, a E. F. Noroeste do Brasil – hoje denominada Ferrovia Novoeste –, após atravessar o oeste paulista e o Rio Paraná, entra em terras de Mato Grosso do Sul e alcança Campo Grande. De lá, segue até a fronteira da Bolívia, atingindo a cidade de Corumbá, às margens do Rio Paraguai.
A implantação da E. F. Noroeste do Brasil, com extensão de 1622 km, alterou profundamente as comunicações entre o Centro-Oeste e o Su deste. Antes de essa ferrovia ser implantada, a comunicação entre Campo Grande, Corumbá e outras localidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, era feita pelo Rio Paraguai. 
O trajeto era muito longo: do Rio Paraguai, seguia-se pelo Rio da Prata, entre Buenos Aires (capital da Argentina) e Montevidéu (capital do Uruguai), para então avançar, já no Oceano Atlântico, rumo ao Rio de Janeiro e a Santos (SP). 
A ferrovia permitiu a integração dos espaços geográficos do Centro-Oeste com outras áreas e estimulou as migrações, principalmente de paulistas, para Mato Grosso do Sul, onde fundaram fazendas e abriram novas fronteiras agropecuárias.

As eclusas e as hidrovias 

Com os modernos recursos de engenharia, é possível tornar um rio de planalto navegável por meio da construção de eclusas, como as que existem no Rio Paraná e em outros rios da sua bacia, como o Rio Tietê. 
Para garantir o aproveitamento hidroviário dos rios dessa bacia, foram construídas eclusas junto às barragens das usinas de Barra Bonita, Jupiá, Três Irmãos, entre outras. Atualmente, um trecho grande da Bacia do Paraná é navegável. 

Marechal Rondon e o Centro-Oeste 

No final do século XIX, o militar mato-grossense Cândido Mariano da Silva Rondon comandou algumas das expedições promovidas pelo governo brasileiro para o reconhecimento do território e de áreas propícias ao povoamento.
Rondon, militar de origem indígena nascido em Mato Grosso, iniciou um importante trabalho de reconhecimento dos sertões mato-grossense e amazônico. O marechal mapeou vastas áreas do Centro-Oeste e Norte, defendeu os povos indígenas e levantou dados sobre as características naturais da região. Rondon também organizou a construção da primeira linha telegráfica do Centro-Oeste, entre Cuiabá e a região do Araguaia.
Seus trabalhos de campo – nos quais mapeou rios, divisores de águas e características do relevo, entre outros aspectos do meio natural – foram muito importantes para a elaboração das primeiras cartas geográficas do estado de Mato Grosso.
Sob o comando de Rondon foi construída, em 1890, uma linha tele gráfica entre Cuiabá e a região do Rio Araguaia, habitada pelos indígenas do povo Bororo. 
Posteriormente, essa linha foi estendida até Goiás. Rondon, ao mesmo tempo que supervisionava o trabalho de construção de linhas telegráficas e levantava dados sobre a natureza, fazia o trabalho de atração, pacificação e proteção dos indígenas (consulte a foto da página seguinte). É dele o lema “morrer se preciso for, matar nunca”, referindo-se ao seu trabalho com os indígenas. O trabalho de Rondon e de sua equipe estendeu-se por toda a primeira metade do século XX. 
As expedições por ele chefiadas entraram várias vezes nos territórios das atuais Regiões Centro-Oeste e Norte e contribuí ram de forma significativa para o conhecimento do território brasileiro, facilitando a expansão da fronteira agropecuária, a explora ção comercial da região e, por conseguinte, a construção de espaços geográficos.

Implantação de áreas de colonização 

Para estimular o desenvolvimento econômico de Goiás e Mato Grosso por meio do aproveitamento e da exploração dos recursos naturais, o governo federal criou, na década de 1940, duas áreas de colonização: a Colônia de Dourados, situada cerca de 220 quilômetros ao sul de Campo Grande, e a Colônia de Goiás, no município de Ceres, aproximadamente 150 quilômetros ao norte de Goiânia. 
Diante do sucesso dessa iniciativa, foram implantadas fazendas na queles estados por um número crescente de pessoas originárias, sobre tudo, de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná. 
A partir de 1970, no estado de Mato Grosso foram implantados outros proje tos de colonização pelos governos fede ral e estadual e por empresas particulares que assentaram milhares de famílias, pro cedentes de diversas regiões do Brasil, em vários municípios (consulte o mapa). Muitos desses projetos de colonização ocuparam terras indígenas, provocando conflitos de territorialidade. 
Nesse processo, indígenas foram desterritorializados, expulsos para ou tras áreas, marginalizados, acultura dos ou, ainda, integrados às comuni dades locais como mão de obra nas fazendas de gado, na produção agrícola ou nos garimpos.

Migrações e a expansão da fronteira agropecuária 

Desde antes dos anos 1940, existiam fazendas de gado no oeste pau lista. Durante a expansão da pecuária, muitos fazendeiros ultrapassaram o Rio Paraná e entraram em Mato Grosso (à época não existia o estado de Mato Grosso do Sul, criado em 1977 pelo desmembramento do es tado de Mato Grosso), enquanto outros partiram em direção à porção sul do estado de Goiás, onde implantaram fazendas de gado no Cerrado. 
O maior fluxo migratório interno para o Centro-Oeste ocorreu a partir da década de 1960. Tal fluxo não era formado apenas por paulistas, mas, sobretudo, por gaúchos, catarinenses e paranaenses. 
Apoiados em es tudos da Embrapa – empresa pública fundada em 1972 com o objetivo de produzir tecnologia de apoio à agropecuária brasileira – e no uso da calagem do solo, os migrantes transformaram muitos espaços do Centro-Oeste em áreas de agricultura e pecuária modernas.
As migrações e a expansão da fronteira agropecuária transforma ram substancialmente a economia regional. Essa expansão, apoiada na construção de rodovias, possibilitou a fundação de cidades e dinamizou a economia. É esse o caso do município de Sorriso, localizado na região norte de Mato Grosso, à beira da Rodovia Cuiabá-Santarém. As primeiras levas de migrantes aí chegaram ao final da década de 1970. Sorriso é, individualmente, o município brasileiro líder na produção de grãos, principalmente soja e milho. 
Do mesmo modo, a criação do núcleo urbano de Sapezal está atre lada ao contexto de abertura da fronteira agrícola mato-grossense e da migração sulista. Em 2020, o município foi o terceiro maior produtor agrícola nacional, com destaque para as colheitas de algodão herbáceo, soja, milho e feijão.

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...