terça-feira, 14 de abril de 2026

Sistema locomotor

A realização dos movimentos está bastante relacionada à estrutura dos animais, que, no caso dos vertebrados, é constituída pelos sistemas esquelético e muscular. Esses dois sistemas atuam de forma integrada e caracterizam o sistema locomotor. No entanto, o movimento só é possível graças à interação desses sistemas entre si e com o sistema nervoso.

MOVIMENTAÇÃO DOS ANIMAIS


O corpo dos animais tem diversos níveis de organização. Embora a presença de células seja uma característica comum, nem todos os animais apresentam tecidos, órgãos ou sistemas. Além disso, essa organização pode ser diferente, dependendo do animal. 
Um exemplo disso é a presença da coluna vertebral, parte de um esqueleto interno rígido, formado por ossos, a qual ocorre apenas em alguns animais, os vertebrados. Animais que não apresentam coluna vertebral são popularmente chamados de invertebrados. 
Peixes, sapos, jacarés, serpentes, aves, seres humanos, gatos e elefantes são exemplos de animais vertebrados. Águas-vivas, vermes, minhocas, insetos, aranhas e caranguejos são alguns exemplos de animais invertebrados.
Nos animais vertebrados, os ossos e os músculos estão relacionados à sustentação e à movimentação do corpo.

Esqueleto de um gato (aproximadamente 45 cm de comprimento) com a coluna vertebral em destaque.

Esqueleto de uma serpente (aproximadamente 4 m de comprimento) com a coluna vertebral em destaque.

O esqueleto de alguns animais invertebrados


Nos animais conhecidos como artrópodes (insetos, aranhas e caranguejos, por exemplo), o esqueleto é externo, chamado exoesqueleto. Essa estrutura dá sustentação ao corpo desses invertebrados. Um composto chamado quitina fornece rigidez ao exoesqueleto e protege o animal, mas também limita seu crescimento. Para que o animal continue crescendo, ele deve abandonar periodicamente o exoesqueleto antigo e produzir um novo.

Cigarra abandonando seu exoesqueleto antigo.


Sistema esquelético


Os ossos são formados pelo tecido ósseo. Eles têm diversas funções no corpo dos animais vertebrados, entre elas, sustentar e apoiar a fixação dos músculos, proteger os órgãos internos e auxiliar na execução de movimentos.
O esqueleto determina a forma do animal. São constituídos por coluna vertebral e crânio. A maioria dos vertebrados possui membros anteriores e posteriores. A coluna vertebral é constituída por uma série de ossos sobrepostos chamados vértebras. 
Esses ossos estão empilhados e têm, em seu interior, um orifício onde se aloja a medula espinal. A coluna vertebral protege a medula espinal e os nervos que partem dela. Ela também atua na manutenção da postura e na locomoção, além de proporcionar flexibilidade ao corpo.
Entre as vértebras há estruturas formadas por tecido flexível, que possibilita movimentos da coluna e absorve impactos. O crânio protege o encéfalo, e a coluna vertebral protege a medula.
Os ossos são estruturas resistentes e têm diferentes formatos: eles podem ser chatos, longos ou curtos. O conjunto de ossos do corpo é chamado de esqueleto. O esqueleto de uma pessoa adulta tem 206 ossos. Além dos ossos, o esqueleto é formado por cartilagens, ligamentos e tendões. 
A região na qual dois ossos fazem contato é chamada de articulação óssea. As articulações podem ser móveis, permitindo que os ossos deslizem um sobre o outro, ou fixas, unindo firmemente os ossos, como as que existem no crânio. Nas articulações móveis, há cartilagens na extremidade dos ossos, o que garante o deslizamento das peças ósseas. 
Os ossos de uma articulação móvel mantêm-se no lugar com a ajuda dos ligamentos. Os ligamentos são feixes de um tipo de tecido bastante resistente que fixa um osso a outro.
Além de participar da movimentação do corpo, o esqueleto tem a função de proteger os órgãos internos. O crânio, por exemplo, protege o encéfalo, enquanto as costelas protegem os pulmões e o coração. Os ossos também são fontes de cálcio e local de produção de células do sangue.

Formação e estrutura dos ossos 


No ser humano, durante a formação dos ossos, ocorre, primeiramente, o desenvolvimento de um molde de cartilagem, tecido que será gradativamente substituído pelo tecido ósseo. Vasos sanguíneos se desenvolvem e levam nutrientes e gás oxigênio para o osso em formação.

 Representação da formação do fêmur.

Crânio de um recém-nascido. O contorno da parte mais larga do crânio tem cerca de 32 centímetros


Ao nascer, o ser humano apresenta 300 ossos. Parte desses ossos se funde como resultado do processo de ossificação, que continua após o nascimento. 
Um exemplo são os ossos que formam o crânio do bebê. Em alguns locais, chamados fontanelas, ainda não existem ossos. A fontanela é popularmente conhecida como moleira.

O esqueleto humano 


O esqueleto humano pode ser dividido em três partes: cabeça, tronco e membros (superiores e inferiores). A cabeça é dividida em crânio e face. O tronco é formado pela coluna vertebral e pela caixa torácica. Os ossos podem ser chatos, longos, curtos ou com formatos irregulares.
Os membros superiores ligam-se ao tronco por meio das escápulas e clavículas, e os membros inferiores, pelos ossos da bacia (ílio). 

As articulações 


Os ossos conectam-se uns aos outros, e a essa conexão damos o nome de articulações. Algumas articulações são fixas, como as dos ossos do crânio e da face (com exceção da mandíbula). Outras são pouco móveis, como as articulações entre as vértebras, e há aquelas que possibilitam vários tipos de movimento, por exemplo, as articulações dos ombros, cotovelos e joelhos. 
As extremidades dos ossos ligados por articulações que se movem são revestidas por uma camada de cartilagem, que evita o atrito dos ossos e seu desgaste. Além disso, em algumas regiões, essa membrana externa é constituí da por faixas fibrosas – os ligamentos –, que proporcionam maior estabilidade à articulação.

Sistema muscular 


O sistema muscular é mais um sistema importante na movimentação de cada parte do corpo. Os músculos relacionados à locomoção se ligam às articulações e aos ossos do esqueleto.
Os músculos, por sua vez, formam o que é popularmente chamado de “carne” do nosso corpo. Eles são constituídos basicamente por tecido muscular, caracterizado pela sua capacidade de contrair e relaxar. Os músculos podem ser grandes, como os músculos da coxa, ou bem pequenos, como alguns músculos do rosto.
O conjunto de músculos do corpo compõe o que chamamos de musculatura. Além dos músculos que são responsáveis pelos movimentos em associação com os ossos, há músculos que permitem o batimento do coração (músculo cardíaco), o deslocamento do alimento pelo tubo digestório, a circulação do sangue, a eliminação da urina, entre tantos outros movimentos que acontecem no organismo, cooperando para o seu funcionamento.

O movimento 


Muitos movimentos do corpo são realizados pela ação conjunta de ossos e músculos, e eles só acontecem porque os músculos estão conectados a neurônios que, ao liberarem neurotransmissores, promovem a ação muscular.
Os músculos têm a capacidade de se contrair. A contração ocorre devido a estímulos (por exemplo, a “vontade” ou a necessidade de levantar o objeto). 
O sistema nervoso processa e transmite a mensagem por meio dos neurônios até os músculos do braço e da mão, que se contraem de forma coordenada para fazer a ação pretendida: levantar o braço. 
Os músculos se prendem aos ossos por tendões, que são cordões fibrosos formados por um tipo de tecido bastante resistente. Quando um músculo é estimulado pelos impulsos nervosos, ele se contrai ou relaxa, movendo junto o osso ao qual está ligado.
Assim, podemos dizer que o sistema nervoso capta as sensações e “ordena” os movimentos a serem realizados pelos músculos e ossos. Alguns músculos atuam aos pares e de modo inverso.
Os músculos geralmente trabalham em duplas e com movimentos antagônicos: enquanto um músculo se contrai e produz movimento em um sentido, o outro produz movimento no sentido contrário, relaxando. Por exemplo, quando queremos dobrar o braço, nosso cérebro envia um sinal ao músculo que contrai, encurtando-se e puxando o osso ao qual está unido.

Movimentos do corpo


Nos animais vertebrados, a ação conjunta de ossos, músculos e articulações permite a realização de movimentos. A maioria desses movimentos requer a ação de músculos que se encontram fixados aos ossos pelos tendões, um tipo de tecido conjuntivo. 
Boa parte dos músculos se distribui em pares opostos nos ossos ou nas articulações, tendo ação antagônica. Isso quer dizer que, enquanto o músculo de um lado do osso ou da articulação se contrai, o do outro lado relaxa. 
Tomemos como exemplo o bíceps. Ao se contrair, ele encurta e, assim, puxa o antebraço para perto do braço. Durante esse movimento, o tríceps se mantém relaxado. 
No movimento contrário, o bíceps relaxa, o tríceps se contrai e encurta, mantendo o antebraço longe do braço. O bíceps e o tríceps são um par de músculos opostos com ação antagônica.

 A COORDENAÇÃO CONJUNTA


O sistema nervoso conta com a ajuda do sistema endócrino na coordenação do corpo. Esse sistema é formado pelas glândulas endócrinas, que produzem os hormônios. 
Os hormônios são substâncias químicas que, quando liberadas na corrente sanguínea, regulam o funcionamento das células. Embora atinjam praticamente todas as células do corpo, os hormônios atuam somente em algumas delas, nas chamadas células-alvo. 
Os hormônios regulam, por exemplo, o crescimento do corpo, o desenvolvimento dos órgãos genitais, a quantidade de glicose (açúcar) no sangue, entre muitas outras atividades. Muitas glândulas endócrinas estão sob o controle do sistema nervoso e a produção de vários hormônios é controlada por um mecanismo chamado de feedback negativo, ou retroalimentação negativa. 
Nesse mecanismo, o hormônio produzido por uma glândula controla a sua própria produção ou, ainda, uma glândula secreta um hormônio que estimula uma segunda glândula, que, por sua vez, secreta um hormônio que inibe ou paralisa a primeira.
Por exemplo, a secreção dos hormônios tireoidianos (hormônios produzidos pelas glândulas tireóideas) é feita por feedback negativo: a hipófise (glândula localizada na base do cérebro) estimula as glândulas tireóideas a produzir hormônios. 
Os hormônios tireoidianos, por sua vez, inibem o estímulo da hipófise, que para de estimular as glândulas tireóideas. Dessa forma, os níveis de hormônios e de outras substâncias são mantidos constantes e dentro de certos limites no organismo. Esse tipo de controle permite a homeostase, ou seja, a capacidade do organismo de manter suas condições internas relativamente constantes.


As drogas psicoativas e o sistema nervoso

Substâncias psicoativas são substâncias que atuam no sistema nervoso central, produzindo alterações no funcionamento do corpo, no comportamento, no humor e na aquisição de conhecimento do usuário, podendo levar à dependência. 
Se essa descrição fez você se lembrar das drogas, saiba que está correto. 
É certo que muitas pessoas já ouviram falar sobre drogas e, geralmente, quando pensamos no que são essas substâncias, somos induzidos a associá-las a alguma coisa que faz mal à saúde. Essa ideia não está de todo errada, mas talvez esteja um pouco simplificada e incompleta. 
Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), “droga é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento”. 
Existem certas drogas que são usadas no tratamento de doenças e que são consideradas medicamentos. Mas também existem drogas que prejudicam a saúde, aquelas chamadas de tóxicos.
Diversas substâncias artificiais que interferem no organismo podem ser chamadas de drogas. Os medicamentos, por exemplo, são drogas. Por isso as farmácias também são chamadas drogarias.
Aqui, no entanto, vamos abordar as drogas de abuso. Estas contêm as chamadas drogas psicoativas, que são aquelas que atuam na parte central do sistema nervoso, interferindo no funcionamento do cérebro.
A presença dessas substâncias no organismo pode causar distorções na percepção dos sentidos, nos pensamentos, nos movimentos, entre outros efeitos.
As substâncias psicoativas podem estar presentes também em medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos, em proporções controladas. Quando as drogas são consumidas em altas quantidades, essas substâncias podem causar danos ao sistema nervoso, prejudicando a saúde do indivíduo. Nesse caso, as drogas são chamadas de drogas de abuso.
As substâncias psicoativas chegam ao encéfalo pela circulação sanguínea e atuam nas sinapses, em especial no chamado sistema de recompensa do cérebro. Esse sistema, quando ativado, proporciona sensações de prazer tais como as que temos ao saborear um prato de que gostamos, ao nos sentirmos protegidos e amados, entre outras. Nesses momentos, os neurônios desse sistema liberam um neurotransmissor produzido por eles, que é a dopamina.
A dopamina atua na sinapse, estimulando os neurônios. No entanto, ela é logo recuperada pelos neurônios, de modo que deixa de atuar na sinapse. O que as substâncias psicoativas fazem é impedir o retorno da dopamina da sinapse para o interior do neurônio. Com isso, ela continua na sinapse, estimulando os neurônios e prolongando a sensação de prazer. Em busca dessa sensação de prazer é que os usuários procuram as drogas de abuso.
Muitas pessoas experimentam drogas de abuso e acreditam que o uso ocasional não leva à dependência. No entanto, o consumo de drogas pode facilmente se tornar um hábito e uma desastrosa relação de dependência.
Os usuários podem apresentar tolerância à droga, fazendo com que a quantidade consumida tenha de ser cada vez maior para que obtenham a mesma sensação das primeiras vezes. Nessa fase, geralmente, as pessoas não percebem que estão abusando da droga e se tornando dependentes.
A dependência pode ser física e/ou psíquica. No primeiro caso, o indivíduo passa a depender da droga para que as sinapses de algumas vias neurais sejam ativadas. Se ficar sem consumir a droga, surgem os sintomas da crise de abstinência: um conjunto de sinais físicos, como dores de cabeça e tremores. 
Já no caso da dependência psíquica, o consumo das drogas pode representar uma solução imediata para os momentos de tristeza ou ansiedade; no entanto, trazem sérios riscos à saúde e à própria vida e são responsáveis por novas manifestações de desconforto, sofrimento e depressão.

As drogas podem ser classificadas de diferentes maneiras. Do ponto de vista das leis, as drogas podem ser lícitas ou ilícitas. Drogas lícitas são aquelas cuja comercialização é permitida, podendo ou não estar submetida a algum tipo de restrição. 
Os principais exemplos são cigarro e bebida alcoólica, que só podem ser comercializados para maiores de 18 anos. Drogas ilícitas são aquelas cuja comercialização é proibida pela legislação, como cocaína e crack.
As substâncias que atuam sobre o sistema nervoso central são chamadas drogas psicoativas e agem sobre os neurotransmissores. Elas podem ser classificadas em depressoras, estimulantes ou perturbadoras, conforme as modificações da atividade mental ou do comportamento do usuário. 

As alterações causadas no organismo dependem do tipo de droga psicotrópica ingerida. Existem três tipos: 

- depressoras – diminuem a atividade do SNC e a pessoa fica “desligada”, “devagar”.
As drogas depressoras diminuem a atividade do sistema nervoso central, causando uma diminuição da atividade motora, prejuízo das funções sensoriais, como visão embaralhada e menor sensibilidade à dor, e redução da ansiedade. Bebidas alcoólicas são consideradas drogas depressoras: o usuário geralmente tem um estado inicial de euforia, mas, posteriormente, apresenta sonolência e dificuldade em raciocinar e tomar decisões. 
- estimulantes – aumentam a atividade do SNC, deixando o usuário “ligado”, “elétrico”, sem sono.
As drogas estimulantes aumentam a atividade do sistema nervoso central, causando insônia e agitação. Cocaína, crack e bebidas com cafeína são drogas estimulantes.
- perturbadoras ou alucinógenas – essas drogas prejudicam a interpretação das informações pelo SNC, e o usuário tem uma percepção alterada da realidade, chegando a ter alucinações.
As drogas perturbadoras provocam alterações no funcionamento do sistema nervoso central, causando delírios e alucinações. Por isso, elas também são chamadas de alucinógenos. A maconha, o ecstasy e o LSD são considerados drogas perturbadoras. 
O uso de algumas drogas – sejam medicamentos ou tóxicos – causa dependência, prejudicando a saúde dos usuários e, às vezes, interferindo até na vida em sociedade. Nesses casos, as pessoas com dependência química precisam procurar ajuda médica.

Vamos comentar um pouco a respeito de algumas dessas drogas.

Nicotina


Essa substância está presente no tabaco e no cigarro, tem efeito estimulante e causa dependência. Em cerca de sete segundos, a nicotina entra pelos pulmões, atinge a circulação sanguínea e depois o cérebro.
Há uma breve sensação de estar mais atento e bem-disposto, que passa alguns minutos depois de fumar.
A maioria dos fumantes desenvolve tolerância à nicotina, o que significa que precisam de quantidades cada vez maiores para ter as mesmas sensações. O cigarro – de qualquer tipo – também contém outras substâncias prejudiciais ao organismo, aumentando muito o risco de câncer, entre outras doenças.

Álcool


O álcool atua como substância depressora do sistema nervoso. Ao consumir bebida alcoólica, os primeiros efeitos geralmente são de relaxamento do controle do comportamento; assim, a pessoa pode se sentir mais descontraída e menos inibida. 
Passados alguns minutos e/ou aumentando-se a dose de álcool no organismo, outras funções do corpo são inibidas e surgem a falta de reflexos, a tontura e os problemas de equilíbrio.
Podem ocorrer problemas no fígado, vômitos e desmaios e, após embriaguez profunda, a pessoa pode entrar em coma alcoólico.
A concentração de álcool a partir da qual os efeitos são mais devastadores depende do organismo de cada um. O álcool, porém, causa dependência em muitas pessoas, principalmente a dependência psíquica.

Cocaína e crack


A cocaína é obtida da planta chamada coca. A obtenção da coca é feita de modo clandestino, pois é uma droga proibida por lei. A cocaína pode ser aspirada, injetada ou fumada, na forma de crack, o que torna sua ação ainda mais destruidora, podendo até levar à morte. 
Seu efeito estimulante é praticamente imediato, durando pouco tempo, o que faz o usuário consumir cada vez mais. O organismo rapidamente desenvolve tolerância e dependência à droga.

Maconha


Os efeitos da maconha são causados principalmente por uma substância cuja sigla é THC (tetraidrocanabinol), extraída da planta da maconha.
É uma droga perturbadora do sistema nervoso, proibida por lei. Os efeitos geralmente são: olhos vermelhos, boca seca, coração disparado, sensação de fome, relaxamento, sensação de calma e/ou de angústia (os efeitos variam de acordo com a pessoa).
Dependendo da quantidade usada, do organismo da pessoa e do tempo de uso, surgem outros efeitos, como dificuldade de concentração e problemas de memória, alterações na percepção do tempo e do espaço físico, entre outras. Esses efeitos podem acabar prejudicando o dia a dia do usuário.



sábado, 11 de abril de 2026

O sistema nervoso

Função geral do sistema nervoso


A movimentação de um animal em busca de uma fonte de água é uma resposta à sensação de sede, um estímulo. Na maioria dos animais, a captação, a interpretação e a resposta aos estímulos são coordenadas pelo sistema nervoso
É o sistema nervoso que se encarrega de interpretar as informações e produzir as sensações, como a visual e a auditiva, por exemplo.
A salivação é uma resposta acionada pelo sistema nervoso. Ao sentir o cheiro da comida, esse sistema prepara seu corpo para a digestão do alimento, que começa na boca, com a salivação. É a interação do sistema nervoso com o sistema digestório.
O corpo humano pode ser comparado a uma orquestra, pois é formado por um conjunto de órgãos que trabalham em sincronia, cada um responsável por determinadas funções, e o resultado é o equilíbrio dinâmico que mantém o organismo vivo. E quem é o maestro nessa “orquestra”? Se você pensou em sistema nervoso , acertou. Cada ala de uma orquestra pode ser comparada a um sistema do corpo humano e todos trabalham em harmonia. Coordenando todos está o sistema nervoso.
O sistema nervoso é formado por dois tipos principais de células: os neurônios e os gliócitos (ou neuroglias). 
• Neurônios são células capazes de receber os estímulos e enviar respostas, ou seja, são células de comunicação. 
• Gliócitos são células que protegem, sustentam e nutrem os neurônios. Estudos indicam que essas células se comunicam com os neurônios. 
Os neurônios apresentam três partes principais: dendritos, corpo celular e axônio. O axônio pode ser envolvido por células de Schwann. 
Exemplos de gliócitos são os oligodendrócitos e as células de Schwann. Esses dois tipos de célula envolvem o axônio (parte do neurônio), formando o estrato mielínico. Os oligodendrócitos estão presentes no encéfalo e na medula espinal, enquanto as células de Schwann estão presentes nos nervos, estruturas do sistema nervoso que serão estudadas a seguir.

Os neurônios 


Os neurônios são as principais células do sistema nervoso. A estrutura de um neurônio pode ser dividida em corpo celular, dendrito e axônio.
Os neurônios produzem e transmitem sinais elétricos chamados impulsos nervosos. Um impulso nervoso é um tipo de mensagem que pode ser transmitido de uma célula para outra na sinapse
Nessa região, não há contato entre as células: a mensagem é transmitida por substâncias liberadas pelas extremidades do axônio, que promovem um estímulo no neurônio seguinte, que pode ser também as células de um músculo ou de uma glândula. Essas substâncias produzirão uma resposta específica (outro impulso nervoso, um movimento ou a liberação de um hormônio, por exemplo).

O tecido nervoso, as células nervosas e os nervos


Todos os órgãos do sistema nervoso são constituídos pelo tecido nervoso formado por dois tipos de célula: os neurônios e os gliócitos (células gliais ou neuróglias). 
A comunicação entre dois neurônios é realizada em um pequeno espaço  entre um e outro, chamado sinapse. A sinapse ocorre entre o axônio de um neurônio e um dendrito de outro neurônio. Também ocorrem sinapses entre um neurônio e outro tipo de célula, por exemplo, uma célula muscular. Na sinapse, as células não entram em contato direto. 
Na região terminal do axônio existem vesículas que contêm substâncias químicas chamadas neurotransmissores Ao receber um impulso nervoso, os neurotransmissores são liberados na região da sinapse e atuam na célula seguinte. Instantes depois, os neurotransmissores que estão na fenda sináptica são degradados, o que cessa os efeitos deles. 
Os neurotransmissores são específicos para os receptores presentes na célula seguinte e, portanto, provocam uma resposta específica. Essa resposta pode ser um estímulo ou uma inibição, promovendo ou interrompendo a transmissão do impulso, respectivamente.
A atuação dos neurotransmissores tem sido alvo de muitas pesquisas. Os pesquisadores buscam entender as causas de determinadas doenças e o desenvolvimento de medicamentos e tratamentos que possam ajudar na melhora dos sintomas ou na cura de algumas patologias. Como exemplo, podemos citar os antidepressivos, que são medica mentos que agem como neurotransmissores e reduzem os efeitos da de pressão e de outras doenças relacionadas ao sistema nervoso. Para cada caso clínico de depressão, há diferentes tipos de antidepressivos, que são de uso controlado e só podem ser prescritos por médicos.
Os axônios dos neurônios são chamados fibras e conjuntos deles formam os nervos, como esquematizado na figura acima. Cada nervo possui, assim, vários conjuntos de axônios, formando feixes nervosos. Cada feixe é envolto por tecido conjuntivo, assim como ocorre com o conjunto total de feixes. Os nervos têm um revestimento externo protetor e são supridos por vasos sanguíneos.

Esquema de trecho de um nervo, com parte removida para mostrar sua organização. Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. 

O tecido nervoso tem capacidade limitada de regeneração. Lesões no tecido nervoso podem ter, portanto, consequências graves e permanentes. A recuperação das funções da região lesada depende da idade do indivíduo, do tamanho e do local da área afetada, entre outros fatores. Embora hoje se saiba que há possibilidade de diferenciação de novos neurônios em adultos, os neurônios já diferenciados não dão origem a novos neurônios.

Sistema nervoso dos animais 


Entre os animais, a estrutura do sistema nervoso tem diferentes graus de complexidade e de desenvolvimento. As anêmonas-do-mar, animais que vivem fixos em rochas ou no solo do fundo dos oceanos, por exemplo, apresentam uma rede nervosa formada por neurônios que se distribuem pelo corpo. Elas identificam um possível alimento (um peixe ou outro animal) ou um predador quando seus tentáculos são tocados.
Os artrópodes, como as formigas, apresentam um sistema nervoso um pouco mais complexo. Eles são capazes de identificar compostos químicos presentes no ambiente por meio de estruturas sensoriais em suas antenas. Por exemplo, ao encontrar algo de interesse, a formiga retorna ao formigueiro liberando substâncias pelo caminho. As companheiras percorrem a rota correta, guiadas por essas substâncias. O sistema nervoso desses animais apresenta aglomerados de neurônios, chamados gânglios, que coordenam suas atividades.
No caso do sistema nervoso dos animais vertebra dos, sua organização é ainda mais complexa, com a presença de um encéfalo e de uma medula espinal. Essa complexidade possibilita que os animais, como o gato, interpretem e analisem grande quantidade de informações do ambiente e respondam a elas.

Organização do sistema nervoso humano


O sistema nervoso humano é dividido em parte central do sistema nervoso e parte periférica do sistema nervoso. A parte central do sistema nervoso é formada pelo encéfalo e pela medula espinal. A parte periférica é formada por nervos, que se espalham por todo o corpo.

O sistema nervoso, para critério de estudo, pode ser dividido em duas partes.
• Sistema nervoso central: formado pelo encéfalo e pela medula espinal.
• Sistema nervoso periférico: formado pelos nervos (cranianos ou espinais) e por gânglios nervosos.

Sistema nervoso central (SNC)


O sistema nervoso central (SNC) é encarregado de controlar as atividades do corpo, tanto as voluntárias, que dependem da nossa vontade, quanto as involuntárias, que não dependem da nossa vontade. 
Ele é composto do encéfalo e da medula espinal, estruturas protegidas por ossos: o encéfalo é protegido pelo crânio e a medula espinal pelas vértebras. Experimente tocar o topo da sua cabeça ou o meio das suas costas. É provável que você consiga sentir essas formações ósseas que estão protegendo o sistema nervoso central. 

O encéfalo preenche totalmente a caixa craniana e é formado por cérebro, tronco encefálico e cerebelo.
Cérebro: encarregado de receber informações, analisá-las e elaborar uma resposta, organizando as ações voluntárias. Também é encarregado das memórias e emoções.  Responsável por processar informações como pensamento, controle emocional, movimentos e fala, além da percepção de sensações como dor, temperatura, forma, cor, movimento e sons.
Tronco encefálico: localizado na base do cérebro, controla funções vitais involuntárias, como respiração, digestão, frequência cardíaca e pressão arterial.
Cerebelo: localizado abaixo do cérebro, coordena os movimentos e informa sobre a postura corporal, ajudando na manutenção do equilíbrio do corpo.  Faz isso com base em informações captadas pelos órgãos sensoriais de todo o corpo.

O encéfalo e a medula espinal formam a parte central do sistema nervoso. O encéfalo é formado pelo cérebro, cerebelo, diencéfalo, ponte e bulbo. A medula espinal está ligada ao encéfalo, em continuação ao bulbo.
A medula espinal(também conhecida como medula espinhal), pode ser entendida como um tubo nervoso protegido pelos ossos da coluna vertebral. É por meio da medula espinal que todo o corpo se comunica com o encéfalo. Ela leva informações do SNP para o encéfalo e, da mesma forma, capta mensagens do encéfalo e as distribui por todo o corpo por meio do mesmo sistema.
Ela é encarregada de levar os estímulos das diversas partes do corpo até o encéfalo e de transmitir as respostas elaboradas no encéfalo aos órgãos adequados. Ou seja, ela é encarregada de intermediar a comunicação entre o encéfalo e o corpo.
A parte central do sistema nervoso está protegida por ossos do esqueleto. O encéfalo se localiza dentro do crânio e a medula espinal passa entre os orifícios das vértebras, ficando protegida pela coluna vertebral. 
Encéfalo e medula não ficam em contato direto com os ossos; essas estruturas estão envolvidas por membranas, as meninges , que protegem o sistema nervoso contra choques mecânicos ou possíveis lesões.
A disposição dos neurônios no sistema nervoso central ocorre de tal modo que os corpos celulares e dendritos ficam concentrados em de terminadas áreas e os axônios de todos os neurônios estão organizados de maneira que fiquem próximos entre si. A região onde há concentração dos corpos celulares e dendritos forma a substância cinzenta e o conjunto dos axônios forma a substância branca. 
Na medula espinal e no bulbo, a substância cinzenta aparece internamente e a substância branca é externa; no encéfalo, com exceção do bulbo, a substância branca é interna e a substância cinzenta aparece externamente.
Podemos afirmar que o funcionamento do sistema nervoso central é bastante complexo. Mas o mais importante é entender que as regiões do SNC recebem, interpretam e transmitem informações na forma de impulsos nervosos. Essas informações são trazidas e levadas pelos nervos. 
Os órgãos do SNC são os responsáveis por nos manter vivos e por coordenar nossos movimentos. Vimos que o encéfalo e a medula espinal são protegidos por estruturas do esqueleto, que é resistente. Entre cada órgão do SNC e os ossos há três membranas chamadas meninges. Entre as duas meninges mais internas existe o líquido cerebrospinal. Todo esse revestimento é uma proteção contra impactos leves.
Apesar de o SNC estar protegido por ossos, pelas meninges e pelo líquido cerebrospinal existem atividades potencialmente perigosas e que podem levar a quedas e impactos mais fortes, provocando lesões graves chamadas traumatismos. Quando a região atingida é a cabeça ou o tronco, as lesões podem resultar no rompimento das barreiras de proteção e em danos no encéfalo ou na medula espinal, respectivamente. 
O traumatismo craniano, por exemplo, é uma lesão em que um ou mais ossos do crânio se quebram, podendo acarretar um dano no encéfalo e levar o indivíduo à morte. Para prevenir o traumatismo craniano, foram desenvolvidos os capacetes, que fornecem uma proteção maior ao encéfalo na prática de atividades em que há risco de impacto na cabeça.
As lesões na medula espinal podem interromper a comunicação entre os nervos e o encéfalo. Dependendo da região atingida e do tamanho da lesão, a pessoa pode perder o movimento das pernas, condição chamada paraplegia. Se a paralisia atinge pernas e braços, chamamos tetraplegia. Atualmente, existem diversas atividades de reabilitação para pessoas que nasceram com essas condições ou que as adquiriram após uma doença ou um acidente. 
As terapias e atividades visam melhorar a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida dessas pessoas. Em casos de acidentes, existem coletes específicos com sustentação que dificultam as fraturas em vértebras, para dar proteção extra à medula espinal. No caso de uma queda em casa ou de um acidente de trânsito, não se deve mover as vítimas, pois isso pode agravar possíveis lesões na coluna vertebral e, consequentemente, na medula espinal. Sempre acione os bombeiros ou equipes de resgate, pois esses profissionais são treinados para imobilizar a vítima corretamente e minimizar os danos.
 

Sistema nervoso periférico (SNP) 


O sistema nervoso periférico é formado por nervos e gânglios distribuídos ao longo de todo o corpo. Os nervos estão direta mente interligados ao sistema nervoso central, enquanto os gânglios são conectados com os nervos. Os gânglios são pequenos grupos de neurônios que participam da transmissão de informações.
Os nervos são feixes de axônios. Os nervos sensitivos são forma dos por axônios que conduzem os estímulos para a medula espinal e o encéfalo. Os nervos motores conduzem os impulsos nervosos do encéfalo e da medula espinal para os órgãos e as estruturas do corpo. Existem também os nervos mistos, que reúnem axônios com função sensitiva e axônios com função motora.
Podemos identificar dois conjuntos de nervos no SNP: aqueles responsáveis pelas ações voluntárias e aqueles envolvidos nas ações in voluntárias ou autônomas. 
Mover os braços para segurar um objeto ao vê-lo cair é um exemplo de uma ação voluntária, ou seja, uma reação a um estímulo que é controlada pela vontade da pessoa. Entre os nervos relacionados às nossas ações voluntárias estão os nervos motores que chegam aos músculos esqueléticos, desencadeando movimentos como andar, correr, tocar um instrumento musical, mexer os braços ou a cabeça. 
Outro conjunto de nervos controla as funções involuntárias, ou seja, que são independentes da nossa vontade. Algumas dessas funções são os batimentos do coração, a pressão arte rial, a liberação de hormônios pelas glândulas, a respiração pulmonar e a digestão dos alimentos. 
Quando dormimos, por exemplo, continuamos respirando, o coração continua batendo e o estômago segue digerindo os alimentos. Todas essas atividades ocorrem de modo autônomo, sem precisarmos pensar em como essas funções ocorrem.
O SNP é constituído por vários nervos que fazem a comunicação entre o SNC e as demais partes do corpo. 
Os nervos que trazem as informações dos órgãos sensoriais (olhos, orelhas, pele, língua e nariz) são chamados de nervos sensoriais. É graças a eles que sentimos calor, frio e dor, por exemplo. Os nervos que levam informações do SNC para os órgãos são chamados de nervos motores porque produzem algum tipo de movimento.
O sistema nervoso periférico (SNP) é encarregado de levar as informações captadas pelos receptores sensoriais até o sistema nervoso central e trazer as respostas deste para os órgãos que vão desempenhar as ações adequadas. Ele é formado por nervos e gânglios nervosos. 
• Nervos são agrupamentos de fibras nervosas, as quais, por sua vez, são associações de prolongamentos dos neurônios. Há nervos que partem do encéfalo (nervos cranianos) e nervos que partem da medula espinal (nervos espinais). Os nervos se ramificam e chegam a todas as partes do organismo. 
• Gânglios nervosos são agrupamentos de corpos celulares dos neurônios.

Representação esquemática da medula espinal vista em corte, mostrando os nervos espinais com as raízes (dorsal e ventral). Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si.

A parte periférica do sistema nervoso é constituída pelos nervos e pelos gânglios. A palavra “periférica” é usada porque os nervos partem do encéfalo ou da medula espinal e chegam a todas as áreas do corpo, transmitindo impulsos da parte central do sistema nervoso para os outros órgãos, e vice-versa. Os gânglios, por sua vez, são formados pelos corpos celulares de neurônios, localizados fora da parte central.
Os nervos que conduzem mensagens do corpo para a parte central do sistema nervoso são compostos de fibras sensitivas; os que conduzem impulsos provenientes da parte central para os órgãos do corpo são compostos de fibras motoras. Existem, no entanto, nervos que apresentam os dois
tipos de fibra, conduzindo impulsos nos dois sentidos: são os nervos mistos.
Os nervos também são classificados em cranianos ou espinais. Os nervos cranianos são ligados ao encéfalo, e os espinais, à medula espinal.
Os nervos cranianos podem ser motores, sensitivos ou mistos. Um exemplo é o nervo vago, um nervo craniano misto que se origina no bulbo. Suas fibras sensitivas levam informações do coração, dos pulmões, da faringe, da laringe, da traqueia, dos brônquios e da orelha externa para o encéfalo. Suas fibras motoras levam impulsos do encéfalo para essas estruturas (com exceção da orelha externa).
Quanto aos nervos espinais, todos eles são mistos. Cada um desses nervos sai da medula espinal a partir de uma raiz dorsal, que é sensitiva, e volta a se comunicar com a medula pela raiz ventral, que é motora. As raízes dorsal e ventral unem-se após saírem da medula espinal.
Como exemplo, podemos citar o nervo femoral, que inerva os músculos da região anterior da coxa. Quando esse nervo envia impulsos aos músculos, a perna se estende.
O sistema nervoso periférico também é responsável por conduzir impulsos nervosos que são interpretados, no SNC, como sensação de dor. 
Sentir dor pode ser interpretado como uma forma de defesa do nosso corpo e, apesar de não ser agradável, nos mantém alertas se algo não estiver funcionando bem. 
Existem casos raros de pessoas que apresentam uma falha nesse processo e não sentem dor. Essa condição é perigosa, pois essas pessoas podem não perceber que estão machucadas e que precisam de atendimento médico, por exemplo.
Como é possível fazer procedimentos muito dolorosos, mas funda mentais para a saúde, como cirurgias médicas e odontológicas? Nesses casos, para evitar ou aliviar a sensação de dor, foram desenvolvidos os anestésicos, substâncias que impedem temporariamente que os impulsos nervosos sejam passados de um neurônio para outro. Existem diferentes tipos de anestesia e vamos citar dois deles. 
Em pro cedimentos mais simples, como o tratamento de uma cárie dentária, pode ser utilizada uma anestesia local, que atua apenas no tecido nervoso da área onde foi aplicada. 
Para grandes cirurgias é utilizada a anestesia geral, que adormece o paciente e bloqueia toda a dor durante o procedimento.

Os atos reflexos


Além de transmitir as informações entre o encéfalo e os nervos ligados a ela, a medula espinal realiza respostas simples e rápidas diante de determinados estímulos. 
Por exemplo, se encostamos o dedo indicador em um espinho de forma inesperada, nossa reação é afastar o dedo imediatamente, em um movimento rápido e in consciente. Esse movimento parece imediato porque ele é controlado pela medula espinal, não pelo encéfalo. 
Os impulsos nervosos que surgiram com o estímulo do espinho na pele são transmitidos por um nervo à medula espinal e ela envia a resposta para os músculos, que se movem, retirando o dedo de perto do espinho.
Você já passou por uma situação em que teve que reagir tão rápido que você nem se deu conta de que agiu? Situações como encostar em uma panela muito quente, tocar em um espinho ou levar um choque geram reações imediatas de afastar a mão (ou qualquer outra parte do corpo) daquilo que é interpretado como dano. São os chamados atos reflexos.
Essa reação rápida se chama ato reflexo. Isso também acontece quando tocamos em algo muito quente, por exemplo. O encéfalo recebe os impulsos nervosos gerados por esse estímulo algumas frações de segundo depois e, por isso, temos consciência do ato reflexo logo depois que ele acontece. 
Os cientistas interpretam o ato reflexo como uma característica importante para a sobrevivência de diversos animais, inclusive dos seres humanos. Por esse processo, é possível ter respostas muito rápidas diante de situações que trazem perigo à vida, evitando lesões mais graves.
Os atos reflexos são ações involuntárias e das quais geralmente só tomamos consciência depois que elas já aconteceram. Eles funcionam como um mecanismo que protege o corpo de acidentes, pois permite que os músculos reajam mais rapidamente do que reagiriam se os estímulos partissem do encéfalo, chegando depois à medula espinal e aos nervos.

Organização funcional do sistema nervoso


Sabemos que o sistema nervoso pode ser organizado, de acordo com sua anatomia, em parte central e parte periférica. No entanto, também pode ser organizado de acordo com suas funções, sendo dividido em parte somática e parte autônoma.

O SNP pode ainda ser dividido em SNP somático, o qual é responsável por ações voluntárias do corpo, e SNP autônomo, o qual se encarrega das ações automáticas e involuntárias do organismo, necessárias para a sobrevivência e a manutenção da homeostase. 
A parte somática do sistema nervoso relaciona-se com a coordenação de ações voluntárias, e a parte autônoma, com ações involuntárias.
O termo “autônomo” se refere à autonomia, que significa “capacidade de comandar a si mesmo”. Apesar disso, não se deve pressupor que os nervos da parte autônoma do sistema nervoso são independentes do encéfalo e da medula espinal: eles apenas transmitem os impulsos gerados por essas estruturas até o alvo.
O SNP autônomo, por sua vez, pode ser subdividido em SNP autônomo simpático e SNP autônomo parassimpático. Esses dois subsistemas têm ações antagônicas, mas complementares. 
As fibras motoras dos nervos da parte autônoma do sistema nervoso, por sua vez, são organizadas em duas divisões: divisão simpática e divisão parassimpática.
Geralmente, o SNP autônomo simpático prepara o organismo para situações de ação e emergência, enquanto o SNP autônomo parassimpático o prepara para situações de relaxamento ou repouso. 
Diante de uma situação de perigo, por exemplo, os nervos do SNP autônomo simpático estimulam o coração e outras regiões do organismo, preparando o corpo para a ação. Passado o perigo, o SNP autônomo parassimpático faz o corpo voltar ao normal. Todos os órgãos recebem nervos tanto do SNP autônomo simpático como do SNP autônomo parassimpático.

Divisão simpática e parassimpática dos nervos autônomos


As fibras que compõem a divisão simpática partem das regiões torácica e lombar da coluna vertebral; as que compõem a parassimpática partem da base do crânio e da região sacral da coluna vertebral.
As fibras simpáticas e parassimpáticas atuam nos mesmos locais, porém exercem efeito oposto. Dizemos, por isso, que suas ações são antagônicas.

Funcionamento da parte autônoma do sistema nervoso


A divisão simpática e a divisão parassimpática, apesar de serem antagônicas, promovem em conjunto o equilíbrio das funções vegetativas do corpo, ou seja, daquelas ações involuntárias que mantêm o organismo funcionando.

Interação entre SNC e SNP 


De modo geral, podemos dizer que o SNC recebe, analisa e integra dados e informações, e o SNP leva informações dos órgãos sensoriais (orelha, língua, pele e olhos, por exemplo) ao SNC, bem como este envia comandos aos músculos e às glândulas, que dão uma resposta aos estímulos recebidos. 
Perceba, que a ação de pegar o alimento e levá-lo à boca depende de sua vontade. Mas você é capaz de parar ou impedir a salivação nessa situação? A resposta é não. Não temos controle sobre esse tipo de resposta dada pelo corpo. 
Existem muitas outras ações que acontecem dessa forma, ou seja, que não dependem de nossa vontade e são importantes, pois delas depende o bom funcionamento do corpo. As batidas do coração e o funcionamento dos sistemas digestório e circulatório são exemplos de respostas involuntárias.

FUNCIONAMENTO DO SISTEMA NERVOSO 


Os órgãos do sistema nervoso são formados por tecido nervoso. Os neurônios são as principais células do tecido nervoso. É por meio delas que as mensagens são recebidas e transmitidas por todo o corpo. 
Os neurônios enviam mensagens uns aos outros por meio de substâncias liberadas pela porção terminal do axônio. A mensagem é passada do axônio de um neurônio para os dendritos de outro neurônio próximo.
Para entender como o sistema nervoso funciona, é preciso saber como ocorre a comunicação entre os neurônios. Quando um neurônio é estimulado, acontecem mudanças de cargas elétricas em sua membrana plasmática, que se propagam rapidamente pelos dendritos, pelo corpo celular e pelo axônio (sempre nesse sentido), formando o que chamamos de impulso nervoso. 
Quando o impulso nervoso chega à extremidade do axônio, substâncias químicas são liberadas e atingem o neurônio seguinte. 
Essas substâncias, chamadas neurotransmissores, provocam mudanças elétricas na membrana plasmática do outro neurônio, fazendo com que o impulso nervoso continue na célula seguinte, e assim por diante.
Dessa forma, o impulso nervoso passa de um neurônio a outro rapidamente (em questão de milésimos de segundos). O ponto final de um impulso nervoso pode ser um neurônio, um músculo ou uma glândula. 
Os neurônios não estão conectados fisicamente uns com os outros. A conexão se dá pelos neurotransmissores, e a região de conexão entre dois neurônios é chamada de sinapse. Estudos científicos indicam que muitas doenças que afetam o sistema nervoso, como a depressão e a ansiedade, são decorrentes da alteração na quantidade de alguns neurotransmissores. 
O consumo de drogas, como bebida alcoólica, cocaína, tabaco e maconha, também pode afetar o funcionamento do sistema nervoso, pois altera a passagem do impulso nervoso. 
O cérebro é responsável por elaborar as respostas voluntárias. Algumas respostas, no entanto, são elaboradas pela medula espinal. Essas ações são involuntárias, ou seja, feitas independentemente da nossa vontade. 
Por exemplo, tocar um instrumento musical é uma ação voluntária, pois podemos decidir tocá-lo ou não, já a retirada da mão de uma panela quente é involuntária: antes mesmo da sensação de que a panela está quente, a mão já está longe do perigo.
No arco reflexo, geralmente estão envolvidos um neurônio sensitivo, um neurônio associativo e um neurônio motor. Os neurônios sensitivos são aqueles que captam o estímulo e levam-no até o centro nervoso. Os neurônios motores são aqueles que levam a informação até o órgão que efetuará a ação. Já os neurônios associativos interligam os neurônios sensitivos aos motores.

O SISTEMA NERVOSO E AS DROGAS


Substâncias psicoativas são substâncias que atuam no sistema nervoso central, produzindo alterações no funcionamento do corpo, no comportamento, no humor e na aquisição de conhecimento do usuário, podendo levar à dependência. 
Se essa descrição fez você se lembrar das drogas, saiba que está correto. 
É certo que muitas pessoas já ouviram falar sobre drogas e, geralmente, quando pensamos no que são essas substâncias, somos induzidos a associá-las a alguma coisa que faz mal à saúde. Essa ideia não está de todo errada, mas talvez esteja um pouco simplificada e incompleta. 
Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), “droga é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento”. 
Existem certas drogas que são usadas no tratamento de doenças e que são consideradas medicamentos. Mas também existem drogas que prejudicam a saúde, aquelas chamadas de tóxicos.
As drogas podem ser classificadas de diferentes maneiras. Do ponto de vista das leis, as drogas podem ser lícitas ou ilícitas. Drogas lícitas são aquelas cuja comercialização é permitida, podendo ou não estar submetida a algum tipo de restrição. 
Os principais exemplos são cigarro e bebida alcoólica, que só podem ser comercializados para maiores de 18 anos. Drogas ilícitas são aquelas cuja comercialização é proibida pela legislação, como cocaína e crack.
As substâncias que atuam sobre o sistema nervoso central são chamadas drogas psicoativas e agem sobre os neurotransmissores. Elas podem ser classificadas em depressoras, estimulantes ou perturbadoras, conforme as modificações da atividade mental ou do comportamento do usuário. 
As alterações causadas no organismo dependem do tipo de droga psicotrópica ingerida. Existem três tipos: 

- depressoras – diminuem a atividade do SNC e a pessoa fica “desligada”, “devagar”.
As drogas depressoras diminuem a atividade do sistema nervoso central, causando uma diminuição da atividade motora, prejuízo das funções sensoriais, como visão embaralhada e menor sensibilidade à dor, e redução da ansiedade. Bebidas alcoólicas são consideradas drogas depressoras: o usuário geralmente tem um estado inicial de euforia, mas, posteriormente, apresenta sonolência e dificuldade em raciocinar e tomar decisões. 
- estimulantes – aumentam a atividade do SNC, deixando o usuário “ligado”, “elétrico”, sem sono.
As drogas estimulantes aumentam a atividade do sistema nervoso central, causando insônia e agitação. Cocaína, crack e bebidas com cafeína são drogas estimulantes.
- perturbadoras ou alucinógenas – essas drogas prejudicam a interpretação das informações pelo SNC, e o usuário tem uma percepção alterada da realidade, chegando a ter alucinações.
As drogas perturbadoras provocam alterações no funcionamento do sistema nervoso central, causando delírios e alucinações. Por isso, elas também são chamadas de alucinógenos. A maconha, o ecstasy e o LSD são considerados drogas perturbadoras. 
O uso de algumas drogas – sejam medicamentos ou tóxicos – causa dependência, prejudicando a saúde dos usuários e, às vezes, interferindo até na vida em sociedade. Nesses casos, as pessoas com dependência química precisam procurar ajuda médica.

Alguns problemas relacionados com a saúde do sistema nervoso


Acidente vascular cerebral (AVC) – Ocorre quando uma artéria cerebral é obstruída ou rompida, de modo que os neurônios que dependem dela acabam morrendo. As consequências vão depender da área afetada pelo AVC, que pode levar à perda de visão, da fala, dos movimentos de parte
do corpo ou até à morte. Alguns fatores que podem ocasionar o AVC são hipertensão arterial, alta taxa de colesterol no sangue, obesidade, hábito de fumar e diabetes melito.

Cefaleias ou dores de cabeça – Causadas por vários fatores, como tensão emocional, problemas de visão, alterações hormonais, hipertensão arterial, jejum. No caso das mulheres, a tensão pré-menstrual pode ser desencadeante. Quando a dor é latejante, frequente e afeta geralmente  apenas metade da cabeça, fala-se em enxaqueca. As crises de enxaqueca costumam vir acompanhadas de aversão à luz, náusea e vômitos.

Doenças degenerativas do sistema nervoso


São várias as doenças chamadas neurodegenerativas, em que há degeneração e morte de neurônios, afetando as diferentes funções coordenadas pelo sistema nervoso. As causas também são variadas, podendo ser decorrentes de fatores genéticos. Vamos comentar apenas duas delas: a esclerose múltipla e a doença de Alzheimer.
Esclerose múltipla – Doença que interfere na capacidade do cérebro e da medula de controlar funções motoras, como andar, e sensoriais, como visão e fala. Geralmente se manifesta por volta dos 25 a 30 anos de idade, sendo mais comum nas mulheres.
Doença de Alzheimer – Nome dado em homenagem ao neurologista alemão Alois Alzheimer (1864-1915), que descreveu a doença. Ela se caracteriza por degeneração progressiva do córtex cerebral, levando à perda progressiva da memória, da linguagem, dos movimentos e da capacidade de se responsabilizar por seu próprios atos. Manifesta-se em geral a partir dos 60 anos de idade.

Neurotransmissores


É difícil imaginar que as funções do nosso corpo, assim como reações, emoções, manifestações de humor e pensamentos, são coordenados por neurotransmissores, substâncias que transmitem o impulso nervoso de um neurônio a outro. Existem muitos tipos de neurotransmissores e cada um deles está envolvido em ações diferentes do sistema nervoso. Observe alguns exemplos no a seguir.

Acetilcolina

Neurotransmissor envolvido no comando das contrações musculares pelo sistema nervoso, na memorização de informações e no aprendizado.

Dopamina 

Causa a dilatação dos vasos sanguíneos. Sua liberação também está relacionada com o humor, o sono, as sensações de prazer e a aprendizagem.

Endorfinas

São um grupo de neurotransmissores que inibem a sensação de dor e intensificam a sensação de bem estar e felicidade. As atividades físicas desencadeiam a liberação desses neurotransmissores.

Serotonina

Importante no controle dos ciclos de sono e vigília (período em que estamos acordados), no apetite e na sensação de bem-estar.

Glutamato

É um neurotransmissor cuja liberação está envolvida nos processos de memória e aprendizagem.

Os neurotransmissores estão envolvidos nas diferentes ações do sistema nervoso. A liberação de um tipo de neurotransmissor depende do tipo de estímulo, do órgão do sistema nervoso, entre outros fatores. Por exemplo, a luminosidade é o principal estímulo relacionado à liberação de serotonina e outras substâncias envolvidas no sono e no despertar. 
Até os sentimentos que temos pelas outras pessoas são comandados pelos impulsos nervosos e neurotransmissores. Alterações nos níveis de neurotransmissores liberados podem desencadear problemas de saúde, como crises de ansiedade e pânico, depressão, entre outros. 
Esses problemas geralmente são causados por um conjunto de fatores, entre eles hábitos de vida, acontecimentos cotidianos e problemas genéticos. O importante é que seja realizada uma avaliação médica para chegar ao diagnóstico correto e sejam indicados tratamentos específicos para cada pessoa.

A ORGANIZAÇÃO DO CORPO HUMANO

Os seres humanos são exemplos de organismos pluricelulares, e, assim como os outros animais e os vegetais, suas estruturas são organizadas em vários níveis, chamados níveis de organização. Nos seres humanos, por exemplo, podemos reconhecer os seguintes níveis de organização: células, tecidos, órgãos, sistemas e organismo.
A origem da palavra organismo tem relação com o termo grego organon, que significa “aquilo que funciona por si só”. Seres unicelulares são considerados organismos porque, mesmo formados por uma única célula, “funcionam” sozinhos, isto é, são capazes de suprir as próprias necessidades e de se reproduzir sem depender de outras células.
Já na maioria dos seres pluricelulares, as células que formam um indivíduo cumprem funções específicas, e cada célula depende de outras para suprir suas necessidades. As que atuam de maneira integrada se unem em tecidos, e dois ou mais tecidos que trabalham em conjunto formam um órgão. Quando dois ou mais órgãos trabalham juntos para cumprir determinadas funções, dizemos que constituem um sistema. A junção dos diversos sistemas forma o organismo.
As células constituem o primeiro nível de organização dos seres vivos. Um conjunto de células de mesma origem, que realizam processos específicos, forma os tecidos
Os órgãos, por sua vez, são estruturas compostas de dois ou mais tecidos, que têm forma característica e realizam funções específicas no corpo. Artérias e veias, órgãos do sistema cardiovascular de alguns animais, por exemplo, são constituídos de pelo menos dois tipos de tecido: o tecido epitelial e o tecido muscular. Os órgãos realizam funções que os tecidos não poderiam realizar independentemente. 
Os sistemas são formados por diversos órgãos que se relacionam entre si realizando processos em comum. 
Por exemplo, pâncreas, estômago e intestinos são órgãos que atuam em conjunto na digestão dos alimentos; com outros órgãos, eles constituem o sistema digestório. Rins e bexiga urinária são órgãos que atuam na eliminação de resíduos do corpo e fazem parte do sistema urinário.
Nem todos os seres vivos apresentam tecidos, órgãos e sistemas, pois eles são encontrados apenas nas plantas e nos animais. Os outros grupos de seres vivos são caracterizados por uma estrutura corporal mais simples. O padrão de organização corporal é um dos principais critérios utilizados nos atuais sistemas de classificação dos seres vivos.

Os tecidos do corpo humano 


Os organismos multicelulares têm muitas células, que são diferentes entre si, tanto no formato quanto na função. Nesses organismos, células semelhantes estão organizadas em grupos que desempenham funções determinadas. Esse agrupamento de células é denominado tecido.
O corpo do ser humano é formado principalmente por quatro tipos de tecido: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. Entre as células desses tecidos existe a matriz extracelular, produzida pelas próprias células, que tem função estrutural e atua no desenvolvimento e no funcionamento do tecido.
O corpo humano é constituído por diferentes tipos de tecido, dos quais os principais são: epitelial, muscular, ósseo, cartilaginoso, adiposo, sanguíneo e nervoso.

Tecido epitelial 


As células do tecido epitelial estão bastante próximas umas das outras e entre elas há pouca matriz extracelular. O tecido epitelial pode ser sub dividido: o de revestimento envolve externamente o corpo, formando a pele e as cavidades internas, como o interior do estômago e do intestino; o glandular compõe as glândulas, como as que produzem e liberam suor (glândulas sudoríferas).
Epiderme vista ao microscópio óptico (camadas em vermelho). Imagem ampliada 450 vezes (quando aplicada com 3,5 cm de largura); colorida artificialmente.

Glândula sudorífera vista ao microscópio óptico. Imagem ampliada 80 vezes (quando aplicada com 3,5 cm de largura); colorida artificialmente.


Tecido conjuntivo 


As células do tecido conjuntivo estão separa das umas das outras por uma grande quantidade de matriz extracelular. Ele pode ser encontrado entre outros tecidos, aos quais proporciona troca de nutrientes, proteção e armazenamento de substâncias, além oferecer sustentação a eles. 
Alguns tipos de tecido conjuntivo têm funções específicas, como o tecido ósseo, que forma os ossos e apresenta uma matriz extracelular rígida, atuando na sustentação do corpo.
O sangue é outro tipo de tecido conjuntivo especializado, com matriz fluida e diversos tipos celulares com funções diversas, como realizar o transporte de substâncias pelo corpo e participar da defesa do organismo. O tecido adiposo também é um tipo de tecido conjuntivo. Ele é composto de células especializadas no armazenamento de gordura (os adipócitos).
Hemácias, células do sangue, vistas ao microscópio eletrônico. Imagem ampliada 2 000 vezes (quando aplicada com 3,5 cm de largura); colorida artificialmente.
Tecido ósseo visto ao microscópio eletrônico. Imagem ampliada 7 vezes (quando aplicada com 3,5 cm de largura); colorida artificialmente.

Tecido ósseo: é um tecido rígido que forma os ossos. Tem função de proteger e sustentar o corpo, participando dos movimentos. 

Tecido adiposo visto ao microscópio eletrônico. Imagem ampliada 120 vezes (quando aplicada com 3,5 cm de largura); colorida artificialmente.


Tecido nervoso 


Esse tecido é responsável pela recepção, a trans missão e a interpretação de estímulos nervosos e pela coordenação das diversas funções do corpo. Entre as células que formam o tecido nervoso estão os neurônios.
Neurônios vistos ao microscópio eletrônico. Imagem ampliada 310 vezes (quando aplicada com 3,5 cm de largura); colorida artificialmente.


Tecido muscular 


Esse tecido atua na movimentação do corpo. Apresenta células alongadas, especializadas em fazer contração. O tecido muscular cardíaco é encontrado no coração e apresenta células que têm contração involuntária, responsáveis pelos batimentos cardíacos, que fazem o sangue circular pelo corpo. 
O tecido muscular não estriado (ou liso) está presente, por exemplo, nos vasos sanguíneos e em órgãos internos, como intestino e estômago. As células desse tecido têm contração involuntária, como alguns músculos que auxiliam a movimentação das pálpebras na ação de piscar. 
O tecido muscular estriado esquelético forma os músculos do corpo, cujo movimento é voluntário, ou seja, pode ser controlado, como os músculos das pernas e dos braços.
Tecido muscular não estriado visto ao microscópio óptico. Imagem ampliada 100 vezes (quando aplicada com 3,5 cm de largura); colorida artificialmente.
Tecido muscular estriado esquelético visto ao microscópio óptico. Imagem ampliada 400 vezes (quando aplicada com 3,5 cm de largura); colorida artificialmente.
Tecido muscular cardíaco visto ao microscópio óptico. Imagem ampliada 390 vezes (quando aplicada com 3,5 cm de largura); colorida artificialmente.

Tecido cartilaginoso: chamado de cartilagem, está presente no nariz, na orelha, nas extremidades das costelas e entre as articulações (ponto de encontro de dois ossos). 

Os sistemas e os órgãos do corpo humano 

Dois ou mais tecidos agrupados nos corpos dos organismos formam os órgãos. Cada órgão tem uma função específica. O coração, por exemplo, bombeia o sangue para todo o corpo; a bexiga armazena a urina antes de ser eliminada; os ossos dão sustentação ao corpo e contribuem para a locomoção.
Nenhum órgão funciona sozinho. Eles trabalham em associação para realizar funções específicas, por exemplo, digerir o alimento e levar oxigênio para diferentes partes do corpo. O agrupamento de órgãos que são responsáveis por uma função recebe o nome de sistema. Cada osso, por exemplo, é um órgão; os diferentes ossos do corpo humano trabalham juntos formando o sistema esquelético.
A partir de agora vamos conhecer os sistemas do corpo humano e alguns dos principais órgãos que os compõem. 

Sistema digestório: responsável pela digestão e pela absorção dos nutrientes dos alimentos e pela eliminação das fezes. Fazem parte desse sistema: boca, dentes e língua, que se encontram na cavidade oral, glândulas salivares, faringe, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, vesícula biliar, intestinos, reto e ânus. 


Sistema respiratório: responsável pela captação de gás oxigênio da atmosfera e pela eliminação de gás carbônico. Fazem parte desse sistema: nariz, narinas, cavidades nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos, pulmões e diafragma.


Sistema cardiovascular: formado por coração, sangue e vasos sanguíneos, que estão espalha dos por todo o corpo. Esse sistema é responsável por distribuir o gás oxigênio capturado pelo sistema respiratório e os nutrientes que foram disponibilizados pelo sistema digestório para todas as células do corpo. Além disso, recolhe o gás carbônico produzido pelas células e o trans porta para os pulmões, para que seja eliminado pelo sistema respiratório. Também recolhe pro dutos excretados no metabolismo das células, que são eliminados pelo sistema urinário.


Sistema urinário: responsável por retirar do corpo as excretas, substâncias eliminadas pelas células. Também auxilia na regulação do volume de sangue no corpo. Esse sistema é formado por rins, ureteres, bexiga e uretra. 


Sistema nervoso: coordena e integra os sistemas do corpo humano, recebendo e interpretando informações do ambiente e do interior do corpo e elaborando respostas a esses estímulos. O encéfalo, a medula espinal e os nervos fazem parte desse sistema. 


Sistema esquelético: responsável pela sustentação do corpo humano, além de participar da locomoção, entre outras funções. É formado pelos ossos e pelas articulações (regiões de encontro entre ossos).


Sistema muscular: responsável pelos movimentos do corpo humano, atuando em conjunto com o sistema esquelético na locomoção. É formado por todos os tipos de músculo. 


Sistema endócrino: formado pelas glândulas endócrinas, que produzem os hormônios, substâncias que estão relacionadas à coordenação do funcionamento do corpo humano. Entre as glândulas endócrinas estão a hipófise, a tireoide, o timo, o pâncreas, as suprarrenais, os testículos, no homem, e os ovários, na mulher. 


Sistema genital: responsável pela reprodução. Entre os órgãos e as estruturas presentes no sistema genital feminino, estão os ovários, o útero e a vagina. Já entre os do sistema genital masculino, estão os testículos, a próstata e o pênis.

Sistemas genitais feminino e masculino


Neurotransmissores

As células nervosas  O sistema nervoso humano é formado por células especializadas, os neurônios e os gliócitos. Os gliócitos, também denom...