terça-feira, 14 de abril de 2026

As drogas psicoativas e o sistema nervoso

Substâncias psicoativas são substâncias que atuam no sistema nervoso central, produzindo alterações no funcionamento do corpo, no comportamento, no humor e na aquisição de conhecimento do usuário, podendo levar à dependência. 
Se essa descrição fez você se lembrar das drogas, saiba que está correto. 
É certo que muitas pessoas já ouviram falar sobre drogas e, geralmente, quando pensamos no que são essas substâncias, somos induzidos a associá-las a alguma coisa que faz mal à saúde. Essa ideia não está de todo errada, mas talvez esteja um pouco simplificada e incompleta. 
Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), “droga é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento”. 
Existem certas drogas que são usadas no tratamento de doenças e que são consideradas medicamentos. Mas também existem drogas que prejudicam a saúde, aquelas chamadas de tóxicos.
Diversas substâncias artificiais que interferem no organismo podem ser chamadas de drogas. Os medicamentos, por exemplo, são drogas. Por isso as farmácias também são chamadas drogarias.
Aqui, no entanto, vamos abordar as drogas de abuso. Estas contêm as chamadas drogas psicoativas, que são aquelas que atuam na parte central do sistema nervoso, interferindo no funcionamento do cérebro.
A presença dessas substâncias no organismo pode causar distorções na percepção dos sentidos, nos pensamentos, nos movimentos, entre outros efeitos.
As substâncias psicoativas podem estar presentes também em medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos, em proporções controladas. Quando as drogas são consumidas em altas quantidades, essas substâncias podem causar danos ao sistema nervoso, prejudicando a saúde do indivíduo. Nesse caso, as drogas são chamadas de drogas de abuso.
As substâncias psicoativas chegam ao encéfalo pela circulação sanguínea e atuam nas sinapses, em especial no chamado sistema de recompensa do cérebro. Esse sistema, quando ativado, proporciona sensações de prazer tais como as que temos ao saborear um prato de que gostamos, ao nos sentirmos protegidos e amados, entre outras. Nesses momentos, os neurônios desse sistema liberam um neurotransmissor produzido por eles, que é a dopamina.
A dopamina atua na sinapse, estimulando os neurônios. No entanto, ela é logo recuperada pelos neurônios, de modo que deixa de atuar na sinapse. O que as substâncias psicoativas fazem é impedir o retorno da dopamina da sinapse para o interior do neurônio. Com isso, ela continua na sinapse, estimulando os neurônios e prolongando a sensação de prazer. Em busca dessa sensação de prazer é que os usuários procuram as drogas de abuso.
Muitas pessoas experimentam drogas de abuso e acreditam que o uso ocasional não leva à dependência. No entanto, o consumo de drogas pode facilmente se tornar um hábito e uma desastrosa relação de dependência.
Os usuários podem apresentar tolerância à droga, fazendo com que a quantidade consumida tenha de ser cada vez maior para que obtenham a mesma sensação das primeiras vezes. Nessa fase, geralmente, as pessoas não percebem que estão abusando da droga e se tornando dependentes.
A dependência pode ser física e/ou psíquica. No primeiro caso, o indivíduo passa a depender da droga para que as sinapses de algumas vias neurais sejam ativadas. Se ficar sem consumir a droga, surgem os sintomas da crise de abstinência: um conjunto de sinais físicos, como dores de cabeça e tremores. 
Já no caso da dependência psíquica, o consumo das drogas pode representar uma solução imediata para os momentos de tristeza ou ansiedade; no entanto, trazem sérios riscos à saúde e à própria vida e são responsáveis por novas manifestações de desconforto, sofrimento e depressão.

As drogas podem ser classificadas de diferentes maneiras. Do ponto de vista das leis, as drogas podem ser lícitas ou ilícitas. Drogas lícitas são aquelas cuja comercialização é permitida, podendo ou não estar submetida a algum tipo de restrição. 
Os principais exemplos são cigarro e bebida alcoólica, que só podem ser comercializados para maiores de 18 anos. Drogas ilícitas são aquelas cuja comercialização é proibida pela legislação, como cocaína e crack.
As substâncias que atuam sobre o sistema nervoso central são chamadas drogas psicoativas e agem sobre os neurotransmissores. Elas podem ser classificadas em depressoras, estimulantes ou perturbadoras, conforme as modificações da atividade mental ou do comportamento do usuário. 

As alterações causadas no organismo dependem do tipo de droga psicotrópica ingerida. Existem três tipos: 

- depressoras – diminuem a atividade do SNC e a pessoa fica “desligada”, “devagar”.
As drogas depressoras diminuem a atividade do sistema nervoso central, causando uma diminuição da atividade motora, prejuízo das funções sensoriais, como visão embaralhada e menor sensibilidade à dor, e redução da ansiedade. Bebidas alcoólicas são consideradas drogas depressoras: o usuário geralmente tem um estado inicial de euforia, mas, posteriormente, apresenta sonolência e dificuldade em raciocinar e tomar decisões. 
- estimulantes – aumentam a atividade do SNC, deixando o usuário “ligado”, “elétrico”, sem sono.
As drogas estimulantes aumentam a atividade do sistema nervoso central, causando insônia e agitação. Cocaína, crack e bebidas com cafeína são drogas estimulantes.
- perturbadoras ou alucinógenas – essas drogas prejudicam a interpretação das informações pelo SNC, e o usuário tem uma percepção alterada da realidade, chegando a ter alucinações.
As drogas perturbadoras provocam alterações no funcionamento do sistema nervoso central, causando delírios e alucinações. Por isso, elas também são chamadas de alucinógenos. A maconha, o ecstasy e o LSD são considerados drogas perturbadoras. 
O uso de algumas drogas – sejam medicamentos ou tóxicos – causa dependência, prejudicando a saúde dos usuários e, às vezes, interferindo até na vida em sociedade. Nesses casos, as pessoas com dependência química precisam procurar ajuda médica.

Vamos comentar um pouco a respeito de algumas dessas drogas.

Nicotina


Essa substância está presente no tabaco e no cigarro, tem efeito estimulante e causa dependência. Em cerca de sete segundos, a nicotina entra pelos pulmões, atinge a circulação sanguínea e depois o cérebro.
Há uma breve sensação de estar mais atento e bem-disposto, que passa alguns minutos depois de fumar.
A maioria dos fumantes desenvolve tolerância à nicotina, o que significa que precisam de quantidades cada vez maiores para ter as mesmas sensações. O cigarro – de qualquer tipo – também contém outras substâncias prejudiciais ao organismo, aumentando muito o risco de câncer, entre outras doenças.

Álcool


O álcool atua como substância depressora do sistema nervoso. Ao consumir bebida alcoólica, os primeiros efeitos geralmente são de relaxamento do controle do comportamento; assim, a pessoa pode se sentir mais descontraída e menos inibida. 
Passados alguns minutos e/ou aumentando-se a dose de álcool no organismo, outras funções do corpo são inibidas e surgem a falta de reflexos, a tontura e os problemas de equilíbrio.
Podem ocorrer problemas no fígado, vômitos e desmaios e, após embriaguez profunda, a pessoa pode entrar em coma alcoólico.
A concentração de álcool a partir da qual os efeitos são mais devastadores depende do organismo de cada um. O álcool, porém, causa dependência em muitas pessoas, principalmente a dependência psíquica.

Cocaína e crack


A cocaína é obtida da planta chamada coca. A obtenção da coca é feita de modo clandestino, pois é uma droga proibida por lei. A cocaína pode ser aspirada, injetada ou fumada, na forma de crack, o que torna sua ação ainda mais destruidora, podendo até levar à morte. 
Seu efeito estimulante é praticamente imediato, durando pouco tempo, o que faz o usuário consumir cada vez mais. O organismo rapidamente desenvolve tolerância e dependência à droga.

Maconha


Os efeitos da maconha são causados principalmente por uma substância cuja sigla é THC (tetraidrocanabinol), extraída da planta da maconha.
É uma droga perturbadora do sistema nervoso, proibida por lei. Os efeitos geralmente são: olhos vermelhos, boca seca, coração disparado, sensação de fome, relaxamento, sensação de calma e/ou de angústia (os efeitos variam de acordo com a pessoa).
Dependendo da quantidade usada, do organismo da pessoa e do tempo de uso, surgem outros efeitos, como dificuldade de concentração e problemas de memória, alterações na percepção do tempo e do espaço físico, entre outras. Esses efeitos podem acabar prejudicando o dia a dia do usuário.



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