quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

A hidrografia brasileira

O Brasil é o país com a maior disponibilidade de água doce do mundo – cerca de 12% do total está em nosso território. O país também abriga parte do rio Amazonas, o maior do mundo em volume e extensão, assim como outros importantes rios, como o Paraná (que atravessa os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul), São Francisco (que nasce em Minas Gerais e atravessa os estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe) e o Tocantins (que atravessa os estados de Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará e tem o rio Araguaia como importante afluente).
O regime de chuvas e a circulação de massas de ar predominantemente úmidas abastecem a imensa rede de rios brasileiros e os maiores aquíferos do mundo: o aquífero Guarani, localizado no centro-sul; e o aquífero Alter do Chão, na região Norte do país. Essas características climáticas também são importantes para a manutenção, em alguns períodos do ano, de uma grande planície alagada, o Pantanal, onde vivem e se reproduzem muitas espécies animais e vegetais.
As águas superficiais (rios, lagos, represas, etc.) contribuem para a manutenção da umidade, do regime de chuvas e para o abastecimento humano em diversas localidades.
O relevo influencia diretamente o trajeto dos rios, porque as águas das chuvas e nascentes sempre seguem em direção aos pontos mais baixos do terreno. Os desníveis de altitude também influenciam a velo cidade de deslocamento das águas dos rios, maiores em áreas de declividade mais acentuada.

Regiões hidrográficas

O Brasil possui uma extensa rede hidrográfica. De modo a facilitar o gerenciamento dos rios e das bacias, foram definidas doze regiões hidrográficas, unidades territoriais que compreendem uma ou mais bacias hidrográficas.
Cada uma dessas regiões possui as próprias características ambientais e sociais, além de usos diferenciados.
Algumas regiões hidrográficas estão localizadas apenas no território brasileiro, como a Tocantins-Araguaia e a São Francisco. Entretanto, existem as que também fazem parte de outros países, como as regiões Paraguai e Paraná. A disponibilidade de água varia segundo as diferentes regiões hidrográficas. 

“Brasil: regiões hidrográficas”.

A região hidrográfica Amazônica concentra hoje 81% da disponibilidade de águas superficiais no Brasil. Seus rios são muito utilizados para a pesca e para o deslocamento diário das populações ribeirinhas. O principal rio dessa região é o Amazonas; suas características naturais, como o alto volume de água, a localização em planície e o curso em meandros, o tornam uma das principais rotas de circulação na região Norte do país.
A região hidrográfica Tocantins-Araguaia tem a maior disponibilidade hídrica proveniente de bacias exclusivamente brasileiras. Uma de suas características é o grande potencial turístico, com seus rios e afluentes fazendo parte de belas paisagens naturais, como a Ilha dos Bananais, a maior ilha fluvial do mundo, e dos parques do Jalapão e dos Veadeiros. Além disso, seus rios são muito utilizados para navegação: a hidrovia Tocantins-Araguaia é importante para o escoamento de grãos produzidos no centro-oeste brasileiro.
As regiões hidrográficas Parnaíba, Atlântico Nordeste Ocidental, Atlântico Nordeste Oriental e Atlântico Leste têm a particularidade de estarem em áreas com eventos críticos de seca, atravessando o Semi-árido brasileiro. As duas últimas possuem as menores disponibilidades hídricas no Brasil.
A região hidrográfica São Francisco atravessa grande parte do Semiárido brasileiro, estando também em áreas críticas de seca, o que afeta muitos rios, que são intermitentes. O principal rio, o São Francisco, é muito importante para navegação, pesca e para abastecer e irrigar muitas plantações e criações de gado que ocorrem em suas imediações.
As regiões hidrográficas Atlântico Sudeste e Paraná são as mais povoadas de todo o país, com as duas cidades mais populosas, São Paulo e Rio de Janeiro, e importantes centros econômicos e industriais. No caso da região hidrográfica Paraná, destacam-se, ainda, seu grande potencial de geração de energia, abrigando a maior hidrelétrica do país, os usos para a agricultura e para abastecimento urbano, além da importância para navegação e deslocamento de produtos com a hidrovia Tietê-Paraná.
A região hidrográfica Paraguai engloba os biomas do Pantanal, marcado por planícies, e do Cerrado, marcado por planaltos, e apresenta grande potencial de geração hidrelétrica.
A região hidrográfica Atlântico Sul abrange áreas de grande densidade demográfica e desenvolvimento econômico, como Porto Alegre e Florianópolis, importantes centros industriais e turísticos.
E a região hidrográfica Uruguai apresenta potencial de geração de energia hidrelétrica e seus rios são muito utilizados para irrigação de atividades agroindustriais que ocorrem em suas imediações.

Brasil: grau de segurança hídrica 

Apesar de o Brasil contar com grandes reservas de água doce, o abastecimento hídrico não é regular no país. Desequilíbrios entre a oferta e a demanda geram situações de insegurança, principalmente quando a oferta hídrica não está disponível em quantidade ou qualidade suficientes para atender às necessidades humanas ou garantir a conservação dos ecossistemas.
Os rios são fontes essenciais ao abastecimento de água. Uma forma de garantir o fornecimento de água para um local com longos períodos de estiagem, por exemplo, é coletar e transportar a água de uma bacia hidrográfica melhor abastecida para outra em risco de desabastecimento.
A Agência Nacional de Águas fornece dados para o cálculo do Índice de Segurança Hídrica (ISH) com base nas dimensões: humana, econômica e ecossistêmica (incluindo a oferta hídrica em períodos de seca). O objetivo da Agência é identificar pontos de atenção para a realização de obras que controlem cheias ou minimizem os riscos de escassez hídrica até 2035. 
As áreas com menor segurança no abastecimento estão no sul do Rio Grande do Sul e na Região Nordeste. Nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, a segurança hídrica também é baixa.

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