quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

A paisagem natural brasileira

O território brasileiro apresenta grande diversidade paisagística, resultado da dinâmica entre clima, relevo, hidrografia, vegetação e outros componentes da paisagem. Essa diversidade também influencia a ocupação humana e o modo de vida das populações, com possibilidades diferenciadas de aproveitamento das condições naturais. 

1- As coberturas vegetais

As coberturas vegetais existentes no Brasil fazem parte dos biomas Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.

Amazônia

Esse bioma corresponde a 49% do território brasileiro. A pai sagem é dominada pela Floresta Amazônica, que apresenta enorme biodiversidade (figura 23). A Amazônia é um dos biomas mais preservados do país, mas vem sofrendo grande pressão ambiental, sobretudo das empresas agropecuárias e madeireiras. Visando fiscalizar e evitar os desmatamentos ilegais, o Instituto Nacional de Pes quisas Espaciais (INPE), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), monitora a floresta com o auxílio de satéli tes. Ainda assim, entre agosto de 2016 e julho de 2017, foram desmatados 6.624 km² da Amazônia.

Pampa 

Também conhecido como campos sulinos, esse bioma corresponde a apro ximadamente 2% do território brasileiro. Ele se constitui de vastas extensões de campos limpos, de solo coberto por gramíneas e arbustos de pequeno porte. Quase 60% da sua área já está desmatada, segundo o MMA. No litoral, o Banhado do Taim e as lagoas costeiras (como a Lagoa dos Patos) formam ambientes salobros únicos no Brasil. Esses banhados de lagoas abrigam espécies endêmicas e populações expressivas de aves aquáticas.

Cerrado 

É o segundo maior bioma brasileiro, ocupando cerca de 24% do território nacional. Sua vegetação se caracteriza pelo predomínio de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa (figura 25). Trata-se da Savana mais rica do mundo em biodiver sidade. Apesar disso, dados do MMA apontam que, nos últimos 50 anos, o Cerrado perdeu quase metade da sua área original.

Caatinga 

É um bioma exclusivo do Brasil, ocupando 11% de seu território. Quanto à vegetação, suas plantas são xerófitas, isto é, adaptadas ao clima Semiárido e à pouca quantidade de água (figura 26). Dados atuais do MMA apontam que 46% desse bioma já foi devastado.

Mata Atlântica 

Esse bioma, que ocupava 13% do território brasileiro, foi drasticamente devastado desde o início da colonização. Da dos do Inpe e da Fundação SOS Mata Atlântica, divulgados em 2017, indicam que, entre 2015 e 2016, foram desmatados 291 km² de florestas (o maior desmatamento em 10 anos). Hoje restam apenas cerca de 8,5% de vegetação nativa com áreas superiores a 100 hectares (figura 27). Como o Cerrado, essa mata é considerada um hotspot, isto é, uma das mais de trinta áreas do planeta Terra que necessitam de ações preservacionistas mais urgentes. Nas faixas litorâneas do bioma Mata Atlântica há as coberturas de zona costeira, como as restingas e os mangues. Cerca de 70% da população brasileira se concentra em cidades distantes até 200 km do litoral e disputa espaço com esse bioma.

Pantanal 

Esse bioma cobre aproximadamente 1,8% do território brasileiro. Ele se constitui na maior área alagada de água doce do mundo e, segundo o MMA, mais de 15% da sua área encontra-se desmatada.

2- Os climas 

Ao estudar o clima, percebemos que seus principais elementos – a temperatura, a radiação solar, a umidade, a precipitação e a pressão atmosférica – variam ao longo do ano e são influenciados por diferentes fatores locais, como a latitude, a posição em relação ao mar, as correntes oceânicas, a altitude e o relevo.

A maior parte do território brasileiro está situada na Zona intertropical do planeta. Nessa faixa, a radiação solar que recebe ao longo do ano tende a apresentar médias de temperatura mais altas (sobretudo na faixa próxima à linha do equador), baixa amplitude térmica e umidade mais elevada.

A maior parte do território brasileiro está situada na Zona intertropical do planeta. Nessa faixa, a radiação solar que recebe ao longo do ano tende a apresentar médias de temperatura mais altas (sobretudo na faixa próxima à linha do equador), baixa amplitude térmica e umidade mais elevada.

Por ter a maior porção de seu território situada na zona intertropical, a mais quente da Terra, o Brasil apresenta climas predominantemente quentes (Equatorial e Tropical), que se caracterizam por temperaturas elevadas, praticamente o ano inteiro. Em geral, nas áreas de clima Equatorial, o índice de pluviosidade (chuvas) é alto e, nas áreas de clima Tropical, as chuvas ocorrem em maior quantidade em determinado período do ano.

Existem regiões, como o Sertão nordestino, porém, que apresentam tempe raturas elevadas e chuvas escassas, decorrentes principalmente da dinâmica das massas de ar que atuam no litoral dessa parte do país. Na maior parte do território brasileiro não há estação fria. 
Nessas áreas, o ano costuma ser subdividido em apenas dois períodos: o das secas (estio), que normalmente corresponde ao inverno, e o das chuvas, que quase sempre cor responde ao verão. No entanto, no litoral do Nordeste, as chuvas aumentam nos meses de outono e inverno, sendo a primavera e o verão estações com menor quantidade de chuvas, comparativamente às demais. 
Apenas em uma pequena porção do território, ao sul do trópico de Capricórnio, ocorre o clima Subtropical, que determina baixas temperaturas durante o in verno. Nessa região, as chuvas estão distribuídas regularmente ao longo do ano.

3- A biodiversidade brasileira 

Os pesquisadores, ainda hoje, não têm uma ideia precisa de quantas espé cies de seres vivos existem no planeta. Estima-se que existam entre 10 e 50 mi lhões de espécies vegetais e animais. Há hipóteses de que o território brasileiro abrigue entre 10% e 20% de todas as espécies de seres vivos existentes no planeta (figuras 30 a 33). Por isso, o Brasil é considerado um país com megadiversidade. 
Juntos, os chamados países megadiversos concentram 70% da diversidade biológica mundial. Entre eles estão: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Vene zuela, Costa Rica, México, Índia, Madagáscar e África do Sul. A maior parte desses países situa-se particularmente na América do Sul. Os países megadiversos sul--americanos têm trechos de seus territórios abrangidos pelo bioma amazônico, um dos mais ricos em biodiversidade de toda a Terra. 
A Mata Atlântica, devido à sua distribuição azonal associada a variadas for mas de relevo, também está entre as mais biodiversas do mundo. Estudos mos tram que a maior biodiversidade já encontrada no planeta concentra-se em um fragmento no sul da Bahia. A manutenção da megadiversidade depende da proteção de áreas naturais. Para isso, é necessário colher informações sobre como e o que conservar com mais prioridade, definir planos de ação e obter financiamento para os projetos. 
Nas últimas décadas, várias iniciativas levaram à identificação de prioridades mundiais para a conservação, considerando índices de diversidade biológica, grau de ameaça, entre outros critérios. No entanto, a concretização de ações para a manutenção da biodiversidade enfrenta outras barreiras, como a pressão de grupos econômicos que querem ex pandir seus negócios (cultivos, indústrias, estradas, etc.) sem preocupação com o meio ambiente.

4- O relevo do território brasileiro 

Desde o início de sua formação, há milhões de anos, a superfície terrestre vem sofrendo constantes transformações em virtude da ação de forças internas, como o tectonismo e o vulcanismo, e de forças externas, como a ação dos ventos, da água e dos seres humanos. O relevo terrestre é o resultado da combinação da atuação dessas diferentes forças. 
A estrutura geológica do território brasileiro formou-se há muito tempo — a maior parte há mais de 300 milhões de anos. Em razão disso, não existem no Brasil dobramentos recentes, formados há aproximadamente 70 milhões de anos, como os Andes e o Himalaia. 
Por causa da antiguidade da sua estrutura geológica, o relevo brasileiro apre senta-se bastante desgastado pelos agentes de erosão e é caracterizado por al titudes relativamente baixas. A quase totalidade do território apresenta altitudes inferiores a mil metros; apenas 3% estão acima de 900 metros.

Classificações do relevo brasileiro 

O Projeto RadamBrasil, desenvolvido entre 1970 e 1985, mapeou todo o território brasileiro. Esse mapeamento foi feito com imagens de radares instalados em aviões e dados de levantamentos de campo. Graças a esse projeto e a uma série de estudos, o geógrafo Jurandyr Ross criou uma nova classificação para o relevo brasileiro, que continua sendo a mais utilizada atualmente. 
Existem outras classificações do relevo brasileiro. Duas das mais conhecidas são as dos geógrafos Aroldo de Azevedo, de 1949, e Aziz Ab’Sáber, de 1962.
As extensas áreas planálticas com topografia plana (chapadas) que ocorrem em porções do Centro-Sul e do Nordeste do território brasileiro oferecem boas condições para a atividade agrícola mecaniza da. 
Entretanto, o uso intensivo e frequentemente inadequado de colheitadeiras pesa das, semeadeiras e tratores vem causando danos ao solo, como a compactação e a erosão.

3- Os rios 

O extenso território brasileiro possui um grande potencial para o transporte hidroviário. De acordo com o Ministério dos Transportes, são mais de 40 mil quilômetros de rios que poderiam ser utilizados para o transporte.
No entanto, o volume de cargas transportadas nos rios brasileiros é muito pequeno se comparado ao que é transportado por rodovias. Em outros países, a realidade é outra. Na Holanda, por exemplo, cerca de 75% da carga é transportada por hidrovias. 
Esse quadro está associado não apenas às características naturais desse país, mas também às políticas de implementação estrutural pautadas nes se tipo de transporte. Isso traz inúmeras consequências negativas para o Brasil, visto que o trans porte hidroviário muitas vezes é mais econômico e polui menos que o rodoviário. 
Aproveitar melhor os rios para a circulação de pessoas e, principalmente, de mercadorias, portanto, além de benefícios econômicos, contribuiria para a redução dos danos ambientais relacionados à emissão de poluentes atmosféricos, entre outros. 
As embarcações são capazes de transportar grandes volumes de cargas a longas distâncias, diminuindo a dependência dos caminhões que circulam pelas rodovias do país. 
Os rios brasileiros possuem também grande potencial hidrelétrico. Atualmente, as duas bacias hidrográficas de maior produção de energia no Brasil são a do Paraná e a do São Francisco. 
No entanto, o governo vem investindo na construção de novas hidrelétricas, sobretudo na bacia do Amazonas, cujos rios apresentam grande potencial para fornecimento de energia.

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