As interações entre os elementos naturais de uma região influenciam diretamente as paisagens encontradas e podem evidenciar a relação entre a natureza e o modo de vida da sociedade. No caso do Brasil, a localização e a grande extensão territorial o tornam privilegiado no que se refere às diversidades naturais, sendo o clima um importante elemento.
Diversidade dos climas no Brasil
O território brasileiro apresenta grande diversidade paisagística, re sultado da dinâmica entre clima, relevo, hidrografia, vegetação e outros componentes da paisagem. Essa diversidade também influencia a ocupação humana e o modo de vida das populações, com possibilidades diferenciadas de aproveitamento das condições naturais.
Ao estudar o clima, percebemos que seus principais elementos – a temperatura, a radiação solar, a umidade, a precipitação e a pressão atmosférica – variam ao longo do ano e são influenciados por diferentes fatores locais, como a latitude, a posição em relação ao mar, as correntes oceânicas, a altitude e o relevo.
A maior parte do território brasileiro está situada na Zona intertropical do planeta. Nessa faixa, a radiação solar que re cebe ao longo do ano tende a apresentar médias de apresentar médias de tempera- temperatura tura mais altas (sobretudo na fai- mais altas (sobretudo na faixa próxima à linha do equador), baixa amplitude térmica e umidade mais elevada.
ma Tropical ma Tropical, que é caracteriza- , que é caracteriza
do pelo verão quente e úmido e pelo inverno seco e com temperaturas mais amenas.
Tipos de clima no Brasil
No Brasil predominam seis principais tipos de clima, e em cada um deles podemos observar características específicas de umidade, temperatura e precipitação.
O clima Equatorial, predominante na região Norte, é caracterizado por altas temperaturas e pre cipitações ao longo do ano. Há forte inter-relação entre o clima Equatorial e a Floresta Amazônica, pois a evapotranspiração da vegetação contribui para manter elevada a umidade na região.
Na faixa litorânea, do estado de São Paulo até o Rio Grande do Norte, ocorre o clima Tropical Úmido. Em decorrência da influência marítima, esse clima se caracteriza pela elevada umidade e precipitação ao longo de todo o ano.
O clima Tropical Semiárido, que ocorre em uma extensa área da região Nordeste, apresenta temperaturas elevadas e baixa umidade; as chuvas são irregulares e escassas.
Há formas de relevo relacionadas a essa dinâmica climática regional, como o planalto do Borborema, onde as altitudes são mais elevadas, influenciando na ocorrência de chuvas orográficas. Em parte dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, observamos o clima Tropical de Altitude, marcado pelo predomínio de baixas temperaturas e invernos com baixo volume de chuvas.
O clima Tropical, no Centro-Oeste e em parte do Nordeste brasileiro, apresenta pouca variação de temperatura, mantendo-se com médias elevadas ao longo de todo o ano. As chuvas são mal distribuídas durante o ano, marcando verões com alta pluviosidade e invernos secos.
O clima Subtropical, na Zona temperada (ao sul do trópico de Capricórnio), é caracterizado pela maior amplitude térmica entre os climas brasileiros, bem como por pouca variação das chuvas ao longo do ano. Nos climogramas a seguir, podemos analisar as temperaturas e as precipitações médias de três localidades em diferentes climas brasileiros.
Em Manaus, situado no clima Equatorial, vemos as médias de tempe ratura e precipitação muito elevadas. Em Porto Nacional, que está situado no clima Tropical, o verão é quente e úmido e o inverno é frio e seco.
Continentalidade e maritimidade
Um dos fatores que atuam sobre o clima de um lugar são as trocas de calor promovidas pelo contato entre a atmosfera e a superfície terrestre. O aquecimento ou o resfriamento da superfície afeta diretamente a temperatura atmosférica e, consequentemente, o clima.
Nesse aspecto, um importante fator climático é a distância em relação ao mar, ou seja, a posição de uma localidade em relação ao oceano. Isso porque a radiação proveniente do Sol penetra mais profundamente nas águas, o que permite aquecer volu mes maiores ao longo do dia.
Além disso, a água também possui grande capacidade de absorção e retenção da energia solar, o que contribui para um lento resfriamento e uma amplitude térmica mais baixa. Quanto mais próximo do oceano, portanto, maior a influência da maritimidade na dinâmica climática. Já na área continental, a radiação solar penetra apenas nas camadas superiores de terra e rocha. Isso gera um aquecimento mais rápido da superfície ao longo do dia, mas um esfriamento igualmente rápido, o que aumenta sua amplitude térmica.
Quanto mais distante do oceano, maior a influência da continentalidade. No Brasil, podemos observar de forma muito nítida essa dinâmica quando compara mos o clima Tropical Úmido do litoral, em Ilhéus (BA), com o clima Tropical, em Cuiabá (MT), no Centro-Oeste. A temperatura oscila menos na área litorânea, onde ocorre o clima Tropical Úmido.
Da mesma forma, a umidade atmosférica e as chuvas são mais regulares. Na área continen tal com ocorrência do clima Tropical, há distribuição mais irregular de chuvas ao longo do ano. A umidade mais baixa nos períodos de outono e inverno dificulta a retenção de calor e contribui para uma amplitude térmica maior entre verão e inverno.
Circulação geral da atmosfera e massas de ar
A circulação de ar ocorre de diferentes maneiras na superfície terrestre e influencia diretamente as características climáticas. A circulação tem importante re lação com a latitude e com a pressão atmosférica. Quanto mais próximo da linha lação com a latitude e com a pressão atmosférica.
Quanto mais próximo da linha do equador, menor a pressão atmosférica. No entanto, a pressão aumenta confor me a proximidade com os polos. O ar sempre se desloca das áreas de alta pressão para as áreas de baixa pressão atmosférica. Nas áreas de baixa pressão, geralmente com temperaturas mais elevadas, ocorre maior evaporação de água dos oceanos.
Por estar mais quente, o ar com umida de se eleva, indo para mais longe da superfície terrestre, alcançando maior altitude e formando nuvens de chuva. Nas áreas de alta pressão, geralmente mais frias, o ar, também frio e com baixa umidade, desce em direção à superfície terrestre, tor nando o ar mais seco.
No Brasil, pela posição próxima à linha do equador, em áreas de baixa pressão, atua a Zona de convergência intertropical, uma imensa faixa em que convergem ventos úmidos dos hemisférios norte e sul. Além dela, incide sobre o Brasil a Zona de convergência do Atlântico Sul, que contribui para a formação de massas úmidas de ar no país, que se deslocam da Amazônia em direção ao Atlântico. Como resultado de todo esse processo de circulação do ar e de convergência de massas úmidas, atuam cinco grandes massas de ar:
• Massa Equatorial Continental (mEc).
• Massa Equatorial Atlântica (mEa).
• Massa Tropical Atlântica (mTa).
• Massa Tropical Continental (mTc).
• Massa Polar Atlântica (mPa).
Geralmente, as massas de ar continentais são secas. Esse é o caso da mTc no Brasil, que é quente e seca. A influência da Floresta Amazônica é tão grande no clima que, apesar de a mEc originar-se relativamente longe do oceano, recebe uma imensa quantidade de umidade da floresta e carrega essa umidade em direção às regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte do país. Dessa forma, contribui com o regime de chuvas dessas regiões e a manutenção do volume de água de muitas bacias hidrográficas.
As massas de ar atlânticas, tanto a mEa quanto a mTa, são quentes e úmidas, favorecendo o aumento de umidade em toda a porção leste do território, sobretudo nas áreas litorâneas.
Por fim, também atua em nosso país a mPa, que se desloca da porção sul do continente em direção à região Sul e à costa litorânea brasileiras. Ela ganha umidade, mas ainda assim permanece como uma massa de ar frio, provocando quedas bruscas de temperatura por onde circula.
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