Nos ecossistemas, ocorrem interações entre indivíduos de uma mesma espécie, chamadas relações intraespecíficas, e interações entre indivíduos de espécies distintas, chamadas relações interespecíficas.
Essas interações favorecem a obtenção ou o compartilhamento de abrigo, alimento e recursos do ambiente. Podemos dividir essas relações em harmônicas, quando trazem benefícios aos seres vivos envolvidos ou não os prejudicam, e desarmônicas, quando um dos indivíduos que participa da relação é prejudicado.
Relações harmônicas intraespecíficas
Alguns exemplos de relações harmônicas entre indivíduos da mesma espécie são as colônias e
as sociedades, que veremos a seguir.
Colônias
Em uma colônia, os indivíduos estão fisicamente conectados uns aos outros e não sobrevivem isolados.
Há colônias em que cada indivíduo executa as
mesmas funções, por exemplo, os recifes de coral.
Em outras, como a caravela, ocorre divisão do trabalho e há indivíduos especializados em proteção e defesa, reprodução, natação, flutuação e alimentação.
A caravela-portuguesa (Physalia physalis) é uma colônia formada
por indivíduos com diferentes funções ao longo dos tentáculos,
que estão presos ao flutuador cheio de gases. Alguns tentáculos
têm indivíduos que lançam toxinas que paralisam peixes, os quais
são digeridos por outros indivíduos nos tentáculos encarregados
da digestão. Há tentáculos com indivíduos que participam da
reprodução. O flutuador da caravela-portuguesa mede cerca de
30 cm e seus tentáculos têm em média 10 m.
Sociedades
Nas sociedades, os indivíduos atuam em conjunto e de forma cooperativa, têm hierarquia e apresentam divisão de trabalho. Algumas espécies de
vespa, cupim, formiga e a maioria das abelhas são
exemplos de animais que vivem em sociedade.
Em uma colmeia, há a rainha, as operárias e os zangões.
A rainha é a mãe de todas as abelhas da colmeia. De seus ovos
nascem operárias, zangões e futuras rainhas. A larva fêmea
que será rainha recebe geleia real e cresce muito mais que as
outras.
Relações harmônicas interespecíficas
As relações harmônicas entre indivíduos de espécies distintas são aquelas em que há benefício para as duas espécies ou
somente para uma delas sem prejudicar a outra. Veremos alguns
exemplos a seguir.
Mutualismo
É a relação entre indivíduos na qual ambos são beneficiados. Eles
podem compartilhar abrigo, alimentos ou recursos do ambiente. No
mutualismo, as espécies dependem dessa relação para sobreviver.
Em alguns liquens (associações
de fungos e algas), os organismos
associados provêm recursos
que o outro não obtém sozinho.
As algas fornecem nutrientes ao
fungo, que fornece um ambiente
adequado para o crescimento
delas, pois retém água e
nutrientes.
Os cupins alimentam-se
de madeira. A digestão
da celulose é feita
por protozoários e
bactérias que habitam
o estômago do cupim.
Protocooperação
Protocooperação ou mutualismo facultativo é a relação entre dois indivíduos na qual ambos são
beneficiados. Essa relação, porém, não é obrigatória para a sobrevivência dos organismos.
O peixe-palhaço (Amphiprion sp.)
tem cerca de 10 cm e vive junto às
anêmonas-do-mar, que o protegem
de predadores. Quando se alimenta,
o peixe-palhaço fornece alimento
para as anêmonas.
Comensalismo
O comensalismo envolve a interação entre dois organismos na qual um deles é beneficiado e o
outro não é beneficiado nem prejudicado com a relação.
A rêmora (Remora sp.) mede cerca de 40 cm de
comprimento. É um peixe que se prende ao corpo de
outros animais, como tubarões, e se alimenta dos restos
alimentares que estes deixam na água.
O epifitismo é um tipo de comensalismo. As orquídeas são
exemplos de epífitas, pois se fixam em troncos de árvores
sem prejudicá-las e, assim, recebem mais luminosidade.
Vamos ver agora alguns exemplos de relações desarmônicas de indivíduos de uma mesma espécie.
Relações desarmônicas intraespecíficas
Canibalismo
O canibalismo é uma relação em que indivíduos se alimentam de outros indivíduos da própria espécie. Geralmente, ocorre em situações de
falta de alimento ou de limitação de espaço.
Competição intraespecífica
É a disputa entre indivíduos da mesma espécie por algum recurso do ambiente, por exemplo, alimento e território, e por parceiros sexuais.
Os machos de elefantes-marinhos (Mirounga sp.) lutam entre si para se reproduzir com um grupo de fêmeas. Essas lutas podem levar o oponente à morte. O macho dessa espécie pode chegar a 6,5 m de comprimento.
Relações desarmônicas interespecíficas
Também existem relações desarmônicas entre indivíduos de espécies diferentes. Observe alguns exemplos a seguir.
Competição interespecífica
Indivíduos de espécies diferentes podem disputar território e recursos do ambiente. Essa relação é a competição interespecífica. Por exemplo, há aves de espécies distintas que disputam o mesmo material para a construção de seus ninhos.
Predação
A predação ocorre quando um indivíduo de uma espécie (o predador) se alimenta de um indivíduo de outra espécie (a presa) ou de suas partes. Os animais carnívoros são exemplos de predadores.
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas,
chegando a medir cerca de 2 m de comprimento. É um animal
carnívoro que se alimenta de outros mamíferos, como capivaras, queixadas e veados, e de répteis, como jacarés. Habita áreas de vegetação densa, com abundância de água e alimentação. São animais de hábitos solitários e terrestres e caçam tanto à noite quanto durante o dia.
Parasitismo
A relação de parasitismo se dá quando um indivíduo de uma espécie
(o parasita) sobrevive à custa de um indivíduo de outra espécie (o hospedeiro), que é prejudicado. Na maioria dos casos, a interação com o parasita não mata o hospedeiro.
Os parasitas podem ser endoparasitas, que penetram o organismo, ou
ectoparasitas, que não invadem o organismo (do grego endo = dentro;
e ektós = fora).
O amarelão, ou ancilostomose, é uma parasitose que provoca anemia,
causada por vermes endoparasitas, cujas larvas penetram a pele. Já o piolho, o carrapato, o bicho-de-pé e a sarna são exemplos de ectoparasitas.
O parasitismo também ocorre em espécies vegetais. O cipó-chumbo,
por exemplo, não tem folhas nem clorofila, portanto, não faz fotossíntese.
Ele se alimenta da seiva que retira do caule da planta hospedeira por meio
de suas raízes.
O cipó-chumbo (Cuscuta sp.) é uma planta parasita. Quando
cobre completamente a planta hospedeira, esta acaba
morrendo e o cipó-chumbo também.
Amensalismo ou antibiose
São relações desarmônicas em que indivíduos de uma população ini
bem ou impedem o desenvolvimento de indivíduos de populações de
outras espécies.
Um exemplo de amensalismo é a relação entre alguns
fungos e bactérias.
Determinados fungos produzem substâncias que, lançadas no ambiente à sua vol
ta, impedem ou dificultam o crescimento e
o desenvolvimento de bactérias.
Com base
nessa constatação, os pesquisadores puderam desenvolver a penicilina, antibiótico que
já salvou muitas vidas.
O eucalipto (Eucalyptus sp.) pode chegar a medir
cerca de 70 m de altura. As folhas que caem no solo
liberam uma substância que inibe o desenvolvimento
de outras plantas. Esse tipo de relação desarmônica é
denominado amensalismo.
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