O estudo das formas de vida que habitam o planeta gera uma grande quantidade de informações. Para facilitar o acesso a essas informações, os seres vivos são organizados em grupos de acordo com suas características ou padrões. Esse processo de categorização é chamado de classificação biológica.
Os cientistas que trabalham com a classificação biológica são os sistematas. Eles classificam os seres vivos em grupos e criam nomes científicos adequados para cada um deles.
Para separar os seres vivos em grupos, são usados diversos critérios, como as semelhanças. Para encontrar semelhanças, compara-se não apenas o aspecto exterior, mas principalmente a estrutura corporal – células, tecidos e órgãos –, sua composição química e mesmo o material hereditário.
O agrupamento básico para a classificação dos seres vivos é a
espécie. Diversas definições para espécie já foram criadas. Utilizamos a definição de espécie biológica: um grupo de
seres vivos que consegue cruzar entre si e se reproduzir, gerando
descendentes férteis.
O NOME CIENTÍFICO
Cada idioma tem uma palavra própria para se referir a um
determinado ser vivo. O cavalo, por exemplo, é horse em inglês,
Pferd em alemão, cheval em francês e caballo em espanhol. Os
nomes também variam de acordo com a região do país: por
exemplo, no Brasil, os nomes mandioca, aipim, macaxeira e maniva são usados para se referir à mesma planta.
Entretanto, nos trabalhos científicos, é necessário se referir
a uma espécie de um modo que pesquisadores de todo o mundo
entendam. Por isso, os cientistas usam o nome científico para
definir a espécie. O nome científico do cavalo, por exemplo, é
Equus caballus, enquanto o da mandioca é Manihot esculenta.
Pesquisadores de qualquer parte do mundo podem utilizar es
ses nomes para se referir a esses organismos.
Veja a seguir as normas que devem ser usadas para criar e
escrever um nome científico.
• Os nomes científicos devem ser escritos em itálico ou sublinhados, sempre em latim.
• O nome de cada espécie é composto de duas palavras,
por isso essa forma de nomear as espécies é denominada
sistema binomial.
• A primeira palavra deve indicar o gênero, e a segunda é
chamada epíteto específico.
• O nome do gênero deve iniciar com letra maiúscula, en
quanto o epíteto da espécie deve ser escrito com letras
minúsculas.
Ao escrever em sequência o nome de vários organismos que
pertencem ao mesmo gênero, a primeira palavra (correspondente ao nome do gênero) pode ser abreviada a partir da segunda citação. Por exemplo: laranjeira (Citrus sinensis), cidreira
(C. medica) e pé de tangerina (C. reticulata).
O sistema binomial foi elaborado pelo naturalista sueco
Carolus Linnaeus (1707-1778) – ou simplesmente Lineu – em
1735.
Na época de Lineu, o latim era a língua universal do ensi
no no mundo ocidental e os trabalhos científicos eram escritos
nesse idioma. Utilizando, portanto, a estrutura das palavras em
latim, Lineu adotou essa língua para criar os nomes científicos.
O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE LINEU
O sistema binomial de Lineu é usado até hoje, mas com algumas modificações.
Nesse sistema, os seres vivos são agrupados em categorias
ou níveis de classificação. Cada categoria é um agrupamento
de organismos que apresentam uma ou mais características
em comum.
O sistema de classificação biológica atual utiliza as seguintes categorias ou níveis de classificação:
O reino é um conjunto
de filos.
Os animais fazem parte
do reino Animalia.
O filo é um conjunto de classes.
O filo dos cordados abrange todas as
classes de animais que desenvolvem
uma estrutura de sustentação
chamada notocorda. São exemplos
os mamíferos, os répteis e os peixes.
A classe é um conjunto de ordens.
A classe dos mamíferos reúne todas as ordens
de animais que produzem leite para alimentar
seus filhotes, como os carnívoros, os primatas
(macacos e humanos), os cetáceos (baleias) e
os quirópteros (morcegos).
A ordem é uma reunião de famílias.
A ordem dos carnívoros abrange
diversas famílias de animais que,
em geral, consomem carne na
sua alimentação. São exemplos os
felídeos e os canídeos.
As famílias são conjuntos
de gêneros.
A família dos felídeos reúne todos
os gêneros dos animais que
conhecemos popularmente como
felinos, como Panthera, Felis e Puma.
O gênero é um conjunto
de espécies.
O gênero Panthera inclui
espécies como Panthera onca
(onça), Panthera leo (leão) e
Panthera tigris (tigre).
Conjunto de organismos que se
reproduzem e geram descendentes férteis.
A espécie é a unidade básica da
classificação biológica. A onça-preta
(Panthera onca) é uma espécie encontrada
em vários biomas brasileiros.
REINOS E DOMÍNIOS
Diversos sistemas de classificação já foram adotados ao
longo do tempo, de acordo com diferentes critérios para for
mar os grupos.
As classificações mais antigas seguiam critérios que não representavam características específicas dos organismos, mas
sim de sua relação com o ser humano. Assim, os animais podiam ser classificados, por exemplo, como perigosos ou inofensivos, comestíveis ou venenosos.
Aristóteles, que viveu no século IV a.C., é considerado a primeira pessoa a empregar um sistema racional, usando características inerentes aos seres: os seres imóveis seriam as plantas,
enquanto os animais seriam os organismos móveis.
A invenção do microscópio no final do século XVI possibilitou a
descoberta de seres muito pequenos, que inicialmente também
foram classificados como animais ou plantas. No século XIX, o
reino Protista foi proposto para abrigar organismos que não se
adequavam nem ao reino das plantas nem ao dos animais.
Em 1969, o biólogo estadunidense Robert H. Whittaker (1920--1980) elaborou um sistema de cinco reinos, que até hoje é muito usado. Esse sistema se baseia em critérios como organização
celular e modo de obter alimento.
Na década de 1970, o pesquisador estadunidense Carl Woese
(1928-2012) propôs que os seres vivos fossem agrupados em três
domínios: Bacteria, Archaea e Eukarya. Veja, a seguir, como os
organismos são agrupados segundo esse sistema.
BACTERIA ARCHAEA EUKARYA
↖ ⬆ ↗
seres vivos mais antigos
GRUPOS DE SERES VIVOS
A diversidade de seres vivos é muito grande e isso motivou o
desenvolvimento de sistemas de classificação.
A EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS
Um dos critérios mais utilizados atualmente para agrupar os
seres vivos é o parentesco evolutivo entre eles. Esse critério se
baseia na ideia de que as espécies se modificam ao longo do
tempo, um processo conhecido como evolução.
De acordo com as teorias evolutivas mais
aceitas atualmente, todos os seres vivos teriam
surgido de um organismo original, e novas espécies surgem a partir de espécies já existentes. Portanto, todas as espécies que existem
e já existiram apresentam alguma relação de
parentesco evolutivo, em maior ou menor grau.
A história da vida na Terra poderia ser representada como uma árvore ramificada. Na
base da árvore, estaria o ancestral comum de
todos os seres vivos. Ao longo do tempo, surgi
riam ramificações nessa árvore, ou seja, diferentes espécies ou grupos de seres vivos.
As novas formas de vida bem-sucedidas
deixariam descendentes. Outras, não tão bem-sucedidas, en
trariam em extinção. Assim, na árvore dos seres vivos haveria
ramos com representantes atuais e outros que só poderiam
ser reconhecidos em formas fósseis, isto é, que já não existem
na atualidade.
(A)
(B)
Por muito tempo, as garças (Ardea alba) (A) e os tuiuiús (Jabiru mycteria) foram classificados na mesma ordem.
Porém, após uma série de estudos sobre o material genético desses animais, os cientistas concluíram que é mais
correto classificar os tuiuiús na mesma ordem dos pelicanos (Pelecanus onocrotalus) (B).
Atualmente, todos os estudos sobre a classificação dos seres
vivos levam em consideração aspectos evolutivos. Por isso, novas descobertas e pesquisas podem alterar a classificação das
espécies e até mesmo criar ou descartar agrupamentos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário